Teach Me How To Love You
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“A pior perda é a de si mesmo. Quando perde-se a essência, quando não mais se reconhece diante do espelho, quando deita-se a cabeça no travesseiro e se pergunta: Quem sou eu? O que estou fazendo? Não há nada mais doloroso que ser vazio, que tornar-se vazio, ser oco por dentro e apenas uma alma vagante por fora. “
— Desabafos de Um Poeta.
Passou-se quase um mês, e aos poucos consegui voltar a minha rotina normal sem me lembrar de Liz em cada canto que olhava. Já estava era ficando de saco cheio das pessoas me tratarem de uma forma delicada, como se eu merecesse algum tipo de tratamento especial.
Estava no horário de almoço sentada com minha irmã e as amigas dela, que não paravam de tagarelar e não me deixavam concentrar em minha leitura. Acabei desistindo e deixando o livro fechado ao meu lado enquanto comia e observava elas conversarem.
Arrependi-me de sentar com elas, adorava a companhia alegre de minha irmã, mas suas amigas só sabiam conversar sobre o garoto mais bonito do clube de natação ou sobre o que fizeram e com quem ficaram na última festa em que foram.
Não, o colégio não permitia festas que não fossem de sua autoria e também não permitia que os alunos deixassem o campus, mas, como eu disse uma vez, eles sempre davam um jeito. Eu mesma, quando mais nova, ia nessas festas com minha irmã, porém depois de alguns eventos que prefiro não relembrar passei a ficar somente com as festas que a escola fornecia.
Terminei de comer e depois de pegar meu livro e me despedir das meninas aproveitei o tempo restante para ir ao meu quarto pegar meu trabalho de filosofia. Estava a caminho do dormitório, observando os meninos conversando em suas rodinhas de costume em diferentes locais do campus, quando olhei para cima vi a sombra de uma pessoa na janela do meu quarto. Apressei-me de imediato, entrei pelas portas do dormitório, subi as escadas e quando virei no corredor do meu quarto vi a porta aberta com duas caixas uma em cima da outra, do lado de fora.
— O que pensa que...
Começo a bravejar entrando como um furacão no cômodo, quando me interrompo ao ver uma garota que até aquele momento desconhecia, e o problema é que eu conhecia todos naquela escola. Ela estava com uma regata por cima de calças jeans apertadas e claras que contrastavam com suas botas, de cano alto e escuras, e o cabelo preso em um apertado rabo de cavalo de onde cachos loiros pendiam. Fitou-me com saltados olhos verdes assustados, por de trás de seus óculos de armação preta e quadrada, e deixou cair um CD de suas mãos. Ao observa-la melhor tive certeza que nunca a havia visto por ali, pois ela é o tipo de garota bonita que todos notavam mesmo com aquele rosto delicado que exalava inocência.
Apenas fiquei parada esperando uma explicação, se passaram alguns minutos enquanto ela continuava paralisada a me observar assim como eu o fazia, então limpei a garganta a fazendo sair do transe que a impedia de falar. Notei que suas bochechas ruborizaram assim que ela sacudiu ligeiramente a cabeça tentando voltar para aquele momento e voltou seus olhos para mim novamente.
— Ah...ah... eu... – Ela gagueja e se abaixa para pegar o CD desajeitadamente – Me desculpa, eu não sei se tem uma forma para se agir aqui…- Agarota finalmente diz ao se levantar- É que só me falaram qual seriam meu quarto e achei melhor já trazer minhas coisas para cá. Já tinham montado meus móveis e... – Ela fala totalmente sem jeito como se estivesse fazendo algo que não deveria sem saber.
Pelo sotaque percebi que não é britânica.
Olhei envolta de onde ela estava, que era o lado do quarto de Liz, e já tinha uma cama nova montada e a porta do closet estava aberta e cheia de roupas, havia algumas caixas encostadas na parede debaixo de uma das janelas e vários CDs espalhados pela cama.
Respirei fundo tentando não me lembrar de como era antes. Olhei para ela, desfazendo minha carranca, e agora a garota tentava abrir um sorriso simpático, porém tenso, com os lábios rosados e finos, mesmo que desse para ver que continuava sem o menor jeito.
— Devem ter se esquecido de me informar que você chegaria. Esse colégio está cada vez mais decadente. – Digo com um certo desprezo, sem ligar para seu esforço para tentar ser simpática.
Sua mandíbula se tenciona levemente ao notar que sua presença não me agradava muito.
— Espero que por você tudo bem, eu estar aqui.
Dei de ombros e fui até a escrivaninha, que fica embaixo da minha janela, pegando meu trabalho na terceira gaveta e deixando meu livro ali.
— A propósito, – A loira se pronunciou quando eu já estava saindo do quarto – meu nome é Emma. Emma Swan.
— Regina Mills. – Falei por educação, voltando a minha trajetória em direção ao corredor.
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde iria acabar surgindo uma companheira de quarto, mas tinha que ser logo uma garota que tinha a maior cara de bagunceira e estabanada?
— Ah... Regina?
Fechei os olhos e suspirei, ainda de costas, ao ouvir a voz da garota me chamar hesitantemente. Viro-me sem a menor vontade de ficar batendo papo com a novata e a vejo me olhando só com a cabeça para fora do quarto.
— Olha, eu preciso ir porque o sinal já vai bater. — Falo sem paciência.
Se eu me atrasasse mais uma vez acabaria tendo de ouvir outro sermão da senhorita Rose e acabar tendo de fazer algum trabalho extra, ridiculamente grande.
— É que eu preciso ir na secretaria do bloco D para pegar minha carga horária e eu não faço a mínima ideia de como chegar lá.
Era nítido em seu rosto de que ela não me falaria aquilo se eu não fosse a única opção e quem dera eu não fosse.
O colégio é dividido em sete blocos:
O bloco A, do lado dos portões de entrada, onde fica o estacionamento, um prédio com a sala dos professores e a do diretor.
O bloco B, mais adiante, onde ficam os refeitórios (três para que possa atender todos os alunos) e que ficam em volta do pátio principal.
O bloco C, a esquerda do bloco B, onde fica um prédio com a biblioteca, as salas de estudo em grupo e individuais e três clubes: o de literatura inglesa, o de literatura russa e o de debate.
O bloco D, que fica à direita do C, onde fica a secretaria e a sala da psicóloga.
O bloco E, é atrás do D, onde estão quatro prédios que são os dormitórios (dois para meninas e dois para meninos).
O bloco F, é mais afastado, é o prédio onde temos as aulas obrigatórias e do lado tem uma sala extra onde se encontra o clube de música.
E por fim o bloco G, que fica ao lado do F, onde se encontra o campo de futebol, a quadra de futsal e basquete, o campo de hipismo, a piscina do clube de natação e a academia.
Emma continuava observando minha reação com aqueles olhos verdes pidões, que pareciam ficar maiores por conta das lentes dos óculos, como se mesmo esperando um não tivesse a esperança de eu concordar em ajuda-la.
Suspirei revirando os olhos, pois eu provavelmente chegaria atrasada.
— Anda rápido porque se eu não entrar na aula e a professora não receber meu trabalho você será uma garota morta. – Falei estreitando os olhos, e notei um sorrisinho surgir no canto de seus lábios.
Virei-me ouvindo a colocar as caixas para dentro do quarto, trancar a porta e chegar ao meu lado segundos depois. Logo, estamos as duas andando em passos apressados em direção a secretaria. Não pude deixar de notar o cheiro de baunilha que exalava dela e parecia inebriar tudo em volta.
— Você gosta de ler? — Ela perguntou, depois de alguns minutos de silêncio.
— Bastante.
Restringi-me a dizer.
— Hum. – Murmura ela — Eu vi aquele tanto de prateleiras cheias de livros no quarto, mas não entendo porque aquilo se pelo que fiquei sabendo aqui tem uma biblioteca enorme.
— Você é sempre tão enxerida? — Pergunto e ela abaixa a cabeça ficando calada. Pude sentir que se corpo se retesou ao meu lado e voltou a sentir-se desconfortável.
Arrependi-me na mesma hora das palavras que saíram como um tiro de minha boca, mas era tarde demais para engoli-las de volta.
Tudo bem, eu posso estar meio estressada por ela estar no lugar que era da Liz e estar descontando nela uma coisa que ela nem mesmo fez, Emma não tem culpa do que aconteceu. Podia parecer estabanada, porém estava tentando ser legal e eu não estava ajudando em nada, na adaptação dela na escola nova, nos primeiros vinte minutos no qual passamos juntas.
Ia me desculpar, mas quando vi havíamos chegado na frente da secretaria e ela agradeceu baixinho, quase com um suspiro, indo em passos mais rápidos para dentro do local. Quase fui atrás dela, mas na mesma hora o sinal bateu e em instantes um amontoado de alunos passava por mim em direção ao bloco F.
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