Teach Me How To Love You
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Depois que termino o banho e me visto, pego minhas coisas para retornar ao quarto. Eu gostava daquele horário, pois mais tarde seria impossível de se tomar banho sem esperar, no mínimo, vinte minutos.
Emma não estava quando cheguei no quarto, o que me fez sentir aliviada. Sentei-me, na escrivaninha depois de guardar o kit e colocar a roupa suja em um cesto, para terminar alguns trabalhos ainda pendentes e terminei pouco antes do jantar. Fechei o computador e fui para o refeitório estranhando o desaparecimento da novata.
Estava quase terminando meu jantar, em uma mesa isolada, quando minha irmã apareceu, surgindo do nada, se sentando na cadeira ao meu lado.
— E então, você vai querer a pipoca ou quer que eu compre doces da máquina?
Ela realmente não se conformou com a minha possível presença. Levanto-me pegando o prato e levando até onde devíamos depositar, desviando dos demais estudantes, Zelena se levantou junto e começou a me seguir.
— Então... eu acho que não vai dar.
Disse tentando parecer pesarosa enquanto íamos para fora do refeitório e a ruiva puxou meu braço.
— Qual é Gina, não vem com esse papo de que não vai dar. – Zelena bufa cruzando os braços — Eu sei que você vai ficar, no máximo, lendo algum romance até cair no sono ou fazendo um trabalho cuja data de entrega é daqui a um mês.
— Ou eu posso simplesmente querer dormir!
— Regina!
Ela me repreende.
— Ok, parei. Porém realmente não vai dar porque... – pausei rapidamente, olhando em volta tentando encontrar uma desculpa e como milagre ela apareceu na minha frente – Porque já tenho planos para hoje.- Completei voltando a fita-la.
— Você tem planos? – Zelena me olha com duvida.
— Sim. – Disse começando a andar para frente em direção a um banco onde observei minha salvação e minha irmã veio atrás de mim.
— E posso saber quais são?
— Eu, — sento-me no banco e coloco a mão no ombro da loira que se assusta tirando os fones de ouvido e me olhando – tenho que fazer um tour com Emma pelo colégio, não é mesmo Emma? – Falo olhando para a loira que não estava entendendo bulhufas do que eu estava fazendo, mas torcia para que ela entrasse na encenação.
Ela me fitou estreitando os olhos por um momento antes de virar o rosto e sorrir ao encontrar minha irmã.
— Prazer, meu nome é Emma. Sou aluna nova e divido o quarto com Regina. – Emma falou se levantando, guardando o celular no bolso e estendendo a mão para a ruiva que sorriu um pouco e a cumprimentou.
— Me chamo Zelena, sou irmã dessa sua adorável companheira.- A ruiva dirigi um sorriso cínico para mim e reviro os olhos em resposta – E então, Emma, é verdade o que ela disse ou está só tentando fugir.
A loira hesitou um pouco, mas me olhou com o canto dos olhos e se pôs a falar olhando para Zelena.
— Olha, acho que ela mesma queria que fosse mentira porque tive que implorar bastante para que ela aceitasse me mostrar tudo.
Zelena arqueou uma sobrancelha e intercalou os olhares desconfiados entre mim, que continuava sentada, e Emma, até por fim focar na loira
— Você é uma garota esperta, disse que implorou. Se tivesse dito que ela se ofereceu eu não acreditaria de forma alguma. – Então, se virou para mim – Parece que você arranjou uma cumplice inteligente, maninha. Vou deixar passar dessa vez, mas semana que vem você não me escapa. – Ela concluí apontando o indicador como em uma broca e sai depois de se despedir.
— Bom, do que foi que eu te livrei? – Emma perguntou, quando Zelena se afastou, e vou a se sentar descansando a mão em seu colo
— Minha irmã insiste em querer que eu vá na sessão de filme que tem toda semana aqui na escola.
— E, deixe me adivinhar, isso acaba com seus planos de ficar no quarto sozinha mesmo sem nada para fazer querendo reforçar a imagem de “ sou boa de mais para me misturar”. – Levantei as sobrancelhas, surpresa por como se referia a mim, mas só deixei que falasse — Eles devem acreditar que você deve ser do tipo que os vê e pensa: “Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles.”
— Nossa, ela ainda citou Bukowski. Tenho de admitir, você me insultou com classe. – Disse sem alterar meu tom neutro.
— Eu não quis te insultar. – Ela diz chacoalhando as mãos, se dando conta de que posso ter interpretado mal – Digo, acredito que as pessoas em geral te veem dessa forma. Não posso dizer que te vejo de uma forma se mal te conheço. Creio que as pessoas são, na verdade, muito mais do que querem transparecer.
Desvio o olhar ao refletir sobre o que acabará de ouvir. Emma parecia diferente dos demais, eu não conseguia lidar com a ideia de que ela poderia chegar a encontrar o que eu não queria transparecer. Pelo simples fato de que eu não quero reencontrar o que faz anos que tento esconder para não relembrar e evitar mais uma carga emocional para suportar.
— “Pessoas grossas são mais interessantes do que pessoas simpáticas ou amigáveis. Geralmente tem uma ferida muito funda por baixo da grosseria. Ninguém é como é por quê quer; sempre tem um por quê e eu gosto de conhecer isso nas pessoas, os pontos baixos delas, mais do que os altos. Fora que, quando você conquista uma pessoa assim, ela te faz sentir especial.” – Sussurrei, quase imperceptivelmente, depois de alguns minutos em silêncio com a visão fixa em um ponto no chão.
— O que disse? – Emma perguntou chamando minha atenção.
Encarei ela com receio de dizer, mas era algo que sempre fazia, citava algo sem nem mesmo perceber.
— Não é nada, é uma frase do Leonardo Kaefer que você me fez lembrar.
Não tinha a menor ideia do se passava na cabeça de Emma naquele momento, não sabia se ela tinha ouvido ou se me achava uma completa estranha que murmurava coisas sem nexo. Ela me espiava por de trás dos óculos e seus olhos pareciam brilhar com a luz que vinha do poste perto de nós, meu estômago gelou. Nunca fui de ligar para o que pensavam de mim, portanto me levantei apressada dizendo que iria para o quarto.
— Espere, — Emma falou depois de alguns minutos ao me alcançar – e o meu tour pela escola?
— Como é? – Perguntei parando bruscamente e virando de frente para ela.
— Eu confirmei que você iria me mostrar tudo e não gosto de mentiras.
— Uma pena, mas tenho certeza que você vai superar. Seja forte. – Falei a provocando e sacudindo de leve seu ombro.
Logo voltei a andar e ela ficou parada no mesmo lugar.
— Você é quem sabe...
Viro-me novamente para observa-la, de braços cruzados, um pouco mais longe dessa vez.
— Posso saber o que quis dizer?
— Você é quem sabe, se não cumprir o que disse eu posso ir atrás da sua irmã e fazer com que ela te busque para uma noite bem animada com as pessoas que você tanto estima. – Ela disse com os punhos fechados rentes aos ombros como se vibrasse de animação — Pensando bem eu gosto dessa segunda opção, Zelena parece uma pessoa bem carismática. – Ela estava descaradamente me desafiando e tirando uma com a minha cara.
— Você não ousaria. – Disse me segurando para não mostrar que ela estava conseguindo me afetar.
— Pague para ver. – Ela provoca cruzando os braços novamente e sorrindo vitoriosa.
— Essa frase é minha.
— Não me lembro de você tê-la patenteado.
Vou andando devagar até o local da loira e também cruzo meus braços a olhando enfurecida.
— Está tentando me provocar, Swan.
— Se estiver funcionando, então sim.
— Como você é novata, devo lhe alertar de que essa não é uma atitude muito prudente de sua parte.
— Como você não me conhece, devo lhe alertar que não sou de tomar decisões muito prudentes.
Permanecemos em silêncio olhando uma para outra com os olhos estreitados e os braços cruzados.
— Ótimo. – Dei-me por vencida, após alguns minutos, jogando os braços para o alto – Amanhã te mostro antes da aula. Esteja de pé às sete e não espere que eu vá te acordar.
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