Talvez - EM HIATUS
48 Capitulo. 44.
Notas iniciais

E no fim, ele apostou duzentos e cinquenta, não por influencia de Sakura, mas Sasuke acabara caindo nas provocações do dobe, e os dois subiram as apostas até aquele ponto. Sakura adorou vê-los rasgarem os bolsos, mas em troca teve que apostar a mesma quantia.
Após as apostas terem sido feitas, ele a escoltou de volta ao apartamento dela, e deixou cinco ANBUS de prontidão no perímetro e ainda fez o favor de levar um Yukine desmaiado de sono nas costas até um dos quartos, por mais que fosse um bom momento para estar a sós com a mulher, ele o perdeu para a energia de Sesshoumaru, o menino estava ativo e curioso, correu por toda a casa investigando-a, e Sakura estava muito satisfeita em ver isso, embora um tanto perturbada, mas ele suspeitou que fosse apenas cansaço e seus instintos maternos a obrigando a ficar alerta.
A deixou, e foi embora.
Relutantemente, como sempre.
Claro que com a coisa da aposta, o time sete não tardaria a se reunir, e esse era o ultimo dos motivos, e toda a família se reuniria de novo para encher de mimos seu novo integrante.
Deixando que Sakura pudesse se reinstalar e retomar sua rotina no trabalho, e também ocupados com suas rotinas o amigos deixara a visita para o fim de semana.
Ele nunca se cuidou tanto para não ter sequer uma fixa para assinar durante a folga como agora, e principalmente resolveu qualquer assunto que exigisse sua presença.
No sábado de manhã, ele e sua esposa despertaram ao som de guitarra e baixo, embora achando cedo demais, não estranharam de todo.
Porém quando saíram, se depararam com Touka ainda de pijama e toda sonolenta no corredor.
– querida? Não é você?
– como seria eu? Nem em sonhos! – Ino não deu importância ao mau humor da jovem, visto de quem era filha, mas seguiu até o quarto de Itachi e mau entendeu algo quando ouviu um grito de menino muito eufórico, abriu e encontrou, Minato sobre a cama do filho com a guitarra ligada à caixa de som, fazendo pose de rei da musica, Itachi meneava a cabeça em negação e Yukine ria dos dois sentado na cadeira da escrivaninha dele.
– Mi-Minato?! Yukine?!
Os três voltaram-se para eles e Minato desceu batendo a sujeira de cima da colcha com um sorriso amarelo, Yukine se levantou e se curvou em cumprimento.
– ohayo, Uchiha-sama.
– que diabos...? – Sasuke perguntou atrás dela e Touka pôs a cara para dentro.
– moleques!
– nee-san você está horrível, cruuuuuzes – disse Minato.
– o que fazem aqui há essa hora? – Sasuke cortou, antes que a mais velha matasse o fedelho na base do puxão de orelha. Não que se importasse, mas chega de criminosos na família...
– estávamos passando e resolvemos vir! – loiro disse.
– conta outra! – falaram os três Uchihas e Yukine achou muito engraçado, quando voltaram-se para encara-lo feio, ele enrubesceu e se encolheu um pouco, mas ao menos foi mais claro.
– estávamos indo ao mercado, nossas mães pediram para comprarmos o peixe e um mooonte de coisas logo cedo, e o Minato disse que vocês já estariam de pé.
– bom, ao menos alguém estava – Ino disse, fitando o filho que deu de ombros.
– eles jogaram pedras na minha janela.
– eu não! Ele! – Yukine apontou o outro que protestou.
– mas me ajudou a cata-las!
– as menores, as que você ia jogar com certeza partiriam a janela e eu não queria um sannin tentando nos matar!!
– muito inteligente – Sasuke disse.
– e nem dois sannins tentando se matar – Yukine acrescentou, e pelo olhar sapeca, mas com um toque de desafio, Sasuke percebeu o que ele quisera dizer.
Impertinente que nem a mãe.
– tsc...- resmungou.
– então, já compraram os peixes? – Touka disse.
– etoh... Não!
–ora!
– viemos chamar o Itachi, tem uns troços aqui que são difíceis de achar, tipo, aquela feira é enorme, então que tal fazermos tipo uma operação? – Minato falou, empolgado.
– algo como “Operação banquete ninja”! – Yukine sugeriu.
–é parece bom, mas temos que ir logo, se algo desta lista faltar estamos ferrados!
– tudo bem – Itachi deu de ombros, enquanto guardava o instrumento.
– yeah! Vamos lá!
– oh não, não sem tomar café! – Ino interrompeu, vocês já comeram meninos?
– estou entupido senhora...hum... Mas aceito um café! – o Haruno disse.
– eu aceito tudo! – completou Minato.
– mesmo estando entupido! – acusou a loira, sabendo que era verdade, sendo filho de quem era, Minato não recusava comida, se não estivesse à beira da morte.
– vamos, vamos, Yukine espero ter café aqui, não temos lá muito costume – ela disse e seguiram para fora.
– eu entendo, lá em casa não pode faltar, eu sempre achava estranho chegar na casa dos amigos de fora do clã e não ter, okaa-san dizia que depende da família.
– eh?
– toda família tem um costume, o da minha é café, e bem, carne também, hehe.
–oh, deixe-me ver... lá em casa tem muuuuito lámen! – O loiro disse.
– tomates, dango, e bolinho de arroz – Itachi disse, e Ino concordou rindo um pouco enquanto ocupavam a mesa, Sasuke se sentou observando a conversa dos garotos e com um suspiro, pegou o jornal e se recostou tentando ler.
– e também descobrimos que o Sesshou adora doces, ele tentava pegar os doce sobre a geladeira, os artesanais que a baa-chan só nos dava uma vez na semana – ria o Haruno – claro que foi culpa minha e do Yato! Mas ela nem a vovó precisam saber, hehe.
– você quer dizer, aqueles bombons lindos que nem merecem ser comidos? – Touka, comentou, pensativa.
– esses mesmo, ah, você não gosta né? São demaaaais, mas só ganhamos uma vez na semana, trágico!
– Sesshoumaru pegando doces? Inacreditável! Ele é muito comportado! – ela defendeu. Yukine revirou os olhos.
– ele é uma criancinha! São viciadas em açúcar! Mas ele também adora carne, principalmente no molho de ervas aromáticas, eu acho meio enjoativo, prefiro na pimenta, e nii-ssan diz que meu faro é torto pra não gostar das maravilhas que são ervas na carne – disse, desta vez imitando o mais velho. – baakaaa!
– então ele ainda está vivo? – Touka desdenhou.
– hehe, por pouco, um dia ele chegou quase azul, tinha começado outra nevasca!
– bem feito!
– mas tenho que admitir, é uma tatuagem muito maneira!
– então tem vontade de fazer? – Sasuke se intrometeu, e o menino negou prontamente, até meio amedrontado.
– nii-ssan disse que dói pra caramba! Ainda mais daquele tamanho, mas não faz meu estilo – gabou-se no final.
–hn, não sei se prestou atenção, mas sabe me dizer se notou os ANBU no perímetro do seu prédio? Estão lá pra proteger sua mãe, e irmão.
– ah, sim! Vi dois no telhado, tão maneiros!
– hn.
– e Sesshoumaru disse que tinha um dentro da varanda, mas não sei como ele notou esses caras, acho que ele pode ser um tipo sensorial, mas okaa-san diz que ele só curioso demais, nós estamos dividindo o meu quarto e do Yato, mas ela vai fazer um só pra o Sesshou.
–oh porque? Yato deverá vir tão poucas vezes...- Ino disse enquanto fazia o café, com mais convidados, Touka se levantou e resolveu ajuda-la.
– aquele quarto foi feito pra mim e pro nii-san, ela não quer substituir e se fosse maior, poria outra cama pra ele, mas tem o quarto de hospedes e geralmente só quem dorme lá é o ojii-san, ele disse que ele pode dormir muito bem no sofá, de agora em diante.
– muito melhor – Sasuke comentou erguendo jornal outra vez e voltando a ler.
– mas eu espero que não de certo! – Yukine falou ainda mais empolgado.
– huh? Porque?
– nii-ssan disse que é melhor que nos mudemos pra uma casa nova!
– uma casa?!
– sim, sim! Seria tão legal! Uma casa de verdade, talvez até uma mansão, mas acho que Okaa-san não iria querer algo tão grande, mas acontece que ela quer dar muita liberdade ao Sesshou, ele adora correr lá fora, o apartamento é legal, mas se fossemos pra uma casa maior, Yato e eu teríamos um quarto gigante e Sesshou também, o oji-san não ficaria no sofá, e ainda teríamos um lugar grande pra brincar e treinar! Mas não sei se ela vai querer – ele se encolheu – ela quer dar liberdade mas também está com medo do Sesshou sumir de novo...
– é normal, querido, ela se sente mais segura com ele por perto, é assim com ele, com você, e com Yato, acredite, apesar de que com Sesshou sendo o caçula e mais frágil... – Ino confortou-o.
– eu entendo, gosto do apartamento, é mais fácil vigiar ele lá, hehe.
– preguiçoso – Minato acusou – irmãos mais novos dão muuuito trabalho, a Shiina é tão chata com aquela coisa de cabelo.
–ora vamos, ela parou mais, está mais crescidinha! – Touka contestou-o.
– mas tem recaídas! Ela quase escalpela o irmãozinho do Yukine quando o viu, o coitado deve tá com medo.
–ou não, ele é assustador as vezes, tinha que ver o olhar que ele deu ao Haru quando ele foi furar sua bola.
– por que Haru faria isso? – a morena disse.
– ele quis brincar com a gente, na forma de tigre e esqueceu de não usar as garras, furou a bola do Sesshou, e se ele não ia mata-lo foi porque obaa-chan quase arrancou as orelhas do Haru antes disso, agora eu sempre tenho certeza de não pisar nas coisas dele, nem naquele boneco assustador que o idiota do nii-ssan deu pra ele.
– ah, o Sensei, ele inda gosta daquilo, eu achei que fosse enjoar logo, crianças são assim.
– ele adora aquela coisa! Gosta do Sensei, das bolas, do livro da Chavott e também de correr e se esconder, sempre brinca de pique com a mamãe, eles não param! E o Sesshoumaru é mestre! Não sei como ele achou lugares naquele apartamento que em nem sabia que existiam, por isso okaa-san tem medo de solta-lo numa propriedade grande....
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– Sesshoumaru? Sesshoumaru? – Sakura parou em meio a sala, e suspirou, pondo as mãos na cintura, descobrir onde ele estava seria fácil, mas talvez fosse tão infantil e principalmente competitiva, por que não conseguia trapacear, ela detestava trapaça afinal. – oh, onde ele foi se meter? – disse enfim, de maneira teatral, e sorrindo seguiu para a cozinha – ele sempre some, incrível! Talvez esteja na estufa...
Não demorou muito, após ela sair, para que ele saísse de seu esconderijo, e a procurasse.
Também não gostava de perde-la de vista.
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– aaaaaah, como isso pesa – Minato choramingou, quase não enxergando o caminho com tantas sacolas que segurava.
– é comida demais talvez...? – Itachi indagou.
– talvez elas tenham errado nos cálculos – Yukine sugestionou.
– não importa, o que importa é que o tio bem que poderia ajudar hã? Com esses braços forte...- Minato disse, Sasuke ignorou que ele parecia uma fãgirl falando assim.
– não, obrigado. – desdenhou, para a cara feia dos três. Já estavam chegando ao destino, o apartamento de Sakura, o fim de semana combinado à primavera deixou as ruas bem cheias.
Os três garotos iam a frente, e ele os seguia depois de ter perdido Ino e a filha de vista por enquanto iam ao mercado, mas acabaram por se encontrarem todos já em frente o prédio elas haviam comprado mais algumas coisas também.
Subir os degraus foi uma comédia para Touka, vendo os ter garotos tentando não caírem e rolarem pelas escadas com as sacolas, e enfim, estava diante a porta branca dos Haruno, e Yukine adentrou já gritando:
– okaa-saan?! Socorro!
– que dramático – Minato acusou – madrinha-tia -Sakura-onee-chaaaannnn?!
– o que você dizia? – Itachi indagou, e logo Sakura surgiu na sala, sorrindo, usava uma fita lilás na cabeça a mesma cor da blusa de ombros caídos, e saia preta de cintura alta grossa mas bem rodada, na altura dos joelhos, os saltos eram curtos e largos, e ela segurava um avental no antebraço.
– finalmente huh? Por que tanto escândalo? Oh bem vindos pessoal.
– ohayo.
– okaa-saaaann, isso está pesado – Yukine se agoniou.
– Então leve para a cozinha! E rápido sua tia já estava achando que se perderam no mercado.
– a gente foi chamar reforços, ora – Minato defendeu-se e seguiram para a cozinha apressados, de lá se ouviu um pouco a voz de Hinata e os gritinhos de Kushina.
– já começaram? Precisam de ajuda em algo? – Ino perguntou enquanto tirava o casaco.
– ajuda é o que mais precisamos, todo mundo decidiu fazer sua própria receita e o resultado foi aquela lista enorme que os meninos levaram, e são só minhas coisas e da Hinata, Temari, Kaorin e Hinami já devem ter postos o meninos delas pra trabalharem cedo.
– então tia Temari deve estar perdida, dependendo do Akira pra acordar cedo – Touka comentou.
– ou ele está, se não acordar – Sasuke disse e a moça deu de ombros em concordância.
– como vai querida? – Sakura cumprimentou-a – ah não me deixe esquecer, Yuri mandou presentes!
– pra-pra mim?
– é claro, aquela lamuria dela quase não tinha fim quando você foi embora, Haru ficou enciumado até.
Touka não pode deixar de corar, mas sobretudo, ficar feliz, a ideia de ser a única a sentir-se realmente desmembrada com a separação a azucrinou bastante, e até sentiu uma pontadinha de culpa. Por ter achado que Yuri já a tivesse esquecido.
– eu também sinto falta dela – disse, ainda envergonhada, o que Sakura recebeu com um lindo sorriso.
– fico feliz! Agora vamos ao trabalho? Sasuke, Naruto o está esperando pra ascender a churrasqueira – falou puxando a moça pelo ombro. – vamos lá, Uchihas.
– huh? – ele se indignou.
– vamos lá, senhor Uchiha – Ino provocou-o, seguindo as duas.
– tsc, mato aquele idiota.
Ele não achou que Naruto estaria lá, pelo menos não tão cedo, a vida de Hokage ocupava até mesmo seu tempo com a família, o que deixava Minato bem mais rebelde do que já podia ser, e Kushina mais mimada, as duas crianças vibrariam com a presença do pai, mas se qualquer coisa o fizesse abandonar o programa, também seria um desastre.
A mesa e o balcão da cozinha estavam abarrotados de compras e algo já cheirava bem de uma panela no fogão. Hinata cortava temperos enquanto Sakura já dava um avental extra para Ino. Ele se demorou um pouco observando as duas. Podia dizer que era como um retrato do passado, quando de má vontade se reunia aos amigos e via as duas tagarelando. Mas pra um retrato exato, ainda faltava muita coisa.
Aquela atmosfera confortável e cheia de amizade não estava presente, não entre as duas, enquanto que com Hinata Sakura não se importava de tagarelar e provocar, com Ino ela era menos calorosa, não fria, era como se tratasse com alguém que pouco conhecia, mas que não tinha nada contra em conversar, o assunto entre elas fluía, mas não os olhares, eram curtos, os sorrisos as vezes até eram lindos, mas só se abriam enquanto encaravam o alimento cortado.
Era amistoso, mas não íntimo, este clima entre elas...
Não falavam muito de si, mas o lar, pratos e crianças eram bem debatidos.
Sasuke seguiu para o terraço, se precavendo de não ser pego observando por nenhuma das duas mulheres.
O que não impediu-o de ser observado por uma Uzumaki, uma mulher que sempre foi observadora e discreta, isso era um dom até, ela sempre fizera isso desde pequena, observava das escuras.
E o tempo a ajudou a decifrar o que via.
Sasuke não viu o pequeno herdeiro de Sakura, e havia achado que ele estivesse lá fora, os garotos agora disputavam basquete com Naruto e a maldita churrasqueira realmente não estava acesa ainda.
Filho da...
A estufa de Sakura estava totalmente verde e salpicada pelas cores das flores, mas fechada, passando perto ate se podia ver a cor do piano ao centro do local, mas nada dos fios alvos do menino, ele deu com os ombros e voltou ao plano de trucidar Naruto.
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“Eu quero seu amor
Eu quero sua doença
Eu quero você de boca aberta e ajoelhada...”
Levou a caneta para a cabeça e usou-a para coça-la.
Talvez estivesse muito pesado? Imoral até?
Isso com certeza, mas quando aquelas coisas, melodias e versos tomavam sua mente, não tinha jeito.
De fato, estava muito pesado, e diferente de muitas coisas que criou, também era fato que ele vinha variando até demais, e não sabia se estava evoluindo ou se tornado apenas outra coisa.
Com um suspiro, decidiu continuar.
“Eu quero seu amor
Amor, amor, amor
Eu quero o seu amor...”
Depois de uma olhada, relida e cantada, ele viu, que talvez não estivesse fazendo outra coisa, algo errado, apenas... escrevendo a mesma coisa, descrevendo o mesmo sentimento, de forma diferente.
Deu com os ombros e continuou, afinal, acabaria fazendo mesmo que não quisesse.
“Eu quero o seu drama
O toque da sua mão
Eu quero o seu beijo sujo de couro na areia
Eu quero o seu amor,
Amor, amor, amor
Eu quero o seu amor,
Eu quero o seu amor e
Eu quero a sua vingança
Você e eu poderíamos escrever um mau romance
Eu quero o seu amor
Todo o seu amor é vingança
Você e eu poderíamos escrever um mau romance...”
– ah, até que não ficou ruim...
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– Uma beleza extraordinária do norte
A coisa mais bonita existente no mundo...”
Sakura cantarolou, enquanto investigava o quarto, à procura do menino, abriu os armários e nada, foi até o banheiro e nada, olhou em volta e atrás das cortinas, e se abaixou para espiar embaixo da cama.
“...Em seu primeiro olhar, a cidade se curvaria ante seus joelhos
Em seu segundo olhar, o império cairia em ruínas...”
A campainha tocou e ela bateu a cabeça na cama ao se erguer, saiu dali bufando e já sentindo um pequeno galo se formar, seguiu para a sala, sem contudo, encontrar seu garotinho. Abriu a porta e deparou-se com Temari e Sango.
– olá meninas!
– até que enfim! – Temari veio e lhe deu um abraço apertado, as vezes Sakura se perguntava onde fora parar a Temari no Sabaku durona e discreta, mas não achava a mudança ruim.
– desculpem a demora, eu estava numa caça ao tesourou, e perdi!
– eh?
– vamos entrando, onde estão os meninos?
– dormindo lá atrás, esqueça-os e me ajude com esta tralha.
Mais e mais compras, Sakura abraçou Sango e ajudou-as a seguirem para a cozinha.
– ohayo!
– ohayo! – Hinata e Ino cumprimentaram e Touka acenou com a cabeça.
– nossa quanta coisa, nem deixaram espaço pra mim.
– mil desculpas e ainda faltam Kaorin e Hinami!
– nossa!
– yooo Touka! – Sango cumprimentou.
– yo, e o seu irmão idiota?
– mais atrás com o otou-san, como sempre!
– aff.
– encontrou o que procurava, Sakura? – Hinata indagou, Touka ela não deixaram de rir de sua cara derrotada e emburrada, Ino lembrou que ela saira á procura do dito caçula, e desde que chegara não vira rastro dele.
Não queria admitir, mas estava ansiosa, no fundo, talvez ainda fosse prepotente o bastante para se sentir tia do menino. E ciumenta o bastante para querer comparar suas crianças...
Ouvira muitas descrições mas as vezes nem parecia que lhe falavam da mesma criança, para Sakura era a coisinha mais linda do mundo, mas não se atinha a isso, afinal ela era mãe, e Ino também considerava os seus os mais belos. E Hinata os dela, e até Temari, tinha ciúmes dos dela.
Naruto achava o menino a cara dela, Touka dizia que era muito comportado e educado, (mas já era de se duvidar agora) Hinata o achava a cara do pai, e Ino se perguntava como seria, não podia negar a beleza do falecido, mas não podia aceitar a ideia de uma criança que fosse bela como ele mas não tivesse seu ar altivo e quase opressor, dominante e ao mesmo tempo, sábio.
Porém, como uma criança poderia ser tudo isso?
Também era de se duvidar.
Sasuke parecia não achar nada, mas ela sabia que ele devia achar tudo, se de ruim ou bom (o que duvidava) não sabia, ele não falava nada mesmo ela perguntando claramente sobre a criança.
– não, não achei, não seja chata, viu? – Sakura fez um muxoxo, e Ino se perguntou se criança tinha aquele lado, talvez, estivesse desaparecida por isso, quando criança, Sakura não suportava ser julgada, a testa era o principal alvo das provocações dos colegas, o cabelo rosa e postura vulnerável, aquele patético olhar de “não me machuque, só quero sua amizade.” Também não ajudavam. Crianças eram tão cruéis quanto adultos, às vezes.
Será que tinha sua testa grande? Agora a dela era um ponto pouco chamativo, o rosto havia crescido também, os contornos se firmado e harmonizado, o olhar ganhara vida e era afiado, qualquer um se perdia nele de modo que, outros atributos, e principalmente defeitos, eram ignoráveis.
– você disse que o acharia rápido, ele está escondido desde que cheguei – Hinata alfinetou, bem humorada.
– tu-tudo isso? – Touka se espantou – esse lugar não pode ser tão grande! Tem certeza que ele não saiu?
– oh não, seu pai cuidou do perímetro, sei que ele está aqui, eu poderia acha-lo facilmente, mas seria trapaça, e não gosto disso. – Sakura suspirou – mas tem razão, não sei como ele achou tanto lugar para se esconder!
– eu posso achar ele! – Kushina disse.
– oh você pode? Eu acho que vou mesmo pedir reforço.
– oh como assim? Ele sumiu? quero ve-lo! Não é justo, esperei a semana toda! – Temari protestou – você apareça hein garotinho?! – gritou e elas riram.
– vai assusta-lo!
– ora não seja cruel!
A campainha tocou mais uma vez.
– ah devem ser as meninas, vou lá! – Sakura seguiu outra vez para a sala, e voltou com Akira agarrado a si, e puxando Inugami pela mão, Mamoru vinha mais atrás comendo um sorvete, e ao lado o pequeno Shiro, cãozinho de Inugami, o animal reconhecendo Touka correu para salta em seu colo, e ela o abraçou.
– yoo, garotão?
– olha aí, ele ainda lembra de você – Akira provocou, ainda abraçado a tia.
– calado, idiota.
– desgrude da sua tia ô garoto – Temari ordenou, puxando-o pela orelha e o jogando sentado na cadeira.
– calma coroa...
– o que?
– calma, amor da minha vida e única mulher do meu mundo...
– oh cale-se.
– ah como é bom reunir a família! – dizia Hinami ao adentrar o recinto mais atrás dela, Kaorin ria, afagando a cabeça de Akamaru.
– Sakura! – Sakura abraçou as duas de uma vez, rindo com elas por quase esmagarem as sacolas entre si.
– e a bagunça só aumenta!
– verdade!
– are are, chega de tanto drama eu quero ver o menino! – Temari cortou.
– oh, eu também, você ainda não viu, Temari?
– acho que Sakura o está escondendo de nós!
– ora quanta besteira!
– verdade, ela escondeu tão bem que não encontra! – Hinata provocou.
– Hinata, eu sempre temi esse dia, mas ele chegou – Sakura afirmou em tom sério – está ficando igual ao Naruto!
– aaaahh eu quero ve-lo!
– tudo bem! Eu vou procura-lo! – Sakura com um suspiro deu mais uma volta pela casa e voltou de mãos vazias, e um pouco irritada – tudo bem, isso já está irritando.
– bem vinda ao mundo das crianças, querida – disse Hinami.
– oh, não é como se não soubesse, Yato e Yukine eram pestinhas, bem, ainda são, mas aquele rapazinho, está se tornando um tanto abusado, ora vejam, tenho que sair á caça toda vez que quero enche-lo de beijos, isso não é justo – ela fez muxoxo, outra vez.
– awnt, que fofa!
– não tem graça! Oh já sei! Por que não vamos terminar isto lá fora? Tive uma ideia.
– lá fora? Ah, tem razão a mesa é maior.
– vamos carregar tudo, meninos, ajudem.
Touka deu um safanão em Akira despertando-o e recolheram as sacolas, o dia estava perfeito, e o cheiro de flores vinha da estufa agora aberta para ventilar melhor, elas arrumaram tudo que iam usar na preparação dos alimentos enquanto Chouji, Kiba e Shikamaru discutiam algo. E Sasuke e Naruto disputavam queda de braço sobre um banco com os garotos fazendo aposta e gritando ao redor deles, os dois usavam os lados dos braços protéticos.
Ino revirou os olhos se perguntando se aquilo nunca iria parar, eles sempre estariam naquela rixa sem fim?
Sasuke era tão maduro e centrado, Naruto acabava com isso.
Sakura porém foi até eles e os parou da melhor maneira que sabia, quer dizer, a pior. Ela parou ante os dois, tão alheios a disputa e briga de olhares, que nem a notaram. Com as mãos nos quadris ela assistiu a disputa que parecia não ter vencedor. E quando deu as costas pareceu que ia ignorar, mas o que fez foi dar um leve chute para trás que foi o bastante para fazer o banco deslizar para longe e os dois homens tombarem para frente e baterem as testas de forma dolorosa.
Quase que houve outro beijo acidental, e desta vez, Sakura não tentaria linchar Naruto ou dar um verdadeiro beijo ao Uchiha. Nem Ino.
– ITAAAAIII!
– MAS QUE PORRA?! – Gritaram Naruto e Sasuke, respectivamente. Se afastaram como se temessem pegar lepra um do outro e o resto dos amigos de academia, teve certeza que ele lembraram do desastroso episodio daquele dia.
Esfregando as testas voltaram as caretas de fúria para Sakura.
– Sakura-chan!
– está louca?!
Ficaram ainda mais putos com a gargalhada dos meninos, que não perdoavam.
– louca? Vão ver a louca se não levantarem os traseiros daí e irem fazer algo que preste! E fogo da churrasqueira cadê? – Sakura voltou-se, zangada.
– eeh! Nem vem a culpa é do Teme!
– vá a merda Dobe!
– você que tem que ascender a churrasqueira é uma tradição!
– tradição o caralho, você que inventou esta merda!
– vamos lá grande Uchiha!
– vá se fo...
– olha a boca, senhor Uchiha, tem crianças aqui. – Sakura cortou. Ele se levantou.
– quer que te xingue em particular então?
– se não se importa em levar um chute em particular, mas garanto que todos vão saber quando sair voando pela aldeia.
– tsc.
– perdeu otário! – Naruto provocou e ele acertou-lhe um cascudo.
– vá à merda!
– não seja mau humorado! Assim Touka-chan nunca vai conseguir um namorado!
– não me meta nisto, baka-oji-san – Touka ordenou, entediada. Ver o pai e o tio brigarem não era novidade, mas ver seu pai e Sakura caírem nos punhos poderia ser muito interessante.
Observou Sakura que agora ria das besteiras dos dois, e levava então, um puxão de Temari que estava já mais do que ansiosa. Ela revirou os olhos e riu, então seguiu para a porta da cozinha, e falou em alto e bom som.
– oh já chega! Desisto de procura-lo, ele não aparece! Vamos esperar que esteja com fome né Hinata?!
– oh? Ah sim! E enquanto o almoço não chega, também podemos ir comendo esse sorvete delicioso que a Kaorin trouxe!
– sorvete?! Ah sim! SOR-VE-TE! – Sakura correu dali de volta para mesa.
– acha que dará certo? – Hinata murmurou, Sakura respondeu baixinho também.
– se não der mando os ANBU vasculharem esse bendito apartamento! – ela voltou a cortar alimentos e Sasuke finalmente ascendeu a churrasqueira, Naruto comemorou e ele soprou chamas em seu traseiro sorrindo de maneira quase diabólica.
Touka seguiu para a cozinha onde pegaria as taças de sorvete no armário, á pedido de Sakura, e qual não foi sua surpresa ao abrir e deparar-se com uma criança deitada entre as taças.
Ela recuou batendo as costas no balcão e se não estivesse tão surpresa, teria sentido a dor.
– vo-voce?! – Sesshoumaru apenas piscou, então encarou as taças de cristal e então a ela.
– veio pegar isso?
– si-sim...- ele pareceu analisar algo.
– então é verdade — concluiu, então saiu de lá, afastando-se das taças com cuidado, pos as pernas para fora, e os pés quase não alcançara a bancada da pia, soltou-se do armário e caiu em pé, correu para beirada perto da pia e puxou o banco com ajuda de uma longa colher de metal que estava pendurada por ali. Assim que o fez, pos a colher em seu devido lugar, passou para a cadeira, e assim chegou ao chão por meio dela, empurrou-a para perto da bancada do meio de novo, e seguiu para a fora correndo.
Touka piscou incrédula, aquele tampinha estivera ali o tempo todo? E ainda podendo ouvir tudo?! Ela havia subestimado sua capacidade em se esconder, e a mãe dele também, pegou uma bandeja e pôs as taças e seguiu para fora com todo cuidado pois eram lindas e com certeza caras, e saiu vendo a cara de bobões que os que não conheciam o menino faziam.
Sakura havia apenas sentido o abraço que tentava rodear-lhe o quadril e sorriu para as mulheres, distraídas tagarelando, primeiro fingiu ignorar, e tomou outra colherada de sorvete direto do pote.
– huuuummm, que delicia! – exclamou, tomando a atenção delas.
– credo, até parece que não havia comido mais – Temari disse.
Ela riu, mas só quando sentiu um puxão na blusa se fingiu desentendida ao olhar para baixo.
– oh! Ora quem diria, nem lembrava que estava por aqui, esse sorvete está tão bom...- pegou o pote e se afastou da mesa com ele, fazendo o pequeno segui-la querendo colo. – hum que delicia, tem pedacinhos de chocolate e morango!
– oh meu deus – Kaorin exclamou quando viu o menino.- é-é ele?!
– onde? Oh! – Hinami exclamou.
– é esse aí sim – Sakura deu de ombros.
– okaa-san...- Sesshoumaru, chamou, aquela vozinha rouca, que mais parecia uma ordem, seu jeito único de fazer manha. Ela não pode resistir desta vez, e o encarou.
– pode falar, musuko.
Ele com bom estrategista que era, mesmo ainda inocente demais para saber disto, pediu-lhe colo, para que chegasse mais perto do sorvete, mas Sakura sabia lidar com suas pequenas trapaças, elas ainda não estavam longe do nível das do pai dele, pôs o sorvete sobre a mesa e pegou o menino, relativamente mais pesado graças as roupas. Mas não conseguia tira-lo delas afinal. Ele gostava assim. E fazia-o mais perfeito ainda.
– o que foi musuko? Cansou de brincar?
– você parou.- o tom foi de acusação, seu olhar se estreitou um pouco também.
– oh, me desculpe, mas estamos com visitas, e bem, você ganhou, sinto que vasculhei tudo mas nada de acha-lo, que tal outra rodada mais tarde? Mamãe quer que conheça um monte de amigos dela!
Ela voltou-se para eles sorrindo.
– olhem só, este é meu neném.
Por um momento houve aquele silencio quase constrangedor, Naruto calou a boca por que estava adorando as expressões de todos, Temari se aproximou com os olhos cheios de água.
–Oh. Meu. Kami! Ele é... ele é... tãããããooo lindo! – e desatou a chorar praticamente tomando o menino da mãe e o tomando no colo e abraçando-o – oh meu, tão pequeno e fofo, Sakura é ele? Ele mesmo? É lindo demais pra ser de verdade!
– não seja boba, e eu sei que ele é lindo, musuko, essa é a tia Temari Nara, mamãe conhece ela desde a época de gennin, e sabe de quem ela é irmã? – perguntou ao menino que negou enquanto Temari penteava seus cabelos entre os dedos, maravilhada. Hinami e Kaorin logo o rodearam também. – ela é irmã de Gaara-san, o Kazekage, lembra? Aquele que você conheceu no caminho para cá.
– o homem de areia?
– oh, sim, sim.
– você viu Gaara?! – Temari disse.
– creio que apenas um clone, Sesshoumau adorou vê-lo se desfazer em areia ao vento, impressionou-o, né querido? Quem sabe o veja pessoalmente um dia próximo?
– Gaara foi resolver algo com você?
– ele sempre é cordial comigo, nunca esqueceu sua amizade com Yasuhiko, e disse que queria ao menos ver nosso menininho, e pra sua informação, Hinata, ele achou Sesshoumaru a minha cara, tá?
– oh, me desculpe! – Hinata revirou os olhos bem humorada.
– humpf, continuando, esta é Hinami Akimichi, outra amiga, e está é Kaorin Inuzuka.
– olá querido? Quantos aninhos você tem? – Kaorin indagou, obviamente para faze-lo abrir a boca visto que já sabiam de cor.
– sete.
– ora, um rapazinho! Pronto para enfrentar a academia – disse Kiba.
– não seja cruel, ele ainda tem muito que aprender antes de enfrentar um exame de admissão. – Sakura resmungou – este cachorro velho é o Kiba, marido da pobre Kaorin, aquele moço fofinho ali, e o filho dele, são Chouji e Mamoru, marido e filho de Hinami, deixe-me ver quem falta...
– os preguiçosos – cantarolou Minato.
– ah sim! Aquele velho de barbicha estranha é o Shikamaru, e o lindo e lento rapaz é o Akira, filho da tia Temari.
– obrigado pelo lindo, mas eu não sou lento não tia...- Akira acrescentou.
– quem dera fosse — Temari resmungou.
– e aquele é Inugami-kun, e tem claro, a linda Sango!
– na-não é menina?! – Sango exclamou em choque. O que causou um momento estranho.
– ora que bobagem! – Temari brigou.
– eu pensei o mesmo – Akira disse.
– cale-se garoto!
– tá bem, mas é porque ele é bonitão quem nem você tia.
– oh, obrigada meu bem, Hinata...?
– eu já pedi desculpas – Hinata resmungou.
– pois bem, continuando, os rapazes de quatro patas ali são Akamaru e Shiro, e tem Itachi, dê um olá ao Itachi ele não te lembra alguém?
– onee-sama. – ele disse quase que em automático e Touka sorriu pondo a bandeja sobre a mesa e ficando ao lado do irmão.
– nem somos tão parecidos – resmungou em brincadeira.
– por que ele te chama de onee? – Itachi indagou e ela deu ombros cruzando os braços.
– porque sou mais velha?
– mas não é irmã dele...
– huh?
– e aquela é a mãe deles Ino esposa do velho emburrado ali.
– velho emburrado é perfeito – Naruto disse e levou uma cotovelada que o deixou sem ar e assim, sem falar.
Sesshoumaru voltou aquelas bagas intimidantes e verdes e ela simplesmente não soube o que dizer. Ino apenas encarou-o de volta.
Quando o viu certamente achou que fosse uma brincadeira, de mau gosto até, mas ali estava a criança tão almejada pela família.
Era quase como se presenciasse o nascimento do menino, uma apresentação à família, uma criança linda e de temperamento polido era o que via, mas também dotada de daquelas nuances infantis que toda criança apresenta. Mimada, manhosa, esperta e curiosa, ele levava o tempo que queria encarando a todos um de cada vez. E talvez o único a quem tenha se habituado de cara fora Itachi, cuja irmã parecia lembrar bem.
E também dotado daquele olhar altivo e meio sobrenatural que os quadros do pai retratavam, se ela achava que perdera a oportunidade de ver e encarar o grande Akuma do clã Yumi, eis sua segunda chance ali.
Ele não era fofo, amoroso, nem mesmo inseguro como a mãe fora, não tinha sequer sua testa avantajada naquela idade, apenas seus olhos verdes transformados nos de um felino astuto, e silencioso. As maçãs do rosto podiam até lembrar as de Sakura, tal como o formato, mas ela não precisava ser vidente para saber que aquele menino se converteria no pai com o passar dos anos.
Talvez tanto quanto Yato, se cortassem-lhe o cabelo. Mas Sakura não devia estar interessada em fazê-lo.
Principalmente agora que deixara o luto.
Outra coisa a perturbar as noites da Uchiha.
As mexas alvas como as do pai eram longas e viçosas como as da mãe, o tom de pele quase pálido, mas nada que um pouco de bom sol não resolvesse.
Uma mistura que se também alcançasse o temperamento, seria perfeita.
Sakura estava agora, exibindo a prova maior do quão melhor era. Fez uma criança perfeita á imagem do pai, uma criança que poderia ter sido de Sasuke, e idêntica a ele.
Moveu os olhos para Sasuke, ele tinha os braços cruzados em silencio, analisando a interação entre mãe, filho e família, mas provavelmente não dando conta por tanto tempo, eles os virou e para outra direção e deu atenção ao amigo, mesmo que fossem só balelas o que ele dizia.
Sakura pôs o menino na beira da mesa, deixando-o desfrutar de uma taça com sorvete, o verdadeiro responsável por ele dar-lhes sua presença que tinha um ar prestigioso até.
– e apenas isso, rapazinho, ou não vai comer nada das guloseimas que estamos preparando.
– gosta de peixes, querido?
– e de lula?
– oh, vamos ter arroz vermelho, para trazer bons auspícios, você já experimentou?
Sakura riu, pelo visto seu menino teria tias corujas além da conta. Quando elas finalmente puseram boa parte da comida no fogo e a carne foi para a churrasqueira, arrumaram a mesa e Sakura foi para dentro da estufa colher algumas flores para por num vaso e deixar sobre a mesa.
Voltou com um belo buquê bem variado e colorido, enquanto Yukine e os garotos tentavam jogar futebol com Sesshoumaru, visto que basquete seria um tanto injusto.
Com um suspiro, ela percebeu que ainda não estava completo ali, faltava ao menos aquele pintor sarcástico, galinha e coração grande mas quebrantado, seu amigo, Sai.
Até mesmo chamou Kasumi e Ayaka, mas as mães solteiras tinha trabalho a fazer, o estabelecimento da morena estava de vento em polpa e Ayaka estava trabalhando com ela nos fins de semana enquanto não se firmava com um bom salario.
– ora mas quanta bagunça! Nem nos esperam para começar! – ela se voltou para porta vendo Karin e Suigestu saindo por ela. Sorrindo com aquelas caras de pau que só eles tinham.
– chegam atrasados e a culpa é nossa? – disse Naruto.
– ih, até o senhor nanadaime se encontra, fugiu do trabalho foi? – disse Sui.
– Sakura! – Karin correu até ela abraçando-a – queria tanto te ver, tenho novidades!
– eu sei!
– oh?
Sakura levou a mão para seu ventre sobre a camiseta e sorriu.
– meus parabéns! Nove semanas e posso dizer que está tudo indo nos conformes, senhora mamãe de primeira viajem! – Karin enrubesceu e sorriu radiante.
– obrigada! Nem acreditamos ainda, quer dizer, tentamos tanto tempo... oh Sakura estou tão feliz! – abraçou-a.
– parabéns querida! Será uma criança linda e saudável teremos certeza disso!
– e qual o problema de tenta hein? Tentar é a melhor parte – Kiba disse malicioso.
– Verdade... – Akira comentou, o olhar idiota perdido no nada, como se visualizasse o paraiso, Touka o fitou enojada.
– como assim?! – exclamou Temari – você anda tentando?!
– quem? Eu? Jamais da vida!
– acho bom – Shikamaru disse.- e você também – disse a filha que o fitou confusa.
– mas eu não falei nada!
– nem deve, muito menos fazer — ele resmungou.
– ora...
Karin e Sakura se entreolharam e reviraram os olhos.
– ah, parabéns também, senhor Hozuki – Sakura disse.
– até que enfim alguém lembrou, afinal também tomei parte nisso.
– é, mas eu que vou levar a pior, vou ficar enorme então não reclame! – Karin acusou.
– é a pior e a melhor parte, querida, você sente tudo e tem maior contato, e ele fica morrendo de inveja – Sakura disse, quase cruel.
– vou me lembrar disto quando estiver quase rolando por aí.
– pois é.
– então, Sakura, já que você é maior ninja médica e tal, será que você já sabe dizer o sexo? – Suigetsu disse, todo sem graça.
Quando soube que eles haviam conseguido, Sasuke nem lembrava que fazia tempo que tentavam, quase um ano talvez? Os dois não comentavam sobre qualquer frustração, sabia que Karin estava se readaptando ao não uso dos anticoncepcionais que usava desde bem nova, como ninja e mulher, ela sempre temeu a lado ruim de estar em batalha, coisas horríveis poderiam acontecer-lhe, e ela não queria ter um filho fruto disto.
E no fim, tanta espera valeu a pena, a criança tinha saúde desde já e nada no histórico dos dois, mesmo tendo sido experiências de Orochimaru, afetaria feto geneticamente.
E lá estava o Hozuki todo abestalhado e já ansioso para saber o sexo e Karin irradiando felicidade. Sakura sorriu de maneira adorável. Encantada com a alegria do casal.
Ela esfregou a mão de maneira circular na barriga da ruiva o que causou suspense no resto deles, então riu de suas caras.
– seus bobos! Claro que não, Suigetsu! Não seja apressado, quando vier tudo a seu tempo será muito melhor!
– ah... foi só por perguntar...
– ahãm...
– mas eu queria! – Karin resmungou – quero uma menina!
– que menina o que, tá louca, já aguento você!
– não quer um garotinho parecido com o pai, querida? – Sakura disse.
– eu não me importaria, por que apesar de tudo, o importante é que tenha saúde...
– é o que?! – ele se indignou.
– eu vou ama-lo muito!- ela declarou quase chorando e Sakura a abraçou segurando as flores com outra mão.
– claro que vai, querida, claro que vai – seus olhos estava úmidos e ela limpou os cantos.
– ih, então é desse carinha que estavam falando? – Suigetsu disse enquanto apanhava Sesshoumaru por trás e erguia-o ele segurava a bola e quando os garotos tentaram alcança-la aproveitou-se da altura extra e ergueu-a acima da cabeça.
– hey, não vale! – Minato acusou, Suigetsu riu e pos o menino sentado sobre os ombros.
– oh cara, como ele é lindo! – Karin disse – olá? Sou Karin e este idiota é Suigestu!
– pode chama-la de chata.
– vai ser um menino – Sesshoumaru declarou girando a bola entre os dedos.
– Hein?
– o que quer dizer, musuko? – Sakura indagou, o cenho franzido enquanto o pegava no colo, ele foi e jogou a bola para os garotos mas eles já estavam curiosos com sua declaração para darem trela.
Sesshomaru voltou a atenção para a ruiva e apontou os dedo para seu ventre a unha longa se destacando ao brilho do sol.
– o bebê dela vai ser um menino.
– oh, então este é seu palpite?
– não, por que vai ser um menino, okaa-san.
– oh, Sakura tem um vidente!
– pelo visto sim, não?
– por que acha isso?
– por que ele vai se casar com ela – apontou Kushina que os fitou com os grandes olhos curiosos, achando graça e adorando a atenção repentina.
– eh?! – exclamou Naruto agarrando a menina como se temesse que cães a atacassem – o que está dizendo aí hã?
– não seja idiota, Naruto, meu filho gostar de outra ruiva? É muito azar... – Suigetsu mau terminou e seu rosto virou água após um tabefe da esposa.
– cale-se bafo de peixe!
Sesshoumaru se agitou no colo da mãe, os olhos presos na transformação do Hozuki que ao voltar à forma, resmungou.
– minha menininha não vai casar com nenhum bafo de peixe! Mande ele casar com a filho do teme!
– huh? – disseram Touka e Sasuke.
– é isso mesmo!
– pelo amor de Kami, quanta besteira, Kushina só tem três anos, e nem sabemos se o bebê da Karin é menino, é um palpite de um menino de sete anos! – Temari brigou.
– ah...
– mas ele fala com tanta certeza que até eu acreditei...- Shikamaru disse. – convincente como o pai e eloquente como você, Sakura, ou talvez seja o contrario, nem dá pra saber, que problemático...
– quase convenceu a mim, mas esse tipo de coisa não se adivinha, musuko – Sakura aconselhou ao filho que ouviu-a com atenção para então reafirmar.
– não adivinho, é o que virá.
– oh – ela revirou os olhos e o beijou na bochecha – tudo bem, só podemos esperar pra ver não?
Ela apenas desistiu de contestar uma criança. Ainda mais quando ele pareceu ter o mesmo deslize para achar que sabia o futuro, tal como o pai, mas nem mesmo Yasuhiko arriscava ser tão certeiro, e quando o era, ela temia e se encantava com todas as predições que ele deixara.
– vá brincar, bebê, Yukine? Pare de se pendurar aí ô garoto! – Yukine soltou do arco da cesta de basquete, pousou no chão sorrindo travesso.
– parei!
– Kami-sama, você não para quieto!
– ora, ele também!
– ao menos gaste energia treinando, não tentando quebrar o braço, certo?
– haaaai!
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Uma mesa tão farta nunca foi devorada tão rápido, parecia que verdadeiras feras estavam ali, e que não comiam a séculos. Mas como tudo que era bom durava pouco, Sakura agora lidava com a pilha de louça que esperava para a briga, aquela preguiça e vontade de tirar uma soneca que sempre se sentia quando estava de barriga cheia, e ainda uma criança para por pra descansar.
Sesshoumaru poderia ser comparado a uma criança muito mais nova, de colo, ele sempre queria estar nos braços de um adulto, e ela sentia que isso como um complexo de insegurança e carência.
E como mãe, doía-lhe que seu desenvolvimento houvesse sido afetado a tal ponto, mas não podia julga-lo imaturo também, dada sua eloquência, erudição e educação.
E adorava isso, era encantador e ela simplesmente amava, de verdade. Lembrava tanto a Yasuhiko, a fazia sentir falta do marido, mas também a conformava.
Era um perfeito pedaço dele, este que lhe fora dado para amar.
Mais um pedaço.
– querida, esqueça isso, nós damos um jeito sim? – Kaorin afirmou, num sussurro para não despertar o menino que ela levava nos braços, as pernas dele a volta de sua cintura e os bracinhos em volta do pescoço.
– arigatô – ela sussurrou de volta e se afastou, quando o pequeno se mexeu e suspirou, num sinal de que podia despertar, seguiu para a sala e caminhou por ela sem pressa, o céu estava escuro, mostras de chuva, uma chuva refrescante, quando as primeiras gotas caíram, ela ouviu os gritos dos meninos que com certeza iriam correr e pular embaixo daquela água, e apenas sorriu enquanto deitava o mais novo na própria cama e cobria-o, seguiu para a janela e fechou, a chuva tentava encharcar tudo, e ela fechou as cortinas também, ascendeu o abajur, e seguiu para fora.
As mulheres se revezavam na louça e limpavam os restos enquanto aproveitavam mais uma taça de sorvete, na mesa os homens jogavam baralho, já que estavam presos lá dentro.
– se ele pegar resfriado, você vai ficar em casa e cuidar dele – Ino avisou à Sasuke, que se manteve concentrado no jogo. – não vou faltar o trabalho, estou avisando, hein? – ele revirou os olhos e jogou uma carta, e pegou outra no monte, não era a que precisava. Saco.
– ele não fica doente desde os três anos de idade – lembrou-a – então ninguém vai ficar em casa.
– ele não fica doente desde os cinco, e você vai ficar sim.
– oh que saúde de ferro – comentou Hinami – Mamoru não podia nem chegar perto de gente resfriada, era horrível, mas ao menos serviu pra reforçar o sistema imunológico dele.
– é assim mesmo, as vezes deixa-los que exporem é o melhor, se cria-los presos e num ambiente muito limpo e desinfetado, a tendência é que adoeçam ante a primeira exposição á qualquer agente infeccioso, agentes esses, simples que nenhuma criança que brinque na terra de vez em quando poderia pegar. – Sakura explicou enquanto ajudava a secar louça.
– Sesshoumaru tem boa resistência? – Temari indagou.
– ainda vou descobrir, os resultados saem logo, enquanto isso, ele deve ficar sempre longe de friagem e de situações de risco, lama ou coisas assim, não é tão difícil, ele adora correr na mata mas é bastante asseado, você mau considera que esteve se enfiando em todo tipo de toca que encontra por aí, meu maior medo é com animais peçonhentos, ele mexe em tudo que é bicho, é curioso de mais, não tem medo.
– você não tem alergias, no seu histórico? – disse Kiba.
– papai tinha alergia à amendoim, já mamãe nunca gostou de poeira, dizia que a fazia espirrar, mas era só muito excêntrica com limpeza, fiz o teste nela e nada, em relação ao lado do pai dos meninos, Yasuhiko era um touro, o vi doente duas vezes, no máximo, mas o abuso com o trabalho acabava mais com ele do que a própria virose, ele não parava.
– e um Kage lá pode parar? – riu Suigetsu – exceto o Naruto, esse aí parece que tá sempre de férias – brincou.
– hah, quem me dera, assim teria mais tempo com os meninos – Naruto resmungou.
Sakura riu um pouco e se recostando no balcão observou os garotos brincando basquete na chuva intensa, Yukine havia tirado a camisa para ter mais leveza e sacudia a cabeleira exótica, empolgado e enérgico.
– e aqueles dois moleques aguentaram duas semanas de trabalho embaixo de neve, quando terminavam voltavam parecendo dois bonecos de gelo, sorrindo orgulhosos.
– que boa saúde.
– hum-hum, Yato era mais franzino, sempre comeu muito e engordou pouco, era hiperativo, não parava, já o meu gatinho arisco, ainda um apetite voraz, e era rechonchudinho, uma gracinha, agora esta ganhando massa bem rápido, ele ficará forte mas esbelto, como Yuzuru é, mas não crescerá, é bem comum entre Binkakus, não ganham muita altura.
– está me dizendo que a Kagune influencia até nisso? – disse o Nara.
– em geral sim, mas não como regra, cada Kagune exige um usuário adequado, Yuzuru é alto e esbelto, o que lhe confere rapidez por ser um Ukaku, Yasuhiko era forte, pesado, grande, perfeito para uma Rinkaku que exige força, Binkaku exige força muscular, resistência e equilíbrio, por isso Yukine é tão habilidoso com provas de resistência, mas ao contrário da regra, ele é rápido como um Ukaku, o que já prova que as caracteristicas podem variar, Yato está amadurecendo, mas não acho que se tornará corpulento como o pai, ele tem físico de um Ukaku, e quanto aos Koukakus, são geralmente altos e fortes o que as vezes pode passar a impressão de que são Rinkakus, isso é porque a Koukaku é pesada e muito resistente o que os deixa lentos, um bom exemplo da regra é Tsukyama, e um bom exemplo de que se pode fugir da regra, é Ren, ele é mais rápido que um Koukaku comum, e Tsukyama alto e forte, confundível com um Rinkaku facilmente.
– entendido.
– ótimo, agora vamos discutir o que realmente interessa, a aposta! – Naruto lembrou.
– já não era sem tempo! Entro com cinquenta! – Karin falou, empolgada.
– certo! Contra ou a favor? – Sakura se animou.
– contra, ora.
– Huh? Será que ninguém vai me ajudar?!
– voce me fez apostar duzentos e cinquente à favor, se vira – Sasuke rebateu – eu quero meu dinheiro.
– pois se quiser vai ter de ajudar a ganha-lo, idiota, e você também Naruto!
– olha já estou dando todo o empurrão que posso usando meu lindo posto de Hokage, mas não posso obriga-lo!
– argh.
– lancem suas apostas, pessoal – Hinata disse, já segurando uma caderneta e o próprio chapéu virado, esperando que depositassem o dinheiro, recebeu um olhar incrédulo e acusativo de todos e se encolheu sorrindo encabulada – eu só quero ajudar a organizar...
– por Kami, minha esposa está viciada em apostas! – Naruto choramingou.
– Naruto-kun!
– bem, que seja, antes ela do que a Sakura, eu sempre temi que ela tivesse herdado o tremendo azar que a godaime tem, então se ela aposta a favor, e vou contra pra me certificar, hehe – Kiba disse, e Sakura corou indignada.
– ora seu... Vira-latas! Eu não sou azarada caramba nenhuma!
– tem certeza?
– claro que sim! Tenho o mesmo tipo de sorte que todo mundo! Não é como se o karma de Tsunade-sama tivesse empregado em mim, a se quer saber eu nem comento com ela sobre a aposta, eu e Shizune vivemos tentando tira-la desse mundo, e se ela souber que estamos apostando vai querer entrar com tudo.
– em suma, você só não a quer apostando porque sabe que ela sempre perde, e se ela escolher seu lado, estará com os bolsos vazios – Shikamaru disse, maldoso e Temari concordou rindo.
A Haruno corou mais ainda e ficou claro que era isso também. E todos gargalharam.
– idiotas!
– mas vamos, lá temos que discutir um plano de ação, eu sou do lado que quer que ele vá dar aula então tenho que convence-lo! – Naruto disse – enquanto que quem não é deve ficar na sua.
– Huh?! – indignaram os do contra.
– ora, não é como se o velho precisasse de ajuda pra não aceitar, ele está praticamente irredutível!
– não por muito tempo – Sakura disse, toda confiante.
– você tem um plano, Sakura? – disse Hinami.
– mas claro, é...
– ela vai usar seu charme de aluna predileta pra convence-lo,assim como fez pra que ele a acompanhasse na cerimonia – Sasuke cortou.
– huh?! — ele deu de ombros, se recostando e adorando ver seu rostinho indignado e constrangido.
– mas tire o cavalinho da chuva, senhorita “integrante feminina da equipe sete” não vai colar desta vez.
Sakura o fulminou com o olhar e empinou o nariz.
– você não sabe, nem tentei.
Ele deu de ombros sorrindo de forma arrogante.
– não vai rolar, e posso apostar nisso também...
Por que fora falar?
Sakura bateu a mão na mesa e exigiu grana pela nova aposta, e acabou que todos foram junto, Ino o olhou com desaprovação.
Agora eram duas apostas, e precisava perder em uma para ganhar a outra.
Grande merda, esta.
Tentou ser esperto e apostar menos na que queria perder, mas não conseguiu, Sakura o pegou e o fez jogar duzentos e setenta e cinco mangos. Se ele perdesse a segunda, ganharia a primeira mas ainda ficaria sem vinte e cinco. Se fosse o contrário, vinte e cinco não seria grande ganho.
Tudo só para ferrar seu ego, mulherzinha desgraçada, esta que ele queria retomar.
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Touka virou a pagina do livro que lia com tédio, o resto da noite depois que voltara da casa de Sakura fora bastante entediante, talvez por que estava empanturrada de comida e cheia se preguiça, ou porque se divertira como não fazia desde que voltara do Diamante.
Itachi fora dormir cedo, exausto de brincar na chuva com os amigos, e sua mãe também ainda emburrada por seu pai estar apostando dinheiro feito um velho bêbado.
Isso meio que a deixava incomodada, curiosa e cheia de pensamentos sobre o passado, ao perceber que seu pai estava parecendo cada ez mais disposto a falar com Sakura, provoca-la, ela o viu sorrir como raramente via, muitas vezes naquela tarde, o viu emburrado como só tio Naruto deixava, e o viu leve.
Não queria sair da ideia de que era somente coisa de estar na em volta da família e amigos.
Quando voltou pra casa, ele resolveu ir ao escritório, o que deixou sua mãe ainda mais emburrada.
Decidida a largar o livro, ela se sentou na cama, e o pos sobre o criado, mas antes de apagar a luz, um som estranho veio de fora. Voltou a vista para a janela e deparou-se com algo batendo no vidro.
Touka pegou uma kunai e seguiu devagar até lá, sua janela dava para a rua do distrito, o quarto no segundo andar oferecia uma boa visão, a noite estava resfriada pela chuva de mais cedo e a lua iluminava as ruas vazias...
E uma sombra negra que lançou algo, com o sharingan ativado ela encarou como se fosse uma ameaça mas o que viu foi apenas uma pedrinha, das mesmas que ficavam no jardim. E logo em seguida outra.
Quando se aproximou mais da janela, a sombra negra a viu e se pos a acenar com os dois braços para ela.
Então levou as mãos à cabeça, e empurrou para trás o capuz negro que usava e fios alvos cintilaram sob o luar. Se estivesse sentada ela cairia, pois tinha certeza, era Yato Yumi que batia em sua janela. Uma onda de empolgação a tomou e ela quase escancarou a janela para permitir que ele entrasse, antes claro, de dar-se conta de que era seu quarto, e que estava de pijama.
Touka se afastou tentando se recompor, e voltou abriu a janela e acenou de volta, provando que o reconhecera, e pediu que esperasse. Percebeu que Yato ocultava o chakra, e por isso não percebera ele se aproximar nem tampouco seu irmão e mãe.
Houve um tempo que Sasuke sempre mantinha ninjas vigiando a familia, principalmente quando ela e Itachi eram mais bobos, mas agora eles sabiam o que fazer em caso de um ataque ou tentativa de sequestro.
A moça pegou um casaco, não se importando se era grosso demais, desde que ocultasse seu trágico pijama, apenas uma camiseta e short. Calçou as botas ninja mesmo, e correu pra pegar o envelope do esconderijo que providenciara.
Era um diário, bem, não exatamente um diário, ela não escrevia nada além de datas e compromissos, para o desgosto de sua mãe, aquilo se tornara uma agenda, e como era desimportante a tal nível, deixara o envelope lá, ninguém de sua família era o tipo bisbilhoteiro, apesar que sua mãe estava sempre cutucando-a sobre garotos.
Pôs e bendito evelope no bolso e saiu às pressas pela casa, pisando como um gato até achar a porta, mas desistiu de destranca-la e abriu a janela, saindo por ela e alcançando o jardim, estava mais frio do que ela esperava mas não sabia dizer se o arrepio que sentia era dado ao tempo ou por conta do rapaz diante si, Yato olhava em volta com aquele olho direito vermelho um tanto frio, especulativo, a mascara que ele passara a usar estava a volta de seu pescoço agora, e ele usava um sobretudo preto e largo onde só via de sua canela para baixo.
Mas quando se voltou para ela, ele sorriu amistoso e saudativo.
– yo.
– yo...
– desculpe aparecer assim, você trouxe?
Touka tentou ignorar a pontada em seu orgulho, embora tivesse trazido o envelope já esperando isso, um lugarzinho oculto em sua mente queria que ele estivesse ali por mais que isso, que fosse por ela.
Sacudiu a cabeça dispersando isso e quando viu que ele a fitava surpreso, e meio confuso, tirou o envelope do bolso e lhe estendeu.
– aí.
– ah – Yato o pegou e encarou – até que enfim.
– isso significa que chegou a hora de abri-lo? Você veio até aqui...
– um monte de coisas me trouxeram até aqui, mas tenho que ir logo.
– espera, não vai... abrir? – ele não pode deixar de sorrir, e ela se encolheu no casaco, constrangida, havia passado quase dois meses batendo na própria cabeça que aquilo não tinha nada haver com ela e que só estava fazendo um favor.
– acredite, o que tem aqui, logo um monte de gente vai saber, e você também – Yato afirmou.
– então é perigoso? – ele soltou uma breve risada que fez vapor emanar de sua boca quando se aproximou.
– isso é perigoso faz um tempo.
Ela simplesmente não entendeu do que, exatamente, ele falava, por que ele estava ali, próximo o bastante para envolver seu queixo com os dedos gelados de forma delicada.
– obrigado.
– eu-eu... não foi nada, mas eu realmente... quis abrir...
– obrigado por isso também, eu tenho que ir, certo?
– certo...- Touka o encarou ainda incerta, seja a noite ou a lua, mas o olhar ele tinha brilho próprio, prata num olho, sangue no outro, intimidante e hipnotizante, sentiu-o deslizar os dedos frios por sua maçã esquerda e empurrar a franja que sempre escondia tal olho, para trás da orelha, o toque gelado lá, a fez se encolher com um arrepio e seus dedos se apertaram dentro dos bolsos.
Uma baixa risada, que parecia comtemplativa soou dele, perto demais para que a jovem pudesse pensar racionalmente, e apenas apertou os olhos, tentando matar dentro de si o monstro da expectativa.
Yato, suspirou e olhou em volta, e então para seu rosto alvo e rubro, seja por ele ou pela friagem, de todo jeito, se demorar por ali, não era adequado, a esta hora.
A ideia de ser apenas galante era tentadora, mas não vencia seu senso de cavalheirismo, pelo menos por enquanto.
– está frio, não quero que passe mau, então – a ousadia conseguiu dar um ultimo golpe e ele pousou um beijo na testa dela – vá pra dentro, certo?
Touka abriu os olhos e a forma como o encarou fez valer a pena o fim do que ele começara ainda que não intencionamente.
– eh?
– nos vemos em breve certo? Agora volte pra dentro, aqui não é seguro.
– ora seu...
– jaa – foi tudo o que ele disse antes de desaparecer como um expectro na noite. A jovem olhou em volta protestando e xingando constrangida por tudo o que ele a levou a pensar e principalmente, a sentir.
E embora mesmo muito zangada, ela não conseguira dormir sem já perdoa-lo, por ter vindo até ali, e por ter lhe despertado uma sensação tão natural, uma ansiedade boba e juvenil. Um ânimo, mas também uma agonia.
Ela não estava preparada para ve-lo tão cedo.
Queria-o, mas não estava preparada.
Desta vez o até breve dele poderia durar mais de seis meses, por que ela não queria corar daquele jeito em sua presença de novo!
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– ah, roncando nesta idade? – Sakura murmurou enquanto se curvava e mexia no corpo do ressonante a barulhento de Yukine, ele estava em má posição o que rescultou no roncado, ajeitou-o e ele voltou a dormir encolhido como um gatinho no frio, cobriu-o bem e beijou o cabelo bagunçado, se levantou e encarou a cama de cima, na beliche onde seu outro tesourinho ressonava calmamente.
O pijama dele era uma calça e yukata escuros de seda, as madeixas estavam espalhadas no travesseiro e quem diria, estava descoberto, ele com toda certeza se incomodara com o barulho do irmão, e se remexera no sono, estava todo espalhado, apenas uma perna coberta, um braço acima da cabeça e outro sobre o estomago. Sua face alva, as bochechas coradas a fizeram se remoer de vontade de leva-lo para dormir consigo, ou subir ali e deitar com ele. Mas se segurou pra não ser tão grudenta e o ajeitou cobrindo-o também e beijando seu rosto.
– boa noite, meus bebês. – ela apanhou a xicara de café fumegante e saiu do aposento deixando apenas a luz que ficava na parede acima da cama de Sesshoumaru acesa, o pequeno as vezes acordava e vinha para a cama dela e Sakura temia que ele caísse no escuro, e não incomodava Yukine que ficava abaixo e tinha seu escurinho preservado. O gato detestava dormir com luzes acesas.
Ao sair no corredor seguir para a cozinha ela se virou e deparou-se com a luz de seu escritório acesa, seguiu para lá consciente de que não deixara assim e entrou.
Deparando como seu outro tesouro ali, sentado na cadeira de visitas. Ele tinha o olhar perdido mas bastante sombrio, enquanto estralava um dedo e outro.
– Yato...?
O rapaz ergueu a vista e a fitou não parecendo realmente surpreendido, e apenas sorriu.
– okaa-san?
– meu amor, o que faz aqui? – ele riu um pouco e encarou sua xicara.
– café há essa hora, senhora?
– não me responda com outra pergunta, rapaz – ela ordenou, deixando a xicara na mesa aparador ao lado da porta e indo se sentar na cadeira em frente ele.
Os dois conversaram por longos minutos, mas ele reparou que a mãe tivera um dia cheio, e resolveu deixar o resto para o dia seguinte.
– preciso de uma cama, e a senhora também – Sakura assentiu, não conseguindo segurar um bocejo.
– verdade, e ainda aviso que, perdeu sua cama, temporariamente.
– huh? Que cruel!
– quer dormir comigo?
– primeiro, vejamos a situação.
Ele seguiu com ela para o quarto com os irmãos e até não se importaria de surbir de fininho e deitar ao lado do mais novo, melhor do que arriscar ser espancado pelo irmão do meio. Mas Sakura teimou e teimou e o fez ir dormir com ela.
Mas mesmo apreciando relembrar a infância em que invadia a cama repleta do cheiro confortável dela, ele dormiu sentindo que não acordaria bem ou mesmo acordaria, se seus ciumentos irmãos o pegassem roubando a mãe deles só pra si.
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