Notas iniciais
Meu amores, como foram suas festas? Espero que tenham se divertido como eu! Eu voltei com o maior capítulo de todos, então espero que gostem. Obrigada, pelos comentários, vocês são uns paezinhos de fofos. Boa leitura!

"Estava na cara: Eu gostava dela. Não tinha mais para onde correr. Não tinha outro lugar que eu quisesse estar se não fosse nos braços dela."

— Restos de um naufrágio.

— Já está escurecendo, aonde pretende me levar? — Perguntei aceitando sua mão para me levantar assim que ela ficou de pé e a estendeu para mim.

— É uma surpresa, mas não se preocupe prometo não vender seus órgãos no mercado negro. — Emma respondeu batendo as mãos em suas calças para tirar a grama.

— Como se você tivesse estômago para isso, uma surpresa sua eu tenho mais medo é que me leve para dançar. Algo que, convenhamos, não é para mim. — Desdenhei fazendo uma careta e negando com a cabeça enquanto acabava de fazer o mesmo que a loira e a seguia para uma das estradinhas de asfalto do parque.

— É verdade, mas não quero que acabe com um osso quebrado, então vamos á um lugar que é impossível de você não gostar. — Ela disse sorrindo entrelaçando nossas mãos enquanto andávamos.

— Quanta convicção. — Falei virando o rosto para vê-la e sorri com seu gesto.

— Eu te conheço bem. — A loira disse virando o rosto brevemente para mim, dando uma piscadela e, logo depois, voltando a olhar para o caminho.

Andamos por mais uns dez minutos enquanto eu incessantemente tentava arrancar alguma pista de onde iriamos enquanto Emma dizia o quão incansavelmente irritante eu era me fazendo rir por adorar provoca-la. Na verdade, eu acabava adorando qualquer coisa que arrancasse algum estimulo dela, estava adorando, principalmente, com ela fazia com que as coisas ao redor de si parecerem mais vivas e empolgantes, de uma forma que eu não sabia explicar. O que eu mais estranhava é como demorei para perceber o efeito que ela causava não só nas coisas, mas também em mim e em como esse efeito parecia ter sido ampliado significativamente depois que me permiti enxerga-lo.

Eu tinha, a todo momento, uma inquietante vontade de toca-la ao mesmo tempo em que ainda tinha algum receio. Porém, essa vontade era sempre preenchida pela mesma que, mesmo não sabendo, acabava por atender o meu querer. Olhar para ela me trazia um imenso desejo de suspirar a todo momento, de abraça-la de beija-la sem nenhum tipo de preocupação e eu dificilmente conseguia focar em outra coisa. Entretanto, ainda vinha aquela pequena voz na minha cabeça me dizendo para me controlar e ir com calma como sempre ajo com tudo em minha vida apesar de que, daquela vez, o que mais queria era me jogar em seus braços e me permitir sentir todos os sentimentos que ela havia acordado em mim, sem cautela ou pudor mesmo que aquela parte chata me privasse e eu aceitasse por, talvez, sentir que minha sanidade fugiria se eu a ignorasse no momento.

— É um lugar aberto ou fechado? — Fiz outra pergunta olhando para nossos passos nada apressados pela calçada enquanto o sol se punha por de trás de algumas casas altas tornando aquele momento mais tranquilo e sereno.

— Eu já disse que não vou dizer, Regina. Você parece o burro do Shrek que fica perguntando o caminho todo "a gente já chegou?" e depois ainda vem falar que eu sou a criança. — Emma falou e levantei os olhos para pega-la me olhando antes dela revirar os olhos para minha insistência.

— Não sou eu quem está usando um filme infantil como exemplo, querida. — Zombei e ela parou de andar se virando para o meu lado.

— Ok, tanto faz porque já chegamos. — Ela falou dando de ombros e olhei para a porta de vidro a nossa frente que me permitia ver uma placa ao fundo com o nome seguido da palavra "cafeteria".

— É, acho que você quer me conquistar. — Abri um sorriso enorme e me virei totalmente para ver Emma que sorria e acariciava minha mão.

— Me avise se estiver funcionando. — Falou empurrando a porta com a mão livre e eu a segui.

O lugar não era muito grande, porém não deixava de ter seu charme. Ali não tinha nada além de umas quatro mesas, o balcão e a porta que dava para a cozinha eu supunha, mas tinha uma escada em espiral no fundo do local que dizia ter mais mesas no andar de cima. Olhei a decoração do local me deliciando com o cheiro maravilhoso de cafeína que extasiava meus pulmões como o perfume da loira o fazia. Pouco depois ela me pediu para sentar em uma mesa enquanto iria ver algo no balcão e mesmo desconfiada o fiz.

— Como você sabia desse lugar? — Perguntei abaixando o cardápio em minha mão assim que ela se sentou na minha frente.

— Digamos que é um negócio de família. — Ela disse pousando os cotovelos sobre a mesa e o queixo sobre os punhos.

— Uma cafeteria, sua família é dona de uma cafeteria? — Perguntei arqueando as sobrancelhas.

— Cafeterias, na verdade. Essa é só uma filial.

— Você acharia muito precipitado se eu me ajoelhasse aqui e pedisse sua mão em casamento bem agora? – Questionei, ainda com as sobrancelhas erguidas e sem acreditar, fazendo a loira soltar uma gargalhada antes de dizer:

— Se não fosse por interesse eu até poderia pensar no assunto. — A loira retrucou cruzando os braços e recostando em sua cadeira.

— Eu não sou interesseira. — Falei abrindo a boca como se tivesse ofendida e cruzando os braços também.

— Ah, imagina. Só quase sai daqui noiva, mas tudo bem. — Emma debochou.

— Antipática. — Falei revirando os olhos.

— Chata. — Ela retrucou apoiando as mãos na mesa.

— Petulante. — Repliquei semicerrando os olhos.

— Irritante. — Emma fez o mesmo meneando a cabeça para o lado.

— Insolente. — Falei me inclinando para frente.

— Ranzinza. — Disse a loira se inclinando também.

— Degradável. — Respondi lhe mostrando língua como uma criança em uma discussão daquelas.

— Gostosa. — Emma sussurrou próxima ao meu rosto e sorriu de lado dando uma piscadela.

— Imper..... O que? — Comecei a falar até perceber o que ela havia dito e me afastar um pouco atônita.

— Ganhei! — A loira falou ao me ver sem reação e voltou a encostar na cadeira antes de olhar para o lado enquanto eu ainda tentava retornar a minha concentração — Agora, vamos logo. — Acrescentou se levantando e eu não entendi até vê-la se dirigindo para a escada.

— Eu não acredito que... Você me paga por isso. — Resmunguei me levantando e indo atrás dela.

— Mal posso esperar. — Emma cantarolou logo a frente me deixando contrariada.

Emma esperou para que eu subisse na frente e passei por ela com cara de poucos amigos enquanto a mesma ria da recente birra pela gracinha, pelo menos, era o que eu achava até chegar no topo e ser recebida por um sonoro "Surpresa". A expressão fechada em meu rosto foi lavada instantaneamente pelo susto antes de sorrir ao ver meus amigos em algumas mesas que juntaram o meio do segundo andar, fiquei estática por alguns segundos até sentir a mão de Emma em minhas costas me empurrando.

— Eu não acredito que fez isso. — Sussurrei para Emma, mas olhando para eles de pé na frente de suas cadeiras cantando parabéns.

— Dê os créditos a sua irmã que não aceita seus "nãos" como resposta. — Ela sussurrou logo atrás de mim. — Agora vá ser mimada pelos outros porque eu preciso de um descanso de você. — Acrescentou antes de me empurrar para uma cadeira a nossa frente no meio da mesa, onde estava um bolo cheio de velas, e ir para o outro lado.

Esforcei-me para não lhe lançar um olhar irônico enquanto focava em sorrir para os garotos que continuavam a bater palmas e cantar. Nunca sabia ao certo o que fazer, ficava envergonhada com aquilo, então esperei que terminassem antes de assoprar as velas e ir de lugar em lugar abraça-los. Primeiro foi Graham, pois desviei de Zelena lhe fazendo uma careta, depois Mulan, Lacey, Eric, Lily, Killian, infelizmente Tinker que eu não entendia o porquê de ter sido chamada, Emma em quem me demorei um pouquinho a mais.... e finalmente na ruiva que me deu um tapa por ignora-la anteriormente o que só me fez rir de sua reação contrariada depois que me apertou forte contra ela enquanto me desejava felicidades e eu reclamava querendo respirar. Quando pude me sentar junto aos outros cortamos o bolo e consegui me recompor da agitação conversando com minha irmã.

— O que eu foi que eu lhe disse? – Interroguei, arqueando uma sobrancelha, me referindo a "festa".

— E quando foi que eu não fiz algo que você não deixou? — Zelena perguntou de volta com a atenção focada no bolo do prato em sua mão.

— Realmente, engraçadinha. Mas você não estava sem dinheiro? — Questionei pegando meu próprio prato e me esticando para corta outro pedaço para mim.

— Você acreditou mesmo na história da coleção de inverno? Estamos no verão. — A ruiva respondeu assim que me sentei novamente a tempo de vê-la colocar uma garfada na boca e sorrir satisfeita.

— Eu não acredito que não percebi isso.

— Mas você adorou! Diga que adorou, eu sei que adorou. — A ruiva insistiu sorrindo e me cutucando com o cotovelo.

— Talvez um pouquinho, mas quando o meu Red eye chegar o talvez pode aumentar significativamente. — Brinquei rindo de sua animação.

— Eu sabia que você iria gostar daqui quando Emma me disse que é uma cafeteria. — Sorri brevemente o ouvir o nome da loira.

— Vocês duas estavam conversando desde quando que eu não vi, posso saber? — Perguntei voltando a atenção para o meu garfo que brincava sobre o bolo.

— Por que quer saber, está com ciúmes? — Zelena questionou com um tom sugestivo enquanto cruzava as pernas.

— Eu com ciúmes? — Retruquei levantando os olhos em descrença.

— Vou fingir que acredito e que não estou vendo você olhando na direção dela a cada cinco minutos para ver com que ela está conversando. — A ruiva disse rindo.

— Cala a boca, Zelena! — Ordenei fechando a cara.

— Eu só gosto de trabalhar com verdades não ditas, irmãzinha. — Ela deu de ombros abocanhando outro pedaço de seu bolo.

— Então, vou conversar com alguém que segure um pouco a língua. — Falei colocando meu prato já vazio na mesa e empurrando a cadeira para trás.

Levantei-me indo conversar com os outros, sem conseguir conter uma olhada ou outra para a loira que, desde que nos juntamos a eles, parecia ter se esquecido de que eu existia. Não me importei, pois ela provavelmente queria me dar um tempo com os outros já que passamos o dia juntas, um ótimo dia juntas.

Passaram-se algumas horas, só restavam nós no local e creio que já tinha ultrapassado o horário de fechar enquanto eu estava entretida rindo das palhaçadas de Killian ao mesmo tempo em que abocanhava outro pedaço do meu bolo e tomava, acredito que, o terceiro Mocha da tarde quando precisei me levantar para ir ao banheiro.

Achava ser impossível que o sorriso em meu rosto fosse desparafusado em algum momento até que abri a porta entrando no local indicado como banheiro feminino e vi Tinker, no mesmo instante, avançar contra a boca de Emma. A porta fez barulho fechando-se ao meu lado assim que a loira, que foi pega de surpresa, afastou a menor e olhou para o ponto de onde veio o som, ou seja, para mim. Uma pessoa que, naquele momento, não fazia a menor ideia do que fazer só tinha a certeza de que seus pés pareciam enraizados ao chão a impedindo de se mover, nenhuma expressão além de espanto de alguém que foi pega aonde não deveria estar, e nenhum movimento até que Emma abriu a boca falando meu nome e dando um passo em minha direção. De súbito todo meu sistema nervoso me deu um choque de realidade fazendo com que eu acordasse, sacudi a cabeça sem conseguir digerir o que acabará de ver. Apenas abri a porta normalmente e fui até minha irmã. Meus gestos apresentavam-se vacilantes e calmos, diferentemente das reações dentro de mim que pareciam em estado de calamidade total, mas de forma alguma queria transparecer o quanto aquilo me afetou.

— Zelena, me leva embora, por favor? — Pedi quando cheguei até ela colocando a mão em seu ombro e a fazendo olhar para mim rapidamente.

— O que houve, achei que estivesse se divertindo? — Ela perguntou se levantando e transparecendo confusão.

— É e eu estava, mas por favor vamos embora. — Pedi mais uma vez, agradecendo internamente por Emma não estar ali ainda.

— Regina, espera. — Ouvi atrás de mim praguejando-me por agradecer antecipadamente.

— Emma, agora não. — Disse sem nem ao menos olhar em sua direção.

— Mas eu.. — Ela voltou a falar colocando a mão em meu ombro e, pela primeira vez no dia, eu não desejava aquele toque.

— Emma! — A cortei agora me virando e levantando a mão para tirar a dela de mim – Agora não.

Falávamos baixo o que impediu o restante de perceber o que se passava ali.

— Eu não sei o que aconteceu, mas é melhor dar um tempo a ela depois vocês conversam. — Zelena falou ao ver como reagi a loira — Vamos? — Perguntou em seguida para mim e concordei com a cabeça.

Despedi-me rapidamente dos outros, que estranharam a situação, antes de seguir em silêncio ao lado de minha irmã até a calçada e esperávamos o táxi para o qual ela ligou.

— Você não quer me contar o que houve? — A ruiva voltou a falar já a caminho da escola depois de um longo silêncio entre nós duas.

— Não. — Sussurrei sem tirar meus olhos da janela observando as coisas passarem rapidamente do lado de fora.

— Como vou poder ajudar sem saber? — Perguntou insistindo.

— Eu não quero ajuda. — Respondi ainda sem encara-la — O que eu quero é socar a cara daquela loira idiota. — Acrescentei desviando o olhar para minhas mãos que se fecharam em punho no meu colo.

— Da Emma? — Neguei sentindo olhar dela sobre mim.

— Da Tinker.

— Oh, se ela está envolvida, então é pior. Pelo que sei, você a odeia. — Assenti ainda com os olhos fixos em meu colo.

"Uma pessoa baseada na palavra excesso. Sou excesso de emoção, sou excesso de razão. Gosto de ter certeza das coisas e de ter tudo no meu controle, necessito disso. Quando não tenho, meu emocional é afetado facilmente. Sou o extremo em tudo, a loucura em pessoa."

—Vittoria Catarina.

Permanecemos o resto do trajeto caladas enquanto eu me impedia de relembra os fatos anteriores. Entramos por outra passagem e fomos para o quarto da ruiva, não quis dormir no meu e ter de ver a loira, então, depois de tomar um banho e vestir algumas roupas de Zelena, me deitei com ela em seu quarto na esperança vã de cair no sono. Sendo atormentada por minha razão outra vez, pois sabia que Emma não havia tido culpa, porém isso não anulava o fato de que não temos nada de concreto e que o ocorrido me destruíra de alguma maneira e lá estava eu, deitada o escuro sentindo falta das estrelas no teto ao mesmo passo em que cogitava o quão idiota eu estava sendo.

— Gina, está chorando? — Zelena perguntou ao me ouvir fungar e pegando em meu rosto para tentar enxergar algo na pouca luz que havia ali — Por favor, me conta o que houve.

— Eu estou chorando de raiva de mim mesma por gostar tanto de uma pessoa a ponto de me sentir mal ao ver outra a beijar, estou chorando porque eu odeio não consigo me controlar por dentro como consigo por fora. Eu vi que não foi a Emma que beijou ela, vi que a empurrou, mas também vi que pode ter sido pelo barulho da porta se fechando e não consigo não me destruir internamente pensando que talvez tudo o que aconteceu de tarde tenha sido algo momentâneo para ela mesmo tendo sido tão real para mim. — Falei lentamente tirando sua mão de meu rosto, então suspirei e disse: — Sabe, hoje eu a beijei, ela me beijou e foi tão... eu não sei, foi como tudo sempre é quando estou com ela: leve, intenso e doce. Ela disse que gosta de mim desde que nos conhecemos e eu fui muito grossa naquele dia, disse depois que eu falei que gosto muito dela. Você acha que ela só disse porque eu....

— Regina, para de inventar paranoias. — Zelena me interrompeu — Você sempre faz isso e estraga tudo antes mesmo de começar. Nós duas conhecemos a Emma a ponto de saber que ela nunca faria isso, então não veja coisas negativas que não existem, converse com ela amanhã e as coisas vão se resolver. Você mesma disse que não foi ela quem beijou a outra e que se afastou no mesmo instante.

— Você pode ter razão, mas por que as menores coisas parecem se maximizar na minha cabeça em um bicho de sete cabeças? — Perguntei respirando fundo e ponderando o que minha irmã havia dito.

— Porque você adora enxergar problema onde não tem. — Falou antes de dar um beijo em minha bochecha — Acho melhor dormir um pouco e colocar esse bicho ai em ordem.

Concordei e fechei os olhos me obrigando a não pensar em mais nada até cair no sono. No dia seguinte tinham mensagens e ligações da loira no meu celular, mas somente respondi para que me desse um tempo. Passei a manhã do domingo inteiro a evitando, pois ainda me sentia incomodada. Isso durou até umas duas da tarde quando achei que precisava de roupas minhas novamente e que a loira não estaria no quarto. Estava certa até certo ponto, pois quando peguei o que queria e iria para porta Emma entrou e respirei fundo fechando os olhos assim que ela me viu.

— Regina, eu te procurei desde ontem. — Ela falou ainda do lado da porta e me aproximei com a intenção de sair.

— Eu pedi um tempo, Emma. — Disse levando uma mão até a maçaneta, enquanto a outra segurava minhas roupas, e ela colocou a mão sobre a minha assim que abri um pouco a porta — Por favor, só... — Tentei abrir mais, porém ela empurrou aporta a fechando.

— Para com isso, para de fugir, para de fingir que quer pensar, para de se afastar como se não soubesse que eu não fiz nada de errado. — Emma explodiu com a voz firme, porém ainda baixa o que fez meus olhos se sobressaltarem — Você é constantemente madura para conversar sobre tudo, mas quando é em relação aos seu sentimentos você evita, os esconde como se todos os problemas fossem se resolver magicamente. — Ela parou por um momento apoiando uma mão na porta e respirando fundo antes de continuar de forma mais calma — Eu odeio falar com você dessa forma, odeio mesmo porque parece que meu mundo desmorona junto com o seu olhar agora, mas parece que é a única forma de fazer você acorda e me ouvir, talvez até tentar conversar.

Fiquei em choque, por alguns instantes, ela parecia se importar e muito. Eu não esperava nenhuma daquelas palavras vindas dela, mas me fizeram ter impulso para falar.

— Eu tenho medo, tá legal? — Bufei encarando suas íris verdes na minha frente — Você tem ideia de que eu nunca senti por ninguém nem metade do que sinto por você? Pois é, e isso me dá medo porque ontem depois daquele dia que me fez sentir coisas inexplicáveis acabou com o chão se esvaindo dos meus pés. Eu sei que você não a beijou, eu vi. Mas e se a porta não tivesse batido, você a teria empurrado? E se meus sentimentos evoluírem e os seus te abandonarem, eu não quero acabar me sentindo pior do que venho sentindo desde ontem a noite. — Juntei meus braços junto ao corpo abraçando a muda de roupas para me forçar a dizer o que tanto eu escondia — Você não tem ideia do quanto é terrível ter receio de se entregar por ter medo ser deixada, de ser uma covarde por não se achar o suficiente para outra pessoa. Porque nunca tive alguém que ficasse o suficiente para que eu entendesse todo esses sentimentos que andam fazendo um alvoroço dentro de mim a cada vez que me fita com esse olhos verdes cintilantes, ou quando você sorri e, principalmente, essas reações totalmente inexplicáveis que aparecem quando você me beija. — A loira me escutava com atenção e parecia absorver tudo que era dito — Não quero dizer que são ruins, quero dizer que são tão bons que prefiro evita-los do que perde-los quando estiverem ainda mais intensos. — Suspirei me encostando na porta ao meu lado — Você é como uma droga, se eu evitar no começo é mais fácil de voltar a realidade. A abstinência será menor e...

Emma não deu nem dois passos para grudar nossos corpos e me calar com sua boca sobre a minha. Soltei a roupa e bati por alguns segundos meus punhos em seus ombros, mas sem a menor força ou vontade de afasta-la, até que parei de fingir resistência suspirando pesadamente quando suas mãos pegaram a minha deslizando para sua cintura e logo depois indo para minha nuca. Era inútil. Eu já estava em estado de abstinência, tarde demais para tentar recuar e não queria de forma alguma recuar. Só esperava que ela também não quisesse. Seus lábios sugavam os meus com uma necessidade absurda, sua língua se movia devagar e intensamente sobre a minha. Aquele momento parecia ter durado uma eternidade quando ela recuou um pouco o rosto e respirou pesadamente levando o polegar direito sobre meu lábio inferior que deveria ter inchado assim como o dela que estava vermelho como o rubor de suas bochechas.

— O que vai fazer, me deixar? — Ela balbuciou ofegante levantando os olhos de meus lábios para minhas pupilas castanhas — Porque eu acho que meu grau de abstinência sua seria muito alto no ponto em que estou. Eu não estou fazendo outra gracinha, estou falando sério. De jeito algum que eu iria te deixar, seria como torturar a mim mesma e não a você. Regina.... você é muito mais que o suficiente para qualquer um que quiser, com esse olhar intenso, a maturidade e a inteligência invejável é impossível que alguém não se apaixone. Só quero que entenda que não é a única perdida em sentimentos, pois eu estou da mesma forma talvez até pior já que essa sua racionalidade ainda trabalha para poder pensar em tantos "e ses" ou em diversas possibilidades que dificilmente acontecerão. — Emma falou passando o polegar para minha bochecha, me deixando sem qualquer palavra em mente.

— Acho que sou mesmo neurótica. — Sussurrei deitando o rosto em seu ombro e abraçando-a pela cintura, logo depois inspirando um pouco sobre a curva de seu pescoço e sentindo o cheiro seu perfume viciante.

— Não, você gosta de se proteger e não há nada de mal nisso, mas queria muito que você confiasse em mim a ponto de deixar aflorar cada cantinho seu e gostaria que fizéssemos isso juntas para que nenhuma tenha medo de estar se jogando de um precipício sem saber se a outra vai estar lá para ajudar. — Ela disse ainda em um tom baixo afagando meu cabelo e minhas costas — Não quero que tenha medo, não comigo.

— Podemos tentar, sabe que eu confio em você. — Falei levantando o rosto e esboçando um sorriso ao levar um de minhas mãos ao seu rosto e colocar algumas mechas de seus cachos para trás de sua orelha logo após deslizando meus dedos por seu nariz e sua bochecha volumosa e corada, me sentia bem a ponto de parar de ouvir as vozes chatas de minha cabeça.

— É a melhor coisa que eu poderia ouvir. — Emma disse enquanto meu polegar agora passeava por seu queixo, desceu o olhar para minha boca de novo para no segundo seguinte se inclinar me beijando novamente.

Notas finais
O que estão achando? Comentem mesmo se quiserem me xingar, eu juro que não mordo kkkkk Beijos e até o próximo!♡♡