Notas iniciais
Oie, amores! Como vão? Quero muito agradecer por todos os comentários, ainda mais no começo, e boa leitura!

Acabei por me juntar a massa de pessoas e fui apressada até meu armário, peguei meu material e me dirigi a terceira sala do segundo andar para uma das minhas aulas preferidas, filosofia. Apesar de a professora acabar tirando um pouco do encanto da matéria que tanto gosto.

Entrei na sala, ainda com poucos alunos, e me sentei no meu lugar de costume, na frente e ao lado da janela. Depois de me sentar, descansei o queixo na mão em que meu cotovelo apoiava na mesa e observei o bosque através da janela que me fazia lembrar o porquê de me sentar ali.

Bom, digamos que Elizabeth não era um exemplo de comportamento em sala de aula e por isso constantemente era convidada a se retirar da sala. Como não fazíamos essa aula juntas ela ia até o bosque e dava um jeito de chamar minha atenção para que eu fosse ficar com ela. Por mais que eu tentasse me concentrar na aula ela arranjava uma forma de atrair meus olhos até o bosque e fazia gracinhas até que eu me rendesse e inventasse alguma desculpa para que a Rose, a professora, me deixasse sair da aula. Acredito que por isso ela não simpatize tanto comigo, mesmo que minhas notas em sua matéria não deixem a desejar.

“Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência. ”

—Eu me chamo Antônio.

Um suspiro angustiado fugiu de meus lábios quando meus olhos começaram a marejar por me lembrar dela. Pisquei os olhos rapidamente para impedir as lagrimas de se formarem e foquei minha atenção na porta onde a professora entrava.

Mais uma vez, como vem ocorrendo há semanas, não consegui me concentrar em nada do que era dito. Minha mente parecia que girava e girava em torno de lembranças que pareciam nunca quere me deixar. Durante toda a aula foram lembranças e mais lembranças até que de alguma forma meu pensamento foi parar em Emma.

Seu nome saiu como um sussurro de minha boca e no mesmo instante a mochila de alguém bateu bruscamente em meu braço. Levei um susto, seguido de um pedido de desculpas, sem jeito, vindo de Mary Margaret, uma garota baixinha e de cabelos curtos e negros que basicamente só tinha olhos para seu namorado David que é líder do time de futebol. Bufei sem falar nada e observei que todos já saiam da sala, a aula havia acabado e eu nem ao menos percebi.

Recolhi minhas coisas, me esquecendo sobre o que ocupava minha mente poucos minutos atrás, e fui ao meu armário deixar o que não precisava mais e pegar os outros livros.

Logo depois, fui para a aula de álgebra na qual me obriguei a prestar atenção por não me dar muito bem com números.

O dia passou e, depois de mais duas aulas, finalmente me vi indo exausta para o dormitório.

— Gina!

Virei-me ainda no hall de entrada dos dormitórios e vi minha irmã correndo até mim.

— Oi, tudo bem? – Perguntei dando um beijo em sua bochecha quando se aproximou.

— Sim e com você? Não te achei no intervalo, fiquei preocupada.

Zelena sempre foi protetora, mas parecia estar ainda mais desde que tudo aconteceu e para mim era reconfortante pois sentia que era a única pessoa que realmente se importava com meu bem-estar.

— Está tudo bem, só fiquei meio detraída e quando vi já tinha que ir para a aula de inglês.

Zelena suspirou.

— Você anda sempre distraída ultimamente, mas sei que não gosta que eu toque no assunto, então vou direto ao ponto. Hoje tem a sessão de cinema semanal no auditório depois do jantar. Você vai, não é?

Foi minha vez de suspirar.

— Tenho mesmo? Estou exausta e tenho que estudar álgebra, você sabe que números são meus inimigos. – Choraminguei.

— Não venha com essas desculpas, eu sei que você vai ficar lendo algum romance até cair no sono.

— Está bem, vou pensar e qualquer coisa te aviso. – Falei cruzando os braços contando com que ela se contentasse com um “talvez”.

Ela se animou com a ideia de me tirar um pouco de dentro dos livros, como ela mesma diz, e me deu um beijo na bochecha se despedindo e indo até algumas meninas que entraram conversando.

Voltei ao me caminho para o quarto. Quando destranquei a porta fui praticamente rastejando até a cama onde me joguei e fiquei por alguns minutos até que ouvi uma voz baixinha murmurando alguma coisa e me lembrei da minha nova colega de quarto.

Virei-me de barriga para cima e me sentei, teria de me desculpar. Não queria fazê-la se sentir mal. Assim que me ajeitei, a peguei sentada na cadeira de sua escrivaninha de olhos fechados e com fones no ouvido, gesticulando as mãos e os braços como se estivesse tocando violino enquanto murmurava algo que deduzi ser uma canção.

Apesar de achar estranho por só vivenciar pessoas tocando violinos em sinfonias e sem canto, era formidável a forma graciosa como ela movia seus lábios e em como se mexiam de acordo com a rapidez de seus movimentos. Ela parecia tão concentrada que uma ruguinha se destacava entre suas sobrancelhas que pareciam se juntar involuntariamente.

Após alguns minutos ela abriu os olhos me flagrando a observando, imediatamente desviei os olhos e desfiz um esboço de sorriso que despontava no canto direito de minha boca. Ajeite-me em meu lugar e limpei a garganta enquanto ela tirava os fones de forma apressada e tentava não me olhar.

— Te incomodei de alguma forma dessa vez? – Ela perguntou baixinho e com ironia, passando o dedo pela tela do celular e arrumando os óculos em seu nariz.

— Na verdade, eu achei adorável.

No momento em que me pronunciei ela levantou os olhos espantada pela forma com que falei. Não a culpo, para falar a verdade, acredito que seja a primeira vez que dirijo a palavra a ela sem um tom rude ou com ironia.

— Como é? – Ela questiona ainda me fitando.

— Desculpe, eu... eu não deveria ter falado da forma que falei com você mais cedo. Eu ando meio estressada com algumas coisas e realmente não deveria ter descontado em você. – Digo.

Abaixei os olhos e ficamos em silêncio por alguns instantes, não conseguia ver sua expressão, mas estava um pouco ansiosa pois ela não dizia nada, até que:

— Eu sou um pouco curiosa sim, mas intrometida creio que não!

Levantei um olhar confuso sem entender o que aquilo tinha a ver.

— Perdão?

— Estou respondendo sua pergunta de hoje cedo, você me perguntou se eu sou sempre intrometida. – Ela disse com um olhar um tanto divertido.

Emma estava tentando descontrair o clima entre nós e mostrar que aceitou minhas desculpas.

— Eu não quis dizer aquilo... – Falo ainda apreensiva.

— Ah... você quis sim, — Emma dispara com um tom provocativo na voz – mas não a culpo. Sou praticamente uma intrusa nesse quarto totalmente organizado e por fala nisso queria saber como você faz para deixa-lo assim porque por mais que eu tente, mais cedo ou mais tarde, acabo presa em alguma pilha de bagunça.

Um riso abafado escapa de mim ao ver a forma divertida de como ela fala de si mesma.

— Só espero que essa bagunça fique do seu lado do quarto, caso o contrário, teremos problemas com uma tesoura eu e seus lindos cachinhos de ouro. – Disse entrando em sua onda.

— Você não ousaria. – Ela retrucou abrindo a boca e puxando ar por ela e forma indignada.

— Pague para ver então. – Provoquei estreitando os olhos que fez a loira abrir um sorriso quase sapeca.

Nós olhamos por alguns segundos até que eu abaixo a cabeça olhando para minhas mãos e limpo a garganta.

— E então, o que era aquilo que você estava fazendo? Você toca algum instrumento? – Perguntei voltando a olhar para ela que se levantou da cadeira e foi até sua cama.

— Creio que não sou a única curiosa. – Ela disse se sentando na cama e cruzando as pernas – Relaxa, estou brincando. – Emma completa ao notar minha expressão receosa – Eu estava meio que praticando, mas sem o instrumento. Minha avó disse que aqui tem os melhores e que eu não precisava trazer nenhum dos meus instrumentos.

Deu de ombros.

— Nenhum dos?

Cruzo as pernas ficando da mesma forma que ela, sentadas no meio da cama, uma de frente para a outra.

— Sim! Eu toco violino, piano, clarinete, canto um pouco e também estou aprendendo a tocar um pouco de baixo.

— Uau! Impressionante para uma garota que se perde em sua própria bagunça.

Uma gargalhada disparou de Emma e não pude conter um sorriso contido que tomou minhas bochechas. De alguma forma senti que aquilo estava indo além do planejado, então meu sorriso se desfez e me levantei da cama indo ao meu armário.

Emma estranhou a súbita mudança e perguntou o que eu estava fazendo. Respondi que ia tomar banho já pegando minha toalha em um gancho na parede, meu kit de banho e saindo.

Desço até o primeiro andar, onde ficam os banheiros. Aqui um andar inteiro é só para os banheiros pois são diferentes dos demais lugares. Apesar de serem para todas as garotas desse dormitório, quando se entra há várias portas do lado direito e em cada uma há um espaço para se trocar e um boxe para o chuveiro, são privativos. Já os sanitários ficam do outro lado em cabines normais.

Entro em uma das portas, tiro minhas roupas pendurando-as nos ganchos da área fora do box, entro debaixo do chuveiro e solto um longo suspiro ao sentir a água morna sobre meus ombros e escorrer por minhas costas.

Aquele definitivamente foi um dia cheio de surpresas. Não que uma garota nova seja a coisa mais emocionante do mundo, mas é o maior agito em minha vida, no último mês, que praticamente tinha vivido no modo automático.

Eu tenho de lembra que ela é só uma colega de quarto, vou conviver como convivo com o resto dos aluno nos últimos dois anos: Evitando conversas prolongadas e olhando com tédio. Sei que tenho que me abster a isso, mas não posso negar que ela me fez ter vontade de sorrir.

Sim, sorrir, uma ação tão simples, mas que parece não fazer parte de mim a mais de um mês.

Notas finais
Espero que tenham gostado! O que acharam?