Talvez sejam os óculos...
2 Talvez seja o outono...
Notas iniciais
A única coisa que se podia ver através da névoa densa e fria daquela manhã de outono era as insignificantes folhas que caiam lentamente nas ruas úmidas.
A única coisa realmente boa que acontecera até agora foi minha breve companhia, eu a encontrara no caminho da escola. Meus conceitos estavam mudando sobre a insignificância das coisas, sobre a dor, o amor, a vida e sobre “ela”.
Era realmente uma pena, a timidez pode de maneira tão cruel acabar com o cenário perfeito.
E apenas o silêncio gritou.
Apenas meu arrependimento gritou.
Talvez sejam meus traumas de romances platônicos passados, ou talvez seja a sensação da chegada da estação mais acolhedora e rude.
O outono.
Ah, os céus nublados das manhãs tempestuosas de outono são tão nostálgicos, assim como uma infância traumática e perdida em sonhos lineares. Tão inocente e querida, era triste saber que ela não se enxergava do jeito que eu a olhava.
Tão indiferente meus sentimentos explodiram feito fogos de artifício em uma noite de ano novo. Tão indiferente feito uma melodia em um teatro sombrio e abandonado. Tão indiferente quanto um bêbado ou um garoto apaixonado, afinal são a mesma coisa.
É triste ver que garotas lindas acham defeitos em si mesmas, e não era muito diferente com ela, afinal eram seus defeitos as suas características.
O amor definitivamente não é lindo, o vento é lindo.
Talvez pelo fato de ser invisível.
O amor é um fruto. Um fruto de uma árvore sustentada por pensamentos, humanos e pelo vento. Um fruto em uma árvore enorme, mas muito fraca, se o amor for forte demais, as próprias folhas, as emoções, agem como pesos e acabam com a significante vida da árvore. Eu tenho medo que minha árvore morra por seu peso.
Mas também pode ser fraca, e desmoronar como a chuva de outono.
Passos lentos.
Não havia pressa, mas não tínhamos todo o tempo do mundo.
Pingos e mais pingos.
Ah, eu odiava a chuva, por mais que traga a vida, eu a odiava.
Ainda mais a chuva rude e solitária de outono.
Em alguns poucos segundos o céu chorava.
Talvez eu nunca me perdoasse se não tivesse trazido um pequeno e velho guarda-chuva. Mas trouxe.
Chamei-a para perto. E caminhamos em profundo silêncio.
Só que desta vez, um silêncio reconfortante.
A única palavra dita por ela em toda essa armação do destino foi...
“Obrigada”
E talvez meus conceitos mudaram sobre as chuvas de outono...
Talvez...
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