Talvez - EM HIATUS
43 Capitulo. 39.
Notas iniciais

Abriu os olhos de forma tremula, a luz acima os incomodava, o cheiro característico de hospital o ajudou a se localizar.
Empurrou as mãos contra a cama buscando se firmar e se sentar, ainda incomodado, esfregou os olhos, a visão do esquerdo logo começou a ficar nitida, mas a do direito não.
Isso não era a novidade, tinha muito mais a lidar agora.
Uma vez lhe perguntaram oque achava da vida.
Não soube dizer algo de mais, tinha uma vida boa, tinha consciencia de que muitos não, tinha consciencia de que era correto ajudar os outros sempre que podia.
Mas se lhe perguntassem agora o que achava da vida, ele responderia que, a vida era sofrida.
As pessoas estavam sempre sofrendo em diferentes niveis e formas, faziam as outras sofrerem, de deixavam sofrer e se machucar, faziam isso até mesmo achando que se faziam bem. Muita gente não sabia o que era paz.
E ele era uma delas, ele achava que conhecia a paz, mas ele só estava sendo protegido.
Ele tinha que aprender o que era a paz, e o que era o sofrimento, ele tinha que saber fazer e sentir cada um dos dois, somente assim amadureceria, somente assim poderia proteger a si mesmo, somente assim saberia proteger quem era importante.
Quando era pequeno gostava de brincar de ser deus, um deus da Guerra, um deus da fertilidade, um deus das artes ou apenas uma deus pacifico e brincalhão.
Mas houve apenas calamidade a sua volta.
E para sobreviver a ela, ele teria que domina-la.
Yatogami, Yaboku, Yato, Yumi, Herdeiro, Filho, Neto, Adorado, Atacado.
Uma mistura disforme que se tornaria combustivel para o caos.
Yatogami, Deus Brincalhão.
Yaboku, herdeiro amado e filho da promessa.
Yumi, herdeiro do Ghoul demonio, Filho do Akuma e da Graciosa.
Yato, Herdeiro, cumpridor da promessa, Filho do Akuma, da Graciosa, do Estralo Seco de Konoha, Meio-Ghoul, Deus de Calamidade.
Uma disforme mistura, que a partir de agora, tomaria ordem e se alternaria ao mesmo tempo.
Ergueu uma das mãos pálidas, magras, unhas completamente negras, um sorriso desmotivado formando-se nos lábios ressecados, lentamente cobrindo o indicador com o polegar, fez o som ressoar pelo quarto.
A porta se abriu e ele dirigiu o olhar e o sorriso de canto, o olho direito com o Kakugan ativo, mostrava agora apenas a iris vermelha, e ao ve-la, a mulher de madeixas roxas soube que seria um problema comum a partir de agora. Mas se limitou a dar um sorriso leve, buscando acalentar a fera assustada e furiosa que nasceram agora.
–ohayo, meu filho.
–ohayo, minha mãe.- ele respondeu, deixando-se deitar novamente e encarar a janela, folhas secas caiam das arvores ao redor, estava ficando tudo dourado e rustico, o Outono estava em seu auge. Yato deu um risada fraca e franca – parece que eu dormi demais…
Sakura contornou a cama e se sentou na beira, ajeitando os óculos sobre o nariz pequeno.
–quarenta e cinco dias e meio, com fome?
Ele suspirou e a fitou serenamente.
–sempre.
Ela sorriu de volta, e levou a mão para empurrar as mexas lisas e alvas sobre o rosto dele.
–falou exatamente como seu pai agora- Yato riu de novo e pegou sua mão, com carinho. Observado as próprias unhas negras agora entre as dela, pintadas de um rosa claro.
–estou mais parecido com ele do que poderia um dia almejar, e não me sinto, como achei que sentiria…
–voce está parecido fisicamente, voce tem tantas qualidades dele como tem de suas mães, de seus clãs, mas voce ainda é apenas Yato, é perfeito para mim, seja inteiro, quebrado ou remendado.
–em qual estado eu estou?-ele perguntou, Sakura puxou seu rosto gentilmente e o fitou. Os olhos vermelhos dela, deviam ser os unicos que na face da terra a transmitirem tanto amor e compreensão.
–está em recosntrução, em formação, sempre esteve, todos nós estamos, mas voce, independente do que estão tentando empregar em sua formação, ainda sera a melhor criança que já conheci, o melhor filho que um pai poderia querer, o herdeiro mais adorado, e sobretudo, alguém que nunca estará sozinho de verdade, tudo bem se ainda o achar, tem certas coisas pelas quais deve passar sozinho, mas nunca estará abandonado. – Ele recostou a testa na dele e sorriu fechando os olhos – Yato, todos nós amamos voce, e porque voce é capaz de amar todos nós, que nunca poderiamos abandona-los, entre tantas crianças famintas de amor, voce nasceu aquela que o tem o dom de dar e receber de tudo e todos, minha criança assustada, quando seu medo enfim se dissolver, voce sera mais corajoso, sábio, gentil e maduro que qualquer outro, até lá seguiremos voce, dare-mos nossas mãos e também o empurraremos para que siga com suas próprias pernas, uma mãe não deve enterrar seus filho, um filho deve enterrar seus pais, e seguir para além do que eles puderam ir, e voce vai, voce pode, voce é puro amor, é tudo o que ele pode se tornar, até mesmo o amor tem seu ado ruim, mas voce sera aquele que guiará para o amor que todos devem seguir e sentir, minha amada criança, esse sera voce, criança da promessa… e minha amada salvação…
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Ele finalmente acordou, e talvez todos pudessem voltar a serem os mesmos depois daquilo.
Mas nem Yato era mais o mesmo, como todos ao redor seriam?
Mais de um mes e meio havia se passado desde seu resgate, todo o complexo baixo das montanhas havia sido inspencionado, e não era nada além de um amontoado de corredores confusos, portando salas cheias de armamentos, e o pior, muitos corpos humanos.
A Aogiri se instalara ali, reservando seu ataque, e suas despesas com a fome também.
Eram corpos de pessoas comuns, alguns tinha nome e estavam em programas de desaparecidos, outros, tiveram de ser enterrados como indigentes, tendo apenas seu material genetico coletado para futuras comparações como suspeitos, ou para alguma familia que os procurasse.
Sakura naturalmente voltara aseu posto, e quando tomou conta, o fez com maestria e punho de ferro, o clã Yumi se acalmara no Diamante assim como o clã Hasegawa ao saberem que seu amado herdeiro estava apenas num coma devido ao alto desgaste fisico e despertar forçado de sua Kagune.
Yato era um meio Ghoul como poucos que já haviam sido relatados na historia do clã, isso porque pouco se soube se algum Ghoul se tornara parte de um clã com Kekei Genkai, o garoto poderia em teoria ter herdado o sangue dos dois clãs, mas com o despertar da Kagune e seu descontrole e fome, poderia ser que não tivesse habilidades da familia da mãe, mas que nem por isso pudesse ser um ghoul completo.
Era algo que só o tempo diria.
E como que em modo de ataque e defesa totais, Sakura tranzitara por aí com aquelas madeixas roxas o tempo inteiro, no começo Ren dissera que era porque ela assumira a forma da kagune por muito tempo em batalha, mas depois perceberam que ela a estava mantendo sua guarda, sua furia e sua revolta proximos a surperficie, e que provoca-la, era causar uma erupção sem prescendentes.
O jardim do hospital era agradavel mas naquela época era trabalhoso mante-lo com tantas folhas secas caindo.
O rapaz mau pudera andar nos primeiros dias apos despertar, a base de sua coluna estava afetada por causa da rescente formação da kagune e de cmo usara ela de forma bruta e violenta numa batalha com um Ghoul que deveria te-lo trucidado.
Agora ele caminhava passivamente pelas calçadas as mãos afundadas nos bolsos da calça moletom larga que usava em conjunto com a blusa, a cabeça de fios brancos estava coberta pelo capuz dela, ele chamava atenção, mesmo estando só no hospital, todos ali sabiam como o filho adotivo da Diretora era antes, e não parava de curiar sobre a mudança extrema.
Cabelos alvos, olhos cinzentos, unhas negras, aura serena e calada, quase depressiva mas sorrisos breves e ainda gentis, o olho direito agora com um tapa olho médico. Aquele olho agora além de já dar-lhe uma visão ruim, ficava vermelho sem controle do dono, ou mesmo com as poças negras em volta e suas rachuras vermelhas na pele do rosto, não era algo agradavel de se mostrar, daí a discrição e cuidado.
A primeira vez que o viu de novo foi numa primeira e rapida visita e tudo acabou fluindo a pra observar a fraternidade. O quanto Yukine amava seu irmão idiota, ficou óbvio para qualquer um, mesmo que depois ele voltasse a bancar o durão e resmungão.
Sakura acalentou o menino, era seu amado gato arisco afinal, enquanto Yato os boservou com olhos baixos e um sorriso pequeno mas sincero, talvez porque não era mais o moleque gritalhão que encheria o saco do mais novo por adorar a prova de amor incondicional que eram as lagrimas dele, talvez porque apenas soubesse quão perto passara de nunca mais ver seus entes de novo.
Ele fora mimado, e recebeu alguns cascudos também, espremidos entre os seios e afagos das tias escandalosas e recebeu cutucadas dos primos.
Mas não sorrira largamente nem choramingara de forma infantil.
Ele apenas observou e sorriu de forma amena.
Estava tentando se refazer, mas era dificil.
Ele era uma criança quebrada, e demoraria um pouco para todo o amor da sua familia e amigos poder reajunta-lo, de nunca seria igual.
Agora teriam que se acostumar com o Yato que tinha de volta, e ele tinha que se acostumar ao que se tornara, ao que seria, ao seu novo eu.
Quando grandes coisas aconteciam, tudo mudava em muito pontos e niveis, Sasuke percebeu isso a muito tempo.
As coisas não estavam voltando na velocidade que todos queriam.
E algumas nem começaram se arrumar.
Mas o tempo daria seu jeito, da melhor maneira possivel, esperava.
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Ela leu uma vez que quando uma pessoa passava por extremo estresse psicológico alto grau de tortura o corpo poderia movimentar melanina e tranforma-la em vitaminas C e D pra auxiliar na regeneração.
Leu isso num dos livros de sua mãe, mas ver o resultado, ver em quem aquilo aconteceu, a chocava de forma gigantesca, sem prescendentes.
Por isso, por mais egoista que pudesse soar, Touka não se voluntariou a mais nenhuma visita. Na primeira vez, julgou ter errado de quarto, mas Yukine não abraçaria com tanto vigor e derramaria tantas lágrimas por outra pessoa que nao fosse o irmão roubado.
Por outro momento ela quis gritar, porque não era possivel que todos achasse que aquele fosse Yato. Por que ninguém via? Estavam em um genjutso? Estavam loucos?
Mas mesmo mais rouca, menos vivida e mais lenta, ela reconhecera sua voz, embora não reconhecesse aquele tom melancólico e gentil.
“Olá, Touka-chan”
E depois disso seus olhos cinzentos não mais a encontraram, e as vezes pareciam totalmente perdidos.
Touka virar seus amigos irem quase todo horário de visita, os vira até mesmo matarem aula para tal, mas praticamente se escondeu, evitou, temeu, entrar naquela quarto de novo e deixar todos verem o quão desnorteada estava com aquilo tudo, o quanto não reconhecia aquela Yato.
Quase dois meses haviam se passado, e o dia em que estavam era um dia importante.
O acompanhamento medico e alta segurança em que Yato estava for a enfim encerrado, ela não soubera muito, ao que parecia ele havia despertado o verdadeiro poder de seu clã e isso trouxera danos a sua saude que se intensificaram com o estado em estava graças as torturas. Também não sabia detalhes disso, mas imaginar lhe revirara o estomago, isso deveria ser comum para um ninja e Touka sentia constragimento a se ver tão fragilizada o bastante para até seu ocupado pai perceber, com um afago em seu cabelo e um olhar ameno o genitor lhe dissera:
“é normal, voce é nova, e com a paz reinado a tanto tempo, é normal que não espere ver esse tipo de coisa na sua época, voce só está surpresa, vai passar.”
Ia mesmo? Ela sabia que torturas e sequestros eram mais comuns quando as nações estavam em conflito, mas na “época” dela não era como se tivesse sido abolido, ainda haviam bandidos de mau caráter, ainda haviam pessoas sendo vitimas.
Não era que não estivesse acostumada, ela só nunca imaginou que pudesse acontecer com alguém tão próximo de si, era ironico pois ele pertencia a outra aldeia, mas de alguma formas sempre estivera presente, a mãe dele fazia parte de seu circulo social agora, o irmãozinho adorado dele estudava na mesma academia e vez ou outra se cruzavam no corredor. E algum amigo seu sempre lembrava como seria legale se Yato e os primos deles estivessem ali para ver algo divertido na aldeia.
Agora havia outra coisa legal para se ver, outro pequeno festival de musica, assim como aquele em que vira tocar pela primeira vez.
Akira fora um tanto insuportavel esses dias e disse que como “vingança” pela pequena mentira da outra vez, eles obrigariam os Akumas a se apresentarem.
Era idiota e imprudente obrigar e por alguém que acabara de se recuperar de algo tão pesado, mas Akira levara e fizera os meninos levarem tudo com enorme simplicidade, ela não viu, mas sabia que eles deviam passar as tardes do horário de visitas amolando e aprontando, sua mãe até mesmo disse que uma das enfermeiras reclamou de tanta barulheira e do fato da diretora não ter se importado.
O palco for a armado ao ar livre como sempre, estava mais frio, mas ela não vestira sequer um cachecol ou casaco também era perto do hospital e talvez por isso a familia dele tenha permitido caso houvesse algum problema que também atrapalhasse a viajem.
Poucas pessoas se reuniram e geralmente chegavam mais a noite, mas eles seriam os primeiros a se apresentar.
Olhando em volta, Toka localizou seus pais, e irmão recostados numa arvore onde o som não os incomodasse e tivessem boa visão, seu pai estava ao caráter de um AMBU ele acompanharia a pequena caravana que guardaria Yato até chegar ao seu lar. Ela se perguntou como seu clã o receberia e veria.
Mais para esquerda em cima de uma colina, ela viu Yukine sentado na grama, esperando já com ar impaciente e emburrado. E então sua mãe, a senhora Yumi estava de branco, simples e esvoaçante, usava óculos de grau, a expressão séria e compenetrada fitava o palco em espera com os braços cruzados e madeixas roxas ao vento.
Mais embaixo estavam os tios, Ren e duas mulheres lindissimas e felinas até nos modos, a avó, e mais alguns ninjas mascarados do clã e que mantinham olhos de águia ao redor.
Uma primeira nota soou e olhando para frente ela viu os Akumas afinando os instrumentos, todos serios eles se posicionavam, ventava forte e trazia folhas secas par ao palco.
E então ela o viu, ele surgiu dos fundos do palco e quando se posicionou diante do microfone as pessoas se apressaram para s reunirem lá em frente, ela viu até mesmo as tres rainhas irritantes da academia lá.
Mas focou apenas nele, se perguntado que tipo de composição poderia sair de um quarto de hospital.
Usava calção cinza assim como a camisa de moletom e o capuz não cobria sua cabeça, os olhos novamente baixos e expressão meio melancólica, o olho direito coberto pelo tapa olho.
Olhou para trás e deu um breve aceno com a cabeça, a iluminação se ascendeu.
Yato Yumi, se voltou para frente, segurando base do microfone sua boca se entreabriu e pode-se ver ar sair por ela, estava tão frio? Porque ela não percebia?
– Me ensine, me ensine, esse mecanismo.
Existe alguém dentro de mim?
Só então o resto da banda começou, mas no momento não houveram olhos sobrenaturais se ascendendo com a musica e a luz. Apenas a melancolia que acompanhava as notas e a letra.
Está quebrado, está quebrado nesse mundo.
Você ri, quando você não vê nada.
O quebrado em mim,
Me faz parar de respirar.
A guitarra se fez presente, de forma vivida de turgidamente, e logo o publico deu seus saltos apreciando a força das cifras.
Não se quebre, eu não me quebrarei.
Apure a verdade, congele.
Quebrável, inquebrável;
Insano, sem insanidade.
Eu te acharei.
Nesse mundo abalado e distorcido,
Eu, sozinho,
Acabo ficando transparente,
Invisível.
Ninguém pode me achar, não olhe para mim.
Nesse mundo em que alguém desenhou,
Eu não quero te machucar,
Então lembre-se de mim,
Brilhando, quando estava vivendo e limpo.
Ele segurou o microfone com mais força sua voz alcançando as pessoas que queriam realmente ouvi-la, suas palavras nao vinham de um quarto de hospital, vinham de algum lugar frio e solitário, doloroso e distorcido, um lugar que marcou seu ser de forma permanente.
De uma cricatriz.
Espalhando-se infinitamente, o isolamento torna-se entre laços.
Ria inocentemente, memórias estão emperradas.
Não se mova, não se quebre,
Não se mova, não se quebre,
Não se mova, eu não irei me quebrar,
DESVENDE O GHOUL!
Ele puxou o capuz cobrindo sua feição e se por um momento se afastou do microfone, recuou e quase se escondeu. Mas voltou e respirou profundamente.
Mas ele já estava quebrado!
Nada poderia concerta-lo, poderia?
Era possivel?
O que ele se tornou era incompreensivel? O que era um Ghoul?! Ninguém lhe respondia! E se perguntasse a ele, nem ele saberia.
Mas ele o era.
Daí vinha o desespero.
Eu me transformo, não consigo mais mudar.
Dois se tornam entrelaçados, os dois morrem.
Deixe se quebrar, não deixe se quebrar,
Eu não te machucarei.
Nesse mundo abalado e distorcido,
Eu, sozinho,
Acabo ficando transparente,
Invisível.
Nessa armadilha isolada que alguém criou,
Antes de meu futuro se tornar desvendado,
Por favor, lembre-se de mim,
Então... lembre-se de mim.
Não se esqueça, não se esqueça,
Não se esqueça, não se esqueça,
Paralise as coisas que já se mudaram.
Deixe no paraíso as coisas que não podem mudar.
Por favor ele pediu, mais uma vez.
Por favor, lembre-se de mim,
Diga-me... diga-me...
Há alguém dentro de mim?
(Unravel -Ling Tosite Sigure)
E as luzes se apagaram, e mesmo sendo dia e não fazendo tanta diferença, tudo ficou sombrio ainda assim,
Sem muita pressa eles deixaram o palco e Touka decidiu que deveria ao menos se despedir.
Ela contornou o palco vendo Yuri e os primos devolvendo e agradecendo os instrumentos emprestados.
– valeu! Da proxima traremos os nosso com certeza.- disse Haru.
–aí podemos fazer algo com um “dueto de bandas” – comentou Akira.
Touka se dirigia a eles quando notou a cabeleira alva ao longe, Yato contornava uma cerda provavelmente voltando ao hospital, seu andar era calmo mas ela se perguntou se ele passava mau. E o seguiu, discretamente chegou ao patio e nada viu, olhou em volta e enfim viu Yato vindo de outro lado do hospital, ele havia tirade o tapa olho e ela ainda se perguntava porque ele o usava se não haviam cicatrizes ou feridas.
Ele parou ao ve-la, surpreso, e ela se encolheu no lugar imaginando que ele deveria se perguntar porque só agora a vira, quando não houveram mais visitas. Apenas o esperou vir até ela e parar diante de si, sua figura magra não diminuia sua altura e sua sobre se projetou sobre ela cobrindo-a.
–Touka…oi.
–hn, oi – ela proferiu não muito certa de encara-lo e encontrar olhos cizentos mas de fendas comuns, não felinas.
–eu não sabia que vinha, que bom que veio – ele sorriu e ela suspirou encarando-o, seu pé mexeu nervosamente e se sentiu muito boba.
–pois é… eu estive meio ocupada… desculpe não ter vindo… visitar…
Yato deu de ombros com as mãos nos bolsos.
–tudo bem, eu não estava sendo uma boa companhia afinal, não sei como o Akira e os outro me suportaram.
Touka bufou um pouco e virou a cara.
–não sei como voce suportou eles, não devia estar de repouso?
–eu tive um pouco de dificuldade na primeira semana depoismque acordei, mas o resto acho que foi só okaa-sama sendo coruja, e bem, tinha ela, obaa-sama e ainda as tias.
–elas são muito bonitas…
–ah sim, os tios dizem que são como quadros, só olhar basta porque as acham insuportaveis e elas a eles, estão sempre brigand, é incrivel.
–é deve ser… numa familia grande…
–mas voce sabe também não?
–huh? – estranhou fitando-o.
–voce pode não ter muitas ligações de sangue, mas todos a volta da sua familia, são como uma familia também não? Voce briga com os meninos e parecem primos, briga com Minato e faz parecer seu outro irmão mais novo,brinca com a Kushina… voces tem relações estreitas – e concluiu dando de ombros – é como uma familia não?
–é… acho que sim… nunca havia pensado dessa forma e… agora voce também vai pra sua certo?
A expressaõ de Yato se fechou um pouco, de forma meio cansada e ele assentiu olhando em volta.
–é, mas é também é como se a deixasse… quer dizer, uma parte dela, e não só minha mãe e irmão… eu realmente gosto de Konoha, eu queria vir mais vezes.
–voce não pode?
–não sei, eu acho que quando voltar vou recomeçar a treinar, com meu avo, e agora com meus tios… vou ter que aprender muito mais agora, e mais rapido, eu preciso proteger meu clã e a minha aldeia.
–então é verdade… ainda existem ameaças sobre voces.
–é, mas não vamos recuar, na verdade, nós vamos pra cima… a volta da Oohime causou isso ainda que por pouco tempo, o clã está revoltado e vai querer devolver com ainda mais estrago.
–e voce precisa estar lá pra bancar o grande herdeiro – Touka resmungou mais em provocação, ele se encolheu de ombros meio constrangido.
–não tem jeito.
Ela suspirou e o vento trouxe para ela um cheio meio citrico, algo que lembrava limão e lirios do campo. Exótico mas relaxante.
–eu tenho que ir, eu só vim ao bebedouro, tomar água.- Yato proferiu, e por um momento ela o odiou por aquilo.
– hmm…
–foi bom te ver de novo, ainda que por pouco tempo.
–tem gente que diz que só sou boa de ver assim – ela murmurou sorrindo melancólica.
–não é verdade – mesmo com suavidade e a afirmativa soou extremamente decidida, e ela percebeu que queria de alguma forma compensa-lo.
Conpensa-lo por ser tão gentil quando tinha razões pra oolhar o mundo com revolta.
Por sorrir ainda que suas letras mostrassem lágrimas e frustração.
Por mostrar a ela o mundo de uma forma colorida e também cinzenta.
Que haviam muitas cores que não conhecia, que era tudo muito mais complexo.
E por faze-la se sentir até mesmo como uma menina comum.
Quando agarrou sua camisa e o puxou, fora natural até mesmo como seus labios tentaram se moldar pra um beijo.
Porém, e natural também, veio a insegurança, e diante a da face rubra do rapaz ela recuou antes mesmo de que houvesse um contato, e suspirou frustrada e envergonhada.
E ele a fitou com a mão no peito e as bochechas palidas agora rosadas como se tentasse refrear as batidas que atingiam a parede interna do peito.
Sem palavras, apenas assistindo que ela parecia realmente aborrecida por não ter conseguido ir até o fim, como quem fica por não ter visto um filme na melhor parte ou não passado com a nota que queria.
Naturalmente, estranho, constrangedor, mas comum.
–nos vemos… em breve… eu espero – Touka resmungou fitando-o com apenas um dos olhos pois o outro era recoberto pela franja negra e lisa.
–eu… Hai…
–melhor ir logo, ou sua mãe vai ficar preocupada.
Ele repirou fundo, se acalmando, ela parecia agora impaciente pra que ele fosse mesmo. Todas as garotas se comportavam assim? Era confuso, mas tremendamente, pelo menos com ela, tremendamente adoravel.
Yato sorriu assentindo. E seguiu passando por ela, deixou um pouco de travessura despontar em suas ações e se curvou instalando um beijo ligeiro na bochecha dela, sentindo a textura de cetim e o calor. Ela quase pulou para o lado e o fitou tão vermelha quanto deixara ele minutos atrás, com a mão sobre o lugar atacado,seus lábios finos tremeram sem saber que palavras soltarem assim como seus olhos mais negros que raros diamantes da noite.
Oh,ela era realmente adoravel, só não sabia, e bem lá no fundo, ele desejou ser o unico rapaz a saber disso.
E sorriu talvez um pouco pretencioso com esse pensamento.
–eu também espero te ver em breve… e bem… talvez possa continuar da proxima vez…- sentiu o próprio rubor e até tapou a boca com o dorso da mão.
– o-o que?! – escandalizou-se ela.
–até breve, Touka.
Yato acenou e seguiu com as mãos nos bolsos e um sorriso leve.
–nã-não esqueça o honorifico, baka!
–hai! Mas eu gosto que só me chame de Yato.
Ele riu, pois sabia que ela não teria mais coragem de dizer algo.
Nem ele.
Por enquanto, talvez.
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Touka não estava presente, de novo. Mas Sasuke entedia que ela não estava se sentindo confortavel com a situação. Ela se mantivera afastada o tempo todo e embora tivesse tentando amenizar ela precisava de um tempo.
Sakura parou diante do filho, que já a esperava em frente a entrada da carruagem, ele não estava em condições de seguir o trajeto e nem era idicado que fosse exposto dessa maneira.
Com um sorriso leve, Sakur estendeu a ele uma caixa de madeira negra.
–pra voce, vai precisar de agora em diante.
–huh? – ele a virou para si abrindo e apenas a curiosa Yuri que já estava dentro da locomotive viu junto a ele o presente, e sorriu dando um leve tapa na nuca dele.
–é perfeito!
–haha, voce acha? – ele comentou encarando seja lá o que e estivesse dentro – são dois, que legal.
–sim, um para o ninja usar, e outro para o homem – Sakur proferiu altiva, se aproximando e beijando sua testa — também para um Ghoul, voce sera unico dessa maneira, voce sempre foi, minha criança.
–arigato, okaa-sama e Oohime-sama.
–hum, agora pode ir, Ren já enjoou de me deixar mimar voce.
–nada contra mas poderia sobrar um pouco pra mim? – Ren brincou.
–ninguém gosta de mimar velhos – resmungou Yukine.
–gato mexeriqueiro – rebateu ele.
–o crepusculo se aproxima, é a nossa hora – anunciou Sakurako.
–sim, é, até mais pessoal.
–ah lá vai voce de novo, cade a Touka? – resmungou Akira – ela não vem nem se despedir? Que mau humor…
–não, tudo bem, eu já me despedi dela – Yato disse, fechando a caixa e entregando a Yuri que a guardou lá dentro – voce cuide da mamãe, e espero noticias – falou afagando a cabeleira rebelde do mais novo que assentiu energico embora entristecido, Yato pos novamente o tapa olho medico e enfim entrou lá dentro, a carruagem se moveu rumo a saida e ele acenou pela janela sendo quase espremido contra ela por Yuri que acenara energicamente.
–anwt, lá vai ele de novo – Sakura resmungou abraçando Yukine – somos só nós de novo né?
Yukine assentiu energico e antes de começar a seguir a carruagem Sasuke se perguntou se ela acreditava nisso mesmo.
Agora que uma verdade tão dura for a revelada.
O que ela faria?
E onde diabos Sai se meteu?
Não queria admitir, mas ele era um pilar que a sustentava tanto quanto Naruto e os Yumi, não sabia o que dera nele para desaparecer e Sakura agora ignorava sua existencia ou inexistencia.
Como já havia concluido, algumas coisas nem começaram a se ajeitar.
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