Teach Me How To Love You
24 Capítulo 24
Notas iniciais
"Entenda, é tudo novo pra mim. Nunca precisei tanto de alguém como preciso de você, nunca desejei tanto um sorriso como desejo o seu, nunca esperei tanto por um beijo como espero pelo seu… Eu nunca fui tão eu mesma como sou com você. Perdão se às vezes meu jeito infantil de reagir te assusta ou te incomoda. Repito, é tudo novo para mim. Sinto-me uma criança confusa diante desse sentimento, sinto-me frágil diante do medo de te perder, sinto-me pequena diante da perfeição que a cada dia descubro em você, sinto-me cega diante da luz e magia que flui naturalmente dos seus olhos e do seu sorriso."
— CAIO FERNANDO ABREU
Meu coração ainda martelava em meu peito, quando me ajeitei na cama assim que Emma se levantou para se sentar ao meu lado. Logo após, limpei a garganta para me acalmar passando a língua por entre meus lábios, tentando não olhar para Zelena que havia entrado e fechado a porta atrás de si. Sabe aquela sensação em que você quer enfiar a cabeça em um buraco no chão ou simplesmente se esconder embaixo da cama? Pois é, não é nem um pouco agradável, ainda mais quando se sabe que a pessoa que lhe provocou essa vontade só vai aumenta-lá de todas as formas que conseguir.
— Vocês poderiam aprender a trancar a porta. — A ruiva falou, logo que Emma se esticou para fechar o computador do meu lado fazendo com que a música cessasse.
— Ou você poderia apenas aprender a bater nela. — Resmunguei em um tom de voz baixo, cruzando os braços e levantando os olhos a tempo de observa-la se direcionar a cadeira de minha escrivaninha.
— Qualquer opção vale, desde que eu não acabe jogada no chão e com possíveis hematomas. — Emma se pôs a dizer fazendo Zelena rir e peguei uma das mãos em seu colo.
— Me desculpe por isso, mas a culpa é inteiramente dela. — Falei apontando para minha irmã com a mão livre.
— Minha? — Ela perguntou colocando a mão em seu peito. — Emma sabia que eu viria aqui nesse horário, eu avisei. — Acrescentou dando de ombros e virei o rosto para a loira que me olhava como se desculpasse o lapso de memória.
— Oh, é verdade, mas me distrai porque a gente viu aquele filme e então...
— Quase peguei vocês transando. — Zelena completou com despretensão e arregalei os olhos em sua direção.
— Zelena! — A repreendi sentindo minhas bochechas queimarem e a loira se remexer ao meu lado com certo desconforto.
— Eu não gosto de eufemismos. — Ela desdenhou. — E, de qualquer forma, eu entrei porque ouvi a música e sabia que ela estaria aqui.
— Ok, eu desisto de você. — Suspirei sacudindo a cabeça de leve e aceitando que não adiantaria tentar conte-la. — O que ainda está fazendo aqui?
— Bom, acho que agora é um bom momento para a conversa "quais são suas intenções com a minha irmã". — Ela abriu um sorriso cruzando as pernas e se recostando na cadeira.
— Sem chance, já chega de... — Comecei a queixar-me, mas Emma me interrompeu roubando minha atenção.
— Não, está tudo bem. — Ela disse sacudindo os ombros e fitando minha irmã em seguida. — Se quer saber, minha intenção é ver sua irmã cada dia com um sorriso maior no rosto e acho que estou indo bem até agora. — Concluiu espreitando o olhar sobre mim novamente, com um de seus sorrisos carinhosos que me despertavam uma vontade de aperta-la. Por um momento, esqueci a presença irritante de minha irmã e me fixei em seus olhos sorrindo da mesma forma.
Entretanto, como eu disse, foi por apenas um instante antes do rolar de olhos que veio depois por ouvir: — Emma, eu te adoro, mas essa sua fofura atrapalha meu plano de deixa-la totalmente constrangida. Prefiro quando você a importuna.
— Vai importunar outra pessoa. — Falei pegando o travesseiro em minhas costas e jogando nela.
— Eu ainda preciso dela. — Zelena falou depois de pegar o travesseiro e se levantar.
— Posso saber, para quê? — Perguntei a observando enquanto andou até os pés da cama ficando de pé na frente de nós duas.
— Hum, está com ciuminho, é? — Questionou com uma voz zombeteira me jogando o travesseiro que ainda segurava. — Não se preocupa, eu não mordo, só ser que ela quiser. — Acrescentou com um sorriso malicioso e uma piscadela o que me fez fuzila-la com raiva.
— Acho que já está bom de provocações, ainda sou muito nova para presenciar um homicídio. — Emma disse fazendo Zelena rir e me virei para ela. — Sua irmã precisa de mim para ajudar na playlist da formatura, tudo bem? — Explicou e assenti assim que ela começou a se levantar.
— Ah, espera. — Pedi segurando seu pulso e a puxando de volta. — Só queria dizer que você está indo perfeitamente bem. — Conclui com um beijo em sua bochecha me referindo ao que ela disse sobre sua intenção em relação a mim.
— Anda logo. — Zelena falou impaciente, pegando o braço da loira e a puxando dali. — Agora entendo quando Regina reclamava de eu ser melosa com meus namorados. — Murmurou saindo do quarto e pude ouvir Emma rir.
Respirei profundamente assim que a porta se fechou, aquilo foi de constrangedor a mais um momento típico de troca de farpas. Apesar das duas serem quase insuportáveis juntas, era muito bom saber que Emma criou esse laço com minha irmã e que mesmo Zelena fazendo quantas brincadeiras conseguisse, ela não se incomodava e apoiava inteiramente nossa relação. Para mim era importante que uma parte crucial minha gostasse da outra e eu não poderia pedir por uma interação melhor.
Admito que fiquei alguns bons minutos desejando que Emma voltasse e prosseguíssemos do ponto em que paramos, mas, após vários devaneios frustrados, peguei um livro e me enfiei debaixo das cobertas. Não sai para o jantar, pois os doces de Emma haviam me deixado lotada, de forma que só fui ver a loira novamente quando ela voltou ao quarto pouco antes das dez trazendo uma garrafinha do meu suco favorito.
Não sobrou tempo para fazer muita coisa já que estávamos exaustas e tínhamos que viajar no dia seguinte. Nós somente fizemos as malas e, como um costume que adquirimos, ela passou algumas músicas novas para o meu celular parar eu ouvir na ida e na volta e eu escolhi um livro para ela ler. Aquele era um modo que encontramos de aprendermos e nos conectarmos com a outra mesmo de longe. Dessa vez, como a cidade para a qual ela iria não ficava muito longe, escolhi "O pequeno príncipe" ,um dos meus livros favoritos, e lhe contei que era um com o qual eu fazia analogias em relação a nós duas, logo depois a desafiando a descobrir qual eram durante a leitura.
Quando dei por mim já estava deitada em seu colo, encolhida embaixo do cobertor, tentando suprir a necessidade de calor humano que me acometia naquele frio mesmo com o aquecedor ligado. Enquanto a loira estava sentada na cama mexendo no celular, eu podia ouvir baixinho o som que escapava dos seus fones junto com seu cantarolar sussurrado e distraído da música que eu já conhecia bem e ela ouvia todas as noites antes de dormir: "My girl" e, de acordo com ela, a melhor versão era a do Tiago Iorc, apesar de também gostar da versão original dos The Temptations.
Passou-se um tempo e, mesmo de olhos fechados e cansada, eu me impedia de dormir por adorar ouvi-la cantar de forma despercebida. Era como receber shows sussurrados todas as noites com a voz mais carinhosa que eu poderia querer. Em dado momento, quando eu já me entregava ao sono, ouvi ela bocejar e com cuidado se deitar para que não me acordasse. Ela se ajeitou passando o braço por minha cintura e alguns minutos de silêncio foram interrompidos por mais sussurros seus, mas dessa vez ela não cantava.
— Eu sou uma boba de estar falando isso quando sei que está dormindo, mas tenho tido essa vontade há um tempo e eu sei que você tem se entregado inteiramente na nossa relação e também sei que você ainda tem dificuldades para lidar com sentimentos intensos, principalmente quando vem de outra pessoa e são direcionados a você. — Estranhei um pouco o que ela falava, então me mantive quieta afim de que ela continuasse. — Vejo que se esforça para mostrar o que sente, mas te conheço o suficiente para saber do seu problema de definir ou falar sobre isso. — De certo modo era verdade, mas eu não via razão de rotular o que sentia por ela se o importante era, de fato, a ação de sentir. — Entendo seu medo, mesmo não precisando de insegurança com relação a mim, pois sou inteiramente sua e queria que nunca duvidasse disso. -Tive vontade de sorrir com aquelas palavras, porém me contive pela curiosidade que já fervilhava em meu estomago. — Talvez em breve eu crie coragem e te fale isso em um momento em que vá ouvir e eu não seja uma idiota com medo de que você se retraia ou que ache precipitado de alguma forma, porque eu sei o quanto você gosta de refletir sobre tudo o que é, de certo modo, novo para você. E eu estou aqui só totalmente nervosa sussurrando coisas que já me parecem sem nexo, pois estou tentando dizer que te amo. — Minha respiração foi pausada, por um momento, junto com suas palavras, diferentemente do meu coração que parecia ter se transformado em um provedor de energia cinética onde a massa dele era desprezível em relação a sua velocidade alcançada. Fiquei preocupada que ela pudesse ouvi-lo quando voltou a falar: — Eu te amo, Regina, você é a minha estrela mais importante. — Senti sua mão sair de minha cintura e passar por meus rosto. — Quero lhe dizer isso e poder ver o sorriso lindo que ilumina seu rosto e me deixa mais feliz a cada dia, porque você sabe que essas três palavras significam para mim tanto quanto significam para você. Mas, ao mesmo tempo, quero que esteja pronta para dizer o mesmo e não que se sinta pressionada porque eu disse. — Ela terminou depositando um beijo em minha cabeça e voltando a ficar em silêncio. Eu quase abri os olhos e me joguei sobre ela antes de ouvir a última frase e entender que aquele não era o momento.
"A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é, ou melhor, apesar daquilo que você é."
— Victor Hugo
As três palavras, ela havia dito as três palavras que nós duas sabíamos que não tinham um significado tão banal quanto é atribuído a maioria das pessoas que as falam. Não me lembro de nenhum momento em que tive que fazer tanta força para segurar minha euforia quanto naquele, todas as células do meu corpo gritavam por beija-la e aperta-la contra mim, de modo que não conseguisse se afastar jamais. Entretanto, junto com a extrema vontade de sorrir, uma sensação de desconforto tomou conta do meu peito. De modo algum aquele desconforto tinha relação com sua declaração, na verdade, essa parte estava com o meu lado interno que se encontrava em êxtase por ter alguém como Emma me amando de verdade, mas a outra parte estava um tanto quanto me martirizando por fazê-la ter receio de me dizer algo tão lindo quanto aquilo.
Devo admitir que tinha culpa se considerar todas as vezes em que me afastei dela quando nos conhecemos, mas não queria que ela ainda acreditasse que eu o faria novamente, porque eu prometi a ela que nós deixaríamos os medos de lado e foi isso que eu fiz. Não me arrependerei nunca dessa decisão, pois ela fez coisas florescerem e crescerem em mim que duvido que outra pessoa seria capaz de tal feito.
A vontade de abrir os olhos e abraça-la do modo mais forte que eu pudesse não conseguia me deixar, assim como a vontade de falar para ela que também a amava. Porém, ela tinha razão, se eu fizesse aquilo seria como que por impulso, pela euforia que me atingiu ao ouvir aquelas três palavras. Sem contar que, nós duas sabíamos que até pouco tempo atrás eu era muito cética quanto aos sentimentos que dão valor a elas. Ao mesmo passo em que, de forma alguma, eu poderia negar para qualquer um que Emma me proporcionou de uma forma esplêndida a compreensão do que realmente o amor se trata.
Lembrava-me da primeira vez em que acabamos discutindo por conta desse tópico, depois pudemos conversar de forma mais calma sobre aquilo e em ambas as situações meu posicionamento não era dos mais positivos. Todavia, com ela aprendi que nem todos os romances são mentirosos, nem tudo tem que ter um conceito ou uma explicação coerente como todas as intensas necessidades que meu corpo tinha dela, nem tudo precisava de regras a seguir para ser realmente verdadeiro, e todas essas pequenas coisas só aumentavam minha felicidade por ouvir um "eu te amo" todo atrapalhado que só ela poderia me proporcionar.
Acredito que se ela me falasse aquilo antes eu meio que surtaria querendo voltar para a proteção do meu casulo, incrivelmente isso não aconteceu e deu lugar a milhares de pensamentos de como eu poderia retribuir aquelas palavras a ela de forma com que tivessem o mesmo efeito que tiveram em mim. Não é como se eu não tivesse dito antes por não querer, é como eu disse anteriormente, eu procurava me permitir sentir o que fosse que Emma me proporcionasse, mas nunca parei para rotular quaisquer que esses sentimentos fossem e depois de ouvi-la falar daquela forma eu sabia que o amor era recíproco mesmo que não verbalizado. Por fim, acabei me aconchegando em seu peito quando soube que ela estava dormindo e cai no sono com uma das melhores sensações que já me acometeram.
No dia seguinte, por mais que tentasse, não conseguia conter toda a animação e as demonstrações de afeto que fizeram Emma me perguntar, pelo menos umas três vezes só no café da manhã, se eu estava me sentindo bem além de renderem piadinhas maliciosas por parte da minha irmã que levou em conta meu ótimo humor e a situação que poderia ter se sucedido se ela não tivesse aparecido no dia anterior.
Porém, nada daquilo me tirou o sorriso largo do rosto ou a vontade de me agarrar a loira todos os intervalos que nos vimos, e durante o almoço em que eu não conseguia nem mesmo parar de conversar causando duvida até em nossos demais amigos. Não era minha culpa, eu me sentia feliz de uma forma que me tornava incapaz de controlar minhas ações e qualquer resquício de que aquele nível extremo de êxtase pudesse abaixar era descartado no segundo em que eu olhava para a garota que me deixou naquele estado.
Quando as aulas findaram, encontrei com Emma no corredor para irmos ao quarto, pegarmos nossas malas e nos trocarmos antes de viajar. Nós já havíamos nos trocado na frente da outra várias vezes, então vê-la seminua não era um novidade, apesar de eu adorar espiar cada detalhe do seu corpo definido sempre que tinha uma chance. Dessa vez não foi diferente, assim que retirei meu uniforme olhei para fora da porta de meu guarda-roupa, que bloqueava meu campo de visão, a tempo de vê-la abrir o ultimo botão da camiseta e tira-la ficando apenas com um jogo simples de lingerie preta de algodão que contrastava com a pele clara dela, assim como as inúmeras pintas que se espalhavam por seu corpo, principalmente ao longo das costas.
— Psiu. — Chamei sua atenção a olhando com um sorriso sapeca. — Vem cá. — Falei assim que ela me olhou fazendo um movimento com o indicador para que ela fosse até onde eu ainda me escondia atrás da porta de madeira apenas com o rosto a mostra.
— Eu tenho que me trocar, sua sem-vergonha. — Ela disse meneando a cabeça com um sorriso e voltando a atenção para as roupas penduradas a sua frente. — Daqui a pouco nós já precisamos estar no estacionamento com os outros.
— Desde quando você é tão chata e preocupada com horários? — Perguntei fechando meu guarda-roupa, também apenas de roupa íntima, e andando até ficar perto dela com as costas apoiadas na porta de seu armário que ficava ao lado da que ela olhava ponderando qual roupa pegar.
— E desde quando você não é? — Ela perguntou em resposta se erguendo para puxar um dos cabides.
— Então você vai apenas se vestir fingindo não me ver aqui do seu lado quase nua e conversando deliberadamente sobre aproveitar o tempinho que temos? — Perguntei cruzando os braços quando ela se virou de costas para mim tirando do cabide a blusa pegou.
— Eu vou. — Ela deu de ombros, ainda de costas, jogando o cabide na cama e vestindo a peça. — E sabe, por quê? — Perguntou se virando enquanto tirava os cachos de dentro da gola e veio até mim.
Eu já estava começando a ficar contrariada com a atitude dela quando suas mãos apertaram firmemente minha cintura nua e seu corpo se juntou ao meu me fazendo fechar os olhos. Pude notar uma onda de arrepios percorrer todo meu corpo seguido de um longo suspiro sôfrego quando senti sua língua quente passear da base de meu pescoço até o lóbulo de minha orelha, no mesmo instante em que suas mãos atrevidas subiram até meus seios, ainda cobertos pelo sutiã, e os englobaram com suas palmas apertando-os lascivamente. Uma ansiosa e deliciosa oscilação entre o querer toca-la e o fato de não conseguir me mover com receio de que ela parasse tomou conta de meu corpo, até ela murmurar com a boca ainda próxima ao meu ouvido: — Porque todas essas sensações que acabou de sentir devem ser apreciadas com calma e na sua primeira vez quero que aprecie cada uma das sensações que eu puder proporcionar a você.
Continuei ofegante e imóvel no momento em que ela deslizou o rosto ficando tão próximo ao meu que não levou um segundo até encontrar minha boca em um beijo breve. Quando se afastou um pouco, abri os olhos ainda absorta e extasiada com o que se sucedia, então desci meus olhar do dela para seus lábios e tive um momentâneo vislumbre de um sorriso antes de ela se afastar por completo para procurar a peça de roupa que faltava. Quase disse que a amava naquele momento, quase, porém ainda tinha consciência de que não era o momento. Emma era intensa quando queria, seus beijos, palavras e toques me faziam entrar em combustão interna, mas eu não tinha noção do quanto até aquela ocasião que me deixou um tanto quando atônita por alguns instantes, desejando profundamente que ela não tivesse parado, até que me restabeleci conformada e fui colocar uma roupa para que não acabasse me atrasando.
Posteriormente, no momento em que estávamos indo ao estacionamento, eu já estava sorridente novamente. Tirando quando Emma pousava seus olhos, que agora pareciam mais intenso, em mim, um formigamento se apoderava do meu estômago e eu me obrigava a desviar o olhar para outro ponto.
— Você não ficou mal com o que eu fiz, não é? — Ela perguntou, quebrando o silêncio que permaneceu desde seu ato, enquanto andávamos em direção ao estacionamento e eu observava meus passos. Eu entendia porque estava preocupada, mas decidi brincar um pouquinho.
— Mas é claro que eu fiquei. — Respondi em um tom sério sem levantar o olhar e a senti pegar meu pulso me parando.
— Eu... me descul...
— Até porque, como você esperava que eu ficasse bem se você não terminou o que começou? — Interrompi, sem saber lidar com a voz dela de arrependida. Levantei o olhar com um sorriso de malicioso e ela fechou os olhos negando com a cabeça enquanto um sorriso reaparecia em seus lábios.
— Não acredito que ainda te levo a sério. — Disse me arrancando uma risada de sua breve preocupação. — O que está acontecendo com você hoje? — Ela perguntou assim que soltou meu braço e voltamos a andar.
— Nada, eu só estou feliz. — Dei de ombros colocando minhas mãos nos bolsos frontais do sobretudo que vesti.
— Essa felicidade toda tem motivo? — Perguntou novamente e a olhei de soslaio afirmando.
— Todos os motivos do mundo e estão em você. — Respondi virando o rosto para ela ao ver seu sorriso aumentar.
— Você está extremamente linda desse jeito todo sorridente. — Foi o que teve chance de dizer antes de sermos surpreendidas por Eric que apareceu afobadamente.
— Emma, a treinadora estava louca atrás de você!
— Mas eu estou na hora. — Ela respondeu estranhado, olhando no relógio em seu pulso e ele começou a puxa-la pelo braço explicando o que houve até que não os ouvi mais pela distância.
Resolvi ir até o veiculo onde os cavalos eram transportados para dar uma checada em Rocinante, depois de ter assinado a lista com o professor e deixado minha mala na vã em que viajávamos. Durante o percurso colocava meus fones para escutar as músicas que a loira havia escolhido e salvava nas anotações minhas preferidas. Daquela vez, ela me conquistou com "Save you" Kelly Carkson, "Youth" Daughter, "Old habits die hard" Allie X, "Paris" Chainsmokers, "Me cura" Ana Muller e "The one" Kodaline.
Passei todos os momentos, em que não estava montada em Rocinante, pensando em uma forma dizer o que queria à Emma, de forma que eu conseguisse passar o que realmente sentia em relação a nós duas, por isso quase não conversamos.
Chegou o dia de voltarmos e meu desempenho havia sido um dos melhores da temporada o que me deixou ainda mais animada mesmo com o temporal que não parou um segundo naquele final de tarde. Conversei com a loira com algumas mensagens, mas depois dela reclamar que eu estava atrapalhando a leitura dela e parar de responder, desisti de atazana-la. Assim que chegamos, me certifiquei que meu cavalo estava bem e fui para o dormitório com a esperança de que ela já tivesse chegado, levando em conta que a cidade que ela foi era mais perto, porém nem sinal dela ou de ninguém do club de natação. Então, após algumas mensagens e ligações frustradas, pois seu celular informava como desligado, resolvi preencher o tempo extra com as meninas que se encontravam na área de recreação do dormitório.
Tentei me ocupar com diversas coisas, mas comecei a ficar preocupada no momento em que a chuva havia parado, o céu já estava totalmente escuro e já estava jantando com minha irmã e alguns amigos, e o pessoal ainda não havia retornado, aquilo nunca tinha acontecido antes. Procurei ligar mais algumas vezes para Emma e só acabava por ir parar na caixa postal. A aflição já começava a tomar algum espaço dentro de mim quando eu estava a caminho da direção para ver se conseguia alguma explicação e fui interceptada no meio do caminho por minha irmã que veio correndo até mim com uma expressão angustiada me entregando o celular no qual havia um site de noticias aberto que fez como se meu mundo desmoronasse junto com cada palavra que eu lia e que ouvia Zelena falar esbaforidamente e de forma atrapalhada.
— Eles ainda não tem totalmente noção do que aconteceu ou se estão muito feridos, só sabemos que um caminhão deslizou por conta da chuva e... — Eu parei de ouvir quando me dei conta do que estava acontecendo e o barulho dos meus batimentos cardíacos em meus ouvidos já começava a se tornar insuportável assim como a sensação de que toda a minha estabilidade e credulidade estavam se esvaindo junto com as lágrimas que em segundos tomaram conta de meu rosto.
— Me diz que isso não está acontecendo. De novo, não... — Sussurrei, em meio a soluços compulsivos, assim que a ruiva me abraçou.
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