Te Espero a Ti
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Passou 1 mês desde aquela primeira ida ao bar. Rachel tinha adorado a experiência e os encontros no local tinham-se tornado quase diários. A actriz já se movia perfeitamente no meio de Quinn e inclusive já tinha tido uma experiência com uma mulher que todos os dias frequentava o "Culpable". Chamava-se Johanna, mas não tinham passado de alguns beijos na pista de dança num dia em que a morena estava desinibida. Quinn não gostou de ver e preferiu ir embora mais cedo nesse dia, mas depois de perceber que não tinha passado disso esqueceu o assunto. Rachel tinha percebido que alguma coisa a incomodou e não voltou a fazê-lo, até porque nem tinha sido ela a ter iniciativa e sim Johanna. Quinn foi ver a peça de Rachel outra vez naquele mês, além do dia que tinham combinado inicialmente, e a actriz sentia-se muito mais feliz desde que Quinn tinha voltado a entrar na sua vida.
Estavam no bar, sentadas ao balcão a conversar com Olivia que já tinha um copinho a mais do normal e na sua percepção tinha de dar uma ajudinha àquela relação, que era óbvia para ela.
— Desafio-vos a uma ronda de Tequila! — disse a espanhola com um sorriso malandro.
— Tu não vais é beber mais nada. — disse Rosa muito alto lá do fundo do balcão.
— Como é? Aceitam? — pergunta Olivia a Quinn e Rachel ignorando a namorada.
— A Rosa tem razão. — responde Quinn.
— Eu não bebo mais. Mas eu estou a desafiar-vos uma contra a outra. — Rachel ri-se e Quinn diz que não com a cabeça. — Tens medo? — pergunta-lhe Olivia enquanto a provoca.
— Sabes bem que não, mas não gosto de entrar em batalhas com a certeza que ganho, não tem piada. — Rachel olhou para ela instintivamente com ar ofendido.
— Desculpa?!
— Não te ofendas Rachel, mas eu estou muito habituada a isto.
— Quinn Fabray, ninguém provoca o meu lado competitivo e vai embora. — responde a morena determinada. Quinn ri-se. — Sou eu quem te desafia a essa ronda, agora mesmo.
— Boa! — diz Olivia entusiasmada. — Sai 3 tequilas para cada!!!
Assim que Olivia meteu em cima da mesa os shots de tequila, as duas, como se não houvesse amanhã, egoliram-nos sem respirar. Rachel fechou os olhos com força entre eles, mas Quinn estava confortável.
— Manda vir mais três. — disse a morena confiante. Quinn autorizou Olivia.
— Vocês sabem que beber isso assim de repente não bate na hora, mas quando chegar ao estômago... não digam que não avisei. — acrescenta a espanhola em tom de advertência.
— Mexe-te! — disse Quinn com fé.
Ao oitavo shot, porque os beberam seguidos, estavam quase em coma alcoólico e Olivía não serviu mais nenhum. Meteu-as dentro de um táxi e deu a morada ao taxista. Quinn estava mais sóbria que Rachel, mas mesmo assim era certo que no dia a seguir lhes esperava uma dor de cabeça gigantesca e muito dificilmente se recordariam de alguma coisa que tivesse acontecido depois do 6º Shot.
E assim foi.
A luz do sol pela janela acordou Quinn que sentiu um peso de um corpo em cima de si. Não se preocupou porque aquele era o prato do dia nos últimos anos, só o fez quando percebeu que o corpo nu era de Rachel. Abriu os olhos de repente e o pânico bateu-lhe forte tal como a dor de cabeça que se fez sentir de imediato. Queixou-se instintivamente e Rachel sentiu-a mexer-se e acabou por perceber todo o panorama em que se encontravam. Quinn fechou os olhos com força, como se quisesse que fosse tudo um sonho, ou imaginação da sua cabeça.
— Desculpa. — disse a loira sem pensar.
— O quê? — perguntou Rachel envergonhada.
— Não me lembro de nada.
— Desculpa então. — Quinn olhou para ela com um olho aberto e o outro fechado. — Eu também não Quinn. E confesso que neste momento estou mais preocupada com a dor de cabeça que tenho.
— Sim. Chama-se ressaca. Vou fazer café. — disse a arquitecta enquanto saía com cuidado da cama, completamente nua, e Rachel corou ao olhar para ela.
Quinn vestiu umas cuecas e uma camisola com capuz, e antes de correr para a cozinha para tornar a situação menos incómoda, deixou um fato de treino encima da cama para a morena vestir. Rachel terminou por se levantar e vesti-lo agradecendo mentalmente que não fosse tão maior do que ela quanto podería ser.
Já sentadas no sofá, Quinn dá-lhe para a mão um café duplo e forte numa tentativa de curar a ressaca que as estava a controlar. Ambas beberam o café em silêncio e nenhuma sabia como cortar aquele silêncio incómodo. Mais incómodo para Rachel que era uma pessoa que gostava de falar e entusiasta, e foi exactamente esse o motivo pelo qual foi ela a quebrá-lo.
— Não é um problema Quinn. Eu não costumo fazer isto, aliás acho que nunca me aconteceu, mas está tudo bem. E para ti não deve ser um problema também, afinal estás habituada. — não o disse em tom ofensivo, mas Quinn sentiu uma pontada no estômago que a ofendeu um bocadinho.
— Não é tão normal para mim como pensas. Normalmente lembro-me.
— Desculpa, desculpa, não me mal interpretes, o que eu queria dizer era... — mas foi interrompida.
— Eu sei. Eu percebi Rachel. Está tudo bem. — e sorriu genuinamente.
— Sentes-te mal porque sou eu? — perguntou a morena com muito medo da resposta.
— Em que sentido?
— Não sou nenhuma daquelas mulheres estonteantes que se aproximam de ti todas as noites.
— Não és, de facto. Sinto-me mal porque és mais importante que elas para mim. Acho que te tenho respeito suficiente como para se tivesse que acontecer pelo menos lembrar-me. — Rachel sorriu com alguma tristeza. "Respeito" era uma palavra muito importante, mas ao mesmo tempo que desvalorizava imenso o que Rachel queria ouvir. Mas alguma vez Rachel Berry baixou a cabeça em situações dificeis? Nem quando era mal tratada no ensino médio, quanto mais em versão adulta.
— Agradeço por isso, sabes que é reciproco. Mas agora já está, e se queremos lembrar-nos é melhor não bebermos feitas loucas antes. — disse ela com um sorriso despachado. Quinn ficou pálida a olhar para ela e sem reacção e a morena percebeu e riu-se. — Não é para tanta preocupação. Mas confesso que tenho muita curiosidade para saber como foi, e como é. — e acaba por corar um pouco a dizê-lo. A arquitecta abre os olhos surpreendida. — Com a Johanna não senti que fosse natural, por isso não era capaz de seguir em frente com aquilo, mas sei lá... — e suspirou.
— Ainda bem. Não gosto da Johanna. — disse Qunn com segurança, embora aquilo não fosse verdade até ao dia em que a viu agarrar a morena na pista de dança. O desagrado dela notava-se na sua expressão, e sem perceber bem como, acabou por verbalizar o que estava pensar. – Se tens curiosidade é melhor que seja comigo, pelo menos eu sei que te respeito. — Rachel sorri automaticamente e Quinn cora porque percebe que o disse em voz alta. A morena dá conta que ela está envergonhada e desvaloriza o assunto para a ajudar.
— Como tu com a Santana?
— É uma boa comparação.
— Quando? — pergunta a morena.
— Quando quiseres. — responde Quinn com um sorriso torto.
Rachel leva as mãos à cara e tapa-a enquanto se ri com vergonha. Quinn acha tão fofo que lhe apetece agarrá-la, mas não o faz.
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