Teach Me How To Love You
11 Capítulo 11
Notas iniciais
"Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais."
— Desconhecido
Quatro dias se passaram e dessa vez as coisas estavam bem diferentes. Emma, depois daquele dia, mal olhava na minha direção e o pior é que depois que ela disse ter passado por algo parecido fiquei não só curiosa, mas também entendi o seu lado. Comecei a pensar que talvez eu pudesse estar sendo mais evasiva e cautelosa que o normal. Entretanto, nem ela e nem ninguém, além de mim, sabia que eu agia daquela forma não por causa do falecimento de uma pessoa tão importante para mim e que aquele fato só intensificou a "proteção" com a qual me envolvia. Sentia-me menos confortável e segura em relação as pessoas em geral. A forma com que Emma falou despedaçou um pouco mais do que ela já vinha quebrando em mim e isso de certa forma me desesperava, porém suas provocações, sorrisinhos e preocupações vinham fazendo mais falta do que eu esperava.
Pensava nisso e no que eu teria que enfrentar comigo mesma para me abrir mais, ao tentar, mais uma vez, inutilmente estudar e acabar com o caderno apoiado em minha barriga por eu estar deitada e olhando para o teto. Não queria pensar naquilo, não queria pensar na festa, nas bebidas, naquele quarto escuro, naquele babaca e nem de longe naquele pânico que invadirá meus pulmões aquela noite. Sentia-me sufocada por ao menos tentar lembrar, tudo em volta parecia ficar abafado e em pouco tempo estava ofegante e com o pulso acelerado.
Levantei o corpo rapidamente tentando afastar aquilo de minha mente, era quase um suplicio. Um momento depois a loira entra no quarto e dou um pulo me assustando. Ela me olha, ergue uma sobrancelha sem tirar aquela expressão monótona do rosto que adotou. Logo pegou seu computador, um fone de ouvido sem falar um "a" como se eu não estivesse ali ou pelo menos não fosse relevante e se jogou na cama. O incomodo da situação de segundos atrás, havia se voltado para aquela situação.
Peguei meu caderno para guarda-lo enquanto pensava em algo para chamar a atenção de Emma, seu comportamento estava displicente e aquilo me aborrecia de uma forma absurda. Aquela, nem de longe, era a Emma que convivi por quase um mês. Por sorte, me lembrei do trabalho de literatura, faltavam três dias para a apresentação e nós nem havíamos começado a fazer.
— Emma. — Chamei sentando me na cama novamente.
— O que? — A loira perguntou de imediato, sem tirar os olhos do que estava vendo.
— Temos que fazer aquele trabalho de literatura.
— Verdade. — Ela respondeu, novamente sem se mover.
— Só isso?
— Ué, quer fazer agora? — Perguntou, finalmente levantando os olhos para me ver.
— Seria bom.
— Tudo bem.
— E como vamos fazer? — Perguntei já tendo um faniquito por dentro por suas falas serem quase monossilábicas e seu tom de voz monótono.
— Você é quem sabe.
Respirei fundo para me concentrar e falei:
— Tudo bem, então acho que podemos ir na biblioteca e pegar alguns livros de poemas para começar.
— Pode ser. — Emma respondeu fechando o computado e se levantando para irmos.
Fomos até la e das três horas em que ficamos procurando, fazendo anotações e estudando o que falar, as únicas coisas que vinham de Emma eram: "Aham", "Gostei", " Pode ser", "Legal". Sua maior fala foi quando leu uma citação de François que estava em um dos livros: "Aquele pensa que sabe muito, mas não sabe de nada, e a sua ignorância é tanta que nem sequer está em condições de saber aquilo que lhe falta."
— Gostei dessa. — Ela falou após ler enquanto ainda olhava para o livro.
— Nós precisamos de poemas e não citações, além disso acho que já é o suficiente por hoje. — Disse fingindo não ter entendido a indireta bem evidente que fez questão de comentar.
A loira deu de ombros, ajeitou seus óculos e começou a fechar os livros. Nem ao menos se despediu eu sumiu, peguei nossas anotações e levei para o quarto. Já estava escuro, então pensei que provavelmente tinha ido jantar e fiz o mesmo pois estava faminta. Não a achei em lugar algum e Zelena até estranhou eu estar tão calada enquanto comíamos, o que não vinha acontecendo. A forma como Emma estava agindo me deixava mal, aborrecida e precisava conversar com ela. Percebi que a forma como vinha julgando os atos de todos e como isso estava me prejudicando, optei por começar a mudar isso primeiro em relação a Emma.
Decidi que iria espera-la no quarto e tentar resolver isso de alguma forma. Porém depois de algum tempo mexendo no computador, notei que já era quase meia noite e ela ainda não havia aparecido. Praguejei-me pela loucura que me impulsionou a ir atrás dela, aquela hora se fosse pega andando no campus estaria encrencada. Todas as meninas com as quais ela andava sabiam disso, então deveriam estar dormindo, também não era um dia no qual costumavam fugir para festas. No quarto de um menino também acreditava que não e como a sala de música estava trancada a essa hora fui direto até a piscina porque as portas não tinha trancas e acabei dando sorte.
Olhei através da porta de vidro e vi ela boiando no meio da piscina, olhando para o teto. Quase não dava para ver nada a não ser pela luzes do campo da futebol, atrás de mim, que refletiam um pouco ali dentro. Quando entrei ela se mexeu apressada, provavelmente com medo de ser algum supervisor.
— Calma, sou eu a Regina. — Digo, indo em direção a borda da piscina.
— O que você quer? — Ela disse ríspida, se virando para mim, mas ainda parada de pé no meio da piscina.
Olhei para a luz que refletia na água pensando no que dizer, dessa vez não seria tão simples.
— Emma... eu sei que sou uma idiota. — Falo me sentando de pernas cruzadas de frente para a piscina.
— Nisso concordamos, então acho que já pode se retirar.
Emma estava realmente chateada dessa vez, o que me fez suspirar.
— Dá para parar com isso? Eu vim aqui me desculpar.
— Se desculpar? Vai se desculpar mais quantas vezes? — ela ergue as sobrancelhas esperando uma resposta que não vem, apenas abaixei os olhos para os feixes de luz que tremulavam junto da água. Então, ela continuou com um tom raiva contida na voz: — Já parou algum momento para pensar em quantas vezes já se desculpou por alguma merda que fez comigo sem eu ter feito nada de errado? Já parou para pensar que eu sempre te desculpo achando que você finamente vai parar com essa cápsula emocional, onde só você vive, e continua a mesma pessoa como se não ligasse para mais ninguém além de si? Já parou para pensar que por mais que eu tente se você não deixar eu me aproximar desse seu mundinho nada nunca vai mudar? — A loira bravejava, magoada.
Aquelas palavras me atingiam como facadas, um nó surgiu em minha garganta e eu só queria me levantar e ir para o meu quarto chorar. Porém, por mais que doesse, o que ela disse era verdade. Nunca fui de me importar com o que as pessoas pensam a meu respeito e foi ai que percebi que Emma estava errada em uma coisa, de alguma forma ela entrou no meu "mundinho". Entrou o suficiente para que eu me sentisse a pior pessoa do mundo ao ouvir o que ela tinha a dizer sobre mim.
Fiquei calada sem conseguir erguer o rosto para olhar aquelas órbitas esverdeadas que eu sentia que me fitavam com raiva. Eu sabia que ela não queria uma resposta para nenhuma daquelas perguntas. Queria que eu pensasse na minhas atitudes e aquela situação me fez sentir como uma criança desobediente. Será que ela me enxerga como uma criança? Aquela pergunta começou a rondar minha mente ao mesmo passo que continuávamos em silêncio e paradas.
Eu queria dizer algo, realmente queria, mas tudo que vinha em minha mente era no quão individualista, egoísta e insensata eu havia me tornado durante todos aqueles anos ali e em como eu me fechava a cada vez que Emma parecia estar mudando aquilo.
— Você não vai nem tentar dizer algo? — A voz da loira soou alto nas paredes do local.
— O que quer que eu diga? — Perguntei levantando a cabeça e minha garganta apertou ao ver em sua expressão que não era bem aquilo que era esperava que eu dissesse.
Ela fechou os olhos e ergueu olhando para cima e respirando fundo, tirou as mãos da água e passou sobre o rosto antes de me olhar novamente.
— Olha, Regina... — Ela parou um pouco como se estivesse confirmando consigo se diria aquilo — eu desisto. Desculpe, mas eu realmente me recuso a passar por isso novamente.
Meu estômago começou a se contorcer ao ouvir aquilo e meus lábios começaram a tremer.
Ela se virou nadando até a escada na outra ponta da borda, subiu, se enrolou em sua toalha, que estava no chão, e antes de ir para o vestiário falou de costas para mim:
— Quando souber o que dizer me procure.
Continuei parada a seguindo com os olhos até que sumisse para dentro do vestiário. Lágrimas começaram a desce e por meu rosto. Sei que ainda a veria, a veria o tempo todo. Afinal, dormimos no mesmo quarto, temos aulas semelhantes e até alguns amigos iguais, se bem que eles são mais amigos dela do que meus.
Fiquei algum tempo sem conseguir relacionar nada na minha mente, apenas com o barulho do chuveiro ao fundo. Era como se milhares de coisas passassem na minha cabeça, mas não conseguia focar em uma coisa específica, ou seja, eu pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo.
Quando o barulho da água do chuveiro sessou me dei conta de que ainda estava parada olhando para o nada. Então, enxuguei minhas lágrimas as pressas e voltei para o quarto sem me preocupar em ser vista ou me encrencar. Enfiei-me embaixo das cobertas, ainda vestida, e deixei algumas lágrimas rolarem desejando que Liz estivesse ali.
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