Team Reset
27 Independência.
Shishi e Miu foram lançados dentro de um vórtex. Durante a queda, o rapaz acobertou o impacto e acabou machucando gravemente o braço direito. Durante o percurso para sair da Caverna na qual caiu, o veterano descobriu que aquele lugar provavelmente seria uma ilusão ou alguma coisa parecida. Neste local, encontrou diversas memórias referentes ao seu passado. Joe, um dos Agentes da antiga Organização... E até mesmo a si próprio, na época em que se tornou Agente Zero. Explicou apenas parte disso para sai discípula mais nova.
Depois disso, conseguiram escapar de dentro do vórtex por conta do feitiço preparado por Shishi. Apesar de ter um encanto bem longo, o veterano teve tempo suficiente para usar a Magia, já que Miu conseguiu segurar muito bem a ilusão com o formato das Gêmeas.
Ao voltarem para o Laboratório, Shishi enfrentou o Homem que finalmente revelou o próprio nome: Takasugi. Em meio a batalha, ele atacou diversas vezes um determinado local que deveria ser o ponto fraco do rapaz, embora nem ele mesmo soubesse o motivo do lado esquerdo do seu peito.
No final da luta, Shishi estava extremamente machucado, mas após curar as duas garotas, ordenou para que elas fossem embora. Carregando J em seus ombros, o rapaz escapou daquele prédio do Governo Mundial, sem nem mesmo contar as suas alunas para onde iria, e o que faria com o robô.
Uma semana após o confronto no laboratório, Miu e Narumi estavam em sua Sala de Aula, como costumavam fazer em dias pacíficos. As garotas não pareciam muito atentas as aulas, ambas compartilhavam o pensamento de que seu Senpai não dava notícias a pelo menos uma semana e alguns dias. A mais nova mexia a caneta que tinha em mãos de maneira bem inquieta, não agüentava mais não saber o que estava acontecendo e se ele estava bem. Narumi percebeu a inquietude dela, e aproximou-se discretamente, já que as carteiras delas eram vizinhas.
– Tente se acalmar, Miu. Tenho certeza de que o Senpai não sumiria sem um motivo específico. Ele deve estar planejando um ataque contra você sabe quem, ou procurando por sinal dos seus amigos. – A mais velha tentou consolar Miu. Ainda que ela própria não tivesse certeza do que Shishi estaria fazendo naquele momento. E, além disso, também não conseguia deixar de se preocupar. Era um comportamento bem raro da parte dele. O que demonstrava como o veterano era o porto seguro delas, já que bastava apenas uma mudança de atitude dele para que ambas ficassem um pouco nervosas. – De todo jeito... Quando a aula acabar, nós iremos até a casa dele e veremos se está tudo bem, ok?
Miu concordou e então se ajeitou para tentar focar um pouco na aula. O tempo passava de maneira bem lenta para elas, ainda que quisessem ir o mais rápido possível até a casa deles. Aproximadamente cinco horas depois do início do horário de aulas, elas decidiram dar um pulo até a casa do Senpai.
Assim que chegaram lá se sentiram bem receosas por não saberem o que poderiam encontrar ali. Preferiam pensar que seria apenas uma preocupação boba, mas sabiam exatamente que algo estava errado. E antes mesmo de entrarem, alguém abriu a porta do lado de dentro. Foi até uma bela surpresa... Quem estava recepcionando as duas era J, que até sete dias antes estava praticamente destruído e sem utilidade nenhuma. Seus olhos estavam brilhantes, totalmente diferentes da cópia que fora criada baseada em sua tecnologia. — Finalmente vieram até aqui. Eu tenho uma missão para vocês.
Ergueram discretamente as sobrancelhas. Uma missão dada por J? Era até difícil de acreditar, visto que geralmente era Shishi quem dava as instruções sobre missões e coisas do tipo. O Robô estendeu o braço direito indicando que deveriam abrir uma das portas para entrar naquele quarto.
Narumi foi a primeira a entrar... Acabou ficando bem espantada com o que viu. Ignorou tudo o que havia para se olhar naquele quarto e focou apenas na cama grande que estava coberta por uma cúpula de energia branca. E lá dentro estava Shishi, inconsciente e aparentemente sem respirar. Seu corpo estava coberto por um lençol branco e deveria estar com o peito nu, já que era possível ver seus ombros – e eles não estavam cobertos por roupa alguma. –
Além disso, aquela cúpula emanava poder. Podia sentir aquilo só de chegar perto. Em dado momento, tentou encostar a ponta do indicador nela e acabou sentindo um choque relativamente forte, deveria ter pelo menos uns cem volts.
Miu entrou um pouco depois de sua amiga, e sentiu o desespero tomando conta de seu corpo. Estava incrédula ao ver que seu Senpai não estava respirando e se mantinha imóvel mesmo que os três ali presentes estivessem conversando normalmente. Se não fosse por J tê-la segurado, a garota teria se atirado naquele “cubículo” de proteção formado em torno do rapaz e teria tomado um belíssimo choque. Seus olhos ficaram marejados ao vê-los naquele estado. O Robô a balançou um pouco para que ela voltasse ao normal. Inclusive, foi preciso até uma bela tapa no rosto de Miu para que ela recobrasse de fato o seu jeito de sempre, infelizmente, deixou uma “pequena” marca de mão na bochecha esquerda dela.
– Ahn, obrigado, Narumi-chan. Você também, J-san. – Ela agradeceu aos dois e voltou a atenção para o robô, esperando que ele desse as instruções para a tal missão.
– Como vocês podem ver... O Akamatsu está nesse estado a pelo menos quatro ou cinco dias. Depois de ter me consertado, ele criou essa cúpula de energia. Não mentirei para você... Eu acredito que o motivo dele ter criado essa barreira é... – O Robô fez uma pequena pausa e colocou a palma da mão direita na cúpula. Logo, a proteção em volta de Shishi começou a crepitar, mas J não parecia nem mesmo sentir dor ou algo do tipo, ainda que demonstrasse frustração e um pouco de tristeza.
– Eu sei um meio de salvá-lo. – J apontou para que elas saíssem do quarto e deixassem Shishi em seu descanso de quase morte. As duas alunas ficaram sérias e em silêncio por conta das palavras dele. Havia uma forte tensão no ar por pensar que seria uma missão bem complicada de se realizar.
– Há apenas uma pessoa capaz de acordá-lo desse transe. – O robô fez uma nova pausa para continuar a história. Andou lentamente de um lado para o outro da sala e voltou a atenção para Narumi e Miu. – O nome dela é Kazumi... Ex-Agente Especial da Organização. – As garotas arregalaram os olhos ao ouvir “Ex-Agente Especial”. Já tinham procurado informações suficientes para saber o que aquilo significava. Deveriam procurar uma antiga inimiga de seu Senpai para poder salvá-lo. Talvez fosse uma alternativa arriscada demais... Porém, era o único meio disponível para salvar Shishi.
– Não há motivo para se preocuparem. Ela já não é mais uma inimiga como há dois anos atrás. Fora isso, ela tem uma dívida com a antiga geração. Tenho certeza de que ela ajudaria o Akamatsu a sair daquilo.
Tanto Miu quanto Narumi ficaram pensativas diante da proposta de J. E de fato, era algo bem tentador. Se aquele era realmente o único meio de salvá-lo, moveriam céus e terra para ajudar o veterano.
– Tudo bem. Nós iremos até ela então. – Narumi falou enquanto olhava para a mais nova discretamente. Viu que ela havia concordado e então se aproximaram do robô, esperando uma atitude dele, como se teletransportarem até o local.
– O lugar onde ela está é bem complicado de chegar. Está protegido por magia para evitar ataques de antigos inimigos dela, além de evitar que o Governo Mundial consiga utilizar as habilidades dela em seu favor. – O robô encarou as duas garotas com aquele olhar estático e brilhante que tinha em seu “capacete”, esperando por uma resposta ou qualquer tipo de pergunta vindo delas. – Então, vamos. Darei inicio ao teletransporte.
Não esperou nem mesmo que elas fizessem alguma pergunta. Iniciou o processo de teletransporte transformando as duas em dados e então as enviando para as coordenadas que já estavam pré-programadas. Quando se deram conta estavam no centro de uma floresta muito densa, e em uma trilha que subia o que deveria ser uma montanha.
Miu suspirou e soltou um lamento tímido. Então, começaram a andar pela trilha que parecia não ter fim. Havia também um imenso lance de escadas que se estendia por meio de uma grande floresta. O calor ali dentro estava insuportável. O único que parecia não se sentir afetado era J, por ser um robô. Mantiveram o ritmo por pelo menos duas horas até se sentirem exaustas e precisando de um pouco de ar. J resolveu parar já que notou o cansaço delas. Montaram acampamento e ficaram no interior da floresta. Narumi sequer tinha notado que J já tinha tudo preparado, mantimentos, roupas e etc. Acenderam até mesmo uma fogueira para se manterem aquecidos por conta da noite que estava se aproximando, e também para prepararem uma comida mais caseira.
– Então... Acho que agora seria uma boa hora para dizer onde estamos, J. – Narumi olhou seriamente para o robô. Sentia-se levemente irritada por não ter noção nenhuma de onde estava. Informações sobre o ambiente eram sempre úteis para uma missão, ainda mais caso algum inimigo aparecesse, o que pro Governo Mundial, era bem comum mandar um oponente para elas de vez em quando.
– Nós estamos em algum lugar das montanhas de Kyoto. — Falou em um tom suave, bem diferente da voz mecânica que emitia que recitava alguma informação. Miu ergueu a sobrancelha direita ao ouvir onde estavam. Era bem longe de onde estavam, visto que o teleporte não deve ter durado pelo menos cinco segundos. A mais nova usava um pequeno graveto para atiçar o fogo que estava em sua frente. Depois de ouvir onde estava, voltou a se concentrar em seus próprios pensamentos.
Narumi pediu a J que ele fosse procurar mais alguns galhos na floresta. Claramente, aquela era uma desculpa para ela ficar sozinha com Miu. Esperou que o robô se distanciasse o suficiente para não ouvir a conversa entre elas.
– Tente relaxar, ok? Nós faremos o Senpai voltar ao normal. – Narumi colocou a mão no ombro da amiga, tentando consolá-la. Queria fazer algumas perguntas, mas não tinha certeza se elas seriam convenientes para o momento. Mordeu os lábios de curiosidade, e então decidiu utilizar alguns eufemismos em suas perguntas.
– Você se preocupa de verdade com ele, né? – Falou de um jeito meio tímido, por não saber muito bem como tocar no assunto. Se de fato, o que a garota pensava fosse verdade, então... Achava melhor não tocar no assunto até que tudo estivesse esclarecido totalmente.
Miu assentiu quase que imperceptivelmente. Entrelaçou os dedos das mãos e olhou discretamente para a amiga. – Lá... Naquele mundo totalmente paralelo ao nosso... Eu vi algumas coisas. Ou melhor, eu vi uma coisa em especial.
De certa maneira, aquilo chamou a atenção de Narumi. Há pelo menos uma semana, desde que os dois voltaram do que chamaram de Mundo das Ilusões, Shishi havia sumido, revelando depois o objetivo da missão em que estavam... E Miu estava bem distante e diferente do habitual. Normalmente, ela era uma garota animada, extrovertida e que sempre gostava de conversar, quase o oposto da mais velha. Em outros tempos, as duas provavelmente estariam se estrangulando nesse exato momento. Depois que voltou, ela passava a maior parte do tempo pensativa, ficando calada enquanto se lacrava no seu próprio mundo, e mesmo se perguntasse as razões que a fizeram ficar daquele jeito, a garota apenas recusava qualquer tipo de conversa.
– O que houve lá? Digo... Pra você ficar assim tão calada. – Falou em um tom encorajador, que também não era de costume da mais velha. Antes das batalhas, Narumi já estaria com quatro pedras na mão se Miu viesse falar com ela.
A mais nova olhou novamente para a fogueira crepitante. Ambas torciam que J não voltasse a tempo de ouvir a conversa, já que não tinham tanta certeza do que ele poderia fazer. Para um robô, até que ele era bem imprevisível. Por fim, Miu suspirou, deixando as covinhas de suas bochechas mais evidentes. – Quando estávamos lá... Eu vi uma imagem do Senpai totalmente diferente. Ele usava um Sobretudo de couro preto e tinha uma das íris totalmente escurecidas... Era quase igual ao que vimos lá na Outra Dimensão. – Claramente, a jovem se referia a quando acabou indo parar em um mundo alternativo.
– Hmm. E onde você tá querendo chegar? – Narumi inclinou o corpo e olhou fixamente para a amiga. A mais nova olhou diretamente para ela, respirou fundo e se levantou.
– Eu quero dizer que... O que vi lá... Provavelmente deveria ser o Senpai em algum momento do passado, durante a guerra há dois anos. – Apertou as mãos no próprio vestido enquanto falava. Sentia-se um pouco mais aliviada por poder compartilhar aquele pensamento com alguém, mesmo que fosse uma antiga “rival”. – E também deve haver um motivo para ele não nos contar sobre esse passado. Acredito que seja algo que ele prefere não compartilhar por enquanto.
– Sim... E não vai adiantar colocá-lo contra a parede. Quando aquele idiota decide ficar calado, a boca dele fica parecendo um túmulo. – Com o comentário, as duas acabaram deixando escapar uma risadinha, dando uma pequena aliviada na tensão que estava no ar.
– Mas, Miu... Eu prometo que vamos tirar ele dessa. – Narumi colocou a mão sobre os cabelos dela e lhe fez um afago. A mais nova se levantou e fez uma reverência para a amiga.
– Sabe... Vocês são a minha família agora. Farei tudo por vocês... Assim como sei que fariam o mesmo por mim. – Falou com certo tom de pesar na voz... Também havia algo em seu passado que deixou cicatrizes em sua alma. Algo que lhe marcou profundamente. Mas antes que Narumi pudesse perguntar qualquer coisa sobre tal passado, ouviu passos vindos do interior da floresta. J estava voltando com os gravetos em seus braços. Infelizmente, não tiveram tempo suficiente para discutir tudo o que queriam.
– Pronto. Eu trouxe os gravetos para vocês. – O robô se abaixou e começou a atiçar o fogo com os galhos que foram recém-trazidos. As garotas se entreolharam e então voltaram a atenção para J.
– E então... Qual a distância até a casa da Kazumi? – Miu perguntou. Já estava um pouco mais sociável do que há alguns minutos. Narumi a olhou com curiosidade, tentando descobrir o que havia por trás das palavras dela. Então, J começou a falar e não podia perder mais nenhum detalhe.
– Faltam alguns quilômetros. Pelo menos duas horas de caminhada amanhã até chegarmos lá. – Ponderou. Em seguida, começou subiu em uma árvore em direção a um galho relativamente grosso.
– Ahn, por que está aí em cima? – A mais velha estranhou o fato de um robô estar sentado em um galho e olhando para as estrelas.
– Hm? – O tom na voz dele era como se ele realmente estivesse dizendo que aquela era uma pergunta besta. – Eu sou um inseto... Um besouro. Por que eu não ficaria numa árvore?
– Ah... Certo. – Olhou para baixo tentando deixar aquela informação ser processada. Voltou-se para Miu e tentou demonstrar o maior sorriso que poderia fazer no momento. – Acho que está na nossa hora. Temos que dormir pra levantar cedo.
Miu concordou com a afirmação da amiga e as duas foram juntas para dentro da barraca. Nem mesmo notaram que estavam tão cansadas de caminhar vários quilômetros dentro daquela floresta. Dormiram no mesmo instante em que colocaram a cabeça em seus sacos de dormir.
Assim que se deram conta o sol já estava nascendo no horizonte, iluminando por completo a floresta e lhes dando “Bom dia”.
– Hm? Já amanheceu? – Miu espreguiçou-se e coçou os próprios olhos. Enrolou seu saco de dormir e abriu a entrada da tenda, deixando o sol entrar um pouco mais no abrigo delas. Tocou Narumi suavemente para acordá-la, já que a mais velha parecia dormir como uma pedra. – Narumi-chan... Está na hora de acordar.
A de cabelos castanho-escuro abriu os olhos lentamente, estava com os cabelos bem bagunçados e uma grande expressão de sono. Levantou-se lentamente e ficou olhando para o nada, numa tentativa de despertar aos poucos. – O quê? Já está na hora?
Miu assentiu e então as duas se prepararam, ajeitando os cabelos para parecerem mais apresentáveis quando chegassem até o lugar onde Kazumi mora. Saíram da tenda e J permanecia imóvel sentado naquele galho de árvore. Porém, seus olhos estavam apagados, o que deveria simbolizar que ele estava “dormindo”.
– J, acorde! Precisamos ir! – A garota estava com as mãos em volta da boca para fazer seu grito soar mais alto. Rapidamente, os olhos do robô brilharam e ele saltou do galho, caindo perfeitamente em pé.
– Eu estava acordado... Apenas fechei os olhos para sentir a brisa. – Respondeu em um tom sério. As duas garotas deram de ombros e olharam para os seus pertences. – O que faremos com a tenda e tudo que tem lá dentro?
J se aproximou da tenda e olhou para ela. Levou dois dedos até o lado da cabeça e seus olhos brilharam com mais intensidade. – Ativando meu Marker System! – Então, logo a tenda e tudo o que havia ali dentro fora transportado para algum canto.
Elas se questionaram para todo aquele equipamento foi. Mas, por enquanto, resolveram deixar essa dúvida de lado. Prosseguiram com a caminhada... E de acordo com J, restavam pelo menos cinco quilômetros até que chegassem. O que deveria dar mais ou menos uma hora e meia de caminhada a passos lentos.
Após esse tempo ter passado, e depois de cinco quilômetros, avistaram uma grande mansão histórica bem no meio da floresta. Não se lembravam de haver algo do tipo ali, pelo que pensavam aquele lugar não era aberto para visitas e trilhas eram consideradas perigosas, pelo menos foi isso que J lhes contou. Sentiram um pouco de hesitação antes de tocar a campainha. Ficaram pelo menos dez minutos ali fora, até que alguém abrisse a porta. Quem a atendeu fora uma jovem de pelo menos vinte anos, cabelos loiros e longos, além de olhos azuis claros. Estava usando uma calça jeans escura e uma blusinha de seda branca. Encarava o trio com um ar de superioridade. Ergueu uma sobrancelha ao ver as expressões que ainda mostravam bastante sono vindo delas. – E então, a que devo a visita de duas garotas e... Um robô?
Narumi sentiu uma imensa vontade de dar uma tapa no rosto dela devido ao seu tom de arrogância. J a segurou para que ela não acabasse fazendo uma besteira e estragando tudo. Miu tomou à dianteira e a cumprimentou de maneira respeitosa. – Bom dia. Eu me chamo Sutou Miu... Nós viemos aqui porque temos um pedido a fazer, Kazumi-san.
Aquelas palavras chamaram a atenção de Kazumi. Pela experiência que tinha, sabia que poucas pessoas conheciam seu nome... Apenas amigos e inimigos. Cruzou os braços, parecia analisar todos os gestos feitos pelas garotas. – Hmm, interessante. Se sabem quem eu sou... Deve ser algo importante.
Miu suspirou aliviada. Pensou que assim seria mais fácil de conseguir o que queriam. – Por favor, salve nosso Senpai. – Os olhos da garota brilharam em súplica. Kazumi descruzou os braços e a olhou duramente.
– Certo certo... Primeiro eu preciso saber quem é seu Senpai. – Mexeu um pouco nos cabelos e os ajeitou. Em seguida olhou para as próprias unhas enquanto esperava pelo nome da pessoa. Miu respirou fundo antes de falar o nome dele, por não ter certeza de qual seria o impacto diante daquela situação. – O nome dele é Akamatsu Shishi.
Ao ouvir o nome, ficou subitamente interessada em ouvir o que elas tinham para dizer. Deixou até escapar um sorriso ao ouvir o nome de Shishi. – Olha só... Esse nome é bem nostálgico, eu diria. Muito bem, ouvirei o que vocês têm a dizer.
Então a mais nova explicou a história desde o começo. Começando por quando o encontraram na batalha contra Lyall, e passando pela parte do rapaz ter se tornado o “Sensei” das duas. Contou também sobre quando os antigos amigos de Shishi iniciaram um ataque a ele, e por conta disso, revelaram a identidade do Governo Mundial, um grupo no qual seus objetivos ainda eram desconhecidos. E terminou falando o que havia acontecido com o veterano e porque precisavam da ajuda de Kazumi.
– Entendo. – Cruzou os braços novamente e encarou as duas. Aparentemente, estava pensando em qual resposta daria a elas. Lembrou-se das experiências do passado e encontrou apenas uma solução. – A resposta é não.
O choque das garotas foi imediato. Até mesmo J ficou surpreso ao receber uma resposta negativa. Realmente estavam esperando que por ter uma dívida com a geração antiga Kazumi poderia ajudar Shishi. O robô levou a mão até o lado da cabeça e chamou a atenção delas. — Eu tenho más notícias. Está ocorrendo um ataque do Governo Mundial aqui perto... Pelo que parece, aquele homem e um... Monstro de pelo menos quatro metros de altura está com ele.
Desta vez, quem se aproximou fora Narumi. A garota engoliu o próprio orgulho para poder falar com Kazumi. – Eu te peço... Por favor, salve o Senpai!
Mais uma vez, a ex-vilã as encarou e deixou escapar um suspiro de decepção. Achou que elas teriam entendido o recado logo de uma vez. – Eu já disse que não vou ajudar. Não me façam repetir de novo.
Miu sentiu a raiva percorrer todo seu corpo, o sangue subiu a cabeça e ela se aproximou, praticamente apontando o dedo no rosto de Kazumi. – Escute aqui... – Antes de começar a falar, Narumi segurou a mão dela e fez um gesto negativo com a cabeça.
– Deixe pra lá, Miu. Ficar batendo boca aqui não adiantará de nada enquanto pessoas estão sendo atacadas. – A mais velha estava bem séria. E por conta disso, Miu achou que seria melhor se acalmar e focar no que era mais importante.
– J, nos teleporte até o local, por favor. – As duas pediram em uníssono. O robô assentiu discretamente e iniciou o processo de teletransporte com elas duas. Assim que foram embora, Kazumi deu uma risada e se virou, ficando de frente para a porta de casa. Trancou-a e então se espreguiçou. – Bom... Se eu dissesse sim, não iria adiantar nada.
Estalou os dedos e desapareceu. Talvez fosse para a casa de Shishi para ajudá-lo. Mas por enquanto, não se sabia o que Kazumi faria a partir dali. E ao mesmo tempo, o trio chegou a um local próximo ao ataque. Ficaram boquiabertos ao ver o monstro de longe. Ele parecia um híbrido de tigre com um ser humano gigantes. Era notável a camada loira de pelos em seu corpo, bem como o peito com pelos brancos. O focinho com três pelos de cada lado mostrava que ele tinha um lado mais animal do que humano.
– Mas o que é aquilo? – Narumi perguntou. Começou a se sentir levemente amedrontada por conta do tamanho do “bicho”. Definitivamente, aquilo não era humano... E se já foi um dia, Takasugi estava brincando com a vida de pessoas inocentes. Sentia que faria o inimigo pagar por tudo o que ele fez. Levou a mão esquerda até o cotovelo, recuando instintivamente. Os olhos de Miu se arregalaram quando viu a criatura. Pela primeira vez, fora tomada por um medo incontrolável, nunca tinha visto uma criatura daquele tipo em sua vida. Imaginou algo semelhante a um minotauro, criatura mitológica grega na qual é meio-homem e meio-touro. E, além disso, ainda havia aquele homem ali. Mesmo que conseguissem derrotar aquele híbrido, não teriam forças suficientes para derrotar o outro oponente.
– Temos que ir de um jeito ou de outro... Não podemos deixar que mais pessoas se machuquem por causa desse cara. – A mais nova falou discretamente, mas ainda assim os outros dois conseguiram ouvir.
Correram para frente dos dois oponentes e abriram os braços para impedir a passagem deles. Imediatamente, as armas surgiram em suas mãos. As adagas nas mãos de Miu e o arco na mão direita de Narumi. J também possuía uma espada em sua mão esquerda. Olhando de tão perto, o monstro parecia ainda mais assustador. Ele soltou um rugido e as garotas recuaram. J correu para cima e tentou desferir um golpe com a espada no peito dele, mas aparentemente, aquela pelagem era bem resistente. O monstro moveu o grande braço e atingiu o robô e o lançou longe, arrastando-o no chão e criando faíscas devido ao atrito.
As garotas gritaram pelo robô, e então a reação foi imediata: Narumi atirou uma grande quantidade de flechas negras contra o monstro, Miu iniciou o processo de congelamento das pernas dele. Porém, a criatura não ficava parada em nenhum momento. Ficava muito difícil se concentrar com toda a barulheira do campo de batalha. Portanto, o ar frio apenas o envolvia e não surtia nenhum efeito nele. O monstro se aproximou rapidamente delas, movendo os dois braços para poder atacá-las com tudo. Pensaram que tomariam o golpe em cheio quando sentiram algo envolvendo seus corpos e impedindo que tomassem a maior parte do dano vindo do monstro.
Ao perceberem, estavam envolvidas por algo que seriam armaduras. Uma armadura negra e bem leve envolvia o peito, a cintura, os braços e os joelhos de Narumi, mas elas tinham um design bem diferente da que Shishi usava. Havia uma tiara em sua cabeça com formato de asas, bem parecidas com asas de um corvo. No caso de Miu, o padrão de partes protegidas se repetia... Mas nas mãos havia luvas de armadura com garras nos dedos, e uma tiara que tinha uma forma parecida com a de um tigre. A armadura dela possuía um toque de prateado com cinza, a cor era bem parecida com a armadura do veterano. Ambas se sentiam mais aliviadas, e como se mais poder as envolvesse por conta da proteção. Movia os dedos e olhavam o próprio corpo com aquela armadura, ainda bem surpresas com o que havia acontecido. Olharam para o lado e perceberam que J também havia mudado, estava com sua armadura prateada reluzente.
– J! Você está bem! – Miu gritou, mostrando-se preocupada com o companheiro. Narumi disparava algumas flechas escuras na direção do Híbrido. O poder que vinha delas parecia ligeiramente maior, talvez algum efeito adicional que a armadura proporcionava, mas ainda assim não era o suficiente para derrubá-lo. – Ei, ei! Eu sei que vocês se preocupam um com o outro, mas que tal me darem uma mãozinha aqui? – Narumi gritou para chamar a atenção dos outros dois. E realmente, a criatura se aproximava cada vez mais, ainda que as flechas o retardassem levemente.
– Ah, sinto muito! – Atirou uma das adagas no peito do monstro. Conseguiu cravá-la perfeitamente na pelagem branca dele. De maneira gradual o peito da criatura começava a ser congelado por conta da arma. Ele deixou escapar um grito que ecoou por toda a região dentro de cinco quilômetros. De longe, Takasugi apenas observava a movimentação de seus três oponentes enquanto se divertia do caos que estava causando nos arredores.
J havia saltado para cima do monstro e conseguido ficar em seu pescoço como se fosse um Touro. Segurava-se na pelugem dele e tentava perfurar seu pescoço com a espada, mas apenas causava arranhões ou um grande ruído semelhante ao de metais se chocando. Não tardou para que o monstro e tirasse dali e o jogasse para longe mais uma vez.
– Ataques separados não vão adiantar! Temos que atacá-lo de uma vez só! – J gritou para as duas garotas, aparentemente era ele quem guiava os movimentos das duas. Girou a espada duas vezes e a lâmina brilhava em um tom prateado. As duas garotas ao observarem aquilo, concentraram o máximo de energia que podiam. As flechas de Narumi pareciam absorver a luz do ambiente, assim como a adaga de Miu que estava cravada congelava mais o peito, e a mesma reação acontecia com a que estava em sua mão, tornando o ar do ambiente mais pesado.
– All New Reset Attack! – Liberaram de uma só vez toda aquela energia concentrada. J liberou uma rajada de energia em formado de chifre de kuwagata, Narumi disparou uma forte flecha feita de trevas, clareando o ambiente assim que fora disparada, e Miu congelou todo o chão em sua frente com o ar gelado que liberou. A união dos três ataques arrastou o monstro e o fez se chocar com algumas árvores que estavam mais a frente. Uma grande cortina de fumaça passou a cobrir o ambiente. Praticamente desabaram no chão devido a exaustão por terem usado tanta energia de uma só vez. Miu pôde perceber que o céu estava ficando escuro e as nuvens cinzentas, como se uma grande tempestade estivesse por vir...
– Bem... Acho que eu devo te agradecer por ter me salvo, Kazumi-san. – Naquele ponto, Shishi já estava fora daquele cubículo feito de magia. Seu rosto estava normal e ele demonstrava estar muito bem. Aqueceu-se um pouco e voltou o olhar para a mais velha. Estava sem camisa, e com o Sobretudo apoiado no ombro. A jovem tinha um olhar sério, e aparentemente olhava para o peito dele... Em especial para uma pequena marca, parecida até mesmo com uma tatuagem, bem na altura do coração. A “tatuagem” tinha o formato de um círculo e duas asas modificadas em sua circunferência.
– Essa marca... Ela não é um bom sinal. Acredito que você deva saber o que ela significa Akamatsu. – O tom de voz dela era sério, mas tinha certo pesar nele. Apertou as mãos e caminhou lentamente para a porta. – Ela é a Marca da Morte.
O Veterano esboçou um sorriso e se virou para Kazumi. Não aparentava ter medo de nada relacionado a “morte”. – Sim, eu tenho uma noção do que isso é... Eu passei a ultima semana inteira treinando para ter minhas habilidades voltarem ao seu estado original. E pra conseguir isso, eu precisei chegar ao meu limite. Bem... Quando eu consegui, senti como se minha vida estivesse sendo sugada. Precisei usar uma forte magia pra impedir que algo acontecesse.
– E então, o que vai fazer agora que sabe que pode morrer no meio de uma batalha? – Ela perguntou, analisando-o discretamente. Não era como se estivesse preocupada nem nada, mas não confiava muito bem nas garotas e em J para proteger o mundo, os considerava muito “verdes” pra isso.
– Eu não sou tão bom em ensinar a lutar como a Nee-san, mas... Eu vou tentar fazer o meu melhor, sem me preocupar muito em morrer ou não. A partir de agora, eu devo lutar mais do que nunca... Se por acaso esse for o meu destino, e eu tiver de perecer em batalha... Eu lutarei com tudo até o final.
Kazumi deixou escapar um risinho por conta da fala dele, achou um pouco engraçado, pois ele não havia mudado tanto assim de dois anos para cá. – Imprudente como sempre, Herói. E o que fará agora?
– Achei que estava claro. Eu vou até onde minhas alunas estão e irei ajudá-las. Elas não podem derrotar o Takasugi sozinhas... Ainda. – Shishi começou a acumular energia em volta do corpo, de modo que pedaços da sua armadura cinza se formavam em seus braços e pernas. A eletricidade estalava ao seu redor, vestiu o Sobretudo e olhou para o céu. Não demorou muito para que ele tomasse impulso e levantasse vôo, utilizando seus próprios raios como estabilizadores.
Vangloriaram-se por alguns segundos até Takasugi surgir na frente do trio rapidamente. O monstro híbrido se aproximava... Estava aparentemente ferido, mas em condições de lutar.
– Nada mal, crianças! Mas... Não foi o suficiente. Seria preciso alguém com um poder no mesmo nível da Geração Antiga. E eu tenho certeza de que vocês não têm isso. – O sorriso no rosto dele era bem presunçoso. Sacou a espada e estava preparado para golpear Narumi no rosto e pôr um fim na vida dela. Miu pôde perceber que o céu estava ficando escuro e as nuvens cinzentas, como se uma grande tempestade estivesse por vir.
Agora, os dois inimigos estavam se preparando para desferir o golpe final no trio. J se colocou na frente delas, havia incumbido a si mesmo a missão de protegê-las, não podia deixar que nada lhes acontecesse. De repente, um clarão cobriu o local e um som de trovão reverberou por ali. Takasugi tentou perfurar J, já que ele havia se colocado na frente de Narumi. Mas algo o impediu de continuar o movimento de ataque. Sua visão estava ofuscada devido à claridade imensa que acometeu a praça. Quando se deu conta, sua espada havia entrado em contato com um pedaço de armadura cinza... Uma pessoa havia bloqueado seu ataque.
– Se acha que eu vou deixar machucar minhas alunas e meu robô de estimação assim com facilidade... Você está totalmente enganado, Takasugi. – Ele se virou rapidamente e desferiu um chute na boca do estômago do inimigo para afastá-lo do trio que estava ali caído. O monstro híbrido também veio para cima dele, tentando golpeá-lo com um soco de sua mão imensa. Shishi impediu o ataque com a palma da mão direita. Apontou dois dedos da mão esquerda na direção do peito do monstro, onde já estava ferido dos ataques de seus companheiros. Ele disparou uma pequena carga de eletricidade na qual causou uma mini-explosão e também afastou a criatura de seus amigos.
O veterano se virou para eles e estendeu a mão para que J a pegasse e a usasse para se levantar. Seu Sobretudo cobria boa parte da marca que tinha em seu lado esquerdo do corpo. E, pela primeira vez, as garotas podiam notar que o corpo de Shishi levemente definido, ele parecia ainda mais atraente por causa de sua expressão séria e do poder que emanava, tornando-o bem parecido com uma certa Divindade Grega. Miu chegou até mesmo a ficar um pouco impressionada, já que nunca o tinha notado dessa maneira.
– Ah... Uau. – Foi um comentário involuntário por parte da mais nova, mas ela realmente “babou” um pouco ao vê-lo. Balançou a cabeça, como se quisesse afastar um pouco aquela ideia da cabeça.
– J! Leve-as para longe daqui. Faz dois anos que eu não luto com força total. Não sei se vou conseguir me controlar. – Ele não precisava mesmo ter dito isso, estava claro que a energia que ele estava emanando era feita de maneira inconsciente. Pequenos raios estalavam ao redor e em alguns momentos faziam o ar cheirar a ozônio. O robô as guiou até uma distância relativamente segura. Shishi estalou os dedos da mão e se prostrou em posição de combate. A corrente elétrica dele era mais forte em seus punhos e em suas pernas. – Agora... A conversa é entre nós três.
Ele se movimentou rapidamente, utilizando os raios para tomar impulso e surgir atrás de Takasugi. Por algum motivo, sabia exatamente onde o inimigo estava, ainda que tivesse o lançado para longe com um chute. Agarrou-o pelo pescoço e o ergueu. Estava claro que Shishi não tinha a menor intenção de poupá-lo.
– Se me lembro bem... Você tinha dito que era preciso alguém com um poder semelhante ao da Geração Antiga? – Ele fez uma pausa perigosa... Como se suas próximas palavras fossem decidir o destino de Takasugi. – Você encontrou alguém com esse poder.
Liberou uma pequena quantidade de energia para eletrocutar o inimigo. Jogou-o para longe ao perceber a criatura híbrida se aproximando. Shishi tentou entender o que ela era, ou como poderia ter sido criada, mas não chegou a nenhuma conclusão lógica para aquilo. Sentia um pouco de receio de atacar a criatura sem saber de onde ela vinha ou se já foi humana algum dia. Não viu escolha a não ser contra-atacar. – Hora de lutar como há dois anos...
O veterano colocou as mãos no bolso do Sobretudo e saltou para cima, usando os raios em seus pés para tomar impulso e mudar de sentido rapidamente. Dessa maneira, conseguia tanto desviar dos golpes do monstro quanto avaliar algum ponto fraco vindo dele, e como não encontrou nenhum, a única saída era atacá-lo com tudo. Devido à proximidade, Shishi chutou o rosto da criatura e a atordoou por um pequeno instante, tempo suficiente para atingi-lo com outro chute, na parte de cima da cabeça e o derrubando no chão. Takasugi se aproximou sorrateiramente por trás do veterano e tentou apunhalar-lhe pelas costas, achando que ele estaria despreparado. Num piscar de olhos, ele havia sumido da direção do golpe, fazendo com que o inimigo perfurasse o ar. Reapareceu atrás de Takasugi e puxou o braço dele para trás. Um grito de dor ecoou, gotas de suor começavam a aparecer na testa dele, mostrando que tentava resistir fortemente àquela dor que Shishi o fazia sentir.
– E então? Como é sentir na pele um pedaço da dor que você causa em pessoas inocentes? – O rapaz pressionou o braço do Agente com tanta força que uma marca roxa ficou no antebraço dele. Logo o largou no chão. O próprio homem ficou atordoado, de dor e de incredulidade por estar sendo derrotado tão facilmente pelo Herói.
Miu e Narumi olhavam a cena atentamente e estavam boquiabertas, nunca tinham visto seu Veterano tão sério... Tirando seu treinamento, no qual o rapaz havia fingido ser uma pessoa totalmente diferente. Ele realmente parecia ter um pedaço de maldade em sua alma... Como se aquilo também fosse inerente a ele.
– Ele está diferente... Como se seus poderes o estivessem influenciando... – Miu sussurrou. Narumi concordou discretamente ao fazer um gesto com a cabeça. Narumi apertava os dedos no tronco da árvore em que estava apoiada. Uma mistura de sensações acometia seu peito... Choque, admiração e até mesmo um pouco de raiva. Novamente, o pensamento de não conhecê-lo totalmente... E tinha a certeza de que sua amiga pensava o mesmo de Shishi.
– Aquele não é o Senpai que a gente conhece... Não pode ser... – Miu apertava as mãos no vestido que usava. Sentia uma pontada no peito ao ver o Veterano agindo daquele jeito. Pensava que ele não ficava muito distante da criatura híbrida que enfrentaram alguns minutos antes.
– Acabou pra vocês dois... – Shishi concentrou uma boa quantidade de eletricidade na mão esquerda, formando uma bola de energia e que em seguida pareceu se fundir em sua mão. O rapaz caminhou lentamente até a direção do híbrido. O ar continuava a estalava ao seu redor. Em um instante, ele sumiu da vista de todos e surgiu atrás da criatura. Um trovão apareceu e desapareceu em um segundo. E quando pararam para olhar, o monstro aparentemente fora cortado ao meio e vaporizado em seguida. – Raigeki Zan.
Então, assim que o monstro fora destruído, Shishi voltou sua atenção para Takasugi. Sua expressão continuava dura, já era possível notar a energia diminuindo em volta dele. – Agora, é sua vez.
O veterano percebeu um movimento do inimigo, no qual ele havia tentado lhe dar uma rasteira e golpear seu lado esquerdo do peito com uma das mãos. Porém, os reflexos de Shishi foram mais rápidos e ele conseguiu impedir o golpe a tempo. – Eu sei o que você está tentando fazer, Takasugi... Não vai dar certo. – O rapaz puxou o braço dele e o levantou, jogando-o pra longe em seguida.
No mesmo instante, o oponente se levantou e encarou Shishi, com o ódio estampado no olhar. – Eu vou acabar com cada um de vocês... A atração principal ainda está por vir... Me aguardem. – Então, ele desapareceu do nada, como se o próprio teletransporte utilizado por J também tivesse agido sobre ele. Entretanto, o Herói não pareceu estar interessado em ir atrás dele. Virou-se e andou para a entrada da floresta, de onde Miu, Narumi e J observavam a luta. Estendeu a palma da mão esquerda para o trio, e uma energia roxa os envolveu. Sentiram a dor se aliviando e o cansaço físico/mental indo embora.
– Senpai? Por que o deixou ir? – Miu perguntou. Ficou bastante curiosa para saber o motivo. Ainda se sentia bem surpresa por conta daquele jeito de lutar.
– Não é o melhor momento para isso... – Não falou muito, mas tanto Miu quanto Narumi entenderam o que ele estava querendo dizer. Sabiam que o rapaz ainda tinha alguma esperança de conseguir salvar seus amigos... E principalmente sua irmã.
– Ah, outra coisa... Eu sei que devem ter ficado no mínimo indiferentes sobre como eu agi na luta, mas devo dizer uma coisa a vocês... Certa vez, uma pessoa me disse: A pessoa que consegue balancear o bem e o mal, e também saber utilizar uma das duas no momento certo, consegue se tornar incrivelmente forte.
Shishi começou a andar para um portão que dava para a floresta, sentia seu corpo completamente exausto e fraco, como se sua vida estivesse sendo sugada mais uma vez. Apesar de não tentar demonstrar na frente delas, sabia que seu tempo estava acabando. Ele precisava ensinar as suas alunas mais algumas técnicas ou não agüentariam nenhuma luta com a antiga geração.
Nisso, o quarteto voltou para o laboratório, enquanto o Veterano tentava formular algum plano, no qual permanecer vivo não fazia parte dele...
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