Tandem Felix
9 Felix est nomen eius
Notas iniciais
– Sabe que, agora, pensando bem, Jonathan, você não acha que os dois já namoravam desde aquela primeira vez que passamos o réveillon na casa da vó Pilar?
Jonathan riu. – Eh... Você acha? Maninho, pensando bem... Faz sentido!
– Sabe, eu acho que sim! Acho que eles não queriam contar pra ninguém, mas já estavam juntos!
– Não... Acho que não... Eu ainda vi meu pai sofrer depois do ano novo... Se bem que era principalmente por causa do meu avô! Mas, sabe que desde antes, quando eu ainda nem conhecia o Niko, a gente só tinha se falado por telefone e eu já percebia que rolava alguma coisa entre os dois...
– Eu lembro que o pai Félix vivia indo lá em casa... Lembro até que quando nosso irmãozinho foi sequestrado ele dormiu lá no sofá! Se bem que, aquele cara também dormiu...
– Que cara?
– Um que foi com meu pai Niko uma vez quando eu ainda vivia no abrigo! Acho que é o mesmo que o pai Félix chama de lacraia!
Os dois riram. – Ah sei... – Jonathan respondeu já sabendo de quem se tratava.
– Jonathan... Ele era alguma coisa do meu pai Niko, não era?
– É... bom, maninho, como já te disse, algumas coisas é melhor você perguntar a eles...
– Sei, eu vou perguntar a eles... Tem outras coisas também que eu quero saber! Eu só queria falar com você primeiro! Ah! Inclusive, eu queria te perguntar outra coisa...
– O quê?
– É que... – Ele pegou o casaco que usara outra noite e tirou algo de um dos bolsos. – Me deram isso! Eu ia dar pra eles, mas eu queria saber se você usa...
– Quem te deu isso? – Perguntou Jonathan surpreso.
– Foi na escola...
– Ah... Já sei... Eu lembro que recebi uma também! – Jonathan, então, pensou e riu. – Quer saber, Jayme, eu uso sim, claro, mas vai ser mais divertido se você perguntar ao nosso pai também...
– Por quê?
– Por que eu mostrei uma dessas pra ele quando eu tinha sua idade e quero só ver a cara dele agora...
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Enquanto isso, no quarto do casal...
– Desculpa, amor... Eu prometo que vou ficar mais atento! Mas, pensa bem, ela pode ter pensado que fechou a porta, mas não...
– Niko! Niko, por favor... Não seja burro! Para de tentar achar justificativa! Não sei por que você acha nessa sua cabecinha loira que aquela mulher é de confiança! Eu já disse, eu não confio nela! Se eu não soubesse exatamente o que você é, diria que você estava sentindo alguma coisa por ela, porque só sabe ver coisas boas, só a defende...
– Ai Félix, por favor, sabe muito bem que não tem nada a ver, que eu nunca gostei de mulher... Ai, como você é bobo! E ainda me chama de burro! Não acredito que você está com ciúme!
– Que ciúme o quê, Niko?! Se eu tivesse que ter ciúme de alguém eu teria mais ciúme daquele garçom magrelo do que de qualquer mulher! Faça-me o favor...
– Nisso você tem razão... Em parte... Porque sabe muito bem que não tem motivo pra sentir ciúme de quem quer seja, porque eu só amo você, sou louco por você!
– Hum... Eu sei... Eu me garanto... – Falou dengoso.
Niko sorriu e o abraçou encostando a cabeça em seu ombro. – Ai, ai Félix... Mas, tá bom... Digamos que ela tenha deixado a porta aberta de propósito... O que faria depois? O cofre fica trancado, com senha que só nós dois sabemos!
– Pois é... Não sei! Mas, poderia dar um jeito de arrombar, ou pior, fazer um de nós refém só pra falar a senha e levar tudo...
– Pra fazer isso ela teria que fazer parte de uma quadrilha!
– E porque não?! Eu não duvido de nada nesse mundo, carneirinho!
– Tá... – Niko sabia que tinha que se prevenir mais e dando razão ao marido, apenas disse: — Olha, amor, amanhã eu vou reclamar com ela por isso, tá! E, se eu notar que ela faz mais alguma coisa estranha ou suspeita, eu não a contrato, pronto! Está bem assim?!
– Está, carneirinho... Bom, mais ou menos né?! Por que... Infelizmente, se você ficar de novo sem assistente você vai voltar a ter trabalho demais e chegar cansado, enfim...
Niko riu. – É... Mas, podemos aproveitar agora já que eu estou ótimo e disposto... – Passou a mão em seu abdômen se aproximando de sua cueca.
– Hum... – Félix riu. – Disposto a quê?
– Ao que você quiser...
Félix riu. – Ai, parece que estou vivendo um déjà-vu! – Ambos riram. – Vai fazer o mesmo que ontem, carneirinho?!
– Talvez... – Ia pondo a mão dentro da cueca de Félix, mas tirou num movimento rápido voltando-se para ele, sentando em seu colo, ajoelhado, e passando as mãos em seu pescoço. – Ou talvez possamos fazer algo diferente...
– Hum... Algo diferente?! Como o quê, por exemplo?!
– A gente inventa...
Começaram a se beijar. Os beijos logo se tornaram mais vorazes. Apesar de Niko estar em seu colo, Félix foi se inclinando, até ambos deitarem. As pernas de Niko que estavam cada uma de um lado das pernas de Félix logo estavam enroscando sua cintura. Não paravam os beijos, rolando pela cama até quase caírem dela. Com a quase queda os dois começaram a rir, e entre risos e beijos Félix já tirava a camisa do seu carneirinho, única peça que faltava para ambos ficarem somente de cueca.
O clima começava a esquentar no quarto quando ouviram batidas na porta. Pararam e perguntaram ao mesmo tempo: — Quem é?!
– Sou eu... – Era Jayme. – Vocês já iam dormir?
– É... Já... Já, meu filho... – Respondeu Niko falando alto para ele ouvir lá de fora. – Por que, hein?! Precisa de alguma coisa?
– Não... Eu queria perguntar uma coisa, mas... Amanhã eu pergunto! Boa noite!
Então, Niko falou baixinho com o marido. – Ai Félix, acho que ele queria conversar com a gente, vamos ver o que ele quer...
– Mas, carneirinho...
– Félix!
– Tá bom, tá bom, vai lá! Sai de cima então, pra eu me recompor!
Niko gritou. – Jayme, meu filho, espera!
Do lado de fora, Jayme, percebendo que provavelmente havia interrompido alguma coisa, ficou sem jeito e perdeu a vontade de conversar naquele momento.
– Não, pai Niko, não é importante... Eu pergunto amanhã, é sério!
– Não filho, espera que eu já vou abrir!
Jayme já estava envergonhado, se perguntando: — Droga! Por que eu vim agora?
Niko rapidamente vestiu de novo a camisa que Félix havia acabado de tirar e a calça do pijama. Félix vestiu a parte de cima do pijama e puxou o edredom cobrindo-se até a cintura, como se já fosse dormir. O loiro foi abrir a porta.
– Oi, filho... Que foi?
Jayme estava com o mesmo casaco por cima do pijama que usara outra noite e com as mãos nos bolsos.
– É... Oi, pai Niko... – Notou a camisa do pai. – Pai... Sua camisa tá pelo avesso!
– Ai, minha nossa... Nem notei! – Niko deu um sorrisinho.
Jayme olhou de relance para dentro do quarto e acenou. – Oi, pai Félix!
Félix acenou de lá, mas o garoto notou que o impecável pai estava despenteado.
– É... Foi mal! Eu falo com vocês amanhã! Tchau!
– Espera, filho! – Niko pegou em seu braço. – O que está acontecendo? Tinha alguma coisa pra falar pra gente? – Niko percebeu que mesmo puxando-o pelo braço, Jayme não tirava as mãos dos bolsos por nada.
– Nada... Não era nada não!
– Você conversou com o Jonathan, Jayme? – Perguntou Félix da cama.
– Conversei... Eu... Eu perguntei umas coisas que eu queria saber, mas ele disse que tinha umas coisas que era melhor eu perguntar a vocês mesmo, então...
– Então, vem meu filho, entra, pergunta!
– Não... Deixa pra amanhã mesmo... Eu tô com sono!
– Verdade?
– É, verdade, pai... Que coisa! – Respondeu já meio contrariado.
– Tá bem! Então, boa noite, filho! A gente conversa amanhã, tá?!
– Sim... – Niko ouviu que Jayme apertou alguma coisa no bolso do casaco.
– Que é que você tem no bolso?
– Eu?! Nada! Tchau, pai Niko, pai Félix!
– Tchau, filho! – Respondeu Félix.
– Tchau, até amanhã! – Respondeu Niko dando-lhe um beijo na cabeça.
Enquanto Jayme voltava para seu quarto, Niko o observava do canto da porta. Ao entrar, falou preocupado:
– Félix... Esse menino está nos escondendo alguma coisa! – Disse trancando de novo a porta.
– O quê, carneirinho? Ele já não disse que vai falar conosco amanhã?! Vem, vem acabar o que a gente começou...
– Félix! Você só pensa nisso?! – O loiro foi voltando para a cama. – Olha, o Jayme estava escondendo alguma coisa no bolso do casaco...
– O quê?
– E como eu vou saber?!
– Hum! Quem mandou você dar pra ele um casaco igual a esses que você tanto gosta... É tão cheio de enchimento que mais um pouquinho daria pra usar como colete salva-vidas!
– Como você é exagerado...
– Não sou não! Pelo menos, esse dele é preto, bonito, parece de couro... Porque se você tivesse comprado pra o nosso filho um casaco prata, dourado, verde ou azul turquesa, eu nem sei o que teria feito!
– O quê? – Disse brincando. – Teria atirado o casaco na caçamba mais próxima?
Félix o olhou sério. – Agora você pegou pesado, Niko! Sinceramente... Eu, eu devo ter jogado lixo na manjedoura pra ser tratado assim...
– Ai Félix, assim como, amor?! Eu só fiz uma brincadeirinha...
– Brincadeirinha nada! Brincadeira não! Brincadeira é o que estávamos fazendo antes... Agora, foi muito sério... Você me magoou, carneirinho! – Félix deitou de costas.
– Ah, não acredito... – Niko balançava a cabeça, sorrindo. – Você está ficando mesmo muito sensível, como disse o Jonathan!
Félix deu de ombros e nada respondeu. Niko girou com os olhos e sorriu, tendo uma ideia. Tirou de novo a roupa, inclusive a cueca. Puxou o outro lado do edredom e deitou cobrindo-se com ele também. Chegou mais perto do marido até encostar seu corpo inteiro no dele. Então, sussurrou:
– Félix... Você não quer acabar o que começamos?
– Não quero nada! – Falou emburrado.
– Tem certeza? – Perguntou com a voz mais sensual ao seu ouvido.
– Tenho!
– Então, tá! Vou deitar e dormir! Com licença! – Niko virou de costas, mas continuou com todo seu corpo encostado ao dele. Sentiu que Félix mexeu os quadris querendo sentir seu corpo. Estava sorrindo com isso, era o que ele queria. Logo virou. – Ah, não consigo dormir... Preciso do meu travesseiro gigante!
Félix não segurou a pergunta: — Que travesseiro gigante, criatura?
– Ora... Meu travesseiro preferido! Aquele que eu adoro dormir agarradinho com ele! – Agarrou Félix abraçando-o forte, encaixando seu corpo ao dele. – Pronto, agora sim... Hum... Que travesseiro gostoso!
Félix entendeu o que seu carneirinho queria. Sorriu e entrou no jogo, não queria perder, afinal.
– Sabe que existem, hoje em dia, travesseiros cheios de truques, né carneirinho?! – Começaram a falar com a voz mais maliciosa.
– Sei...
– É, tem travesseiro que se adapta ao corpo... – Apertou os quadris contra os de Niko. – Tem travesseiros que se encaixam ao corpo, se é que me entende... – Niko deu uma risadinha.
– Sei Félix... Tem travesseiros que tem toque de seda... – Niko passou a mão em seu corpo por cima do robe de seda. – Tem travesseiros que são ultra flexíveis, se é que me entende... – Félix riu dessa vez.
– É, carneirinho... Mas, já ouviu falar em travesseiro vibratório?
– Vibratório? Esse nunca!
Félix finalmente virou pra ele. – Pois você vai conhecer agora!
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Longe dali...
– Muito bem, rapaziada... Tá combinado... É amanhã! Quero todo mundo aqui, essa hora...
– E não vai ter gente lá, chefe?
– Não... Fica relax! A Jéssica vai facilitar as coisas... Só vamo ter que abrir a porta principal, do nosso jeito...
– Será que tua mina vai mesmo colaborar?
– Vai, vai sim... Eu sei como convencê-la!
– Ainda tá usando aquela mesma história que você sabe onde tá o...
– Tô, tô sim! E pouco me importa se ela ainda acredita ou não, tá ligado?! Enquanto ela tiver me devendo vai fazer o que eu mandar! Então, galera, tamo junto! Amanhã, vamo comer no japonês!
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No dia seguinte...
– Ai, quase que eu acordava atrasado hoje de novo... – Apressava-se Niko para se arrumar.
– Calma, carneirinho, que hoje ainda dá tempo de você chegar na hora certa! Calma! – Falava Félix ainda embaixo do edredom. – E, lembre-se que você me prometeu que ia ter mais atenção...
– Eu vou ter, amor, não se preocupa, tá! Ah, e vê se você descobre o que o Jayme tem?!
– Mas, ele não já falou com o Jonathan ontem?
– Falou, Félix, mas ele estava escondendo alguma coisa no bolso daquele casaco quando veio falar com a gente... Aliás, lembra que ele estava usando esse mesmo casaco por cima do pijama naquele dia que foi até a varanda?
– Era mesmo...
– Será que ele já estava escondendo alguma coisa naquele dia e desistiu de nos mostrar ou não queria que nós víssemos?
– Talvez, carneirinho... Ah, olha, depois eu vejo isso... Eu vou acabar descobrindo o que é, você vai ver!
– Tá bom, amor, boa sorte! – Deu-lhe um beijo de despedida. – Tchau!
– Ei... – Segurou seu braço. – Fica mais um pouquinho...
Niko sempre sorria com esse pedido todo carinhoso do amado. Deu-lhe outro beijo e com os narizes ainda se tocando, disse: — Amor, eu adoraria... Mas, você sabe que eu vou ficar o dia todo pensando em você, né?!
– Eu sei...
– Então... Passo o dia pensando em você e à noite... Eu fico mais um pouquinho acordado, que tal?!
– Adorei!
– Eu sei! – Beijaram-se de novo e Niko finalmente saiu, com a felicidade estampada na face.
Félix também não escondia a felicidade. Ficou mais poucos minutos na cama recordando momentos da noite, até que levantou para cuidar dos filhos.
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Durante o café da manhã, Félix e os três filhos estavam sentados à mesa.
– Então... Como foi a conversa de vocês ontem? – Perguntou o pai para os dois mais velhos.
Os dois se olharam. – É... Legal! – Respondeu Jonathan. – É, foi! – Completou Jayme.
– Sei... Legal?! Tá... Só isso?!
– Só, pai... O que mais seria? – Perguntou Jonathan.
– Sei lá, não sei por que tanto mistério...
Nesse momento, Fabrício, sentado ao lado do pai, puxou a jarra de suco que estava no meio da mesa, mas como não estava alcançando direito e nenhum deles percebeu, o pequeno acabou derramando uma boa quantidade do suco em cima dele mesmo e um pouco no pai.
– Fabrício! Por que você não pediu?
– Escorregou, papai Félix!
– Ai, escorregou... Eu vi né?! Oh mini-carneirinho, devia ter pedido que eu botasse mais suco pra você, agora vamos ter que trocar essa roupa! E essa sua roupinha cinza se ficar com uma mancha amarela deste tamanho vai ser o apocalipse! Vem!
Félix logo o pegou e o levou para cima antes mesmo de terminar seu próprio café. Levou-o para o banheiro do seu quarto, tirou sua roupa suja e o pôs na banheira.
– Pronto, fica aí, hoje seu banho vai ser mais cedo... Quem mandou tomar banho de suco?!
O pequeno ria com o pai que mesmo reclamando tinha um tom de graça na voz.
– Olha aqui, Fabrício, não ri de mim que eu sou seu pai, e você também me sujou, viu mocinho! Olha minha camisa, vai ficar metade vermelha, metade amarela, por causa do suco... E no meio laranja, era só o que me faltava... Nossa! Vai ficar brega!
O pequeno só sabia rir e achar graça de cada coisa que o pai dizia enquanto lhe dava banho.
– Toma, pega seu patinho de borracha, fica aí um pouquinho que eu já volto, vou procurar sua toalha!
Félix saiu do quarto para ir ao quarto de Fabrício. Ao passar de frente ao quarto de Jayme, a porta aberta mostrava o casaco preto estendido sobre a cadeira do computador. Félix verificou se os filhos ainda estavam lá embaixo e entrou rápido no quarto de Jayme. Pôs a mão em cada um dos bolsos do casaco até que encontrou alguma coisa. Assim que tocou notou o que era, mas ainda tirou para comprovar.
Pasmo, um tanto chocado, exclamou: — Mas, o que... O que isso faz aqui?! O que esse menino tá fazendo com... – Ouviu passos de algum dos dois vindo pela escada e pôs o que acabara de encontrar no próprio bolso, saindo rapidamente de lá.
Disfarçou entrando no quarto de Fabrício. Viu que quem subia era Jonathan e respirou. De qualquer maneira, ele não o havia visto. Félix pegou a toalha de Fabrício e uma roupa para ele trocar e voltou para seu quarto.
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No restaurante, Niko verificava tudo. Chegou antes dos funcionários e foi ver a porta do escritório. Estava trancada como Félix havia deixado. Então, entrou e abriu o cofre. Viu que Félix tirou quase todo o dinheiro como ele havia dito. Pensou: — Ainda bem que o Félix já levou tudo... Assim fico mais despreocupado!
Trancou de novo o cofre, saiu e trancou a porta. Seu garçom já havia chegado e ele foi abrir o restaurante.
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No quarto, Félix enxugava Fabrício sentado em sua cama e vestia outra roupinha nele, ainda pensativo com o que havia encontrado no quarto de Jayme.
– Papai... – Chamava Fabrício, mas Félix estava distraído. – Papai Félix!
– Oi, Fabrício? Que foi?
– Tá pensando?
– Estou... Estou sim, meu filho! Aliás, eu penso sempre, viu! Eu sou seu papi mais inteligente!
– Papi, você é o quê?
– Eu sou o quê? Como assim?
– Você faz o quê?
– Ah... Eu sou administrador, meu filho!
– Eu quero ser adiminitador também!
Félix riu com o jeitinho de falar do filho. – É administrador, Fabrício! Mas... Você não disse que queria ser chef, igual o seu papi carneirinho?!
– Não quero mais...
– Ah não?! Quer dizer que não quer ser mais igual a seu papi Niko em tudo?
– Não!
– Ah... Mas, acho difícil porque pelo menos parecido com ele você vai ficar!
– Eu não quero ser chef! Eu quero ser administador que nem você! Por que você fica aqui e o papi Niko nunca fica pra brincar comigo!
Quando o pequeno disse isso Félix sentiu um nó na garganta. Realmente, Fabrício quase não tinha passado mais tempo com Niko, no entanto, ficava o dia todo com ele. Eles precisavam de um tempo juntos, mas estava difícil desse tempo surgir.
– Olha, Fabrício, seu papi Niko tá tendo muito trabalho agora... Mas... É que o restaurante é novo...
– Eu também sou novo!
Aquilo que o pequeno disse tão inocentemente fez Félix ficar com os olhos marejados. Suspirou profundamente antes de continuar.
– Ah filho... Meu filhinho... – Ajeitou os cabelos ondulados do pequeno. – Eu prometo que assim que seu papi Niko tiver um tempinho a primeira coisa que ele vai fazer é brincar com você, tá bom?!
O pequeno sorriu. – Tá bom!
Félix sorriu, emocionado. – Agora, vai lá, desce pra assistir TV com seu irmão, e não suje mais a roupa senão eu te deixo sujo, viu!
O pequeno saiu rindo. – Tá bom! – Foi.
No quarto, Félix trocava de roupa, pensando: — Ah carneirinho... Eles crescem tão rápido... Olha pra o Jayme... O Jonathan já é um homem de mais de vinte anos... E o Fabrício daqui a pouco não vai mais ficar rindo de tudo que eu falo... Nós temos que aproveitar! Eu, especialmente, preciso aproveitar tudo que não vivi com o Jonathan... Mas, agora é você que está fazendo falta ao nosso Fabrício, meu carneirinho! – Ao pôr a mão no bolso se lembrou do que tinha tirado do casaco do filho do meio. – Ah, e ainda tem isso... Pelas rugas de Matusalém, como que eu vou perguntar sobre isso?!
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