Tandem Felix
25 Deliciarum
Notas iniciais
– Niko! Fala o que tá acontecendo! Você tá mal? Se machucou? Niko!
Félix parou ao ouvir a risada do seu marido.
– Calma, amor, não é nada de ruim... Pelo contrário...
– Ai carneirinho! Pelos quilates do bezerro de ouro, não faça mais uma coisa dessas! Me ligar assim com essa pressa e depois ficar mudo, criatura?! Quer que eu tenha um ataque do coração?
– Não, querido... Não é pra tanto...
– Como não é pra tanto depois de tudo que houve?! Não quero ficar com você mais duas semanas de repouso e eu e os meninos fazendo tudo que você pede!
– Ah, vai dizer que não gostou de ficar cuidando de mim todos esses dias? Te dei muito trabalho?
– Deu, carneirinho, deu sim! Mas, não importa, você sabe que gosto de cuidar de você! O que não quer dizer que você precise levar outro tiro de raspão né?! Eu cuido de você de qualquer jeito!
– Oh amor, que lindinho! Eu também adoro cuidar de você! Lembra quando você ficou com febre por ficar com roupa molhada no ar condicionado do escritório? Eu cuidei de você... Depois te dei seu remédio preferido...
Félix deu uma risada alta. – Ah claro que lembro, carneirinho! Como esquecer?! Você é meu remédio que cura tudo!
– E, olha, meu amor, não tenha nenhum ataque do coração quando eu ligar assim, ok?! Se for pra o seu coração bater mais forte que seja de amor por mim!
– Carneirinho, isso é muito fácil! Acontece sempre, sabia?! Mas, enfim, fala... Por que me ligou com tanta pressa para eu ir pra aí?!
– Ah... – Félix notou a voz do seu carneirinho ligeiramente maliciosa, dengosa como ele esteve durante os últimos dias. – Sabe o que é Félix...
– Não, vou saber se você me contar...
– Ai deixa eu falar... É que eu já fechei o restaurante hoje bem mais cedo e dei folga de um dia pra o meu assistente e assim... Eu preparei um jantar pra a gente... Pra você especialmente...
– Hum... Especialmente pra mim?! Adoro! E o que é?
– Ah, você vai ter que vir pra ver! Vem rápido! Eu já disse a Adriana que ela ia ficar com os meninos essa noite tá?!
– Ah já?! Meu lindo carneirinho, você é mesmo cheio de truques!
– Sou... E você ainda não viu todos...
– Hum... Estou gostando cada vez mais dessa conversa... Espera aí! Você disse que deu um dia de folga pra o seu assistente? Quer dizer que você ficou sozinho hoje?
– Não... Eu dei o dia de amanhã pra ele! É que... Acho que não vou abrir esse restaurante amanhã... Ele vai estar meio... Bagunçado...
– Bagunçado? Sei... Por acaso, você está pensando em fazer algo mais aí além do jantar especial, carneirinho?!
– Talvez... – Niko deu uma risadinha que Félix reconheceu muito bem. – Amor, ao invés de ficar me perguntando, vem logo e aí você descobre! Ah, porém tem uma condição!
– Que condição?
– Que você venha bem bonito... Com um dos seus terninhos que eu adoro e de gravata...
– Terno e gravata? Pra quê, criatura? A gente vai casar de novo?
– Olha... Até que não seria má ideia...
– Niko, fala sério...
– Tô brincando, Félix! Mas, não seria mesmo uma má ideia né?! Quem sabe um dia a gente não casa de novo... É tão romântico...
Félix riu. – Ai Niko, só você pra pensar nessas coisas... Mas... Se você quisesse, meu carneirinho, eu me casaria de novo com você agora mesmo!
– Oh que lindo...
– Eu sei que sou!
– Pior que é mesmo! Mas, olha, enquanto a gente não planeja uma renovação de votos ou algo assim pra algum dia, quem sabe... Eu quero que você venha ao restaurante agora mesmo! Bem arrumado e cheiroso, e vou te explicar por quê! Primeiro, porque eu te acho muito gostoso de terno, sempre achei, você sabe! Segundo, porque quando você usa aquele perfume que eu te dei eu perco o fôlego! E, terceiro, porque eu adoro me enrolar nas suas gravatas! – Disse isso com uma voz mais maliciosa que só de ouvir já deixou Félix entusiasmado.
– Carneirinho... Você sempre sabe o que dizer para me animar! Ok, eu me arrumo rápido! Chego aí em cinco minutos!
– Ótimo... Vou deixar a porta aberta!
– Não, não, não deixa! Nada de porta aberta! É perigoso...
Niko sorria do outro lado da linha com a proteção do seu amado.
– Oh amor, que fofo! Já vi que agora você vai me proteger ainda mais, ficar sempre se preocupando se eu me atrasar...
– Sempre, carneirinho! Põe uma coisa nessa sua cabecinha, loirinho... Eu vou te proteger sempre! Por que eu te amo!
Niko se emocionou e a voz saiu levemente embargada. – Eu também te amo... Muito... Demais! – Deu uma pausa e um suspiro. – Então, eu vou ficar de olho e quando você estacionar o carro eu abro a porta, tá bom assim?
– Ótimo! Não demoro! Beijo!
– Beijo, amor! Te amo!
Desligaram e Niko ficou a esperar, pensando: — Como eu adoro quando o Félix está romântico! Ele foi tão bom esses dias... Confesso que eu exagerei algumas vezes só pra ver o que ele ia fazer, se ia perder a paciência ou cuidar de mim... E ele cuidou... Todas as vezes! Ai Félix, como te amo! Como eu tenho sorte por ter você!
... ...
– Félix... – Chamava o loiro deitado na cama, estendendo a mão para o marido. – Me ajuda?!
Félix saía do banheiro logo pela manhã ainda com a escova de dente na mão.
– Espera um pouquinho, carneirinho...
– Félix! Eu quero levantar!
– Criatura, deixa pelo menos eu escovar os dentes né?! Você não quer um marido com bafo quer?! Se bem que eu não tenho bafo, mas...
– Félix... Eu quero ir ao banheiro!
– Tá bom, carneirinho, vem! – Puxou-o pela mão, segurando em seu braço, ajudando-o a levantar vagarosamente.
– Félix... – Pedia dengoso enquanto iam. – Me dá um banho?!
Félix riu, pois o companheiro já estava fazendo esse dengo há alguns dias desde que saiu do hospital. – Você está agindo como um bebê, Niko! Está pior que o Fabrício!
– Ah não tô não... Eu só achei que seria melhor tomar banho logo agora de manhã pra não te atrapalhar mais tarde...
– Ah como se você não fosse ficar me pedindo tudo o dia todo a toda hora...
O loiro fez bico. – Tá dizendo que eu te atrapalho, Félix?!
– Não, carneirinho, só estou dizendo que... Bom, como dizer?! Você exagera!
– Exagero?
– Exagera sim! Carneirinho, sejamos sinceros... Você está me dando mais trabalho que Moisés deu ao Faraó quando queria tirar o povo do Egito!
Eles já estavam dentro do banheiro, mas Niko se soltou do seu braço como se tivesse se chateado e foi voltando. – Ai Félix! Se eu estou te dando tanto trabalho assim... Não quer cuidar de mim não precisa tá?! Eu consigo me virar sozinho! E quem exagera é você!
– Ah! Quem exagera sou eu?! Você faz a geniosa dengosa e eu sou o exagerado?! Ei! Carneirinho, ei... Volta aqui... – Niko já ia saindo do quarto e deu um sorriso disfarçado quando Félix foi atrás dele. – Vai descer assim, sem ajuda? E de pijama, criatura?
– E daí?! – Respondeu sem virar pra ele. – Eu vou, faço meu café, depois venho me deitar de novo... Pra não atrapalhar ninguém!
– Ah, mas eu devo ter rifado as joias da rainha de Sabá pra ter um carneirinho tão mimado assim! Vem aqui já! – Félix quase ordenou e Niko virou olhando para ele. Os olhos verdes brilhavam com lágrimas em sua superfície e Félix logo mudou de expressão como que encantado por aquele olhar.
– Ah... Ah não... Ah não carneirinho, não faz isso... Criatura! – Félix o abraçou. – Você sabe que eu cuido de você! Não faz mais esse olhar de carneirinho abandonado, por favor, que é o apocalipse! – Enquanto o abraçava, Niko logo voltou a sorrir. – Agora vem, seu chantagista de primeira, vem que eu vou te dar um banho... Ai que sacrifício!
... ...
Niko sorria recordando os dias que passara em casa. Sob os cuidados do marido e da família ele havia tido todas as provas que não eram necessárias para ele ter certeza do quanto todos o amavam. Agora, tudo que sofreram no último mês estava prestes a acabar. Finalmente, os assuntos de Jayme haviam sido esclarecidos, tanto os que ele sabia como os que ele não sabia, e nem precisava saber. O filho mais velho estava crescendo e amadurecendo e vivendo suas aventuras de adolescente sendo o mesmo Jayme compreensivo e alegre de sempre. Já o mais novo, cada vez mais parecido com os dois pais e isso por si só já era ótimo. Quanto ao marido, Niko não tinha do que reclamar, pelo contrário, só tinha a agradecer por ter aquele homem em sua vida, amando-o e respeitando-o sempre. Se tornando cada dia melhor.
O carneirinho estava de volta. Agora, outra vez no restaurante pertinho de casa não sofreria mais de saudades dos filhos. E para renovar o fogo da paixão com o amado marido, já estava mais que na hora de Félix ser recompensado por tanta paciência, tanta dedicação, tanto companheirismo e tantas demonstrações de amor.
– Ah meu maridinho lindo! Espero que ele goste da minha surpresa! Mas, enquanto ele não chega, deixa eu vestir a roupa certa para a ocasião...
.
.
Enquanto Niko esperava, Félix acabava de se arrumar. Vestia um paletó e escolhia uma das gravatas que seu loirinho mais gostava...
... ...
– E aí carneirinho? A azul, A vinho ou a preta?
– Ué, não é você que é o entendido de moda? Até fez questão de escolher a minha roupa...
– Ai criatura, não faz a geniosa agora! É a formatura do Jonathan! Temos que ir chiquérrimos! Eu pedi sua opinião por consideração, mas se não quiser falar nada, não precisa...
– Oh não... Tá bom, Félix, desculpa... Eu acho que... A vinho!
– A vinho?! Tem certeza?! Não fica melhor com a preta não?!
– Ai Félix... Pede minha opinião depois não concorda...
– Não é isso, carneirinho! Eu só quero ir impecável para esta ocasião! Não é todo dia que um filho se forma em arquitetura!
– Eu sei, amor, eu sei... Mas, olha... – Levantou e foi até ele pegando uma das gravatas e laçando em seu pescoço. – Você fica lindo com qualquer uma tá?! Eu só prefiro esta cor de vinho por que... Ah... – Foi chegando mais perto enrolando a gravata na mão. – Por que você é gostoso e assim como o vinho com o passar do tempo só fica melhor!
... ...
– Tá resolvido... Vou com a vinho! – Dizia Félix ao espelho sorrindo com as lembranças que vinham a sua mente.
Enquanto se perfumava, Félix lembrava mais momentos com seu amado carneirinho. Momentos mais recentes dessa vez...
... ...
– Ei! Aonde o senhor pensa que vai assim?
– Assim como Niko? Estou tão simples, uma camisa, uma calça... Ainda nem acabei de me arrumar... – Dizia logo depois de ter posto um pouco do perfume.
– Muito pelo contrário, você está lindo... E cheiroso... Acho isso uma covardia, Félix! – O loiro falava num misto de dengo e ciúme.
Félix riu. – Covardia, criatura? Do que você está falando?
– Você sabe que eu tenho que ficar de repouso e aí toma um banho, sai pelado na minha frente, e até usa o perfume que eu te dei que você sabe que eu adoro...
– Pelas contas do rosário! – Riu. – Primeiro, eu saí pelado porque estamos só nós dois no quarto e eu esqueci de pegar minha toalha! Segundo, não reclame, que eu também estou tendo que ficar de repouso forçado tá?! Você viu que não é fácil me segurar enquanto te ajudo a tomar banho, a trocar de roupa! E, terceiro, você esqueceu que eu tenho que sair, criatura?!
– Sair?! Pra onde?
– Niko, às vezes essa sua cabecinha de cachinhos dourados só serve pra fazer chantagem, mas pra pensar que é bom... Esqueceu que eu tenho que dar uma geral lá no restaurante antes de o Pedro começar a trabalhar?! Hoje vão reinstalar as câmeras, reforçar aquele cofre... E eu vou ver um sistema para dar mais segurança a todos os restaurantes...
– Ah... Mas você não vai demorar não né?!
– Não, claro que não, assim que puder eu volto!
– Mas, amor, diz uma coisa...
– Hã?!
– No restaurante daqui da praia você não vai pôr esse monte de câmeras nem nada disso né?!
– Não, não tanto, até porque tudo que ganhamos lá você vai trazer como antes pra eu contabilizar imediatamente! Aliás, onde eu vou pôr uma câmera é no seu carro novo!
– Meu... Carro novo?
– É... Esqueci de te dizer que eu fui com os meninos ver um carro pra você, nós já escolhemos um, ou melhor, o Fabrício escolheu... Disse que combina com seus olhos... Quando você estiver melhor nós vamos ver para comprar logo! Lembre-se que você não teria quase levado um tiro se aquela carroça que você chama de carro não tivesse te deixado na mão!
– Nossa! Não esperava ganhar um carro, Félix!
– Mas, vai ganhar... E da cor dos seus olhos! Gostou?
– Amei!
– Que bom! Já vou! – Deu-lhe um selinho e foi saindo.
– Ei, espera! Por que vai pôr câmera no carro?
– Por que seria? Você vai voltar pra casa com o dinheiro do restaurante todo dia, tenho que te proteger! Mas, pensando bem... É melhor você ir e vir andando! O restaurante é aqui pertinho e você faz exercício!
– Tá me chamando de gordo?
– Não, Niko, não começa! Sabe que eu gosto de você de qualquer jeito, mas você vai ganhar uns quilinhos nesse tempo só aqui de repouso sem fazer nada... Sem fazermos nada...
Niko cruzou os braços, encarando-o com um sorrisinho. – Eu não vou engordar tá, Félix?! Prometo! Mesmo sem... Fazermos exercícios... Eu vou manter a forma, porque tenho planos para quando ficar melhor...
– Hum, planos? Gostei! Espero que esses planos não incluam se exibir para nosso novo contratado...
– Quem? O Pedro? – Riu alto. – Fala sério, Félix! Eu só me exibo pra você!
– Assim espero! Bom, deixa eu ir senão fica tarde...
– Espera! É só que eu esqueci... Tem apenas uma câmera lá no restaurante da praia né?! Onde mesmo que ela fica?
– Já! Tem uma câmera ótima lá, fica na parede atrás do balcão, e é monitorada pelo nosso computador daqui de casa, então se estiver acontecendo algo lá agora, vai gravar direto no nosso PC!
– Ah tá... – Niko olhou de lado como se tivesse acabado de pensar em algo. – Quer dizer que tudo que acontece lá fica gravado no nosso computador pessoal?
– Sim... – Félix o viu. – No que você está pensando hein?!
– Não, nada... É... O Jayme não tem acesso a esse computador não né?!
– Imagina, carneirinho! Eu coloquei um monte de senhas! Até porque tem arquivos importantes...
– Sei, as contas né?!
– Também... E umas fotos suas... Umas minhas... Um pequeno vídeo nosso de uma vez que eu deixei a câmera no banheiro...
Niko ruborizou: — Félix!
– Que é?! Ai carneirinho, como se você não soubesse que aquela câmera estava lá... Com aquele calor, no início do ano... Ah enfim, deixa eu ir logo senão chegam no restaurante e o dono não está lá! E também não quero lembrar essas coisas porque fico com pena de mim mesmo só de pensar no tempo que estou de abstinência...
– Tá bom, amor, vai lá! Mas, ainda acho que não precisava se perfumar pra isso...
– Ai... Carneirinho genioso e ciumento... Adoro!
Ambos riram e Félix saiu.
... ...
Havia acabado de se arrumar e olhava-se no espelho, vaidoso, arrumando os últimos fios de cabelos com o forte pressentimento que eles iriam ser desarrumados muito em breve.
– No que será que o Niko estava pensando pra me fazer aquelas perguntas sobre o restaurante da praia, sobre o computador? Safado... Já devia estar pensando em fazer algo especial pra mim lá no restaurante... Mas, o que será?!
Alguém bateu na porta. Félix já estava quase pronto para sair.
– Entra!
– Pai Félix... Já vai?
– Vou... Ei, mocinho, como você sabe que eu vou sair?
– O pai Niko mandou a Adriana ficar com a gente essa noite, então achei que vocês iam passar a noite em outro lugar!
– Ah... Achou certo! Mas, eu não sabia, que fique claro! Foi o Niko que acabou de me ligar dizendo pra eu me arrumar e correr pra o restaurante!
– Que bom que o pai Niko tá melhor! Você tá feliz... – Dizia isso com um sorriso no rosto.
– Estou feliz sim, meu filho, e você está ficando muito espertinho pra o meu gosto!
Jayme riu. E Félix lembrou:
– Ei Jayme... Você viu meu tablet que eu procurei o dia inteiro e não vi em lugar nenhum?
– Acho que o pai Niko levou!
– Levou? Ele não mexe muito nessas coisas... Ah depois pergunto a ele!
– Se vocês vão se encontrar no restaurante, por que você vai todo arrumado, pai Félix?
– Seu papi carneirinho que pediu! Como que vou saber o que ele está aprontando?! Só disse que fez um jantar especial...
– Ah... Talvez ele te leve pra outro lugar depois! Eu acho que o pai Niko quer te levar pra uma boate!
– Uma boate, criatura?! Por quê?
– É que eu ouvi ele falando no telefone e perguntando assim: “tem gelo-seco?” E geralmente onde tem gelo seco é em show ou em boate né?!
– É! Mas... O carneirinho me levar pra uma boate? Não acho... O que será... – Olhou para o filho e desconversou. – Ah, whatever! Eu vou descobrir daqui a pouco! E o senhor, mister curiosidade, obedeça a Adriana e não vá dormir tarde! Vou ver o Fabrício e sair!
– Tá! Tchau, pai! Boa noite!
– Boa noite, filho! – Assim que Jayme saiu do quarto, Félix comentou consigo: — Estou com a ótima impressão de que a noite vai ser boa... Muito boa!
Félix foi ver Fabrício que já vestia o pijaminha para dormir e deu um beijinho de boa noite no filho menor também. Despediu-se de Adriana e antes de sair trancou a porta do escritório caso o curioso filho mais velho resolvesse mexer no seu computador pessoal, afinal, estava quase certo de que o tal jantar especial não seria apenas um simples jantar... Não poderia ser, principalmente, pelo tom de voz do seu carneirinho ao telefone.
.
.
No restaurante, Niko já estava pronto para quando seu marido chegasse. Logo que ouviu o barulho do carro, abriu a porta para conferir se era ele... E era. Então, deixou a porta aberta e se escondeu.
Aguardava ele entrar, esfregando as mãos de ansiedade.
– Agora chegou a hora da sua surpresa, meu amor! Espero fazer tudo direitinho!
.
.
Félix entrou no restaurante sem entender o que estava acontecendo. Todas as luzes estavam apagadas menos a luz central, que iluminava a mesa reservada. Numa cadeira, um papel dizia:
– Reservado para o senhor Félix Corona!
Percebeu que aquilo se tratava da tão esperada surpresa do seu marido, mas ainda não fazia ideia do que seu amado carneirinho lhe faria além do jantar que havia dito.
Sentou. Ficou de frente para a sala reservada. Notou, então, que a mesa baixa parecia mais um palco vista assim. As almofadas ao seu redor e a pouca iluminação lhe davam um glamour diferente. O melhor, porém, era um belo homem loiro de cabelos encaracolados e rosto angelical que vinha chegando ao seu lado, com sua tradicional roupa de chef.
Félix riu. – O que é tudo isso, carneirinho? Que tipo de jantar especial é esse? Não tem nada na mesa...
Aquele olhar de certa inocência do loiro deixou transparecer suas intenções nada inocentes.
– Não tem? – Niko subiu na mesa.
– Hum... Que delícia! – Exclamou Félix percebendo as intenções do loiro. – E você reservou o restaurante todo só pra mim?
– Sim, senhor Corona... – Deu um sorriso bobo. – Adoro te chamar assim, de senhor Corona, meu marido, meu bem...
– Seu homem...
– Meu amor... – Riram ao se completarem. – Sabe Félix... Eu preparei o que você mais gosta... – Olhou para si mesmo.
– Hum... Eu estava com uma saudade de saborear este prato!
– Eu sei! E preparei com uma entrada inédita... Eu nunca fiz isso antes, é só para você! – Apontou pra ele demonstrando seu olhar mais voluptuoso.
Félix já demonstrava um sorriso lascivo, as segundas, terceiras, quartas intenções do seu companheiro eram claras como água. Mas, ele ainda não fazia ideia do que o loiro estaria aprontando.
Niko estava descalço, andou sobre a mesa até o interruptor na parede. Apagou a luz central, deixando acesas apenas as pequenas luzes laterais que davam uma fraca iluminação ao local, como se fossem mini-holofotes direcionados ao centro.
Olhando bem para o loiro, Félix notou: — Niko, essa não é sua roupa normal de chef...
O loiro apenas negou com a cabeça, sorrindo pelo marido ser tão atento a detalhes. Então, desceu da mesa e foi até o balcão, no qual o tablet estava.
– Ah então você estava com meu tablet? Eu procurei o dia todo... Achei que o Fabrício tivesse escondido! Até perguntei ao Jayme antes de vir, ele bem que disse que você devia estar com ele!
– Eu estou com o tablet do senhor Khoury, ora! É meu também!
Félix riu lembrando que o loiro estava dizendo isso por causa de como ele os havia apresentado para Pedro, com os sobrenomes trocados de propósito.
De costas para o marido que o observava atentamente, Niko apoiou os cotovelos no balcão e, mexendo no tablet, perguntou:
– Posso te fazer duas perguntas, Félix?
– Claro, quantas você quiser!
– O que você mais gosta de comer?
– Bom... – Félix pausou e passeou com o olhar pelo corpo de Niko. – Bom... – A voz saiu mais maliciosa.
– Não precisa responder! – Falou olhando rapidamente para trás com um sorriso tão malicioso quanto, então se virou e fez a segunda pergunta: — E... Félix... Amor... Você já esteve em um show assim... Tipo... De... Strip-tease?
Essa pergunta o surpreendeu. Arqueou uma sobrancelha perguntando: — O... Quê?!
– Esteve ou não esteve?
– Não... Nunca estive!
– Então... — A voz do loiro soou mais rouca e sensual do que de costume. – Meu amor... Eis sua chance!
Clicou no tablet que começou a tocar a música You can leave your hat on. Uma música digna do que ele faria a seguir.
♫♫♫
O loiro virou para Félix com o olhar mais sensual que ele já viu. Mordendo os lábios rosados, começou a desabotoar a camisa de chef ao ritmo da música.
Félix estava boquiaberto. Simplesmente não acreditava no que estava vendo seu carneirinho fazer.
Niko desabotoou o primeiro botão... Deu um passo... O segundo... Outro passo... Depois o terceiro... A cada botão aberto se aproximava mais do seu alvo: seu marido que o observava sorridente, surpreso, e cheio de paixão.
Não abriu toda a roupa logo. O ideal era manter um ar de mistério. E naquele momento, o sempre fofo carneirinho estava se transformando numa raposa sensual.
Sem tirar os olhos um do outro, Niko foi novamente para cima da mesa. Félix seguia cada movimento seu com os olhos, parecia não piscar, tão pouco parava de sorrir. Sorriso apaixonado, lascivo, incessante, numa boca que não via a hora de entrar em contato com aquela boca do ser à sua frente.
Encarando-o, o loiro retomou o trabalho de abrir cada botão de sua própria roupa. Já estava quase no último quando virou de costas e fez como se estivesse fechando, mas conforme o ritmo da música que tocava, rebolou sensualmente e tirou a camisa de uma só vez. Girou-a na mão e jogou-a para seu companheiro que logo a agarrou aspirando o cheiro do seu carneirinho.
O sorriso de Félix estava mais largo e os olhos brilhavam cada vez mais.
Com uma camiseta branca apertada agora e a calça da mesma cor, Niko começou a tirar o cinto. Dessa vez, se aproximava mais do seu amado, com a mesma expressão sensual. Tirou o cinto logo, puxando-o do cós da calça e fazendo com que batesse na mesa como se fosse um chicote. Também jogou o cinto na direção do marido.
Logo começou a abrir o botão da calça e fez como se abrisse o zíper, mas só enganou. Andou pela mesa, até que, outra vez de frente para seu bofe se ajoelhou. Recomeçou a abrir o zíper, mas desistiu, dando um sorriso muito malicioso. Fazia tudo sem parar de encarar o moreno por um segundo sequer.
Félix já estava com a respiração acelerada vendo aquele showzinho particular. Justamente aquele misto de pureza e luxúria que seu carneirinho exalava era o que o deixava mais e mais louco por ele.
Niko engatinhava até chegar ao canto da mesa, bem de frente a Félix. Ficou ajoelhado. Lambeu os lábios. Escorregou a mão sensualmente na própria calça, e Félix estava com os olhos indecisos sem saber para onde olhar. O loiro segurou no zíper e, enquanto começava a, agora sim, abri-lo lentamente, ia deitando de costas, com as pernas ainda dobradas. Já deitado, não podia mais olhar para Félix, mas continuou com a dança sensual, em movimentos de onda, com o zíper já aberto que deixava aparecer um pedacinho de sua boxer branca que de tão fina era quase transparente.
Podia não estar vendo a reação de seu amado, mas ouviu quando este se entusiasmou mais.
– Uhuuulll... – Gritou Félix girando o cinto de Niko na mão no ritmo da música. – Muito bom, carneirinho gostoso!
Isso deixou o loiro mais confiante. Ele levantou do mesmo jeito que havia deitado. Ainda de joelhos afastou as pernas o máximo que podia e foi deitando para frente. Estendeu os braços em direção a Félix como se o chamasse. Seu olhar já era irreconhecível de tanta sensualidade.
Félix atendeu ao seu chamado, levantando-se da cadeira e indo até ele como se estivesse sendo puxado por uma força invisível. Ajoelhou para ficar mais perto. Niko segurou em sua gravata, puxando-o para mais junto.
– Tá gostando? – Sussurrou bem perto, com a voz rouca e um tanto mais máscula que o normal.
Félix tão perto olhava para sua boca sem fôlego para pronunciar uma só palavra, mas o sorriso rápido e a sobrancelha levantada serviram de resposta. Niko enrolava a gravata na mão enquanto girava o corpo. – Eu disse que adorava me enrolar na sua gravata! – Ficando com as costas na mesa e o rosto logo abaixo do de Félix, o loiro puxou-o pela gravata para dar-lhe um beijo no queixo. Logo a outra mão segurou em seus cabelos negros, trazendo-o para mais perto, para unirem as bocas num beijo quente, fervente de desejo.
Ao largar o beijo, Félix tentou outro, mas Niko o afastou, negando com a cabeça. Soltou-lhe a gravata e Félix entendeu que o show ainda ia continuar. Voltou, então, para a cadeira, já afrouxando o nó na gravata, sem tirar os olhos de Niko que já ficara de pé novamente.
Félix já estava morrendo de calor, jogou a gravata para trás junto com o paletó que tirou rapidamente. Abriu a camisa e em seguida a calça que já lhe apertava demais. Enquanto isso, o seu carneirinho fez sinal para ele esperar um segundo. Desceu rapidamente até o balcão, pegou mais um detalhe que faltava no cenário e pôs outra música digna de um strip-tease. Era a famosa Rhythm is a dancer.
♫♫♫♫
– Uhuuulll! — Gritou Félix de novo assim que ouviu a nova música e bateu palmas em comemoração.
Uma fumaça tomou conta do local e logo começou a se dissipar através do sistema de ventilação. Félix sorria, pensando: — Esse carneirinho safado... Então era pra isso o gelo-seco! Adoro... – O seu carneirinho já estava outra vez em cima da mesa. Em meio à fumaça, de costas, dançava e rebolava no ritmo da nova música. Pensamentos voluptuosos já haviam se apoderado da sua cabeça. – Hum... Adoro... Carneirinho ao vapor... Depois de tantos dias de abstinência finalmente vou matar a fome... – Félix lambeu os lábios e olhou para a única câmera desse restaurante. – Espero que o nosso computador esteja gravando esse show do carneirinho, porque eu vou querer ver de novo!
Enquanto ele pensava, observava Niko que dançava sensualmente, virando para ele e começando a retirar a camiseta. Devagar a puxou para cima, e novamente para baixo, abrindo um sorriso travesso para o marido. Desceu da mesa e foi até ele. Segurou suas pernas juntando-as e sentou em seu colo, de costas para ele. Levou as mãos de Félix ao seu tronco, fazendo-as deslizarem por sua cintura até suas coxas. Segurando firme em suas mãos, Niko o dominava naquele instante, levando-as para fazerem o caminho inverso, agora subindo pelo seu corpo. Niko gemia baixinho para atiçar ainda mais seu amado enquanto rebolava em seu colo com o ritmo e levava suas mãos a apalparem seu corpo onde e como ele queria. Félix sentia seu carneirinho com ambas as mãos, uma já presa dentro de sua camiseta.
Os corpos de ambos já estavam febris a essa altura.
Foi quando Niko sentiu os lábios de Félix tocarem sua nuca que viu que era hora de levantar de seu colo. Puxou suas mãos de dentro de sua roupa e levantou ligeiro para terminar seu show.
Ficou de frente para ele e tirou a camiseta provocando-o. Passou a camiseta pelo pescoço do marido fazendo como se fosse a gravata, puxando-o para mais perto de novo, mas agora a cabeça de Félix não foi exatamente de encontro com seu rosto, já que o loiro estava de pé.
Félix estava a ponto de enlouquecer de desejo para agarrá-lo de uma vez por todas. Poderia rasgar aquela calça branca com os dentes e morder seu carneirinho inteiro, mas Niko ainda não havia acabado.
Após rebolar muito na frente de Félix, o loiro o largou e subiu na mesa de novo. Começou a puxar o cós da calça para baixo como se quisesse tirá-la em câmera lenta, mas parou quando viu que Félix não tirava os olhos.
– Psiu... – Chamando a atenção de Félix para seu rosto, Niko deu um sorriso safado e balançou a cabeça puxando de novo o cós da calça para cima, como se não fosse mais tirá-la.
Félix fez uma cara de quem não estava entendendo nada. – Ei! Que é isso?! Não vai mais tirar?! – Perguntou.
Niko riu e respondeu: — Não é assim que se tira calça de stripper...
Félix deu aquela ajeitada na sobrancelha sorrindo lascivamente imaginando o que viria.
Niko mordeu os lábios e continuou a dança, rebolando, girando os quadris, subindo e descendo e fazendo movimentos de onda no ritmo da música que já estava acabando. Num determinado momento, parou os movimentos de acordo com o ritmo e puxou a calça, arrancando-a de uma vez só do corpo.
Félix gritou de novo com o entusiasmo.
Agora, o loiro estava em cima da mesa só de cueca boxer, jogando a calça para o lado do marido e levando-o ao delírio.
O moreno segurava a calça do amado e já estava inclinado para frente na cadeira como alguém excitado vendo uma cena de ação frenética. E era como estava. Assistir àquilo era como ver um filme erótico estrelado por seu lindo e sexy carneirinho, mas que só ele podia assistir. Isso o excitava de tal modo que ele esfregava as mãos, mexia as pernas, como alguém depois de dias sem comer pronto para avançar num banquete.
Outra vez Niko ficou de costas para ele e virou o rosto para olhá-lo. Quando Félix olhou, o loiro sorriu e piscou para ele. Levou as mãos ao cós da cueca boxer. Félix se ajeitou para observar a retirada da última peça de roupa. Ele nem percebeu que a música já estava acabando, tudo que ouvia era seu coração acelerado explodindo de desejo.
Niko abaixou um pouquinho a cueca, virou de frente e continuou a tirá-la bem devagar. Viu quando Félix lambeu os lábios, como alguém morrendo de sede que ia finalmente beber do néctar dos deuses. Ele o comia com os olhos. Mas, o loiro tinha calculado muito bem o que ia fazer, quando estava prestes a tirar a cueca, parou tudo, deu um sorriso e ajeitou a cueca.
Félix estava tão concentrado que nem percebeu a parada do companheiro, mas quando Niko ajeitou a cueca de novo e a trilha sonora acabar, ele voltou a si.
– Ei, ei, ei... Que coisa é essa? Não... Cadê a música?! Bota isso pra tocar de novo, você vai ter que terminar o que começou! – Félix falava entusiasmado e ofegante, quase impaciente.
Niko riu e balançou a cabeça negando. – Nã na ni na não!
– Como assim?! – Reclamou Félix. – Nem pense em fazer isso comigo, carneirinho! Olha meu estado! Começou, agora acaba!
Niko deu uma gargalhada.
– Tsc tsc tsc... – Ainda negava e se divertia com o desespero do marido. – Ai Félix... Quem vai acabar... É você!
– Eu?!
– Não estava com fome? Eu não te disse que ia te fazer um jantar especial com uma entrada inédita? Então... – Niko deitou na mesa igual como no sonho que Félix havia lhe contado outro dia e disse: – Meu amor... A entrada já foi... O jantar está servido! – Piscou sorrindo com as bochechas rosadas mesmo depois de tudo que havia acabado de fazer e Félix logo viu que a surpresa mesmo era seu carneirinho tornando seu sonho realidade. Levantou rindo, mostrando seu imenso sorriso de felicidade e muita malícia.
Logo também subiu na mesa, engatinhando rápido até seu loirinho ali deitado. Ao chegar mais perto com o olhar faminto e mais que loucamente apaixonado, o loiro lhe perguntou:
– Félix...
– Hum?
– Gostou?
– Ainda pergunta se eu gostei, carneirinho?! Amei!
– Que bom! – Niko ainda o provocava olhando para sua boca, murmurando com a voz mais sensual que podia. Tocou os lábios de Félix com o dedo indicador e completou: — Meu amor...
– Oi?
– Bom apetite!
– Ah carneirinho... – Riu e suspirou sorrindo e finalmente beijando-o, intercalando palavras e beijos. – Como... Eu... Te amo! Você... Me deixa louco... De todas as maneiras! Então... Essa era a surpresinha que você fez tanto mistério?!
– Era...
– Você não conseguiu esquecer aquele meu sonho né?!
– Não...
– Adorei! De verdade!
Félix já beijava e lambia seu pescoço, quase deitado em cima dele, quando Niko, com o olhar emocionado, disse: — Obrigado, meu amor!
– Por quê? Eu que tenho que agradecer por esse show maravilhoso...
– Obrigado... Por ser meu eterno amor! Por me fazer tão feliz!
Félix fixou os olhos nos seus.
– Você acha que não me fez feliz por ter aparecido em minha vida, carneirinho?! Quando você se tornou a pessoa com quem eu compartilharia o resto da minha vida, você me fez finalmente feliz! E acha que não me deixou loucamente feliz com o que acabou de fazer também?! – Ambos riram. – Sente o quanto estou feliz... – Félix pegou em sua mão, beijando-a e levando-a ao seu peito.
– Estou sentindo... Seu coração tá batendo forte...
– Por você!
Niko sorriu. Félix, que ainda segurava sua mão sobre seu peito foi levando-a a deslizar por seu abdômen, passear por seu corpo até chegar em certo ponto.
– Sente o quanto estou feliz...
– Estou sentindo... E estou vendo, Félix...
– Ah, é que eu já tinha aberto o zíper, sabe... – Ambos riram.
Eles se perderam no olhar um do outro e Niko ia beijá-lo quando Félix pôs o polegar em seus lábios, contornando-os como da primeira vez que se beijaram e o surpreendeu dizendo:
– Carneirinho, nesse momento meu nome é felicidade! Sou a felicidade em pessoa...
– E no nome... Félix... Minha felicidade! – Ao dizer isso Niko o olhou profundamente com aqueles olhos verdes que Félix não resistia nem fazia questão de resistir e completou. – Você que, quando se tornou meu, me fez finalmente feliz!
Ambos sussurraram um para o outro: — Te amo! – E se afogaram nos beijos e carícias que marcavam só o início daquela noite que seria e já era surpreendente e deliciosamente inesquecível.
.
Fale com o autor