Team Reset

28 Declaração de Guerra.


Após voltar de outra Dimensão, Shishi se viu em uma encruzilhada. Passou por um treino exaustivo por uma semana inteira, no qual seu corpo praticamente não agüentou e entrou em colapso. Nisso, o próprio envolveu-se em uma camada de magia para impedir que acabasse morrendo.

Narumi e Miu descobriram uma parte dessa história ao chegar à casa dos Akamatsu e avistarem o Veterano dentro de um cubículo de magia, sem conseguir entrar lá. J lhes deu a dica de que uma ex-Agente Especial da Organização poderia ajudar, já que tinha uma divida com A Geração Antiga, e principalmente, com Shishi e as gêmeas. Acreditando nisso, o trio fez uma pequena jornada por dentro das florestas de Kyoto até chegar ao seu destino. Ao encontrar Kazumi, ela lhes disse que não poderia ajudar. Apesar do grande sentimento de raiva que acometeu as duas garotas, quando receberam a noticia de um ataque do Governo Mundial, não poderiam se deixar levar por aquele sentimento momentâneo e deixar que outras pessoas corressem perigo.

Então, após mostrarem um pouco de sua determinação, e depois também de saírem de perto dela, a Ex-Agente as ajudou secretamente, tirando Shishi de dentro da sua proteção mágica. Os dois tiveram uma conversa na qual Kazumi comentou sobre o significado da marca que ele tinha em seu peito. O próprio veterano disse que já sabia o que ela significava... O que queria dizer que ele sabia muito bem que seria uma questão de tempo até que ele perecesse em batalha.

Narumi e Miu estavam em Shirahoshi, tentando repor algumas de suas aulas perdidas por conta de tantas batalhas, embora tivessem um pequeno alívio da “Diretoria” para faltarem tantas aulas e provas. Mesmo assim, até mesmo assistir alguma aula vem se tornando algo bem monótono para elas, que acabaram se acostumando com a agitação de tantas lutas e acontecimentos.

Entretanto, Narumi não estava apenas com as batalhas em sua mente. Havia outra coisa que a incomodava. Aparentemente, ela preferia não compartilhar. Mas, ao final da aula, chamou a amiga para conversar em particular. Parecia bem sem jeito para falar, já que mostrava discretamente que estava inquieta. Balançava os pés enquanto estava sentada no ponto mais alto da arquibancada do ginásio, parecia olhar para a entrada do local com certo desconforto, como se esperasse que alguma coisa entrasse por ali e estragasse a conversa particular.

Assim que Miu adentrou no ginásio, Narumi se levantou de onde estava. Mesmo de longe, a mais nova conseguia entender o tamanho de seu nervosismo. Ela subiu a escadaria e sentou-se ao lado da amiga. Miu se sentiu ligeiramente preocupada ao olhar para a amiga, era muito fácil de notar a angústia que ela estava sentindo naquele exato momento.

– O que foi, Narumi-chan? Você me parece um pouco... Agitada. – Miu estava com a testa franzida. Provavelmente, tentava procurar por alguma razão que a estivesse deixando agitada, algo que não era nada comum nela, já que maior parte do tempo Narumi era calma e quase nunca demonstrava agitação ou raiva.

– Ahn, eu não faço a mínima ideia de como conversar isso com você, mas vamos lá... – A mais velha fez uma pausa e ficou pensativa por alguns instantes, parecia buscar as palavras para aquilo. Por incrível que parecesse, aquele assunto a deixava bem constrangida. – Hipoteticamente... O que você faria se estivesse com medo de que alguém importante pra você se envolvesse no meio dessa batalha?

Miu sentiu um gosto azedo na boca ao ouvir aquele tipo de pergunta... Era algo bem família... E pensava nisso quase todos os dias. Tinha um pouco de receio de compartilhar aquilo, mas pensou que ainda não fosse a melhor hora para dizer aquilo.

– Hmm... Eu faria o máximo para não envolvê-la e a protegeria como se fosse minha própria vida. – Ela gostaria de ter dado um conselho que servisse a si mesma. A pessoa mais importante no mundo para ela estava sempre se metendo em batalhas e arriscando a própria vida. Cada vez que isso acontecia, ela sentia um grande aperto no peito.

– Acho que você tem razão... Mas tudo que eu mais gostaria era que ele não se envolvesse. – Miu tentou entender o que ela estava dizendo... Mas entendeu muito bem o “ele.” Havia alguém que ela gostava bastante, ao ponto de querer dar sua vida por essa pessoa. Não conseguia deixar de sorrir por ela.

– Você também, não é? Tem um tempo que eu estou querendo perguntar isso para você. – Narumi a encarou. Desde o incidente com o Veterano, no qual viu a amiga praticamente entrar em desespero naquele estado de quase morto, sentia certa desconfiança em relação aos dois. Na verdade... Não em relação exatamente a Shishi, mas sim na reação que a mais nova teve. Até agora, pegava-se pensando no que Miu poderia sentir por ele.

Miu sentiu um leve gosto azedo na boca, como se aquela pergunta a magoasse. Quer dizer... Mágoa não era a palavra mais adequada para o que ela sentia. No questionamento, percebeu que sua amiga já havia entendido tudo. Notou que seu rosto havia ficado um pouco quente por mais alguém além dela saber. Narumi deu uma leve gargalhada ao vê-la sem jeito. Tocou o ombro da amiga e sorriu de maneira confortante.

– Não se preocupe. Não vou contar pra ele. Deixo isso com você. – Miu se sentiu mais aliviada com o comentário da mais velha. No fim das contas, era como se parte do peso em suas costas tivesse sido liberado. O silêncio reinou no ginásio até ouvirem um barulho de porta sendo aberta, e alguém entrando lá. Miu o reconheceu imediatamente. Era o aluno do Terceiro Ano que se transferiu da Coréia no ano anterior. Tecnicamente, ele também era seu veterano. Mas, subiu a escadaria da arquibancada correndo e veio até Narumi, praticamente ignorando a mais nova, que estava ali ao lado dela.

– Ei, Narumi! – Tinha um grande sorriso no rosto, o que era bem surpreendente. Miu ouvira falar de um ou outro boato sobre ele, no qual ele não se dava bem com os outros estudantes por ser estrangeiro... Mas pelo que parecia, aquele boato que fora espalhado era falso. Os dois conversaram um pouco, e após combinarem alguma coisa, ele desceu correndo com um grande sorriso em seu rosto, indo provavelmente para a sua sala. A mais nova notou que havia um pequeno “clima” entre aqueles dois. Concluiu que esse era o motivo de Narumi vir pedir ajuda a ela.

– Ah, agora tudo faz sentido, Narumi-chan. Você quer que eu te ajude a proteger o Shin-kun do Governo Mundial, né? – Miu tinha um belo sorriso no rosto, achou bastante nobre a atitude da amiga em querer manter alguém que gostava a salvo. A mais velha assentiu quase que imperceptivelmente, mostrando-se até mesmo um pouco sem jeito.

– Relaxa, eu vou protegê-lo. Nós somos amigas, lembra? Nós colocamos as vidas uma das outras em nossas mãos. – Miu colocou as mãos sobre o ombro da amiga, ainda continuava com aquele sorriso no rosto.

– Ah, Miu-chan... Eu preciso perguntar outra coisa. Nestes últimos dias... O Senpai não deu noticias de novo... Nem mesmo o J apareceu. Você acha que eles estão aprontando algo? – Miu ficou um pouco séria assim que ouviu a pergunta. Sentou-se e levou dois dedos ao queixo. Pensou um pouco e não viu alguma resposta plausível para aquela pergunta. Por conta disso, acabou deixando um suspiro escapar.

– Hmm, tem razão. Mas se houvesse algo de errado... Um dos dois viria nos falar. E sim, ambos calados... É porque estão com algo em mente. Acho que só nos resta esperar por eles. – Ela fez uma pausa, olhou para a amiga e sorriu de uma maneira aliviada. – Enfim... Agora nós devemos ficar de olho no Shin-kun, não? Nós não temos o J com a gente pra dizer quando há algo errado.

– É verdade. Nós não podemos contar com eles para sempre. Temos que resolver nossos próprios problemas. – Então, começaram a andar na direção de onde o Coreano saiu. Continuaram o olhando de longe e seguindo todos os seus passos. Quando se deram conta, estavam na porta de uma grande mansão. Viram o rapaz entrar e ficaram boquiabertas, não faziam ideia de que ele era uma pessoa tão rica.

Enquanto isso, Shishi estava sentado na cadeira em frente a mesa principal da Diretoria. Sua expressão estava bem séria e seus olhos um pouco vermelhos, dando a entender que ele já estava acordado há um bom tempo. Parecia encarar o monitor, como se estivesse procurando algo na internet, a não ser que fosse um viciado que passou dois dias seguidos jogando algum MMO.

Mas, pelo visto, ele parecia analisar informações de seus antigos companheiros, e também de suas batalhas anteriores contra Takasugi e o Governo Mundial. Deu um pequeno soco na mesa, que causou um barulho bem alto. Ele apoiou o rosto nas mãos e bufou em frustração. O rapaz sentia que havia alguma informação importante lhe escapando. Por um instante, desejou ter a experiência das gêmeas, ou a capacidade de analisar os fatos como Akayuri ou mesmo como sua própria irmã. Ele precisava descobrir o que o maldito inimigo estava planejando... Ele tinha seus amigos como reféns, e ainda podendo utilizá-los em batalha. Mas há um bom tempo não fazia isso... Desde que utilizou a nova armadura pela primeira vez. De lá, ele continuou a atacar sozinho ou passou a utilizar alguma marionete. Pouco a pouco, Shishi fora ligando os fatos. Takasugi havia tomado seus amigos para utilizá-los como bodes expiatórios. Provavelmente os usaria em algum momento futuro, quando notasse que suas criaturas não seriam fortes o suficiente... Ou se precisasse aperfeiçoá-las. Não tardaria muito para que as lutas definitivas contra a Antiga Geração fossem começar. E quando isso fosse mesmo acontecer, bem... Shishi sabia que não duraria muito tempo nelas. Precisava passar o máximo de seus ensinamentos e melhorar o que fosse possível das habilidades de suas alunas. No nível em que elas estavam nunca seriam capazes de derrotar alguém. Por falar em alunas, notou que elas não apareciam há algum tempo. E uma das coisas que aprendeu em seus anos de batalha foi: Sempre estranhe quando todo está muito calmo. Ele digitou algumas palavras no computador e se levantou rapidamente. Pegou um relógio que estava em cima da mesa e o ajeitou no pulso. Aproximou-o da boca e então ativou algum tipo de comunicador nele.

– J, preciso que venha aqui, rápido! – Chamou pelo robô, e não demorou muito para que ele se materializasse ali... O que foi uma cena um tanto estranha, já que ele surgiu todo coberto de terra, folhas e até mesmo um galho preso em seus chifres. Shishi suspirou e aliviou a tensão de seus ombros, quase rindo daquele J em “trapos”. – Ei, J! Você estava andando na floresta sem permissão de novo?

Ele levantou a cabeça. Provavelmente, se fosse humano, teria erguido uma sobrancelha e feito algum tipo de careta por conta da pergunta, que parecia ter uma resposta óbvia. – Eu sou um inseto... Um kuwagata.

Shishi deu de ombros e coçou a cabeça ao ver que não havia como vencer aquela “discussão”. Da sua maneira, J era tão teimoso quanto ele. Mas, deixou isso de lado para poder tratar do motivo no qual o havia chamado.

– Você sabe onde estão as meninas? – Perguntou o rapaz, com um ligeiro tom de preocupação em sua voz. Não ter notícias dela era bem angustiante até, já que elas nunca saíam de perto dele. J fez um gesto negativo com a cabeça. Ele ficou um pouco inquieto ao receber a resposta.

– Além disso... Eu preciso falar algo com você, J. – Ele ficou sério. Seus olhos cinza pareceram ficar mais sombrios. Ele apoiou-se na estante de livros da Diretoria. Cruzou os braços e olhou diretamente para o robô. Até mesmo ele se deu conta daquilo por não ter feito nenhum tipo de comentário.

– Eu devo pedir algo a você... Mas preciso que mantenha segredo até o momento certo. – Ele passou o indicador pela mão direita por cima da madeira como se estivesse verificando se havia alguma poeira lá. – J... Eu devo contar a você que eu morrerei em pouco tempo.

De fato, aquilo chamou a atenção de J. Se ele fosse um humano ou tivesse uma expressão facial concreta, daria para notar algum tipo de espanto nele. Obviamente, uma notícia como aquela surpreenderia qualquer um com o mínimo de sentimento.

– Na minha primeira luta contra o Takasugi... Ele deixou uma marca em meu peito. Essa marca, se eu utilizar minhas habilidades no máximo, e chegar a certo limite... É capaz de afetar todo o meu corpo e remover toda a minha energia vital instantaneamente. – O rapaz fez uma pausa e passou a andar pelo local, talvez para aliviar um pouco mais a tensão que passou a pesar sobre o ambiente. Prosseguia com sua explicação enquanto caminhava. – Provavelmente, na minha primeira luta contra algum antigo amigo meu... Eu morrerei. Então, caso isso aconteça, quero que você fale isso para as garotas. Tente tranquilizá-las ao máximo. E também... Treine-as da maneira que puder. Com certeza, as lutas ficarão mais difíceis se eu morrer.

– E o que vai fazer agora, Akamatsu? – J perguntou, em uma voz mais séria do que o costume. Seu punho estava cerrado, mostrando um pouco de hesitação nele. Talvez, o motivo disso fosse a missão na qual Hanako o dera. O robô deveria proteger Shishi mesmo que isso custasse a sua vida. O rapaz deixou escapar um pequeno riso, como se aquela pergunta fosse a coisa mais boba do universo.

– Não é de seu feitio ficar preocupado, Jueki. Por enquanto, nós vamos lutar até a hora certa. Tentarei o meu melhor para não morrer e deixar aquelas duas sem um guia. Nesse momento, elas são como um pássaro recém-nascido, incapaz de viver sem a própria mãe. – Por mais que aquele argumento fosse meio rude, ele estava certo. Miu e Narumi não eram capazes de derrotar Takasugi ou algum de seus amigos em batalha. O rapaz teria de se manter vivo a maior quantidade de tempo possível para ajudá-las.

– Por enquanto, temos que procurar algum sinal delas. Me dê uma ajuda aqui, Jueki. – Shishi se sentou novamente na cadeira, começando a digitar algumas palavras em um programa que dava acesso aos Satélites que eram utilizados pelas empresas de telefonia. Assim poderia rastrear os braceletes que havia dado para elas. Os tais braceletes eram um pouco mais seguros do que celulares comuns, já que recebiam uma espécie de sinal privado, tornando mais difícil a interceptação de conversas importantes.

Miu e Narumi estavam na frente da mansão. Olhavam para ela com a boca aberta de tamanho choque. Aquele lugar era praticamente um palácio. Até mesmo para Narumi, que era amiga de Shin há um bom tempo, não sabia que ele era tão rico assim. Precisou balançar a cabeça algumas vezes para cair em realidade, e para lembrar a amiga do motivo que as fez ir até ali, já que até a outra estava espantada com aquela riqueza.

– E como vamos passar por esse portão? Ele é muito grande pra saltar por cima dele. – Assim que Miu fez a pergunta, a cabeça da mais velha começou a trabalhar em um plano. Olhou para o portão e calculou que ele deveria ter pelo menos seis metros de altura. Percorreu o olhar também pelo muro, para verificar se ele era cercado com eletricidade. E já que não encontrou nada assim, deduziu que poderiam ter alguns seguranças lá dentro.

– Já sei... – Ela estendeu o braço e abriu a mão, seu arco começou a se materializar. Em suas costas, uma aljava com diversas flechas bem diferentes. Algumas tinham pontas com forma de cilindro, outras que não tinham exatamente uma ponta. Algumas delas eram bem diferentes, tinham uma espécie de esfera pequena na ponta. Miu sentiu uma pontada de curiosidade para saber o que faziam, e sentiu até mesmo um pouco de ciúme, já que não tinha brinquedinhos tão legais assim. — Tem um ponto cego que liga daqui até uma das janelas da mansão. Se eu conseguir acertar por entre a eletricidade, nós conseguiremos neutralizar a certa e passar por ela. Mas eu só tenho uma chance... – Narumi apontou uma das flechas que não possuíam uma ponta e a colocou em seu arco. Puxou o fio delicadamente enquanto fechava um de seus olhos para aprimorar sua mira. De uns tempos para cá, ela vinha praticando sua pontaria sozinha, de modo que caso precisasse, aplicando-se em uma situação semelhante a que estavam. Era como se um filme estivesse passado em sua cabeça, com todo o treinamento que havia feito. Recordou-se dos Deuses Gregos e Romanos, que tinham como características o Arco e a Flecha. Apesar de ser totalmente confiante em suas próprias habilidades, qualquer tipo de ajuda seria bem vinda. — Ei caras... Eu agradeceria muito se me dessem uma forcinha.

Ela pensou enquanto largava o fio e ficava olhando para a flecha com a corda em sua haste voando por dentro da cerca e atingindo algum ponto dentro da mansão. Conseguia notar que a eletricidade na cerca havia sido desativada. Abriu um sorriso e abaixou o arco, colocando-o de volta em suas costas. Olho para o lado e viu a tensão se aliviar dos ombros da amiga.

– É, mas... Ainda vamos ter de escalar normalmente. – A mais nova reclamou ao mesmo tempo em que começou a subir pelo portão da casa. Não era uma tarefa tão difícil assim, já que também treinava bastante seu condicionamento físico. De uma maneira diferente de Narumi, por sua arma ter um alcance bem baixo, ela precisa treinar sua flexibilidade e também sua agilidade para desviar e se aproximar dos inimigos e alvejá-los com as adagas ou com sua habilidade. Passou com facilidade pela entrada, caindo em um jardim florido. Ajudou a amiga a entrar no quintal e observou o terreno com cuidado. Pôde ver que o jardim era dividido em duas partes, um longo caminho composto por paralelepípedos. De um lado, estava o jardim de flores em que elas caíram. Miu conseguia distinguir algumas delas perfeitamente. Tulipas, Rosas brancas e vermelhas e até mesmo Girassóis compunham aquela parte do quintal. Na outra parte, um imenso jardim comum, mas com a grama bem aparada e regada, já que ainda podiam ser notados os brilhos dos resquícios de água que eram atingidos pelo sol.

O caminho central que dava para a porta estava bem sujo, como se houvesse acontecido recentemente algum tipo de movimentação por ali, o que era de se estranhar. Apenas uma pessoa – no caso, Shin – não deveria ser capaz de criar uma bagunça como dessa sozinho. As garotas se entreolharam, entendendo muito bem que algo de estranho estava ocorrendo ali. Entretanto, o ideal a se fazer não era entrar pela porta da frente, deveriam fazer aquilo de maneira silenciosa e eficaz. Provavelmente, se algo estivesse mesmo acontecendo naquela mansão, deveria ser em algum cômodo mais reservado, talvez até um local bem parecido com o quarto secreto da Diretoria.

Rodearam pelo jardim até encontrarem uma porta nos fundos. Entraram discretamente por lá, olhando atentamente a cada canto daquele quartinho. Mais uma vez, não encontravam ninguém. Aquele casarão fantasma as deixava bem assustadas, não era comum uma mansão daquele tamanho não ter pelo menos um empregado na parte dos fundos. Havia mais duas portas ali, a primeira as levaria até a cozinha – que era bem grande e tinha todo o tipo de utensílios, parecia propensa a um chef – E a outra porta levava até uma escadaria. Pensaram conjuntamente que aquela seria uma boa opção por não terem ouvido nenhum barulho vindo do andar de baixo. Deslocaram-se sorrateiramente pelas escadas, tentando evitar qualquer tipo de som que pudessem produzir. Subiram pelo menos dois lances de escadas até poder chegar perto de uma porta dupla. Dali de fora mesmo conseguia ouvir mais ou menos três pessoas dialogando. Deixaram a porta um pouco entreaberta e olhar quem estava lá dentro. Vindo de lá, Narumi reconheceu imediatamente Shin e Takasugi. Os outros dois ela não sabia quem era. A mais velha olhou para Miu, que também parecia ter reconhecido alguns que estavam lá. Podia notar que o rosto da mais nova estava pálido. Aparentemente, ela deveria saber quem era os outros dois. Conseguia apenas reconhecer cabelos cor de rosa em um, julgando em seguida que deveria ser uma garota da idade do Senpai ou um pouco mais jovem, usava um vestido branco, que parecia contrastar com seus cabelos diferentes. A outra tinha cabelos ruivos longos, presos num rabo de cavalo e vestia calça jeans e uma camiseta relativamente grande para o tamanho dela. Deveria ter mais ou menos 1,60m de altura. Havia uma katana presa na cintura dela. Narumi se perguntou o que Shin estaria fazendo com aqueles três... Isso a deixou ainda mais nervosa. Pensou se Takasugi estivesse fazendo o rapaz de refém ou até mesmo o chantageando. Apertou os punhos, sentindo uma imensa vontade de entrar naquela sala e dar uma boa surra naquele maldito, ainda mais se estivesse fazendo algum mal ao seu amigo. Encostaram o ouvido na porta para conseguir ouvir alguma coisa.

– Como estão nossos planos, Shin-kun? – Aquela era a voz de Takasugi. Ele tinha um tom diferente, como se estivesse se divertindo com algo. Narumi sentia a raiva crescer mais e mais em seu peito, como se fosse um balão se enchendo de ar e prestes a explodir. Miu segurou a mão dela, como um modo de lembrá-la o motivo de estarem ali. E de todo jeito, apesar da mais nova saber quem eram as duas jovens, ela tinha receio de entrar lá, provavelmente por saber do poder que elas possuem.

– Está tudo indo como você quer. Os três não desconfiam de nada. – Shin falou. Parecia mesmo estar do lado do Governo Mundial, o que de certa forma decepcionava bastante as duas garotas. Miu gesticulou, indicando que elas deveriam sair dali o quanto antes. Estavam muito expostas e não deveriam ficar tanto tempo ouvindo a conversa.

– Olha só... Parece que temos visitantes indesejadas. Como anfitriões, nós devemos recebê-las da melhor maneira possível. – Ao ouvirem aquelas palavras, Narumi e Miu saltaram para trás, ao mesmo tempo em que a garota de mecha branca retirou o arco das costas e atirou duas flechas rapidamente na direção da porta. Assim que encostaram lá, criou-se uma cortina de fumaça que bloquearia a visão de qualquer um que viesse lá de fora. Os olhos de Miu ficaram esbranquiçados, de modo que uma névoa fria tomou conta do local conforme a fumaça era criada. A escadaria e a porta daquela sala foram sendo congeladas lentamente. Esperaram que aquilo fosse o suficiente para dar tempo de escaparem. E de fato, conseguiram sair da mansão, chegando até o jardim. Mas parecia haver algum tipo de barreira no portão, no qual impedia as duas de saírem de lá. Agora não tinham escolha a não ser um confronto direto.

– Mas... Nós não podemos bater com aquelas duas de frente. É morte certa. – Miu sussurrou. Estava claro o desespero na voz dela. Narumi a encarou com uma sobrancelha erguida, não havia percebido ainda sobre quem se tratava.

– Ei, Miu... Quem eram aquelas mulheres? Por que você tá assim? – A mais velha segurou os ombros da amiga, baixando a guarda por um instante. Teria sido atingida por alguma coisa se Miu não tivesse invocado rapidamente uma muralha de gelo na frente delas.

– Você não reconheceu, né? Aquelas eram a Akayuri e a Kaya. – A garota falou de maneira até calma, embora seu rosto demonstrasse nervosismo. O rosto de Narumi ficou branco, ela não esperava por duas pessoas da Antiga Geração naquele lugar.

Takasugi saiu de dentro da fumaça. Tinha um sorriso presunçoso em seu rosto. Aparentemente, havia adorado a ideia de que seus inimigos estavam invadindo um local ocupado por ele. E, além disso, o próprio homem considerava aquelas duas como o “Elo Fraco” da Nova Geração. Tinha a noção de que sozinho conseguiria derrotá-las facilmente... Mas o problema maior ainda era Shishi. Takasugi sabia muito bem do potencial máximo do Herói, mas também sabia muito bem das limitações que impôs a ele com a marca. Mesmo assim, o rapaz ainda era o alvo mais difícil, tanto pela experiência quanto pelo poder que possuía.

– Olá, garotas. Vieram atrás da Kaya-chan e da Akayuri-chan... Ou será que foi dele? – Apontou para dentro da casa, se referindo a Shin. Narumi ainda sentia muita raiva por imaginar que ele pudesse estar do lado inimigo, ajudando o Governo Mundial a machucar inúmeras pessoas, e ainda terem a coragem de usar os Heróis do Armageddon para seus próprios interesses. A garota já estava cansada desses inimigos que se aproveitavam das pessoas. Por conta desse pensamento, os olhos dela pareceram ficar mais escuros, quase como se a escuridão de seu poder a estivesse controlando.

– Eu já estou cansada de você! Das maldades que você faz... Das pessoas que você machuca... E principalmente por seqüestrar as pessoas mais importantes pro Senpai! – Lentamente, o ambiente foi ficando mais escuro como se um eclipse estivesse cobrindo o sol daquele dia. Ela abriu os braços em um ângulo de quarenta e cinco graus em relação a sua cintura. Uma energia escura se concentrou nas palmas de suas mãos, a expressão de seu rosto demonstrava raiva e seriedade ao mesmo tempo. Porém, Miu também sabia como a amiga estava se sentindo. Também já estava farta de todas as atrocidades que Takasugi havia acometido com tanta gente. Ele quase acabou com a vida de Shishi duas vezes... Ele sim era a pessoa mais importante para ela. A coisa que mais queria era sair debaixo da “asa” dele. Precisava tomar atitudes e agir conforme sua própria vontade, sem se deixar ser protegida por ele. Ela ergueu os punhos e a névoa gelada a acompanhou, quase como se formasse um turbilhão ao redor dela, concentrando-se praticamente nas mãos dela também. Caso olhasse direito, poderia até supor que há algo como asas de feitas pela névoa.

As duas garotas olharam para o inimigo e movimentaram ambos os rápidos rapidamente na direção dele. Na mesma velocidade, a energia acumulada do corpo dele fora liberada. Um turbilhão de energia branca e uma bola de energia escura se fundiram, formando praticamente um pequeno cometa que atingiu Takasugi e o atirou de volta para a mansão, destruindo uma parte dela. Ele se levantou dos destroços, com metade de suas roupas rasgadas, e o lado direito de seu rosto coberto de sangue. Estava clara a fúria no olhar dele.

– Desde quando elas tem tanto poder assim? Droga... Não posso perder tempo com elas. – Estalou os dedos e uma criatura surgiu. Tinha a mesma estrutura corporal da que apareceu em Kyoto. Mas, mudavam-se algumas características. Seu corpo era cinzento e sua pele parecia dura como rocha. Havia um chifre bem grande em sua testa, o que indicava que deveria ter sido hibridado com um rinoceronte. Seu corpo era “gordo”, porém forte. Era um pouco mais alto do que o kaijin anterior, possuindo pelo menos quatro metros e meio de altura. Seus braços eram disformes, sendo bem desproporcionais ao corpo por causa da grossura e do comprimento deles.

Por conta da grande quantidade de energia que liberaram inconscientemente, as garotas sentiam-se exaustas e sem forças para utilizar suas habilidades. O monstro aproximou-se e ergueu seu braço gigante para golpeá-las. Narumi levantou-se com um pouco de dificuldade. Suas pernas tremiam intensamente, a visão dela estava um pouco turva. Utilizava o arco para poder se manter de pé. Mas não queria desistir... Ou melhor, não podia. Ela arrastou a amiga para aquela situação, ela que deveria tirá-la dali. Sussurrou para a amiga, tinha um belo sorriso no rosto, apesar do momento complicado em que estavam. – Eu te coloquei nessa... Eu vou te tirar dessa. Eu prometo.

Abriu os braços, esperando o ataque. O único meio que pensou de tirar a amiga dali era tomando o golpe por ela primeiro. Fechou os olhos e aguardou pelo que achava que seria o momento de sua morte. De repente, uma voz ecoou pelo lugar. As garotas reconheceram como sendo a voz de Shishi.

– Não posso deixar que isso continue! – Elas sentiram um puxão na altura da cintura e quando se deram conta, o punho do monstro havia criado um pequeno buraco no chão. Ambas estavam deitadas no chão, sem saber o que tinha acontecido direito. Narumi piscou os olhos, como se ainda quisesse acreditar que morreria naquele instante. Ao piscar novamente, percebeu que Shishi e J seguravam as duas garotas, e que rapidamente as levaram até um lugar relativamente seguro.

– Senpai... Por quê? Por que veio? – A voz dela estava diferente. Parecia um pouco abalada. Talvez ainda não houvesse caído a ficha em relação ao salvamento inesperado.

– Qual o motivo da pergunta? É claro que eu viria pra ajudar vocês. – Ele desembainhou as espadas e se voltou para o inimigo. J andou até o lado dele também com sua espada em mãos. Os dois apontaram as armas para a criatura, preparando algum tipo de movimento. Começaram a caminhar juntos até longe das garotas para evitar que elas se tornassem um futuro alvo. A armadura de J se materializou em seu corpo, mudando sua forma rapidamente. A armadura dele reluzia naquele dia ensolarado. No caso de Shishi, havia apenas algumas peças de sua armadura cinzenta em seus braços em pernas. O Veterano movimentou o braço direito rapidamente, liberando a eletricidade que percorria as partes da armadura. Surpreendentemente, o kaijin não fora afetado pelo golpe dele, o que deixou Shishi bem surpreso.

– Hm? Meus poderes não afetam ele? Interessante. – Shishi embainhou as espadas e saltou, tendo J o acompanhando pela terra. O rapaz golpeou o inimigo com um chute utilizando o calcanhar, de modo que ele atingisse bem na cabeça do kaijin, mas que também ele não fosse atingido pelo chifre. O robô desferiu um golpe horizontal com a sua espada, fazendo um pequeno corte na couraça da criatura, o que indicava que ele possuía uma defesa bem forte. Provavelmente Shishi precisaria de algum tipo de plano para detê-lo.

– J, mantenha a atenção dele em você! – Shishi se afastou dando alguns passos largos para trás. J o acompanhou instantaneamente. O rapaz flexionou os joelhos e uma grande quantidade de energia começou a envolvê-lo. Enquanto isso, J parecia dar golpes aleatórios na criatura. Não tinha tanta intenção de machucá-lo, o que queria era somente distraí-lo, o que não era tão difícil assim, já que o monstro se mostrava ser bem desajeitado devido aos seus braços de tamanhos diferentes.

Narumi e Miu conversavam de longe, embora mantivessem seus olhares na batalha. Perguntavam-se qual seria o plano de Shishi, por verem que ele se afastou da luta e deixou que J ficasse encarregado dela.

– O que aqueles dois estão pensando em fazer? – Miu perguntou baixinho. Narumi acabou ouvindo a pergunta dela, mesmo que não tivesse a intenção de falar com a amiga naquele momento.

– Hmm, é difícil saber. Se formos parar pra pensar... Ele nos conhece muito mais do que nós conhecemos ele. A gente nunca sabe o que tem na mente dele. – E a mais velha tinha razão. Se fossem parar e raciocinar sobre todos os eventos que ocorreram, desde que conheceram Shishi durante a luta contra Lyall, ele sempre esteve por perto as observando. Provavelmente, ele sabia a vida das duas por completo, enquanto elas só sabiam o que ele havia decidido contar.

Após mais algumas trocas de golpes, J se afastou um pouco mais da criatura. A espada dele brilhou na cor prateada de sua armadura e o robô moveu o braço para trás. Em seguida, movimentou-o e arrastou a lâmina pelo chão, criando atrito entre o material da arma e o chão feito de cimento. Num piscar de olhos, aquele atrito formou uma lâmina de energia prateada que brotou do chão e atingiu o monstro, fazendo-o cair e atordoando-o por alguns instantes, tempo suficiente para Shishi preparar seja lá o que ele tinha em mente.

– Obrigado! – Ele pareceu liberar a energia das pernas, tanto que quando as relaxou acabou saltando inconscientemente. Encarou o kaijin e sua expressão ficou séria. Aquele poder concentrado foi todo liberado, de modo que um grande trovão surgiu do corpo de Shishi, sendo atirado pelos pés dele. Logo após isso, o rapaz desceu com tudo, aproveitando-se da gravidade e caiu com os dois pés no peito do monstro, vaporizando-o em um instante. Foi quase como se ele nunca estivesse ali.

As garotas se aproximaram com um pouco de dificuldade, já que mancavam e cambaleavam por conta do cansaço e dos ferimentos. Miu se aproximou de Shishi e encarou o rosto dele por alguns momentos. O veterano até ergueu uma sobrancelha por não entender o motivo de ela o estar olhando.

– Ahn... Tem alguma sujeira no meu rosto? – Shishi continuou olhando para ela, até que Miu tocou seu rosto e o encarou com uma expressão de preocupação com ele.

– Você tem um ferimento na testa, Senpai. – Ela tocou o ponto da cabeça dele que estava com uma mancha de sangue, e que também escorria um pouco. Como o rapaz não notou antes, não se sabe, mas ele realmente estava ferido, e aparentemente não fora naquela batalha. – O que você andou aprontando?

– Ah, é verdade... Sobre o amigo de vocês, acredito que ele se chama Shin... Ele não estava trabalhando para o Governo Mundial por conta própria. Ele estava sendo manipulado por um motivo maior, mas acho não sou eu quem deve revelar a razão agora. – Esse era mais um dos pontos positivos dele. Ele não dizia o que não lhe dizia a respeito, por mais crítico ou importante que fosse. Sabia que deveria ter um motivo para a informação ter sido escondida, e que ele não era a melhor opção de pessoa a contar alguma coisa, principalmente por ser um “terceiro”.

– Além disso, eu sei o que vocês queriam fazer quando não me contaram o que estava acontecendo. – Depois de tudo aquilo passar, um pequeno sentimento de culpa assolou o peito das duas garotas. Elas não contaram nada para o Veterano, mas mesmo assim ele veio ajudá-las. Mas, se bem que, ele ajudaria as suas alunas até mesmo se não as conhecesse.

– A gente não queria te dar mais nenhum trabalho... Você vive salvando a gente do perigo. E fez isso de novo. – Narumi olhou para baixo, como se não conseguisse encarar o mais velho. Ela se sentia um pouco envergonhada por ter escondido tudo o que havia acontecido até agora.

– Hmm, se isso era pra ser um pedido de desculpas... Não tinha necessidade. – Shishi colocou uma mão nos cabelos de cada uma e os bagunçou. Ele chegou até mesmo a dar uma risadinha por conta da atitude delas. Aquilo o fez lembra-se de si mesmo dois anos antes, quando agia de uma maneira bem parecida, e quase sempre se encrencava por causa disso. – Nós somos amigos, lembram? Eu viria correndo pra ajudar vocês. E tenho certeza que fariam o mesmo por mim.

Ele tinha razão. Tanto Miu quanto Narumi se preocupavam com ele, invadiriam qualquer lugar até mesmo para salvar J, já que ele também era seu amigo e as ajudou em inúmeros momentos. Por fim, suspiraram, ainda tentando se conformar com o fato de que foram ajudadas mais uma vez. A mais nova se aproximou de Shishi e tocou o ferimento que ele tinha na testa. O rapaz recuou assim que sentiu um pouco de dor ali. J se aproximou, havia um kit de primeiros socorros nas mãos dele, onde provavelmente materializou-o de algum canto. Miu pegou alguns utensílios que havia ali dentro: Gaze, alguns esparadrapos e um algodão para tirar o sangue. A garota notou que Shishi ficou com o rosto um pouco vermelho. Interpretou aquilo como se ele não estivesse gostando muito de ser cuidado. Naturalmente, ela acabou rindo da situação. Mas assim que terminou de tratar do machucado do veterano, ele se levantou rapidamente e olhou para o céu, parecia sentir que havia algo de errado acontecendo.

Um clarão cobriu os céus e ofuscando a todos que o viram. De repente, algo parecido com uma tela holográfica apareceu. E nele, havia vários rostos bem familiares, principalmente para Shishi. A expressão dele ficou séria assim que as reconheceu. Kaya, Kai, Akayuri, Rin, Miki... E sua irmã Hanako estava lá, mas sem as máscaras de quando viu cada um deles pela primeira vez. Ele fechou os punhos e manteve o olhar para o alto. Então, surgiu o rosto de Takasugi, aparentemente sem nenhum tipo de ferimento, o que fez Miu e Narumi ficarem indignadas.

– Ei, mas a gente praticamente detonou ele! Como que ele pode ter se recuperado tão rápido? – Narumi protestou. Sua mente ficou confusa. Para o estado em que deixaram Takasugi após juntarem seus poderes, deveria ser praticamente impossível de se recuperar nessa velocidade.

– Olá, cidadãos Japoneses! Meu nome é Takasugi... E eu tenho um comunicado para vocês. – Falou com o tom irônico e animado de sempre. Para ele aparecer assim do nada após uma batalha, deveria ter alguma carta na manga. – Garanto que vocês devem se lembrar do incidente que aconteceu há dois anos. A mídia e o Parlamento provavelmente contaram a vocês que aquilo foi um grande desastre natural de proporções épicas. Mas cá entre nós, contarei um segredinho a vocês. Aquilo era tudo mentira. Uma grande Guerra ocorreu por conta de um grupo de pessoas que desejavam destruir a humanidade e dominar os restantes. – Ele fez uma pausa, pareceu encarar algo que estava em sua frente. Shishi entendeu que aquele era um meio de persuadir qualquer um que fosse. — Porém, alguns jovens heróis impediram que a tal Organização destruísse a humanidade. Mas agora... Boa parte desse grupo de Heróis está do meu lado agora, mesmo que contra sua própria vontade. O único que sobrou foi este: Akamatsu Shishi. – Então, uma grande imagem de Shishi surgiu naquele holograma. A imagem permaneceu por cinco minutos na “tela”, e enquanto isso, Takasugi continuava falando em alto e bom som. – Em breve, ele será eliminado por nós. E não haverá mais esperança para aqueles que se voltar contra os membros do “Governo Mundial”... Então, meus caros cidadãos, vocês devem decidir... Juntar-se-ão a mim e viverá uma vida próspera de acordo com nossas vontades... Ou vão se rebelar e terminarem sendo exterminados junto com este rapaz?

De onde estavam, Narumi e Miu conseguiam notar a raiva tomando conta de Shishi. Aquilo o fazia emanar pequenos raios inconscientemente vindos de seu punho. Viram o rapaz erguer o braço e disparar um raio contra o holograma, despedaçando-o imediatamente. Uma carta veio do céu e o rapaz a apanhou. Havia um símbolo desenho lá, ele interpretou como se aquela fosse a marca do Governo Mundial. Abriu a carta e a leu. A raiva abandonou seu corpo e ele ficou levemente pálido. Miu se aproximou dele, mostrando-se até preocupada por não saber o conteúdo daquela carta. – O que tem escrito aí, Senpai?

– É um desafio... E o oponente será minha irmã.

Continua...