Te Espero a Ti
4 Capitulo 4
Notas iniciais
— Olá Quinn! — diz uma Rachel entusiasmada do outro lado da linha. Quinn está sentada no seu atelier e recosta-se com um sorriso gigante na cadeira.
— Olá Rach! Como estás?
— Bem e tu? Liguei para saber se está tudo bem.
— Eu estou óptima e tu?
— Também. Na mesma vida de sempre.
— Já pensaste onde queres ir da próxima vez?
— Na realidade estava a pensar se não querias vir ver a minha peça. — disse ela envergonhada.
— Quero sim. — respondeu Quinn simpática e com vontade real de a ir ver de novo. — De Quinta a Domingo não é?
— Sim. Como sabes?
— Li algures.
— Pois, é verdade, esqueço-me sempre. — ri-se ela, mas percebe que Quinn está incómoda do outro lado. — Estás bem?
— Vais chatear-te comigo, mas se te sou honesta prefiro contar pelo telefone porque tenho vergonha de dizer ao vivo.
— O que foi?
— Eu já fui ver a tua peça. 2 vezes na realidade. — Rachel surpreendeu-se e sentiu-se feliz mas desiludida.
— E não disseste nada? — perguntou baixinho e Quinn percebeu essa desilusão.
— Foi quando cheguei a NY. Desculpa Rachel, não interpretes mal, é que eu não sabia como aparecer tantos anos depois. Não tive coragem.
— Que disparate Quinn, até parece que eu mordo.
— Não, mas eu mordia no ensino médio.
— Nós resolvemos isso, e éramos amigas.
— Eu sei, desculpa. — pediu ela com muita sinceridade.
— Mas se já viste, então se calhar não queres...
— Claro que quero! — disse Quinn rapidamente. — Podes contar comigo na próxima Quinta.
— Ok. Eu vou reservar-te o melhor sitio.
— Entretanto queria convidar-te para outra coisa, mas não é bem o teu género aviso já. — Rachel sorriu só com pensar que Quinn a ia convidar para o que fosse.
— Falei-te naquele bar que frequento, eles têm música ao vivo na quarta-feira e o ambiente é menos... explicito. — disse ela a rir-se. — Achas que gostavas de ir lá beber um copo? — Rachel ficou entusiasmada no momento.
— Claro que sim Quinn! Amanhã é Quarta.
— Sim, exacto. Amanhã seria um dia bom.
— Está combinado por mim. — diz a morena feliz.
— Rachel... — acrescentou uma Quinn sem jeito. — É um bar gay.
— Quinn, quando saio à noite é quando vem a San ou o Kurt... queres mesmo falar sobre isso?! — e riu-se divertida dando a entender que está mais do que habituada ao ambiente.
— Ok. Perfeito então.
—x-
— Podes parar quieta? Estás a enervar-me! — disse Olivia ao ver Quinn constantemente a olhar para a porta do bar.
A arquitecta estava sentada ao balcão com Olivia da parte de dentro a ajudar Rosa. Quinn estava nervosa com a chegada de Rachel e notava-se muito na sua expressão corporal. Quando a actriz entrou pela porta do bar com um vestido curto preto e aquelas pernas estonteantes que sempre a caracterizaram, não foi só Quinn quem babou a olhar para ela, Rosa sorriu provocadora e Olivia disse descaradamente "já percebi!". Quinn acordou para a vida com o comentário da amiga e levantou-se para ir buscar Rachel à porta. O risco de que alguém se aproximasse era grande, dado que além de uma conhecida actriz da Broadway, Rachel era a mulher mais bonita que tinha entrado no bar naquele dia.
— Rachel. — disse Quinn enquanto lhe dava um abraço em tom de cumprimento. Levou-a para o balcão e apresentou-a a Rosa e Olivia.
— Finalmente temos o prazer de te conhecer. — Disse Olivia divertida despertando em Quinn um medo profundo do que pudesse sair por aquela boca. Aquela espanhola era danada para a provocação. — A Quinn contou-me que andaram juntas na escola.
— É verdade, e só com pensar que já passaram mais de 10 anos, sinto-me um bocadinho deprimida.
— Sim, imenso tempo. — disse Quinn tentando reverter a situação.
— Imagino que ela fosse insuportável. Se agora já é. — Quinn lançou descaradamente o pousa copos em direcção a Olivia e esta gargalhou.
— Não diria insuportável... — começou Rachel sem saber como explicar o que queria, mas sorrindo malandra. — ... eu tinha de levar uma muda de roupa todos os dias por culpa dela. — disse ela convencida de que tinha arranjado a melhor maneira de se expressar, mas percebeu rapidamente que não quando viu Quinn apontar na direcção de Olivia com um olhar ameaçador, proibindo a espanhola de fazer uma piada daquilo. Rachel contrariamente ao esperado riu-se à gargalhada e Olivia ficou surpreendida. — Certo! Não foi a melhor maneira de dizer que ela me despejava Slushies na cara todos os dias e me sujava dos pés à cabeça, porque como vês, não é difícil pela minha altura.
— Gosto dela! — disse Olivia para Quinn como se Rachel não estivesse ali. Quinn revirou os olhos. — Mas ao menos ela ajudava-te a mudar de roupa? — perguntou a espanhola em tom mais baixo e debruçando-se sobre o balcão para falar com Rachel. Ela voltou a rir-se, contra todas as previsões de Quinn.
— Achas?! O orgulho dela era o que lhe valia naquela altura. — disse a morena aproximando-se de Olivia no mesmo tom. A mulher riu-se com muita vontade, mas o seu riso cessou quando viu Emma aproximar-se pelas costas de Quinn e fazer exactamente a mesma abordagem do outro dia. A mulher agarrou-a por trás e disse-lhe ao ouvido o que pretendia dela.
— Então hoje já é um melhor dia? — Rachel sentiu-se incómoda com a situação, mas Quinn sentiu que o mundo estava a abaná-la com tanta força que quando abriu a boca para responder a Emma, não saiu som. Olivia salvou o momento com muita perspicácia.
— Ainda bem que chegaste Emma. Estava mesmo à tua espera. — a mulher olhou para Olivia sem entender. — Chegou-me uma encomenda que quero que vejas. Podes vir comigo à arrecadação por favor? — Emma estranhou tanto que largou Quinn de imediato curiosa por saber do que se tratava. A loira olhou para Olivia e mexeu os lábios com um "obrigada".
O ambiente tinha-se tornado pesado de repente, mas Quinn viu que Rachel só se sentiu envergonhada com a situação, não parecia chateada.
— Desculpa. — disse Quinn sem jeito.
— É sempre assim? — perguntou Rachel curiosa.
— Normalmente sim. — respondeu a arquitecta enquanto baixava a cabeça corada.
— Percebo porquê... só não achei que fosses tão receptiva. — e o desconforto estava só um bocadinho mais apurado no corpo de Quinn, mas ela acabou por o quebrar.
— Não devo nada a ninguém, sou uma mulher livre e descomprometida, não vejo porque deva contrariar as propostas.
— Claro. — respondeu Rachel não muito convencida e muito incómoda.
—x-
No fim da noite, Rachel estava contente por ter visto a actuação e por ter conhecido aquelas pessoas. O que a deixava mais contente era de certo a sua aproximação a Quinn depois de tantos anos, e descobrir uma pessoa diferente àquela que estava à espera.
Já da parte de fora do bar, Rachel olha para o letreiro e ri-se.
— Adoro o nome! — diz a morena a rir.
— Eu também. Farto-me de brincar com isso.
— Ideia da Olivia, aposto.
— Sim, a Rosa queria qualquer coisa com as iniciais delas, mas a Oly achou que não tinha "salero". — Rachel voltou a rir-se.
— Obrigada pelo convite Quinn, eu gostei mesmo muito da noite.
— Obrigada eu por aceitares. Fico feliz. É tudo gente meia doida, mas são boas pessoas.
— Eu adorei as tuas amigas.
— Eu acho que foi reciproco, aliás a Olivia então, não a vou aguentar o resto da noite até que lhe prometa que te trago cá de novo.
— Podes prometer. Se não te importares eu gostava muito de voltar.
— Claro que não Rachel. Sempre que quiseres. — disse ela como se se tratasse de uma coisa lógica. — Sinceramente achei que pudesses sentir-te desconfortável, mas já vi que não.
— Conforto é estar fechada em casa sem fazer nada, e estou tão farta dele! — disse a morena cansada. Quinn sorriu com carinho.
— Amanhã depois da peça vimos cá de novo. — Rachel rasgou um sorriso gigante.
— Combinado.
— Queres que te acompanhe a casa? — perguntou Quinn cordial.
— Não é preciso, o táxi deixa-me à porta. — Despediram-se com um abraço, e Rachel entrou no táxi com a promessa de que no dia seguinte se divertiria de novo.
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