Team Reset
25 Missão de Resgate à J! Um dos objetivos do Governo Mundial é revelado?
J foi incumbido com a missão de ir até um prédio do Governo Mundial para verificar atividades estranhas, mas acabou sendo capturado e parcialmente destruído. Com isso, o teleporte que era utilizado como meio de transporte de Shishi foi danificado. Nisso, o rapaz fora levado até outra dimensão, onde fora atacado por Basco e Escape. Lá, suas memórias foram roubadas. Narumi e Miu, ao acordarem de seu treinamento não conseguiram encontrá-lo no local. Então, ao perceberem que havia algo errado, também decidiram ir para o mesmo destino dele.
Encontraram três pessoas, Taiga, Shoutarou e Luka, que decidiram ajudá-las a procurar e recuperar as memórias de seu Senpai. Mas agora, após o fim dessa primeira batalha, Shishi teve a sensação de que depois de um pico dos seus poderes, ele estava em estado de latência, e começava a despertar pouco a pouco. E também, deveriam resgatar J. Era o sinal de mais uma batalha se aproximando.
– E então? O que estamos esperando para entrar nesse prédio e salvar o J logo? – Narumi deu alguns passos para frente, mas a gola de sua blusa fora segurada por Shishi, e ela puxada de volta para onde estava inicialmente. O Senpai deixou escapar um suspiro por conta da ação dela.
– Não é assim... Esse prédio deveria estar vigiado. Talvez eu deva dar uma voltinha pelas redondezas para verificar isso. Já volto... E não saiam daqui. – Com um tom bem imperativo na voz ao dar o aviso, ele saiu para fazer uma volta de reconhecimento.
Miu e Narumi se entreolharam, estranhando de certo modo a atitude dele. Será que foi por ter saído daquele mundo? Ou só estava de fato preocupado com o robô? Mas, mesmo assim. Apesar de ele ser um importante presente de Akamatsu Hanako, chegaram a pensar que não precisava disso tudo para salvar apenas uma máquina. E, pela primeira vez, as duas compartilhavam do mesmo pensamento.
Após mais uns cinco minutos de puro silencio, Shishi retornou, discretamente aliviado por elas não terem lhe desobedecido. – Muito bem, eu avistei três guardas a leste daqui. Pelo que parece, eles utilizam algum tipo de uniforme. Podemos nocauteá-los, pegar o uniforme deles e entrarmos discretamente. Assim, eles acharão que somos empregados e não inimigos. Bem simples, eu diria.
Simples? Não era o que as duas achavam. Parecia mais um plano louco de um filme de ação ao estilo Missão Impossível. Inclusive, a música tema do filme chegou a tocar na cabeça de Miu, o que tornava a situação levemente engraçada, mas achou melhor não comentar nada.
Shishi começou a andar e as kouhais o seguiram. Logo puderam ver três homens conversando. Eles estavam com uniformes marrons, que definitivamente se misturavam com a paisagem desértica. Deram-se conta de que aquele ambiente era artificial, pois ao longe havia uma floresta que contrastava muito com os arredores do prédio. Aquilo deixou Narumi um pouco triste, já que o processo de desertificação era bem complicado de fazer, e provavelmente afetara não só pessoas como uma grande quantidade de espécies. Enfim, ela percebeu que era melhor não ficar pensando naquilo por enquanto. Quando olhou, Shishi estava falando alguma coisa para Miu.
– Eis o plano: Miu-chan, você vai criar uma fina camada de gelo em volta deles e desmaiá-los por conta do choque térmico. Depois que fizer isso, nós pegaremos o uniforme deles.
A mais nova do grupo se concentrou e então algo bem parecido com névoa foi se formando ao redor dela. Apontou a mão para onde estavam os três homens e a onda de frio passou por eles, provocando seus desmaios. O plano foi um sucesso. Eles três se aproximaram calmamente, pegando pelo menos a parte de cima do uniforme, que era uma bata de cor marrom. Pegaram também os óculos escuros deles, já que seria muito fácil reconhecer Shishi devido aos olhos de cor cinza dele.
Entraram no prédio e foram cumprimentados por outro guarda, claramente confundiu os três com empregados. – Qual o relatório dos arredores? Nenhum inimigo veio atrás daquele robô, não é?
Não sabiam exatamente o que responder, nem mesmo Shishi. Assim que se fez um silencio constrangedor, Narumi fez a melhor imitação de voz masculina que podia. – Está tudo bem. Até agora, nenhum inimigo se aproximou daqui.
O homem estranhou a voz de seu companheiro ter ficado mais fina. Ergueu as sobrancelhas como se achasse aquilo bem esquisito. – Bom trabalho, Jones. E tome algum remédio, pela sua voz, você gripará em breve se não tomar cuidado. Ah, aqui está a chave do quarto de vocês.
Ela agradeceu e guiou os outros dois para o quarto 1502, acabaram se perdendo algumas vezes, mas através de placas e algumas dicas de outros empregados. Ao chegarem lá, haviam três camas. Miu e Narumi se deitaram nelas, por finalmente terem a chance de relaxar um pouco após tantas batalhas.
Shishi analisou parte por parte do cômodo. Parecia procurar alguma coisa suspeita naquele lugar. Ele estava certo, era sempre bom vasculhar os ambientes para saber se tinha uma escuta ou um rastreador, passou por todos os tipos de móveis possíveis: Poltronas, camas, o banheiro e até mesmo algumas plantas de decoração. Miu desconfiou um pouco do que ele estava tentando fazer. Para ela, o senpai parecia um maníaco de limpeza procurando algum resquício de sujeira no quarto.
– Aparentemente... Não tem nada aqui. Isso é ótimo. – O comentário do rapaz foi para si mesmo, mas como acabou falando em voz alta. Narumi soltou um “Hã?” alto o suficiente para os dois outros ouvirem. Assim que Shishi notou a reação dela, se virou e fez uma reverência para se desculpar.
– Ah, eu só estava tomando cuidado com qualquer tipo de escuta. Não notei nada, então será mais fácil de bolar algum plano. – Concordaram com ele. De fato, seria bem melhor montar um plano se não estivessem sendo observados no tempo em que estavam ali.
A garota de mechas brancas se levantou e olhou pela janela. Não havia nada ao redor que não fosse areia, cascalho ou rochas. Era realmente um local bem isolado do resto da cidade. Porém, havia uma movimentação estranha do lado de fora. Chamou os dois amigos para olharem também.
– O que está acontecendo? – Perguntou Miu. Tentava enxergar algo de diferente naquela movimentação, mas era bem complicado. Apenas um caminhão se aproximava, e o próprio ainda levantava bastante poeira, dificultando ainda mais a visão do trio.
– Hmm, deve ter algo relacionado ao J... Mas agora não adianta fazer nada. Temos que esperar a noite cair. Se formos agora, só chamaremos mais a atenção deles, e entraremos em batalhas desnecessárias. Por enquanto, devemos apenas descansar um pouco.
Elas concordaram. Pareciam estar sem jeito, talvez por dividirem um quarto com um rapaz mais velho que elas, mesmo que a diferença não fosse tão grande. E mesmo que soubessem que Shishi não faria nada contra elas, ainda era um motivo pra se ficar com vergonha.
– Hm, okay então. Boa noite, velhote. – Brincou Narumi. Ela sabia que o veterano ficava um pouco triste sempre que era chamado de velhote. Mas dessa vez, ele pareceu ignorar o comentário dela. Não esboçou nem mesmo alguma reação de repreensão ao ato dela. A garota estranhou, chegando até mesmo a olhar para a mais nova, como se quisesse perguntar O que houve com ele? Mas, resolveram deitar definitivamente na cama para descansar. Aquele foi um dia bem longo, e com até mesmo a primeira missão oficial delas. Dormiram bem mais rápido do que imaginariam que fosse possível.
Ao mesmo tempo, Shishi observou as duas dormindo. Queria ter certeza que elas estariam no mais profundo sono, assim poderia ficar a sós com seus próprios pensamentos. Sentir-se-ia mais seguro sabendo que elas não acordariam enquanto refletia sobre o futuro.
– O que será que eles estão fazendo com o J? Eu queria ser otimista e dizer que estão apenas mantendo o corpo dele preso para fazer uma armadilha, mas... Não é só isso. Tenho certeza de que devem estar procurando como funciona o sistema de teleporte.
Enquanto o rapaz mergulhava em pensamentos, seus olhos ficavam mais pesados a cada segundo que passava. E então, ele acabou dormindo. Teria sido ótimo se fosse uma boa noite de sono, mas assim que dormiu começou a ter pesadelos.
– Shii-chan... Onde você está? Por que ainda não veio me salvar? – Pôde ouvir a voz da irmã mais velha ecoando em sua mente. Parecia estar em um sonho bem lúcido, mas seu corpo estava em meio a uma escuridão intensa. Sons de lamentação e sussurros eram mais altos do que qualquer coisa. Talvez até ouvisse a voz de algum de seus outros amigos, mas era difícil de confirmar. Provavelmente, a voz mais nítida em sua mente era a de Hanako.
– Shii-chan... Por acaso você me abandonou? – Ele queria poder gritar “Não!”, mas sua voz não saía de jeito nenhum. Achou que as trevas do local estivessem impedindo que sua voz ressonasse pelo ambiente, só que... Havia algo de diferente ali. Quanto mais tempo passava, mais os lamentos de sua irmã se afastavam. Viu a imagem dela pedindo por ajuda. Estendeu a mão para segurar a dela, mas não conseguia. Apesar de seus dedos estarem tão próximos aos dela.
Logo que se deu conta de que não havia mais nenhuma maneira de salvá-la, o pesadelo mudou. Shishi estava em um laboratório. Estreitou os olhos para conseguir ver algo que estava de pernas e braços abertos e presos por alguns fios metálicos. Ele se deu conta de que deveria ser J ali. Reconheceu por conta dos chifres na testa, embora eles parecessem um pouco danificados. Olhou mais detalhadamente e viu também um rombo do tamanho de uma mão no peito dele. Ainda percorria um pouco de energia na área machucada. Até mesmo o brilho de seus olhos estava apagado. O Veterano sentiu a raiva se inflando em seu interior. Ouviu uma nova voz ecoando pelo laboratório. Estava rindo da incompetência dele diante do que acontecia. Alguém lhe dizia que não conseguia salvar ninguém. Ele fora o único a sobreviver de seus amigos e não conseguia fazer nada para ajudá-los, muito menos possuía o poder para tal feito. Seu “eu” do sonho desferiu um soco na direção de J e uma grande quantidade de energia branca fora atirada. Entretanto, o ataque voltou na direção de Shishi. E então, ele acordou praticamente saltando da cama. Estava um pouco suado e com a respiração pesada. Levou a palma da mão direita ao rosto.
Olhou em volta e viu que suas kouhais estavam um pouco assustadas por ele estar daquele jeito. Fez um gesto indicando para não se preocuparem com ele. Olhou para o relógio, eram três da manhã. O melhor horário para conseguir o que queriam. Foi até o banheiro lavar o rosto e voltou sentindo-se um pouco mais desperto. Tentava ao máximo evitar conversas sobre o pesadelo que teve.
– Chegou a hora. Nós tentaremos nos infiltrar no laboratório deles para poder resgatar o J. – Elas se perguntaram como ele sabia algo sobre esse laboratório. E mesmo que perguntassem, sabiam que o veterano não responderia.
O rapaz andou em passos silenciosos pelo corredor assim que saiu, fazendo alguns sinais para que as duas garotas se juntassem a ele. Desta vez, estavam com as roupas normais. Shishi estava com roupas todas pretas, já que para uma movimentação noturna, o melhor era se camuflar, tanto que até trouxe óculos escuros para cobrir seus olhos cinza. Miu estava vestida com vestido preto na altura dos joelhos, sandálias rasteiras e suas adagas estavam presas por um laço na cintura. Narumi vestiu uma calça jeans escura e uma camiseta azul marinho, prendeu o cabelo para suar mechas brancas não ficarem tão evidentes.
Aparentemente, não havia mais ninguém acordado àquela hora. Porém, ainda deveriam caminhar com cautela para os andares mais baixos. Shishi tinha a sensação de que o laboratório em que viu no próprio sonho era subterrâneo. Narumi observava cada passo de seu senpai cuidadosamente, sentia um pouco de tensão nele, como se algo estivesse dependendo daquela missão. Só agora parou para pensar em tudo que ele passou anteriormente. Ficava se perguntando o que ele teria sonhado, já que acordou gritando de noite e estava desesperado. Ainda que tivesse dito que não seria nada, o pesadelo o afetou consideravelmente.
Ele estendeu o braço, sinalizando que não deveriam prosseguir. Apontou o olhar para baixo e as duas o acompanharam. Podiam ver claramente algumas máquinas lá embaixo. Mas, não tinham certeza se aquele era de fato o local em que o robô se encontrava. De todo jeito, era pegar ou largar, não podiam hesitar sabendo que informações valiosas estariam sendo roubadas através de J.
Miu perguntou se iriam entrar naquele local. A pergunta fez Shishi gesticular discretamente com a cabeça indicando que sim. Esperaram mais alguns segundos até tudo parecer em ordem e saltaram. Pelo menos dois metros de apenas escuridão e alguns fios até caírem no centro do laboratório. Uma pequena quantidade de energia percorreu o corpo do veterano, indo dos pés até as mãos, e criando algumas fagulhas, suficientes para iluminar o campo de visão deles. Assim, conseguiriam se vir e seria mais fácil evitar algum tipo de armadilha. Andaram calmamente até algo que parecia ser um supercomputador. Shishi passou o dedo pela máquina e as luzes se acenderam. Materializou as espadas e as apontou na direção oposta.
Bem no outro canto do laboratório, estava um robô bem parecido com J. Tirando o brilho agora inexistente nos olhos e algumas modificações próprias para batalha. O rapaz quase se sentiu aliviado quando se deu conta que “J” não demonstrou nenhuma reação. Era como se não fosse ele. Rapidamente, o Falso J disparou uma rajada de energia dourada na direção do trio. Rolaram para o lado e desviaram com facilidade do ataque. Logo Shishi notou que ele não estava no mesmo lugar de antes. Ele surgiu em cima dele assim que o veterano se movimentou para desviar do primeiro ataque.
– Ele é rápido demais! – Pensou o rapaz. Estavam na base do inimigo. Não podia recorrer ao Armor Mode por não saber a situação do J verdadeiro. E muito menos podia contar com os seus poderes, já que eles aparentemente voltaram ao estado de latência.
Sentiu um golpe na boca do estômago. O robô o havia atacado duas vezes, ou pelo menos essa foi a quantidade de golpes que sentiu tomar. Aquela máquina conseguia ser muito mais veloz do que ele no momento atual. O rapaz ficou um pouco atordoado devido aos golpes. Cuspiu uma boa quantidade de sangue no chão, a visão ficou embaçada e ele viu o Falso J indo na direção das kouhais.
Miu tentou congelar o chão para prender o robô. Não conseguiu fazer muito para pará-lo, ele sequer passou mais de um segundo preso ao chão. Desferiu um ataque no rosto da mais nova, deixando uma pequena marca vermelha. Ela fora jogada a três metros de onde estava batendo a cabeça em um dos aparelhos. Sentiu-se bastante zonza e com dificuldade de focar a visão. Não conseguia distinguir muito bem o que estava acontecendo, e aquilo era um grande problema.
Narumi tentava disparar algumas flechas de energia escura, mas o robô repelia todas elas. Ele era muito mais forte do que qualquer inimigo que já pensou em enfrentar. Não parecia nem sentir os ataques, no limite em que uma máquina poderia sentir algo como aquilo.
O falso J a segurou pelo pescoço e a ergueu. A garota sentia o ar indo embora, e não havia nada que podia fazer para respirar. Tentava se debater e se soltar, mas não tinha sucesso. Pouco a pouco, seus olhos começavam a se fechar.
Shishi assistiu a tudo aquilo sem poder fazer nada, cuspiu mais um pouco de sangue e se levantou. Um pouco de eletricidade percorria o corpo dele, mas era uma quantidade relativamente pequena. Ele correu na direção da cópia e desferiu um chute bem na cabeça dele, fazendo-o voar e se chocar contra a parede. – Você não vai encostar mais nelas.
O rapaz começou a sentir seu corpo formigando. Após trinta segundos aquela sensação virou algo como se seu corpo estivesse pegando fogo. Levou a mão até o lado esquerdo do peito, bem onde havia adquirido a marca. Não percebeu, mas anteriormente também fora acertado no local.
Olhou para o canto da sala e percebeu que havia mais uma pessoa lá. Deu-se conta de quem era assim que pôs os olhos nela. Era aquele homem do Governo Mundial que vivia atrás deles para atacá-los.
– E então, meu caro Herói. O que está achando da minha nova máquina? Acho que você deve saber quem é. – Ele falou em tom provocativo. Era um dos poucos que atualmente conseguiria fazer Shishi perder a calma. Afinal, aquele homem tinha seqüestrado seus amigos, ameaçado matar suas alunas, e ainda atacou J.
O rapaz fechou os punhos. Sentia o sangue começar a subir pela cabeça. Tentava ao máximo controlar a raiva, pois sabia que além dele mais três vidas estavam em jogo. – Pare de falar besteiras. Pra onde você levou o J?
Ele deixou escapar uma risada, o que fez Shishi morder os lábios para se conter. O homem apontou o braço, para o canto esquerdo da sala, que ainda estava escuro. As luzes se acenderam ali e o veterano enxergou a mesma imagem que teve em seu sonho. Estava com os braços estendidos e presos por duas cordas, seu peito ainda liberava um pouco de energia. Seus olhos estavam sem o menor brilho, era uma situação de fato desoladora. A cena fez com que a raiva de Shishi ficasse ainda maior.
– Hahaha, eu sei o que está pensando, Herói. Você quer acabar comigo por ter destruído o precioso presente da sua irmã mais velha, e também porque a cópia dele que eu fiz está atacando aquelas duas garotas. – Apontou para as garotas caídas. Ficou mais do que óbvio que ele planejava tirá-lo do sério. E foi um plano efetivo, Shishi correu na direção dele com o punho fechado, visando desferir um belo soco no rosto dele.
O Falso J segurou a mão dele bem rapidamente, atacou o rapaz com vários socos no lado esquerdo do peito, bem em cima da marca. Uma dor imensa percorreu o corpo dele, como se pela primeira vez ele sentisse como seria a dor de concentrar a eletricidade de seus poderes. Começou a suar frio, para não gritar de dor. Não queria demonstrar mais nenhum tipo de fraqueza diante do inimigo. Afinal, ele já estava usando vários pontos fracos do Reset.
– Talvez eu deva explicar o motivo real da cópia do seu robô ter sido criada... Já que você será a cobaia. – Ele gargalhou novamente. Provavelmente nem fosse preciso uma explicação, Shishi sabia muito bem o motivo dele, não era nem o Armor Mode. Tinha a certeza de que ele queria utilizar o sistema de teleportação.
– Por que você quer se movimentar de um local para outro instantaneamente? Vocês não já dominam uma parte dos países do mundo? – O homem andou de um lado para o outro. Tinha uma expressão presunçosa no rosto, o que praticamente confirmava o que Shishi estava falando.
– Exatamente, Herói. O seu sistema de teleporte é bem interessante, eu diria. Está sendo usado de uma maneira totalmente equivocada por vocês. Utilizá-lo apenas para se locomover é um absurdo. – O homem fez um sinal para a cópia, e então ele se aproximou de uma das paredes do laboratório, que por sinal, era bem próxima de onde Miu estava caída.
Tensão caiu sobre os ombros de Shishi. Sabia que algo estava prestes a ocorrer com a garota, mas se reagisse antes do tempo, poderia dar totalmente errado e ela se machucar mais ainda. Percebeu os olhos do robô brilhando, e então um vórtex começou a surgir bem na parede atrás dela.
– Você nunca contou a elas sobre seu passado, não é? Sobre não conseguir protegê-la. – Provocou mais uma vez. Tinha um sorriso no rosto, no qual dizia que ele estava se sentindo bem o provocando. – E você não conseguiu proteger nenhum dos seus amigos novamente... Assim como não consegue defender suas discípulas. No fim, não consegue proteger nada.
Shishi ergueu uma sobrancelha. Levantou-se lentamente e ficou olhando para os dois. Sua expressão não demonstrava mais aquela raiva de antes. Ele parecia até mais determinado. A eletricidade branca percorria com mais intensidade o corpo dele, começando pelas pernas e indo até os braços.
– Eu não vou conseguir proteger nada? He... Quero ver você dizer isso novamente. – Dessa vez a provocação vinha por parte de Shishi. O rapaz tinha um sorriso no rosto enquanto esperava pela resposta do oponente. Parecia ter algum tipo de plano. Ele sentia muito bem a pressão que o vórtex começava a exercer sobre o laboratório, como se quisesse sugar tudo para dentro dele.
– Muito bem. Você não consegue... – Dizia pausadamente, mas sequer chegou a completar a frase. Em um piscar de olhos Shishi havia sumido e golpeado o robô para longe. Um som de descarga elétrica era ouvido pelo inimigo. Ele não teve nem tempo de reagir, sentiu o corpo sendo eletrocutado e algo atingindo sua cabeça, o que achou que fosse um chute. Logo, Shishi estava um pouco mais perto de Miu do que antes. Então, o vórtex exerceu um pouco mais de força e a garota era sugada. E por mais que tentasse resistir, não havia como ir contra ele. Shishi se movimentou rapidamente mais uma vez e a segurou, tinha a intenção de cair seja lá onde fosse com ela. Seus lábios sussurraram uma frase para Narumi: Aguente firme, nós voltaremos pra te salvar.
Narumi concordou embora ainda não estivesse cem por cento bem. Tinha a certeza que seu senpai voltaria para salvá-la. Talvez aquela escolha não tivesse sido a melhor possível, mas também o homem estava certo, em determinados momentos de sua vida, Shishi não fora capaz de salvar as pessoas que ama. Pelo menos, agora tinha a convicção de que não deixaria que aquele maldito encostasse mais em um só fio de cabelo de qualquer uma das garotas. Porém, ele agora enfrentava um grande problema: Ao ser sugado pelo vórtex, tinha a sensação de que estava em queda-livre em meio à escuridão. Ao perceber isso, encostou o rosto de Miu em seu peito, visando evitar o máximo de dano nela. Sussurrou algumas palavras, embora não soubesse exatamente se ela poderia escutar, já que bateu a cabeça e ainda estava um pouco atordoada. – Não se preocupe, eu vou proteger você.
Continua...
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