Talvez - EM HIATUS
8 Capitulo 8.

Só podia ser palhaçada.
Ele estava mesmo indo? Para um curso?
De Genética? Ele era um ninja, não um médico. Ou cientista.
Sasuke bufou enquanto caminhava para antessala do auditório, estava repleto de homens ali, literalmente, repleto.
De homens.
–yoooo!- Ele se virou e encontrou Azuma, um antigo companheiro do treinamento ANBU, ele estava em campo até onde sabia, e como Sasuke era apenas um dos diretores não sabia sobre todos os ANBUs em campo e suas atividades por motivos de segurança. Ele só conhecia a identidade daqueles que lhe serviam diretamente e alguns poucos que correspondiam ao Hokage, como Sai.
–hn – Foi sua resposta, e acostumada o rapaz sorriu de orelha a orelha, ele era meio Dobe, só não era de provoca-lo.
–como vai a família? Soube que seu filho já está quase se formando na academia e outro treinado para o exame Chunnin certo?
–esse é o ultimo semestre dele, estão indo bem.
– que bom, eu estou pensando em ter o primeiro agora.
–huh? Ah, é casado...- Lembrou-se agora do porre que o homem era quando brigava com sua jovem esposa.
–sim, Midore está ansiosa, principalmente depois que uma amiga teve filho, acho que despertou o instinto nela.
–hn...
Ouviram uma gargalhada grossa e abrupta, desagradável e olharam para o lado, um armário ria escandalosamente deixando até quem estava a sua volta meio constrangido.
– ah não... Yomu está aqui? – Alguém resmungou.
–fala sério. – Disse Azuma.
–quem é? –
–huh? Não sabe? Mas ele te odeia...
–huh?
– ele é Yomu Nagashi, da divisão de crimes hediondos, esse cara é um grosseirão, ele não respeita ninguém, dizem até que já desafiou o Hokage, mas se não ouviu sobre ele é por que é mentira.
–hn.
– ouvi dizer que ele ia te desafiar, parece que ele diz a quem quer ouvi-lo que não gosta da sua cara, você sabe...por aquilo.
E por aquilo, ele se referia ao fato de um ex nukenin ser um dos diretores da ANBU atualmente, que haviam pessoas que não gostavam desse fato, Sasuke já sabia, e nunca o incomodou.
–senhores? – Chamou uma mulher que entrou na sala – por favor, me sigam a palestra vá vai começar.
– até que enfim, huh amorzinho? – Disse Yomu, ela piscou surpresa, mas se recompôs e deu as costas guiando o grupo para o auditório, era grande e estava mergulhado na semi escuridão apenas a luz sobre o palco e o telão de Slide eram iluminados nos fundos a esquerda ao lado do telão tinha uma porta com uma janela de vidro, e havia uma mesa mais a frente pela direita onde foram deixados alguns panfletos ou coisas assim.
Foram todos tomando lugares, ele ficou nem muito perto nem muito longe do palco, teria uma boa visão e audição dali, sobre o assento tinha uma pequena prancheta com uma caneta, folhas em branco e panfletos.
Mais gente passara nas fileiras atrás dele e Azuma sentou ao seu lado.
–ora, ora, o que temos aqui – Sasuke olhou para cima e encarou o tal Yomu atrás de si, ele era loiro tão claro que se estivesse sob uma luz forte deveria ser irritante olha-lo, seus olhos eram escuros e não escondiam desprezo e sarcasmo tal como no tom de voz.
–um Uchiha, bom, não é como se houvessem muitos é?
–o-oe...- Interveio Azuma.
–huh? Algo a dizer baixinho?
–não se incomode — Disse Sasuke e os dois o fitaram ele ergueu o olhar novamente e encarou o outro.
–realmente estamos escassos no momento, mas isso é bem temporário.
Yomu o fitou um tanto aturdido, e os burburinhos o irritaram, porém ele logo se conteve.
–claro!- riu ele e bateu em seu ombro com a palma enorme como se falasse com um camarada – soube que está fazendo o possível huh? Garotão!- Ele então seguiu em frente indo se sentar perto das últimas cadeiras. Lá, continuou com seu falatório e... Como o cara era grosseiro, falava de tudo com comentários de baixo nível e se atrevia a comentar até os seios da antiga Hokage a qual poderia entrar a qualquer momento. Afinal era ela quem daria o curso, o que só faria isso ser mais chato.
A mulher falava bem, mas quem apreciava ouvir quem não gostava?
–esse cara é um saco – Resmungou Azuma.
–hn, quando vai começar mesmo?
–oh...
Cerca de quinze minutos se passaram. Já havia mais silencio no auditório porque estavam todos entediados.
Até que viram vultos na janela da porta dos fundos do palco e então a porta se abriu a moça que os atendera na sala fez uma reverencia para a mulher que passou, a passo preciso e rápido ela seguiu para a mesa sem nunca olhar para o auditório que imediatamente se encheu de novo de vozes abafadas.
–na-nani, é ela? Sua ex? Sakura-sama?
Sim era ela.
E desde quando estranhos a chamavam por honorífico tão importante?
Sakura tinha um casaco preto com gola de pele sobre os ombros que lhe cobria todo o corpo deixando só as canelas amostra, seu cabelo fora todo reduzindo a um coque bem firme e embutido na cabeça de onde não fugia um misero fio rosado, com uma boina preta com apenas um detalhe prateado na frente em forma de flor de cerejeira. Sua expressão estava fechada, talvez até irritada o que criou certa tensão no lugar todo, ela parou atrás da mesa e puxou o casaco largando-o sobre a cadeira e a boina sobre a mesa. Se virou e veio agora sem tanta pressa, para o centro e frente do palco.
Usava um vestido formal, de um lilás azulado e frio destacando sua pele leitosa, ele era justo até demais, emoldurando os seios com um decote discreto mas, um decote.
Parecia uma segunda pele na parte da cintura e traseiro, e o tecido não devia ser grosso por podia-se ver as ondas suaves de seu ventre sob ele. A parte da saia era justa nas cochas, até pouco acima do meio delas. E sabe-se lá por que ele não se levantou e perguntou algo como o que alguém já havia murmurado.
–isso é um vestido ou ela pintou o corpo?
Sakura juntou as mãos, os cotovelos um pouco flexionados, olhou para chão pensado em algo, ou talvez com vergonha.
Ela respirou fundo e de repente o decote já não parecia tão decente, alguém assoviou lá atrás, ela ergueu a cabeça encarando-os com seus olhos verdes firmes, frios e profissionais.
–Eu sou Sakura Haruno, e graças a alguns imprevistos, serei eu quem lhes ministrará estas aulas, muito prazer, senhores.
–HUUUUUUUHHHHH?!!!- A exclamação coletiva encheu o auditório.
Isso só podia ser palhaçada...
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–falácia!Injuria! Calunia!- Disse Sakura enquanto caminha entre os corredores que davam acesso as filas de cadeiras, ela se virou de uma vez assustando que m estava perto. – Mentira! – Declarou energicamente.
No começo ninguém acreditou e até surgiram piadinhas, mas ela apenas dera as costas e começara com o show de slides e eles perceberam que era sério, a mais de três horas ela dissertava sobre o tema e por mais cansativo que parecesse absolutamente ninguém estava para dormir ali.
O tom de voz da Kunoichi era alto claro o bastante as vezes agressivo como agora, ela os provocava a perguntarem algo e conseguia fazer disso um debate.
E claro não era só porque o assunto começava fascinar todos ali, mas era difícil tirar os olhos dela ela se movera por todo o palco, cochichos baixos sobre suas belas pernas soavam a todo momento, talvez ela tivesse ouvido? Afinal agora estava ainda mais próxima a pelo menos quem sentava nas extremidades dos blocos de assentos.
–Genótipo – Continuou ela – é a expressão do gene, do GENE!- Repetiu – e Fenótipo é a expressão do gene junto as modificações causadas pelo ambiente, não são e NUNCA vão ser a mesma coisa.
Ela deu as costas e seguiu rumo ao palco segurava uma caneta falsa que servia como controle para passar os slides e tinha um laser na ponta com o qual ela indicava alguma tabela ou explicava um desenho que viesse a aparecer.
–mas o que viram a ser essas modificações? – Perguntou um homem.
Ela se virou pos toda intensidade se seus olhos nele ergueu a mão e apontou.
–seu cabelo.
–huh?
–é tingido?
–oh, não.
–hum, alguém aqui tem cabelo tingido?
Um bom numero de mãos se levantou, ela passeou pelo palco e foi até a mesa se servindo de água ali deixada pela assistente.
–Gente...- Começou – fenótipo se trata da forma como seus genes se expressam em seus corpos, se na sua linhagem e na formação de seu ser estiver decidido que terá cabelo loiro ou cabelo castanho, assim será e é isso que vocês vem todos os dias quando se levantam, porémfenótipo é aquilo que o ABIENTE induz em vocês é o bronzeado que pegam após treinarem o dia todo, e a tintura que escolherem usar, é até mesmo membro que possam chegar a perder vamos simplificar certo?
Sakura pos o copo na mesa e voltou para a o centro e frente do palco.
–esta sou eu- Indicou a si – tenho um metro sessenta e três, e é bom ninguém fazer piada com isso – avisou com um leve sorriso e continuou – meu corpo é bem frágil a primeira vista mas todos sabemos que não é desse jeito, eu quis assim eu o modifiquei para isso, minha escolha, minha modificação, meu ambiente, que modificou meu corpo, eu mudei sua natureza mas minha expressão gênica ainda esta nele, eu não engordo facilmente mas nem por isso me arrisco, eu também não desenvolvi uma musculatura tão aparente por mais que eu treine, meu cabelo é rosa graças a uma pequena mutação nos pares de alelos, não é passado por geração sanguínea é um acidente genético que acontece vez ou outra, e eu não modifiquei isso, ele está aqui não? Minha expressão gênica e minha expressão fenotípica que eu posso dizer que sejam esses saltos mascarando minha altura ou como citei a resistência do meu corpo, resumindo genótipo é o plano inicial a planta do que será nosso corpo e nossa mente, o fenótipo são aquelas mudancinhas que fazemos apenas para mudar a aparência do lugar, ou que somos obrigados a fazer para vivermos melhor, ora, essa planta pode não ser perfeita afinal e teremos de mudar uma coisa ali e aqui, então fenótipo é aquela mudança na decoração da casa, no corte de cabelo, cor, fortalecimento da musculatura, cor da pele tudo, tudo que nos modificar seja por nós mesmo ou pelo ambiente a nossa volta, tudo que pode estar fora do planejado e mudando nossa aparência que foi decidida desde antes de nascermos, estamos entendidos?
–Sim...
–eu não ouvi – Desdenhou ela.
–SIM!.
–Hum,- Sakura se voltou para o telão e suspirou.- iremos parar por aqui, o almoço vai ser servido logo e então voltaremos e começaremos a falar desses acidentes genéticos até por que não é justo falar só do meu cabelo.- Resmungou ela. Deu as costas e seguiu para porta dos fundos do palco logo a assistente apareceu e os convidou para o almoço.
–cara eu to acabado, ai meu traseiro... Espero que ela libere a gente cedo...- Resmungou Azuma se levantando e se espreguiçando como boa parte do pessoal.
Saíram seguindo para uma sala onde uma atraente refeição foi servida.
As únicas mulheres a vista eram as serventes, as três organizadoras e Sakura que estavam sentadas numa mesa mas distante conversando.
Sasuke seguiu para a varanda buscando um pouco de ar puro. Tanto perfume masculino o estava enjoando, e o mais estranho foi que viu gente se perfumando pra lá e pra cá.
Sakura franziu a testa ao depara-se com um rapaz tão jovem ali e chama-la pelo nome.
–sim, sou eu. – O garoto sorriu e deu-lhe uma caixa preta.
–entrega para senhora, pode assinar aqui?
–oh, — Ela aceitou a prancheta e assinou o rapaz se despediu e apressado se retirou.
–de quem é? – Disse uma das moças curiosa.
–vejamos. – Sakura desfez o laço prateado e fino que envolvia a caixa e abriu, surpresa fluiu em sua face mas logo se desfez num sorriso que aumentou a curiosidade das mulheres, ela pousou a caixa na mesa. – uma pessoa muito gentil.- Respondeu.
–eh? Oh que lindo!
–nossa!
–oh deve ser caro...
– será?- Sakura pegou uma das argolas de prata cujo centro era em espiral cheio de diamantes pequenos e examinou — é lindo, eu adorei.
–mas quem mandou?- Ela riu e se limitou a colocar os brincos.
–ficou bom?
–sugoi!
–ficou lindo Sakura-sama!
–arigato.
–nee, não vai mesmo contar?- Sakura riu mais uma vez e se levantou caminhando para o centro da sala bateu palmas pegando toda a atenção para si e sorriu largamente.
–senhores, espero vocês no auditório em cinco minutos – Deu as costas e seguiu para fora do recinto.
O que motivara seu sorriso deveria ser algo grande pois ela não o desfez mesmo quando estava no palco, e tentava conte-lo comprimindo os lábios.
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– até a segunda, Sasuke-san!-
Sasuke se limitou a acenar com a cabeça e seguir entre a pequena multidão que saia do prédio, já era noite e ele já estava com fome.
E talvez um pouco irritado.
–otou-san!! – Se virou e foi abraçado, ainda surpreso pousou a mão na cabeleira de Itachi.
–Itachi? O que faz aqui?
–otou-san!
Ele foi abraçado de novo e encarou a cabeleira negra tão intensa que parecia quase azul as vezes.
–Touka...- A jovem ergueu a cabeça e o fitou a franja sempre cobrindo um lado de seu rosto, olhos negros animados o que ela pouco demonstrava. O rubor era mais raro ainda.
Sua filha mais velha.
Dezesseis anos.
E que ele só conhecera a sete.
Cuja a mãe ele só viu o corpo morto, um rosto que nunca sequer havia visto, e ainda assim compartilhara com ela, uma criança.
Mas isso agora era passado. Porque Touka era seu sangue, sua herdeira, tanto quanto Itachi.
E ele a amava.
Afagou o rosto alvo da moça e suspirou.
–como foi a missão? Ele se afastou sorrindo discretamente, afinal, era uma Uchiha.
–foi tudo bem, meio entediante até.
–ela não bateu em ninguém é por isso. – Comentou Itachi, e a garota agarrou sua bochecha.
–huh? O tampinha tem algo a dizer? Huh?
–ita...nee-chan...
–hunpf.
–ela chegou ainda pouco, então pensei que podíamos jantar fora o que acha?- Disse Ino ao parar a sua frente.
– boa ideia, estou faminto.
–como foi a aula? Foi interessante? Tsunade-sama os levou a um laboratório?- Perguntou Itachi. Sasuke deu de ombros e Afagou sua cabeça.
– nem acho que isso esteja no cronograma, e não foi ela a dar a aula...
Olhou em volta, e bem como sentira, viu a mulher que saia do prédio novamente envolta no casaco acenando gentilmente para quem se despedisse.
–foi ela- Indicou com a cabeça.
–ah...- Murmurou Ino.
No começo, Touka não viu nada demais, mas quando a mulher parou embaixo da luz do poste para falar com o alto homem que a abordara, foi impossível não perceber o rosa delicado e primaveril que era seu cabelo.
–vamos, Touka- Chamou Ino.
–hai.
A jovem parou de olhar para trás e seguiu, ao lado da família.
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Era estranho Ino já não estar deitada, mas Sasuke ignorou e se sentou na beira da cama tirando os chinelos, viu a mulher sair do banheiro e encara-lo o tempo todo enquanto se aproximava e parava a sua frente, usava uma camisola amarela, fina que dava destaque as suas curvas nunca perdidas, apenas escondidas.
Sentiu os dedos dela em seus cabelos e voltou a fita-la vendo seriedade nos olhos azuis.
–sabe que isso não pode continuar assim, você está tenso, eu estou... e agora com as crianças em casa...-
–hn.
–não podemos permitir isso, não aqui em casa, não devemos deixar que esse tipo de coisa... os atinja, eles não tem culpa de nada, então...
Ino se sentou em seu colo, sem tirar os olhos dos dele, baixou as finas alças da camisola enquanto aos poucos mexia o quadril. Levou a boca a seu ouvido.
–pelas crianças...
E ela não precisou insistir mais.
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–realmente, são lindos! Eu adorei –
–que bom.
–mas não precisava ter comprado, Sai, você não tem que me mimar...
Sai parou e a fitou.
–mas eu quero.
–Sai...
–eu gosto.- Sakura o fitou longamente, ele sorriu e a puxou pelos ombros continuando o caminho.
–espera, não é por aqui Sai...
–eu sei, mas tem uma coisa que você deve ver.
–é?
–é, então pode esquecer de voltar para o Yato hoje.
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