Teach Me How To Love You
25 Capítulo 25
Notas iniciais
"Só uma palavra nos liberta de todo o peso e da dor da vida: essa palavra é o Amor."
— Sófocles
— Por favor, se acalma! — Zelena pediu em um tom de voz baixo, depois de alguns minutos em que estive encolhida em seus braços com as mãos em meu rosto tentando não encharcar sua blusa, enquanto ela subia e descia suas mãos em minhas costas.
Queria perguntar como eu poderia me acalmar com aquela probabilidade enorme de que algo terrível havia acontecido com a primeira pessoa que amei na vida, mas os soluços involuntários que se juntaram com o nó dolorido em minha garganta e a respiração superficial que mal preenchia meus pulmões de ar, me impediram de emitir qualquer palavra.
Aquilo nunca tinha acontecido antes, perder o controle das minhas reações emocionais sem ao menos saber de fato o que aconteceu, ainda mais na frente de outra pessoa. Porém, a simples hipótese de que ocorrerá algo à Emma fazia todos os meus sistemas de comando entrarem em desespero e toda aquela agonia me fez, no mesmo instante, perceber que fui golpeada por um efeito borboleta que naquele caso tinha um nome, Emma Swan.
Quem não conhece a famosa frase "o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo"? Isso significa que o efeito borboleta pode ser definido como um conjunto de ações mínimas que causam grande efeito sobre algo ou alguém e Emma tinha com certeza me mudado completamente com as pequenas coisas que inseriu em minha vida durante esses meses. Por isso, levando em consideração que as características desse fenômeno advém da Teoria do caos, eu não me surpreendi com o estado caótico que se instalou em mim ao pensar que todas essas ações poderiam simplesmente parar de fazer parte de mim e dos meus dias.
Ou aquilo tudo poderia ser simplesmente o efeito causado pelos sentimentos que a loira desperta em mim. O que quero dizer, é que, de acordo com uma pesquisa que fiz no primeiro ano para aula de biologia, os sentimentos liberam substâncias pelo nosso corpo que nos fazem reagir como pré-definido geralmente. Por exemplo, a felicidade que existe em determinadas situações por conta da liberação da endorfina que contribui para a redução do estresse e ansiedade ou no meu caso o amor, mais especificamente, uma reação induzida pela adrenalina, norepinefrina, dopamina, oxitocina, serotonina e as endorfinas. Porém, o que esses hormônios tem a ver com o desiquilíbrio do emocional fragilizado? Bom, algumas dessas substâncias agem no organismo como drogas, o que explica a oscilação dos sentimentos que vão da euforia à depressão em questão de minutos. E, considerando que há uma queda nos níveis de serotonina, que se estiver com transmissão inadequada pode fazer com que o indivíduo se sinta irritado, mal-humorado, ansioso, impaciente, irritadiço e propenso e chorar, aquilo só agravava meu talvez exagero naquela situação.
Tudo isso passeou por minha mente em questão de poucos minutos e percebi que eu não deveria deixar minha emoções me comandarem, deveria agir de algum modo, pois ficar ali chorando não adiantaria em nada. Então, inalei, mesmo que de forma falha, ar, devagar e profundamente, pelas minhas narinas e exalei pela boca da mesma forma. Repeti o processo algumas vezes tentando criar forças para conter minhas lágrimas que foram parando gradativamente assim como meus lábios trêmulos se normalizaram. Afastei-me um pouco me desvencilhando do abraço de Zelena e secando minhas bochechas com as costas da mão enquanto repetia o processo de respiração, eu precisava raciocinar.
— O que está acontecendo comigo? — Perguntei com um fio de voz, finalmente abrindo os olhos e fixando-os em algum ponto do chão, mas ainda com a sensação de pesar em meu peito. — Isso não é normal.
— Você está deixando seus sentimentos aflorarem ao invés de esconde-los, isso é bom. — Ela respondeu e levantei olhos rapidamente para encara-la de forma incrédula.
— Chorar como uma garotinha no meio do pátio por uma possibilidade, é algo bom?
— De certo modo, sim. — Zelena respondeu com cautela, encolhendo os ombros. — Mostra que você é humana, que tem sentimentos, que se importa com Emma, que...a ama!? — Afirmou em questionamento e abaixei meus olhos novamente, cruzei os braços por me sentir mais exposta do que já estava e hesitei um pouco antes de responder.
— Eu... a amo, sim. — Sussurrei e sequei apressadamente outra lágrima solitária que teimou em descer. — Não posso cogitar perder ela assim.
— Então, vamos descobrir como ela está, também não quero ter de me preocupar com aquela doidinha. — Zelena se colocou a dizer me girando pelos ombros e começando a andar com um dos braços ao redor de meus ombros.
— E como vamos descobrir isso? — Virei o rosto para encara-la enquanto ainda andávamos.
— Aonde está a minha irmã do raciocínio rápido? — Ela me olhou de lado com uma sobrancelha erguida. — É claro que a escola certamente foi notificada com tudo já que está até na internet. Só tenta manter a calma, eu tenho certeza de que devem estar todos bem, caso contrário já teria noticias de fatalidade.
— Achei sua fala mórbida, não motivadora. — Comentei ao sentir-me incomodada com a última frase.
— Nada vai conseguir te motivar até você poder ter Emma na sua frente de novo. — Assenti com um aceno de cabeça, mais para mim do que para ela, não tinha como estar mais certa.
Segui cada passo até chegarmos na secretaria onde pedi que a minha irmã conversasse com a responsável ali, pois, pelo que pude perceber da nova versão de mim mesma, era bem capaz de eu acabar fazendo um escarcéu e chorando a plenos pulmões ao dizer o que soube e tentar conseguir novas informações. Então, apenas apertei minha mão na da ruiva enquanto ouvia ela explicar a situação e a senhora responder que não poderia dar muitos detalhes sobre o ocorrido, o que me fez quase pular em sua garganta de raiva, mas completou dizendo que todos estavam bem e retornariam à escola no dia seguinte.
Alguns questionamentos rodearam minha mente. Como era possível se eles estavam em um veículo muito vulnerável em relação a um caminhão ou em o quão bem realmente poderiam estar, mas aquilo não me era prioridade naquele momento porque pude sentir que minha respiração realmente voltou a fazer efeito e o oxigênio voltou a circular em minhas veias me relaxando e aliviando até certo ponto. Quis inteirar-me mais, porém eu sabia que qualquer pergunta seria em vão pois "informações sobre alunos são estritamente confidenciais", já estava farta de quantas vezes ouvi aquela frase em menos de meia hora naquele lugar.
Admito que ao sair dali meu coração, em parte, estava menos inquieto e pude me controlar mais. Entretanto, não pude conter meu ato de dormir na cama da loira para que pudesse ao menos ter o seu cheiro comigo, acompanhada da angústia por não te-la ali.
"Às vezes, eu sinto a necessidade de controlar todas as minhas emoções, todos os meus sentimentos e reações em relação à você, mas quando eu paro pra pensar no quanto você é especial, essencial para mim, eu perco essa vontade e o que me resta é mergulhar ainda mais, com mais intensidade e deixar que somente esse amor me guie para o caminho da sua vida. Deixar que minha intuição me leve até você me mostrando que você é a única pessoa que pode me fazer feliz..."
— Loid Milla
No dia seguinte, me peguei tateando a cama em busca dela, almejando que aquilo tivesse sido um sonho ruim até aceitar que não tinha ninguém naquele quarto além de mim e me levantar para desligar o despertador. Não sai para correr, queria estar ali caso ela chegasse antes do sinal bater, pois sabia que não poderia faltar a aula sem pelo menos um atestado da enfermeira e nem disposição para uma gripe falsa eu portava. Então, apenas vesti meu uniforme preguiçosamente, desci para escovar meus dentes, coloquei os fones de ouvido assim que voltei ao quarto, ocupando minha mente com as músicas que ela me apresentou, e me sentei em sua cama esperando que entrasse por aquela porta, mas ela não entrou.
Inquietamente olhava para as horas no celular de vinte em vinte minutos, mas por mais apreensiva que eu ficasse minhas expectativas foram falhas. Horas se passaram até eu anular minhas esperanças e me obrigar a me levantar para ir para o prédio das aulas ao ouvir o sinal. O professor da primeira aula informou a sala com o mesmo texto ensaiado que a senhora da secretaria e acabei por notar a ausência de outros alunos do clube de natação que tinham aulas em comum comigo.
Procurei me sentar nas carteiras ao lado das janelas que permitiam visão para o pátio principal, para que caso ela chagasse eu pudesse ver, e após algumas broncas por falta de atenção eu pude finalmente me sobressaltar em minha cadeira quando, na terceira aula, consegui enxergar de longe os garotos e professores. Reconheci a loira com seus cachos soltos e desgranhados e a repreendi mentalmente por estar usando novamente um de meus cardigãs, mas meu corpo todo formigava por vontade ir até ela e checar se estava bem e o que houve, dado que a única coisa que eu poderia saber dali era que ela andava devagar com uma bota ortopédica imobilizando seu pé direito enquanto ela conversava com uma senhora que eu nunca tinha visto e que carregava as coisas dela. Então, a segui com o olhos até onde minha vista alcançava e tive de conter meu querer de sair correndo da sala, visto que a professora negou meu pedido para ir ao banheiro, então, fiquei o restante do tempo, que pareceram séculos, batucando a ponta do lápis sobre a folha em branco enquanto fingia prestar atenção no que ela dizia. Assim que o sinal bateu, enfiei de qualquer jeito minhas coisas na mochila sendo a primeira a sair feito um foguete pela porta em direção a saída do prédio, mas diferentemente dos demais que estavam indo almoçar eu iria me alimentar da placitude que a presença da Emma me traria.
Fui diretamente para os dormitórios, com a situação da perna, era improvável que estivesse em outro lugar, e a lassidão deixou meu corpo ao entrar o quarto e constatar que estava certa ao vê-la sentada com o pé agora apenas enfaixado, sem a bota que repousava ao lado de sua cama, e elevado sobre travesseiros enquanto mexia no celular. Ela levantou os olhos e, quando me dei conta, eu já estava sentada na beirada da cama com os braços ao redor dela com uma sensação de leveza me preenchendo.
— Ai! — Emma resmungou baixinho. — Eu estou feliz que esteja aqui, mas ainda estou um pouco dolorida, então não me aperte tanto, por favor. — Deslizei meus braços de seu entorno e a observei com a visão um pouco turva pelas lágrimas que começavam a se formar.
— Me desculpe, mas eu... — Suspirei com a voz apertada levando minhas mãos ao seu rosto e passando o polegar direito com cuidado sobre dois pontos feitos acima de seu olho esquerdo bem abaixo de sua sobrancelha. — eu fiquei com tanto medo... — Mussitei descendo meu olhar marejado aos olhos, enormemente esverdeados por não estarem atrás das lentes corriqueiras dos óculos, que me encaravam com aflição.
— Ei, calma! — Ela disse levando suas mãos até as minhas que acariciavam suas bochechas e levando-as aos seus lábios para depositar um beijo em cada uma antes que pousa-las em seu colo. — Eu estou aqui, estou bem ou quase... um pouquinho quebrada, mas ainda inteira. — Acrescentou esboçando um de seus sorrisos que faziam meu coração se aquecer, apertou minhas mãos nas suas de leve antes levar seu polegares até minhas bochechas para secar as poucas lágrimas que insistiram em descer.
— Você continua só... sendo extremamente carinhosa, mesmo estando toda... não sei como você está realmente e eu aqui chorando como uma tola. — Falei fitando seu rosto, percebendo o quão abatida estava como se não tivesse nem ao menos dormido, e peguei suas mãos para unir com as minhas em meu colo.
— Não, eu te conheço o suficiente para saber que você deveria estar muito preocupada, porque, mesmo com toda pose que tem, é uma manteiga derretida ai dentro. — Emma disse sorrindo de leve e eu sorri de um jeito torto e contrariado por não poder desmenti-la. — Por isso, eu até tentei te ligar ontem depois que me examinaram, mas estava a maior bagunça e meu celular tinha acabado a bateria. Mas agora que estou aqui não precisa de tanta aflição, pode ter certeza de que você não vai se livrar das minhas implicâncias tão cedo.
Rolei os olhos para sua gozação, mas sorri ao voltar minha atenção para nossas mãos que acariciavam uma a outra e perguntei: — Vai estar comigo mesmo que for para me irritar?
Uma gargalhada breve ressoou da garganta dela seguido de um gemido de dor antes de ela responder: — Principalmente se for para te ver zangada.
E ali estava o bater de asas do meu efeito borboleta e eu adorava qualquer que fosse o resultado, desde que não envolvesse algo que nos separasse por muito tempo. Foi quando sorri antes de me inclinar os poucos centímetros que nos separavam de um beijo, mas ela recuou junto com as mãos que fugiram do meu toque.
— Há algo errado? — Perguntei franzindo o cenho e retornando a minha posição inicial.
— Não, quero dizer... — Emma respondeu se ajeitando em seu lugar e limpando a garganta.
— Eu fiz alguma coisa? — Questionei, receosa quanto a possível resposta.
— Nunca, — Ela se prontificou a dizer chacoalhando a cabeça negativamente. — mas agora que me lembrei e me dei conta de que não deveríamos estar tão perto quanto agora porque...
A fala de Emma foi cortada quando a porta do quarto se abriu nos pegando de surpresa com o surgimento da senhora que vi entrando no colégio mais cedo com a loira: — Emma, eu acabei de sair de uma reunião com o diretor, mas não sei se estou convencida. — Ela completou fechando a porta e se dando conta da minha presença ali. A senhora muito me lembrava minha mãe com seus saltos Louboutin, um vestido escuro feito sob medida e rente aos joelhos, um coque onde seus fios grisalhos ficavam perfeitamente alinhados, uma pele invejável para mulheres na possível idade dela, além da pose prepotente.
— Minha avó está no campus! — Ouvi Emma sussurrar ao meu lado findando sua frase interrompida enquanto eu tentava não entrar em pânico por estar na frente da avó da minha namorada que nem ao menos sabia sobre a relação. Isso deveria me acalmar, certo? Errado. — Ah, vovó, essa é a Regina é com ela que eu divido o quarto. — Ela acrescentou e me levantei apressadamente, passando a mão por minha saia e sorrindo de forma desconcertada.
— Esse não é o nome da jovem que te fez me ligar meses atrás querendo voltar pra casa? — A mulher se colocou a perguntar me medindo de cima a baixo com seus imensos olhos azuis enquanto um nervosismo começou a tomar forma no fundo do meu estômago ao ouvir aquelas palavras.
— Vovó! — Emma a repreendeu chamando minha atenção. — Eu falei que tinha sido um mal entendido e algo precipitado, não a faça se sentir mal.
— Se é assim, me desculpe pela má escolha de palavras, querida. — A senhora se pôs novamente a falar meneando a cabeça em um aceno, mas pude sentir um toque de ironia.
— Oh, não se preocupe. — Disse ao me dar conta de que não havia aberto a boca em nenhum momento. — Eu acho que eu já tenho que ir mesmo porque o horário do almoço vai acabar e bom... — Dei de ombros já querendo dar o fora dali da mesma forma que queria ficar por Emma. — vocês devem precisar de um tempo a sós. Foi um prazer, senhora Swan! — Falei timidamente, me abaixando para pegar minha mochila que havia parado aos pés da cama da loira.
— Igualmente, querida!
— Até mais, Emma. — Finalizei esboçando um sorriso para ela antes de desviar da mais velha e passar pela porta sem esperar resposta.
Direcionei-me para o refeitório bem melhor por ver a loira, mesmo que por poucos minutos. Fiquei um pouco inquieta com a avó dela, mas não fiquei abalada com suas palavras em si. Pois, se ela se acha intimidadora por ter falado comigo daquela maneira, ela realmente não tinha ideia de quem é Cora Mills, então aquilo foi o de menos.
— Finalmente apareceu, estava quase te ligando. — Zelena falou assim que me sentei na mesa ao seu lado com meu almoço já em mãos.
— Você não consegue mesmo viver sem a minha presença, impressionante. — Debochei retirando minha mochila e a pendurando nas costas da cadeira.
— Olha só, piadinhas irônicas, isso significa que está de bom humor. — Lily apontou me analisando. — Teve alguma notícia da Emma?
Assenti sorrindo brevemente e lhe expliquei que estava bem e que a tinha visto, apesar de não saber ao certo o que aconteceu ainda ou qual é o estado dos demais garotos. Nós almoçamos e já sentia que as coisas estavam melhores com toda aquela angústia longe.
— Se ela está no quarto porque veio almoçar com a gente? — Minha irmã questionou enquanto fazíamos nosso caminho de volta para as aulas. — Eu te conheço, se pudesse estaria 24 horas grudada nela, ainda mais nessa situação.
— Que exagero.
— Estou mentindo? — Arqueou as sobrancelhas em duvida.
— Ok... — Suspirei dando de ombros. — é que a avó dela apareceu e digamos que talvez ela seja uma parente distante da mamãe. — Expliquei recebendo uma careta em resposta.
— Ela não pegou vocês duas fazendo algo que não deveriam, certo?
— Não me faça pensar nessa possibilidade. — Dessa vez foi eu quem lhe lancei uma careta ao pensar na situação.
— Eu mesma já flagrei, vai saber quanto tempo vocês conseguem manter suas mãos e bocas para si. — A ruiva falou com inocência a lhe dei uma cotovelada recebendo uma risada em resposta.
— Ai Zelena, cala a boca!
Assim que o sinal tocou, cada uma foi para suas respectivas aulas e tudo a minha volta parecia mais tranquilo. Quando bateu o sinal novamente para troca de horários e cheguei na sala do último horário do dia, meu celular vibrou no bolso do blazer.
"Oi... quero me desculpar pelo que ouviu." Era uma mensagem da loira, que ao mesmo tempo que me deixou feliz por ser ela, me deixou com pesar por ela ter se preocupado com o que houve mais cedo.
"Da sua avó? Não se preocupe, eu mal ouvi, estava ocupada demais com medo de ela desconfiar de algo entre nós... mas convenhamos que ela não mentiu, eu realmente fui horrível com você. Sinto muito por ter tido de chegar ao ponto de ligar para ela." Enviei, recebendo outra quase instantaneamente.
"É disso que estou falando, não se sinta mal por algo que passou. :("
"Tudo bem, mas o que eu ganho pra ficar bem de novo?" Perguntei tentando mudar o assunto, não querendo imagina-la aborrecida com aquilo.
"Bom, daqui a pouco ela vai embora pro hotel. Então, depois da aula vc aparece aqui com um pacote de jujuba que podemos chegar a algo que te agrade." Um pequeno sorriso apareceu em meu rosto ao imaginar o sorriso malicioso que sempre tomava conta de Emma quando ela falava daquela foma.
"Isso me soa bem..."
"N pense em besteiras, garota. Vá prestar atenção na aula." Recebi assim que o professor entrou na sala e soltei uma leve risada antes de responder: "Foi vc quem me chamou primeiro e fique ciente que só vou fazer isso pq o prof chegou."
"Vou fingir que acredito."
A amabilidade de Emma fazia todos os sentimentos ruins, da noite anterior, evaporarem e tudo que pude me dar conta era que eu não podia mais negar minha entrega a cada um dos ambíguos efeitos que ela despertava em cada célula minha, simplesmente por saber que a tinha, que seu amor era meu. Assim como eu era e pretendia ser completamente dela.
Logo que o horário acabou, passei na máquina mais perto comprando alguns pacotes de jujuba e os guardei na mochila antes de ir ao quiosque do café comprar dois chocolates quentes indo em seguida diretamente para o quarto.
— Oi, linda. — Cumprimentei ao entrar e começar a fechar a porta com meu ombro depois de abri-la com dificuldade por estar com as mãos ocupadas. Um sorriso iluminou o rosto preguiçoso da loira, no mesmo instante. — Está com cara de quem acabou de acordar. — Comentei sendo seguida por seu olhar enquanto andava até seu criado mudo e colocava os copos lá.
— Eu acabei cochilando um pouco, estava exausta e mal dormi ontem. — Emma respondeu coçando um de seus olhos com o punho ao passo em que eu colocava minha mochila ao seu lado na cama e retirava o blazer.
— Imagino. — Falei pendurando o blazer na cabeceira da cama, parei por um momento e observei seus olhinhos curiosos seguindo meus movimentos, englobei seu rosto com minhas palma antes de depositar um beijo em sua testa e dizer: — Fez bem em descansar, porque agora vou monopolizar suas energias.
— Por isso trouxe café e não minhas jujubas? — Ela perguntou apontando para os copos e peguei um lhe entregando antes de voltar minha atenção para a mochila
— Primeiro, isso ai é chocolate quente, eu sei o que prefere e segundo que as sua jujubas estão aqui! — Puxei os saquinhos jogando em seu colo.
— Eu tenho a melhor namorada mesmo. — Emma vibrou dando um gole em sua bebida, me fazendo sorrir ao pendurar a mochila nos ganchos fixados na porta.
— E será que ela pode finalmente te dar um beijo ou tem perigo de outro parente entrar aqui? — Perguntei ao andar até ela, me sentar em meus joelhos sobre a cama ficando de frente pra ela, colocando os braços em torno do seu pescoço e aproximando nossos rosto encarando de perto aquelas orbes verdes.
— Sem perigo. — Ela garantiu com um sorriso.
— Ótimo! — Retribui o sorriso pouco antes de matar a saudade daquela boca deslizando sobre a minha, do gosto, da textura, das sua mão livre que logo espreitou para a base de minha nuca aumentando a intensidade e a força com que sugava meus lábios, que se moviam lentamente como a caricia que meus dedos iniciaram ao espreitarem para dentro do emaranhado de seus fios rebeldes. — Ok... — Ofeguei ao ter de me afastar pela necessidade de ar, abri os olhos para encara-la passando a língua entre meus lábios que foram em seguida cobertos brevemente por um selinho de sua boca sorridente.
— Feliz? — Perguntou deslizando seus dedos para aponta do meu queixo.
— O que acha? — Questionei retoricamente, sorrindo como uma tola com meus olhos fixos no delas que logo se estreitaram enquanto me encaravam.
— Não sei, você parece meio triste... Acho que precisa de mais alguns.
— Engraçadinha. — Brinquei passando rapidamente meu polegar por seu lábio inferior antes depositar outro selinho e me levantar de meus joelhos para me sentar corretamente ao seu lado. — Agora me conta o que houve, porque eu só sei do caminhão que cruzou a pista por conta de um site na internet e eu nem te conto como fiquei ao ler aquilo se conseguir falar com você. — Voltei a falar pegando meu copo no criado mudo e roubando um dos doces do pacote que Emma já havia tratado de abrir.
— Eu não sei exatamente... foi tão rápido. — Ela enlaçou uma de minhas mãos tomando outro gole do chocolate antes de continuar. — Eu me lembro que eu tinha sentado em uma das primeiros assentos para conseguir terminar o livro sem aquele pessoal barulhento que senta no fundo, dai a gente conversou por mensagem até eu te dispensar e, uns dez minutos depois, senti a pressão do meu corpo me jogando para o lado que me fez bater o pé em algo e depois um impacto da minha cabeça na janela ao meu lado. — Emma contava olhando para um ponto vazio em seu colo como se tentasse se lembrar de tudo. — Depois disso eu só me lembro de sentir uma dor no meu tornozelo e na lateral da minha cabeça antes de apagar. Quando acordei tinha uma compressa de gelo no meu tornozelo, esse hematoma no meu braço, — Ela falou apontando para uma marca extensa e escura no interior de seu braço esquerdo a qual eu não havia notado até então. — algumas pontadas acima do meu olho, que depois fui me disseram que tiveram de fazer pontos, e percebi a perda dos meus óculos. Pelo que me contaram o motorista viu o caminhão e desviou batendo contra um poste. Eu fiquei confusa no começo, com a dor e talvez os anti-inflamatórios que me deram, mas então eu não conseguia parar de pensar em você. — A loira de súbito levantou os olhos até encontrar os meus. — Isso parece meio clichê ou sei lá, mas eu juro que tudo que eu pensava se direcionava a você e em como estava e se ficaria preocupada com meu sumiço porque eu não queria que ficasse, eu estava bem. — Deu de ombros acariciando minha mão com o polegar. — Então, hoje cedo minha avó apareceu no hospital, não sei como sabia qual era ou como chegou tão rápido aqui, mas ai ela queria me tirar da escola porque achou um absurdo o que aconteceu mesmo sabendo que o culpado era o motorista do caminhão. Confesso que eu fiquei um pouco desesperada e tentando convence-la de que não tinha motivo para isso e que ela tinha que conversar com o diretor. Foi quando você apareceu e, mesmo me apertando doloridamente, fez meus pensamentos ruins se dispersarem um pouco. Por isso, que minha avó foi grossa com você, ela estava nervosa com qualquer coisa que se relacionasse a escola, mas eu discuti mais um pouco e a convenci a desistir daquela ideia idiota. Em alguns momentos, a ideia de ficar longe de você quase fez ter um ataque de nervos e gritar com ela.
O monólogo terminou e não consegui conter um esboço de sorriso com a última frase, não havia o que ser dito eu sabia que ela não esperava que eu dissesse algo. Então eu a examinei absorvendo cada detalhe da pessoa que me ganhava de forma tão simples, da pessoa que passou por algo assustador para qualquer ser humano e que mesmo assim manteve seus pensamentos em mim. Foi naquele momento em que coloquei meu copo entre minhas pernas para que não derramasse, levei minhas mãos para cada lado de seu rosto e comecei a distribuir inúmeros beijos maviosos por toda a extensão de sua face. Como aquilo era possível? Como eu poderia sentir que ela estava novamente me cativando mais, tinha como sentir mais carinho, apresso e ternura do que eu já sentia? Como Emma podia chegar a ser real?
— Eu quero te falar algo, — Falei em um um tom baixo depois de depositar um último beijo sobre sua boca. — na verdade, preciso te confessar uma coisa antes de te falar o que quero. — Suspirei tentando me lembrar do que trenei durante o fim de semana, mas naquele momento eu já não ligava para algo premeditado, queria dizer exatamente o que minha mente corpo e alma me impulsionasse a dizer. Então, fechei os olhos respirando profundamente antes de encarar aquelas esmeraldas inquietas a minha frente. — Eu quero te contar que ouvi o que você me disse na outra noite. — Seus olhos fraquejaram por um segundo e podia jurar que elas segurou a respiração. — Não tenho como expressar o quanto fiquei feliz por ouvir aquilo de você, tenho certeza de que noção do quanto é importante para mim ainda mais com a minha felicidade do dia seguinte, mas saiba que continuei fingindo estar dormindo porque não queria que pensasse que lhe diria o mesmo somente por me sentir precionada ou algo do tipo. — Com minhas palavras suas expressões se suavizaram em um sorrisos tímido. — Emma... Sabe, eu... Eu quis me preparar para dizer isso e realmemte o fiz, mas, como tudo tende a ser quando estou com você, eu vou somente ignorar o que planejei e me entregar a todas as coisas abstratas e confusas que vivem em mim para dizer que... Não sei direito quando foi que tudo se tornou tão enfadonho e, de certa forma, comodo e cotidiano em meu dia a dia. Parece até uma crise existencial de uma adolescente que não viu nada da vida ainda, mas acredito que você me entende o suficiente para saber que o pouco que vivi pode ter proporcionado essa minha visão em relação as coisas ao meu redor. O que estou querendo dizer, é que em meio a minha morbidez ácida com minhas piadinhas irônicas você chegou. — Sorri ao passo em que ela suspirou. — Sim, você chegou com esse jeitinho desafiador e cativante que me fez perceber o quão nociva a forma com que eu estava agindo era, e com esse jeitinho brincalhão e doce me fez acrescentar uma paleta inteira de cores no meu mundo. Além de todos os beijos, toques e carícias que ganharam um significado único em mim por terem vindo da pessoa que tem o sorriso e os olhos mais apaixonantes que já notei. — Seus olhos brilharam por ficarem marejados, mas seu sorriso entregava que era de felicidade, assim como meus batimentos entregavam meu nervosismo. — Sei que parece um monte de baboseira e enrolação e o que realmente quero dizer com tudo isso é que... Lembra quando conversamos uma vez e eu disse ser cética quanto as coisas até que elas se provassem verdadeiras? — Emma assentiu. — Pois bem, agora posso dizer que não sou mais cética em relação ao amor porque... Eu te amo. — Pronunciar aquelas palavaras foi como um gatilho que explodiu dentro de mim me fazendo sentir de milhares de formas diferentes ao mesmo tempo. — Da forma mais pura e verdadeira que alguém pode amar outra pessoa, da forma que jamais imaginei que conheceria fora dos livros e filmes, e da forma que só você pode me fazer sentir. Posso não ter expressado exatamente o quão intenso meus sentimentos são, mas eu te amo como nunca imaginei ser possível amar alguém.
Foi a vez dela puxar meu rosto apressadamente tomando meus lábios, mas aprendi que é difícil manter um beijo profundo quando ambas as pessoas estão com os lábios esticados em sorrisos enormes e bem longe de serem desfeitos.
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