Talvez - EM HIATUS
42 Especial: REMENDOS. Quinto Pedaço
Notas iniciais

Um ano e sete meses depois.
–okaa-saaaaan, deixa eu ir deixaaaaa – Yato insistia manhoso agarrando-se a cintura redonda dela como forma de provar que seu imenso carinho pelo irmão era prova de que poderia ir na viajem. – deixa vaaaaaai? – cantarolou encarando-a com aquelas safiras felinas e tão puras e sapecas, Sakura ergueu a cabeça para o alto e riu, pôs a mão em sua cabeleira macia e o fitou.
–meu amor, já disse que não vamos demorar, voltamos em três dias, só faremos um exame pra verificar seu irmãozinho e voltamos.
–eu sei – ele fez bico – mas eu quero ir pra folha também! Quero conhecer o Hokage! E ver como é lá onde você cresceu okaa-san!
–awnt, amor eu vou amar leva-lo um dia, vocês três certo, Yuki-kun?
Ela encarou o segundo menino, tinha quase quatro anos e a encarava silencioso, o rosto Redondo adornado com aqueles fios de um dourado escuro e olhos felinos e vivazes, ele não falaria, não com Yato ou alguém por perto, mas ela sabia que queria viajar também, suas bochechas rosadas estavam um pouco infladas era essa sua pequena revolta. Ele era seu pequeno gato arisco, e logo se converteria num leão de temperamento bem pesado, e Yasuhiko não ajudava incentivando sua fúria vez ou outra.
–não é justo, o bebe vai primeiro! – Yato protestou e ela riu de novo, o mais novo revirou olhos e encarou Yato.
–seu baka! O bebe não vai ver nada! Ele está dormindo dentro da mamãe, né mamãe?
–ah…
–sim amor, ele está, mas ele acorda de vez em quando certo? Pra brincar com a gente?
–sim! Ele está agora? Eu quero sentir!
Yato se agarrou a ela passando as mãos em sua barriga, ansioso por uma resposta interna, e Yukine também a atacou.
Era literalmente um ataque, ela tinha cócegas na barriga e usava agora apenas uma yukata leve que não a protegeria daquelas mãozinhas curiosas e, então estava quase deitada sobre as almofadas da sala de chá rindo e se contorcendo.
–Oh Kami não! Oh não! Parem crianças! Mamãe não aguenta! Socorro! — suplicou entre gargalhadas, mas os dois estavam ocupados demais tentando saber a quem o irmão responderia primeiro.
–crianças? Crianças! – exclamou Sakurako adentrando a sala de chás segurando uma bandeja, ela se apressou em po-la sobre a mesinha e ir em auxilio de Sakura – meninos parem!
–aaaaaaahhhhhh!! — eles gritaram rindo enquanto corriam para fora da sala.
–seus danados! – a sogra protestou se abaixando e ajudando Sakura a se recostar nas grandes almofadas outra vez, vermelha e ainda rindo ela se sentia como uma pobre tartaruga que quando ficava sobre o casco sofria pra se virar de volta. – você está bem? Kami olhe pra você.
–e-eu estou, hahaha estou sim... Kami, eles vão me matar.
Sakura se recostou confortável, descansou as mãos sobre o ventre volumoso, sua adorada criança exigia espaço, ou seria muito grande mesmo, já quase parecia que tinha oito meses, e bem, sendo mimada e tão bem alimentada como vinha sendo, não duvidava que boa parte do volume fosse peso extra. Ela já mau podia se mover que tinha alguém ao seu redor tomando conta, e honestamente, embora não gostasse de se sentir frágil e um peso, ela sabia que estava vulnerável. Sua força não valeria nada se não pudesse se mover e tinha consciência que embora muito mais importante para ela, não levava um tesouro apenas seu no ventre.
Seu bebe era adorado e ansiado.
A promessa de um novo tempo.
–o que eles queriam dessa vez? – sua sogra coruja perguntou, enquanto arrumava seu cabelo extremamente longo para trás, e a ajudava a acomodar melhor as pernas que cansavam fácil, elas escapavam pela abertura da yukata que não podia se dar ao luxo de ficar justa, e também escorregava por seus ombros.
–queriam sentir o bebe, Kami eu sinto tantas cócegas, não sou páreo para aquelas mãozinhas.
–hhm, e está se movendo? – ela perguntou enquanto puxava a pequena mesa com as guloseimas que trouxera para perto, Sakura sorriu, sua sogra se fazia de durona mas queria ter tanto contato com o neto quanto as crianças. Não era só por implicância que ela atormentava Yuzuru e Ren para se casarem, eles eram travessos e namoradores e ela queria mais noras e netos pra mimar.
Porém Sakura nunca poderia reclamar de ter toda a atenção para si, talvez por ter sido filha única, ela gostava dos mimos de uma figura paterna ou, materna.
Acariciou o ventre com leveza para não provocar a si mesma, mas negou suspirando.
–ele está quietinho, mesmo com essa agitação.
–vai ser uma criança tranquila.
–não sei o que achar, tem momentos em que parece que ele nunca vai parar, é como se estivesse pulando aqui dentro, será que é por isso que me esticou tanto? Pra ter espaço pra brincar? – perguntou ao bebe e sorriu fazendo bico – não seja cruel com a mamãe, quando você chegar vai poder brincar muito.
–vai ser uma criança bem forte, acredite. – ela sorriu oferecendo-lhe uma xícara de café, Sakura nunca tomara tanto café na vida, mesmo que não fosse de sua lista de desejos, ela simplesmente não conseguia resistir ao cheiro, e por mais energizante que a cafeína devesse ser, era ela que a mantinha tranquila, disposta e muitas vezes até satisfazia seu desejo por carne nas horas impróprias.
“Ghouls gostam de café huh?”
Pensava com seus botões enquanto apreciava o perfume, fitou seu ventre alto comum suspiro.
–e você vai ser um — disse baixinho, embora a ideia a assustasse no começo e as vezes tivesse sonhos ruins, ela não temia no que isso afetaria seu filho, ele nasceria um Ghoul entre Ghouls, nunca seria alguém perdido ou apenas “raro” no mundo, entre os seus nunca seria visto ou apontado como estranho. Embora poucos humanos normais soubessem sua existência, nunca estaria sozinho encarando o peso da fera que podia se alimentar de pessoas.
Mais uma vez ouviu risadas e logo os dois meninos reapareceram, desta vez no alto, nos braços do pai, um sorriso calmo e gentil curvava aquela boca sábia e perita. Ela mais uma vez, depois de saber o sexo do bebe, se perguntou se a criança deles teria seus traços bonitos e marcantes, sua cara serena e seu temperamento. Ela queria e não queria, ela não resistiria a dois Yasuhikos, e não aguentaria também.
Afinal, ele era um demônio.
–ah aí estão eles de novo, vieram atacar sua mãe? – Sakurako perguntou num falso tom de raiva, ao qual Yukine nem deu atenção rindo sobre o ombro do pai e Yato respondeu sorrindo.
–ele mexeu?!
–não, não mexeu e sem ataques desta vez, por favor.
–haaaaaai!
–estão atacando sua senhora? Conheço uma tática bem eficiente – Yasuhiko disse enquanto punha os dois no chão e se aproximava para sentar. De onde estava Sakura, acertou seu flanco com um dos pés e o encarou feio.
–você não se meta, quatro olhos.
–como queira, pequena melancia.
–ora vá pro...!
–otou-san eu também quero ir pra Konoha! – Yato pediu novamente agarrado ao pescoço dele.
–mesmo você? É temporada de Turismo em Konoha?
–huh?
Sakura revirou os olhos para seu sarcasmo. No fim ele também era um homem, e um babaca ciumento e possessivo.
Como se houvesse a mínima chance de em Konoha haver alguém que a quisesse ainda mais parecendo uma melancia. Ela não escondia que estava ansiosa para rever Hinata, Tsunade, Shizune e toda a família de lá. Mas não era como se quisesse estender sua estadia lá.
Era o clã sua nova casa, e era lá que se sentia protegida, mesmo naquele estado, mesmo sabendo que Naruto não mediria esforços para assegurar sua vinda e sua curta estadia.
– eu não me importaria, mas preciso de alguém aqui para cuidar do clã enquanto não estou, eu esperava que vocês dois pudessem faze-lo, não? – ele disse, em seu tom serio e casual igual ao que usava para dar ordens e decretos para a vila, e que por isso encantou e convenceu perfeitamente os dois meninos, eles se entreolharam, os olhinhos brilhando e saltaram para o pai se contorcendo de alegria enquanto assentiam.
–sim sim! Eu cuido da segurança!
–e eu da comida!
–e-e eu das plantas! – Yukine gritou e todos o fitaram estranhando um pouco.
–huh? Pra que cuidar das plantas? – Yato indagou, e o pai riu um pouco ajeitando os óculos enquanto o menor se encolheu enrubescendo com suas bochechas redondas, desviando o olhar emburrando para o lado.
–ora porque...porque...ora porque – resmungou – porque okaa-san gosta das plantas, alguém tem que cuidar das plantas dela ora...
Ele as inflou ainda mais revoltado por ter se sentido forçado a confessar.
–awnt isso mesmo meu amor, mamãe também precisa que cuidem das plantas dela, vem cá – chamou e ele engatinhou até ela se aninhando ao seu lado com aquela cara arisca e manhosa enquanto ela beijou sua cabeça – obrigado benzinho, vou ficar feliz em saber que cuidou delas.
–e-eu também vou cuidar! -,Yato disse se arrastando para abraça-la pelo outro lado, com ciúmes e vontade de impressionar também.
–você não disse que cuidaria da comida? – o outro alfinetou e o mais velho corou constrangido, mas logo se ergueu com o punho no ar corajosamente.
–eu vou cuidar de tudo! Afinal eu sou o Yatogami! Yes!
–humpf...
–e tenho certeza que seu companheiro Sekki vai ajuda-lo nisso certo? – Sakura incentivou e o pequeno corou escondendo o rosto em seu colo.
–sim...- murmurou abafado.
–yes! – comemorou o outro – eu vou verificar a segurança agora mesmo! – e saiu correndo Yukine levantou a cabeça e então saltou do lugar para segui-lo.
Ele fingia que não, mas seus olhos brilhavam ao seguirem o mais velho, ele o admirava embora também o achasse bobo.
–e lá vão eles aprontar de novo.- Sakurako comentou enquanto se levantava – você fique aí, Oohime – pediu carinhosa.
–hai hai, vou ficar aqui, apenas sendo engordada por vocês como uma simples franga esperando chocar seu precioso ovo – Sakura resmungou em falsa mágoa enquanto pescava um bolinho na bandeja. A sogra se retirou sorrindo discretamente de sua manha.
–que bom que sabe – Yasuhiko comentou, Sakura parou de levar o bolinho a boca e o encarou embora só visse suas costas amplas, ignorou que sentia falta de arranha-las e lançou o pequeno mimo culinário nele, que bateu contra a parede de músculos escondidos sob a camisa e tombou no chão, ele só então, numa reação atrasada, a encarou de soslaio, o reflexo dos óculos quase impedia que visse seus olhos cinzentos.
– fale direito comigo, idiota – ela ordenou.
– está voltando a ficar malditamente irritante como antes, acho que deve ser porque a gestação está acabando, uma pena – arrumou o óculos sobre o nariz autocrático – sempre aprecio mais quando está fragilizada.
–oh sim? Você sabe que não, no fundo é um homenzinho que gosta de ser dominado.
–todo homem gosta e deve ser dominado, minha cara, a questão é, como.
Ela ignorou e revirou os olhos para seu monologo como sempre fazia quando queria irrita-lo, ou apenas, não queria mesmo dar bola pra suas “filosofias”.
–você sabe, se não estivesse carregando meu herdeiro aí eu a poria sobre os joelhos e batia seu belo traseiro branco até deixa-lo tão vermelho quanto as flores lá fora.
Noutros tempos ela até teria engasgado com palavras tão rudes, agora porém se limitou a saborear deliciada as trufas de chocolate que se derretiam em sua boca, oh seu menininho gostaria muito delas? Desgostaria coisas picantes assim como ela, ou talvez amasse carne com temperos aromáticos como o pai?
Yasuhiko se levantou e caminhou pela sala, as mãos atrás das costas, foi até a janela e encarou o dia lá fora, era começo de inverno e a cor branca já começava a tomar a região. Calmamente, e um pouco indiferente, ela comentou:
–que bom que você, sabe, estou grávida e exijo ser tratada com todo o respeito que minha condição requere, de modo que, vai ter que saciar sua vontade de me estapear de outro modo, e claro, por outro modo, quero dizer que deve chutar o próprio traseiro.
–claro, ainda é ciumenta demais para permitir outro tipo de coisa.- ele disse, num suspiro.
–estou apenas cuidando do que supõe-se ser meu, não?
–supor é um erro, deve apenas ter clara certeza, Sakura.
Em resposta, ela deu com os ombros.
–cansada?
–só desgastada, eu diria.
Ele voltou, e instalou-se atrás dela, oferecendo o peito como descanso, suas mãos grandes e elegantes pousaram em seus ombros e ela apreciou, embora quisesse ser manhosa e rejeitar, sua massagem lenta e com boa pressão a fisgou de novo.
–seus pés parecem menos inchados – ele comentou, e Sakura mexeu os pés encarando-os, noutro dia pareciam rechonchudos ao ponto que ela quase chorou, ela estava sensível também, e as vezes as mudanças a assustavam a um alto ponto.
–é, o chá ajudou bastante.
–talvez devêssemos cancelar a viajem, pode deixa-la mais desgastada.
Sakura deixou a cabeça cair para trás, bufando um pouco, agora quem estava sendo apenas ciumento? Se ele não se importasse dessa forma, seria o primeiro a empurra-la para Konoha, para os exames, mas quando Shizune veio e recomendou a viajem ficou cheio de cuidados quanto a isso.
Homem tolo.
–nós vamos, eu vou ficar bem, faço os exames e logo voltamos, quanto mais rápido melhor, quero ter certeza que o meu bebe vai estar totalmente bem, você querendo ou não.
–supõe que não me importa?
–suponho que está se importando com o de menos em troca do mais, de modo que, vou domina-lo, e vamos senhor Yumi.
Após suas palavras firmes e claro, meio secas, passou-se um longo minuto até ela sentir seus lábio contra o pescoço.
–tem razão, minha senhora, é realmente eficiente quando se trata de dominar.
Sakura riu um pouco, levemente pretenciosa se recostou mais nele.
–eu sei — confirmou.
–alias, já decidi o nome do menino.
Se ela estivesse comendo, teria entalado, maldito homem que se fazia de dominado e atacava de baixo!
Ela nem havia pensando direito em como se chamaria o bebe, estava totalmente perdida, entre nomes com significados fortes, nomes de familiares antigos, nomes práticos e de bom tom.
Haviam tantos.
E o que mais detestava era que ele deveria ter decidido assim que soube o sexo! E, que ela provavelmente não conseguiria objetar ou escolher um melhor.
Porque Yasuhiko sempre pensava no melhor.
E porque ele sabia dominar muito mais do que ela um dia poderia ser capaz.
– odeio você – foi seu único protesto, afinal, e resignado.
Ele beijou seu ombro mais uma vez sobre sua adorada cicatriz e ouve apenas silencio, Sakura se virou para encara-lo indignada.
–o que foi? Não está pensando em dizer apenas quando nascesse não é?! — Yasuhiko em resposta, sorriu mordaz.
–estava apenas contando o tempo que levaria para exigir saber.
–maldito! Diga logo!
Ele voltou a massagear seus ombros, e ela acabou por relaxar para esperar, olhando para frente, e acariciando o ventre.
Um chute leve mas bem localizado, indicou que não só ela poderia estar esperando a grande resposta, porém não teve tempo de avisar, quando Yasuhiko falou, ela apenas congelou no lugar.
– Sesshoumaru, este será seu nome.
Ela nada disse afinal. Não necessitava uma tradução, aquele nome significava tudo e muito mais, o que Yasuhiko esperava que o filho deles se tornasse um dia. Ela só tentava ignorar o aperto no peito que sentiu ao saber disso.
E ele abraçou, consolando-a, e também preparando-a.
Afinal, isso também significava ser mãe.
Lentamente percorreu a mão pelo ventre saliente, não quis falar de forma insegura, e parecer mais frágil do que já estava. Mas não pode impedir sua voz de sair um pouco balbuciada.
–Sesshoumaru?... Sesshoumaru... Estamos te esperando, querido, Sesshoumaru, pra mim você já é perfeito, e isso basta, Sesshoumaru...
Fale com o autor