Tandem Felix

24 Amor Vincit Omnia


Notas iniciais
Jéssica: - Que Deus te cubra de bênçãos, Jayme... Meu filho! Félix: - Meu carneirinho... O único e verdadeiro anjo da minha vida! Niko: - Por que eu sei, Félix, que acima de todas as adversidades está o amor... Que é maior que tudo... É mais poderoso... E vence todas as coisas!

– Hein, Jéssica?! Se você fosse a mãe biológica do Jayme... O que você faria?

Ela se surpreendeu. Félix se surpreendeu. E Niko, que estava angustiado com a pergunta que ele mesmo havia feito, se surpreendeu ainda mais quando ela, em resposta, chegou mais perto e se ajoelhou na beira da cama com o rosto banhado em lágrimas e pegou em sua mão.

– Eu, seu Niko... Eu... Agradeceria!

– A... Agradeceria? – Indagou Niko confuso.

– Se aquele garoto for o filho que eu abandonei... Eu agradeço os senhores de toda minha alma! Por que... Eu sei que eu não daria pra meu filho uma vida tão boa como a que vocês o deram... Não digo só em bens materiais não, mas, em amor... Como ele mesmo estava dizendo aqui antes!

– Você estava ouvindo o tempo todo?

– Sim... Eu ouvi tudo! Ouvi quando o senhor perguntou se ele sentia falta de uma mãe e ouvi tudo que ele respondeu! Seu Niko... Eu nunca ouvi coisa mais linda nessa vida!

– Você ainda não respondeu minha pergunta! Você deve fazer ideia que qualquer garoto daquele abrigo poderia ser seu filho... Mas, claro... O Jayme lembra muito seu falecido noivo! Então... Se fosse ele aquele bebê que nasceu de você, o que você faria?

– Seu Niko... – Eles se olharam nos olhos. – O senhor tiraria seu filho dos braços de um anjo para jogá-lo na lama?

– Claro que não!

– Acredite seu Niko, seu Félix... Por mais que eu tenha errado nessa vida, isso é uma coisa que eu também jamais poderia fazer!

Niko não conseguia mais falar. Deixou a emoção tomá-lo e seu rosto estava vermelho de tanto chorar. Já Félix, que mal havia olhado para ela durante aquela conversa, pela primeira vez olhou, com os olhos marejados.

– Eu sei que os senhores entenderam o que eu quis dizer! Acreditem em mim, porque é de todo coração... Talvez, pela primeira vez eu estou deixando meu coração de mãe falar quando digo que... Se esse rapazinho lindo é aquele bebê que nasceu do meu ventre, eu tenho pelo menos uma coisa na vida pra me orgulhar! – Ela voltou a chorar agora com um brilho diferente nos olhos. Brilho de uma realização. – Vocês deram àquele menino um sonho... Sonho que eu jamais poderia dar ao meu filho! Vocês fizeram por aquele menino o que eu não poderia nunca fazer pelo meu menino! Esse menino, como ele mesmo falou, tem tudo... Por que tem vocês! E é por isso que eu digo, não só da boca pra fora, mas com todo meu ser, que... Se esse menino for o meu filho... Ele... Ele tem os três melhores pais do mundo! Um que está no céu... E dois aqui! E isso me faz uma pessoa finalmente feliz!

A emoção tomara conta daquele quarto. Os três desabaram em lágrimas. Embora Félix fosse ali o que mais controlava o choro, naquele momento, a emoção era incontrolável. Ele segurava na mão de Niko de um lado quase escondendo o rosto em sua mão. A mão de Niko era banhada por suas lágrimas que escorriam incessantes mesmo que ele não demonstrasse que estava chorando. Jéssica, que pegava em sua outra mão, soltou, para finalmente levantar e falar após um suspiro profundo.

– Eu... Vou... Agora... – Foi andando até a porta, mas ainda falou: — E seja ou não ele... Por favor, não falem nada... Como ele mesmo disse vocês já são pai e mãe dele, não tem porque ele ficar se preocupando com uma mãe que nunca conheceu...

Félix logo interrompeu tentando manter a voz normal mesmo que tivesse um tom embargado pelo choro. – Não se preocupe! Nós não contaríamos nada mesmo ao Jayme, ele não precisa saber!

Niko completou com um fio de voz em meio ao choro. – Nem nós sabemos... Embora seja...

– Verdade? – Indagou Jéssica.

– Só saberíamos se é verdade ou não com um teste de DNA! – Exclamou Félix, e surpreendendo, teve um ato de solidariedade para com ela. – Você... Você faria um DNA para saber se é a mãe do Jayme?

Ela olhou a foto em suas mãos por um instante e respondeu: — Não! Não é preciso! – Olhou novamente para eles. – Tudo... Tudo que eu queria... Era saber que aquele menino que abandonei estava bem! Nem digo mais “meu filho” por que sei que nunca fui a mãe dele! Ele tem dois pais e eu já posso me dar por satisfeita! Obrigada por não me denunciarem pelo que houve no restaurante! E obrigada, mais uma vez, por serem... Quem são!

Abriu a porta e antes que ela pudesse sair, Niko, parando de chorar, perguntou:

– O que você vai fazer agora? Pra onde vai?

– Seu Niko, eu... Eu quero me tratar... Eu vou pra longe, vou procurar um lugar onde possam me ajudar a curar esse vício maldito, eu eu já tentei me livrar várias vezes e sempre volto e...

– Nós poderíamos te ajudar!

Ela sorriu emocionada com o gesto de bondade. – Não, seu Niko... Isso eu tenho que fazer por mim mesma... O senhor já fez muito por mim... Já fez, na verdade, o que de melhor alguém poderia fazer por mim... Deu ao filho que eu abandonei um lar de verdade!

Niko sorriu finalmente.

– Jéssica... Obrigado... E boa sorte!

– Eu que agradeço, seu Niko! Já disse... Hoje eu posso ser finalmente feliz por ele estar sendo criado por um anjo! Agora, vou tentar pelo menos ter uma vida digna... Uma vez eu já tive quase uma overdose, se eu não parar com as drogas agora, eu morro! Se eu tiver jeito ainda, se eu me curar... Quem sabe, um dia, eu volte... Mas, se eu morrer... Vou em paz! – Suspirou e enxugou a última lágrima. – Adeus!

– Adeus! – Respondeu Niko seguido por Félix.

Porém, quando Jéssica estava para sair, Niko, lembrando tudo que ela lhe confessara sobre sua vida, falou:

– Jéssica... Sabe o que o Jayme diz que quer ser quando crescer?

Ela parou confusa esperando a resposta.

– Médico!

A resposta veio para arrebatá-la de emoções. Ela riu apesar de recomeçar a chorar. As incontáveis lágrimas molhando seu sorriso aberto eram de uma grande realização. Ela, enfim, saiu, fechando a porta, deixando o casal lá dentro com as emoções apaziguadas.

Já fora do hospital, Jéssica pegou a foto do seu antigo amor e a beijou, sussurrando com certeza: – Eu disse que ele ia ficar parecido com você, meu amor! Ele puxou a você!

Andando pela rua, com a foto na mão, ela recordava momentos de sua vida com aquele que fora seu grande amor, sua gravidez, a conversa que tivera a pouco com os ex-patrões e o rostinho do seu praticamente certo filho.

Falava com o homem da foto como se ele estivesse ali presente.

– Eu sei que daí de cima você esteve todos esses anos abençoando nosso filho... Tanto que pôs no caminho dele dois pais como esses! E quem diria... Todos esses anos eu esperando encontrar um menino com seu nome como eu tinha colocado e, no talvez abrigo, acabaram trocando o nome dele... De Marcelo para Jayme! – Se emocionou. – Fui abençoada no fim... – Tocou a foto como se pudesse fazer um carinho naquele rosto. – Nosso filho não ficou com seu nome, mas... Como que por um milagre... Recebeu o mesmo nome do meu pai... Do meu pai que também morreu antes de eu nascer! Ele tem seu sorriso, meu amor... E o olhar do meu pai! Mas, creio que a bondade e personalidade ele herdou dos verdadeiros pais... Seu Niko e seu Félix!

Olhou para o céu e deixou que as lágrimas banhassem seu rosto mais uma vez, agradecendo por ter finalmente encontrado o que sempre procurara e pedindo o pedido que repetiria pelo resto de sua vida em suas orações:

– Que Deus te cubra de bênçãos, Jayme... Meu filho!

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Dentro do quarto, assim que ela saiu, Félix, que ainda segurava a mão de Niko junto ao seu rosto, perguntou:

– Por que você disse aquilo, Niko? Por que você disse a ela que o Jayme tem vontade de ser médico?

– Por que... – Suspirou. – Ah Félix... Quando ela me falou sobre o noivo dela, ela disse que o grande sonho da vida dele era se tornar médico! Ele tinha como propósito ajudar as pessoas... Mas, não conseguiu passar de um enfermeiro estagiário! E... Eu pensei que... Depois de tudo que ela disse, de como nos agradeceu... Pensei que ela devesse saber que o Jayme quer se tornar médico como ele... Como o pai biológico...

– I-isso... Isso não tem nada a ver! O Jayme se interessou por medicina por causa do que o papi soberano contava pra ele! Além disso, nosso filho só tem treze anos, ainda pode mudar muito de opinião!

– Eu sei, Félix! Mas... No fundo eu senti pena dela! E também... Agradecimento...

– Agradecimento?! Por quê?

– Como nosso filho disse... Se ele não estivesse no abrigo, eu nunca o adotaria, nunca nos tornaríamos os pais dele... Mesmo parecendo egoísta, eu a agradeço por ter dado à luz um menino tão maravilhoso quanto o Jayme e depois tê-lo deixado já que não tinha condições de cuidar dele... E agradeço sempre Deus ter colocado esse menino no meu caminho, para se tornar meu filho!

– Niko... Carneirinho... – Félix compreendeu. Sorriu emocionado. – Você é tão... Tão sábio! Sabe... O nosso filho também tem muito a agradecer por ter aparecido um pai como você no caminho dele!

– Félix... – Sorriu apaziguado com aquelas palavras.

O moreno, mais calmo e voltando ao seu humor natural, falou: — Eu devo ter pagado penitência na Via Crucis por todos os meus pecados pra ter uma criatura como você ao meu lado! – Beijou a mão do seu carneirinho. – Numa coisa eu devo concordar com essa mulher... Eu não tiraria um filho meu dos braços de um anjo como você! Meu carneirinho... O único e verdadeiro anjo da minha vida!

Ambos se olharam. Niko lhe fez um carinho no rosto terminando de secar as últimas lágrimas que restavam. Félix fez o mesmo no seu rosto, sentando na cama para ficar mais perto dele, e concluiu:

– E ela que tem que agradecer por ter aparecido, não alguém como você, mas exatamente você, carneirinho, pra cuidar do filho dela! – Niko finalmente sorriu. – Claro, se o Jayme for o filho dela né?! Por que... Mesmo que ele se pareça muito com aquele cara da foto, só isso não prova nada... Pelo menos ela não quis fazer DNA né?!

– Sim, é! E pra mim tanto faz, Félix! Ela teve um gesto nobre no fim das contas! Acho que ela aprendeu algo com tudo isso enfim... E quer saber? – Niko sorriu mais pondo fim a toda tristeza naquele olhar esverdeado. – Nosso filho disse que nós somos pais e mães dele! Eu fiquei tão orgulhoso de ele ter dito isso, Félix... Orgulhoso, emocionado e imensamente feliz!

– Eu também, carneirinho! – Agora ambos já sorriam se olhando.

– Agora, tudo que quero é sair daqui e ir logo pra casa ficar com minha família que eu amo tanto! Por que eu sei, Félix, que acima de todas as adversidades está o amor... Que é maior que tudo... É mais poderoso... E vence todas as coisas!

Félix se esqueceu do mundo por um momento concentrado naqueles olhos verdes, até que Niko notando, perguntou com a timidez charmosa que ele tem:

– Que foi que tá me olhando assim, meu amor?

– Sei lá... – Riu. – Só estava... Procurando de onde vem toda essa... Essa força, essa luz que você exala... Mas... Acho que já sei...

– Sabe?

– Sei... Daqui... – Levou a mão ao próprio peito.

– Daí... Do seu coração, amor?

– É, por que... Todos esses anos quando eu procuro respostas nos seus olhos, o que responde carneirinho... É o meu coração! E... Pelas águas do Jordão eu juro que você está aqui dentro... – Félix encheu novamente os olhos de lágrimas, mas não parava de sorrir. – É sua voz que eu ouço quando aquele... Aquele monstro que fui minha vida inteira quer sair... Como quando eu fiquei com raiva da Jéssica quando a vi aqui!

– Amor, você nunca foi um monstro, você...

– Não Niko, deixa eu terminar! Quer saber, carneirinho... Eu fiquei mesmo foi com medo! Medo de ela falar algo que confundisse a cabecinha do Jayme... Eu não iria suportar perder um dos nossos filhos...

– Ah Félix... – Falou com a voz que para Félix soou a mais doce do mundo. – Você nunca vai perder nenhum de nós! – Sorriu. – Só precisa aprender a ouvir mais...

– É... – Enxugou as últimas lágrimas e finalmente retomou seu humor característico. – Você também precisa aprender a ouvir... Ouvir a mim, carneirinho! Quantas vezes vou ter que te ensinar a não confiar tão rápido nas pessoas, hein?! Eu sei que dessa vez eu não estava totalmente certo quanto a essa Jéssica, mas também não estava totalmente errado! Será que eu sambei no Monte Sinai pra ter que ficar na sua cola agora nos restaurantes?! Ah! E nem pense que o senhor vai voltar a trabalhar enquanto não estiver totalmente recuperado e arrumarmos um assistente decente! E mesmo que contratemos um chef japonês de verdade, eu vou fazer todos os testes e entrevistas possíveis e imagináveis pra provar que ele é de confiança, senão nem pense... Nem que a gente feche o quarto restaurante, mas lá o senhor não volta desacompanhado, de jeito nenhum...

– Félix! – Niko teve que interrompê-lo senão ele não pararia de falar. – Chega! Já entendi, amor... Cala a boca!

– Ah! – Se fez de ressentido. – Agora me manda calar a boca assim?!

Niko finalmente deu uma risada. – Ai amor... Cala a boca... E me beija!

Félix também riu. – Ah... Colocando nesses termos...

Beijaram-se. Um beijo que selava a felicidade e a paz que finalmente coroava o casal outra vez.

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Ainda se beijavam quando o médico que atendera Niko antes chegou ao quarto e pigarreou para chamar-lhes a atenção. Eles se afastaram e Félix voltou a sentar na cadeira ao lado. Niko logo ficou ruborizado.

– É... Não queria interromper, mas eu preciso ver como estão estes machucados...

– Sim, doutor... – Respondeu o loiro envergonhado.

Enquanto o examinava, o médico olhou rapidamente para Félix, soltando a indireta: — Eu não sei se devo repetir... Mas, o senhor deve ficar de repouso!

Dessa vez Félix não ficou calado. – Ora... Não precisava repetir tá, senhor doutor! Ele já sabe que tem que ficar quietinho...

– Sim, mas eu estava repetindo para o senhor acompanhante, não para o meu paciente!

Niko segurou o riso, enquanto Félix fazia cara de indignado para o médico.

Após o exame, o médico deu-lhes a boa notícia.

– Está se recuperando muito bem... Contanto que mantenha repouso! – Enfatizou e Félix girou com os olhos. – Eu vou receitar um analgésico que vai tratar as dores mais fortes como já tinha dito... De resto use as compressas como passei! Em duas semanas no máximo você não sentirá mais nada, nem terá mais marcas roxas nem avermelhadas na pele!

– Ah que bom! É que eu sou tão branco que o roxo fica mais roxo... – Niko deu uma risadinha tímida.

Félix balançou a cabeça pensando: — Ai, só esse meu carneirinho pra tecer certos comentários...

Mas, o que surpreendeu Félix foi quando o médico comentou: — Você tem uma pele muito bonita para ficar com marcas! As peles assim rosadas são sempre mais sensíveis, mas você tem uma pele ótima... E muito suave também! É... Bom, vou ver outros pacientes, depois tratarei da sua alta... Com licença! – O doutor saiu com um meio sorriso que deixou Félix com uma sobrancelha em pé.

Virou para Niko. – Você viu?! Eu sabia, carneirinho, eu sabia! Por isso que ele estava implicando tanto comigo... Óbvio! Com um carneirinho lindo desse pra ele apalpar... Ah, no dia que meu gaydar falhar será o apocalipse! Ai, ele achou sua pele suave... Tinha que te examinar pegando tanto, tinha?!

Niko finalmente estava rindo depois de tudo, achando muita graça no ciúme bobo de Félix. Já o moreno, apesar da ceninha, estava adorando ver seu amado carneirinho recuperado e contente.

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Félix foi pra casa, pois não podia passar o dia todo no hospital. À noite, foi buscar seu amado carneirinho que havia recebido alta. Ao chegarem, os filhos os receberam em comemoração. Todos eram só cuidados e mimos com Niko, e Félix, claro, não perdia a oportunidade de implicar com o companheiro a toda hora, do jeitinho dele.

– Assim não dá, carneirinho... Você já é dengoso, agora vai ficar mimado!

– Ai Félix, não vou!

– Vai sim! E o que mais você quer é ser mimado por nós mesmo, que eu sei!

Félix fingia que reclamava, mas tinha um sorriso bobo de felicidade no rosto por ver Niko bem e sua família unida. Os meninos, obviamente, defendiam Niko.

– Liga pra o meu pai não, Niko! – Disse Jonathan. – Eu não vou poder ficar mais muitos dias por causa dos estudos, mas enquanto eu estiver aqui eu ajudo!

– Eu também vou te ajudar, pai Niko! – Falou Jayme. – O que quiser pedir, a gente faz!

Niko no sofá, Fabrício agarrou em suas pernas. – Papai, posso ir pra o colo?

– Não, Fabrício... – Félix respondeu no lugar de Niko. – Seu papai não pode te pegar no colo agora! Ele ainda não está bom!

– Ah Félix, o que tem? Se ele ficar quietinho... Eu tô com saudade de pegar meu bebê no colo...

– Carneirinho! Não lembra o que aquele doutorzinho repetiu mil vezes? Repouso, criatura! Você não pode fazer movimentos bruscos nem pegar peso, e nós sabemos que o mini-carneirinho não para quieto, além de que ele está bem pesadinho!

Fabrício entendeu que não podia ficar no colo do pai, então abraçou suas pernas, encostando só a cabecinha em seus joelhos, enquanto dizia:

– Eu também vou ajudar pra você ficar bom logo, papai!

Niko fez um carinho na cabeça do filho menor e ficou logo com os olhos marejados com tanta demonstração de amor por parte de todos. Félix, na poltrona de frente para eles, balançava a cabeça já prevendo como seu carneirinho ia ficar sensível durante esses dias, mas sorria feliz por tê-lo em casa.

Depois, os filhos dormiam e Félix levava Niko para o quarto ajudando-o para ele não se esforçar em nada.

Ao chegarem no quarto, Niko sentou na poltrona enquanto Félix arrumava a cama para seu carneirinho.

– Pronto... Deixa eu pôr alguns travesseiros a mais pra você ficar o mais confortável possível, Niko! Não te quero com dores nas costas e em nenhuma parte desse corpitxo... Afinal, você ficou muitas horas lá na clínica, e cama de hospital é o ó!

Niko deu uma risadinha. – Ai Félix... Você diz que não vai cuidar de mim porque eu vou ficar mimado e olha só...

– Quê?! – Félix se fez de desentendido, apesar de saber que de todo seu coração faria tudo que seu amado quisesse. – Só vou fazer pra você o que você não puder fazer sozinho, Niko! Não nasci pra ser babá de ninguém!

– Ai amor... – O loiro fez bico. – Quer dizer que você não vai cuidar de mim?

– Ah... Ah Carneirinho! Fazendo essa carinha de carneirinho pidão eu não posso negar nada né?! – Niko deu um leve sorriso vitorioso. – Mas, já estou até vendo... Você vai passar essas duas semanas assim, fazendo biquinho, me olhando com esses olhinhos verdes brilhantes e fazendo todo tipo de chantagem!

– Eu não faço chantagem, Félix! – Porém, falava dengoso.

– Faz sim... Está fazendo agora! – Riu. – Olha, eu devo ter vendido o santo sudário num brechó pra merecer ter um carneirinho tão chantagista e tão dengoso!

– Hum... – Niko se fez de ofendido. – Se não quiser fazer nada por mim, não faz! Pronto! – Começou então a chantagem clara. – Só que sem ajuda eu vou demorar ainda mais pra me recuperar e...

– E?

– E... Ah, você sabe... Quanto mais tempo eu tiver que ficar de total repouso, mais tempo você fica sem... – Baixou o olhar para si mesmo. Félix logo percebeu para onde ele estava olhando.

– A-ah... Sei... Mais claro que isso impossível! – Suspirou. – Ai... Eu sei que vou ficar um bom tempo sem... Bom, vou sofrer de abstinência de novo! Dessa vez sim eu crio o C.A.: Carneirinhos Anônimos!

Niko riu e lançou um olhar bem menos inocente para o marido.

– Meu amor... Como sei que você só fala essas coisas da boca pra fora e você vai cuidar direitinho de mim, eu prometo que assim que eu estiver completamente bem, eu te faço aquela surpresa!

– Surpresa? Ah sim... Aquela que você vem falando há tempos e nada?!

– Mas eu vou fazer...

– E eu estou louco pra saber o que é!

– Você só vai saber na hora que acontecer...

– Hum!

– Mas, saiba que eu já pensei e... Aposto que é algo que você nunca viu...

– Hum... Algo que nunca vi? Difícil, eu já vi de tudo nessa vida... E se tratando de você, eu já vi tudo que tinha pra ver né carneirinho?! – Riu.

– Pode ser que eu ainda te surpreenda, Félix!

– Ai, adorei! – Suspirou. – Mas, chega, carneirinho, que essa conversa está me excitando e eu não posso te agarrar você estando assim! Vou respeitar seu repouso, tá?! Mas... Ah... – Suspirou de novo. – Não vejo a hora de você me dar essa tal surpresa!

– Também não vejo a hora, amor... Mas, por enquanto... Sonha comigo tá?! – Piscou para ele.

Félix gostou, apesar de não ter entendido muito bem o que seu carneirinho quis dizer. Mas, se fosse para ele sonhar com as diversas fantasias que aquele loiro poderia realizar, ele faria... Dormindo ou acordado.

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Alguns dias passaram e uma visita chegou à casa dos Corona-Khoury. Era Edgar que foi fazer uma visita aos patrões e dar-lhes uma notícia.

– Depois que me contaram tudo que aconteceu, seu Niko, eu tratei logo de procurar um jeito de fazer uma visita! Como hoje é segunda-feira e é o dia que eu não fico no restaurante eu resolvi vir pra fazer uma proposta!

– Uma proposta?

– Sim... Os senhores lembram que eu fiquei de procurar em São Paulo um assistente pra o restaurante daqui?

– Sim, Edgar! – Respondeu Félix. – Mas, estava demorando tanto e nós tínhamos pressa, aí... Contratamos outra e deu no que deu...

– Pois é, mas é que eu queria achar uma pessoa de minha total confiança e treiná-la bem para ocupar esse cargo!

– E você achou agora essa pessoa, Edgar? – Perguntou Niko que estava cheio de conforto no sofá da sala, enquanto Félix o paparicava sentado no braço do mesmo sofá.

– Sim, seu Niko! É meu afilhado!

– Você tem um afilhado chef também, Edgar? – Perguntou Félix.

– Tenho! Ele é filho de uma prima minha com um empresário grego! Ele se interessou por culinária desde pequeno! Morava na Grécia e vinha sempre ao Brasil! Já estudou cozinha japonesa, grega, chinesa, coreana e brasileira! Ele voltou do seu último curso na Europa e quer morar no Brasil! Como ele já conhece Angra dos Reis e gosta daqui, achei que ele poderia ser o novo chef do quarto restaurante, pra o senhor, seu Niko, poder voltar pra o daqui da praia que é o que o senhor mais gosta né?!

– É, é sim! Ai Edgar, você não sabe como adorei essa notícia! O que você acha, Félix? – Perguntou virando para o marido.

– Eu?! Ainda pergunta, carneirinho? Adorei! Se esse rapaz for tão bom assim, você não vai nem precisar voltar pra aquele restaurante que não nos trouxe sorte!

– Se quiserem ele pode vir amanhã mesmo pra ser entrevistado! – Falou Edgar.

Niko olhou para Félix. – Ah você acha que precisa, amor?! Se ele é afilhado do Edgar então é de confiança e se ele aprova quanto aos dotes culinários por mim está aprovado também!

– Ai Niko... Tudo bem, já que o Edgar recomenda e diz que ele já estudou tanto, por mim ele pode ser contratado, mas é melhor ele vir pra o conhecermos de qualquer jeito né?! Qual o nome dele, Edgar?

– É Pedro, seu Félix!

– Pedro... Tá! E que idade ele tem?

– Tem vinte e oito!

– Nossa, é muito jovem... É quase dez anos mais novo que você, Niko!

Assim que viu a cara do loiro para ele, Félix fez sinal de zíper na boca, mas continuou a falar com Edgar.

– Bom, Edgar, então pode mandá-lo vir amanhã para o conhecermos!

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Mais tarde, o casal conversava. Niko, que muitas vezes adora provocar o marido, começou:

– Você sabe né Félix?! Eu já estou ficando melhor... Se nós contratarmos o afilhado do Edgar, eu vou ter que passar um tempinho com ele no restaurante para ele se familiarizar com o ambiente...

– Eu sei, Niko!

– E... Você não fica com ciúme?

Félix riu. – Ah carneirinho... Logo você que diz que eu não tenho razões pra ter ciúme?! Ainda mais se tratando de um parente do Edgar...

– Ué?! E o que tem ser um parente do Edgar?

– Por favor, Niko... Timeout! Sejamos francos... O Edgar é super gente boa, mas... É feio!

Niko tentou segurar a risada, mas não conseguiu. – Ai Félix, só você... Mas, olha só, afilhado não é parente! O Edgar disse que o Pedro é filho de uma prima dele, e, como você mesmo enfatizou, ele é bem mais jovem que nós...

– Eu sei o que o senhor está querendo fazer, senhor Nicolas, mas não vai me causar ciúmes! Você não vai conseguir me provocar, carneirinho! Esse tal de Pedro pode ser filho de um grego, do próprio Zeus até, mas não deve passar de um projeto de coreano, igual o padrinho! Você com ele e aquele garçom magrelo não tem perigo nenhum!

– Se você diz...

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No dia seguinte.

– Pois não... – Adriana abria a porta, quando se surpreendeu com um belo rapaz que falou:

– Olá! Gostaria de falar com o senhor Corona! Meu padrinho Edgar me mandou aqui...

– Ah, sim, seu Niko... Eu vou avisar... – Adriana foi, mas nem ela resistiu a dar uma olhadinha melhor.

O casal saía do quarto, quando Niko, com dengo, pediu a Félix: — Amor, pega outra camisa pra mim? Eu quero vestir por cima dessa...

– Mas, carneirinho, não está mais fazendo frio, por favor... E a gente acabou de sair do quarto! Por que você não pediu isso antes?

Niko mostrou um sorrisinho. – É que eu adoro te ver fazendo as coisas pra mim!

– Ora, mas... Você já está se aproveitando de mim, tá carneirinho?! Só digo uma coisa... Quando você estiver totalmente bem, eu vou cobrar minha recompensa por esses dias com juros!

– Não se preocupe, amor, eu vou te recompensar muito bem por tudo que está fazendo esses dias... Você tem sido o melhor dos maridos...

– Sorte sua... Que eu gosto de fazer tudo pra você, senão te mandava se virar sozinho! – Félix lhe deu um selinho.

– Você não faria isso...

– Não... Por que te amo... – Trocaram outro beijo. – Eu vou pegar outra camisa pra você já que você quer... – Nessa hora Adriana ia subindo. – Adriana, meu doce, ajuda o carneirinho a descer que eu vou já!

Félix foi para o quarto enquanto Adriana e Niko foram descendo para a sala.

– Seu Niko, tem um moço aí esperando pra falar com o senhor! Ele disse que foi mandado pelo seu Edgar...

– Ah, o Pedro já chegou? Ele é afilhado do Edgar e é chef também! Provavelmente vai trabalhar no restaurante, só precisamos conhecê-lo...

– É... Seu Niko... – Conhecendo bem os patrões, Adriana parou no meio do caminho. – Se esse moço for trabalhar com o senhor eu acho meio difícil o seu Félix contratá-lo...

– Por que, Adriana?

– É que seu Félix é meio ciumentinho né?!

– E?

– Olha, seu Niko, é melhor o senhor ir pra sala e aí vai saber do que eu tô falando...

Niko foi indo para a sala e quando o viu de longe não conteve um...

– Nossa! – Logo pigarreou para disfarçar, mas ficou realmente surpreso.

Adriana perto dele, sussurrou: — Eu disse seu Niko!

Niko, no mesmo tom, respondeu: — Ele é lindo!

– Cuidado pra o seu Félix não ouvir isso...

– Não, nem pensar... Esquece o que eu disse! – Ele fez sinal de silêncio para ela e ambos riram disfarçadamente.

Porém, antes de se dirigirem para lá, Félix já estava atrás deles.

– Cuidado para eu não ouvir o quê, Adriana?

– Ai minha Nossa Senhora, que susto seu Félix!

– Félix! Que susto! Como você vem andando tão leve assim?

– Carneirinho... Não muda de assunto... Se assustaram porque estavam aprontando algo, ou melhor, falando algo que não queriam que eu ouvisse... – Félix olhou para a sala e viu o rapaz. – Quem é aquele?

– É... O Pedro!

Félix olhou de novo para ele e boquiaberto exclamou: – Aquele é o afilhado do Edgar?! Pelas ruínas do templo... Eu estava certo então quando disse que ele podia ser o filho de Zeus...

– Ei... – Reclamou Niko.

– Que é, carneirinho?! Você pode chamá-lo de lindo e eu não?! Pensa que não ouvi os cochichos de vocês dois?! – Apontou para ele e Adriana.

– Eu vou deixar você conversarem... Licença, seu Félix!

– Vai... E você, Nicolas Corona-Khoury... Ainda quer a outra camisa ou já ficou com muito calor?

– Ai Félix... Deixa de ser bobo, você sabe que eu te amo, só... Fiquei surpreso com a visita... Ah! Vamos logo falar com ele!

– Vamos... Mas, nem vá pensando que vai ter treinamento com ele, ele já estudou pra ser chef, você não precisa fazer nada com ele...

– Ok! Seu ciumento...

Foram falar com Pedro e ao que se apresentavam, Niko sorria com as reações de Félix. Pedro foi logo para Niko, estendendo a mão.

– É o senhor Corona, não é?! Meu padrinho falou muito do senhor, estava ansioso para conhecê-lo...

Félix se colocou entre os dois antes que apertassem as mãos e pegou ele na mão de Pedro.

– Prazer, eu sou o senhor Corona! Félix Corona! Marido dele! Nicolas Khoury! Sou o administrador dos restaurantes... Vamos começar a entrevista?!

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Pedro assumiu o quarto restaurante. Félix reinstalou as câmeras de segurança, inclusive a que tinha dado defeito, mas que mesmo assim filmou as ameaças que o Cobra fez a Jéssica na frente do restaurante e assim a livrou de ir presa como cúmplice, além de que os patrões decidiram não prestar queixa contra ela.

Os dias passaram e Niko se recuperou completamente. Se livrou das marcas da agressão e estava pronto para voltar a trabalhar no restaurante da praia, pertinho de casa.

Félix se sentia inconformado, pois, mesmo com a melhora total, Niko e ele não haviam tido mais relações. Os dias que passaram juntos, com o tempo livre para ficar com os filhos fora ótimo, mas as noites nem tanto.

Contudo, ele esperava pacientemente seu carneirinho voltar a demonstrar aquela paixão tão comum entre os dois, mas temeu seus sonhos serem estragados quando recebeu uma ligação na noite do primeiro dia de Niko de volta ao trabalho.

– Oi carneirinho...

– Félix, preciso que você venha aqui ao restaurante da praia... Rápido!

– Niko, o que foi? Sua voz tá estranha... Não me diga que também assaltaram aí?! Niko!

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Notas finais
Eles superaram tudo! O amor venceu! Mas... O que terá acontecido para Niko ligar assim?! Penúltimo Capítulo! Continua...