Tandem Felix

20 Amor vita est


Notas iniciais
Um segundo entre a morte e a vida!...

... ...

– Obrigado, Félix... Nossa, eu não sei nem como você, com tantas coisas pra fazer, ainda encontra tempo pra cuidar de mim!

... ...

Niko ouviu o chamado de Félix como se fosse a voz da esperança gritando para tirá-lo daquele pesadelo. A adrenalina tomava conta de seu corpo quando ele virou e por uma fração de segundo pôde ver o rosto do seu amado e então... Sentiu o impacto daquele tiro contra ele.

Sua visão escureceu pela dor. Enquanto a gravidade e a falta de forças o levavam para o chão, momentos inesquecíveis com seu marido e sua família passavam como um filme em alta velocidade na frente dos seus olhos.

... ...

– Quando eu penso em você eu sinto... Ai, uma coisa que, eu não sei, não consigo nem explicar...

– Não tenta explicar não, Félix... Sentimento não tem explicação... É assim mesmo... Só existe!

Após sorrisos e olhares trocados... O primeiro beijo... A primeira noite de amor...

... ...

Seu corpo pesou e a dor fez cada músculo se retrair com o impacto no chão. Tentou respirar, mas até isso parecia doer.

– F-Félix... Félix... Meu amor...

Talvez achasse que estivesse falando, mas era só seu pensamento que chamava seu amor para mais perto.

... ...

Chegava do restaurante, quando Félix o surpreendeu correndo em sua direção com Fabrício nos braços e gritando seu nome.

– Niko! Niko! – Ele tinha um sorriso largo no rosto.

– Que foi, Félix? – Notou nessa hora seus olhos emocionados.

– O Fabrício... O Fabrício falou papai! O Fabrício me chamou de papai!

... ...

– F-Fabrício... Meu bebê... Jayme...

Imagens dos seus filhos apareceram na sua mente como numa TV ligada no mundo dos sonhos. Tudo era tão rápido... E as imagens eram tão lindas...

– Meus filhos... Félix... E-eu não posso acabar assim...

Tentou abrir os olhos, mas sentiu suas pálpebras pesando e sua consciência esvaindo-se num último flash de lembrança...

... ...

Andando descalços à beira-mar, pela madrugada, o casal recém-casado curtia a companhia um do outro e toda aquela felicidade.

– A noite está tão linda... A mais linda da minha vida! Vamos dar um mergulho Félix?!

– Não carneirinho, a água deve estar gelada...

– Eu te esquento... – Sorriu cheio de segundas intenções, puxando seu marido.

Durante a troca de beijos e carícias, também trocavam confidências à beira-mar...

...

Os dois, naquele pequeno instante, como se o instante tivesse parado no tempo, compartilhavam da mesma lembrança como se suas almas fossem uma.

...

... À beira-mar, Félix olhava para as estrelas como se lhes fizesse perguntas em pensamento enquanto Niko distribuía beijos em seu pescoço.

– No que tá pensando? – Niko sorriu. – Meu marido! – Disse como que querendo enfatizar o sonho que havia se realizado há poucas horas: o casamento dos dois.

– Isso mesmo, carneirinho... Seu marido... Era nisso que eu estava pensando... – Suspirou. – Será que vou dar conta?

– Você dá conta muito bem! – Riu e Félix riu junto ao entender a malícia do seu carneirinho.

– Não, Niko, nisso eu me garanto... Estou falando em dar conta de ser um bom marido pra você... Um bom pai para os meninos...

– Félix... – Olhou profundamente em seus olhos. – Você é bom! Você é o melhor que poderia me acontecer! Nunca duvide disso! Eu nunca duvidei de você!

– Ah carneirinho...

... ...

– Carneiri... — A voz lhe falhou. Ele emudeceu. Paralisou.

Ele viu seu marido, seu grande amor, cair bem diante dos seus olhos.

– Não... Não... Ele não...

Félix não organizava seus pensamentos, nem pensava nas suas ações, ao correr até seu marido sem se importar se também levaria um tiro. Ameaça nenhuma seria capaz de detê-lo. Aqueles míseros metros que os separavam pareceram quilômetros, anos-luz para quem tinha pressa de pegar aquele loiro nos braços e protegê-lo, fazendo do próprio corpo um escudo se fosse preciso.

... ...

– Niko... Quando eu penso em você... Eu sinto que... Quando eu tenho que chorar, é você quem eu tenho que procurar! Quando eu preciso de alguém, é você quem me acolhe, quem me dá carinho! Quando eu penso em você eu sinto... Ai, uma coisa que, eu não sei, não consigo nem explicar...

– Não tenta explicar não, Félix... Sentimento não tem explicação...

... ...

– Carneirinho... Você me ensinou tanta coisa... Você me aguentou... Você me amou... Você mudou a minha vida...

Pensava enquanto corria até ele implorando que o pior não tivesse acontecido.

... ...

– Se eu acreditasse em Papai Noel juraria que você é meu presente de natal!

... ...

– Esses sapatos são pra você dar seus primeiros passos... Em sua nova vida...

... ...

Passava um filme em sua cabeça. Os dias mais inesquecíveis para um ser que sempre se fez de tão forte eram justamente aqueles em que perdeu as forças... Dias que compartilhou com seu verdadeiro e eterno amor: Niko.

... ...

– Se eu não te amasse tanto assim

Talvez não visse flores

Por onde eu vi

Dentro do meu coração!

Cantavam os namorados juntos na madrugada à beira mar. Félix fazia apenas uma baixa segunda voz, pois não queria sobressair à do seu carneirinho que o encantava como se fosse o mais puro canto enfeitiçado de uma sereia.

– Adoro quando você canta pra mim, carneirinho!

– E eu adoro te agradar, meu amor!

Beijaram-se. Félix tirou seus cabelos úmidos de sua testa, acariciando seu rosto e Niko viu a lua refletida em seus olhos.

– Olha... – Fez-lhe um carinho no rosto e olhou para o céu. – Que linda a lua está hoje!

– Não mais que você!

O loiro deu aquele sorriso capaz de perdoar todos seus pecados e levá-lo aos mitológicos campos Elíseos para o descanso eterno na plenitude da felicidade.

– Ah Félix... Eu sempre fui tímido pra elogios, mas os seus eu adoro! Eu te amo tanto...

– Eu... Te amo mais, meu carneirinho!

Beijaram-se outra vez. E outra... E outra... Até que o moreno pediu:

– Canta pra mim de novo?

Um sorriso tímido foi suficiente para Félix saber que realmente havia comprado a passagem para o paraíso.

O de cabelos dourados olhou para o astro da noite a brilhar majestoso no céu e, encostando-se a seu amado, atendeu seu pedido. Com sua voz suave, não tão afinada, mas bela, um tanto rouca e sensual, começou...

– Foi culpa da lua

Eu te perceber

A culpa foi sua

Me fez querer você.

Ainda te ouço

Me dizendo assim:

Me abrace, depressa... – O moreno o abraçou forte fazendo-o sorrir.

– Você é feito pra mim... – O loiro virou para encostarem as testas e ficarem com os rostos e corpos mais colados.

– Diz, haja o que for

Ou o que houver

Que o seu coração

Vai estar onde o meu estiver... – Tocaram nos troncos desnudos um do outro, sentindo os seus corações que mais pareciam bater numa mesma melodia.

– Se a culpa é da lua

Quando ela acender – Os olhos de um não conseguiam parar de fitar os do outro.

Vai brilhar somente – As bocas se aproximaram.

Pra mim e pra você...

... ...

Félix já não podia enxergar bem a sua frente pelas lágrimas que lhe embaçavam a vista, mas sabia que a lua estava cheia como naquela noite em que Niko cantou para ele. Chegou onde seu carneirinho estava caído no chão e, primeiramente, teve medo de tocá-lo. Não queria descobrir que aquele corpo não seria mais quente como era, que aqueles olhos não o fitariam mais como sempre... Mas, tirou forças ou não se sabe o quê, não se sabe de onde, para abaixar e sentar-se no chão perto dele.

– Ni... Niko...

Dois policiais saíam do restaurante nesse momento com um dos bandidos. Outro policial havia corrido atrás do que disparara o tiro contra Niko. Mas, Félix não via nem ouvia nada ao seu redor. Estava surdo para as sirenes das viaturas e da ambulância que já chegava a pedido da polícia. Puxou seu marido para seu colo com as forças que lhe restavam naquele instante. Enquanto permanecia ajoelhado, as lágrimas começaram a rolar em meio à dor intensa que sentiu na alma ao ver seu amado com os olhos fechados e a mancha de sangue maculando sua pele alva.

– Ca... Carnei... Carneirinho!

Acariciou-lhe a face vagarosamente mantendo os olhos fechados, pois não queria vê-lo assim. Começou a fazer um pedido quase inaudível em meio ao choro e à carícia em seu rosto.

– Carneirinho... Acorda... Acorda, por favor... Volta pra mim... Eu te amo... Sem você eu não posso viver... Você é a razão de eu continuar vivo... Meu amor... Meu amado carneirinho...

Seus olhos repletos de tristeza se abriram em um susto quando sentiu uma mão quente que tão bem conhecia apertar a sua.

– F-Félix...

Sentiu um arrepio ao ouvir aquela voz rouca e suave outra vez. Sentiu seu coração tocar o céu.

– Niko!

O loiro abriu os olhos e Félix o abraçou o mais forte que podia. Quase o levantou nos braços de tanta emoção.

– Ai! – Gemeu o loiro. – Isso dói...

Logo percebeu que podia ter machucado mais seu amado marido e o ajeitou com o cuidado e o carinho de quem tem um recém-nascido nos braços.

– D-desculpa, desculpa carneirinho, eu te machuquei?

– Não... Um pouquinho... – O loiro lhe mostrou aquele sorriso de um brilho sem igual e Félix chorou desesperadamente. Agora, porém, de pura felicidade.

– E-eu... Eu pensei... Que... Não, nada... Você tá bem, Niko! Você tá bem! Meu amor... – Beijou-lhe a testa, as bochechas, o nariz, os lábios, sem parar de demonstrar sua felicidade. – Você... Você está bem... Você está bem, não está?

O loiro confirmou com a cabeça e com o mesmo sorriso, mesmo tendo nos olhos uma expressão de dor.

– Que ideia foi essa de quase levar um tiro, hein Niko?! – Voltou a brincar com seu costumeiro bom-humor, mas agora tinha um brilho diferente nos olhos depois de tudo. Ainda havia lágrimas, agora de alívio, banhando seu rosto. – Você quase se matou... E me matou de susto! Pelas contas do rosário, eu devo ter cometido todas as heresias possíveis pra merecer ver meu carneirinho quase... – Nesse momento se tocou do que dizia. – Espera... O tiro! – Viu que sua mão estava suja do sangue de Niko. Ele, porém, já não sangrava tanto quanto seria normal de um tiro a curta distância. Félix logo levantou sua camisa branca e viu o ferimento. Novamente se pôs a chorar.

– Ai carneirinho...

– Félix... Meu corpo tá doendo todo... – Então, o loiro percebeu que seu marido chorava e ria ao mesmo tempo. – Que foi?

– Carneirinho... Meu carneirinho... – Félix enxugou as próprias lágrimas e sorriu. – Foi só... Só de raspão! A bala quase não tocou em você!

– Q-quê?! Quer dizer que...

– Foi de raspão... Bem de raspão! Foi só um arranhão...

– Foi?

– Foi...

Os dois choraram... De felicidade. Choraram sorrindo.

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A caminho do hospital, Félix segurava na mão de Niko enquanto estavam na ambulância.

Félix beijava sua mão enquanto Niko o olhava com ternura ao mesmo tempo em que parecia distante em seus pensamentos.

– Félix...

– Sim, carneirinho?

– Eu senti tanto medo... Quando eu senti o tiro eu vi quase como um filme da minha vida passar bem diante dos meus olhos...

– Sério carneirinho? Acho que... Eu também vi algo assim...

– Eu me lembrei de tanta coisa que aconteceu com a gente, com os meninos... Tanta coisa que já aconteceu na minha vida...

– Eu lembrei vários momentos com você... Eu pensei que você tinha... – Félix encheu os olhos de lágrimas. – Eu pensei que tivesse te perdido, carneirinho!

Niko estendeu a mão e pegou em seu queixo trazendo seu rosto para ele.

– Meu amor... Não diz isso! Você achou que fosse me perder tão fácil?!

– Bate na madeira, pelos mantos de Nossa Senhora eu não posso te perder, carneirinho! Senão eu perco minha vida!

Niko sorriu emocionado.

– Você não vai me perder... Por que você é meu herói! Mais uma vez na minha vida... Você me salvou!

Félix sorriu. – Por que tá dizendo isso, Niko?

– Por que... Eu estava lembrando agora que eu virei pra você quando você gritou pra mim... E se eu não tivesse virado... Na posição em que eu estava... O tiro podia ter me acertado, Félix... Ele estava muito perto...

Félix pensou na cena e concluiu que era verdade. Se Niko não tivesse virado para ele quando ele o chamou, pela posição que o bandido estava, a bala certamente o pegaria em cheio. Mas, ele preferiu apenas dizer-lhe:

– Eu só te chamei, Niko...

– Você me salvou... Meu herói...

– Não sou nenhum Clark Kent, carneirinho! Mas... Se eu estivesse na mira do bandido com você, eu me jogaria na sua frente sem hesitar, mesmo não tendo peito de aço!

Dessa vez, Niko lhe beijou a mão. – Obrigado, meu amor! – Se emocionou. – Você é meu anjo da guarda!

– Eu... Anjo?! – Riu. – Só você pra dizer uma coisa dessas, carneirinho... Logo você que não gosta de falar em anjos...

– Não brinca Félix! Agora não! Por que duvida tanto de si mesmo? Por que duvida do quanto você pode ser um bom homem, amar o próximo?

Félix lembrou todos os maus pressentimentos que tivera antes disso acontecer e de mais e mais momentos marcantes ao lado do homem da sua vida e logo respondeu sorrindo:

– Não, carneirinho... Eu não duvido disso! Posso até duvidar de mim... Mas, não duvido do meu amor pelo meu próximo... – Se aproximou dele. – Um próximo em especial... – Piscou e lhe deu um selinho.

Niko sorriu. – Félix, estou falando sério...

– Eu também... Posso duvidar de qualquer coisa, menos do meu amor por você!

Niko ficou sem palavras. Félix lhe deu um beijo na testa e permaneceram de mãos dadas até chegar ao hospital.

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A confirmação do que eles haviam percebido sobre o tiro e sobre o chamado de Félix que salvou Niko, veio algum tempo depois quando já estavam no hospital.

O delegado foi até eles e contava-lhes:

– Achamos o projétil e pela posição e pelo tipo de arma usada a bala poderia ter atravessado seu corpo naquela distância...

– A-atravessado?

– Sim! A prova disso é que o senhor recebeu um impacto forte mesmo sendo de raspão o que o fez cair no chão!

Félix completou: — Além da dor que ele já devia estar sentindo por causa dos chutes que aqueles desgraçados deram! Não é, Niko?

– Sim, estava doendo muito... Na verdade, ainda dói! No último chute quando ele me jogou no chão eu pensei que ia quebrar minhas costelas! E eu vou ter que fazer curativos onde levei o tiro e tomar remédio pra não infeccionar!

– Além de baterem no senhor, eles o ameaçaram?

– Sim, um deles pressionou a arma contra minha cabeça, foi o mesmo que me chutou várias vezes! Mas, e o Carlos? Ele estava na despensa...

– O seu garçom está bem! Ele já deu o depoimento! Disse que ficou trancado na despensa o tempo todo depois que viu os meliantes chegando...

– Sim, foi o que ele disse quando ligou pra mim, pra me avisar! – Disse Félix.

O delegado respondeu a ele. – Ele deu sorte que não o ouviram! Além do telefonema do filho do senhor, senhor Corona, também recebemos o telefonema do garçom!

Niko estranhou o delegado se dirigir a Félix e chamá-lo de senhor Corona, mas isso era o de menos, afinal, um tinha adotado o sobrenome do outro por vontade própria após o casamento.

– E então... Pegaram os bandidos, não pegaram? – Perguntou Félix.

– Sim, prendemos os dois! – Respondeu o delegado. – Um ainda se encontrava dentro do restaurante, o outro, o que atirou, tentou fugir, mas alguém o parou antes que ele fosse mais longe...

– Quem? Um dos policiais? – Perguntou Niko.

– Não! Não sabemos ainda quem foi, mas deve ter sido alguém que tinha muita raiva dele, pois ele foi ferido com uma faca!

– Uma faca?!

– Sim! Alguém deu uma facada na perna direita do meliante quando ele estava tentando fugir! Eu trouxe a faca para ver se o senhor reconhece! Quer vê-la agora?

– S-sim...

Ele tirou de uma mala um saco plástico com uma faca ainda suja de sangue.

– M-mas... É uma das facas de peixe que eu uso no restaurante! – Disse Niko surpreso.

– Foi o que suspeitamos! Sabe de alguém que teria acesso a esse objeto que possa ter esfaqueado o bandido?

Niko pensou um pouco, mas respondeu:

– Não...

Porém, Félix não se convenceu muito da sua resposta, mas não quis contrariá-lo naquele momento.

– É... Delegado... Se nós nos lembrarmos de alguém que poderia ter pegado essa faca nós avisamos! Enquanto isso é melhor o Niko descansar mais! Apesar de ter sido um tiro de raspão, não é qualquer coisa... Ele precisa de repouso...

– Sim, nós já prendemos os bandidos, é o que importa! Aliás, aquele que tem tatuagem de cobra no braço já estava sendo procurado há um bom tempo, ele tem envolvimento com tráfico de drogas e chefiava uma quadrilha! Vamos investigar quem poderia ter dado a facada nele, e assim que os senhores permitirem, nós podemos também investigar os arquivos das câmeras de segurança do seu restaurante!

Félix respondeu: — Sim, nós avisaremos! Eu quero sim que esses vídeos sejam vistos, mas eu quero saber a opinião dele também... – Olhou para Niko e pegou em sua mão. – Quero que ele se recupere mais para isso...

– Sim, entendo! Bom, com licença! Estarei à disposição quando quiserem ou se o senhor lembrar mais algum detalhe sobre o ocorrido!

– Sim, senhor! Obrigado! – Falou Niko.

O delegado foi embora.

Niko estava sonolento por causa dos remédios e Félix não quis perguntar-lhe a questão que martelava em sua cabeça.

– Apenas três pessoas poderiam ter pegado uma faca da cozinha do restaurante... E duas delas estavam sob a mira dos bandidos... O Carlos e o Niko... Então sobra apenas uma... A Jéssica! Por que ele não quis falar sobre ela?

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Algum tempo depois, Niko dormia e Félix não saía do seu lado. Todo o atendimento já havia sido feito e ele descansava, quando Félix levantou da cadeira ao lado da cama e foi guardar sua roupa suja para que Adriana levasse para casa assim que chegasse com os meninos que já haviam sido avisados.

Félix pegou sua camisa com a mancha de sangue.

– Ah carneirinho... Que medo que eu tive de te perder... – Olhou para ele adormecido. – Eu te amo tanto, Niko!

Dobrou sua camisa e a colocou numa bolsa. Fez o mesmo com o resto de suas roupas, mas quando dobrava a calça, um pequeno papel caiu do bolso.

– O que é isso? – Pegou. Viu que era a foto de um homem bonito, simpático. Ficou confuso. – Quem é esse? Por que o Niko estava com essa foto no bolso? – Balançou a cabeça para afastar os maus pensamentos que lhe vieram junto com o ciúme repentino e traiçoeiro. – Não... Eu não sei quem é, mas ele vai me explicar... – Olhou de novo para seu amado. – Quando acordar, você vai me explicar quem é esse! – Guardou a foto no próprio bolso, pois no mesmo instante, Jonathan ligou para dizer que já haviam chegado ao hospital.

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Notas finais
Continua...