Notas iniciais
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– então se ele quebrar seus contratos, pode mata-la – Sasuke disse, Sakura assentiu, após tomar outro gole de café, e observar Sesshoumaru dormindo no sofá. Depois de tudo, a aparição de Nora o deixou realmente com medo de ficar afastado dela. Já haviam mandado as crianças para casa, embora Touka ainda esperasse ali, com o pai e Yuri, Haru e Yabo fossem dormir na mansão.

Naruto caminhava de um lado para outro, pensativo.

– o correto, é que somente o mestre desfaça o contrato, tal como Yato fez, mas Yasuhiko, queria extinguir os Noras, e criou um jutso de quebra, e é está técnica que Yato estava levando, ela pode quebrar todas as ligações, mas o preço é um esgotamento físico sem igual, Noras se acostumaram a ter seus chakras em harmonia com o de muitos mestres, se essa ligação é cortada de vez, eles podem entrar em colapso.

– aquela menina tinha muitos selos...- ele comentou.

– muitos, demais, de fato, eu nunca vi tantos e estou com medo, Yasuhiko disse que é perigoso para o usuário e por isso, deu regras para o uso, no caso, somente se o Nora realmente quiser se livrar dos selos, afinal, ser Nora é uma escolha de vida, e se deve conviver com ela.

– então não acha que Yato pode estar negando a escolha da menina? – Naruto indagou.

– talvez? Ele a conheceu melhor que qualquer um do clã, ela pode ter lhe dito mentiras ou verdades todo esse tempo, mas o que importa também é que Nora é perigosa, não estando mais trabalhando para nós, não podemos deixa-la livre, então mesmo que ele não quisesse captura-la ou mata-la, Yuzuru daria a ordens de caça à ela, e a mandaria para uma cela, ela é uma fonte, que, se não pudemos usar, ninguém mais pode.

– de fato – Sasuke teve de concordar.

Touka observou Yuri deitada em seu colo, a baixinha chorara até dormir.

– por que rejeitam tanto ao laço dela com Yato?

– Yato é príncipe, é revoltante que na posição dele, se rebaixe a ter alguém como um Nora como sua regalia, que no caso, é nome que damos aos Shinkis que serviam as cabeças do clã, uma regalia deve ser um membro de confiança, ele tem uma ligação forte com o mestre, tal como Nora fez, eles podem acha-lo facilmente, como se fossem bussulas que só apontam para ele, se alguém assim trai seu mestre, ele está em sério risco, por isso com o fin da guerra, muitos contratos foram desfeitos, poucos foram mantidos, e quase nenhum foi criado.

– hn...

– Yato nunca usou Nora como Shinki em uma batalha, ela pode se tornar um tipo de arma para cada mestre, mas ele só a mantinha como sua fonte, nunca gostei disso, sei que nenhum Shinki gosta de ser tratado como inútil numa batalha, isso fere seu orgulho e tenho certeza que feria o da Nora também, por isso ela sempre pedia para ele usa-la, chamar seu nome.

– qual era o nome dela antes dessa coisa de Nora? – Naruto indagou.

– oh? O nome que o pai lhe deu? Mizuchi...

– que? Que nome assustador para se dar à uma filha!

– vê? – ela fitou Touka e também Yuri – por isso Yato, ainda procura lutar por ela, Mizuchi foi o nome dado por seu pai, tanto como filha, tanto como nome de Servo, Mizushi, e Chiki, como Shinki, que tipo de pai faz isso?

Touka suspirou, muito atordoada ainda.

“-... e torna-la minha”

“-... ele vai casar com ela?”

Ela queria realmente acreditar que era como Sakura disse, que eles eram adolescentes e estavam sempre romantizando tudo.

“ – Adolescentes, veem romance em tudo! voces são não tem jeito! Yato provavelmente falou no sentido de torna-la sua Regalia”

– ah... Mas ela é bonita! E tem peitos grandes! Aquele pervertido...

– que bobagem, embora eu não possa negar, que antes de se tornar Nora, ela era uma forte candidata a noiva Yumi...

– eu sei! Eu lembro das pessoas discutindo isso...

– porque ela? – Sasuke indagara.

– tal como alguns Yumis tem mais sangue pra se tornarem bons Ghouls, outros tem para Shinki, Nora e o pai dela vem de uma ramificação de Shinkis ótimas, realmente poderosas, então para Yato, uma esposa como ela poderia dar um herdeiro de sangue forte novamente, tirando do sangue dos filhos dele, o sangue dos Hasegawa, mas, isso era cogitado por que Yasuhiko era viúvo, depois que eu cheguei...

– Sakura-sama nos deu a promessa de um sangue puro na cabeça do clã, e com Sesshoumaru para dar continuidade ao sangue ghoul, Yato não tem que se casar necessariamente com uma Yumi, pode ser uma Hasegawa, ou mesmo uma filha de um senhor feudal, por isso tão sempre jogando uma princesa em cima do infeliz...- resmungou Haru.

– ora, não é como se meu bebê não tivesse seu próprio charme!”.

Mas como não ver tudo com uma perspectiva “romântica” quando ele falava daquela forma tão... possessiva? Como se realmente odiasse ter ficado sem contato com aquela menina, como se fosse muito mais que uma troca de informações.

– bom, está muito tarde – Sakura disse, pondo a xicara sobre a mesinha e pegando o menino que ressonava no colo. – eu realmente não sei se Yato conseguirá sequer alcança-la, ainda mais sem o contrato, mas não vou pedir mais tempo, Naruto, Yato é muito impulsivo.

– tudo bem, mas tem certeza que não quer que eu mande alguém no rastro dele? pode mesmo ser uma armadilha.

– eu tenho que deixa-lo correr este risco, Nora pode não valer a pena, e se não valer, ele deve aprender isto de forma dura, e se ela valer, ele deve lutar por ela até o fim, somente torço que se for esse o caso, aquela menina seja forte o bastante para sobreviver ao processo, eu não quero que ele sofra por perder mais alguém que considera pertencente ao clã.

– entendo...- então vou indo, dou noticias se ele der entrada na aldeia.

– sim, sim, me informe, sei que se ele trouxer Nora, ela vai precisar de atendimento, urgente.

– vamos, filha – Sasuke chamou.

– ah...

– tudo, bem eu cuido dessa bebesona — Haru disse, pegando a jovem no colo – ela se importa muito com o Yato, ela não consegue lidar com ele fazendo essas coisas sozinho...

– talvez ele não devesse.

– tem certas coisas que devemos tomar por nossa propria responsabilidade, Yato levará o peso de um clã nas costas, e quem sabe o de uma aldeia, não importa quantos conselheiros ele tenha, as pessoas sempre o verão como o principal pilar, Yuri se preocupa que ele se afaste, e não aceita bem esta mudança, mas ela vai, um dia, ela ficará tão orgulhosa, como eu – Sakura disse.- agora vamos por estes bebes na cama, uma pena que a festinha tenha sido bagunçada assim...

– nem deu pra gente aprontar, ainda mais com esse ninja nos vigiando – disse Yabo.

Ela riu.

– Voces o pegaram é?

– nos arbustos, íamos castiga-lo mas ele fugiu, da próxima, a gente suborna ele.

– oh, jamais conseguirão, meu pequeno ninja é incompravel!

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Se tem uma coisa da qual Ino nunca imaginou que sentiria tanta falta, eram as madrugadas no hospital.

Ela nunca foi uma criança temerosa, enquanto muitos temiam caminhar pelos corredores silenciosos e brancos, ela gostava da paz deles e gostava, embora até soasse mórbido, de quando tudo se agitava de uma hora pra outra com a chegada de ninjas feridos em missão, pessoas bêbadas que sofreram acidentes ou crianças que passaram mal durante a noite.

Gostava de passar de quarto em quarto, verificar cada paciente, dar melhor acomodamento aos familiares e auxiliar nos procedimentos.

Depois de mais uma rápida inspeção pelos corredores, ela pegou um pequeno intervalo, e saiu do prédio, indo para uma pequena loja de cafés e chás que ficava aberta noite adentro. Sempre via Sakura comprando lá quando sua garrafinha com café de casa acabava antes do turno, e ela nunca foi chegada no café das enfermeiras, muitas vezes feito ás pressas, hora forte demais, fraco, amargo ou doce.

– olá, um café, por favor.

– doce ou amargo?

– não muito doce, mas beeem forte.

– sim senhora!

Com o copo de plástico ela retornava para dentro do hospital quando ao entrar na recepção, vazia no momento, deparou-se com uma sombra negra.

Ino parou, por um momento cogitando se não via fantasmas mesmo.

Percebeu sangue respingando no chão onde ele pisava a acabou deixando o copo cair, o som preencheu o recinto vazio e ele se virou.

Vontade de gritar não lhe faltou, mesmo reconhecendo aquela mascara e aquele olho vermelho.

Ele se aproximou, cambaleante e só então ela notou que tinha um corpo nos braços. Ino levou as mãos a boca, horrorizada com a perspectiva de ele ter cedido aos instintos mais tétricos de seu sangue.

Era uma moçoila em um kimono branco, encharcado de sangue. Ele caiu de joelhos, como que cedendo ao fim das forças, e deitando a moça ao lado, tombou para o outro.

– Ino-san... salve-a...

Passado o choque, ela correu até os dois. Puxou a cabeça da moça, e notou que estava viva, praticamente sem chakra e com braços e pernas cheios de cortes finos.

– hey?! Alguém! – ela berrou até que alguém aparecesse, e logo todo o silencio da noite foi cortado da forma que ela apreciava.

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– ela está bem? – Yato indagou, sentando-se na cama. Ino assentiu sorrindo, tal como Sakura que sentou na beira e acariciou seu rosto.

– ela vai ficar, fora as agressões causadas pela técnica, ela está bem, não ficou nem um único selo nela, querido, agora está sofrendo apenas de esgotamento físico.

– ela está completamente fora de risco – Ino afirmou.

– obrigada.

– não me agradeça, se não fosse Ino na hora, ela poderia ter tido um colapso com a falta de chakra.

– eu ia toma-la, mas o meu... se o fizesse não teria como traze-la de volta, obrigada, Ino-san.

– você fez certo, agora descanse – Ino disse — é a melhor forma de me agradecer.

Ele riu um pouco e assentiu, se deitando.

– e a mim, também, além de tranquilizar meu sofrido lado de mãe – Sakura, pediu, beijando a testa dele e se levantando – comporte-se, vou estar de olho, você está no meu terreno, mocinho.

– hai.

Ela devolveu a prancheta para Ino e seguiu para fora.

– pelo menos não levei cascudo – ele comentou, Ino riu e concordou, seguindo para fora, e indo verificar a outra moça.

Ela tinha traços definitivamente Yumis, mas estranhava seus cabelos longos, a tradição deles em relação à uma moça exigia o contrário.

Mas era ainda mais admirável quão bem feita de corpo era, mesmo quase tao baixinha quanto Ino ela tinha um corpo invejável, não sabia qual a relação de Yato com a moça e Sakura não deu grandes mostras sobre tal, mas ela era perfeita!

Ino analisou sua pressão e os últimos exames para ter certeza de que só tinha mesmo o esgotamento físico. Com tudo em ordem, saiu e foi fazer bater o ponto eletrônico. Estava exausta, já era bem cedinho ela ansiava chegar em casa e se jogar na cama.

Não encontrou ninguém lá, Sasuke as crianças já haviam saído e ela largou a bolsa, tirou a blusa larga que usava sobre a regata e as sandálias, puxou a coberta e rastejou para debaixo dela, até se encolher em seu próprio lado da cama e fechar os olhos.

Com um suspiro, ela se perguntou vagamente, se dormia no lado da cama que pertecera à Sakura, ou se Sasuke o tomara e dera-lhe o seu.

Era um pensamento bobo, ainda mais depois de tanto tempo, e ela viu que não importando a resposta, estando àquela altura da situação, não lhe daria qualquer valor.

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– tem certeza que podemos visita-lo? – Haru disse, olhando em volta nada confiante, eles eram um grupo meio grande pra ficar transitando assim pelos corredores do hospital.

– ora claro que sim! É horário de visitas! – Yuri teimou, enquanto arrastava Touka consigo, iam elas, Haru e Yabo, Akira e Kyoko, foram os únicos que conseguiram sair com tempo de pegar o horário de visitas.

– acho que somos muitos, podem reclamar, isso é um hospital – comentou Kyoko.

– é só não fazer barulho, e bem, não precisava ter vindo...

– Yuri, não seja grossa! – Yabo censurou-a.

Yuri, suspirou resmungando um pedido de desculpas, embora Touka também não se importasse que a outra fosse embora.

– ai, onde fica esse bendito quarto?

– estão perdidos, crianças? – perguntou uma senhora.

– estamos procurando o quarto de um amigo, ele veio ontem, se chama Yato Yumi.

– oh! O rapazinho filho da diretora, ele está no outro corredor, quarto 352, está descansando mas creio que já bem disposto.

– arigato!

– por nada, é, impossível não saber de quem se trata, e ainda é um rapaz tão gentil...- ela suspirou, indo embora, eles franziram o cenho.

Touka não acreditava que aquele lá conseguia conquistar até senhorinhas.

Yuri voltou a arrasta-la pelos corredores e se apressaram até o quarto. Ela não queria ve-lo ainda, sentia-se magoada, mesmo sabendo que não tinha tal direito.

Não sabia nem como ele chegara, seu pai apenas comentou que chegou pela manhã e essa falta de informação a deixou inquieta.

– Yatooooo?! – Yuri invadiu o quarto sem nem bater e se correu parasse jogar na cama, para só então notar que estava vazia. – ué? Cadê?

Touka indagou-se como seria se Yato estivesse lá todo quebrado e Yuri se jogasse assim sobre ele. Yuri era muito sem noção às vezes.

Ou sempre...

Olhou em volta e a poltrona de visitantes também estava vazia, mas na cômoda estavam as roupas pretas dele, dobradas e a mascara por cima, além de um vaso com aquelas flores vermelhas que a mãe dele tanto gostava e que tomavam a paisagem da mansão Yumi.

– onde aquele idiota se meteu?

– oh, voces são amigos dele? – disse outra enfermeira, entrando e arrumando a cama, Yuri saiu dela, encabulada.

– sim...

– eu não sei onde ele está, mas sei que deve ter outra pessoa que queiram ver, venham – ela chamou, saindo do quarto, sem entender eles seguiram e ela indicou a porta do quarto ao lado – não façam muito barulho, a pobrezinha precisa descansar e repor as energias.- acenou e saiu.

Yuri, abriu a porta de uma vez, as janelas estavam totalmente abertas, a luz e um vento forte adentravam sacudindo as cortinas brancas.

Eles se aproximaram da cama, vendo o montinho encolhido nela sob as cobertas de onde só escapava uma cabeça com longos fios negros e lisos.

– não pode ser...- Haru murmurou. Touka contornou a cama, vendo a moça em posição fetal, a mão onde havia uma agulha com soro descansava ao lado do rosto onde continha um curativo sobre a bochecha e outro no supercilho. Ela dormia profundamente. E do outro lado, Yuri pegou a ponta da coberta afim de ver mais pele, no segundo seguinte, Yato estava sentado e recostado na cabeceira ao lado da jovem e segurava o pulso da prima.

– não a toque, ela está descansando – o tom, longe de soar uma sugestão.

Yuri se soltou bruscamente.

– você... está aqui mesmo agora? Aqui?

Ele ergueu os olhos encarando-a e se deitou preguiçosamente na beirada, cruzandos os braços, suspirou.

– vou estar, principalmente agora, ela pode estar em perigo, podem vir atrás dela.

– então você...?- disse Yabo.

– Aa, ela está limpa, completamente.

– não pode ser... o Shinju não tinha certeza se daria! E ela tinha dezenas de contratos! – Yri protestou.

– ela não é qualquer Yumi, seu sangue é forte de uma maneira diferente da nossa, ela está esgotada, seu corpo está sensível, então não quero que a toque.

– sensível como?

Ele estreitou o olhar para o vazio, a lembrança que tinha deixou sua face sombria e pesarosa.

– foi como se cada selo saísse rasgando de sua pele...- murmurou – ela gritou como se estivesse sendo aberta ao meio... e sangrou também.

– que horrível – disse Kyoko, encolhida.

– nem pude marca-la – Yato comentou, com um bocejo, como se isso fosse algo chato – agora vou ter que esperar ela melhorar.

– você vai mesmo não é? – Yabo,disse, parecendo magoado.

– Aa – ele respondeu, curto – conversei com o Shinju de manhã – ele quer que a mande de volta, não que já não fosse fazer isso, mesmo.

– manda-la pra que?

– para o óbvio, para ser reintegrada ao clã.

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– como está? – Sakura indagou, em resposta e moça se encolheu, evitando contato ocular.

– b-bem...

– que bom – ela disse, suavemente, sabendo que ainda demoraria para ter um efeito. Nunca chegara a ter contato com a menina. Quando chegou no Diamante, ela já havia partido, ou sido levada. E quando a viu pela primeira vez, estava já com vários contratos em sua pele causando horror e nojo no clã.

A menininha que vira naquela época era ousada o bastante para pisar no distrito com seus pés “sujos” surrupiar frutas e desdenhar dos moradores. Seus olhos de vinho eram afiados e perspicazes e demonstravam também, um repudio enorme ao clã.

A de agora, estava claramente na defensiva com ela, muito arisca e constrangida, mesmo não conhecendo-a sabia quem Sakura era, afinal.

Sakura não entendia como uma pessoa poderia escolher ser odiada pelos próprios semelhantes, muito menos uma criança. Passara a pensar nisso com o tempo, e tinha certeza que era essa a questão para Yato. Ele não compreendia, e além de tudo, faria o que achasse correto para contornar.

Ela checou o soro da menina, e quando se aproximou para examinar sua pele, viu-a se afastar como um gato arisco.

– tudo bem, eu só quero checar sua pele, ver se a sensibilidade passou – a jovem assentiu, relutante, ela se sentou na beira e pegou seu braço, a pele estava meio avermelhada, como se tivesse passado muito tempo sob sol forte. Os cortes foram todos sarados, ela só demonstrava fadiga.- ainda arde?

– não muito.

– mas algum lugar arde muito?

– na-nas costas...

– entendo, pode se virar? – ela assentiu girando na cama, e puxando as longas madeixas para a frente. Sakura desabotou a camisola e curou e amenizou a sensibilidade como podia, presumiu que ali houvessem estado a maioria dos selos e por isso uma área mais sofrida.

– seu chakra lembra o dele...- a jovem soltou.

– é? Geralmente só percebem de perto, ou... quando estou irritada.- sentiu-a ficar um pouco tensa, e tentou não rir. Fechou a roupa dela e se levantou, indo para a porta – vai ficar bem logo, bom descanso...

– tem cheiro de nós...- a menina disse, seu cenho vincado – como?

Sakura sorriu, pondo o corpo para fora.

– quem saiba eu diga um dia, hum? – piscou para ela e saiu. A ex Nora se deitou, intrigada e intimidada, jurando que viu por um momento, aqueles olhos verdes soltarem um brilho vermelho.

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– finalmente, uma semana sem aula, com mais sorte ainda, só missões boas – Akira comemorou, esticando-se no banco.

– que sorte a sua – Touka comentou, ele riu e beijou seu rosto.

– boa sorte pra você, sei que vai ser difícil sem mim – ela riu, revirando os olhos. Percebendo que não era tão difícil ficar com ele. Akira estava sendo gentil, educado e quando estavam sozinhos, mesmo sendo raro. Não fora o pervertido que ela imaginou.

Reconhecia que fora preconceituosa, isso a remoía um pouco, mas estava disposta a compensar sendo menos intolerante com as brincadeiras dele.

– awwnt que fofo, os dois pombinhos.

Touka bufou, disposta a ignorar o comentário de Kyoko, não entendia o porque disto. Sabia muito bem que Kyoko não tinha interesse em Akira, eles tiveram um pequeno “rolo” mas ele a achava chata e ela um preguiçoso.

Não durou nem uma semana.

Seria então apenas para entrar em defesa de Chieko? Não achava que aquelas três fossem tão amigas a este ponto, talvez estivesse sendo preconceituosa com elas como fora com Akira?

E Chieko gostava mesmo tanto assim dele? Então estaria sendo cruel considerando que não gostava dele como ela? E estaria pensando nela por que estava se sentindo na mesma situação? Afinal, ela estava?

– por que não vai catar umas abobrinhas hein, Kyoko? Aproveita e faz um bom ensopado, assim fica boa na cozinha, arranja um marido logo, e para de meter esse nariz onde não é da sua conta – Akira disse. Touka levantou a cabeça de uma vez, sentindo o pescoço até doer com o movimento e encarou-o estupefata. Moveu os olhos para a Hyuuga que os tinha a ponto de explodirem nas orbitas.

– A-Akira?

– humpf, idiota! – ela bateu os longos cabelos e deu as costas voltando a sua rodinha na outra mesa.

– vai, vai, encosto...

– nossa, jogar uma bomba nela seria menos chocante.- Touka comentou. Ele deu de ombros.

– já cansei dessa frescura de “meu clã é o melhor e posso mandar e dizer o que quero”, e ela não é tão gostosa assim como pensa.

– Akira!

– o que? Não to dizendo por ter provado, até por que foi há muito tempo, to dizendo o que os caras dizem.

– garotos...- ela bufou.

– soube da nova?

– que nova?

Ele olhou em volta e se aproximou de seu ouvindo, os olhos que puxara da mãe brilhando e ela sabia que vinha fofoca.

Ele talvez devesse ter nascido menina...

Ora! Por que só mulheres tinham de sair como fofoqueiras afinal?! Talvez Akira não fosse um erro, mas um bom exemplo.

Ela riu só com a mensão as palavras “Akira” e “bom exemplo” na mesma frase.

– hey, o que foi? Nem contei!

– ah, gomen, fofoqueiro.

– é troca de informações, todo ninja faz.

– sei, diz logo!

– pois é, sabe a Haruka?

– hum? Haruka? O que tem ela?

O mensão ao nome de Haruka realmente a surpreendeu, ela não era alvo de fofocas que não fossem de gente maldosa, era boa aluna, bonita, gentil e cheia de admiradores, além de humilde.

– ao que parece a senhorita Hyuuga ali, foi titar satisfações com ela, quando a viu conversando com Yato de forma bem animada.

– huh? Com Yato? Eles se conhecem?

Haruka era aquele tipo de menina que todos simpatizavam mas que não fazia milhares de amigos, era tímida e pouco se relacionava com os garotos, seu grupo era só de meninas.

– não sei, vou até perguntar, mas parece que a Kyoko não gostou.

– e quem diabos é ela pra gostar ou não? Noiva dele?

– eis a questão, minha gatinha! O que sei é, que a Haruka a deixou falando sozinha, haha daria tudo pra ter visto! O fato é que parece que ela anda ameaçando qualquer uma que se engrasse pro Yato, pra tomar a dianteira, sabe?

– que?!

– e você sabe, Haruka não é de briga, mas tampouco a deixaria falar qualquer porcaria dela, as duas não se bicam tanto quanto Kyoko não bica com você, mas sabe o que quero ver? É quando o Yato descobrir, haha!

– po-porque? Você acha que ele ficaria...

– no lugar dele, eu ficaria lisonjeado, por que isso tudo só aumenta a moral dele aqui, mas sei que ele não liga pra isso, na verdade, depois daquele dia no karaokê que a gente fez, eu temo um pouco sobre como ele vai reagir com a Kyoko, ela tá bricando com algo que não conhece...

Ele ficou tenso, e Touka também. Afinal, eles não puderam deixar de notar e comentar a forma como Yato tratara Nora, ele foi rude e parecia não se importar de ela ser uma garota.

Foi assustador. E não entendia como Kyoko poderia ser tão cabeça oca de se meter com ele. Ela mesma vira o quanto o Yumi estava furioso em cogitar ser enrolado por Nora, o que ela pensa que ele faria se soubesse que ela anda fazendo isso, como se fossem intimos, afinal quem não pensaria?

Agindo assim... como se fossem namorados.

Ela ergueu os olhos, encarando feio a Hyuuga não se importando se ela estranharia a raiva em seus olhos no momento.

Kyoko, bateu as madeixas para trás empinou o queixo olhando noutra direção. Seus olhos perolados se iluminaram e ela sorriu e avançou empurrando Suzuki da frente e correndo rumo ao portão da academia.

E lá vinha ele, como que pra confirmar o temor de Touka e Akira e que Kyoko devia ter batido a cabeça forte.

Yato vinha com aquele seu passo felino, as mãos afundadas nos bolsos da calça preta, os coturnos negros de cano longo, lustrosos, a camisa também preta com uma gola mais esgarçada e de mangas na altura dos braços, apertadas lá, destacando sua musculatura esguia e definida.

Usava o tapa-olho e olhava apenas para o chão, pensativo e talvez sombrio como as roupas mostravam, ele exalava ameaça a distancia o tipo de ameaça que fazia as meninas suspirarem e se aproximarem em vez do contrário.

Logo atrás dele, vinha Yukine sempre em camisa vermelha orgulhosamente carregando o símbolo da mãe, o cabelo selvagem e com uma cara meio emburrada, mas Touka sabia que ele sempre ficava emburrado cedo da manhã, e que aqueles dias, com Yato no comando do café, ele não poderia estar menos feliz.

E então Sesshoumaru, de branco e com uma estampa de bambus cinza bem claro, a mochila preta e os cabelos alvos dando inveja a qualquer uma, penteados e brilhantes, sacudindo ao vento.

Yato parou e se voltou para eles, provavelmente se despedindo. Quando ele se abaixou para ficar ante Sesshoumaru, ela denotou que talvez algo mais incomodasse ali.

Disse algo, e beijou sua testa, se levantando. Uma cena meio contrastante com sua figura no momento, mas muito terna.

Yukine acenou e se foi, conduzindo o mais novo pela mão e pegando o pequeno caminho de terra rumo ao grupo de prédios onde ficavam as salas deles.

Yato voltou-se para frente começando a cortar a grama rumo a entrada principal até quase trombar com Kyoko.

– vish, lá vai a cobra – Akira disse, enquanto se levantava.

– o-o que vai fazer? – ele piscou para ela.

– salva-lo do veneno ora.- caminhou tranquilamente até lá, e Touka o seguiu nervosa.

– Akira! Deixa de ser enxerido.

– vai por mim, ele vai me agradecer, Yato não sabe o que essa cobra pode tá armando, vou livrar ele desse bote, e depois avisar que precisa pedir vacinas pra tia.

Bom, ela não podia discordar, mas não gostava da ideia dele se metendo nessa historia, Kyoko era vingativa, e cruel.

Akira usava como de costume, calças mais largas cor de terra e com as barras dobradas até o meio das canelas, uma regata de mangas rasgadas escura, e o colete de chunnin sempre aberto. Seu cabelo era castanho escuro como o do pai mas não tinha aquele aspecto espetado. Era mais um pouco mais longo e caia sobre as costas meio enrolado, do rabo de cavalo.

– então, você...- Kyoko dizia, mas Akira nem pode chegar gritando por que braços de pele clara, roliços e de aspecto macio envolveram o pescoço de Yato por trás.

– Yatoooooo?!

Incrivelmente, o corpo dele nem se abalara com o da Nora se jogando em suas costas, e ele a fitou de relance com a sobrancelha no alto.

Ela usava uma yukata leve e esverdeada, novamente com aquele enorme decote e o que mais chamou a atenção dos dois foi como seu braços estavam completamente limpos até onde se podia ver.

– Hiiro? O que faz aqui?

– hehe, você esqueceu isso! – ela disse sorridente, e se soltando dele para entregar-lhe a bolsa de alça longa.

– ah...- Yato a pegou, passando a alça sobre o ombro.- arigato, agora volta pra casa, ainda está se recuperando.

– eu estou ótima! E foi a sua mãe que me mandou trazer, além de que, eu apenas vim na frente, ela também está vindo pra cá!

– huh?

– você...aprontou, Yato-kun? – Kyoko disse obviamente tentando ser lembrada na conversa.

– que eu saiba não – ele deu de ombros – nem Yuki... Sesshoumaru?

Nora deu com os ombros mostrando que estava tão por fora quanto ele, Yato suspirou, se voltando para trás.

– cade ela?

– eu a deixei pra trás, tipo, beeeem pra trás..

– Hii...

–mas é por que você esqueceu a bolsa! Tinha que chegar antes que o tal sinal batesse.

– tá, que seja, não me responsabilizo se cair dura pela rua.

– crueeeeel! Você ficou tão cruel, Yato!

– yo! Yato! – Akira disse. Kyoko lançou um olhar mortal a ele, e Touka virou a cara mostrando que não tinha nada haver com isso. E Nora se encolheu atrás de Yato, agarrada a barra de sua camisa e fitando-os com os olhos de um vermelho escuro e opaco, muito ariscos.

– yo.

– você não veio ontem mesmo já tendo recebido alta, aconteceu alguma coisa?

– eh? Ah...- ele olhou para o céu, pensativo. – nada de mais...

– hihi... – A Nora riu, e ele e encarou de soslaio.

– cale-se, não seja fofoqueira. – Nora o encarou, e voltou a saltar sobre suas costas, abrançando seu pescoço e sorrindo matreira.

– fofoqueira como? Dizendo que você falou pra sua mãe que ainda estava indisposto só pra passar o dia jogando xadrez comigo e comendo bolo?

– tch, é, assim.

– você? Matando aula na cara dura? – Akira riu.

– tsc, também sou humano, e caso não tenha informado, o gênio da família é o Sesshou.

– hehe, que vergonha, Yaboku ouhi se comportando mau assim – Nora provocou, ele deu de ombros com um sorriso pequeno mas maldoso.

– sou um príncipe, não um santo, ainda mais, foi só um dia.

– hehehe, exatamente né?

– humpf.

– ih, lá vem ela, será que ela gostaria de saber? – Akira provocou.

– gosta de ir em enterros?

– hahahaha.

Sakura se aproximou deles, sorrindo, usava um vestido branco, até os joelhos mas todo justo, saltos em tom nude e o cabelo levemente preso num coque, uma bolsa grande da cor dos sapatos.

– ohayo, crianças.

– ohayo.

– oh, vejo que conseguiu trazer a bendita bolsa a tempo, obrigada.

– foi fácil! Ele é bem lento.

– humpf, ela não devia estar repousando? – Yato apontou a jovem, com o polegar, e Sakura deu de ombros.

– só recomendo que não pegue muito sol, sua pele ainda pode estar sensível mesmo que não sinta, fora isso, um pequeno passeio não faz mau, e eu não poderia deixar a coitadinha sozinha naquela casa.

– alias, não pegou o caminho errado para o hospital?

– longe disso! Aliás, tenho uma novidade! –ela bateu palmas eufórica.

– hum?

– eu vou ser... sua nova professora!

– que?!

– não fode...- Yato soltou.

– huh?

– nada!

– hehehe...- riu Nora ele mexeu o ombro agoniado.

– calada! – murmurou, e ela riu mais ainda.

– como assim nossa professora? De que? – disse Akira – cara eu tenho que espalhar isso..- Touka o calou com uma cotovelada fortíssima.

– sua dondoca de merda... – rosnou.

– de que mais seria? Medicina ninja claro! Um cursinho básico! – ela disse, radiante.

– nossa...

– a única parte ruim é dar aula a um bando de bombas de estrogênio e testosterona como voces! Mas fora isso, me sinto honrada com o convite!

– obrigado pela parte que nos toca. – Yato ironizou.

– ora vamos, eu lido melhor com crianças! Se fosse o contrário,você não estaria assim, ja ne! — Ela caminhou rumo ao prédio e Yato encarou suas costas, estreitamente.

– o que que ela quis dizer?

– eu não iria querer saber...- Akira disse – que legal! Uma professora gata, vai ter mais graça ver aula agora.

– qual é ô moleque?! É a minha mãe!

– não seja chato, Yatooo, ela é tão bonita quanto as garotas da nossa idade! – Nora disse.

– humpf.

– nee nee? Ela não tem namorados nem pretendentes? Seu papa está morto mas ela merece ter outro alguém não?

Yato bufou, virando a cara.

– ela está bem do jeito que está.

– haha, você só está sendo ciumento!

– e daí? Ela é tão minha quanto você, baaaaka, agora vá até ela, eu tenho aula, e você não pode ficar transitando por aí sozinha.

– hum? Tá! – ela enfim se soltou dele e correu rumo ao prédio, Sakura estava na frente dele, conversando com o diretor, e logo o seguiu para dentro ao lado da jovem que tinha os olhos observando cada detalhe em sua volta.

– ela tá bem mesmo? Vou a limpou huh?- Akira disse.

– está, ela vai ficar mais uns dias, até estar inteira e eu ter certeza que ao menos aqui, ninguém virá busca-la ou captura-la, e a mãe quer que tenha um pouco de conforto, voltar ao clã vai por muita pressão sobre ela.

– acho que não será só Yuri com dificuldade para aceita-la...- Touka comentou.

– Yuri é uma cabeça dura, ela devia ter nascido homem teria mais graça disputar a liderança com ela.

– isso foi machista, Yato-kun – Kyoko disse.

– hah, de fato, não desvalorizando as grandes senhoras de clã e governantes, mas Yuri é imatura demais para se comparar a elas, e muito protetora, exageradamente protetora, nem o okaa-san retulou em me deixar ir sozinho.

O sinal soou e eles seguiram rumo ao prédio.

– afinal, onde eles estão? Ainda não deram as caras.

– dia de missão, pelo o que sei e alguns estão fazendo um trabalho na biblioteca, é um saco quando se dispersam assim, tenho que ter olho em todos, e ainda nas aulas da senhora Haruno, ela vai tirar o nosso couro.

nosso? Não seria o seu?

– hah, não mesmo, preparem-se.

********************************************************************

– como assim ela estava aqui?! – Yuri bateu na mesa, alto o bastante para quem estivesse a volta mesmo que fosse ao ar livre, ouvisse. Já vermelha de indignação e a reação era a mesma das outras garotas. Haru suspirou e Yabo piscou, surpreso.

Touka se os odiou por dar a noticia mesmo que por alto, e ainda não imaginando tal reação.

– si-sim... ela veio com Sakura-san, alias, parece que ela vai nos dar aula.

– aula? Ah, não é novidade, ela já deu cursos na nossa academia, o que importa é? Por que aquela garota veio aqui?!

– Sakura-san, disse que não podia deixa-la só, ela só a trouxe para falar com o diretor e acho que foram embora logo, afinal fomos para a aula.

– humpf, só que me faltava!

– Mas, Yuri, acho que acabou não? Ela não é mais Nora, eu vi seus braços, estavam limpos, e Yato disse que logo a mandaria para casa.

– já devia ter mandado!

– ele disse que Sakura-san queria dar-lhe conforto, e talvez segurança, pois quando ela voltasse, as coisas não seriam fáceis no seu clã... e pelo o que vejo...ela está certa.

Yuri se encolheu com os braços cruzados, e virou o rosto, inconformada e envergonhada, e tal como as outras meninas, se recusando a serem flexíveis. Touka só pode imaginar o afastamento ainda maior que isso causaria entre Yato e ela. Por que.... Ele estava irredutível por aquela menina.

Viu Akira caminhando ao lado de Yato do outro lado, embaixo das arvores e pela expressão dele, já devia estar abrindo o jogo sobre as intenções de Kyoko.

– eu só não acho certo ele se apegar a ela tão rápido, pode ter limpado seu corpo, mas não sua alma e coração – Amae disse, e as outras concordaram.

Touka suspirou e recebeu um olhar de Haru que lhe dizia para não quebrar a cabeça com isso. Mas como não? Não queria que Yuri se magoasse, não queria que aquela garota magoasse Yato, que ele magoasse todos por ela.

Que ele priorizasse apenas ela.

Sabia que de sua parte era um sentimento tão egoísta quanto os das meninas, mas não significava que não pensasse em Yuri.

**********************************************************************

– você conhece a Haruka Tonomi?

Yato ergueu a sobrancelha, meio surpreso e vincou a testa, pensativo.

– Haruka... Haruka...ah, aquela garota, cabelo castanho, que gosta de correr... sim, e daí?

– você gostou dela? Tipo, ela é uma princesa.

– ah, ela é muito legal, mas por que está perguntando isso? Nem minha mãe é assim.

– haha, sério, cara, tá planejando pegar ela?

– o que?! Haruka?! Eu mau falo com ela! Certo que é linda, mas não vi desse jeito.

– mas estão dizendo que são bons amigos por aí, quando nem falavam um com o outro...

– ah, isso por que ela tem um emprego de meio período, certo?

– acho que sim, a família dela é um pouco humilde.

– ela trabalha numa imobiliária, como assistente de um vendedor, quando fomos procurar uma casa, minha mãe foi atendida por ela já que o vendedor passou mal, foi ela que nos mostrou a casa nova.

–ah? Jura! Quem diria!

– eu não havia reparado muito nela, e quando passava no corredor ela me encarava, mas como todo mundo encara, ignorei, até que um dia desses, ela veio me perguntar o que achei da casa, e então lembrei dela, aí ficamos perdendo tempo falando besteiras.

– entendi... mas ela não deu em cima de você né?

– Haruka? Eu acho que tenho algum efeito nela, mas não vi porque avançar, e ela parecia querer evitar, acho que não está afim de garotos no momento, mas enfim, porque diabos tá me indagando sobre isso?

Akira segurou seu braço e olhou em volta, puxando-o ate a sombra das arvores.

–vou te mandar a real, sabe a Kyoko?

– o que tem?

– cara, se cuida, se não tá afim, não deixa ela te cercar.

– por que? Ela tá...

– sim, está.

– haha, não fode, sério? Quer dizer, ela é gostosa...

– ela é uma víbora muito gostosa, confesso, mas ela tá passando um pouco dos limites, ela anda intimidando as meninas pra não darem em cima de você.

Yato parou, e o fitou, muito descrente, ate achou graça.

– espera aí...- levou o mindinho até o ouvido introduzindo lá e coçando – como é?

– isso mesmo, olha não sei se entende muito, mas aqui tem e sempre vai ter essas picuinhas de clã, e não se deixe levar apenas pela gentileza e carinho de Hinata-sama, ela é uma excessão, Hyuugas se acham geniais, orgulhosos e superiores, alguns são apenas caladões, outros são víboras como a Kyoko, como você é de um clã importante e tem boa pinta, ela acha que tem de ter dianteira por que é gostosinha e próxima da primeira ramificação, o fato é, ela chegou até a importunar a Haruka com isso.

– huh? Haruka? Essa menina tem demência? Falei com a Haruka o que? Umas três vezes?

– ela sempre detestou a Haruka, mais do que a Touka, você sabe, a Touka não deixa passar, e a Haruka é legal, todo mundo gosta dela, mas ela é tímida e por isso não anda com legiões de fãs, Kyoko a odeia por que acha que isso é presunção, pura inveja, sendo que se exibe por aí e nem por isso é a mais amada da academia.

– caralho, por que garotas tem que ser tão – Yato ergueu as mãos apertando o ar como se fosse um pescoço -... eu vou arrancar a cabeça dela, por que se ela pensa que vai manipular minhas ações...

– calma aí! Não adianta brigar, cara, você é de fora lembra? Não vai aturar ela pra sempre, mas tem que dar um jeito de fazer ela entender o recado.

– hum... acho que já sei.

– bem, agora que você tá com aquela sua amiga morta de linda acho que pode ajudar.

– Hiiro? Ela vai embora logo, e já vai ter muito pelo o que passar, não vou enfia-la nessas tretinhas de piranha, mas eu já sei o que fazer, ah, valeu pela informação privilegiada.

Yato deu as costas acenando e seguiu de volta ao prédio, Akira inspirou, sentindo algo próximo de um mau agouro com aquele “tretinhas de piranha”. Algo que lhe soava totalmente errado vindo do cara gentil e tranquilo que conhecia. Mas, não do cara perigoso e inconstante que ele virava de vez em quando.

– o que vai fazer? Sabe que não pode machuca-la né? Você tem que manter mais que boas notas aqui...

Yaboku o fitou de soslaio, um sorriso cruel e maquiavélico, insano e maldoso repuxando seus lábios o bastante para as presas aguçadas aparecerem, e aquele olho prateado, brilhando como um farol traiçoeiro.

– amigo, a resposta é mais simples do que pensa, antes de ela me usar, eu uso ela.

– huh?

– como a vadia e jogo fora os restos.

********************************************************************

– não, mãe, sério, não – Sakura riu, e se curvou beijando a cabeça do rapaz emburrado tentando focar no vídeo game. Era um presente para Sesshoumaru, mas ele não gostava tanto e preferia observar os irmãos, como agora, em disputa. Não bastasse estar perdendo, Yato perdeu mais o animo em ter que ir em uma festa.

– uma pena mas sim, haha.

– não seja, cruel, okaa-san.

– será divertido, ora.

– humpf, claro.

– nós iremos e nos divertiremos certo? É um aniversário, um aniversário bem tradicional, então se não quiser que lhe chovam pretendentes, escolha logo uma acompanhante.

– acompanhante?! Fala sério!

– pois é, até eu vou procurar um lindo rapaz pra me acompanhar... – Sakura cantarolou enquanto seguia para a cozinha brincando com o refinado envelope que portava o convite e seguida pelos três pares de olhos dos filhos.

– ela anda animadinha demais – Yukine comentou, muito concentrado no jogo.

– nem me fale, e você é tão pirralho que não serve pra acompanha-la.

– tsc, fica na sua e tenta parar de perder pra mim, tapa olho.

– droga.

A pequena coruja branca continuou observando-os da janela, para ela, era mais confortável assim, não se sentia a vontade em meio a família, sentia que o mais novo ainda não estava bem em sua presença mesmo que já não portasse as marcas que tanto rebaixavam sua condição. Também não sabia lidar muito com o do meio, só o conhecia de vista e percebia que ele era bem mais arisco e mau humorado, tinha um jeito de leão, rude e muito territorialista, não tinha como não sentir que invadia seu território.

E por fim, tinha Sakura Haruno, que ela não contava que fosse tão diferente do que ouvia, afinal tudo que ouvia era sobre uma plebeia usurpadora de poder. Muitos ghouls nukenins ainda esperavam o dia em que ela traísse toda a aldeia e a desse numa bandeja para Konoha repartir com seus grandes aliados.

Ao que parece, não.

A campanhia tocou, mas nenhum deles precisou atende-la,logo Yuri invadiu seguida por aquele monte e gente.

A pequena coruja tentou não retorcer a cabeça mais que o que era capaz, com o desgosto e se manteve tão parada como um arranjo de decoração.

Yuri saltou no sofá sobre Yato que se afastou desviando o controle.

– sai! Yuri! Eu to jogando!

– Yatoo!- ela reclamou.

– sai!

– haha, pra que tanto esforço? Tá perdendo feio – gabou-se Yukine.

– calado!

– perdendo, Yato? Que desgosto – brincou Inugami.

– ele fica mais tempo sem fazer nada do que eu, claro que tem mais pratica.

– huh? Admita que é um perdedor ao menos uma vez, idiota!

– me poupe, pentelho.

– a próxima é minha! – anunciou Haru.

– claro, não vou demorar – Yukine provocou, Yato só tirou os olhos da tela para revira-los e ergueu a perna dando um leve chute na cabeça do irmão sentado no tapete.

– hey! Trapaceiro!

Quando voltou os olhos para janela, de relance, Touka viu apenas asas brancas se afastando dela.

Acabou olhando direto para Yato, mas ele estava entretido tentando se recuperar no jogo, porém deu com Yuri e sabia que ela também tinha visto aquilo, e arregalou os olhos já pedindo para ela ignorar.Yuri ainda sim se levantou discretamente e seguiu para fora.

E Touka a seguiu e alcançou na saída.

– Yuri! Não faça nada, sério, vai apenas complicar as coisas.

– vou apenas por tudo nos eixos, Touka, é diferente.

– por nos eixos e da forma que você quer?

Yuri se voltou para ela, suspirando.

– você não entenderia...

– por que? Por que meu clã não é enorme e influente?

– é...- a Uchiha a fitou muito chocada. E uma súbita vontade de chorar a tomou. E neste momento, ela compreendeu que talvez Yato não fosse o único que devesse manter distancia, que devesse mater fora de seus muros, posto que hora ou outra se afastaria e sairia de suas cercas arrebentando-as, e deixando apenas estragos.

– entendo...

– não, é que...

– não, eu entendi, você é mimada – ela deu as costas e seguiu de volta para a casa.

– mimada?! O que sabe sobre ser mimada?! Mimada é você! Tem pais, irmãos...

– ser mimado não tem nada haver com ter pais! – ela cortou, girando e encarando-a — ser mimado tem haver com você recebendo tudo o que quer em troca do que não pode ter! você perdeu seus pais e agora acha que todos devem seguir da forma que você quer, como se fossem obrigados a te recompensar! Mas saiba que... não foi a única que perdeu pessoas, independentemente de como!

Ela já sentia os olhos arderem mas dedicou forças em seu orgulho e saiu dali sem derramar qualquer uma.

Entrou na casa e seguiu direto para a um dos banheiros evitando ser vista por qualquer um.

Yuri suspirou e seguiu em frente, até o rio onde os arbustos de flores estavam.

Encontrando a garota sentada na beira, na forma que simulava ter doze anos encarando a água com o rosto escondido sob um leque simples.

Assim que a viu, ela se ergueu e saltou para trás, pousando na água.

– ara ara, estava demorando.

Yuri parou na beira e cruzou os braços, evitando olha-la.

– humpf, quando vai embora?

– oh? Isto não cabe a mim, cabe ao Yato.

A Yumi bufou irritada e enfim a encarou.

– você sabe o que eu quis dizer! Estou peguntando quando vai embora, afinal, não acha que acredito que ficará com o clã né? Você passou a vida toda pelo mundo, jamais se acostumaria.

– você não sabe nada sobre mim, então não tenho que responder suas suposições tolas.

– tola é você! Por achar que e tem direito de voltar e esperar que tudo ficará bem! O clã nunca se acostumará com você! Sempre desconfiarão! E não seja tola de achar que não vão extrair o máximo de informação de você.

– eles tem minha colaboração.

– hah, vão extrair até seu ultimo fio de cabelo! O clã está em perigo! Acha que vão por uma Nora dentro dele sem ter certeza que de que servirá de algo?

Em resposta, ela apenas estreitou o olhar ameaçadoramente.

– não me chame assim, eu não sou mais isso.- ordenou.

– oh, me desculpe! Então, acha que vão te aceitar de braços abertos? Mi-zu- chi?

No segundo seguinte elas rolavam no chão agarrando o cabelo uma da outra.

– você não sabe nada sobre mim! É uma bonquinha que foi criada sendo protegida e mimada!

– e você não passa de uma cadela suja! Servindo pessoas baixas como você!

– a única pessoa baixa aqui é você! Se achando no direito de tomar as poucas coisas boas que recebi nesta merda de vida!

– nem devia estar viva! – Yuri acertou seu rosto, as unhas longas e bem feitas que Mizuchi jamais pode se dar ao luxo de ter, cortaram sua bochecha, afiadas como garras.

– bruxa – ela devolveu com um tapa forte e então foi empurrada para trás caindo quase de encontro a água.

– se afasta dela! – Haru rugiu, puxando Yuri do chão, vendo aquele monte de gente se aproximando, ela recuou sobre a água silvando na direção da Yumi que fez o mesmo.

– chega,Yuri! – Yabo ordenou.

– não acredito que tocou nela! – Haru rosnou.

– e daí? – a voz fria de Yato causou silencio em todos. Voltando-se para trás o viram se aproximar com as mãos nos bolsos, encarando o primo com um olhar sereno.- o que tem ela te-la tocado? Haru.

Ele tragou silenciosamente, suspirou soltando o ar exaurido.

– ela é suja! – Yuri irrompeu – e você também não deveria tocar nela!

Yato se aproximou dela, encarando-a de cima.

– você é minha mãe?

– o que...

– é meu pai?

– Yato! – protestou ela.

– você é minha prima, e até onde sei quem vai mandar nesta merda toda sou eu, não você, então se eu mando na merda toda, eu também posso mandar um pouco na minha vida não? E você não está em posição de mandar em todo o resto.

– não pode torna-la sua Regalia! – ela insistiu chorosa – não importa se não é mais uma nora! Ela não pode ser uma Regalia com o histórico que tem!

– não?

– NÃO!

– vamos ver...- ele comentou, casualmente, caminhando na direção da jovem.

– Yato?! Yato!

Mizuchi recuou alarmada e assustada, aquela expressão dele a assustava, embora mesmo assim estivesse disposta a fazer tudo por ele, por quem ele foi, quem era agora, e quem se tornaria.

Por que nada disso importou pra ele quando continuou a recebe-la.

Yato ergueu a mão em sua direção e começando a traçar uma palavra os dois dedos eretos brilharam enquanto na outra mão ele fazia sinais de ninjutso específicos.

–Você, que não tem pra onde ir ou voltar...

– Não! Não! – Yuri berrou esperneando nos braços do namorado – Nãããããõooo!

...Eu lhe concedo um lugar para chamar de seu, meu nome é Yaboku, carregando um nome dado por mim,você deve ficar aqui... – a luz em deus dedos se intenficou deixando um rastro no ar enquanto, os kanjis que traçava permaneciam nele e uma aura do mesmo tom prateado ascendia da água e subia para o redor dela, empurrando uma ventania forte no local — ...com este nome tornar-te-ei minha serva. Com este nome, uso minha força para torna-la uma Regalia. Tu és minha! Como Shinki: Hiki. Como Serva: Hiiro. Venha! Hiki!

Os kanjis voaram na direção dela e o choque das duas fontes de luz fez tudo ficar muito intenso e cega-los por um momento. E então diminuiu até se tornar um ponto levitante e rápido que cortou o ar com força indo bater contra uma arvore e ricochetear na direção de Yato, ele girou agarrando-a e ela se desfez na forma de uma Katana longa, de prata muito afiada cujo cabo era envolto em ataduras que soltas, espiralavam ao redor dela.

Ele girou-a nas mãos e cortou o ar e água com ela, parou olhando o fio e direcionou seus olhos tão afiados quanto a arma, na direção de Yuri.

– me parece uma ótima Regalia – concluiu.

Yuri caiu sentada, desabando em lágrimas e solunçando.

– você não decide isso – ele declarou. Seguindo na direção da casa eles foram saindo da frente e então se depararam com Sakura os observando de maneira inexpressiva e austera.

Yato inclinou a cabeça, encarando-a como se quisesse interpreta-la ou mesmo desafia-la. Ela suspirou, e lhe entregou um sobretudo preto.

– vá até a cidade e não demore, encomende isto – estendeu também um papel dobrado. Intrigado e desconfiado ele pegou os dois com a mão livre.

– para?

– para ela – Sakura indicou a espada com o queixo, ele arqueou a sobrancelha e soltou a espada no ar.

– retorne, Hiiro.

A espada virou luz e tomou a forma dela que se encolheu agarrada a seu braço e fitou o papel desconfiada e curiosa.

– bom, já escolheu sua acompanhante para a festa.

– huh?! — indagaram juntos, Sakura deu de ombros e seguiu de volta para a casa.

– ela é sua Regalia, vai ter que ficar ao seu lado a partir de agora, vá logo, o tecido que especifiquei na lista é raro de se achar no meio do mês, e não temos muito tempo para preparar algo adequado para a ocasião.

– sei...

– anda logo, garoto.

Yato suspirou, emburrado e vestiu o sobretudo sobre a camisa cor de vinho que usava, puxou as mangas até os cotovelos e enfiou o papel no bolso, dando as costas e seguindo em frente.

– vamos.

Ainda receosa ela os seguiu, batendo a terra suja do rosto cortado.

– mas eu estou...

– eu dou um jeito, vamos.

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– então? O que acha? – Sakura indagou, girando no vestido de anáguas soltas e esvoaçantes, Hiiro apenas se perguntou se não babava, por que absolutamente não conseguia fechar a boca.

Fora estranho ser convidada para ver a peça, e longe do que achou, o quarto da mãe de Yato não transparecia luxo nem solidão, era acolhedor, delicado e discretamente feminino.

– é-é lindo – balbuciou e achou ainda mais ante o sorriso radiante da mulher. Definitivamente, ela era mais bonita que qualquer outra garota que já tenha visto o que podia afirmar com certa propriedade, afinal, fora uma andarilha.

– jura? Eu não sei, talvez seja mais adequado para um evento mais diurno não? Embora a moça tenha jurado que são ultima moda, nunca se sabe se não é papo de vendedor.

– mas é tão bonito! Esta estampa é escura, acho que não é mau para uma festa a noite.

– eu pensei o mesmo! Haha, e quanto ao corte? Muito fluído não?- ela girou mais uma vez. Hiiro assentiu, sorrindo. Os recortes pelo tronco do vestido espunham bastante pele mas de uma forma sensual que ninguém poderia julgar mau.

O brilho dourado escuro arremetia á uma elegância estonteante.

– eu acho perfeito!

– ótimo! Eu não estou com um estoque de vestidos realmente decente no momento e nem coragem para ir atrás de algo mais, agora é decidir com ficará este cabelo, ah, e claro! Você tem que experimentar seu vestidooo — Sakura cantarolou, correndo para o closet tal como uma criança.

– eh?

Hiiro se sentou na cama, e logo a viu voltar com uma ampla caixa branca.

– depois de tanto tempo ajudando a escolher vestidos e ajudar com retoques eu sou ótima em tirar medidas com os olhos! Tenho certeza que acertei suas medidas, então acho que basta saber se você gostou, pegue.

Muito constrangida, ela pegou a caixa com o cuidado que se pegava um frágil cristal, puxou a tampa pondo de lado e desbobrou a folha de seda que cobria a peça, com os olhos tremulando de fascínio, pegou os ombros do vestido e ergueu subindo-o da caixa.

A cor predominante era um rosa cálido, quase cerejeira, o tecido tinha dobras finas, um enrugado gracioso, arrematado com fios e detalhes dourados. Mangas abertas e esvoaçantes com faixas de tecidos que desciam até o chão e mudanças de tom suaves.

– então? Não sei qual sua cor preferida, então fui em algo bastante feminino.

A jovem engoliu o bolo que sentia na garganta e fungou, sentido as orbes embaçarem baixou o vestido e a fitou tentando engolir até os lábios trêmulos.

– eu junca ganhei um vestido... é tão bonito...

Sakura deixou o ar sair lentamente e um sorriso enquanto a abraçava.

– tudo bem querida, tudo bem, não tem problema chorar de vez em quando hum?

Ela deixou a jovem liberar tudo o que podia, sabia que Yato estaria mais do que disposto a ser também um ombro. Mas haviam certas coisas tiradas de Hiiro, que ele não estava em posição de devolver.

Uma figura materna, um conforto familiar, um abraço feminino e amigo, o acolhimento para uma criança faminta de amor.

A festa seria no dia seguinte, foi até bom ela não deixar tudo para ultima hora, ou seria uma droga ir para uma festa com os olhos inchados e vermelhos.

Crianças sempre seriam seu ponto fraco.

– tudo bem, passou, vai passar, agora que tal experimentarmos? Estou com um pouquinho de duvida no decote, não tive a sorte de ter belos e fartos seios assim na sua idade, haha.

Hiiro riu um pouco, muito encabulada, ela não gostava muito de sua forma real, achava-e espaçosa demais, e só tinha certeza de ter algum efeito em Yato quando ele sempre corava encarando seus seios, agora porém, ele era quase um mascara nesses assuntos.

Por isso, ela sempre se ocultava sob uma forma quase infantil, e se encobria mais ainda com um manto de sarcasmo peçonheto.

– tudo bem.

*********************************************************************

– precisamos cuidar deste cabelo – Sakura disse, e fitou a menina com estranheza quando a ela encarou como se a ameaçasse de morte – oh, algum problema?

Hiiro se encolheu dentro da banheira, abraçando os joelhos, Sakura esperou com paciência até que ela lidasse com a própria batalha interior, e com um suspiro pesado, levasse a mão para as miçangas que decoravam as mechas mais curtas de seu cabelo.

Ela agarrou as duas, e as deslizou pelos fios até que estivessem fora deles, e em seguida Sakura sentiu uma pequena liberação de chakra, e viu as mechas negras e longas se revolverem batendo-se até mudarem completamente de tom, volume e aspecto.

Agora encarava, estupefata, uma revoada de volumosos fios de um ruivo natural tão vívido que beirava um laranja surreal em cachos exuberantes.

A jovem levantou para ela, grandes olhos de um azul céu, e Sakura piscou sem saber como reagir, apenas deixou o traseiro cair sentado no banquinho.

– então... algo mais que queira revelar? É só pra eu não fazer esta cara estranha sempre...

– e-eu...papa nunca gostou de como eu sou... lembrava mama... e mama nunca colaborou com os planos dele... estavam separados antes mesmo de eu nascer... então passei a usar pra encobrir minha identidade... afinal... sou completamente estranha...

– oh, querida você é linda, tem a exuberância do clã Yumi, alias, é uma das moças Yumi mais lindas que já vi, não tem porque ter vergonha disto, ainda mais agora, que vai voltar pra eles...

– vão implicar comigo... como sempre fizeram...

– crianças podem ser muito cruéis umas com as outras, eu sei como é, mas tem que aprender a nunca baixar a cabeça para isso, e principalmente, nunca deixar que te magoem por dentro também, é onde mais dói.

Sakura se levantou pegando um vidro de loção e se aproximou dela.

– agora vamos fazer uma bela lavagem e massagem nesses cachos lindos, quem diria! Nunca vi cachos no clã! Uma pena, por que são lindos!

– acho que o Yato... vai gostar?

– hum? Com certeza vai ser uma bela surpresa, ele não deve lembrar por que era muito novo né? Tenho certeza que a achará linda, ainda mais em seu belo vestido.

Após o banho, Sakura também cuidou de pentea-las o que foi um tanto complicado, pois não tinha a mínima prática.

– tudo bem sobre corta-las? Sabe qual a tradição não é?

– Aa.

– ótimo, vamos.

Sakura a conduziu até lá fora, na grama, onde Yato esperava brincando com algumas das tesouras dela.

– muito maduro de sua parte, Yato, tente não perder um dedo.

– hey, eu sou muito habilidoso okaa-..- ele deixou a tesoura cair assim que as viu e levou uma pontada dela no pé, ficou saltando sobre o outro.

– droga!

– como você havia dito?

– Hiiro?!

Hiiro se encolheu quando ele se aproximou.

– com assim? Você disse que ia lavar o cabelo dela, mãe!

– não seja bobo, está é Hiiro, sem disfarces, apenas uma linda Yumi, não acha?

Ele e a fitou ainda mais chocado que seus olhos fossem de um azul tão suave.

– mas como? Seu chakra foi esgotado estes dias, a transformação deveria ter revertido!

Hiiro, estendeu a mão para ele, pondo em sua palma as delicadas miçangas.

– ah? Serio mesmo?

– hun!

– tudo bem... nossa... cachos – ele tocou-os deslumbrado – nunca vi algo assim no clã, sempre soube que sua ramificação era incrivel, Hiiro, mas, nossa...

Ela encolheu os ombros, corada.

– agora vamos ao final do penteado? – Sakura ofereceu.

– sim!

– ah?Vamos mesmo cortar? Agora parece tão cruel...

Sakura sorriu pegando um punhado, os cachos eram extremamente volumosos e macios, e ficavam na altura das costas dela, por isso que estavam tão longos quando em forma negra e lisa.

– podemos encurtar um pouco e deixar este lindo volume a solta, ela não parece uma leoa? Uma beleza!

– a leoa mais bonita que eu já vi, oh, uma coruja – ele riu, girando as tesouras entre os dedos e piscou para elas – podemos começar? Sou um ótimo cabelereiro.

– eh?

– só tenhamos cuidado, esses cachinhos serão um pouco mais complicados, Yato.

– hum, acho que já sei o que fazer, raspamos um lado todo e jogamos a outra parte por cima, vi num programa de TV só que a garota tinha cabelo verde, mas que tal?

– huh?! Raspar?!

– sinceramente, eu vou tirar a TV de você!

********************************************************************

– nunca vi ruivas no clã Yumi – Yukine disse, enquanto bocejava. Yato arqueou a sobrancelha, achando seu cabelo bem próximo de um ruivo... – que?

– nada, ué.

– então não me olhe com essa cara de trouxa!

– seu moleque! – Ele avançou no irmão enlançando seu pescoço com um braço e esfregando o punho contra sua cabeça com força.- tá precisando... lembrar do respeito... pentelho!

– Itaaaaaiii! Okaa-san?!

Sesshoumaru apenas os observou por um momento, e voltou a cabeça para o livro de contos que lia.

– parem de ficar se amarrotando – Sakura reclamou equanto vinha, os dois se sentaram direito e a encararam, sorridente, ela fez um leve giro – então?

– legal...

– tá bonita...

– agora troca!

– huh? Mas por que?!

– tá muito caprichado pra uma festinha boba, olha pra mim, pareço um mendigo – disse Yukine.

– ora azar o seu, eu quero ir bonita! — ela rebateu, pegando Sesshoumaru no colo e tirando-lhe o livro. – tudo bem deixar a leitura pra mais tarde?

Ele assentiu, mas ela sabia que se pudesse levaria o bendito livro.

– obrigada, benzinho.

– onde está a Hiiro?

– oh? Deve ter ficado se namorando um pouco no espelho, ela está deslumbrante!

– é?

– vá chama-la, a condução já chegou, vamos crianças.

Os três seguiram para fora e Yato se levantou pegando o sobretudo e seguindo até o quarto da mãe, Hiiro estava em frente o espelho, ele se aproximou por trás vendo-a se encarar, e não apenas se admirar, mas se reconhecer.

– você está linda – ela e virou de uma vez, envergonhada, a uma suave maquiagem tingia seu rosto, dando destaque aos lábios cheios e naturalmente cor de salmão, olhos como os dela, não precisavam de qualquer ajuda pra sedestacarem ele realmente não lembrava dela assim.tinha certeza que o pai escondeu sua essência desde tão cedo, que talvez nem os mais velhos do clã a tivesse visto assim.

– vamos?- estendeu-lhe a mão.

– hai! Você está estã maduro, Yato.

– hun? Arigato.

Os dois seguiram para fora.

A festa era de aniversário de um dos conselheiros. Harumo Yagushi estava fazendo sessenta anos, com a vivacidade de vinte.

Sakura ajeitou a braçadeira de capitã no lugar e também a trança de lado que fez.

Hiiro não pode deixar de se encolher junto ao rapaz, intimidada pelo porte das pessoas, pelo âmbito refinado e luxuoso e pela forte segurança ao redor. Afinal passara a vida fugindo de autoridades, era difícil apenas se manter como uma pessoa normal perto de jounnins e ANBUS com olhos de águia.

– tudo bem, pode ficar tranquila – Yato disse, e ela assentiu, depositando sua confiança e segurança nele.

– Sakura ojou-sama – cumprimentou um mestre de cerimônias, Sakura acenou com a cabeça altivamente e sorrindo com gentileza antes de entrar o salão de festas era amlo e decorado com um tema bem tradicional. Cortinas de seda caiam do teto, a iluminação era um pouco baixa, mesinhas rodeadas de Zabutons e almofadas estavam distruibuidas e pessoas conversavam, o cheiro de saquê se fazia presente também.

– nada de atacar e mesa de comida, ou arranco a orelha dos quatro – Sakura disse – vamos encontrar o velhote, Sesshoumaru? Ainda está com o presente?

O menino ergueu o pacote, embora não estivesse muito feliz em leva-lo.

Caminhando pelo salão, foram cumprimentados por dezenas de pessoas, elegantes, algumas de nariz em pé, outras muito gentis.

Até encontrarem Harumo gargalhando muito alegre e alto, pelo copo com saquê na mão e a careta de Juko Sakura suspeitou que ele já estivesse mais alto.

– a esta hora já está assim? – disse – feliz anoversário, velhoteee-.

– ah! Não seja cruel! Querida, você está um colírio como sempre!

– obrigada, pare de beber ou vai estar dormindo antes do bolo!

– e como vão esses rapazotes!

– bem, senhor, parabéns – Yukine cumprimentou se curvando e Yato também, atenta desde já ao status do homem, Hiiro fez o mesmo.

– e esta bela moça que te acompanha, Yaboku-ouhi? Ojou-sama.- cumprimentou ele.

– ela é Hiiro, minha Regalia, e acompanhante.

– entendo! Seja bem vinda querida!

– eu trouxe seu presente, velhoteee – Sakura provocou, e Sesshoumaru o ofereceu.

– oh! Um presente, veja Juko! Aceite que eu posso sim receber presente, velha abusada!

– humpf – resmungou a velha.

Ele se curvou pegando o embrulho e afagando a cabeçado menino.

– obrigada, rapaz!

– Aa.

– está ficando cada vez mais parecido com o pai – Juko comentou, embora seu tom não fosse o de um elogio, também não foi ofensivo. Ela não era nem nunca seria a favor de como as duas aldeias eram ligadas, o que era até estranho vindo de alguém com um pensamento tão arcaico.

Sakura deu de ombros pondo as mãos nos ombros do mais novo.

– tem saúde é isso que importa.

Os três garotos a encararam e Hiiro cobriu a boca com o leque que portava de tã chocada.

– ué, que foi? – a Haruno disse.

– não seja cruel, Okaa-san – Yato suspirou.

– mas eu não disse nada demais ora! Pelo menos não usam óculos, isso sim eu agradeço...

– como se um tapa olho fosse menos esquisito – riu Yukine e levou um discreto chute na canela. – hey?!

– ah, vamos olhar a decoração lá fora, Hiiro – Yato disse, puxando a moça.

– eh? Hai.

– Naruto já chegou? – Sakura disse.

– estava conversando com Sasuke lá fora.

– ah, conversando ou competindo? – ela ironizou.

– a rainha da impertinência está de volta – Sakura revirou os olhos e bufou encarando o Uchiha de soslaio junto á esposa, Naruto ao lado de Hinata riu com vontade.

– que isso, teme, aceite que ela conhece a gente melhor que ninguém, estavámos conversando até ele ousar dizer que era melhor que eu no buraco, pode isso? Este perdedor não sabe nem fazer um par simples!

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– buraco? Por acaso esqueceram que quando eu quase arranquei as calças de voces naquele jogo? Acho que não...

– aquilo foi sorte – Sasuke rebateu – de principiante.

– principiante?! Pelo menos não usei o sharingan pra roubar!

Ele sorriu mordaz e presunçoso.

– isso porque não tem.

– trapaceiro! – acusaram ela e Naruto e ele ignorou.

– como vai, Sesshoumaru? Estranhando? Esta e sua mãe no modo: time sete – brincou Hinata ao ver o vinco que se formava na testa do menino enquanto assistia a mãe.

– ora bolas, não seja chata, Hinata.

– nós temos muita historia pra contar do time sete, não? Depois a gente senta e passa horas falando pra você – Naruto ofereceu, risonho.- onde está Yato? Tenho certeza que a cabeça de velho que eu vi era dele, haha.

– idiota!

– é sim, é sim! – Yukine falou – ele foi dar uma volta com a Regalia dele.

– re- o que?

– ele trouxe Hiiro, a menina – Sakura disse.

– aaaaaahh, ele parece gostar dela huh? – provocou o Uzumaki e Sakura revirou os olhos.

– não enche, idiota.

*********************************************************************

– ah? Até que você está bonitinha – Disse-lhe Akira, Touka o encarou, e deu de ombros.

– você também está bem, quer dizer, acho que não vão te jogar pra fora da festa...

– que cruel!

– vamos lá? Touka-ojou-sama.

Ela revirou os olhos e aceitou o braço que lhe ofereciam. Passeando pelo salão, mais olhares foram inevitáveis sobre eles, mas ela sabia que ali, naquele circulo social, ninguém mal diria o relacionamento deles. Ela era filha do capitão da ANBU, e Akira filho do conselheiro do Hokage, afinal.

– o chato é que a turma toda nem pôde vir – Akira disse e ela concordou, os pais de Inugami e de Mamoru provavelmente estariam ali, mas eles não, estavam em missão.

Ela não resistiu a olhar em volta e procurar Yuri, mas se forçou a manter-se irredutível tal como na academia.

Yuri não viera até ela com qualquer pedido de desculpas, mas lhe mandara olhares que indagavam se tudo estava bem entre elas.

Touka ignorou todos.

Se era um jogo de orgulho, Yuri procurara a pessoa errada para disputar porque de orgulho o sangue dela está cheio.

– e aí, não vai me dizer por que está de mal com a Yuri? Haru me perguntou o porque.

– eh? Haru?

Ela já devia esperar, Haru era protetor com a namorada.

– não quero falar sobre isso.

– tudo bem.

Eles pararam perto de uma mesa, e se serviram de taças com ponche.

– cara, e eu falava mau das festas de criança, essas de velho...

– o que esperava? Que um banda começasse a tocar rock?

– se deixarem eu pegar naquela guitarra...

– idiota.

Olhando em volta, ela localizou o pai, mas, para sua total estranheza, viu-o falando algo no ouvido de Sakura, e como já devia estar acostumada, achou-a deslumbrante.

Aquele vestido evidenciava sua pele e formas, e ainda deixava pedaços do tronco a mostra, a trança que ela usava era frouxa mas bem penteada, bem grossa graças aos fios.

Seu pai dizia algo que tinha atenção dela enquanto ela tomava saquê, e pelo menos pelo o que pode notar, não havia ninguém mais perto deles.

Sasuke se afastou encarando a mulher e um sorriso raro e um tanto charmoso emoldurou sua boca.

Sakura suspirou dando-lhe a taça e seguiu para uma porta. Quando ele sorriu daquela forma triunfante e tipicamente Uchiha, pos a taça e a seguiu, Touka sentiu um pressentimento estranho.

Onde estava sua mãe? e Itachi? E Sai?

Ela olhou em volta procurando-os mas acabou olhando direto para uma janela. Havia uma mesa ali, quase escondida entre cortinas e sob pouca luz, ela localizou Yato ali sentado de maneira folgada, como se fosse o dono da festa e todo estivessem ali para entrete-lo.

Ela parecia uma espécie de comandante, usava uma sobretudo escuro com detalhes como ombros com franjas, e correntes de algo vermelho, detalhes em branco e o mais estranho, estava usando um tapa olho que cobria seu olho bom, não o que revelava seu sangue ghoul, a íris estava vermelha. Sua expressão era diferente, parecia centrado em algo, perdido, aquela cara sombria que estava se tornando cada vez mais habitual.

E recostada atrás dele, uma garota com trajes Yumi, e cabelos de um ruivo surreal, que pareciam uma nuvem de espirais vibrantes.

Ela não teria reconhecido se não fosse pelo jeito que ela ficava sentada atrás dele, com os braços em volta de seu pescoço e olhando em volta com olhos curiosos.

– aquela é... a Hiiro? – Akira indagou, tão confuso quanto ela.

– eu sei lá.

– ué, vamos lá, melhor que ficar entre a terceira idade.

Ela prefiria ficar entre os velhos, na verdade queria ir até aquel discreta porta e encontrar seu pai.

Mas aquela garota era tão... tão, não, ela ficava tão, mas tão bem ao lado de Yato, que ela não queria acreditar que fosse real, queria ir lá e saber se era outro disfarce dela tal como o de fingir ser mais nova.

– yoo, estão se misturando bem, parecem velhos – Akira disse. A garota se encolheu atrás de Yato olhando-os furtivamente. Yaboku piscou voltando a si e enfim os encarou, e sorriu.

– hah, não tem jeito, acho que o único que está curtindo isso aqui é o Sesshoumaru – indicou o irmão com a cabeça, ele era aunica criança sentada numa roda de anciões em que estava Harumo, bem ao lado dele e tinha toda a atenção em sua conversa.

– o que diabo ele faz ali?

– o de sempre, sugando informação, quero ver a cara dos velhos quando ele processar tudo e começar a fazer perguntas.

– ele vai ser mais inteligente que você e Yukine-kun juntos – a moça provocou, e não puderam mais refutar.

– vo-você é a Hiiro?!

– ha-hai...

– não brinca... com assim? Porque? É um disfarce?

– Longe, disso, esta é a verdadeira Hiiro.- Yato disse, com seu sorriso de vencendor cruel e nato.

– huh?!

Ele ergueu a mão, deslizando os dedos longos pelo braço alvo da moça.

–é como eu disse, Hiiro tem um sangue único no clã, ela é de uma ramificação importante, seu sangue sempre rendeu boas Shinkis e ela é uma.

– ah...

Touka inspirou, emburrada, ao lembrar-se do que Sakura disse, sobre aquela moça ser uma noiva tão perfeita.

Ela podia ter um passado sujo, e Yato já provou que isso não importava...

********************************************************************

Sakura bateu na mesa e se levantou de uma vez.

–UHUUUUUULLLLL!

– aff, de novo – Naruto reclamou, enquanto ela dançava em volta da mesa em que os tes jogavam buraco.

Naruto como sempre, não dava o braço a torcer por uma disputa, achou um baralho e ainda um lugar e agora em vez de estarem fazendo pose na festa, estava ali, jogando como três idiotas.

Sasuke bufou irritado, era a terceira batida dela. E ela passou dançando, mexendo aqueles quadris fartos e ainda bagunçando cabelo dele.

– quem é principiante? Quem é? trouuuuxaaaaaa!

– tsc, cale-se.

– eu quero revanche! – insistiu o Uzumaki e ela negou.

– estamos aqui a tempo demais! Devem achar que demos o fora, meu deus tenho que olhar meu menino!

– agora lembrou que é mãe é? – Sasuke provocou e ela mostou-lhe a lingua.

– não enche! Naruto joga Kushina pra Hinata e você se dá bem porque os meninos são crescidos!

– ah, só mais uma, Sakura...

Os três arregalaram os olhos quando ouvira o som da musica de parabéns, as palmas e vozes lá fora.

– eita porra! – Sakura correu para a porta e eles se levantaram Naruto enfiou o baralho maus arrumado no bolsoe Sasuke ajeitou o cabelo que a bendita mulher desgrenhou, não que ele também o penteasse. Ela espiou numa brecha da porta e se voltou pra eles.

– já estão cantando os parabéns! Kami-sama! A culpa é sua, Naruto!

– huh? Eu por acaso obriguei?!

Sasuke confessava que não precisou de muito pra ceder ao Uzumaki, já Sakura ele precisou apelar pra provocação.

Ela bem tentava, mas ele era quem seria o mais adulto dentre os três, então se ele cedia ás brincadeiras de Naruto, ela não podia contestar em cair.

– vamos logo!

– então abra a porta!

– ah...

Ela respirou fundo, ajeitando a trança de lado e o vestido e os dois, impacientes a empurraram e seguraram a maçaneta primeiro.

– sai teme! Deixa que eu saio primeiro!

– huh? Foda-se, eu saio.

– eu sou o hokage!

– quem liga?

– sai fora!

– porque não vai se danar?

Sakura revirou os olhos e empurrou os dois, a porta cedeu e eles se estatelaram no chão.

– Sakura?!

– oh, perdão, as vezes esqueço minha força...- ela disse, enquanto literalmente passava em cima deles, pisoteou a coluna de Naruto e a bochecha do Uchiha e ele só não xingou alto porque olhando pra cima... ele viu a calcinha dela...

Que diabo de calcinha era aquela?

Era preta, e muito pequena...

Tinha renda? Não deu pra ver.

Ele tentou ter de volta o orgulho e os dois se levantaram seguindo-a bufando, enquanto ela discretamente se metia no grupo de convidados que cercavam a mesa do bolo.

Durante a festa ele foi comunicado da entrada de um estranho, disseram-lhe que fora apenas um mendigo abusado e bêbado e que logo fora expulso.

Naruto e o jogo secreto deles acabou sendo desmascarado por Hinata que achara o baralho no bolso dele. Ino resmungara que eles não cresciam, mas ele estranhou foi o olhar da filha, como se estivesse muito surpresa com aquilo.

A acompanhante de Yato arrancou suspiros dos rapazotes da festa tal como ele próprio das mocinhas, Sesshoumaru estava deixando os velhos conselheiros quase gagás com tantas perguntas, ele esquecera até da mãe pra ficar seguindo os velhos por aí.

Ele notou que as cores de Sakura não passaram despercebidas pela população masculina e quase quis arrasta-la pra sala de novo, pra jogar buraco ate tomar aquela calcinha dela e muito mais.

Sem Naruto por perto, obviamente.

No fim da festa ele a observou se despedir e seguir para fora, puxando o menor pela mão (para a o alivio dos velhos), Yukine já bocejava, e Yato havia tirado o sobretudo posto sobre os ombros de sua Regalia também bastante fatigada.

Enquanto Sakura se despedia, ele travou a taça que levava a boca, encarando seu pescoço, o lado que a trança não cobria, ele viu algo que o fez largar a taça na mesa e seguir até ela.

Era uma mancha, uma mancha roxa, parecia até um chupão forte e recente, mas ainda sim, tinha um aspecto muito diferente, ele só não sabia dizer o que.

– Sakura.

– huh?

Ela o fitou, se virando e a trança cobriu o local, Sasuke não deu a mínima se alguém diria algo apenas se aproximou tocando o local e afastando a mecha.

– o que foi?

– seu pescoço...

– huh?o que?

Mas ao reecontrar o local ele viu-o intacto, a pele continuava em seu lindo tom de neve, macia sob seus dedos como veludo, e o perfume também.

– tinha uma mancha...

–huh?! – ela se empertigou tocando o local e Yato também curiou.

– eu não vejo nada...

– Tem certeza?! Sasuke não tem graça!

– eu tinha certeza que vi...

– ugh, está abusando desses olhos de novo? Não me assuste assim.

– ah pode, ter sido um bicho..

– eu tenho cara de quem anda bichada ô garoto?!

– foi só uma teoria!

– humpf, aposto que bebeu demais, baaka.

– tsc, não enche.

– até mais pessoal, vamos crianças – cantarolou ela, e isso o deixou mais tranquilo. Mas ele sabia que o que tinha visto não era algo irreal.

**********************************************************************

– uma mancha, acha mesmo que alguém acreditou? Achei que seria mais discreto – Ino comentou, enquanto lavava a louça logo após os meninos saírem pra treinar.

Sasuke suspirou, irritado, não dormira direito pensando naquilo e ficara atento a qualquer coisa suspeita perto do distrito e dos vizinhos.

Ele sabia que teve gente e olhando estranho sua atitude para com Sakura, e Ino o encarava feio desde aquela hora.

Mas ele não era burro, ela stambém queria usar isso para faze-lo deixar de lado a decisão de enfim contar para Itachi que a avó queria contata-lo.

Ele queria permitir, estava cansando de manter tantos segredos, e avó de Itachi era uma parte dele que ele tinha o direito de conhecer.

– eu sei o que vi, só não sei o que era.

– você já deve estar tão aficionado em estar perto dela que sua mente inventa essas coisas.

Sasuke se levantou irritado e foi para a porta da cozinha.

– onde você vai?!

– dar um basta na minha mente inventiva e aficionada dando o que ela quer, afinal Sakura está bem perto não? – rebateu, dedenhoso.

E seguiu para lá.

Caminhando pelo gramando próximo da casa ele viu o filhote de jaguar brincando com uma almofada toda rasgada, se ele estava vivo, então a almofada não era importante para Sakura...

Bateu na porta da freste mas não tendo resposta, deu a volta e antes de chegar na dos fundos viu Sesshoumaru sair correndo de lá, ele carregava seu estranho boneco de pano mas em sua corrida, derrapou na grama úmida e caiu, se ergueu deixando-o lá e o vendo correr com tanta ânsia, Sasuke entrou em seu caminho e se abaixou o parando e segurando seus ombros.

– onde está sua mãe?

Ele encarou seus olhos de Ghoul e os viu tão assombrados como quando vira a Nora.

– onde está sua mãe, Sesshoumaru?

O garoto se desprendeu dele e começou a puxa-lo pela camisa apressado. Sasuke o agarrou de novo pondo-o no colo e adentrou a casa a passos rápidos.

– onde?!

– sala de chá...

Sua voz era de choro e o Uchiha quase o largou para seguir mais rápido, porém logo estava em frente a porta de correr e quando a puxou deparou-se com uma mezinha virada com café da manhã e Sakura caída do tatame.

Ela usava uma yukata violeta e praticamente agonizava com o rosto pálido sangue escorrendo da boca para o ombro da roupa.

Ele pos o garoto no chão e se abaixou puxando-a.

– Sakura? Sakura?! O que está acontecendo, porra!

Ele encarou seu pescoço, onde ontem vira apenas uma manchinha, agora havia uma mancha enorme roxa que soltava pele descascada e seca. As mesmas manchas agora tomavam suas pernas e abrindo mais gola do kimono ele viu muita outras em seu colo.

– mas que inferno é isso?

– okaa-san...- o menino chamou, um pequeno protesto quando ela afastou a mão pálida do toque dele.

– não me toque...

– Sakura?

– não o deixe me tocar... veneno...eu sou veneno... não o deixe me tocar... Sasuke...onegai...

Entendendo ele puxou o menino para fora.

– vá até a minha casa, encontre Ino, e mande-a ligar para a Tsunade, estou levando sua mãe para o hospital, e não sei que está acontecendo com ela, vá!

O garoto disparou pela saída. Ele voltou para dentro pegando Sakura no colo durante mais uma crise de tosse com sangue, sangue vivo.

– o que está havendo? Foi atacada?

Ela negou fracamente enquanto ele seguia para fora...

– Yato...

– onde ele está?

– com...Hiiro... manda-os para o hospital...contágio... Sesshoumaru... Yukine...Yato...onegai... Sasuke...

Ela perdeu a consciência enquanto ele disparava para o hospital, as manchas soltava um tipo de pó só pareciam aumentar enquanto sua vida parecia caminhar para o fim.

Sasuke não sabia o que infernos estava havendo, mas nada no mundo o impediria de salvar seu único amor.

Pois nada o ampararia se ela morresse.

Notas finais
Sakura : http://i.imgur.com/g1nVSXh.png?1 Hiiro: http://i.imgur.com/FkyvFLz.jpg?1