Notas iniciais
Oi, gente. Primeiramente, FORA TEMER. Segundamente, me desculpem por não postar semana passada, mas isso pode ocorrer, às vezes, ainda mais com o Enem chegando pois tenho simulados nos fins de semana. Porém, prometo compensar sempre e já escrevi dois capítulos, mas vou posta-lo na quarta para não postar os dois muito junto. É isso e espero que gostem, boa leitura!

"Como explicar minha dor? Minha dor é como uma mera vírgula. Quase ninguém sabe o papel dela, apenas sabem que ela tem que estar lá, ou não. Mal sabem eles que a vírgula é colocada para mostrar elementos deslocados, o que se compara muito com a dor. A dor mostra que está faltando algo, alguém. Algo mudou de lugar, de direção e sentido. Algo que te deixou para trás. Algo que te substituiu. Algo que não soube ouvir o som do seu silêncio. Algo que não teve paciência de achar ordem no seu caos. Algo. Alguém." — Carlos Neto.

Não sei como a maioria das pessoas se sentiria ao ouvir aquilo, mas foram alguns minutos até me dar conta do quão idiota fui e ficar com raiva de Emma. Era tão obvio, como não notei antes?

— Você acha isso engraçado ou está mais para uma coisa de se sentir bem consigo mesma? — Perguntei de forma ríspida analisando para grama a minha frente, irritada.

— Como é? — Ela perguntou confusa e voltei a olha-la.

— Você acha que já não entendi o que está tentando fazer? — Perguntei sem um pingo de paciência e sem alterar meu tom de voz enquanto ela me observava como se não entendesse o que só me deixava com mais raiva.

— Acredito que sim, já que eu te disse que quero ser sua amiga. — Respondeu ironicamente como se fosse evidente.

— Você entendeu o que eu quis dizer e não foi isso.

— Olha, Regina, não sei onde quer chegar. — Emma exalou olhando em volta e fitando me novamente — Eu...

Tornou a dizer. Porém foi interrompida pela morena de mechas vermelhas que parecia aliviada ao ver a loira enquanto falava de pé ao nosso lado.

— Emma, finalmente! Parece que alguém se esqueceu que marcamos de fazer o trabalho de biologia hoje e também que tem um celular, já que não atende.

Era Ruby, falando afobada com uma mão na cintura e outra mostrando a tela do celular onde havia as inúmeras chamadas que fizera. A agitação da morena alta e esguia me era familiar e até me traria diversão se não fosse pela irritação que me atazanava naquele momento.

— Nossa, me esqueci totalmente e coloquei o celular no silencioso. — Emma mencionou olhando para a garota em pé, aflita com a situação. — Desculpa, Ruby.

— Tudo bem, desde que você venha comigo porque precisamos terminar aquilo logo. — Ela falou guardando o celular no bolso do blazer do uniforme e me olhando em seguida, sorrindo — Vou ter que rouba-la de você, Regina.

— Fique á vontade. Eu já estava de saída, de qualquer forma. — Respondi me levantando e batendo a mão, que não segurava copo de café, em meu jeans para tirar qualquer sujeira.

— Mas, Regina, eu... — Emma tentou novamente, mas foi minha vez de interrompe-la.

— Tchau, Swan. — Pronunciei de forma rude ainda encarando minha calça, então levantei o olhar — Até mais, Ruby.

Sai andando e joguei o resto do café na lixeira mais próxima e não tinha a menor ideia do que fazer. Então, fui até à biblioteca, peguei o primeiro livro que vi e me sentei em uma das mesas onde não havia ninguém por perto. Entretanto, tentar ocupar minha mente daquela forma foi inútil.

Não era uma novidade — pensei. Depois que Liz se foi, várias pessoas quiseram se aproximar de mim e era notório como só faziam aquilo por pena da garota que antes era tão popular e agora estava solitária. Eu particularmente odeio as pessoas que fazem as coisas por se sentirem na obrigação ou por dó. Uma vez que, na minha concepção, dó é a pior coisa que você pode sentir por algo ou alguém. Porque, por mais que, você se esforce para ajudar ou se juntar à alguém, se essa ação for incentivada por esse sentimento, então ela nunca vai ser feita de coração pois você se sente na obrigação de fazer aquilo. E, pelo que Emma falou, parece só querer se aproximar porque já deve saber o que aconteceu e se "compadeceu".

"Não sei em que momento nos perdemos, em que ponto dessa caminhada deixamos para trás nossa pureza e passamos a olhar tudo com desconfiança e descrença."

—Clarissa Corrêa

Depois de uma meia hora tentando reler páginas e mais página, que se tornavam obsoletas pois não me concentrava, decidi fazer algo que distraísse minha mente então enviei uma mensagem para minha irmã perguntando se ela estava fazendo algo e, como respondeu que não, a chamei para ver um filme no meu quarto pelo computador.

Assim, que cheguei ela já estava na porta com um pacote de ursos de gelatina, que ela tanto gosta. Entramos, escolhemos um filme qualquer e deitamos na minha cama com o notebook apoiado em minhas pernas.

— Parece que ela gosta de música. — Zelena falou e estranhei porque não tinha nada no filme coerente com o comentário.

— Como assim? — Perguntei virando o rosto para ela e entendi o que quis dizer ao pega-la olhando para as prateleiras abarrotadas de CDs do outro lado do lugar — Pensei que fossemos ver o filme.

— Esse filme é chato, falei para escolher o de comédia. — Ela retrucou colocando outro urso na boca e virando a cabeça para me ver.

— Você já viu aquele umas cinquenta vezes.

— Ok, então vamos fazer outra coisa.

— O que? — Perguntei fechando o computador e colocado no chão ao lado da cama.

— Não sei, que tal conversarmos. Como andam as coisas? — Ela perguntou quando voltei a me deitar ao seu lado.

— Ai, credo. Parece gente velha quando não tem assunto. — Falei fazendo com que nós duas ricemos.

— Verdade. Então que tal falarmos sobre seu aniversário? — Sugeriu a ruiva com um sorrisinho.

— Ah, não. Ainda falta um mês e não vou fazer nada mesmo.

— Qual é Gina, você vai fazer 17 anos precisa fazer alguma coisa.

— Qual é Zelena, você fala isso todo ano. — Retruquei imitando o tom de sua voz e recebendo um olhar de desaprovação que me fez rir — Ok, apenas imagina. — Sento-me cruzando as pernas de frente para ela e começo a gesticular ao falar — Vamos fugir da escola e, no máximo, ir ao boliche porque você sabe que não gosto de festas. Irão seus amigos e você vai ficar a maior parte do tempo se agarrando com o Graham, se a relação de vocês durar até lá. E eu vou ficar em um mesa no canto comendo batata frita e bolo com soverte.

— Claro que nossa relação vai durar, eu gosto dele. — Zelena falou ressentida.

— Sério que, de tudo que eu disse, você focou nisso? — Perguntei inclinando a cabeça e revirando os olhos.

— Eu ouvi tudo, só estou brincando. Mas nós não precisamos ir ao boliche e não precisa dos meus amigos irem, você pode chamar a Emma.

— Obrigada, mas passo. — Falei fechando a cara.

— Vocês já se desentenderam? — Zelena perguntou já sabendo a resposta.

— Isso não é da sua conta.

— Você não muda nunca. — A ruiva falou mexendo a cabeça em negação.

Conversamos por um tempo até que Graham mandou uma mensagem e ela saiu quase correndo, me fazendo questionar o que acontece para que as pessoas fiquem tão dependentes das outras, às vezes.

Então decidi fazer meu trabalho de matemática e quando estava na metade ouvi a porta do quarto se abrindo e suspirei. Sabia que Emma voltaria alguma hora, mas desejava que eu já estivesse dormindo quando acontecesse.

— Regina, o que foi aquilo? — Emma perguntou andando em passos apressados até ficar de pé ao meu lado.

— Estou ocupada. — Falei enquanto continuava a tentar calcular os exercícios do meu caderno.

— Depois você faz isso, olhe para mim. — A loira irritou-se e levantei o rosto com nada além de tédio no rosto.

— Estou olhando, já terminou? — Perguntei cinicamente e ela cruza os braços.

— Eu odeio quando você faz isso.

— É só não conversar e evitará isso, simples.

— Eu paro de falar se me disser o motivo de ter ficado assim novamente. O que acha que eu quis dizer com aquela música? — Ela perguntou desfazendo a cara de brava e suspira ajeitando os óculos.

— Não foi a música. Você sabe o que aconteceu antes de você chegar e agora está com pena de mim. Ou vai dizer que não está tentando fazer uma boa ação, ou seja lá o que for, porque minha amiga se foi e me acha uma solitária? — Questionei e ela me observa confusa.

— Mas é lógico que não. Regina, você por acaso ouve o que diz?

— Então porque, Emma? Por que você age assim comigo? — Indaguei já sem saber o que aquilo tudo queria dizer.

— Olha, eu realmente soube uma coisa ou outra sobre sua amiga, mas não é por isso que ajo assim. — Emma começou a falar enroscando um cacho de seu rabo de cavalo no dedo — Não sai por ai perguntando sobre o ocorrido pois já disse que não gosto de conhecer as pessoas pela boca dos outros, ainda mais algo tão pessoal seu.- Ela me fitava e seu tom de voz havia ficado mais baixo e calmo — Nunca me aproximaria de uma pessoa por dó ou para tentar me sentir melhor. Isso não faz parte de mim. Queria poder entender a finalidade de tanta desconfiança vinda de você. — Eu não esperava ouvir aquilo e minha barriga começou a gelar — Não tenho o propósito de te machucar ou sair por ai espalhando boatos. E já que quer saber, ajo assim pois me identifico com você. Aquele trecho, que sinto que te descreva, já me descreveu porque passei por algo parecido e achei que com o tempo você gostaria de conversar com alguém que sentiu isso que está sentindo, mesmo que de forma diferente. — A loira concluiu e abaixou os olhos para os braços que se cruzavam em frente a seu peito.

Permaneci em silêncio me sentido menor sob aquele olhos verdes que pareciam desapontados. Engoli em seco e não sabia o que fala, então após alguns minutos ela respirou fundo e murmurou: — Já que não tem mais nada a dizer vou parar de conversar com você como quer.

Juro que algo em mim se assustou com aquelas palavras mesmo que ela tivesse dito de forma tranquila, entretanto meu orgulho não deixou que dissesse nada e somente senti que voltei a respirar quando ouvi a porta batendo logo que ela deixou o quarto.

Notas finais
Gostaram? O que estão achando? Obrigada por todos os comentários, são muito importantes! Beijos e até o próximo!