Notas iniciais
Voltei e não me matem pela demora, por favor. Estou sempre tentando arranjar um tempo para escrever pela correria que ando vivendo e espero que compreendam. Quero agradecer a todos os comentários, você não sabem o quanto me fazem sorrir e me motivam! Boa leitura ♥

"Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão."

— Verônica Heiss.

— Oh, espera um pouco! — Falei baixo afastando o rosto de Emma com uma mão e deslizando a outra para meu celular que vibrava no bolso do short que Zelena havia me emprestado.

A loira me olhou confusa antes de ver do que se tratava. Olhei quem era e suspirei antes de atender. Eram meus pais, minha mãe para ser mais exata. Assim que atendi, Emma deitou a cabeça em meu ombro e continuou abraçada em minha cintura, apertou os braços ao meu redor me fazendo sorrir mesmo revirando os olhos enquanto dizia que tudo bem para as desculpas esfarrapadas por terem se esquecido de ligar no dia anterior e agradecia quando meu pai tomou lugar no telefone falando que depositou algum dinheiro para que eu comprasse algo que gostasse pela internet. A ligação durou menos de cinco minutos e logo que desliguei fechei os olhos, pendi a cabeça para trás apoiando na parede e respirando profundamente.

Não era novidade que se esquecessem do meu aniversário, na verdade, me acostumei um pouco depois do quarto ano seguido de negligências dos meus pais em relação as duas filhas. Até já chegaram a confundir o meu com o da minha irmã, mas chegava a ser frustrante a forma com que eles pensavam que um pedido de desculpas e dinheiro pudessem apagar o fato de terem simplesmente se esquecido do dia em que sua filha nasceu e terem se lembrado pela agenda eletrônica que todo ano os lembram na data errada, pois eles não tem, nem sequer, interesse em arrumar.

Entretanto, não digo que são negligentes ou indiferentes somente por isso, mal consigo contar quantas vezes nos colocaram nas viagens das férias de agosto, que a escola organiza, para não irmos para casa, ou quantas vezes já perderam competições importantes minha, pois "não tinham tempo". Pergunto-me quantas vezes, mesmo em casa, passei o natal somente com Zelena e nossos empregados porque nossos pais tiveram que viajar e resolver coisas de seus trabalhos em outras cidades. Esse seria o comportamento de pessoas que supostamente se importam com você?

Infelizmente, pensei sobre isso algumas vezes, principalmente quando era menor. Chegava a me sentir rejeitada por eles, supunha que não gostavam de nós, mas não entendia porque não gostariam, era algo extremamente complicado para minha mente quando tinha uns 7 anos. Por vezes, chorei no colo de Zelena que não era tão mais madura que eu para saber lidar com a carga extra que eu lhe impunha na época. Porém ela sempre dava um jeito de amenizar as coisas explicando, da forma que conseguia, que cada pessoa tem uma forma de expressar seus sentimentos e, mesmo que eu pensasse que nossos pais não se importavam, eles nos amavam da forma que conseguiam. Porém, não conseguiam perceber que precisávamos preencher a parte emocional que Zelena sempre esteve ali para suprir, assim como eu estive para suprir nela.

Confesso que, quando amadureci e entendi o que ela dizia, notei não ser tão próxima emocionalmente dos outros a nossa volta porque sempre achei que a única pessoa capaz de suprir o amor que eu precisava seria ela. Uma prova disso era Elizabeth, pois, apesar do quão importante ela era pra mim e todos os momentos que passamos juntas, eu não me permitia ser de certa forma "cuidada" emocionalmente por ela, pois, mesmo tendo criado laços com ela e compartilhando coisas pessoais, nunca cheguei a me abrir e partilhar com ela lados meus que ninguém além da minha irmã conhecia, lados, digamos que, escuros meus, essas pequenas coisas que tanto me afetam. Isso mediante ao fato de que eu tinha medo de que ela se afastasse se eu aparentasse necessitar de alguma forma de carinho. Acredito que a única vez em que ela me viu desmoronar foi em relação ao ocorrido com Robin e aquilo me fez perceber que ela realmente se importava comigo, não somente pela parte aprazível em mim. Então, foi quando tudo desmoronou novamente visto que meses depois, quando me permiti realmente mostrar-me por inteira, ela foi diagnosticada com a doença que a tirou de mim.

Não é como se as pessoas não me conhecessem e eu vivesse como um ermitão dentro de uma carapaça impenetrável, eu já cheguei a ser muito sociável e era bastante aberta com meus amigos até certo ponto. Eles me enxergavam, mas aquilo que eu permitia de mim mesma mostrar. Digamos que, eu me parecia com Emma em partes, pois ela é extremamente sociável e sempre parece querer compartilhar seu lado bom com as pessoas, mas diferente de mim, ela não parece ter outro lado escondido em si. Ela é daquela forma, a felicidade e o carinho em pessoa, a criança crescida que não se importa em ser como é, além de ser extremamente adulta quando precisa sem deixar que o orgulho a impeça de fazer o que seus sentimentos lhe dizem para fazer. Enquanto eu sou constantemente controlada por meu lado racional, impedindo impulsos não analisados ou ações que meu emocional me diz para fazer, ou pelo menos eu era assim até ela aparecer e mudar as obrigações que atribui a mim internamente.

— Você esta bem? — Ouvi a voz de Emma, após alguns minutos e senti o calor de seu rosto em meu pescoço se dissipar.

Respirei fundo e abri os olhos esboçando um sorriso quando a vi: — Com você aqui, eu estou.

— Não adianta vir com esse sorrisinho, o que houve? — A loira questionou levantando o cenho.

— Não foi nada que já não tenha acontecido antes. — Respondi sem dar importância ao assunto, guardando o celular de volta no bolso e apoiando minhas mãos em seu ombros. — Estou um pouco frustrada, mas daqui a pouco estou melhor.

— Tem certeza? — Insistiu com a mesma expressão.

— Absoluta. — Falei assentindo rapidamente. — Que tal ouvirmos um pouco de música?

— Você sugerindo música? — Emma estreitou os olhos me observando e meneando a cabeça para o lado. — Está mesmo querendo mudar de assunto, mas vou deixar passar dessa vez. — Acrescentou com um sorriso fraco, tocando a ponta do meu nariz com o indicador e deslizando as mãos para longe de mim, indo até o computador na cama. — O que quer ouvir? — Ela perguntou se sentando no colchão, puxando o notebook para o colo e fui até lá, depois de guardas minhas roupas novamente, já sentindo falta do toque dela.

— Qualquer coisa que não seja aquela eletrônica que você estava ouvindo outro dia, minha cabeça parecia que ia estourar. — Disse me sentando ao seu lado e apoiando meu queixo em seu ombro para ver o que estava fazendo.

— Exagerada, nem um pouco... — Emma murmurou, me fazendo sorrir enquanto ela ainda procurava algo em meio a dezenas de pastas.

Ela ainda mexia no computador quando ouvi algumas batidas na porta e me levantei indo até lá.

— Regina, que bom que está aqui. — Falou Killian como se estivesse aliviado assim que me viu. — Eu sei que hoje é domingo, mas amanhã tem aquele trabalho para entregar na aula de português e por mais que eu pesquise não consigo entender bulhufas de conjugação de verbo. Para falar a verdade, não sei porque entrei nesse clube.

— E me deixe adivinhar, você precisa do meu trabalho? — Perguntei arqueando uma sobrancelha.

— Na verdade, eu queria que você me ajudasse e me explicasse. — Ele respondeu me surpreendendo.

— O que exatamente eu ganharia com isso? — Questionei agora sorrindo e cruzando os braços o fazendo suspirar

— Regina, não seja maldosa e ajude o garoto senão eu mesma o faço. — Ouvi Emma dizer ainda de seu lugar na cama.

— E é por isso que eu adoro a Emma. — Killian disse sabendo ser ela mesmo não a vendo por estar no corredor e a portar estar aberta o suficiente para que apenas me visse.

— Não atrapalhe minha negociação, intrometida. — Resmunguei virando o rosto para lhe mostrar a língua e voltando a atenção ao garoto. — E então?

— Você vai ganhar experiência para quando for professora. — Sugeriu encolhendo os ombros e sorrindo como se esperasse que funcionasse.

— E como Emma vai sobreviver sem mim aqui para garantir que ela não vai incendiar o quarto?

— Acho que posso ficar longe de processos oxidação por algumas horas. — A loira voltou a interferir e rolei os olhos ao ouvir sua voz.

— Olha, você não está me ajudando. — Falei alto para que a mesma ouvisse, mas ainda observava os olhos azuis pidões a minha frente. — Tudo bem, você venceu. Só vou pegar minha coisas e já volto.

Peguei meu trabalho e o livro do clube na escrivaninha e dei um beijo rápido na bochecha da loira antes de sair e seguir o garoto até uma das salas de estudo da biblioteca. Para minha sorte faze-lo entender as flexões e variações não foi tão difícil quanto imaginei, depois de umas duas horas terminamos e decidimos ir para as arquibancadas conversar enquanto o time de futebol treinava no campo.

— Desde quando se tornou tão engraçadinho? — Perguntei enquanto ria de uma das piadas em relação aos jogadores.

— Eu sempre fui uma graça mesmo, você que nunca notou. — O moreno se gabou com um de seus sorrisos de lado e o empurrei com o ombro enquanto sacudia a cabeça em negação.

— Oh Deus, você continua o mesmo convencido, isso sim.

— Você sabe que é tudo brincadeira.

— Eu sei, mas ainda lembro da vez em que apanhou porque uns garotos acharam que você era arrogante de verdade. — Comentei me recordando de quando éramos mais novos e das inúmeras vezes em que o acompanhei até a enfermaria. Mesmo que não tivesse se envolvido em nenhuma briga, Killian parecia ser suscetível a cortes e machucados, não que seu comportamento não os justificasse.

— E você parou a briga dando uma lição de moral de uns 10 minutos até a coordenadora chegar. — Sorri pra ele concordando e voltando o olhar para o campo me lembrando de todas as encrencas em que já nos metemos. — Você mudou. — Ele disse, depois de uns minutos, chamando minha atenção.

— De um jeito ruim?

— Um pouco, talvez antes. — O garoto deu de ombros me deixando confusa. — Quero dizer, de uns tempos para cá você parece a antiga Regina ou até mais alegre, não sei.

— Mais alegre?

— Sim, eu nunca tinha te visto sorrir tanto quanto ontem. — Contou ele me fazendo sorrir um pouco. — Você parece mais leve mesmo com toda essa sua pose de mulher madura.

Aquela observação me fez questionar se aquela mudança toda adivinha do que eu sentia por Emma. Obvio que algumas coisas eu realmente mudei como voltar a conversar com meus amigos e fazer algo que não seja ficar enfurnada no meu quarto lendo ou estudando, mas será que essa "relação" pode fazer com que um pouco dos meus cantinhos escuros ganhem vida? Um sorriso tomou conta de meu rosto ao pensar em Emma dessa forma, alguém para me salvar de toda essa insegurança e de toda essa parte que tento não compartilhar. Talvez ela consiga compartilhar algumas das cores do mundo dela para preencher o meu que é tão neutro e sem graça sem ela por perto.

Continuamos conversando por um tempo até fiquei com fome e decidi ir comer algo enquanto Killian resolveu ir conversar com as lideres de torcida.

"Garota intrometida, está com fome?" Enviei uma mensagem para a loira assim que entrei em um dos refeitórios.

"Fome é meu segundo nome, por quê?" Sua resposta veio logo em seguida

"É que eu estou na cantina, quer que te eu leve algo?" Enviei novamente pegando alguns saquinhos de zip lock que ficavam dispostos ao lado dos alimentos não embalados para quando queríamos levar para outro lugar.

"Quem é você e por que está com o celular da Regina?" Meu celular vibrou novamente e ergui o cenho sem entender a mensagem.

"Como assim, sua doida?"

"A verdadeira Regina nunca se ofereceria para fazer algo por vontade própria." Recebi e revirei os olhos me perguntando como não percebi que era uma de suas brincadeiras.

"Já que pensa assim, não ofereço mais nada também." Respondi bufando, ela adorava me tirar do sério e sempre sabia como o fazer.

"Agora sim parece você. Traz uma sanduíche e uma garrafinha de suco de laranja?" Como ela podia ser tão ahhhhh?

"Vai te catar, Emma, não vou levar." Enviei e guardei o celular pegando algumas frutas na estufa gelada e colocando no meu zip lock. Respirei fundo quando senti o celular vibrar novamente e o peguei a contra gosto.

"Você deve estar com cara de brava agora, mas desfaz essa carranca e traz meu lanche, por favor."

"Já te disseram que você é muito abusada?" Perguntei pegando uma bandeja do sanduíche que ela gostava e indo até o lugar dos sucos.

"Eu já disse que é um dos meus charmes." Rolei os olhos novamente e arrumei tudo em cima do meu livro pra que não caísse.

Quando cheguei ao nosso quarto, vi rapidamente a loira deitada na cama com os olhos fechados e os fones conectados no celular que estava em sua mão direita. Deixei meu livro na escrivaninha pegando o lanche dela que estava em cima e fui até ela colocando a garrafinha no criado mudo e soltando o sanduíche sobe sua barriga o que a fez abrir os olhos assustada.

— Você é muito chata, sabia? — Disse quando ela tirou um do fones da orelha e começou a se sentar.

— E você é um amor. — Ela falou enquanto eu ia até minha escrivaninha pegando meu zip lock com frutas e um livro no qual eu estava protelando a leitura há umas três semanas. — Deita aqui comigo, eu achei uma música que você vai adorar. — Acrescentou enquanto abria a embalagem do sanduíche.

— Não, eu prefiro ler um livro na minha cama. — Disse me sentado de pernas esticadas e abrindo o livro.

— Você ficou brava com as mensagens? — Emma perguntou e nem a olhei. — Sabe que eu estava brincando.

— E você sabe que eu odeio quando você me azucrina. — Rebati abaixando o livro e a fuzilando com o olhar.

Emma se levantou pegando suas coisas, veio até minha cama e se sentou ao meu lado. Fingi não me importar e apoiei o livro em minhas pernas para pegar uma maçã enquanto a loira bebia seu suco e me observava.

— Sobre o que é? — Perguntou apontando para o livro alguns minutos depois.

— Sobre como matar pessoas sem deixar vestígio e estou louca para por em prática o que aprendi. — Respondi ainda focada na leitura.

— Você tem algum que fala sobre como fazer uma garota parar de birra e com piadinhas irônicas? — Questionou me fazendo fechar o livro e olha-la com tédio.

— Não, mas devo ter algum que diga como parar de ser insuportável. — Retruquei de forma sarcástica com um sorrisinho.

— Então, acho que você deveria ler ele. — Emma respondeu sorrindo da mesma forma e abri a boca em descrença.

— Sai da minha cama. — Ordenei apontando para a dela.

— Não! — A loira negou cruzando os braços.

— Sai! — Ordenei novamente, fechando a cara.

— Me tira. — Ela me desfiou com aquele sorriso debochado que me tirava do sério.

Tirei meu livro da cama e a empurrei para sair dali com um esforço que não adiantou de nada pela outra ser mais forte, mal se moveu. Tentei mais umas duas vezes inutilmente e bufei estressada.

— Eu te odeio.

— Ah, odeia? — Ela que continuava com o sorrisinho perguntou descruzando os braços e começando a me cutucar. — Já eu, adoro te ver nervosa.

— Para. — Mandei tentando tirar suas mãos de mim que agora me faziam cócegas.

Em questão de segundos eu estava deitada no colchão me contorcendo e implorando para que ela parasse, em vão. A raiva havia dado lugar a risadas de ambas as partes. Alguns minutos depois consegui segurar suas mãos e reuni as forças que ainda tinha para impulsionar meu corpo para tira-la de cima de mim me fazendo permanecer sobre seu corpo. Lembrei-me da vez em que ficamos quase da mesma forma quando cai enquanto dançávamos. Estávamos exaustas e esbaforidas, podia sentir seu peito subir e descer enquanto tentava recuperar o ar e alguns fios de seu cabelo eram soprados de seu rosto. Porém, dessa vez meus dedos estavam entrelaçados aos dela ao lado de seu rosto e os deslizei dali para tirar os cachos de seu rosto como daquela vez.

— Eu realmente odeio você. — Sussurrei a fazendo sorrir enquanto arrumava a armação de seus óculos, que estavam totalmente desajeitados em seu rosto, antes de me aproximar mais.

— E eu adoro ser odiada por você. — Emma sussurrou de volta um pouco antes de eu beija-la e sentir suas mãos pousando em minhas costas.

Não me recordava de beijar tanto uma pessoa em tão curto período de tempo quanto foram aquelas 48 horas desde o nosso primeiro beijo. No entanto, ficar longe, não só de sua boca propriamente dita, mas de Emma em si, parecia ter se tornado um tipo de missão impossível a qual eu não queria tornar possível. Tudo nela parecia me atrair para momentos como aquele e a última coisa que eu queria era lutar contra aquilo. Sua boca cada vez me parecia mais acolhedora, seu calor mais aconchegante e seus toques mais firmes, sem contar o agregado de sensações que se espalhavam por meu corpo. Como o calor que se apoderou do meu abdômen ao notar suas mãos invadindo minha blusa e pressionando minhas costas no momento em que deslizei meus beijos para seu pescoço de modo lento e faminto. Estive totalmente perdida por um tempo até sentir as mãos da loira aprofundando para dentro de minha blusa e um estalo da realidade me fez recobrar a consciência do que estava prestes a fazer, então recuei rapidamente ficando sentada sobre as pernas de Emma.

— O que foi? — Emma perguntou com uma expressão confusa no rosto e se apoiando nos cotovelos.

— Nada... é que... só... você sabe... — Gaguejei todas as tentativas de formar uma frase enquanto saia de cima dela e me sentava ao seu lado. — Me desculpe. — Sussurrei olhando para o colchão e abaixando minha blusa.

— Oh céus, você ficou apreensiva porque achou... — A loira falou baixo se sentando. — Regina, — Ela chamou levando a mão ao meu queixo para que eu olhasse para ela. — não precisa ficar assim e nem se desculpar por nada. Eu não tenho pressa alguma e talvez eu tenha parecido um pouco animada demais, mas é só você evitar esses seus beijos no meu pescoço e eu prometo me comportar bem. — Acrescentou com um sorriso de lado e não pude conter uma risada fraca.

— Vou tentar me controlar. — Brinquei fazendo Emma sorrir e me dar um selinho antes de se levantar.

— Agora, o que acha de ouvirmos a música que eu falei que você vai gostar? — Perguntou indo até sua escrivaninha abrindo o notebook.

Concordei e ela voltou a se deitar comigo depois de colocar uma música que, de acordo com ela, se chama "Dengo" de Anavitoria, um duo musical brasileiro. Eu adorei, até porque depois que ela acabou mal prestei atenção nas seguintes por conta das nossas conversas e risadas.

— Eu senti falta das estrelas ontem! — Confessei olhando para cima ao perceber que já brilhavam um pouco pela escuridão que aumentava lá fora, depois de um dos nossos momentos em silêncio.

— Sério? Eu gosto de tê-las porque me lembram da minha mãe. — Emma respondeu também as observando.

— Pode me contar como? — Perguntei me virando para ela.

— É que, quando eu tinha uns nove anos, inventei que queria pintar meu quarto de preto. — Ao terminar a frase virou o rosto para mim com um sorriso travesso.

— Típico da Swan.

— Ha, ha, ha, que engraçada. — Ela zombou antes de virar o corpo completamente de lado e apoiar uma mão sobre a minha que estava a nossa frente. — Mas enfim, minha mãe acabou comprando estrelas como essas e colando pelas paredes para que á noite parecesse o céu ou algo assim. — Continuou a contar, olhando para minha mão onde seus dedos passeavam. — Ela era fascinada pelo céu e metáforas que explicasse cada um dos sentidos que ela denotava a vida. Então, uma vez eu estava na cabana de lençóis que eu havia montado, sentada no meio de almofadas ouvindo música e olhado para as estrelas que pareciam flutuar em meio a escuridão. Porque me acalmava fazer aquilo quando acontecia algo no meu dia que me deixava irritada ou triste por algum motivo. Não me lembro direito o que aconteceu no dia, mas alguma criança da escola havia me deixado magoada, eu havia contado aos meus pais e eles sabiam que eu gostava de ficar sozinha nesses momentos. — A loira suspirou levando as caricias para meu antebraço enquanto eu a observava. — No entanto, nesse dia ela resolveu aparecer e se sentar comigo no escuro. Assim como você faz como agora e me deixa feliz sem saber. — Ela pousou os olhos rapidamente sobre os meus, sorrindo. — Daí ela começou a conversar comigo até que me falou que eu nunca deveria desistir de ninguém sem realmente me esforçar para ter pelo menos a amizade desse alguém, desde que eu acreditasse que essa pessoa valha a pena porque, por mais que as pessoas pareçam ter seus cantos inóspitos e vazios, elas podem ser como meu quarto naquele momento. Ou seja, se enxergarmos com calma podemos encontrar os pontos de luz e as estrelas que habitam nessa pessoa. — Terminou levando sua mão de volta até a minha e encaixando-as.

— Sua mãe parece ter sido incrível. — Falei pensando no quanto me preocupo com esses meu lados vazios que ela citou.

— E era, bom... talvez tenha sido esse conselho que não me fez desistir de você. Pois, tenho que admitir, eu quase desisti, então você escreveu aquele poema e eu finalmente pude começar a enxergar uma ou outra estrela em você. Hoje eu tenho certeza de que suas estrelas ocupam muito mais lugar que o tamanho do céu ai dentro. — Emma explanou fixando seus olhos novamente nos meus e me permiti sorrir, com uma sensação boa que senti me preencher por dentro.

— Será que se eu agradecer as estrelas por esse conselho sua mãe recebe o recado? — Perguntei e ela sorriu em retorno.

— Gosto de acreditar que sim.

Notas finais
Espero que tenham gostado, digam o que acharam nos comentários e o que precisa ser melhorado. Beijos e até o próximo ♥