Talvez - EM HIATUS
47 Capitulo. 43
Notas iniciais

“...e você vai levar um filho meu, e um anel meu, meu nome, e todo o peso dele, vai se tornar princesa, senhora, e mais uma vez, e como merece que seja, será mãe...”
Sakura inspirou profundamente.
O cheiro de balsamos de banhos embriagava sua mente tal como as lembranças, fazia-a se sentir bêbada e alegre, ainda que um tanto melódica também. Deitou a cabeça na beira da banheira, os braços estendidos pela extremidade lisa, os dedos roçando a haste de uma taça de vinho.
A água preenchida de espuma e pétalas de flores parecia um manto quente e acolhedor ante o rigoroso inverno que se instalara fora daquelas paredes.
Além do sono criado pela bebida, pelo relaxamento, calor, e as inseguranças e carinhos que as lembranças traziam.
Ela estava num dilema, um que poderia trazer problemas para dentro e para muito além dos muros que a cercavam.
Ela tinha um fardo, uma obrigação.
Mas não fazia ideia de como prosseguir carregando-o agora.
Estava sozinha, afinal.
Sem ele, aquele fardo sempre pareceria ser inútil, se tornara tudo aquilo por ele, para estar ao lado dele, e principalmente, por que era seu direito.
Como sua amada, por ele ser seu amante.
Mas ele não estava lá novamente, e os véus negros dele não poderiam mais protege-la.
Como a muito anos não se sentia, Sakura percebeu que, estava com medo.
Medo de ficar sozinha, medo de encarar o mundo sem a mão grande um homem para guia-la.
Não, estava com medo de encarar o mundo, como uma mulher, apenas.
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Konoha amanhecera de maneira tão enfadonha que Touka se sentia deprimida, ao extremo. Se fosse o tipo sensível, estaria chorando.
Mas não, ela era uma Uchiha, e o único que já vira chorar fora sua mãe, Ino.
Vontade porém, não faltou, se despedir de Yuri e de todas as pessoas que conhecera e se apegara tão assustadoramente rápido fora algo tremendamente duro para ela, não sabia se por que aquela gente a fez se sentir tão bem vinda como nunca se sentira fora das paredes de seu lar, ou se além do apego havia também preocupação. Ela não queria vir agora, não enquanto o distrito Yumi estava em situação tão frágil, adultos nervosos e ariscos, crianças assustadas, idosos deprimidos, e pior, jovens irados.
A revolta do herdeiro Yumi ascendeu um archote perigoso entre os da idade dele, antes eram só os rapazes e isso era compreensivo, naquele meio tempo, Touka observara muito dos costumes singulares do clã e também da aldeia, mas principalmente, seus trejeitos naturais.
Yumis eram naturalmente alegres.
Yumis eram naturalmente receptivos.
Yumis eram naturalmente bonitos e charmosos.
Yumis eram tudo isso, quando em seu melhor humor.
Fora deste estado de espirito...
Yumis eram ariscos.
Yumis eram gatos astutos e desconfiados.
Yumis eram extremamente instáveis.
Yumis eram sanguinários e cruéis.
Yumis eram criaturas cheias de fome, seja de carne, seja de vingança.
E esta natureza, não sendo resumida apenas ao gênero masculino, logo inflamou nas jovens damas do clã, e então o distrito tinha um verdadeiro exercito de feras, armas e Ghouls novos e loucos pra quebrar os ossos de alguém.
Com um suspiro pesado, ela lançou um olhar para a mesinha de leitura ao pé da janela, e encarou o envelope simples que deixara sobre ela.
Um mistério permanecia, uma angustia e uma agonia que a estava deixando ainda mais inquieta.
Yato, numa troca de olhares simples, deixou claro que não tinha pressa em ter de volta aquele envelope, mesmo que se significasse que ele iria para longe de suas mãos.
Achou que ele estava blefando, mas lá estava ela em seu sóbrio quarto em Konoha, encarando o maldito objeto. Queria ter coragem de ir contra a extrema confiança dele e abrir aquela porcaria, mas outro lado seu estava muito confortável em ter esta confiança, e nem um pouco afim de perde-la.
Havia tanta coisa acontecendo, a volta do estranho mas estonteante menino que era irmão dele. O garoto era tão bonito que causava inveja e amor incondicional entre as garotas, assustador como elas conseguiam sentir as duas coisas ao mesmo tempo... Já Touka, quando lembrava dele, só sentia seus olhos verdes penetrantes e neutros, com um sutil ar superior e muito maduro, e principalmente...aquelas bochechas.
Aquelas bochechas macias e branquinhas que lembravam algodão doce ou melhor, Marshmelow.
Ela as apertou uma vez em provocação, e fora ela a castigada, por que ficava louca para aperta-las novamente, sentir a textura e tentar tirar aquela cara séria e metida que o tampinha tinha.
Haviam ainda, as questões familiares e politicas que a volta daquela criança envolvia e que só de tentar entender ela sentia a cabeça dar nós.
As vezes almejava ser uma ninja simples e ficar fora destas questões “problemáticas” como Akira sempre intitulava, mas se via bem ciente que isso era impossível mesmo se quisesse. O clã Uchiha teve grande influencia na vila desde seus primórdios e agora após o fim de seu declínio, seu pai e futuramente ela, estariam tomando algumas das velhas rédeas sobre a politica da vila e até do país.
Suaves batidas interromperam seus devaneios e soube que era sua mãe, Ino adentrou o quarto com um sorriso adoravelmente confortável.
– dormiu bem?
– como uma pedra.
– Você chegou bem cansada mesmo, e tão cabisbaixa, pensei que a missão tivesse saído bem apesar de tudo.
– e saiu, eu só... não acho que foi uma boa hora.
– hum? – Ino indagou, sentando-se na cadeira enquanto Touka rolava na cama e encarava o teto. – acha que poderia ter feito mais? Querida você fez muito, ajudou até uma mocinha a sobreviver ao ataque, seu pai estar orgulhoso.
– é...
A Matriarca Uchiha inclinou a cabeça fitando a moça, geralmente apenas mencionar o quão orgulhoso Sasuke era dela e de Itachi fazia a garota soltar um breve mas encantador sorriso à moda do pai, mas desta vez, Touka continuou encarando o nada pensativa, os olhos negros parecendo repassar detalhes e mais detalhes.
– algo te incomoda? Teme que vão atacar o distrito outra vez? Seu pai disse que o Diamante tornou-se uma fortaleza ao saírem, Suna também está ajudando com a segurança e o distrito Yumi está seguro também.
–está, pelo menos do que vem de fora.
Era o que vinha de dentro que ela temia, do interior deles, aquela sede de sangue e de vingança, aquela raiva sem medidas, aquela fúria incansável que via nos olhares mais doces de Yuri, mesmo quando ela dizia que tudo ia ficar bem, mesmo quando o distrito pareceu voltar a normalidade e quase todos foram para suas casas, quando a senhora Yumi voltou a sorrir e suas roupas agora coloridas enchiam os olhos de todos de alegria e conforto.
Ela até voltou a ser a mesma mulher bonitona e durona quando castigou Yato pela tatuagem. Aquelas paredes pareceram tremer quando gritou com ele, e ainda mais quando Yuzuru e Ren tentaram amenizar e acabaram caindo na discussão, ao que parecia, eles também tinha tatuagens mesmo não tão grandes e em lugares que Touka preferia não imaginar. Foram chamados de maus exemplos e se revoltaram.
No fim, Sakura Yumi fez algo que os deixou sem comer por três dias, e Yato teve que trabalhar na reconstrução das casas e dos muros, na limpeza do distrito, em pleno inverno, apenas de calça.
Sem camisa, ou mesmo sapatos, Sakura disse que se ele queria exibir a tatuagem iria, e aquela centopeia que marcava a pele do herdeiro pode ser vista por qualquer um que fosse assistir os trabalhos.
E realmente pareceu uma exibição, acalmou bastante as meninas do clã e até as mais velhas que adoraram ficar nas janelas de suas casas assistindo o idiota carregar pesados blocos de pedras, madeira e carrinhos com neve. Músculos longos e discretos trabalhando numa harmonia polida, suor porejando mesmo com o ambiente abaixo de zero, e o mais surpreendente, a forma como ele suportou tudo perfeitamente.
Sakura praticamente o expulsara de casa.
O tirava da cama antes do raiar do dia, e o fazia tomar café da manhã e almoço lá fora mesmo, ele só voltava para o calor da mansão pela noite, e comia rápido para dormir cedo, ou desmaiar cedo.
As tias dele foram em sua defesa mas quando a matriarca ameaçou pô-las pra trabalhar como ele, arredaram e deram apenas “apoio moral”.
Na perspectiva de Touka, apesar de bem cruel, fora engraçado, e principalmente merecido. Se ela fizesse uma tatuagem, seu pai a prenderia no porão e a casaria o mais rápido possível.
Tatuagens não eram muito bem vistas pela sociedade, se não fossem símbolo de algum órgão militar, como a ANBU. Tatuagens eram marcas, como identidades.
Diziam que você era algo, e aquele bicho assustador nas costas de Yato já o classificava, no mínimo, como um delinquente, ainda mais com a posição social que ele tinha, deveria ser um herdeiro exemplar.
Sobre o porque a resposta de Yato fora provavelmente o que mais motivou a tortura de sua mãe.
“ eu apenas quis oras, sempre foi assim, tudo como eu sempre quis”
Tsc, ele se intitulou um mimado! E Sakura como aquela que o mimou! Estava pedindo uma sova!
Maldito louco.
– humpf, espero que vire um cubo de gelo...- ela murmurou sombriamente.
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Ainda que estivesse congelando, Yato não achou que o arrepio que sentira agora fora por causa do frio extremo, talvez estivesse apenas delirando, também nem sentia os pés direito.
Tanto que poderia estar fazendo, mas estava colando blocos de pedras uns nos outros, um jogo entediante de quebra cabeça, visto que não havia dificuldade em encaixar as peças, eram todas iguais.
– hey, não durma em serviço quer virar um cubo de gelo? – alertou um tio, com uma pontada de aviso e de humor. Yato concordou e viu que essa ideia realmente lhe arrepiava, segurou o bloco e o ergueu até alcançar a pequena parede que aos poucos iam fazendo.
Os blocos eram pesados, resistentes ao frio do inverno e a ataques muito mais do que madeira de construções comuns.
O estrago que havia com certeza teria sido o triplo se o distrito fosse de casas comuns, e mais gente teria se machucado.
– quando Oohime pretende parar de maltrata-lo? – disse outro tio, pra ele eram todos tios, tias, irmãos e irmãs, primos, amigos, talvez nem houvesse diferença, eram apenas seu sangue. Precisavam dele.
– quem sabe, ela está muito ocupada mimando Sesshoumaru, e agora Yukine.
–hehe, acostume-se, o mais velho sempre sobra um pouco.
Embora ele sentisse certo ciúmes, e ate mesmo injustiçado por estar ali no frio enquanto seus irmãos partilhavam boas horas de calor materno, e guloseimas, Yato admitia já não ser mais extremamente apegado a sua mãe, adoraria e ainda almejava te-la morando perto dele, sempre sobre seu cuidado.
Mas aquela velha sensação de necessidade de estar sob as asas dela, estava passando.
Ele sabia que não estava pronto, mas se sentia seguro para enfrentar o mundo. E acabou fazendo sua mãe perceber isso de uma forma bem ruim.
Não importava se seus tios, o pai, e até mesmo o avô tinham uma, Sakura entendeu que ele a fez porque se sentia dono de si mesmo o bastante para desejar e se marcar permanentemente por conta própria.
Até por que, como ela dizia “ eu não te pus no mundo, mas só eu posso te tirar dele, ô garoto!”. Deixava bem claro o quanto ela ainda e sempre se sentiria dona o bastante dele.
O bastante para abrir suas asas, e para corta-las.
Ele deu um pequeno voo sem sua permissão e traçou uma rota que ela jamais esperaria que ele traçasse mesmo sem lhe consultar, e ela, o pôs fora do ninho pra sentir que a liberdade não era algo sempre quentinho e aconchegante.
“mulher infernal”. Ele se recordava bem da voz do pai dizendo isso. E que ela nunca sonhasse com isso, mas Yato, pelo menos agora, concordava.
Sakura Haruno, Yumi, o que o fosse, era o diabo na terra quando queria, e era algo que ele estava descobrindo na medida em que provava mais e mais o elixir da vida adulta.
Como era bom ter apenas oito anos, achar graça do inferno que ela fazia da vida do pai e dos tios dele, agora ela infernizava ele.
Se tinha uma coisa da qual ele se arrependia muito, era de uma vez ter dito, com direito a bochechas infladas e ar emburrado, que não via a hora de se tornar adulto. Podia não ter adiantado, mas ele sofreria menos e se depreciaria menos se nunca tivesse desejado crescer.
–hah, olha pra ele, parece um burro de carga. – Yato apertou os olhos e soltou o bloco com suavidade tentando não se apegar a imagem ( muito prazerosa, por sinal) de esmagar seu irmão do meio com ela.
Amava Yukine, muito mesmo, mas ele sabia cumprir perfeitamente o papel de irmão mais novo irritante quando queria.
Forçou um sorriso e se voltou para ele, encarando o moleque, ele tinha os braços cruzados e o fitava com desdém e de nariz empinado, e nesse momento ele reparou, que se Yukine fosse uma menina, seria uma segunda Sakura.
Mesmo sem semelhanças físicas, ele tinha o mesmo ar altivo da mãe, desafiador e pavio curto dela. Morar apenas com ela devia estar intensificando mais ainda a semelhança gestual e comportamental deles.
Depois da morte do pai eles não tiveram um outro para se espelharem, mas Yato não dispensou assistir e mirar-se um pouco nas melhores qualidades de seus tios e mestres, enquanto Yukine, fora quem sempre tentara ser exatamente como o pai deles, o venerava e sofreu muito mais tanto pela idade, tanto por ter sido o primeiro membro da nova família que perdera, tanto por adorar o pai deles.
Yukine se fechou para os adultos por bastante tempo e só quem ele admirou e seguiu a partir de então foi sua mãe. Por muito tempo Yato quis preencher esse vazio, ser o herói dele, ainda queria, mas não forçava, ele olhava dentro de si e se perdia naquele novo eu, alguém que não desejava que ninguém se tornasse, muito menos seu amado otouto.
Agora só torcia para que Sesshoumaru não se tornasse tão pentelho quando o mais velho ou ele ficaria louco.
– o que você quer? Veio ajudar? Por que não pega na massa um pouquinho também?
– heh? Não obrigado!
– tudo bem, sei que não dá conta – ele deu de ombros serenamente e fingiu não notar o olhar assassino e indignado do mais novo, mas ele estava ficando mais astuto também, noutra época ele teria arrancando a roupa quentinha e ido se matar de trabalhar ao lado de Yato só pra provar sua força, mas desta vez, não se deixou levar, pelo menos de primeira, e apenas se sentou num bloco quebrado e inútil, com os braços cruzados apenas observou trabalho dos outros.
– você gosta dele? — perguntou enfim, quando estavam meio que sozinhos o bastante, Yato continuou cavando a neve ao redor para limpar o terreno onde uma nova parede seria erguida.
– é o nosso irmão, ele lembra o pai e a mãe, pra mim é meio impossível não gostar dele, mas entendo que ache estranho, está com ciúmes também?
Yukine bufou ofendido, embora o rubor em sua face denunciasse que ele estava sim meio enciumado, sua mãe não parava de cercar o caçula de carinhos, tal como todo o resto, Sesshoumaru parecia realmente o bebê recém chegado à família, veio gente, antigos amigos da família, de longe pra conhece-lo, quando o exame confirmou que ele era tão herdeiro quanto Yato, e filho de sangue da mãe deles.
– não, e só... ele é meio estranho...
– hah, verdade, mas nós Yumis, estamos longe de sermos caras normais não? – o mais novo encolheu um pouco os ombros, concordando e agora se sentindo um pouco mau em estranhar o mais novo.
No fundo, sentia uma familiaridade com ele que o assustava tão forte era, por que não gostava da ideia de gostar de alguém tão facilmente, as pessoas iam e vinham de forma brusca, eram postas e tiradas de maneiras as vezes dolorosas. O garoto, se recusava a ter um laço tão forte, tão rápido, com alguém que mau conhecia.
Mas eles tinham, Yukine só estava desacostumado a não ser mais o caçula da família, mesmo que o coração da mãe deles ainda guardasse o espaço de Sesshoumaru com fervor, muito do carinho e proteção foi passada a Yukine, tendo sido o mais novo e vivo, dentre eles.
Ele estava sendo tirado do posto de queridinho da mamãe, e Yato quis zombar dele com isso, mas preferiu focar em amenizar sentimento de arreísmo que o garoto tinha para com o caçula.
Uma criança singular, mas uma criança que precisava de todo afeto e conforto.
– acho que sim – o filho do meio concluiu.
– eu gosto dele, ele não tem problemas em me chamar de anii-sama – Yato empregou todo o tom de alegria que podia, Yukie bufou virando a cara.
– grande coisa! Ele também me chama assim!
– é? Mas aposto que gosta mais de mim.
– nem pensar! Ele te acha idiota!
– huh?
– ele perguntou pra okaa-san por que você estava aqui, e ela disse que porque você tentou mandar no próprio nariz quando ela era quem mandava, então ele concluiu que você é idiota.
– huh?!
– ele vê okaa-san com muita autoridade...
– ah cara, só espero que ele não vire inspetor dela.
– se já não virou...
– ele é bem hábil em pique esconde, pode estar te observando em qualquer lugar...
– verdade...- os dois lançaram olhares desconfiados a volta, mas lembraram que o mais novo jamais deixaria o calor do lar para ir lá fora, sua mãe não permitiria.
Yato suspirou e voltou ao trabalho.
– mas aposto que ele ainda me prefere, afinal, sou mais forte e resistente.
– huh? Seu magrela, eu vou te mostrar o forte! – revoltou-se o mais novo arrancando o casaco e largando na neve, Yato por um momento quis voar na peça e se encolher com ela em volta de si, mas seria tolice, a senhora Yumi viria e atearia fogo na roupa com ele dentro.
– você é que tá magrela – provocou, Yukine lançou lhe uma bola de neve e os dois se puseram a trabalhar com rapidez, no fim apenas se cansariam mais. Mas era insignificante, perto de poder desfrutar de alguns momentos de fraternidade após tanto tempo sem contato.
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A neve estava praticamente fora da paisagem agora, tufos de grama verde e vivaz emergiam do solo em todas as partes e as arvores recuperam o vigor aos poucos.
Mas e daí?
Sasuke girou na cadeira, inquieto e irritado. O silencio do telefone, as secretária, até mesmo da janela, já o estava tirando do sério.
E encarar aquela mulher, sentada a sua frente com ar superior e desafiante não estava ajudando.
– o que você quer, Asana? – indagou, cansando de encara-la, embora ela parecesse disposta a faze-lo o dia todo.
Ela sempre estaria disposta, e a falta de interesse dele nisso era o que indignava e irritava.
A bela kunoichi de elite à sua frente fora um dos muitos erros que ele cometera no passado.
Outro ventre qualquer.
Outra tentativa tola e desesperada.
Ele se aproveitara da proximidade que o trabalho dos dois na ANBU trouxera na época, mas tratara de encerrar o caso, tanto por que estava sem paciência de esperar que ela engravidasse, quanto por que ela realmente achara que ele se separaria da esposa para ficar com ela.
Talvez o fizesse, como fez com Ino, mas não por corresponde-la minimamente.
Asana tinha uma personalidade detestável em sua opinião, voluntariosa e exigente, cobrando direito que julgava ter, e pior, chantagista.
Ela chegara a o chantagear para que se separasse de Sakura, e foi o mais perto que ele chegou de acordar daquela obsessão. Mas tanto ela quanto ele tinham algo a perder, principalmente ela.
O mundo ninja poderia ter mudado muito, mas ainda existia uma influencia masculina e patriarcal muito grande nele.
Asana seria vista como uma completa promiscua no trabalho, quando ele lembrou-a disso, ela se viu obrigada a desistir.
Mas não de continuar a azucrina-lo sempre que tinha oportunidade, ela era uma ótima ninja sensor e também boa caçadora de nukenins excelente do esquadrão especial de Oinin.
Por esse motivo estava sempre fora, e ele poucas vezes a vira no desenrolar dos anos, memso que ela achasse que a temesse por questão de escândalos ou mesmo de desejos, ele apenas evitava bater cabeça com ela.
Diziam que uma mulher rejeitada era um monstro, ela chegava bem perto.
Só esquecia que Sasuke era um monstro muito pior quando atiçado.
Se havia uma coisa que ele até admirava nela, era sua plena convicção de que era a mais adequada para ser sua matriz Uchiha, sua esposa.
Uma ninja forte, focada, de sangue comum e por isso passível de florescer o sharingan.
Ele não podia negar que ela tinha razão. Mas Asana poderia ser a barriga de aluguel perfeita, mas não a mãe que ele queria para seus filhos.
A dureza que ela considerava um ponto a favor, não era algo que ele queria dar aos filhos, se um pai rígido era difícil de lidar, imagine dois. Ele sabia, seu pai fora um homem rígido, e sua mãe doce.
E eles se completavam.
Agora ele via.
Talvez por isso permitisse que Ino fosse mole com as crianças e permitia a si mesmo fazer certos caprichos delas, quando Ino claramente não permitia, como comer bobagens antes das refeições.
Asana cruzou as torneadas e douradas pernas na cadeira, a saia curta não fez qualquer efeito nele. Não sentia a mínima ânsia de baixar o olhar dos dela e encara-la sem paciência, o que a deixou temporariamente desarmada e ofendida.
– vim por ordem do nanadaime – ela disse, sua voz era rouca e afiada, embora ainda tremulasse de raiva contida. Ou talvez desejo, ele não se importava, de todo modo. – ele quer que que volte e permaneça na vila por um tempo.
– quanto tempo?
– isso vai ter que discutir com ele – ela deu de ombros, Sasuke também e se recostou na cadeira, pensativo.
– hn, entendo, entregue seus últimos relatórios, eu vou me reunir com Naruto, e saber o que ele está inventando. – comentou com descaso, encarando a janela, o vento ainda era frio mas estava atento ao esverdear das arvores.
– você lembra? – Asana proferiu, com você rouca, Sasuke afitou com uma orelha no alto, e a viu morder os lábios cor de salmão, cheios e redondos.
– do que? – a mulher pareceu se contorcer, segurando os braços da cadeira.
– de quando fizemos amor aqui? Nesta sala?
Sasuke deixou a cabeça cair totalmente emburrado.
Desde que voltara de Daiyamondogakure ( Vila oculta do Diamante) seu humor estava uma droga, faziam quase quinze dias, e a cada hora passada mais certeza ele tinha, que talvez Sakura não retornasse mais.
Ela não podia, era seu dever ficar, era mãe de um herdeiro, viúva de um governante, e o clã ao qual comandava estava sob ameaça.
Ela tinha um deve com Konoha como o pilar da saúde da vila, mas quem questionaria se deixasse o cargo?
Somente aqueles interessados apenas no querer absoluto da vila, mas sendo Naruto maior boca, ele nunca a forçaria a voltar, e quando soube que Yukine fora levado para o Diamante, essa certeza tornou-se ainda mais concreta para o Uchiha.
– não estou com o minimo saco para você agora, Asano, se já terminou, pode se retirar.
– Sasuke, até quando vai continuar com isso...
– está pergunta quem deveria fazer sou eu, toda vez é assim, já disse, você não me serve de nada, teve sua chance, para de me atazanar e vá procurar seu serviço.
– chance? Como pode chamar algumas noites de chance?! Chance quem teve foi aquela...
– damare. – ele cortou, duro e sombrio, ela limpou a garganta, mas não desistiu.
– claro, me pergunto como tem sido a relação de vocês, uma verdadeira guerra, não? – sibilou venenosa – ouvi alguns rumores...
– rumores, apenas, você ficaria impressionada com a verdade, agora se já terminou. – sem dar-lhe tempo de um rebate, ele girou na cadeira e encarou a janela. Logo a mulher se retirou, pisando duro, e ao sair ainda provocando a secretária com quem também não as dava bem.
Sasuke revirou os olhos cansando de tanta mulher brotando a sua volta, e a única estar a quilomentros, enchendo de amor e devoção, um filho que poderia ter sido dele.
Com um suspiro, resolveu voltar-se para a mesa e descobrir o que Naruto estava aprontando, trazendo mais aquele fardo irritante para sua vida outra vez.
Naruto sabia de alguns casos dele, Sasuke comentara numa bebedeira ou outra, e Asana foi revelada apenas por precaução, afinal, ela tentara chantageá-lo.
Se ela soubesse o quão pendurada sua cabeça estava, estaria com a cauda entre as pernas.
Pegou o telefone e logo estava ouvindo a voz chata do Hokage do outro lado.
– falta, bastardoooo.- Naruto cantarolou.
– pare de bancar o maricas e me diga por que recolheu Asana Chieko do campo, aliás, ela e mais outros três ninjas.- ele observou, encarando mais alguns documentos.
– ah, apenas decidi que com uma maldita organização de comedores compulsivos de carne humana à solta, eu deveria cuidar para ter bons rastreadores, caso eles tentem sequestrar alguém da gente.
O Uchiha arqueou a sobrancelha muito surpreso, mas não se permitiu aceitar que fora ideia de Naruto.
–Shikamaru quem deu a ideia? – ouvi Naruto xingar baixinho, e sorriu mordazmente. – sabia....
– foi uma decisão em conjunto! E de todo modo, o que tem?! Ele é meu conselheiro afinal!
Sasuke ignorou sua lamuria.
– que seja, quando vamos nos reunir pra decidir como re encaixa-los? São ninjas acostumados a ficarem fora da vila, pode e vai ser desconfortável pra que se adaptem.
– não tanto, vou manda-los em missões conjuntas de reconhecimento de caça.
– conjunto? Com quem?
– Diamante – Sasuke segurou o ar por um momento, a tentação de indagar aferroando lhe a garganta.
– para? – disse.
– como toda organização, Aogiri Tree tem e precisa de contatos, Yuzuru me passou uma lista de alguns nukenins que podem estar ajudando eles em algumas de suas operações, por isso quero os caçadores aqui, e fora, em buscas.
– entendo.
– Sasuke...
– hn?
– olhe pra sua janela.
– para?
Por que tenho quase certeza que você vai receber o que estou recebendo agora.
Sasuke girou na cadeira, e viu a ave mensageira vindo na sua direção, o animal pousou no peitoril da janela.
– Diamante?
– sim, — Naruto disse, pelo som ao fundo ele concluiu que o dobe já revirava a mensagem de cabo a rabo. E fez o mesmo, se não fosse treinada a ave teria fugido dele, mas se contentou em grasnar loucamente enquanto ele a agarrava pelos pés como a uma galinha e puxava o pequeno pergaminho preso numa delas.
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Uma diligência portando um nobre da aldeia estava a caminho, e Yuzuru exigira o máximo de atenção a ele.
Sasuke sabia que sua atenção não era necessária, mas lá estava ele, para recepeciona-la junto a um esquadrão inteiro de jounin, e de ANBUs a volta. bem, nenhum civil ou jounin saberia que era ele, portava uma mascara afinal, apenas sua equipe.
Mas ele não resistiu a possibilidade de ter, pessoalmente, qualquer noticia da Oohime do clã da Kagune, não sabia sequer se era um membro do clã, poderia ate ser um Hasegawa, mas ele queria estar ali.
A carruagem era cara, elegante, mas não portava símbolos nem de uma família nem de um clã, apenas o da aldeia em si.
Isso o desanimou, mas sabia que também era uma tática, pra que nenhum ladrão ou nukenin achasse que era alguém de uma família muito nobre e rica.
Aquela carruagem poderia servir a qualquer comerciante rico da aldeia.
Porém usando o sharingan ele percebeu um numero considerável de ninja seguindo junto a carruagem. E não gostou.
Caminhou ao encontro do veiculo obrigando os que o seguiam a fazer o mesmo e paro fora dos muros de Konoha, e assim a carruagem também teve de parar.
Ninjas pousaram sobre e ao redor da carruagem.
Uma longa troca de olhares ocorreu por baixo da mascaras, até que a porta se abrisse de uma vez.
– se-senhora! – precipitou-se um deles para lá, mas parou quando o leque vermelho e fechado foi-lhe apontado, e então se abaixou em reverencia. O leque sumiu para dentro.
E então, uma serpente de seda e linho lilases saiu da carruagem dançando pelo ar ainda frio. Era apenas um genjutso, mas Sasuke se viu deliciando-se com o disfarce após reconhecer o chakra que o gerava.
Os panos ondularam pelo ar entre os ninja e deram a volta parando em frente o veiculo, se unindo e se embolando até tomar a formosa forma feminina, dela.
Seus olhos verdes delineados em um tom vermelho delicado piscaram bem humorado, talvez até sapecas com o resto do rosto escondido atrás do leque aberto, que do lado branco mostrava o símbolo do clã Yumi. Porém, ele só conseguiu atentar ao jocoso arrepio que sentiu quando ela o fitara de maneira tão agradável. Seria talvez, ousar muito, achar que ela gostara de vê-lo?
Mas nem deveria, afinal, ela não sabia que era ele.
– ora, ora, mas que recepção agradável.
Sakura fechou o leque, e baixou a mão, e então as longas camadas de mangas de seus trajes nobres cobriram as mãos.
Ela usava um modelo digno de uma jovem dama, mais leve que o Junie Hitoe e mais prático também, considerando que a parte de baixo consistia em uma calça hakama vermelha como as das mikos um sobretudos em cores lilases e roxas, e por cima arrematando um robe longo com bordados de flores sobre o tecido branco.
O cabelo longo e perfeitamente escovado e um arranjo floral com pedras preciosas na cabeça.
Ah, ela parecia uma princesa, o tipo que qualquer mau caráter gostaria de roubar um pouquinho.
E daí? Ele também era. O pior de todos.
Sakura deu um passo em sua direção, os olhos estreitos o fizeram desconfiado também, ela parou ao seu lado, e encarou a entrada da vila.
–oh a primavera está em casa, de novo.
– devemos, escolta-la até ao Hokage, O...Oohime...? – um dos ninjas dele proferiu, incerto, de como deveria chama-la, talvez pelas roupas nobres e com cores, talvez embasbacado com sua beleza. Que fosse a segunda opção, para sua sorte.
Sasuke mau teve tempo de parar aquela mão que vinha em direção a sua mascara e quase a arrancara.
–argh, deixe de frescuras, sei que é você, Sasuke. – Sakura disse, com ar emburrado, ele a fez baixar a mão sentindo o calor de seu pulso delicado. Levou a outra para a mascara e tirou.
– Sakura.
– mascara de cão? Eu esperava uma ave – soou como uma provocação, e ele se permitiu rir um pouco, mesmo que ainda não acreditasse que estava diante dela.
– o que faz aqui?
– are, que pergunta idiota, está passando tempo demais com Naruto, outra vez?
– tsc, responda?
Ela ergueu o queixo maneira altiva e também dura.
– idiota, o que mais eu viria fazer aqui? Sou filha de Konoha, e sou capitã do corpo medico, esqueceu? Capitão.
– você...- a atenção dele foi capturada pela criatura em roupas tão nobres quanto as dela, embora também bordadas com flores, as cores entre camadas masculinizavam mais do que o rosto delgado e inexpressivo poderia fazer.
Sesshoumaru saltara da carruagem e correu para perto dela, abraçando suas pernas e encarando Sasuke com aqueles penetrantes e afiados olhos verdes de fera.
Sakura segurou a mão dele com firmeza e encarou o Uchiha.
– estou de volta, eu decidir, continuar aqui, e...-fitou o menino então Yukine que descia da carruagem com um ar de quem acabara de acordar, as roupas amassadas e se encolhendo dentro do casaco vermelho com o símbolo Haruno. – trouxe meus filhos também, os dois, a partir de agora.
Sasuke queria ter xingado muito, de verdade, por que a ideia de ter aquele menino perto dela lhe causava ciúmes. Mas, ela estava ali, e ele só pode oferecer-lhe a mão a adorar sentir o calor dos dedos dela, enquanto ele mesmo fazia questão de conduzi-la de volta à carruagem para que pudesse escolta-la até o hokage. Com um sorriso que demonstrava leveza e uma agradável recepção, tal como o dela que estava feliz em ter um companheiro e antigo amigo para recebe-la.
Oh, ele ainda tinha muito chão para caminhar neste tortuoso, desesperado e sujo caminho para retomar Sakura para si.
Mas caminhar e correr era algo que o ex nukenin estava bem acostumado.
–oh meu deus, Você voltou mesmo! – Hinata exclamava, mau fechando a boca, respirando por ela e com os olhos perolados cheios de lágrimas.
Sakura lançou lhe um olhar amoroso enquanto caminhava até ela e lhe estendia as mãos para um abraço, o robe deslizava suavemente atrás dela sobre as pedras que formavam a o caminho pela grama do jardim.
– querida...- abraçou-a com força apertando os olhos. – saudades?
– Kaimi sabe o quanto, não tente nos acostumar a não ter você aqui, nunca dará certo.
–oh, bom saber – ela riu, se afastando. – onde estão as crianças?
– Minato está na academia, e Kushina com o avô.
– oh que pena.
Hinata assentiu e se sentaram num banco ainda de mãos dadas.
– você está maravilhosa! Tão... linda.
–ora você também, Ojou-sama, mas acho que tenho um segredinho.
– oh? – Sakura sorriu de forma radiante e se virou um pouco estendo a mão para trás e veio chamando, foi quando um ninja veio caminhando com uma criança nos braços, ele parou ainda a alguns metros e pos o menino no chão e este correu para a mão dela. Sakura o abraçou e se voltou para a estática Hyuuga.- oh, Kami-sama...
– Hinata-Hime, apresento-lhe Sesshoumaru Yumi, segundo herdeiro do clã Yumi, meu neném.
–oh, Sakura, ele é... lindo.
O menino se afastou um pouco, apenas para se curvar numa reverencia perfeita polida.
– Ojou-sama.- Hinata junto as mãos tremulas e fitou o menino de forma tão emocionada como quando seus próprios filhos nasceram.
–o-olá, Sesshoumaru? É um belo nome, não sabe o quanto estou feliz em conhece-lo, querido, você é... tão perfeito.
– domo arigatou gozaimasu.
–oh, por favor sem tanta formalidade...
–ah, nem tente, ele não consegue evitar – Sakura resmungou dando um leve puxão na alva bochecha do menino.
– como foi a viajem? Gostou do que viu? – Hinata indagou ao menino que assentiu silenciosamente, abraçado a mãe.
– logo vai estar tudo verde, mas em casa ainda nevava – ele comentou.
– sim sim, e teremos um festival muito bonito, as crianças adoram, tem comida, brinquedos e apresentações.
– onde está seu marido? Fomos até a torre mas ele não se encontrava.
– eh? É estranho, se ele sabia que voces viriam, Sasuke-san não sabe?
Sakura olhou em volta, notando apenas os ANBU e jounins que garantiriam a segurança deles, Sasuke se separou dela ainda pouco, talvez já devesse ter voltado a central.
– creio que não, ele quis arrancar a cabeça do Naruto quando não o encontramos lá.
– entendo, eu também estava num compromisso, como vê – ela disse, indicando as próprias roupas, também de alto padrão, em cor laranja leve, e bordados dourados.
– está maravilhosa, coisas do clã, eu presumo.
– um nascimento!
– que lindo! Um bebê!
– sim, sim, e por falar em bebês, não sabe quem está gravida.
– oh?! Fofocas por favor – Sakura implorou – querido, pode ir explorar, certo? Mas nada de ficar longe demais, ou terão permissão de traze-lo pelas orelhinhas. – ele assentiu descendo de seu colo e começando a correr pelo jardim, o primeiro lugar em que parou foi na fonte olhou e tocou a água e logo desapareceu entre alguns arbustos.
– Sakura...ele é tão... nem sei o que dizer.
– eu também, sinto que não saberei tão cedo.
Hinata sorriu-lhe apertando seus dedos.
– ele está aqui, é isto que importa, tenho certeza que é uma criança maravilhosa.
– hum, tendo o pai que tem, não devo reclamar.
– não seja boba, vocês brigavam e discutiam tanto que me assustava, mas você era totalmente encantada por ele, e ele por você.
– sim para primeira, talvez para segunda, e com certeza para terceira — ela disse com nariz empinado, Hinata meneou a cabeça rindo. No fim, Sakura nunca admitiria quão apaixonada era por Yasuhiko Yumi, não em palavras apaixonadas a todo momento, mas em ações e em declarações tão diretas quanto o discurso.
– ele é tão polido e calmo, lembra o pai não?
– fato – Sakura suspirou – como se já não bastasse Yato estar cada vez mais igual, este aí já saiu exatamente a encomenda.
– não está com ciúmes está? Fiquei um pouco, por Kushina não sair tanto a mim...
Sakura deu de ombros.
– ele é exatamente como tem de ser, e hey, meus olhos não contam?
– oh, ficaram lindos nele.
– mais do que em mim?! – ofendeu-se ela.
– dão um charme muito atraente nele.
– só por que é menino – bufou.
– ora ele tem um ar tão refinado, quase delicado.
– ele é um garoto!
– ora eu sei, mas tenho certeza que quando crescer será muito másculo, se puxar ao pai...
– huh?! Você andava observando meu homem?!
– apenas o que qualquer um poderia, Sakura.
–humf, ele não aprecia grande coisa com aqueles óculos.
– deveriam ser a arma secreta dele, aposto que quando os tirou, você caiu, não? – Sakura corou escandalizada.
– vo-voce, está passando tempo demais com aquelas depravadas não?! – Hinata deu com os ombros bem humorada.
– só o de sempre, mas com tantos anos.
– que seja, quem está gravida hã?!
–oh, já ia esquecendo, é...
– Sakura! — as duas se viraram e deparam-se com Naruto se aproximando apressado, Sasuke vinha mais atrás seguido de uma ANBU e Kakashi.
– Naruto – sorriu ela, levantando-se abraçando o velho amigo, ele a segurou um pouco alto girando com ela e a pondo no lugar num abraço apertado.
– que bom que voltou, Sakura-chan! Não estávamos afim de deixa-la ir de todo jeito!
– não vão se livrar de mim, agora que voltei, como vai querido?
– muito melhor! Minha família está completa novamente, não ela aumentou de novo! – ele disse vibrante, e as duas riram. – onde ele está? Huh? Huh?
– oh ele foi explorar seu jardim, espero que não o tenham perdido, pois ele adora se enfiar em todo lugar e sair bisbilhotando tudo.
– suuuugooooi! Soube que ele é sua cara!
– um pouco. – disse Hinata, em tom brincalhão, e Sakura inflou as bochechas, emburrada, elas provavelmente já haviam discutido a semelhança do garoto com o pai. Sasuke imaginou. Olhou em volta e fez um sinal para alguns membros da equipe, para que encontrassem o menino logo, mesmo ali, não arriscariam a segurança dele.
Três deles se foram e logo voltaram trazendo Sesshoumaru pela mão, ele não parecia desgostar de ser tirado de seu lazer e nem mesmo intimidado pelos adultos mascarados e silenciosos, parecia até curioso sobre suas identidades, trazia na mão vaga um galho com um girassol provavelmente da pequena estufa que Hinata tinha, onde as cultivava a para tê-las o ano inteiro, pois sempre as levava ao tumulo do primo, Neji Hyuuga.
Naruto tinha os olhos brilhando de encarando o menino.
O ANBU soltou o garoto e se afastou pondo-se abaixado, Sesshoumaru o fitava ainda, e parecia muito afim de puxar a mascara.
– já conversamos sobre isso... – Sakura comentou, quase num cantarolar, que a criança entendeu e voltou-se para frente.
– hehe eu também tinha essa curiosidade – Naruto disse – vem cá! – pegou-o no colo quase bruscamente e apertou – ah cara, como você é perfeito! Como eu queria te conhecer cara!
Ele ia mesmo chorar? Puta merda...
– okaa-san...- a criança proferiu baixo.
– hum?
– apertado...
– oh? Naruto! Vai sufoca-lo!
– Naruto-kun! Controle-se...
– mas ele é tão macio!
– ponha-o no chão seu maluco!
Naruto respirou fundo, como se ele precisasse de ar, e então se agachou pondo o garoto no chão, que pela primeira vez, parecia corar. Pôs a mão em sua cabeça e afagou os fios longos enquanto com a outra mão mostrava o polegar e sorria daquela famosa forma idiota e confiante.
– sou seu tio viu? Naruto Uzumaki o maior ninja do mundo Shinobi!
– ninja numero um, hiperativo e cabeça-oca. – Sesshoumaru completou. Naruto deixou o queixo cair, tal como Hinata e Sasuke franziu a testa, enquanto a mãe ria por baixo da manga da roupa.
– essa frase...- o Uzumaki começou e todos viraram a cabeça para o antigo sensei dele que acabava de fechar o livro ao qual dava toda a atenção a pouco.
– yo! – cumprimentou.
– você!
Sesshoumaru correu até ele, os braços estendidos pedindo colo e o Hatake o pegou com apenas um braço.
– vocês já se conhecem? – Naruto se indignou.
– uma rápida entrega de documentos ao Shinju e conheci meu “netinho”, você mesmo mandou-me ir – Kakashi deu de ombros o menino enlaçava seu pescoço e brincava com as pétalas do girassol. Sasuke se perguntou por que diabos ele não tentava tirar a mascara do velho, se o fizesse...
Ou talvez já tivesse feito?! Dando uma olhada em Sakura ele reconheceu seu olhar ansioso quase esfomeado, podia imagina-la falando mil “Shannaros!” louca pra que o filho cumpra uma missão que o time tentava à décadas.
– fala sério, netinho? Faça seus filhos e então mande eles fazerem os deles ora!
– se olhar por esse contexto, teria que mandar seus pais fazerem irmãs para você, pra que pudesse ter sobrinhos...
– não enche!
– já estamos todos aqui por que não tomamos um chá? Sakura e Sesshoumaru devem estar louco pra comerem algo, oh e Yukine? – Hinata indagou.
– desmaiado de sono, na carruagem – Sakura disse – ele está exausto, passou a ultima semana trabalhando com o delinquente que chama de irmão nas obras do distrito. – pelo nariz empinado, ela ainda estava furiosa pela tatuagem...
– delinquente?
– longa historia.
– vai fazer okaa-san quebrar paredes – Sesshoumaru comentou. Ela fez um leve bico puxando-lhe a bochecha.
– que bom que alguém entende os riscos, hum?
– não seja rígida tão cedo, Sakura – Kakashi brincou.
– humpf.
– vamos lá – Hinata os chamou animada, e seguiram para perto da estufa onde havia uma mesa para chá onde se sentaram embora Sasuke tenha preferido ficar afastado e apenas ouvir e manter vigilância.
– esses girassóis estão lindos, Hinata – Sakura comentou – as minhas plantinhas coitadas...- lembrou.
– demos um jeito nisso, fique tranquilia, você gosta delas, Seshoumaru-kun? – indagou ao menino no colo da mãe, ele arrancava algumas pétalas, e mexia no centro.
– nunca vi...- comentou.
–oh? Quando chegar a época vão haver enormes campos delas aqui, vai adorar ve-las, e muitas outras.
– e hingabanas? – ele perguntou a mãe?
– um pouco, não são muito comuns aqui, mas eu cultivo algumas na nossa estufa, são as favoritas do seu pai e minhas também além dos narcisos, e hum... rosas e...
– ela vai falar todas se continuar assim – Hinata brincou.
Sakura riu e deixou o menino escorregar de seu colo para correr até o balanço que havia mais a frente, além de um escorregador que ele logo escalou.
–ele é mais ativo do que parece – Kakashi disse.
– eu sinto que está mais para curioso, ele está sempre quieto quando com algo que já conhece e aprecia. – Sakura comentou – tão calmo que é entediante – resmungou um pouco, mexendo nos cabelos longos e os penteando entre os dedos Hinata serviu-lhe chá – você tem café?
– oh prefere?
– eu estou bem, mas certa pessoinha...- indicou o menino.
– entendo...
– deixa-lo calmo, assim o corpo dele se lembra de desligar mais tarde, porém demais os deixa assustadoramente agitados.
–quem mais?
– todos – ela de ombros pegando a xicara – Ghouls. – completou.
– entendo.
– Sakura... ele não é pequeno demais, para a idade? – Kakashi perguntou,a expressão compenetrada e séria. Ela suspirou pesadamente.
– sim, é, e imaturo, mas vou descobrir isto e mais um pouco.
– como?
– Sai. – Naruto disse.
– exatamente.
–ele foi com uma equipe desta vez.
– ninguém melhor que ele, presumo.
– ele não deixaria que outro tomasse a dianteira – a mulher suspirou.
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– admirando? – Sasuke se virou e encarou a mascara de pavão. Deu com os ombros.
–e por que não? – devolveu com descaso, e ela bufou sob a mascara. – o que faz aqui?
– primeiramente vou ficar sob ordens diretas do nanadaime – ela resmungou.
–hn.
– é um garotinho tão bonito, realmente me impressiona que ela o tenha feito, quero dizer, você dizia que ela era seca.
Sasuke mordeu o interior da bochecha, contente em sentir o gosto férreo do sangue, mas talvez se o fizesse naquela época, sentisse o gosto do veneno de suas palavras.
E merecia ser envenenado por elas.
– mais um erro para minha cota – admitiu.
– hum, menino esquisito – ela disse, ele concordava, embora achasse infantil e idiota seu tom desprezo ao dizer aquilo. Era uma criança afinal, estava ali, apenas brincando e descobrindo o mundo do qual fora privado desde que nascera.
– toda criança é, em algum nível.
– humpf.
– ouvi dizer que é a cara do pai...
– você vai calar a boca ou esperar que a suspenda até que morra de inanição no sofá de sua casa? – Sasuke rosnou.
– só estava comentando, Sasuke.
– é Ca...
– Capitão? – Sakura chamou, eles se voltaram para ela alarmados, mas ela ainda caminhava em suas direções sorrindo de maneira amistosa e brincalhona – até quando vai ficar parado como uma estatua? As aves vão pousar em você.
– não estou de folga pra sentar e conversar.
Sakura estreitou o olhar numa breve ameaça, e então sorriu de lado e parou em sua frente erguendo o braço direito e subindo a manga até perto do ombro onde revelou uma faixa, uma braçadeira. A que recebera com o símbolo do corpo medico.
– nem eu, baaakaa – cantarolou em provocação.
– hilariante – ele respondeu meio sem ar, encantando-se com tê-la tão perto e causalmente outra vez, de forma que pudesse toca-la outra vez.
Sakura baixou a manga.
– como estão as crianças? Yuri chorou rios quando Touka foi embora, lembrasse?
– como esquecer?
– haha, ela mandou presentes, entrego noutra ocasião.
Ótimo.
– ótimo.
– e Itachi?
– quase graduado.
– oh! Maravilhoso! Talvez Kakashi sensei o pegue como aluno? Eu e Naruto estamos tentando faze-lo voltar a ter uma equipe, embora gostemos de ter sido a única.
– aposto que não conseguem.
– huh? Achei que fosse nos ajudar.
– é mais divertido ver.
– e você sabe o que é diversão?
Ele poderia citar varias se ela saísse daqueles panos, ora pois.
– você me entende.
Isso era inegável.
– humpf — Sakura abriu o leque e deu as costas com seu nariz empinado.
– vou dizer que você aposta cem mangos a favor, até mesmo Hinata entrou no jogo, isso sim será divertido.
Ele ia revirar os olhos antes de entender e vê-la se afastar arrastando os nobres tecidos atrás de si.
– cem mangos?
– vai jogar duzentos? Que coragem...
– nem pense nisso, Sakura.
– duzentos e cinquenta...- ela cantarolou.
– tsc.
– mas o que é isso? – ele ouviu Asana indagar num tom quase de terror e só então lembrou dela, talvez se tivesse nem teria se contido ao falar com Sakura, mas agora, gostou de mostrar o que mostrou e seguiu a ex esposa. Fitou a ANBU de soslaio com um sorriso de escarnio.
– é como você disse, estamos mesmo em guerra.
Ele apenas gostaria de ver sua expressão por baixo da mascara mas seguiu Sakura e quando ela olhou para trás, se apressou dando uma corridinha como podia enquanto ria.
– ele jogará trezentos!
Sasuke surgiu ao seu lado e puxou-a pelo ombro apenas o bastante para que ela parasse e caminhasse ao seu lado resmungando.
–não dou nem três.- ele rebateu.
– não seja chato, Uchiha.
Mas talvez ele apostasse tudo pra vencer esta guerra.
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