Notas iniciais
yooo!

Como foi ficar assim?

Sinceramente, tudo o que havia passado naquele ultimo mês, era ainda muito complexo para a mente de Touka Uchiha.

Começando do começo (se é que havia), logo a após os Haruno se instalarem finalmente na casa.

Era algo muito legal, ter vizinhos, ela ia para casa, e voltava na companhia de Yukine, de Sesshoumaru... e dele.

E talvez foi aí que tudo virou de cabeça para baixo.

Eles estudavam na mesma turma, estavam entre os mesmo amigos, e se divertiam ainda mais juntos quando Yuri, Haru, Yabo, e mais um grupo numeroso de Yumis, e Hasegawas chegou em Konoha.

Todos, menos Haru, estavam ali apenas para o Intercambio, Haru também participaria da prova Jouninn.

Era a primeira vez que o Diamante mandava uma turma tão numerosa, somando, incluindo Yato, quinze jovens.

E foi aí, que tudo meio que desandou (infelizmente, só pra ela). Eles estavam sempre juntos, nas aulas, e como os intercambistas eram muitos, foram distribuídos noutras salas. Logo se reuniam todos no intervalo, um grupo já numeroso o bastante, ficou ainda maior porque todos fizeram colegas e amigos com Konoha, e ela se viu, pela primeira vez, dividindo uma roda de lanches com as três rainhas irritantes da escola.

E tal como não podiam faltar, elas ficaram eriçadas com a presença de mais garotos bonitos, e mais garotas para tentarem se sair em superioridade.

E Yato.

Por que aquele idiota, era cativante, ele estava longe de ser o cara risonho e idiota de antes, mas ele sorria e seus sorrisos prendiam, sua voz chamava atenção mesmo quando não cantava. Era inteligente e bobo, educado e cavalheiro.

Com todas.

E as fazia sentirem-se importantes e preciosas mesmo que sequer soubesse seus nomes.

E talvez, sim, provalmente foi aí que tudo complicou.

Por que de todas as garotas, Touka era a mais próxima dele, Yuri e o resto dormiam em apartamentos, alojamentos cedidos e vigiados por senseis, o que resultava em pouca farra mesmo que oficialmente não tivessem um adulto, pai ou tio vigiando.

Eles então iam para casa dos Haruno, grande serena mas muito receptiva, e a bagunça era garantida, pelo menos até Sakura-san chegar e por todo mundo pra arrumar.

Era divertido, vivaz, único, ela nunca se sentiu tão incluída.

E por causa dele. Por que de certa, forma, tudo pairava ao redor dele.

Até ela.

Ela se viu rindo, sorrindo, brincando e correndo com ele. Via seu rosto todas as manhãs e no fim da aula, era o ultimo a ver até que enfim estivesse em casa.

Não escapava de sua presença nos fins de semanas e festas da sociedade. E nem queria.

Ela queria estar perto, queria ser notada.

Era notada.

Ela sentia que o sorriso era diferente, as brincadeiras dele sempre visavam deixa-la desconcertada, e principalmente corada.

“você fica fofa quando cora”.

Ele era educado, e se preocupava, aceitava sua ajuda e a pedia, reconhecia sua inteligência, e não se incomodava com seu mau humor.

Gostava.

E como Uchiha que era, seu sangue era fadado a tentar prevêr e maninupalar cada passo do inimigo, e era assim que considerava Yato, um inimigo diferente de todos os outros, que vencia suas barreiras e a empurrava para extremos que jamais ousou achar que tinha.

Como ficar mau humorada instantaneamente quando uma garota falava com ele e lhe sorria toda meiga, e quando ele retribuía com sua gentileza.

Como um príncipe, como fora criado para ser.

E quando abandonava esta gentileza, ele era firme, as vezes rude, autoritário, rebelde e muito, muito... selvagem.

E esta parte sua era fascinante e assustadora.

Por que ela sabia de onde aquele lado negro vinha. O que o gerou. Se sentia agoniada quando um pouco dele se revelava, embora tenham sido uma ou duas vezes naqueles trinta e poucos dias.

Ele só ficava assim quando era irritado ao máximo por questões que ela desconhecia. Yato se afastava, tentava se isolar, até mesmo da mãe e irmãos.

Doía nela, porque sabia que doía nele magoar a mãe, Sakura era muito protetora e cuidadosa, além de sensível, parecia haver um alarme em sua mente, que sempre avisava quando algo estava errado. Ela era firme, mas também frágil ante lidar com o lado negro de Yato, porque ela sabia melhor ainda o que o originara, se sentia sem ação e talvez culpada.

E Yato sabia, mas não podia conter, então recuava, como se temesse magoar qualquer um, mergulhando mais profundo em si mesmo, se ocultando, se recusando a dividir e tomando todo o peso de seja lá o que for que vinha planejando.

Ela conhecia cada vez mais daquele cara a cada dia, e cada vez mais ele sabia dela, com sua atenção redobrada que só ela percebia, que era só pra ela perceber.

Era a batalha deles, silenciosa, entre olhares e comentários, alguns xingamentos e cascudos (da parte dela) o que também detestava. Detestava ser tratada como sexo frágil. Mesmo os garotos só faziam isso para provoca-la. Já Yato, agia como se fosse uma princesinha como qualquer outra, uma menina como qualquer outra.

E a fazia desejar ser assim.

Sorridente e vaidosa, delicada e ter cabelos longos e sedosos como a mãe dele e as meninas Hasegawa, que mesmo tendo sua atenção sempre, estavam sempre querendo mais, admirando-o com olhos brilhantes, adorando serem tratadas como suas irmãzinhas e ao mesmo tempo querendo ser a garota dele.

E com uma Uchiha, ela prevera exatamente o tipo de rumo que seus sentimentos e as ações dele estavam levando.

Ela viu que era algo impossível, eles eram muito diferentes e uma hora isso se perceberia, eram de lares diferentes, e tão logo se juntassem, estariam se separando. Além de que, nunca ninguém aprovaria.

Ela tinha seu clã para reviver.

Yato o dele para guiar e proteger.

Os dois portavam heranças distintas demais.

Eram distintos demais e os adultos esperavam coisas distintas e grandes de cada um. Ele não queria decepcionar sua família, ela devia dar orgulho ao pai e um exemplo ao irmão.

Yato e ela não eram compatíveis, o mundo não era compatível para os dois juntos.

E quando ela achou que poderia por um pouquinho de ordem nas coisas, considerando que entendeu o que acontecia, e prinscipalmente o risco que tinha de acontecer.

Ela num belo dia, (pensando com toda a ironia possível) recebe a seguinte proposta.

“ — Eu já perguntei antes, e você me chutou, literalmente, as bolas, mas desta vez estou sério, então sem chutes, apenas responda e dependendo da resposta eu dou a volta e continuamos como sempre foi, entã, você quer namorar comigo, Touka?”

Tão surpreendente quanto fora a pergunta de Akira, fora sua resposta, mas em sua defesa, ela tinha tido a mente bombardeada por tudo o que concluira no ultimo mês. Todas as coisas legais que viveu e sentiu, e jamais esqueceria, também as ruins como quando alguém causou uma guerra de comida na lanchonete depois da aula, e o dono ligara para academia, e como era um negócio que tinha um convenio com ela, o que eles aprontassem ali contava com uma traquinagem na Academia.

Foram todos para a diretoria, e ela nunca levou uma bronca tão feia, seu pai já andava meio estressado por conta de umas investigações mas não sabia porque sua mãe ficara tão irritada.

Ela ficou responsável pela louça suja o resto do mês, alias, ainda estava e neste momento se apressava para chegar cedo, lava-la e ir estudar.

Akira quase teve a orelha arrancada, e até mesmo Sakura que sempre era leve com as coisas de adolescentes fazendo-a a tia preferida, cobrou pela travessura e Yato ficara responsável pelo café da manhã.

Yukine não parava de reclamar das torradas queimadas, a tarefa era apenas para faze-lo acordar mais cedo que todos.

Também tinha que alimentar Zankyouu e dar as doses de vacinas que o jaguar que ganhara o nome “carinhoso” (ao modo Sesshoumaru) de Kuroi Akuma, um demônio negro.

Que era fofo e sapeca como um gatinho, as vezes quando o menino o via rolar no chão entre as folhas e perseguir borboletas, Touka sentia que seu olhar dizia que era um desperdício usar um nome tão assustador no felino.

Ela estava ligada demais áquela família, já tinha Yukine com um irmão chato tal como era com Minato, Sakura era uma tia maravilhosa, atenciosa e encantadora, e adorava até Sesshoumaru, implicar com suas roupas engomadinhas, apertar suas bochechas extremamente fofas, e ajuda-lo com o dever de casa apenas para se impressionar com sua capacidade e sentir até orgulho.

O menino fizera o teste, e fora avançado dois anos, estava em turmas de dez anos, um ano atrás de Yukine que ficou ciumento.

Sakura não estava segura com aquilo, mas as tarefas vinham cheias de notas e elogios dos senseis, era uma criança sossegada, mesmo que alguns minivalentões implicassem com ele, e não se misturasse com os da idade nem no recreio.

Volta e meia ele invadia sem qualquer temor ou respeito, o “território dos chunnins”, e ia indagar Yato sobre uma tarefa ou questão.

Coisa que as outras crianças nunca faziam e prefiriam ficar brincando pros lados do prédio de suas salas. Até Yukine evitava muito vir, Minato só vinha pelas garotas mais velhas e Itachi porque era arrastado (era bom ser isso mesmo).

Concluindo, ela estava em perigo.

À deriva.

E ironicamente, e de uma maneira que nunca imaginou, Akira lhe oferecera um bote salva-vidas.

Uma solução, drástica, provavelmente idiota, mas ainda sim, perfeita.

“ – eu aceito”

Obviamente, ele levou meio hora e dois cascudos para acreditar, mesmo que tivesse a mínima esperança dela aceitar, não esperava que fosse tão direta.

Mas pior do que fora a reação dele, fora a das duas famílias e de todo o circulo a volta.

Na droga da academia todos comentavam o fato de ela sentar com ele no lanche, mesmo que tivessem feito isso tantas vezes. Aquela droga de palavra, “Namorados” fazia as coisas mais bobas entre eles serem vistas como fenômenos.

Obviamente, ela não estava acostumada com o contato que Akira tinha com outras meninas, e no máximo aceitava, engolindo todo o constrangimento e a vontade de gritar que parassem de encara-los como atrações de circo, que ele passasse o braço ao redor de seu pescoço ou cintura e caminhasse ao seu lado.

Ela já ficara muito, muito irritada por ele ter achado que só porque tinha aceitado já poderia avançar e roubar seu primeiro beijo.

Foi enervante, e ficou muito zangada, mas não foi ruim, foi curto também, e ela não se recuperara ainda para permitir outro. E também desde que tivera de falar com os pais dela, Akira estava todo receoso, o que ela achou bom.

Seu pai ficara incrédulo, e se não fosse Uchiha Sasuke, teria deitado no tapete da sala e gargalhado até chorar. Já sua mãe ficou muito atordoada.

Mas a realidade caiu pra eles.

E Sasuke deu ao “genro” um olhar que queria dizer tantas ameaças que foi até bom ele não ter dito mesmo.

Quando se tratava de ameaças, um Uchiha sabia dizer tudo com os olhos, principalmente com o sharingan ativado...

Já ao ser apresentada aos pais de Akira, foi tudo bem diferente do que ela esperava.

Akira foi mais uma vez ameaçado...

Temari e Sango prometeram deserda-lo e deixa-lo bem machucado que ousasse agir como se Touka fosse as outras garotas.

Foi uma surpresa para a Uchiha, por que nunca imaginou que era tão considerada, como algo precioso e imaculado.

Foi ainda mais enervante e estranho dar a noticia aos amigos, Akira falou todo orgulhoso e ela se sentiu um pouco como um troféu. Então todo mundo riu, e aconteceu o mesmo que em suas casas, ficaram os encarando com caras atordoadas.

Ela sabia que não era por Akira quase nunca namorar, era por ela. Ela nunca se interessara por garotos, e de todas as pessoas obviamente duvidavam (tal como ela) que se interessaria pelo galinha do Nara.

Quando a primeira semana passou, e nem Akira estava com outra menina e nem ela o havia trucidado como as más línguas faziam questão de apostar, a questão foi totalmente levada a sério, até por seus pais.

Sua mãe brincou que seu pai tinha esperanças de que fosse só um devaneio ou que tinha comido algo ruim. Temari estava radiante com a perspectiva de ter um filho “direito”, a tratava com filha e apertava Akira como se fosse um ursinho.

Ela percebia do “sogro” que ele não estava muito crente nisto, ora, ele era um cara genial, conselheiro do Nanadaime. Porém, seja por preguiça ou porque não era de sua conta, ele se limitou a sorrir discretamente, tragar seu cigarro e dar de ombros.

Esse era o resumo do ultimo mês.

Ela vinha tão perdida neste caldeirão de situações que bateu em algo e seu nariz pareceu que iria achatar e se inflar quando captou um perfume tão embriagante.

– itai...- a voz de Yato, mais rouca que o comum, baixa também, quase a fez cair para tras, mas ela apenas se afastou com a mão no nariz enquanto ele esfregava a palma no peito.

– go-gomen...

Ele enfim a fitou, e ela lembrou que desde o “anuncio” não tiveram contato, não aquele contato que fora o que gerara todo o problema, Akira vinha busca-la na porta de casa para a aula, como um perfeito namorado, o que fazia sua mãe suspirar em aprovação e incentivar o relacionamento, e seu pai bufar. Ele também a acompanhava de volta e ela seguia para o esperar na saída da academia. O idiota sempre demorava nos testes, e até onde percebeu Yato foi um dos primeiros a sair da sala, o que deixou ainda mais na defensiva.

Embora tivesse procurado-o com os olhos quando contaram aos amigos, ela só vira Yuri pular em cima de si e parabeniza-la como se tivesse acabado de casar.

Todos deram parabéns em coletivo, e Yato estava no meio deles. Então não podia saber sua reação, só que, nas poucas vezes que se encontraram, aqueles sorrisos, aqueles sorrisos, cessaram, e voltaram a dar lugar àquela gentileza pura e normal com que ele a tratara na primeira vez que se depararam.

E talvez, um pouco de frieza.

– não machucou, e o seu nariz?

– está bem...

– hum...- foi sua resposta, ele afundou as mãos nos bolsos e olhou em volta, e ela se viu segurando a bolsa com mais firmeza, desviando o olhar para qualquer outro lugar. Conseguira falar pelo menos um pouco do primeiro namoro com todo mundo, aturou até as dicas ousadas de Yuri.

Mas falar disso com ele, parecia um TABU.

– você saiu cedo... achei que já tivesse ido.

– estou esperando o horário do Sesshoumaru, okaa-san não vai poder busca-lo hoje, e mesmo tento a Chieko-san para vigia-lo, ela ainda não quer deixa-lo ir e vir sozinho.

– entendo... achei que a guarda não fosse ficar muito tempo, está correndo tudo tão bem...

– nem perto... – ouviu-o dizer, num fio de voz perigoso, ergueu a vista o encarando e lá estava aquele olhar sombrio de novo, ele encarava algum ponto, sua mente mergulhada naqueles planos secretos. Aos quais ela definitivamente já não podia se meter.

Ela sentia, e Yato transmitia muito bem, que quando foi para Akira, não só o sutil, agradável e doce relacionamento que estavam construindo se desfez, mas a confiança dele para dividir qualque detalhe sobre seus planos para parar a Aogiri também.

Ela estava exatamente na posição que queria estar, uma amiga, e colega como qualquer outra. Então por que não estava satisfeita? Por que agora queria agarrar sua gola e lhe bater por estar tão calado, quando haviam tantas palavras ao redor deles necessitando serem ressoadas?

– aí está você, gatinha – Akira disse, e logo em seguida ele já tinha o braço ao redor dela.

– já disse pra não me chamar assim! – ela resmungou.

– yo,Yato, ainda aqui? E eu quase pulando pela janela.

Yato se voltou para ele.

– esperando o caçula.

– sua mãe está ocupada de novo?

– não tem jeito, e ela está adorando poder dormir um pouco mais tarde...

– conseguiu parar de queimar torradas? Minhas lindas mãos vão ficar enrugadas para sempre nesse ritmo de ter de lavar a roupa.

O Yumi riu anasaladamente meneando a cabeça.

– estou melhorando, mas Yukine está pra suplicar de joelhos pra ela voltar.

– irmãos mais novos, nunca satisfeitos!

– começo a concordar, antes achei o que Sesshou estava do meu lado, mas peguei ele roubando biscoitos do pote e substituindo pelos sanduiches que faço...

– ah, pelo menos ele foi bonzinho te poupando da cruel verdade.

– hn? – Yato encarou o céu por um momento, de uma risada, como se concluísse algo.

– é, deve ser, faz muito sentido...

O sinal do horário final bateu, neste momento quem não terminou o teste perdera a chance, e as demais salas esvaziavam o prédio.

– ih, soltaram a boiada...- Ela revirou os olhos e deu uma cotovelada no Nara.

– idiota.

– tenho que achar aquele pentelho no meio dessa gente toda – Yato disse, assim, apenas partindo.

– nee, Yato?! Vai estar livre na sexta?

– hn? talvez, não sei, se minha mãe não quiser me torturar mais um fim de semana...

– hah, sei como é, estamos pensando em ir para o Karaoke se topar avisa?

– claro.

– e chama seus parentes!

– haha, aposto que Yuri vai se convidar assim que eu mencionar, vou dizer sim.

– maneiro!

Com aquele andando macio e sem pressa, Yato seguiu rumo ao prédio por onde as crianças saiam, as mãos nos bolsos, o tórax hora ereto, hora curvado conferindo uma postura estranha e fascinantemente elegante.

Ele, quando andando como um cara normal, tinha um passo de felino.

–vamos? – Akira disse – tenho que deixar a princesa em casa, ou o seu pai me mata.

– humpf, ele está no trabalho essa hora, baka.

– então vamos pra minha?

– me poupe.

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– se continuar desse jeito, logo vai sair fumaça dos seus ouvidos.

Sasuke revirou os olhos, muito mau humorado e girou na cadeira, encarando a janela onde Asana o encarava com um sorrisinho sacana, sentada nela.

– o que voce quer?

– calma, eu só vim entregar meu relatório – Sasuke se curvou para pega-lo e voltou-se para a mesa.

– tudo bem – disse, largando a pasta ao lado.

– nossa, antes você era mais atencioso comigo.

Por que mulheres gostavam de atenção.

E porque ele queria se aproveitar dela.

– tinha meus propósitos, não que tenha adiantado – comentou, e ouviu-a bufar.

– estou indo.

– hn.

Logo ela se foi e ele foi deixado sozinho com a cabeça fervilhando.

O mundo só podia ter ficado ainda mais insano desse ultimo mês pra cá.

Primeiro, Sakura vinha morar perto dele (não estava reclamando, dessa parte).

Depois sua sogra aparecia na porta de sua casa, e dizia desejar começar a conviver com Itachi. Ela queria conhece-lo, ao que parecia, e embora não tenha dito assim, estava afim de recuperar o tempo que perdeu com ele por se afastar e remoer seu rancor e desgosto contra a filha.

Obviamente ele não aceitou e Ino ficou indignada, chorou e implorou que ela desistisse.

Mas Noriko estava tão irredutível quanto quando a deixou naquele cartório. Também percebeu que ela não estava ali para brigar, se manteve calma, e totalmente ignorante ao desmanche de Ino. E ele também.

Focando em tudo o que esta aproximação resultaria, óbvio que Itachi e Touka sabiam da avó, mas aceitavam que havia algo muito difícil entre ela e a mãe, e aceitavam que era pesado demais para Ino permitir ou empurrar o garoto para a mulher.

Ela continuava mandando uma foto a cada aniversário, e ele se perguntou se foi a ultima, ou a penúltima que a fez sentir vontade de conviver com o menino.

Se enfim conseguiu ver que ele era apenas uma criança pura, sem culpa de qualquer pecado, nem do que o havia gerado.

“- você não pode chegar aqui e exigir isso – ele avisou.

– sei que não posso obriga-lo, mas estou sendo sincera, quero conhece-lo, ter um tempo com ele, vez ou outra, nada mais.

– “vez ou outra?” você nunca sequer quis contato com ele! O que está planejando,okaa-san?! – Ino exigiu encarando-a com as bagas azuis, a mulher suspirou, pesadamente.

– eu não planejo nada, se algo a faz achar que seria capaz de atentar contra a vida de uma criança, recolha esta possibilidade para si mesma, a única que atentou contra a felicidade alheia aqui foi você.

– vai volta a pisar no mesmo lugar não é?! Nunca vai me perdoar não é?!

Noriko a fitou.

– você não quer perdão, você quer permissão, quer apoio, até mesmo ter a razão, mas para o que fez? Eu não mereceria ser chamada de mãe se o fizesse.

– não foi uma grande mãe quando a deixou lidar com a gestação sozinha. – Sasuke pontuou – ela precisou de você, de um apoio.

– ela precisava lidar com seus erros, e não me parece ter tido grande efeito afinal, nunca tentei ser uma “grande” mãe, nenhuma mãe de verdade o quer, você os cria e deixa crescerem, tomar seu rumo, e torce para que sobrevivam nele, que sejam felizes, que tomem um caminho, certo, é tudo o que você pode fazer, isso é tudo o que deseja, e como se sente quando ver a grande falha que é? Você se envergonha, e se afasta, por que você não pode mais fazer nada, porque eles não são mais crianças, tudo depende deles, e a você só resta observar, foi o que eu fiz, apenas isto, e um dia, se for um pai, também terá de fazer o mesmo, ser um observador.

– ele não conhece você, tem doze anos, mente formada, pelo menos em parte, não é como se fosse forçar um bebê.

– eu tampouco quero que o force, converse com ele, diga meu desejo, e deixe que manifeste o seu e tenha o tempo que quiser para pensar, eu continuarei onde sempre estive, pelo menos por enquanto...- ela se levantou e seguiu para a saída. – estou saindo – anunciou, e então se foi.

– você não pode deixar! – Ino disse – o que ela pode fazer, as coisas que pode dizer... Sasuke! Não!

– ela é avó dele...

– deixou de ser quando passou a ignora-lo!

– você não sabe se foi isso.

Ele sabia bem o que era ter que fingir indiferença, tentar cortar um laço sentimental ou de sangue.

Não podia descartar que Noriko quisesse magoar Itachi, mas não podia descartar que ela poderia ter passado os ultimo doze anos tentando cortar aquele laço com ele, até enfim desistir.

Obvio que sua vinda, justo agora que Sakura estava de volta era o que deixava Ino mais inquieta, e ele também, mas por que ela viria dar uma e vingadora, atacar uma criança, justo agora? A seu ver seria muito mais fácil contaminar a mente do menino quando ele fosse mais novo. Hoje ele sabia que nada que lhe dissessem Itachi simplesmente acreditaria, ele viria até os pais indagar.

Eles só não queriam ser indagados.

Definitivamente ela não poderia estar querendo ter uma forma de recompensar Sakura pelo pecado de sua filha, ou teria ido direto a ela, e se foi, ou iria, decobriria quão alheia ao passado, Sakura estava.

E esta suposta vingança seria inútil.”

E no fim, eles não conseguiram falar disto a Itachi, e Noriko não deu mais noticias, ele sabia porém que uma hora ela viria ter com eles, e poderia não estar tão paciente, ela poderia vir direto a Itachi e indagar se ele queria conhece-la.

E então indo para a terceira coisa, a provável maior prova de que este mundo já podia acabar.

Ou que a lua deveria ter tombado contra a terra quanto teve a chance.

Touka começou a namorar.

E realmente tentou, vasculhou o que pode, mas a menina parecia livre de qualquer genjutso ou ter comido algo ruim. E estava completamente segura de que era o que queria.

Vejamos, ele sabia, que esta amaldiçoada época um dia chegaria, mas não podia aceitar ou entender por mais que tentasse, por mais genial que Sasuke fosse.

Por que diabos tinha de ser AKIRA?

Akira? Sério?

Ele estava decepcionado, mas não podia demonstrar.

O garoto não podia ver um rabo de saia, era preguiçoso até para pensar como o pai, e maldição, ela sabia disso!

Então porque de todos, ou mesmo dos três pirralhos que ela estava acostumada, tinha de ser justo ele?

Certo que Mamoru não era um galã, mas era um rapaz gentil, e Inugami... Entre um cachorro e um gato malandro, ele ficaria com o cachorro, afinal, cães são fieis.

Porém, talvez devesse se conformar como Ino dissera, antes um rapaz que conheciam desde pequeno, que um estranho. Eles ao menos saberiam como aconselhar Touka, e ele sabia onde encontrar o garoto e pra quem entregar o corpo caso magoasse sua princesinha.

Mas ainda, sim, sério, sinceramente, o AKIRA?!

– Esse mundo tá insano.

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O vento açoitava com delicadeza os lençóis brancos, Sakura ajeitou uma mexa rebelde atrás da orelha e colheu mais uma peça de roupa, prendendo-a no varal.

De onde estava, ficava de costas para o piano de Yasuhiko, agora não tendo uma estufa muito grande, ela decidiu por deixa-lo ao ar livre, abaixo de uma estrutura de um telhado de madeira, recoberto com trepadeiras de glicínia, nas vigas e abaixo de uma enorme arvore da mesma planta lilás que derramava sobre tudo seus longos cachos.

Galhos da arvore invadiam a casinha, passando contra o teto e derramando mais cachos que chegavam a tocar o piano. Ali ele ficaria protegido de chuva e sol. E poderia ouvir suas notas pelo ar, como se fizessem parte da natureza. Além dele, a bateria de Haru também tinha ocupado temporariamente e os garotos ensaiavam lá.

Ela ouviu ao longe os esturros roucos de Kuro, e sorriu observando-o perseguir Sesshoumaru que corria pelas colinas chutando uma bola preta, de borracha bem grossa que fora um pouco mais esvaziada para que as garras e presas da pequena fera não a furassem tão facilmente.

Era a única bola com que os dois poderiam brincar por mais de dois minutos.

Seu menino corria livre por ali. Ela podia observa-lo e protege-lo. Valeu a pena.

Yukine estava na pequena estufa, provavelmente muito esforçado em cuidar das plantas medicinais que eram as únicas ocupantes, com tanto espaço, Sakura poderia cultivar suas flores onde quisesse agora.

Yuki estava empenhando-se cada vez mais com a medicina ninja, ele queria seguir seus passos e não podia estar mais orgulhosa, e rígida, claro.

Yato devia estar em casa, andava cansado, e também meio amuado. E ela não queria discutir ou pressiona-lo, só lamentava que mesmo estando perto, não pudesse diminuir as responsabilidades dele, e deixa-lo ser tão livre quanto o caçula.

Ela prendeu mais uma roupa, feliz que apesar de tantas arvores houvesse vento e sol para seca-las, além de calor.

– cuidado, querido – avisou, vendo Sesshoumaru, tentar subir sobre uma arvore bordo. Ele logo caiu quando Kuro o puxou com uma patada, e os dois rolaram pelo gramado, um gato branco e o outro negro, o que lhe arrancou risadas.

Viu Yukine passar, carregando um saco com adubo. E então Yato, sentar em frente o piano.

Ela espremeu mais uma peça e caminhou para a outra extremidade do varal ouvindo as primeiras notas, e não tendo dificuldade em reconhece-las, apenas percendo o humor melancólico do rapaz.

De onde estava o observava de perfil, e suspirou, cantando enquanto via Seshoumaru correr entre os arbustos de azáleias e hortênsias recém plantados por ela e Yukine ao longo da beira do rio que passava abaixo da casa, agora além do espelho de água tinha também o cheiro de flores e suas cores para contemplarem da janela.

–“Quantos dias se passaram dessa maneira?

Esta cidade, a multidão está desaparecendo, seguindo em frente

Eu às vezes me pergunto para onde você foi

A história continua

Perdido apenas por dentro

Eu tive este sonho tantas vezes

Os momentos que passamos se foram e desapareceram

Poderia haver um fim a isso

O que estou sentindo lá no fundo

Você sabe que não podemos olhar para trás

Céu apático sobre mim

Contanto que eu viva

Você será parte de mim

Céu apático e frio

Os fragmentos de mim

– vão fazer bagunça pra lá! – gritara Yukine e em seguida Sesshoumaru corria para fora da estufa junto ao jaguar. Eram a dupla perfeita para aprontar, antes eram Yato e Yuki, agora Sesshoumaru tinha seu companheiro de baderna também.

–...O mistério disso eu me lembro

De repente, a verdade vai mudar a maneira que nós caímos

Eu não quis feri-lo, espero que você saiba disso

Promessas vazias, estilhaços de sonhos de amor

Às vezes me pergunto o que existe além

Eu tentei tantas vezes fazer as pazes com você

Alguém pode me dizer o que fazer?

Achei que fossemos feito um para o outro

Não há mais como voltar atrás

Ela seguiu até outro varal, com roupas secas e as jogou no cesto.

Encarou feio o bichano que agora rolava dentro do outro cesto vazio com aquela cara negra e sem vergonha. Procurou Sesshoumaru e viu ele espreitando atrás de um arbusto, os dois deviam estar em seu próprio pique esconde outra vez, embora Kuro não parecesse estar levando o jogo a sério. E ela suspirou, puxando o grande gato, que crescera mais ainda no ultimo mês, do cesto e pondo no chão.

– brinque direito, rapaz – ele correu atrás de uns passarinhos e o localizando Sesshoumaru foi em sua perseguição.

– ...A hora chegou

O sol se foi e não há mais sombras

Sei que não posso desistir e que a minha vida continua

Eu vou ser forte Eu serei forte Até eu ver o fim....

Yato a acompanhou, também usando a bateria e a voz sob a dela, desde que aprendera a fazer clones ele sempre que tinha de praticar sozinho, criava os sósias para tocarem com ele. Haru e o resto deviam estar por chegar ainda, eles não podiam sair a qualquer hora, mas ela sabia que dariam um jeitinho.

– Céu apático sobre mim

Contanto que eu sobreviva

Você será parte de mim

Céu apático e frio

Os fragmentos de mim

Céu apático sobre mim

Acima de mim, sobre mim...

( Glassy Sky – OST Tokyo Ghoul Root A.)

Ela juntou o cesto e foi até lá, dando um beijo na cabeça do filho antes de tomar o caminho para a casa.

Com a roupa lavada, Sakura se preocupou com o almoço, e logo sentiu falta de seu pequeno, ele sempre vinha observa-la cozinhar como se fizesse algo muito diferente, ele seria um ótimo cozinheiro se dependesse de suas observações, mas principalmente aproveitava que ela estava num lugar só, e com a mente livre o bastante para responder seus questionamentos.

Desde que Sai chegara, ela se viu ainda mais apreensiva com como lidaria com ele. Além de super dotado, Sesshoumaru era prematuro.

Sai descobriu que para levarem seu bebê, precisaram injetar uma toxina nele, que pararia todos os órgãos e simularia sua morte, ao roubarem do tumulo ou mesmo antes do sepultamento, tiveram de lidar com o fato de que poderiam matar sua criança mesmo assim, era uma toxina muito forte para um organismo que ainda não estava plenamente formado, e que nascera de forma tão apressada e trágica.

Para manterem Sesshoumaru vivo, o induziram num coma e o puseram em uma espécie de incubadora que o estabilizou e o manteu até os primeiros dois anos de vida.

Ele não sabia dizer se o tratamento tinha haver com a capacidade do garoto, e nem ela sem ter maiores detalhes clínicos, o que sabia é que seu filho foi arracando de si e criado com uma cobaia ainda neném, depois tirado e tratado como um prisioneiro, como se tivesse crimes a pagar.

A vida inteira encarcerado.

E alguém tinha que responder por isso.

Já pecaram muito contra ela, e ela deixou passar, mas se tratando de seus filhos, e de seu orgulho próprio, ninguém estaria inteiramente salvo por muito tempo.

Por que de uma coisa Sakura sabia, o destino dava voltas, uma hora você bateria de frente com seus atos, encontraria seus credores.

E ela era uma cobradora infernal.

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– droga! – Ino largou a segunda panela queimada dentro da pia e ligou a torneira sobre ela, o vapor e o chiado tomaram o ar e ela se ocupou de curar a novo queimado que conseguira.

Não estava se concentrando em nada. Primeiro Sakura, Sai... então sua mãe, e até mesmo sua filha.

Claro que não tinha nada contra o romancinho, na verdade, estava radiante, sempre quis que a filha namorasse, que tivesse amigas como toda garota. Havia aceitado que parecia ser destino de todo Uchiha aquela personalidade isolada. Porém, tal como Sasuke, Touka tinha a sua volta amigos de verdade.

E agora até uma paixão. Ela sempre quis que os dois se gostassem, mesmo sabendo muito bem o tipo mulherengo que Akira era. Mas em sua concepção, se alguém podia parar isso, era Touka. Aquele jeitinho marrento dela tanto encantava quanto frustrava, ela tinha certeza que ele passaria tempo demais tentando desarma-la para pensar em qualquer outra menina.

Sim, a chegada desta tão esperada primavera (menos para Sasuke) parecia única coisa normal e boa acontecendo ultimamente.

E enquanto Touka ia bem.

Tinha Itachi. Ela sempre ansiou, no começo, que sua mãe cedesse e viesse para o menino, que ele desmanchasse sua revolta. Mas com o passar do tempo, ela temeu sua volta tanto quanto a de Sakura, e que elas abalassem seu castelo construído com tanto suor e lagrimas.

Ela sacudiu a cabeça e tentou esquecer isso e fazer uma comida tragável.

Ao se virar para o balcão onde o fogão ficava, havia uma pequena janela. Ela saltou para o lado soltando um gritinho ao deparar-se com aquele felino negro outra vez.

Ele estava na beirada, sentado, bem maior do que a primeira vez que o vira e dava leves patadas numa vasilha sobre o balcão fazendo-a deslizar sobre ela.

Ela captou outra coisa na porta aberta da cozinha e repetiu o ato de saltar e gritar ao dar-se com o inexpressivo menino ali parado, encarando-a como se fosse um tipo de fantasma, aqueles que ficam encarando as pessoas, pra sumirem ou avançarem nelas.

– Kami-sama! – exclamou, ele parecia mesmo um belo menino fantasma, todo de branco.

Ou quase, reparou que estava sujo de grama, musgo, folhas e pétalas de flores.

– o-olá...- disse, e então a vasilha caiu do balcão e os dois voltaram os olhos para o bichano.- olá, você também...

O bichano encarou-os e olhou em volta procurando algo mais interessante então girou e saltou para fora.

Quando voltou a atenção para a porta ela não viu mais o garotinho.

Se aproximou da janela, e o viu correndo pelos fundos da casa, seguindo o bicho.

O sol já estava bem forte, e refletia nas roupas de um e no pelo do outro, como se um menino bricando com uma fera já não fosse uma visão surreal demais. A beleza de Sesshoumaru fazia esta visão quase sobrenatural.

Ino cogitou que ele só andasse por aí, vestido a rigor por que Sakura fizesse questão de mostrar seu estatus de filho de um Kage e herdeiro de uma casa nobre e tradicional. Mas vendo-o correr aí por até assim, duvidou que a Haruno sempre tão atenciosa e cuidadosa, fosse deixar o filho brincar em roupas tão pouco confortáveis para tal e apenas arranjar peças mais leves.

Ele gostava deste estilo, e Sakura queria fazer o gosto de seu bebê roubado. Como mãe, Ino tão tinha direito de julga-la, mas o dever de entendê-la.

Com um suspiro, voltou à tarefa de fazer algo comestível, logo Touka desceria de seus estudos tal como Itachi, e deviam estar tão centrados que nem sentiram o cheiro de comida queimada. E então ela se pegou perguntando e sorrindo debochadamente. Como Sasuke reagiria se chegasse e encontrasse uma cria de Sakura correndo e fazendo de seu distrito um parquinho?

Ela agora tinha consciência que ele desejasse retomar o que desfez com Sakura, afinal, Sesshoumaru era a prova de sua fertilidade, e Yukine e Yato de seu talento para ser mãe.

Seu talento para dar tanto amor.

E de este sempre conseguir ultrapassar as cascas mais grossas. Tal como Sasuke.

Tal como Sai...

Ele devia imaginar pequenos Uchihas de olhos verdes correndo por aí, chegar e dar com a realidade...

Seria bem cruel até.

– humpf.

**********************************************************************

“descreva a trajetória da Kunai dos pontos A e D e diga e como passariam entre B e E neste mesmo esquema..”

Touka lançou o livro contra a parede e largou a cabeça contra a cabeceira da cama ao se deitar de uma vez. Gemeu irada e frustrada ao se sentar esfregando o galo recém-nascido.

Ela não tinha a minima cabeça para estudo. E talvez nem devesse, era sábado, talvez devesse estar em algum encontro com seu namorado.

Mas o idiota levara bomba no teste e agora estava estudando para a recuperação.

E ela tentando esquecer que só um rio a separava das pessoas da casa do outro lado.

Com um suspiro derrotado, ela se recostou na janela e encarou a o dia quente e bem iluminado lá fora, seus olhos piscaram incrédulos quando localizou Sesshoumaru correndo em frente sua casa, ele vinha da direção da ponte e seguia Kuro. Quase saltou do lugar mas, preferiu esperar e ter certeza se ele não era seguido nem mesmo por Yukine, mas depois de dez minutos não veio mais ninguém além daquela kunoichi que sempre encarava seu pai com cobiça.

Não que nunca tivesse notado outras mulheres o fazerem, mas a maioria sempre se acuava com quem ele era. E mesmo as mais ousadas paravam quando se viam totalmente ignoradas.

Mas ela não.

Ela parecia até se divertir com ser tratada com indiferença.

E era por isso que não gostava dela.

Mas sabendo que ela só estava ali por Sesshoumaru, sabia também que ninguém viria atrás dele tão cedo se não fosse a própria Sakura com seu jeito todo coruja.

Ela nem tivera a chance de ve-lo na sexa feira, o Karaoke que iriam fora alugado para um aniversário e ela fora avisada antes mesmo de sair de casa.

Ela não queria nem deveria estar tão decepcionada. Mas estava.

*********************************************************************

– na casa deles? – Touka indagou.

– exatamente – Akira disse, puxando-a e beijando sua cabeça enquanto caminhavam agora, rumo a ponte que unia os terreno Uchiha e Haruno. – já que não pudemos fazer a festa no karaokê, então resolvemos fazer o nosso lá.

– mas lá?

– lá tem um baita espaço, e a tia deixou, sabe como ela é maneira.

– hn...

Quando atravessaram o lugar e se aproximaram da casa foram ouvindo o som de musica.

– yoooo! – gritou Yuri, vindo mais uma vez do nada, e saltando sobre Touka.

– Yu-Yuri! Cuidado!

– hehe, chegamos juntos! – ela comemorou, e Touka riu da bobagem. Olhou em volta e percebeu todos ali.

E não pode manter o sorriso muito tempo, nunca podia. Com tantas garotas ali, e seu desgosto as alturas ao notar até mesmo as rainhas ali.

– ué, se vocês chegaram agora, quem tá tocando? – disse Akira, coçando a cabeça.

– hum? – eles pararam ouvindo a musica.

– ah fala sério! – reclamou Haru se apressando para lá. O grupo contornou uma parte da casa e chegou aos fundos já era quase noite,e a luz que havia era a que iluminava a entrada dos fundos da casa e da casinha feita sob uma enorme Glicínia onde repousava o piano do falecido Shinjukage.

A bateria de Haru e até mesmo o baixo de Yabo estavam lá também. Sendo usados por Yato, vários dele, ao mesmo tempo.

Um na bateria, outro no baixo, guitarra e outro no vocal.

Estavam todos de calça preta e chinelos, somente.

E como uma reação em cadeia, as garotas suspiraram e os garotos reviraram os olhos.

Eles pareciam estar tocando apenas uma introdução, um ensaio, ate que o vocalista, muito centrado, tal como os outros, fez um sinal para o guitarrista e que começou com uma melodia que parecia decadente, e se provaria assim que a letra seguiu.

– “Doces sonhos são feitos disso

Quem sou eu pra discordar?

Viajar o mundo e os sete mares

Todos estão à procura de algo

Alguns deles querem te usar

Alguns deles querem ser usados por você

Alguns deles querem abusar de você

Alguns deles querem ser abusados

– e lá vem ele com essas letras estranhas de novo – Yuri resmungou.

– eu curto – Haru deu de ombros. – não seja má, sabe que ele não consegue evitar, a letra vem e ele a faz, ora.

– humpf, o que me preocupa mais são as inspirações dele.

– Yato esta adquirindo uma veia mais sombria, eu presumo, mas ele é um cara sombrio, agora, fazer o que? – Yabo disse – as letras são legais, bem adultas...- ele e Haru riram entre si como se houvesse uma piada interna, o que deixou Yuri curiosa e emburrada.

– muito adultas!

– tanto que tem medo da tia ler! Haha!

...Doces sonhos são feitos disso

Quem sou eu pra discordar?

Viajar o mundo e os sete mares

Todos estão à procura de algo

Alguns deles querem te usar

Alguns deles querem ser usados por você

Alguns deles querem abusar de você

Alguns deles querem ser abusados

Eu quero usar você

E abusar de você

Eu quero saber o que há dentro de você

Adulto, intenso, cínico e quase sufocante. Dava para resumir assim, impossível olhar, impossível desviar.

Instigante e debochado.

...Mexa-se, mexa-se

Mexa-se, mexa-se

Mexa-se, mexa-se

Mexa-se!

Doces sonhos são feitos disso

Quem sou eu pra discordar?

Viajar o mundo e os sete mares

Todos estão a procura de algo

Alguns deles querem te usar

Alguns deles querem ser usados por você

Alguns deles querem abusar de você

Alguns deles querem ser abusados por você

Eu quero usar você e abusar de você

Eu quero saber o que há dentro de você

Eu quero usar você e abusar de você

Eu quero saber o que há dentro...

(Sweet Dreams — Marilyn Manson)

Ele deu as costas, aquela tatuagem intimidante delineada nas costas bem definidas ficou à vista. Pegou a guitarra do clone que se desfez, o que estava na bateria também e após por o baixo recostado no banco do piano, se foi também. Yato ajeitou a alça da guitarra antes de po-la junto ao baixo também.

– hey, quem disse que podia tocar minha bateria? – Haru reclamou, enquanto vinham e mesmo antes de se voltar para eles Yato soltou uma risada anasalada.

– sei que apreciou o show, então estamos quites.

– engraçadinho hein?

– não enche, ah, chegou todo mundo – ele cumprimentou com um aceno. – acabei de sair do banho, e vim logo conferir as extensões, Yukine insistiu pra fazer mas eu tenho medo do Sesshou mexer.

– mais fácil ele tropeçar, correndo pra lá e pra cá. – Yuri disse e em seguida deu um belo tapa no meio das costas dele, Yato se afastou grunhindo e tentando alcançar o lugar.

– tá louca, menina?!

– vai por uma roupa! Seu indecente!

– que indecente o que? Me vê assim desde que estávamos nas fraldas, merda, Yuri, isso doí!

– eu vi, mas não significa que tem de traumatizar o resto!

– tch, queria que o cérebro tivesse desenvolvido mais que o colo – ele resmungou e ela enrubesceu indignada e já ia acerta-lo de novo.

– eu gosto...- Haru comentou por alto e todos o fitaram – erm...

– Haru! Seu sujo! – Yuri protestou rubra de vegonha e abraçando o colo de forma protetora.

Yabo revirou os olhos e ele e Yato fizeram caras de nojo.

– cara... por que voces tinham de ser meus primos? Eca – Yabo resmungou.

– idem – Yato disse – Yuri, a mãe disse que podemos usar os colchonetes de treino e cobrir com tapete, até as almofadas dela desde que ninguém sujasse ou rasgasse.

– yes! — Ela comemorou – estão naquele deposito certo?!

– Aa, voces podem ir arrumando tudo, eu já trouxe os aparelhos mesmo, vou me vestir, daqui a pouco fará um frio e tanto.

– vai logo seu tarado! – ele revirou os olhos e meneou a cabeça, seguindo para a casa enquanto mexia o cabelo que gotejava de um banho recém tomado.

– meninas! Podem me ajudar a carregar as coisas?! – Yuri pediu.

– hai!

Elas seguiram para lá, e os rapazes começaram a ajeitar a pequena tv sobre um banco e o aparelho de DVD alguém havia trazido dezenas de discos com musicas de Karaoke e microfones extras.

A deposito era uma salinha perto da cozinha e lá haviam colchonetes de treino e capertes que recobriam o tatame do Dojo. As belas almofadas que Sakura permitiu serem usadas foram levadas com todo apreço e cuidado de não caírem na grama.Touka revirou os olhos sabendo que era só para agradar a mãe do alvo delas.

– onde Sakura-sama deve estar? – uma das Hasegawa indagou – será que trabalhando?

– huh, até parece que ela deixaria a gente vir sem um adulto pra supervisionar – disse Amae.

– mas Yato poderia! Ele é muito responsável!

– mas não um adulto! E vigiando a gente não se divertiria de verdade, mesmo que fossemos nos comportar, e sabemos que não né? Sempre fazemos uma gandaia barulhenta – Yuri disse.

– hehe, verdade.

– como vai o namoro, Touka? – Suzuki indagou, Touka virou a cara bufando, sentindo a veneno em suas palavras e só querendo que ela mordesse a língua e minguasse afogada nele.

– bem.

– oh? Só isso?

– humpf, o que mais deveria ter?

– muita coisa, haha, é de Akira que estamos falando, já foram para as partes quentes?

–olha, isso não é da sua conta.

– cruzes, Touka!

– deixem a Touka, sabem que ela não curte esses assuntos – Kyoko disse, batendo nas longas mechas castanhas que tanto se orgulhava.

Hyuuga metida, mas Touka forçou um sorriso de agradecimento e Yuri deu uma risadinha sabendo muito bem que não ia com a cara das três. Chieko permaneceu calada, e Touka sabia o porque, por ser uma Nara, ela cresceu próxima a Akira e talvez gostasse mais dele do que as outras meninas, seus olhares eram de ciúmes e parecia sempre se conter ou talvez falaria algo rude demais.

Melhor pra ela.

Eles se juntaram e foram arrumando tudo da melhor maneira possível o piano ficava mais ao fundo e no canto perto de onde crescia o grosso tronco da bela árvore, afastaram os outros instrumentos paralá também e ajeitaram os aparelhos mais ao meio dando espaço à frente para ser preenchido pelos colchonetes almofadas e alguns banquinhos.

– perfeito! – disse Yuri, muito orgulhosa.

– agora só faltam os comes e bebes – disse Akira se largando sentado. – Inugami e Mamoru iam buscar mas to até com medo de eles comerem tudo.

– o que vão trazer? – disse Amae.

– ah o básico, refrigerante, salgadinhos, chocolate, ramén instantâneo...

– ou seja, todo tipo de besteiras – todos entalaram ao ouvirem a voz em censura de Sakura e encontraram-na vindo ao lado de Yato que se ocupava de abotoar uma camisa negra ela os fitou com o olhar estreito como o de uma mãe que os pega aprontando. — que novidade – emendou.

– somos moleques, nada mais justo – Yato comentou, resmungando com os botões em seguida , ela riu e tomou a tarefa fazendo-o ela mesma o que ele não contestou.

– moleques né? Pois saibam que estou de olho, não vou sair e tenho meus contatos aqui fora.

– Yukine?! – voltaram-se indignados para o menino que mexia nos discos e os encarou quase pálido.

– eu não!

– haha – Sakura riu – minhas fontes são secretas, pelo o que estou vendo, as coisas vão ser divertidas, o que vão cantar hoje?

– ainda não decidimos, que tal uma ideia? – Yato disse, agora com um sorriso leve.

– hum? Que tal um desafio então?

– manda aí! – disse Akira.

– Akira, cuidado com os desafios dela – Yukine avisou enquanto Sakura sorriu de uma forma sapeca.

– o meu desafio é, os meninos vão cantar musicas de menina e as meninas vão cantar musicas de menino!

– eu sabia...- suspirou Yukine.

– huh? Como assim? – estranhou Yabo. – tipo cantar com voz fina de garota?

Sakura gargalhou enquanto os dois gêneros se encaravam feio.

– não, voces vão interpretar as musicas, se é uma musica cantada por uma voz feminina, um menino canta, se o contrário...

– ahhhh — coletivamente comentaram.

– ah é fácil!

– viu? Não sou tão má assim, agora vou lá dentro, preparar uns sanduiches saudáveis e algo para beber.

– mãe... devia descansar – Yato pediu.

– oh, e ser acusada de entupir os filhos alheios de besterias? Jamais! Vou fazer minha parte, é divertido, até mais, e não devo dizer que não quero picunhas ou gracinhas pelos cantos né?

– huh?

– nem namoricos, como eu disse, estou de olho.

– na verdade... a senhora não disse.

– então digo agora! Divirtam-se! – ela cantarolou e seguiu para a casa.

– ótimo vamos começar, quem vai na frente? Agora é menino contra menina! – Yuri disse.

– ah, não tem jeito.

********************************************************************

– yay! Não me diga! – Sasuke revirou os olhos e se recostou no amplo batente entre corredor e sala. Lá estava ela, uma cena que ele ainda tinha em lembranças, chegar em casa e encontra-la deitada no sofá ao lado do telefone, fofocando.

Ela estava numa ponta e o telefone na mesinha ao lado da outra, fazendo os anéis do fio ficarem praticamente lisos de tão esticados, e ainda brincava com ele enrolando-o na ponta do dedo do pé enquanto fochicava, Sasuke viu o momento do aparelho ir ao chão mas se ateve a observar seu pé pequeno, usava uma meia calça cor da pé e uma saia lápis marrom, a blusa era de seda com uma estampa floral, com alças finas e mangas recortadas que deixavam os braços alvos amostra.

Enquanto ela dava risadinhas, ele se aproximou furtivamente, percebendo que, ainda não conseguia avançar nela enquanto estava tão bem mental e psicologicamente, não conseguiria fazer algo ousado como no escritório...

Se curvou e murmurou perto de seu ouvido antes claro, aspirando seu perfume.

fofoqueira.

Sakura soltou um gritinho estrangulado e virou para o lado caindo no chão entre sofá e mesa de centro.

– Sa-Sasuke?!

– heh, com a guarda tão baixa, capitã? Que vergonha.

– seu idiota! Não me assusta assim!Ugh – constrangida ela se levantou e pegou o telefone – foi o idiota do Sasuke, Temari, humpf, não sei, aposto que veio ver se o bebê dele não caiu nas garras do seu filho!

Ele revirou os olhos, claro que havia ido lá para isso, mas ela não precisava dizer. Claro que foi onde os garotos estavam, mas nenhum o notou. E gostou do que viu.

O grupo estava totalmente dividido, meninas de um lado meninos do outro. Akira e Yabo cantavam uma musica melosa e todos riam deles e devoravam dezenas de sanduiches e pacotes de batatinhas. As meninas riam deles como se fossem palhaços de circo, inclusive a sua.

– certo certo, prometo que me livro de todos na hora certa – ela riu – até! – Sakura desligou e voltou uma carranca para ele. – o que você quer? Idiota!

– você mesma já disse.

– oh? Veio mesmo vigia-la? Que gracinha!

– humpf, mandaria a Ino mas ela está cobrindo turno no hospital.

– sei...- ela soou descrente e ele bufou, o que tinha demais? Era sua filha ora! – vou fazer um café, aceita? Estou mesmo entediada, só tem adolescente ao redor!

– hn.- ele a seguiu até a cozinha.

– onde está o garoto?

– Sesshoumaru? Numa missão – Sakura riu enquanto colocava uma vazia de água no fogo.

– já? Então não exageraram quanto a ser super dotado...

– não seja bobo! Ele está lá fora, eu dei a missão de vigiar os garotos, claro que estava só brincando, mas ele saiu todo sério e levou até as kunais de madeira, acho que vai fazer inimigos se alguém tentar namorar escondido nos arbustos...

– huh? Tsc, daria certo com Itachi?

Ela revirou os olhos.

– Itachi tem doze anos, na verdade acho mais fácil ele estar nos arbustos.

– humpf, ainda é muito criança, Ino enlouqueceria se soubesse.

– oh, eu sei! E o pior é que Yukine está me saindo um projeto dos tios, que medo!

– projeto?

– de um conquistador barato.- ela suspirou, dramaticamente.

Então não era pra menos que ele vira o garoto todo confortável entre as meninas...

Claro que só devia estar ali por elas o virem como uma criança fofa. Se não, já teria sido expulso. Moleque aproveitador.

Sasuke puxou um banco e se sentou, apoiando um os cotovelos na mesa, olhou em volta e suspirou.

– esta casa ficou mesmo ótima.

– pois é, ainda acho meio grande, mas com o número de visitas que recebo...

– eu não lembro muito dela...

– eu muito menos, nunca vim aqui, e ainda quando viemos ve-la, foi pela outra entrada, e eu estava tão preocupada em não me agradar de nada que nem reparei o caminho...

– hn.

********************************************************************

– ah, nunca paguei tanto mico! Chega! – disse Yukine se sentando, emburrado – que bom que a mãe não veio tirar fotos!

– de fato! – gargalhou Yato também se sentando.

Ao que parecia, nenhum dos dois percebia a clara divisão que havia sido feita, e se sentavam entre as meninas.

Yato se deitou recostado numa almofada e cruzou uma perna sobre a outra flexionada com tranquilidade.

– é a vez das meninas – disse Inu, jogando o microfone para o lado delas. Quem acabara de passar vergonha foram os irmãos, e se saíram até bem em “virilizar” a canção de amor proibido.

– salgados? – Kyouko, aproveitou que estava sentada ao lado dele para oferecer, o que ele aceitou com um sorriso gentil.

Ele estava quase como antes, totalmente alegre, leve e engraçado.

– arigato.

Embora irritasse que elas se aproveitassem disso.

– hey, olhe o que achei – disse Haru, gargalhando enquanto vinha puxando Sesshoumaru pela roupa.

– Sesshou? Achei que estivesse com a mãe.

– ele estava nos espiando! Pode isso?

– huh? Por que? – o menino virou a cara, suspendido pela parte de tras da roupa.

– acho que agora sei, quem é a fonte secreta que a tia mencionou – Yuri falou, e quando ele virou a cara para o outro lado, confirmaram.

– hah! Traira! – apontou Yukine.

– vamos castigar ele! – disse Haru, mas o menino chutou sua canela tão forte que ele o soltou e mesmo de branco, não demorou para sumir na escuridão que os rodeava.

– nossa... ele ficou zangado?

– hah, hahaha –Yato gargalhou – um ninja em missão, hahahahaha!

– hã?

– ele está bricando de ninja, deixa ele, e mãe sempre o manda nessas missões que nem o pai fazia com a gente, né Yuki?

– huh? Ah! Sim! hehe.

– eu era segurança!

– da cozinha! – Yukine apontou e todos gargalharam.

Yato meneou a cabeça meio corando, e então ergueu-a de uma vez e encarou o irmão.

Yukine ainda ria como todo mundo, sentado no banco do piano, parou quando se sentiu encarado. Olhou para o lado e se deparou com grandes olhos cor de vinho.

Amae soltou um gritinho surpreso e todos encararam a garotinha que estava agachada em cima do banco encarando Yukine com um leve sorriso.

Sua pele era clara, seus cabelos negros e curtos na altura do queixo, uma franja e um Hitaikakushi, o que só fazia sua aparição mais assustadora, além do kimono branco com sob camada vermelha e uma faixa preta com listras vermelhas e brancas.

Como se não lhe importasse o assombro que causoum ela sorriu para Yuki como se o admirasse, com as mãos em luvas sem dedos apoiando o rosto que devia ter a idade dele.

– que olhos lindos você tem, realmente lindos.

– eh? – ele se afastou e caiu do banco.

Nora – Yato pronunciu este nome e os Yumi ali presentes chiaram como se vissem um mau agouro.

Quando o fitou, Touka sentiu um arrepio aterrorizante lhe subir a espinha. Toda aquela leveza e alegria havia sumido dando lugar àquele cara sombrio e perigoso.

Ela deu uma leve risadinha encarando Yukine e se levantou, virando-se na direção de Yato que agora se erguia das almofadas numa postura perigosa.

Ao voltarem a atenção para ela, havia sumido. Yato caminhou olhando em volta a sua procura e de repente, como uma pluma, ela estava se jogando sobre as costas dele e abraçando seu pescoço.

– por que me chama assim? Sabe que prefiro o nome que me deu...- pediu manhosa, e então estendeu os braços para frente dele, as mangas subiram revelando as dezenas de marcas em sua pele clara, nomes e mais nomes diferentes. E haviam alguns ate em seu pescoço e no que era visível de suas canelas.

Yukine recuou se levantando e silvando e os outros do seu clã assim o fizeram em tons irritadiços e de nojo até. Os Hasegawa se encolheram desconfortáveis e em alerta.

– Nora...- Haru pronunciu, no tom de um xingamento, e a menina o encarou meio zangada e sorriu cinicamente, mostrando os braços de novo.

– ora vamos, apenas escolha um nome.

– o que faz aqui Nora? – Yato indagou, secamente e ela fez um muxoxo, se soltando dele, caminhou a sua volta.

– eu vim te ver, como sempre – cantarolou.

– me ver? Se escondendo nesta forma? E tendo assuntos pendentes comigo? O que faz em Konoha e como chegou aqui?

– são muitas perguntas, Yaboku – Nora o encarou agora com uma expressão que o analizava. – você está tão diferente, gostava daquele de antes.

– volte pra maldita forma antes que eu mesmo faça.

A ameaça pareceu não surtir efeito, ela baixou a cabeça, com as mãos atrás das costas e caminhou ao redor dele, ao sumir atrás de sua figura, outra apareceu.

E ela era simplesmente deslumbrante.

Não aumentara muito, sua cabeça topava no ombro dele, usava o mesmo kimono mas agora com os ombros e amostra e fartos seios se apertando no decote, seus cabelos eram negros e longos, e com pequenas miçangas os enfeitando. A cintura fina e quadris bem largos, e as marcas continuando em sua pele.

Ela se jogou nele abraçando seu pescoço.

– você gosta de mim assim? Eu gosto de você assim...- proferiu num tom sedutor e então eles estavam num outro lugar, e havia apenas a luz do sol os cobrindo.

Atordoados, olharam e volta, parecia um pátio e havia um poço e o Yato de antes do sequestro estava ali parado com a mesma garota em seu pescoço.

Ele corava constrangido e a cor das bochechas só era superad pelo azul de seus olhos, enquanto ela levava o rosto perigosamente próximo ao seu.

– Touka?! – Akira murmurou, ela o fitou e ele apontou os olhos.

Era um genjutso.

Ela levou as mãos para desfazer a ilusão mas se traiu olhando de novo.

Yato pegou a mão da jovem, entreleçando a sua, e quando parecia que selaria um beijo, seu olho ficou negro e vermelho e sua mão fez a dela formar um selo de liberação junto a sua.

– Kai.

Então toda a luz se dissipou como nevoa e eles estavam de volta ao local de antes.

A garota se afastou dele rapidamente.

– você mudou – acusou-o, enquanto parecia que ia fugir, e para choque deles. Yato agarrou-a violentamente pelo cabelo e puxou para si, forçando-a a erguer a cabeça de forma desconfortável até quase alcançar sua altura.

você não faz ideia do quanto.

– o que faz aqui! Quem te mandou?! – Yuri proferiu com voz tão amarga e enojada que Touka a fitou perplexa, vendo a garota se encolher, e virar a cara, com um rubor constrangido e enraivado.

– não é da sua conta, rato.

– sua...! – Yuri avançou nela mas Haru a conteve puxando sua cintura – eu vou acabar com você! Seu lixo!

– Yuri?!

– cala a boca Yuri, o assunto dela é comigo – Yato rosnou.

– nenhuma droga de assunto! Pare de tocar nela! Ela é nojenta!

– nojenta é você! – a outra rebateu mas gemeu quando ele a puxou pelo cabelo mais forte e virou sua cabeça em sua direção.

– cala a boca! – rugiu em seu rosto – mas que merda quer aqui afinal? Achei que tinha sumido, porra, mandei um monte de mensagens e você não respondeu nenhuma, acha que está bricando com quem?!

– está machucando!

– EU VOU TE QUEBRAR!

– Yato! – Yabo interveio, tocando seu ombro. Yato respirou fundo, embora fúria e sede de sangue ainda refletissem em seus olhos. Nora se encolheu escondendo o rosto sob a manga do kimono e se recusando a parecer assustada ou frágil, com uma expressão arrogante. Mas sua mão tremia.

Yato soltou seu cabelo, mas agarrou o braço com força e praticamente a arrastou para longe dali.

– Yato! – Yabo chamou.

– não se mete, ela é minha — ele respondeu, grosso.

– é uma NORA! – Yuri berrou. Yato parou e a encarou de soslaio, friamente.

foda-se – foi a respondeu. Então prosseguiu praticamente sumindo na escuridão.

Yuri rugiu de ódio enfim se soltando e piso no chão, revoltada.

– chega, Yuri, deixa eles se resolverem – Haru resmungou.

– ele pode mata-la! – Yabo protestou.

– que o faça! – ela gritou.

– tch.

– então... o que tá rolando? – Akira disse, apreensivo.

– quem é ela? – indagou Suzuki.

– é uma Nora, uma Nora nojenta!

– Nora? Isso é um nome ou...

Haru suspirou.

– acho que já sabem que nos tornamos armas, certo?

– sim, ora.

– então, sabem que se somos armas, precisamos de alguém para nos empunhar – ele disse.

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– também.

– enfim, agora não é tao comum no clã Yumi por que não estamos mais em guerra, mas quando estávamos, formavamos duplas ou grupos de Shinkis com um empunhador, alguém pra nos usar em batalha, pra isso, nós criamos um selo. Este selo consiste basicamente de dar um nome de guerra e um apelido de pessoa ao Shinki que vai ser usado como arma, dando ao Ghoul que o manipula um estatus de mestre, os chakras deles se interligam, e ele pode usa-la e ativa-la como arma até mesmo contra a vontade do Shinki usado.

– huh?!

– por isso não é mais tão usado como antes, dava brechas ao abuso e escravização, agora só usamos em condições de guerra, ou quando existe confiança mutua entre os dois.

– e onde aquela menina entra? – disse Inugami.

– Nora significa perdido, é nome que damos aos Ghouls/Shinkis que se deixam marcar por mais de um mestre, ou seja ele tem mais de um manipulador oficial e se ela tem significa que pode trabalhar para vários lados.

– o que o torna um traidor desgraçado! Como ela! – Yuri cuspiu.

– no clã Yumi, Noras são considerados traidores, e traiçoeiros, e são proibidos, aquela garota, e o pai dela, são exilados do clã desde a guerra civil em nossa aldeia.

– e por que diabos ela está aqui?

– ela vem pelo Yato.

– como assim?

– nos conhecemos desde pequenos, mas como o pai dela era sempre contra as medidas do Shinju falecido, passou a ser mau visto no clã, ele então foi exilado e levou ela, e quando ela deu as caras, era uma maldita Nora.

– mas também uma fonte de informações, viram a quantidade de nomes que ela tem pelo corpo? Cada um é um mestre Ghoul ou com sangue de Ghoul na veia, se ela tem todos esses contatos é uma fonte e tanto de informação.

– é uma vadia! – Yuri protestou — vive querendo ser usada pelo Yato e isso eu não aceito! Ela é suja! E ele é um príncipe! Não pode ter sua marca nela!

– ninguém obrigou Yato a dar-lhe um selo, e você sabe que ele o fez para te-la como sua fonte, e ela sempre fez questão de dar as caras para ve-lo, mas Yato está puto, ele quer informações e ela não apareceu quando ele chamou, agora ele suspeita que ela possa ter um mestre na Aogiri, e está muito puto.

– por que se ela pode fornecer informação de fora para o clã Yumi...- Touka começou.

– pode fornecer informação dos Yumi para fora – Yabo completou, com um suspiro.

– ela pode estar por trás do ataque?

– pode até mesmo saber do sequestro do Yato! – Koga, um Hasegewa, disse. – essa garota devia estar numa prisão!

– humpf, a cadela é escorregadia – resmungou Yuri.

– mas se ela tem haver, por que vir aqui logo agora? – disse Mamoru – não seria se jogar na boca dos leões?

– ela é manipuladora! Pode estar vindo aqui justo para dar impressão que não sabia de nada! Noras vivem pelo mundo, como gatos vagabundos, não se apegam a ninguém e aceitam qualquer coisa.

– só espero que Yato não a mate...

– eu sim!

– ele faria? – Chieko, disse, num tom medroso.

– o de antes, não... mas quanto ao de agora...

– Yukine? – chamou Haru — vá até a senhora e diga que a Nora do Yato está aqui procurando confusão.

– eh?

– agora! – Yukine assentiu correndo rumo a casa.

– Nora dele porra nenhuma! – Yuri protestou.

Eles seguiram em busca dos dois e ao chegarem perto da ponte que dividia os terrenos, se agacharam entre os arbustos e localizaram-nos, não sobre a ponte mas na água, parados.

– ainda estou esperando.- Yato exigiu, secamente.

– eu não pude ir – ela respondeu, baixinho.

– e desde quando algo te impede?

– você não entende! Muita coisa aconteceu! Papa está...

– huh? Está colaborando com seu pai de novo?! — Nora se encolheu no lugar sob a postura ameaçadora dele.- sua filha da mãe! você está mesmo!

– eu não posso negar! É o meu pai!

– sabe que ele pode estar envolvido na morte do meu, não sabe?!

– eu não sei do que está falando!

– é melhor que não saiba, ou juro que mato você!

– eu não fiz nada! Eu juro!

– e quer que eu acredite?! – ele desdenhou incrédulo.

– se não acredita...- ela fungou, esfregando o nariz — então por que me marcou? Por que me deu um nome, Yaboku?

Yato suspirou profundamente, baixando a cabeça, um longo silencio se fez.

– eu não tenho nada haver com a invasão do seu clã – ela comentou, com nojo na voz – também não tenho do que fizeram contra você...

– o que sabe da Aogiri?

– sei o que todos sabem!

– vai dizer então que não tem marcas de nenhum deles aí?!

– eu não sei! Papa escolhe meus mestres! E me manda fazer contratos pelo bem dos negócios dele, mas se ele tem ligações com a Aogiri, eu não tenho como saber!

– por que não responde meu chamado?

– estava com o papa...

– papa, papa, sempre ele, esquece que é assim por causa dele?

– eu não esqueci! Mas ele é meu pai!

– É UM TRAIDOR!

– É FÁCIL FALAR QUANDO O SEU É UM HERÓI!

Ele recuou um pouco o rosto e dois evitaram se encarar, não havia luz lunar , apenas a das lamparinas que iluminavam a ponte.

– não confio mais em você – ele disse. E ela riu, amargamente.

– que novidade...

Yato ergueu a mão, os dois dedos, indicador e maior eretos e apontou para ela que recuou um passo, chocada.

– acabou, Hiiro.

– o que...? – Yato recuou o braço e quando apontou de novo, os dedos soltaram uma luz que foi ficando mais intensa

– Hiki... por meio deste te liberto... Do nome que te concedi!

Uma marca se iluminou no pescoço dela, e se expadiu fugindode sua pele para o ar, brilhando e aumentando, Nora agarrou o pescoço como se tentasse segura-la e viu o nome “Hiki” se quebrar como cristal.

Os pedaços caíram ná agua do rio como flocos luminosos e ela caiu de joelhos tentando agarra-las inutilmente.

Amae soltou um gritinho assombrado e Touka percebeu que nem Yuri esperava tal coisa.

– merda...- soltou Yabo.

– o que ele fez? – Murmurou alguém.

– quebrou o nome da Nora, o que ele deu, ele desfez o contrato – sussurrou Haru.

Mas a garota os viu mesmo assim, e os fitou com o rosto queimando de raiva e vergonha, se levantou e correu, Yato puxou seu braço novamente.

– ainda não terminei com você – disse. E ela bateu em seu peito tentando se libertar.

– você terminou tudo! tudo!

– Nora.

– NÃO ME CHAME ASSIM! EU ODEIO ESSE NOME! – Ela se soltou dele e correu para fora da água acabando por ir ao encontro de Sesshoumaru. Trombou nele e se afastou fitando-o com estranheza.

O menino a fitou com sua típica expressão, não se comovendo ou sequer estranhando sua expressão chorosa.

Mas, quando seus olhos deceram para encarar as marcas nos braços dela, suas orbes se arregalaram e ele recuou silvando para ela, as presas afiadas.

Os olhos se tornando poças negras.

Ela recuou também, espantada e Yato apareceu, puxando-a de perto do irmão e se abaixando para segurar seus ombros.

– o que foi?! Você a conhece? – o menino continuou silvando para ela.

– eu nunca vi esse menino...- ela murmuou muito surpresa – ele é... irmão?

Yato se levantou pondo-se a frente dele.

– e se for? Vai dizer que não sabia?

– Yato?! – foi Sakura quem chamou, caminhando apressada rumo a eles, seguida por Yuki e Sasuke.

Sesshoumaru correu até ela que o pegou nos braços e completamente assombrada encarou seus olhos.

– ela veio me pegar – ele disse, antes de abraçar seu pescoço com força.

– o-o que...? Sesshou...

– ela veio me pegar, ela tem marcas, ela veio me pegar e levar de você, de novo...

Todos os olhos voltaram-se para a garota, e ela recuou meneando a cabeça.

– não! Não! Eu nem o conheço!

– sua...- Yuri avançou nela, estapeando-a derrubando no chão, para em seguida começar a puxar seus cabelos – vadia traidora!

– eu não fiz nada!

– mentirosa!

Nora conseguiu se livrar dela e correu tropeçando e antes que fosse atacada, outra vez tomou a forma de uma pequena coruja branca e fugiu para o céu.

– volte sua maldita!

– deixe-a – Yato ordenou.

– querido, querido – Sakura chamou o pequeno – de onde conhece aquela menina?

– não conheço.

– mas então..- ele a abraçou de novo.

– ela tem aquelas marcas, a mulher que me criou também tinha...

– oh querido, ninguém vai te levar da mamãe, nunca mais.

– então era outra Nora... –Yato concluiu.

– ele apenas relacionou – Sakura disse – meu bem você sabe o que é um Nora?

– são vergonha para o clã, obaa-san disse.

– exatamente, mas você nunca viu aquela mocinha?

Ele negou. Sakura o fitou, encarando aquelas orbes escuras, que eram idênticas as de Yasuhiko exceto pelo fato de mostrarem apenas receio, medo. Ah, mas se fossem fome e fúria... Até mesmo ela tremeria, ainda mais depois de tanto tempo.

Beijou o topo de sua testa.

– tudo bem, ninguém vai machucar você, Yato, o que ela queria?

– manter contato, eu presumo.

– mas agora não vai mais, Yato desfez o contrato! – Yuri comemorou, abraçando-o, mas ele se desvencilhou.

– tenho que ir.

– huh?

– vai atrás dela, não é? – Sakura disse.

– Aa.

– mas o que?! O que ainda quer com ela?! Deixe-a partir e vagabundar como merece!

– cala a boca, Yuri – ele ordenou, e fitou a mãe – vou atrás dela, e vou limpa-la.

Os olhos de Sakura se arregalaram.

– Yato...

– é isso ou mata-la de uma vez.

– pode mata-la no processo!

– então ou ela se torna Yumi de novo, ou morre.

– Yaboku...

– era isso que o pai queria – ele emendou, e ela se calou, engolindo em seco, suspirou olhando para Yukine, e afagou sua cabeça.

– vá sozinho.

– Aa

– eu vou com ele! – disse Haru.

– e eu! – disse Yabo.

– eu vou sozinho – Yato cortou-os e deu as costas caminhando pesadamente rumo a casa – vou encontrar a Hiiro, quebrar todos os seus contratos, e torna-la minha.

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– não ouse se esforçar demais, se vir que não dará certo, desista – Sakura instruiu-o com seriedade enquanto lhe estendia um pergaminho.

Yato apenas colocou a mascara no rosto.

Vestia uma calça colada e preta por baixo de um calção, uma camisa de mangas curtas por cima de uma de mangas também justas e longas como a calça e punhos com faixas brancas, de resto, tudo negro.

Sasuke observou tudo pensativo.

Não entendeu nada, estava tomando café e conversando com Sakura sobre as mudanças legislastivas que Konoha passou, totalmente impressionado por ela estar tão bem informada, afinal, não era o campo dela, quando Yukine entrou esbaforido na cozinha gritando sobre essa tal Nora.

Sakura levantou num pulo e começou a correr feito doida atrás das crianças.

Yato pegou o pergaminho da mão dela e pos no bolso.

– seu pai não tinha certeza se daria certo, então não tenha, ela tem muitos selos, Yato, isso pode realmente mata-la.

– seu eu torna-la Hiiro de novo, posso salvar com meu chakra...

– não se ele estiver esgotado ao quebrar os outros contratos! – ela brigou. – tenha cuidado, ela pode o levar para uma armadilha.

– eu sei, mas ela está sempre sozinha quando vem até mim, não acho que teria alguém com ela mesmo que pra se arriscar aqui, em Konoha.

– nesta forma de animal, parece fácil para ela se infiltrar – Sasuke comentou.

– ela pode parecer um animal, mas seu chakra permanece inalterado se não souber oculta-lo, então um Shinki é passível de ser descoberto, mas Nora tem ótimas habilidades de infiltração, mesmo que Yato a encontrasse fora da aldeia, sabemos que ela poderia entrar lá, e vejo que avançar em Konoha não lhe foi difícil – Sakura disse.

– não, eu facilitei, como mestre dela, nossa ligação a permitia me sentir. – Yato disse.

– oh sim? Não fazia ideia, afinal, nuna assinei com um Shinki.- ela disse.- vá, falei com Naruto, e não omiti nada, então você só tem até o fim desta noite.

– Aa.- ele seguiu para a saída, encontrando os amigos lá fora.

– tem certeza? – Haru indagou, enquanto Yuri virou a cara, já chorando de raiva.

Yato suspirou, como que já cansado e seguiu em frente.

Correu e se misturou a escuridão.

–Yuri, venha aqui – Sakura chamou, e relutante, a moça foi até ela. Sakura a abraçou – shhi,deixe-o ir, é decisão dele.

– mas por que ela? É tão suja!

– Yuri,talvez você não se lembre, mas Nora era tão pequena quanto você, quando foi levada pelo pai dela.

– mas...

– Yasuhiko quis intervir, mas acabou deixando.

– por que? Por que ele faria isso? – Haru indagou, com o cenho franzido – um exilado é um exilado.

Sakura suspirou.

– mas quem foi expulso não foi Nora, mas o pai dela.

– eh?

– como uma criança poderia ser acusada de traição? Yasuhiko jamais a culparia pelos pecados do pai, mas o que acontece é que naquela época, os Hasegawa exigiam que Yato fosse dado a eles e ainda acusavam o pai dele de assassinar Issa-sama, isso foi um ano antes de eu chegar lá, lembram?

– mais ou menos...- confessou Amae.

– eram muito novos, naquele tempo, só duas coisas tiravam Yasuhiko Yumi do seu eu normal, a ideia de ser acusado de matar seu amor... e a ideia de perder seu único filho... então quando o pai de Nora foi acusado de trair o clã e forçar uma revolta interna, ele foi exilado, mas Nora não, porém, ele exigiu leva-la, e se aproveitou que Yasuhiko era sensível nesse ponto.

– nesse ponto...? – Yuri indagou, ela assentiu, enxugando suas lágrimas.

– como ele poderia exigir que aquele homem fosse embora deixando sua única filhinha, quando lutava para que não lhe tomassem seu único filhinho? O senso de justiça dele foi mais alto, e acabou permitindo, mesmo que pelas leis, Nora devesse ficar com o clã e ser criada por ele, então quando ela reapareceu...

– já era uma Nora.- Yabo completou.

– de fato – segurando o rosto dela, Sakura completou – o que quero dizer é, Nora foi criada longe de seus iguais, e aqueles que conheceu com certeza não eram exemplos, nem o pai era, mas era tudo o que ela tinha, não estou dizendo que a Nora de agora é inocente ou que não tem algum dedo dela nas atribulações que temos passado, mas aquela Nora que Yato conheceu, era definitivamente regida pelas vontades do pai, nem sabemos se foi por sua vontade se tornar um Nora, e Yato acredita que não, e sempre tentou mante-la por perto, mas ele mudou, as coisas mudaram, o clã corre risco, e Yato não aceita mais divisões, ou Nora ser torna novamente uma Yumi, ou morrerá como qualquer sangue ghoul que cause mau a nós.

– por que esse era o desejo...do Shinju? – a moça indagou, receosa, e Sakura assentiu com pesar.

– se tem uma meta que Yasuhiko sempre quis atingir, foi a de unificar o clã Yumi, como único herdeiro do sangue Ghoul, para isso...

– todo Ghoul que não for Yumi morre? – Sasuke disse – isso parece meio radical não?

– de fato, ele era bom com palavras, mas de ações radicais, não se trata de exterminar todos os ghouls, shinkis e Noras lá fora, se trata de trazer para o seio do clã, aqueles que tem nosso sangue, mas não conhecem nossa linhagem, aqueles que compartilham nossos instintos, mas não sabem refrea-los, a morte ou “extermínio” é valida apenas para ghouls como os da Aogiri, que só querem destruir tudo que fizemos, para ter nosso lugar neste mundo.

– ainda sim, achar que apenas aqueles que se nomeiam Yumi, merecem viver, não é um tanto... arrogante?

Ele sentiu olhadas feias dos garotos, e Sakura suspirou, seus olhos desceram para encarar seu caçula, ali, ouvindo sobre o pai, os olhos ainda em negro e sangue.

Levou a mão ao seu rosto, acariciando-o, e com uma leve infusão de chakra fez eles sumirem e suas bagas verdes reaparecerem.

– Yasuhiko passou anos estudando a historia nos Yumi, chegou a sair e a mandar pesquisadores, e ele descobriu indícios de que o primeiro ghoul que de que se tem conhecimento, se nomeava Sesshoumaru Yumi.

– que...?

– e é dele que veio toda a nossa raça, portanto, quem carrega seu nome, carrega nome da origem, então todos os que o repudiam, não merecem viver, afinal, o que os Uchiha fariam se outros Uchihas surgissem, matassem, e tentassem elimina-los?

– hn.

– a Aogiri suja este passado, e tenta reescreve-lo à sua maneira, tal como o nosso futuro, o sonho de Yasuhiko não consiste só em morte, mas em união, Sesshoumaru Yumi, nunca foi relatado como um devorador assassino, mas como um guerreiro voraz, ele pisava em qualquer um no seu caminho, e tudo em nome da sua pequena família que tal como ele, tinha desejos que não podia deixar de sentir, porém que não permitiu que controlassem suas vidas, tal como nosso clã de agora, nosso primeiro ancestral queria um lugar pacifico neste mundo, um lugar para florescer o sangue, e unifica-lo...nós já conseguimos florescer...- ela baixou a cabeça, e falou, pesarosa, ao fitar seu pequeno – agora devemos unifica-lo...

Por que era esse o destino que Yasuhiko escrevera para seu filho de sangue puro quando escolheu este nome.

Sesshoumaru, a perfeição que mata. A audácia e fibra que ele desejava que Sakura gerasse para ele e para seu clã.

E ela não podia negar, apenas lamuriar, que um dia... seu pequeno sairia para o mundo, como um andarilho em busca de unificar e honrar seu clã.

Indo para longe das asas dela, e isso era o que lhe doía. Ela o perdera de vista por oito anos, e teria de se acostumar a ideia de que quando ele saísse, talvez nunca mais o visse novamente...

Entendia os motivos de Yasuhiko, mas uma parte dela sempre odiaria aquela injustiça, a sua parte materna.

– então se...- Yato trouxer ela de volta...- Yuri indagou, envergonhada – ele vai casar com ela?

– QUEEE?!

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– pare de fugir, Nora...

– vá embora!

– por quê? Você não queria ser minha? Seja, ou morra.

Notas finais
Sabe aquela sensação de ter escrito um Shoujo? Foi a desse cap. Até o proximo cap de Malhaç- ops, DD! hehe Mais tarde, pra quem acompanha, tem Lost Inside, ja ne!