O negro daquela coisa que nem podia ser chamado de vestido destacava ou deixava a mostra cada curva porcelanada de seu corpo esguio.

Ele era apenas um pano que envolvia seu corpo dando voltas firmes que se ajustavam a cada curva, deixando um ombro exposto com apenas uma alça fina, no outro não havia alça, as pernas quase que totalmente a mostra em saltos médios, finos e prateados, tinha uma corrente prata fina no pescoço onde pendia um diamante verde, denso mas claro no centro tinha o formato largo em losango e a ponta raspava na pele do ventre bem entre os seios.

Alguém entrou logo atrás dela, pela voz, era Yato.

Não estava minimamente interessado no rapaz.

Já estava irritado o bastante com aquele rosto feminino tão inexpressivo e atraente emoldurado pelos cabelos longos, lisos e esvoaçantes.

Ela seguiu até o Shinjukage e Naruto.

O loiro arregalou os olhos e Hinata corou como agora só fazia raramente.

Sakura deu um boa noite e como não parecia perceber nada de diferente, conversou.

O tempo passou e o salão era preenchido de música e dança.

Sakura se largou num sofá com os braços estendidos sobre o encosto e suspirou cruzando as pernas.

–está cansada? Posso ver isso...- Disse Hinata sentando-se.

–hum, um pouco, tive um treinamento e tanto com Yato.

–é...ele parece um ótimo garoto- Comentou ela enquanto observava o jovem em outra discussão com os tios.

–sim, ele é.

–e vejo que o ama muito.- Sakura fitou aquele olhos perolados e sinceros, também sábios e serenos, firmes. Sorriu um pouco, se perguntando quando ela se tornara dessa forma, mas, sabia, todos haviam amadurecido de alguma forma, boa, ou ruim.

–sim, eu amo.

–isso é bom, na verdade isso é maravilhoso, mas como se conheceram?

Sakura arregalou um pouco os olhos surpresa, então riu e olhou para o garoto.

–hum... as vezes nem eu compreendo, ele simplesmente grudou em mim quando me viu.

–é? – Riu ela.

–é... Parecia até... Um pesadelo.

Ela não se importou com olhar que recebeu, já estava mergulhada naquele tempo.

E naquele tempo, tudo o que queria era... Escapar.

E lá estava ele, a representação mais fiel de tudo o que abominava.

Uma criança branca, de cabelo negro como a noite, e olhos azuis intensos e sorridentes.

Ela abominava, odiava e seu estomago se retorceu de vontade de vomitar ali, mesmo diante da criança do Shinjukage que ela nem tinha chegado a conhecer.

E já detestava.

Parecia uma piada.

Às vezes tudo ainda parecia uma piada, e o tempo que passara em Suna desaparecia.

“este é Yaboku, o futuro do clã Yumi, ele não é lindo?”

“sim...lindo...”

A beleza que ela odiava.

E ele a adorou imediatamente, só podia ser um pesadelo, ela quis chorar e suas mãos tremeram quando a inocente criança a abraçou com toda força que tinha, numa felicidade que ela nem lembrava já ter tido um dia.

Tão frágil ele era, lindo como uma boneca, e ela queria quebra-lo.

“ele realmente gostou de você”.

E suas mãos pararam de tremer imediatamente, se por aquela voz grossa e hipnotizante dura e imponente, e ao mesmo tempo, carinhosa. Não sabia.

Ainda.

“Yaboku, por favor, deixe a moça respirar”.

“otou-san!”. A criança a largou e ela percebeu que suava frio, se virou e encarou o homem grande que segurava a criança para o alto.

E de alguma forma, seu ódio se acalmou, ele não se foi, mas parou de ir contra a criança.

Um inocente.

Todos ali eram inocentes de sua desgraça.

E talvez ali, finalmente pudesse encontrar um pouco de paz.

Ou talvez paz, fosse tudo o que não pudesse ter, se continuasse a receber o intenso e gelado olhar azul daquele governante. Gelado.

Mas a chama que viu no interior daquelas fendas negras, era quente, e a aqueceu como a uma mulher.

Isso era loucura.

Era o que ela achava.

Achava.

Era apenas a sua... Segunda chance.

–Sakura?

–oh, gomen, ele sempre foi assim, maravilhoso, gentil, quase inocente, e as vezes meio...bobo.

–idiota?

–certo, certo, mas é algo que se supera com a idade, menos no caso do seu marido deve admitir.- Hinata corou e suspirou.

–ora vamos, ele melhorou muito.

–mas claro.- Riram.

–nee, ele se parece com o pai?

–quer dizer em aparência?

–oh, também, mas digo, os trejeitos.

–hum.- Sakura se levantou e fitou.

–venha, eu posso mostrar.

–oh.- Hinata se levantou e a seguiu, foram para um corredor e lá, no meio dele, pararam.

–veja.

Hinata encarou o grande retrato, abismada.

–ele...?

–hun- Assentiu a Haruno.

–mas Sakura ele é...

–assustador, não?

Elas conversaram por um bom tempo ali, até resolverem voltar.

–como vai Minato?

–oh, hoje é dia de ensaio com a banda, crianças.

–banda é? Sei de alguém....

–huh? Que diabos faz aqui mulher?- As duas pararam encarando a pequena comitiva com o Shinjukage composta do Hokage, o casal Uchiha, e Ren.

– dando uma volta, nada melhor para fazer, otouto?- Ren riu.

–tão cruel, se aproveitando de meros meses...

–seguindo a tradição.- ela revirou os olhos – farão alguma reunião?

–lie, apenas a nossa mãe pediu que eu mostrasse algumas coisas sobre o clã, aliás, ela só não faz isso agora porque está ocupada demais vasculhando isso aqui atrás do seu filhote.

–Yato? Onde ele está? – Ele deu de ombros, debochado.

–quem sabe? Esse é o problema, hehe.

–como você é irritante, ele sumiu, querida, deve ter dado uma escapada, você sabe, atrás de garotas...- Comentou Yuzuru.

–Yato? Ele é filho do seu irmão não seu.

–porque eu me sinto ofendido?

–porque são as garotas que correm atrás dele não o contrário.- Rebateu ela abrindo as portas de volta ao salão, correu com os olhos por ele todo.

–agora está ofendido? – Provocou Ren e levou um soco no ombro. –itai...baka

–hm...Onde está Yuri? – Disse ela.

–Yuri?

–sim, e Yabo? E Haru?

–agora que você falou...

–are,are, que reunião mais... divertida.- A voz fria e desdenhosa, fez Sasuke sentir o aperto da mão de Ino em sua manga, olhou para frente e viu o substituto caminhando na direção deles a passo quase preguiçoso, um sorriso, verdadeiramente irônico curvava sua boca.

Usava calça, camisa e jaqueta pretas, seu cabelo estava mais longo caindo ao lado do rosto, mais forte fisicamente e usava luvas de dedos cortados também pretas.

–dispenso suas piadas, Sai- Cortou Sakura caminhado até ele – mas não dispenso sua companhia.

Naruto entalou e Hinata arregalou os olhos, e não foi a única.

–hey, que porra é essa? Isso num tá meio...bem- Disse Ren.

Sai o fitou, aquele sorrisinho na boca e as mãos nos bolsos da jaqueta.

–inveja? –

Ele nem o fitava, mas de alguma forma, Sasuke sentia que a conversa era com ele.

–huh? Deixem de frescura os dois, e você porque demorou? Disse para estar aqui as oito, não disse?- Falou Sakura, ele tirou a mão do bolso e coçou a cabeça.

–me perdi pelos...caminhos...da vida? – Arriscou, ela arqueou a sobrancelha.

–já colou no Kakashi de novo? Que seja, você viu Yato?

–tenho mesmo que dar essa informação?

–a quanto tempo não te soco? – Irritou-se ela.

–prefiro não lembrar...

–Sai!

–hai, hai, ele está com a turminha dele, deixe o fedelho os mandei pra um bom lugar.

–sério? – Disse Ren esperançoso. Sai riu, entendendo-o.

–não tão longe.

–aff.

–onde ele está, e como você libera um monte de crianças a essa hora?

–as cópias estão com eles...

–aquelas duas são tão cabeças ocas quanto você, ah, que seja, apenas me leve até eles certo?

–huh?

–vamos logo?

–ora, que saco deixe eles, vai bancar a mãe coruja? – Disse Yuzuru.

Sakura riu enquanto já seguia ao lado de Sai rumo à saída.

–vou me divertir!

–huh?

Ela aceitou um xale oferecido pela sogra e continuou, girando acenou para eles com um sorriso aberto. Que há anos Konoha não via.

–afinal, os Akumas estão à solta!

Sai a fitou de soslaio e sorriu de canto, e assim saíram batendo as portas.

Akumas...?- Murmurou Hinata.

Akumas.- Repetiram os irmãos se entreolhando. Então fizeram caretas.

–ah! Fala sério!!