Te amar não estava nos meus planos
17 Incontroláveis.
Eduardo
— Então quer dizer que você está amolecendo pra gatinha. — Ícaro zoou com malícia na voz, a única reação que tive foi jogar um travesseiro nele. Para que calasse a boca, por mais que estivesse certo. — Tá, parei mané. Mas esse papo que ela é parecida com tua ex, é verdade? — Indagou curioso.
— Não. São completamente diferentes. Até um cego conseguiria diferenciá-las, são opostas. Depois que você conhece cada uma você percebe imediatamente. — Respondi deitando-me na minha cama, peguei outro travesseiro pra por debaixo da cabeça. Encarei a parede de cor pálida e pude relembrar a fisionomia e as palavras de Maggie. — Maggie era sedutora, ambiciosa, confiante. Acho que isso que me atraiu a ela, primeiramente. Ela sabia fazer o jogo dela e sempre ganhava. Perto dela, eu, Bruno, ou qualquer outro garoto éramos praticamente amadores. — Confessei mesmo sabendo que era difícil falar dessas coisas.
— Me lembro um pouco dela. Pude estar com ela poucas vezes, mas na maiori, me sentia intimidado com aquele excesso de silicone. — Quando terminou de falar, não aguentei e ri. Sentei-me na cama e ergui uma sobrancelha, perguntando-me se de repente Ícaro deixava-se intimidar por algo.
— Virou veado agora, é? — Zoei dando outra risada, ele riu. — E não era silicone. Era natural, cara. O negócio é que ela sabia usar o corpo ao seu favor, claro que não era só isso. Mas a principio, sim. — Confessei, lembrando-me de seus traços femininos totalmente desenhados.
Seu perfume sempre era o mesmo, que exalava um tom instigante. Seus olhos combinavam perfeitamente com sua boca carnuda encharcada de batom avermelhado, seu símbolo. Era muito raro vê-la sem seus lábios estarem vermelhos. Deixava-a totalmente sexy, exuberante. Não era exagerado, pelo contrário, parecia acordar com aquele tom. Seus cabelos caiam longos e cheio de ondas caiam até a sua cintura, tampando suas costas. Mas isso nunca pareceu problema para ela, quando usava seus vestidos deixando a costa nua, prendia os cabelos jogando os fios para um dos ombros deixando sempre suas pernas bem torneadas à mostra.
Porém, a beleza acabava ai, custei a perceber que ao contrário do exterior, seu verdadeiro eu era totalmente desprezível, medíocre, por mais que insistisse amar alguém. Amava apenas uma pessoa: Si mesma. E ainda perguntava-me como fui capaz de amá-la mais do que a mim mesmo e praticamente entregar-lhe o mundo.
— Foi mal, cara, tinha esquecido como relembrar essas coisas te deixa deprimido. Não queria que... — Interrompi ele.
— Estou bem. Não tem com o que se preocupar. — Inesperadamente, não havia tant mentira em minhas palavras. Isso me fez sorrir.
— Se você diz... — Ele riu, olhando-me maliciosamente mais uma vez. Ligou meu computador e entrou na sua conta do facebook. — Então, se são opostas, a tal Antônia é feia que dói? — Perguntou totalmente interessado.
— Não acredito que você vai me obrigar a responder isso. — Balancei a cabeça, inconformado. Ícaro girou a cadeira, fitando de frente a mim. — Já que não tem outro jeito, né. — Murmurei.
— Vai logo, veado.— Reclamou.
— Não quis dizer que ela seja feia. Pelo contrário. Eu não sei como explicar pra você conhecendo tão pouco a garota que conheci alguns dias atrás. — Dei uma breve pausa, dessa vez limpando minha mente de passado ruim e pensamentos imundos. Pude imaginar Antônia em minha frente — Posso dizer que os gestos dela são mais delicados e ingênuos. Seu sorriso, embora ainda seja totalmente incógnito para mim, transmite paz e sensações agradavéis. Isso não quer dizer que seja boba, porém não há tanta malícia, e em seus atos, não há segundas intenções. Não a principio. Parece que ela não percebe a beleza que tem, entende? Infelizmente, sua segurança em si mesma é mínima. E isso a faz ser, de certa forma, frágil e insegura. — Finalizei terminando de imaginá-la com seu típico sorriso aberto no rosto, um sorriso sincero, cheio de alegria e vontade. Isso me instigava. O mesmo sorriso que me trazia paz, e de alguma forma, fazia com que eu quase esquecesse o meu nome. Quase. Apenas lembrava que começava com E.
Antônia
Eu estava chegando ao colégio ao lado dos meus amigos quando eu vi Eduardo vindo também. Eu sorri pra ele. Quando virei o rosto, pude ver Bruno vindo na outra direção ao lado da Jéssica e de um outro garoto. Revirei aos olhos ao perceber como ela sentia-se a única que Bruno come. Sendo que, pelo que eu vi, ele ainda sentia muito a falta da tal Margareth. E isso me entristeceu tanto que no dia seguinte quando cheguei em casa derramei lágrimas. Porém, felizmente, eu já estava recuperada e pelo que eu entendi eu não tinha mais problemas com ela. Estava morta.
Foi rápido, quando eu olhei, os dois estavam frente a frente. Isso daria merda, com certeza. Bruno riu ironicamente quando viu seu antigo amigo à sua frente. Praticamente todos os alunos pararam curiosos para ver o que aconteceria. Aquele era o momento que, infelizmente, eu não queria presenciar. Não queria que acontecesse, embora fosse inevitável.
— Ora, ora. Olha quem está aqui! — Bruno debochou sorrindo para Eduardo. Que este, estava com uma expressão séria, mas nada calma. Desci minha atenção pras mãos dele e pude ver elas fechadas, como se ele estivesse se segurando para não cometer nenhum ato de loucura.
Eu sentia que tinha que fazer alguma coisa. Mas o que eu faria? O encontro que todos estavam esperando estava acontecendo ali na minha frente e eu nada poderia fazer, a não ser ver duas pessoas que eu gosto trocando farpas
Formou-se uma rodinha em volta deles, e Bianca sussurrou um fudeu perto do meu ouvido. E eu e Gabriel tivemos que concordar com ela.
— Por que você não cala a sua boca? Será o melhor pra nós dois, tenha certeza disso! — Eduardo dizia entre os dentes. Estava vísivel sua tentativa para controlar-se. Entretanto estava bem perto da perda da razão.
— Não, eu tenho que falar! — Bruno gritou, como se estivesse pela primeira vez desabafando. — Por sua causa eu estou assim, idiota! Por sua causa, você sabe que é um assassino! — Gritava ainda. Quando ouvi a última palavra um arrepio percorreu todo o meu corpo, deixando-me em choque. Eduardo enfureceu-se mais ainda, embora os pés não se movessem. E se ao menos tivesse se defendido da acusação, se ao menos tivesse negado eu estaria mais tranquila. Estava confusa sobre o que ''conversavam'', assim como todos.
— Você que foi o traidor, não suportou saber que ela estava feliz com outro muito melhor que você! — Eduardo respondeu, mais uma vez.
Essa frase foi o estopim para o pior acontecer.
Bruno correu até ele e seu primeiro ato foi dar um soco na cara do ex-amigo. Eduardo passou a mão pelo rosto, provavelmente sentido as consequências de um belo soco. Balançou a cabeça negativamente como se desistisse da tentativa de se manter controlado, perdendo o pouco da boa vontade que tinha, e partiu pra cima dele.
E pronto, a briga estava acontecendo.
Ninguém ousava ir até eles separá-los. A sorte era que estavam brigando fora da escola, só que mesmo assim não mudaria muito a punição caso algum monitor da escola visse.
— Você é quem acha isso! Quando ela estava na cama comigo, namorando com você, era por mim que dizia estar apaixonada, e com quem fodia melhor! — Bruno provocou com um sorriso malicioso no rosto quando levou um soco do Eduardo. Que parecia estar agora possuído. Bruno caiu no chão enquanto Eduardo o socava e lhe dava chutes, eu estava desesperada. Não conseguia ver Bruno daquele jeito, quase perdendo a luta. Mas não queria que Eduardo também estivesse naquela situação.
Merda! Os dois se matariam caso nada fosse feito!
Bruno puxou a perna de Eduardo fazendo-o cair, recuperou as forças e o encarou, prendendo seus braços e suas pernas, impedindo-o de se mover ou machucá-lo mais uma vez. A boca de Bruno estava cheia de sangue, assim como tinha uns arranhados e machucados pelos braços e pelo rosto. Encarou Eduardo por alguns segundos e depois cuspiu no ex-amigo. Deixando-o ali e partiu de volta para casa. Eduardo tentou correr atrás dele ainda alterado, porém alguém o segurou impedindo a continuação da briga. Uma pessoa não foi suficiente para segurá-lo, por isso mais um cara aproximou-se segurando-o pelo outro braços. Aos poucos a respiração ofegante de Eduardo ia voltando ao normal diferente dos seus machucados que permaciam intactos pelo rosto e braços. Sua blusa de uniforme estava rasgada, e naquele momento, pensei que estava na hora de eu devolver o uniforme dele que estava lá em casa.
Mas, neste momento, a blusa não era importante. Era completamente supérflua, ao contrário dos machucados de Eduardo que, não sei como, eram menores e menos feios que os de Bruno.
Corri até a esquina da rua da escola e não consegui chegar até Bruno, que estava indo embora ainda com a respiração ofegante e seus olhos ainda cintilavam raiva e adrenalina. Tentei me aproximar, mas não conseguia. Tinha algo que sempre me parava no meio do caminho. Eu não sabia dizer. Virei-me e pude ver Eduardo ser levado até a direção pelo inspetor que fez a roda de alunos acabar.
Porque tinham que aparecer logo quando já tinha acabado o espetáculo? Quando duas pessoas que eu gostava se machucaram dessa forma? Ferindo muito mais do que o corpo um do outro, mas sim o pouco que restava da paz. Eles eram idiotas, idiotas por em vez de seguirem em frente, continuarem a agir como duas crianças.
Entrei no colégio e em vez de ir para a minha sala, caminhei pelo outro corredor que me levaria até a direção. O garoto machucado e com os olhos caídos estava sentado ali esperando a diretora o chamar, provavelmente. Encostei-me na parede impedindo que ele me visse e pude observá-lo. Ele abaixou a cabeça e colocou as mãos sobre ela, escondendo seu rosto. Suspirou e parecia abalado.
Isso deixou-me sem ação.
Lembrei-me dos insultos vindos do Bruno e percebi que tudo isso só poderia ser por causa de uma mulher. Isso tudo se tratava de uma briga por essa garota. Que mesmo depois de morta, ainda mexia com a consciência dos dois. De repente um ódio dessa garota me veio por fazer com que dois caras que eu gostava se odiassem.
Ao contrário do Bruno, tinha algo que me fazia querer me aproximar do Eduardo. Acho que porque com ele era menos pressão, não tinha aquele negócio de querer parecer interessante ou legal, Eduardo já me conhecia do jeito que eu sou, mesmo que em pouco tempo. Isso me fazia sentir mais segura. Dei passos cautelosos até ele, para que não percebesse minha presença e sentei-me ao seu lado. Respirei funto e encostei minha mão na sua perna. Ao sentir meu toque delicado, de repente, ele levantou a cabeça. Ao me ver, suspirou e fechou os olhos.
— Fica calmo, sou eu. — Sussurrei tranquilamente, com um leve sorriso no rosto. Ele encarou-me profundamente.
— Justamente por isso não tem como eu ficar calmo. — Eduardo retrucou. Deixando-me incontestavelmente tonta.
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