Notas iniciais
YO!

Uma beleza tão estonteante, que não parecia, não podia ser real.

Mesmo que tocasse ou apertasse. Sakura sentiu a cama pesar atrás de si mas não se moveu, continuou acariciando com os dedos a pele macia e porcelanada do pequeno ser que ressonava a sua frente.

–tão bonito...- balbuciou.

–como voce — Yuzuru afirmou, e tocou as mexas dela, afastando-as do rosto.

–é perfeito...Nee... Yuzuru?... Ele é real não é?

Ele suspirou, baixando a cabeça beijou a bochecha dela.

–é sim,e está bem, está seguro, e conosco, por isso voce pode fechar os olhos agora, e dormir.

– não sei se quero... não sei se devo...

–voce deve e precisa, ele vai estar aqui quando acordar, pode ter certeza, certo?

Sakura deu um suspiro cansado, seus olhos relutaram ao máximo em se fecharem. Ele fitou o menino, as bochechas coradas, e olhos cerrados, a respiração lenta e compassada, seu sono era invejável, dormira pouco tempo depois de ser posto ali, nem um pouco incomodado com o pandemónio ao redor, usava vestes brancas, blusa kimono e calças hakama, mas nada que entregasse sua origem nobre e rica, Sai ainda envolvera seu tronco com uma armadura velha que o vazia pesar o triplo, e depois de tirada Yuzuru concluiu que ele era relativamente pequeno para a idade, mais novo, mesmo que tivesse a expressão tremendamente mais madura como o pai sempre tivera. Não tinha indícios de maus tratos ou má saúde, seu cabelo era bem cuidado, e se não o tivesse visto "morto" ao nascer, duvidaria que era um garotinho.

Ele parecia uma boneca, afinal.

Se levantou da cama cuidando para não despertar nenhum dos dois e saiu do aposento após acenar com a cabeça para os quatro ninjas que vigiavam a sacada, e então deixar outros cinco nas portas do aposento.

O dia começara a nascer a alguns minutos, mas só a claridade fazia diferença, ninguém dormira de verdade.

Era mais facil visualizar o estrago feito no distrito, pelo menos parecia menor, as casas mais avariadas ou destruidas estava proximas aos muros de onde o ataque começara, a mansão tivera apenas o escritório e os quartos invadidos, mas nada fora realmente destruído, e nem mesmo quartos secretos e caminhos subterrâneos haviam sido descobertos. Ele queria ao menos alguém para torturar e interrogar, mas a fúria de seu sobrinho instigara a dos jovens do clã, e todos os três últimos Aogiris encontrados escondidos foram mortos.

Tinham milhares de perguntas e apenas um alguém pra interrogar, e esperava que Sai soubesse algo sobre aquilo também.

***************************************************************

–AI! — Sai gritou mais uma vez, a cada ponto dado por Yuri, Sasuke queria faze-lo gritar assim numa sala de interrogatório, e sinceramente, nem sabia porque não estava fazendo isso agora. – querida é pra voce colar o que rasgou não abrir mais – ele pediu e a moça bufou e riu um pouco.

– não seja dramático, tio.

– aí está voce – disse Yuzuru enquanto invadia a sala. – vá abrindo a boca, seu filho da puta.

–mas o que voces tem contra minha mãe? Nem eu sei quem foi a pobre…

– ela fez, voce, já mais que o bastante – Sasuke resmungou.

–ora…

– abra a boca Sai! Como diabos voce encontrou o menino, e pelo amor de deus, diga que tem certeza que é ele!

– cara, voce achou mesmo que eu poderia passar seis meses for a e trazer uma cópia? Claro que é ele! Faça o DNA, é filho da Sakura e a cara do velho do seu irmão!

– que é a cara eu já percebi! Tanto que assusta!

– fato, hehe.

– eu o achei uma gracinha… posso brincar com ele? – Yuri pediu.

– agora não, ele tem que descansar, e ficar com a mãe dele, mas é seu herdeiro verão ele sempre – Sai falou gentil e ela concordou emocionada e eufórica.

– onde eles estava, Sai? – Yuzuru insistiu, cansado, puxando uma cadeira e sentando perto dele.

– estava Escondido na Fortaleza de um falso clã Samurai, em uma vila pobre no interior do país do Mel.

– Mel?! Toda esta distancia?!

– por que acha que eu demorei?

– e como conseguiu a pista que o levou até lá? – Perguntou, o Uchiha.

– durante a nossa pequena batalha ara resgatar Yato busquei um Aogiri e levei pra um passeio beeeem longo – ele proferiu, sombrio – uma passeio nas águas da dor, tanta que ele abriu a boca sobre boatos dentro da organização, ele não tinha certeza se era verdade que tinham roubado o filho do Akuma, mas me indicou um cara que poderia afirmar, fui até esse cara e ele me mandou para uma armadilha, porém ela me rendeu outra fonte esta sim sabia onde o menino podia estar.

– por que não nos informou?! Sabe o que é agora? Um Nukenin! Devia estar sendo executado!

–ah, se ele pode eu também posso! – Sai falou com birra apontando Sasuke, eleapertou os punhos querendo ter seu pescoço entre os dedos. – eu diria o que para Sakura? “Espere aqui querida, vou ver se encontro seu neném” Ah, me poupe, eu não tinha certeza até olhar nos olhos daquele menino, e quase perdi o couro tentando chegar nele, o lugar era tomado de Ghouls, se passavam por habitante dali já aum bom tempo, e os moradores nunca desconfiavam deles ainda que vez ou outra algumas pessoas desaparecessem misteriosamente.

– voce limpou o lugar?

– modestia parte sim, hehe, ele estava an torre mais alta, o quarto era fechado e pelo o que observei só saia no máximo duas vezes para o patio durante o dia, estava rodeado de livros velhos, poucos brinquedos e sem companhia.

–te pareceu machucado?

– apenas solitário, deve ter sido criado sem apego, como um prisioneiro, ele não se assustou comigo e quando disse que a levaria pra mãe dele, me perguntou apenas se ela era mais bonita do que na capa de um livro antigo de medicina que ele tinha lá, eu disse que sim, e ele perguntou se era parecido com ela, eu disse que ele tinha seus olhos e a cara assustadora do pai, ele pareceu até gostar disto,dormiu a viajem quase toda e eu fiquei quebrado demais para fazer longas paradas cheguei a ser perseguido…

– então aí está a resposta que precisávamos – disse Shikamaru ao entrar na sala, acompanhado de Chikaku e Kyouya.

– até voce Nara? Chikaku-sama, Kyouya – Sai cumprimentou e o mais velho assentiu, O mais novo acertou um tapa no ombro dele e riu de seu gemido de dor.

– inteiro e com tudo em cima hã? Pintor!

–valeu…

– o que quer dizer, Shikamaru – Sasuke indagou, o Nara soltou uma baforada do cigarro que consumia e o amassou dentro do cinzeiro que estava sobre a mesa.

– este ataque ao clã, foi tudo causado pelo Sai.

–huh?

– como assim ataque ao clã?! O que houve aqui? – o perguntou o ANBU – o que eu perdi? Aliás, por que diabos enfiaram minha musa naquela coisa colorida?!

– não achou-a linda? – Kyouya perguntou.

– não tem nada mais bonito que a minha, musa, mas quem diabos a forçou a larger o luto?!

– esta questão fica pra depois, o que importa, é o clã foi atacado esta madrugada quando chegávamos da festa – disse Chikaku – quando você chegou havíamos acabado de por tudo sebre controle.

–alguém se feriu?

– apenas isso, nenhum morto, eles eram poucos demais para dominarem o distrito, seu objetivo não era esse – disse Shikamaru – agora que voce chegou, tudo está encaixado.

– oh, que lisonjeiro.

–não fique, eu comentei com Sasuke, eles estavam focados em sequestrar Sakura, mas também estavam interceptando crianças, tentando reconhece-las mas não pegaram ou mataram nenhuma.

– também invadiram a mansão…- Sasuke lembrou.

– e reviraram os quartos, eles queriam Sakura, ou uma criança, agora sabemos quem é, a noticia do seu ataque deve ter chegado bem rapido para alguma célula Aogiri aqui perto, eles atacaram o Distrito dispostos a pegar de volta o garotinho que você trouxe, ou mesmo Sakura, que é matriz do Shijukage…

– que jeito rude! – Yuri protestou.

– vá buscar um café, querida, preciso disso – Yuzuru disse e ela assentiu retirando-se apressada.

– pode soar rude, mas faz sentido – Chikaku falou – ela é tem sangue comum, perfeita para dar a luz a uma criança com kekei genkai, e foi o que fez, a criança dela e Yasuhiko reforçaria ao clã a promessa do sangue puro Ghoul Yumi, enquanto que como criança de Issa e Yasuhiko Yato se tornou a união de nossos clãs, se aquele menino é filho de Sakura-sama, significa que ela pariu uma boa criança de sangue Yumi,e se o fez uma vez poderia fazer outra, sem falar que ela carrega a kagune de Yasuhiko, espero que eles não saibam mas se a pegasse iriam vibrar com a surpresa.

– eu duvido que saibam, e Sakura ainda é a senhora e pilar deste clã, se tomar a Yato nos abalou, toma-la enlouqueceria-nos. – suspirou Yuzuru – meu irmão a cuidava como um tesouro e todos passaram a fazer o mesmo, tanto que incomodava a personalidade forte dela.

– exatamente – O Nara disse – ou ela o menino, eles calcularam que Sai estaria aqui ainda na noite da festa, mas como este idiota estava acabado ele teve que ir mais devagar e por isso só chegou no fim da noite…

– eu devo ficar ofendido? – disse Sai irritado.

– Sei lá, oras voce ter se atrasado talvez evitou que o menino fosse retomado ou mesmo assassinado, e isso enlouqueceria Sakura de vez.

–hm, e o que faremos agora? Nada garante que não vão voltar em numero maior – argumentou Kyouya.

– já pus a vila em alerta, e o distrito não está tão avariado assim de todo modo todas as mulheres e crianças estão aqui na mansão, ou nas casas perto das catacumbas que são a melhor rota de fuga, e Yato está andando pra lá e pra cá feito um cão raivoso seguido dos outros. – disse Yuzuru.

– isso foi muito ofensivo – declarou Yaboku ao adentrar a sala, ainda nas roupas de antes e para Sasuke continuava um cão perigoso.

– Yaboku? – Sai perguntou confuso, o rapaz veio até ele e sorriu brevemente ante sua face desacreditada.

– yo, oji-san? – Sai sacudiu a cabeça ergueu a mão boa pondo em seu ombro.

–Yato?! Puta merda menino! Não faça isso, achei que fosse o fantasma do seu pai!

– ah…

–ou uma cópia melhorada do Yuzuru…

–vá a merda!

–antes melhor do que pior – o rapaz riu.

– pois é? Deus o que esta vida não fez com você? Onde está sua mãe? Ela não te enlouquece resmungando que parece seu pai?!

– um pouco, obaa-chan e as tias fazem isso enquanto ela não está.

– que loucura, estou tonto… preciso de uma cama confortável…

– precisa é de uma cela, Nukenin – rebate Verona ao entrar, ela tinha tomado banho mas o cheiro de tinta ainda exalada dela.

–ah minha deusa… me desculpe pela tinta! Mas voce veio pra cima tão feroz que quase fiquei encantado demais para reagir…

– seu maldito! – Ela avançou nele mais foi contida por Yato que se dirigiu para for a puxando-a.

–agora não, tia…

– eu vou estraçalha-lo!

– depois, depois que agente interrogar ele.

–eu faço isso!

As portas se fecharam e Sasuke deu com os ombros.

–eu não tenho nada contra a ideia.

–hah, ela me adora, só está magoada por eu te-la deixado, assim como minha musa.

– idiota. – resmungou o Shinju.

– mas me diga… aquele garoto…Ele não devorou um Ghoul,devorou? – Sai proferiu, cauteloso, a sala suspirou ele também, entendendo – quantos?

– apenas um, Jason.

– merda… Mas a fome…?

– ele está indo bem, embora ontem tenha ficado possesso, Yato está ficando intolerante a Aogiri, e super protetor com o clã, temo que ele comece a agir sozinho, ou em grupo, a ira dele está sendo disseminada entre os da idade.

– é um lider nato afinal, vão segui-lo até o fim do mundo, e agora com essa cara de Yasuhiko que ele tem… — Sai riu um pouco – Sakura deve morrer de ciúmes dele.

– quando foi que não foi assim? Yukine reclama com a avó que ela fica perguntando se ele já tem namoradinhas, Yato então… e agora voce trouxe mais um para sofrer com eles.

– não tenho culpa se seu irmão só faz filho varão, se fosse menina… Aí seriam voces cercando a pobrezinha.

– só a protegeriamos de maus exemplos como as tias!

–haha, que bobagem ela seria linda como elas…

– calado!

**************************************************************

–hum… E qual é a sua… cor favorita? – Yuri indagou sorrindo, o menino inclinou a cabeça encarando-a embora seus olhos olhassem pra dentro de si, em busca da resposta, então, com sua voz rouca mas infantile respondeu.

–branco.

–é? Deu pra perceber acho, hehe, então… qual sua segunda cor favorite?

– que falta de criatividade – disse Touka, baixinho.

– rosa – as duas arregalaram os olhos em choque, enquanto o garotinho parecia não entender suas reações.

– ro-rosa?! – exclamou Touka.

– como assim, rosa? – disse Yuri.

– rosa.

– porque prefere rosa?

– porque é a cor da mamãe. – uma resposta simples e direta, ele, talvez cansado da entrevista deu as costas e correu para cima da cama do quarto de Yato.

– ah, não chore – Touka pediu, ao ver a amiga enxugar os olhos, ela sorriu concordando.

–voce tem razão.

– meninas? Ele está com voces? – disse Sakurako adentrando o quarto, ela localizou o garoto e sorriu indo se sentar na beira da cama, Yuri havia revirado o baú de brinquedos de Yato e os espalhado sobre a cama dele para que Sesshoumaru os explorasse a vontade.

Os aposentos de Yaboku tinham seu ar dotado de um perfume masculino discreto, suave mas bem acentuado os tons de madeira nas paredes e na única em que não haviam estantes tinha uma gravura de estilo antigo, como as dos livros que mostrava uma princesa de longos cabelos negros caminhando por um campo de flores vermelhas segurando um bebe, a imagem era bem surreal por que apesar de andarem num campo, peixes nadavam ao redor deles e o sol e a lua estavam no céu, haviam pequenos quadros na parede ao lado da porta desenhos antigos provavelmente feitos por ele e até uma partitura de alguma musica composta por ele mas cujas notas estavam bem desorganizadas, e mal desenhadas ainda.

Nas estantes, mas livros do que ela poderia julgar que ele lesse, mas revirou os olhos ao notar que muitos eram de contos de terror e horror,lendas, alguns de medicina, outros de estratégia e alguns cadernos antigos da academia, ela sabia porque também guardava os seus.

A cama de casal estava bem arrumada e intocada, e como ainda era bem cedo, ela concluiu com pesar que ele nem tentara dormir aquela noite, num pendurador de casacos estavam alguns coletes o cesto de roupas estava entupido e a mesa de estudos desorganizada, tal como a comoda, unicast provas de que um garoto morava ali,e ela podia dizer que quando no quarto Yato frequentava mais a mesa de estudos e cumpunha nela, haviam partituras abertas, lapis espalhados, a pequena lixeira ao lado estava derramando papeis amassados e tres gritarras estavam penduradas na parede acima da mesa, um violão de madeira negra estava deitado na poltrona giratória, e a caixa de som ainda conectada à tomada.

– voce vê essas bolinhas? Muitas não é? Seu irmão era viciado nelas – Sakurako disse mostrando o neto um pode cheio de lindas bolinhas de gude – ele more de ciúmes delas, nem sei como Yuri as encontrou.

– estavam no fundo do baú! Ele escondeu de lá do Yukine-kun!

–ah.

Sesshoumaru, pareceu não se importar e abriu o pote tirando algumas e trazendo para perto dos olhos encarando-a.

– bonitas não é? – disse a avó e ele concordou pegando outra.

– mas são todas minhas – disse Yato da porta, os quarto o encararam, nervosa Touka tirou a mão de sobre o violão, mas ele não pareceu nota-la de cara, e sorriu se aproximando da cama, Yato se abaixou e estendeu a mão para o menino de forma lenta, tentando, talvez, não assusta-lo. – olá, eu sou Yato.

–Yaboku – a avó corrigiu, ele suspirou deixando a cabeça cair em derrota, ergueu e tentou de novo.

–mas pode me chamar de Yato, é até mais curto não? Sou seu irmão mais velho.

Sesshoumaru, soltou as bolinhas que tinha numa das mãos devolta no pote e o cumprimentou.

– anii-sama.

–yosh, oh, sugoi, suas unhas são longas – ele disse olhando os dedos do menino, tinha unhas meio longas e afiadas nas pontas como garras – parecem garras…

–sugoi – disse Yuri – ah, nee nee, as orelhas dele também! Lembram as do…

– Yamamoto-san! – dos dois exclamaram.

– isso é normal certo obaa? – ele disse e ela assentiu.

–nosso clã tem muitas caracteristicas, elas se manifestam em nós de muitas maneiras.

– eu percebi, e vejamos… nós temos o mesmo nariz – ele prosseguiu analisando-o – ah, acho que o mesmo queixo, é engraçado, por que ainda parece a cara da okaa-san.

– deixe o seu cabelo crescer, e talvez fiquem mais parecidos – Yuri brincou e ele meneou a cabeça.

– não acho que vou ficar bem, e se cortarmos o dele?

–oh, seria muito cruel, mas voce iria querer, meu bem? – a avó indagou e o menino negou –oh.

– eu acho que está ótimo assim também – Yato disse, deixando escapar um bocejo.

–voce está exausto – Sakurako concluiu – vá descansar, Yuri, recolha esta bagunça, vamos deixar Yaboku tomar um banho e dormir.

–eeeeehhhhh?

– voce que fez que eu sei – ele rebateu – eu troco minhas bolinhas… por esse cara aqui – Yato pegou um boneco de pano, mas mãos e rosto de porcelana, cuja a face era meio assustadora mesmo tendo formato de bebê, seu olho esquerdo era azul com uma fenda e o outro estava fechado a boca aberta fazia um bico estranho.

–huh? Esta coisa assustadora? – indignou-se a baixinha – queime-o ou vai atrair maus espíritos.

– que nada, o Sensei é um ótimo cara!

– Sensei? – Touka perguntou, e o rapaz se virou espantado.

–ah... ohayo... – Yuri o tomou dele exibiu.

–é o boneco favorito de Yato, não é assustador?

– não enche Yuri!

– ele vivia agarrado com ele! Pra lá e pra cá...- ela provocou, Yato tomou-o de volta estendeu para o irmão.

–então, troca feita? – Sesshoumaru deu de ombros pegando o boneco e deixando o pote de lado. – Viu, ele é legal!

– você é estranho!

– Calada!

– Vamos, vamos – Sakurako disse, pegando o menino no colo – vá tomar um bom banho, querido.

– hai, arrume isso, Yuri.

– Humpf.

Os três saíram enquanto Yato seguia para o banheiro e Yuri colocava tudo de volta no baú.

Sakurako o levou para conhecer a grande cozinha e então voltaram rumo a sala de chá e no caminho cruzaram com o pai de Touka, Yuzuru e Ren.

– como vão as coisas por aqui? – Ren disse – ah, olá rapaz, sou seu tio Ren.

– oji?

– isso mesmo.

–o irmão mais novo do seu pai, assim como é do seu irmão. – a avó explicou.

– são os caçulinhas — Yuzuru provocou.

– oh cale-se!

– ele é meu tio? – o menino indagou encarando Sasuke, estar sob o olhar dele foi insdescritivelmente desconfortável ele, tinha olhos do mesmo tom dos da mãe, mas eram profundamente impenetráveis e afiados.

– não – Ren disse – ele é um amigo de Konoha, um amigo de sua mãe.

– Konoha?

– sim sim, já ouviu falar?

– okaa-san é de lá.

– exatamente!

Um grito inundou os corredores e Yuzuru foi quem correu.

– Sakura!

– leve ele para outro quarto — Ren pediu a mãe que assentiu levando o garoto para longe dos gritos de Sakura.

O resto seguiu o Shinju rumo aos aposentos de Sakura de onde seus gritos eram capazes de ensurdecer qualquer um.

– senhora se acalme por favor! – gritou Yuri subindo na cama e tentando conte-la junto a outras duas mulheres.

– não! Não! Não! Meu bebe! Meu bebe!

– Sakura! – Yuzuru subiu nela agarrando seus pulsos e sentando em seu estomago ela debateu as pernas violentamente derrubando Yuri e uma das mulheres da cama, num tombo surdo. – Sakura! Querida! Acalme!

– meu bebe! Eu quero meu bebe! Meu bebe!

– Alguém traga um sedativo! – Ele gritou. – agora!

– Yasuhiko?! Yasuhiko?! Meu bebe! Yasuhiko!!

Alguém trouxe a seringa e quando foi aplicar Sai surgiu e segurou sua mão.

–nem pensar!

– está louco?!

– não pode dopa-la agora! É a senhora deste clã, precisam dela!

– clã?! Dane-se o clã ela não está bem! – Sasuke interveio irritado, o veneno da impotência o ferroando até alma, como almejava dar as costas e ir buscar a criança dela, mas o simples fato dela suplicar isso a outro, o travava.

– eu acalmo ela, mas não podemos invalida-la nesse momentos, Ren tem que coordenar a ANBU e Yuzuru a aldeia inteira!

– você não pode fazer nada, ela está em estado de choque não vê?!

– dope-a – a voz de Yato soou afiada e sem réplica enquanto adentrava o aposento, vestia apenas calça molentom e seus cabelos ainda estavam encharcados do banho. – quanto tempo o efeito dura?

– do-doze horas, Ouhi-sama – a moça disse – mas nesse estado, ela vai dormir umas vinte quatro horas.

– vinte quatro horas em que o clã pode virar de cabeça para baixo. — o ANBU cortou seco.

– aplique – ele ordenou.

– o que?!

– se o problema é a chefia do clã, não seja por isso, eu comando, nessas vinte e quatro horas.

Yuzuru assentiu para a moça que aplicou o remédio da delirante mulher, tão inconsciente da própria força que já não lutava contra o domínio deles como qualquer mulher frágil.

Sai rosnou enfurecido e seguiu até o rapaz.

– oque pensa que está fazendo? Não pode por a líder do clã pra dormir quando todos estão em pânico!

– eu posso e vou, ninguém aqui é mágico, muito menos você, deixe a minha mãe descansar.

– ela não é só sua mãe, é a líder desta porra, não pode decidir isso.

– posso e vou, sou o herdeiro primogênito – Yato cortou, duramente, sua íris esquerda ascendendo vermelho.

– meu bebê...meu...- Sakura balbuciou aos soluços, Yuzuru a ajeitou na cama, cobrindo-a.

– tudo bem querida, ele vai voltar pra você, logo...

– agora só precisamos deixa-la descansar – Ren disse.

– tudo bem...- Yato suspirou.

–tudo bem? Sabe quanta merda pode acontecer em um dia? – Sai indagou furioso.

– muita merda, mas que seja, se o líder vai estar incapacitado, eu como herdeiro e primogênito, vou assumir o clã durante estas vinte e quatro horas, e quanto tempo mais for preciso.

– você não precisa, eu posso fazer isso – Ren atenuou.

–mas eu vou, você é o braço direito do Shinjukage e também deve cuidar da vila inteira, ele precisa de ajuda, eu vou cuidar de tudo, minha mãe, meu irmão...a família – voltou-se para Sai e encarou, incisivo – e do clã, obviamente.

– está muito presunçoso, garoto – Sai rosnou o queixo quase tenso demais para que fala-se.

– talvez, mas poder é poder, e eu tenho poder agora, e você, tem que fazer o relatório, que eu saiba, não é, Sai? Por que não começa agora?

O ANBU rosnou com um cão e saiu batendo as portas enquanto o rapaz suspirou cansado.

– está comprando uma briga feia com seu tio. – Yuzuru disse.

– eu sei – ele rosnou emburrado — mas ele não está preocupado com clã... Ele só não quer ve-la tão perdida no passado. – Yato caminhou até a cama, se abaixando ao lado dela e colhendo a mão da mãe. – faz tempo... mas me lembro da ultima vez que a vi chamar pelo pai... mas ele não veio, não mais...

Batidas suaves soaram na porta e Sakurako pôs o rosto para dentro.

– ela está bem?

– ela ficará. – de entre as roupas dela, Sesshoumaru surgiu e correu para a cama, subindo nela, engatinhando, se aproximou do rosto da mão e descobriu as mechas se curvando e cheirando sua face.

– ela vai dormir agora, Sesshoumaru, ela está apenas cansada, vamos? – Yato sugestionou levantando-se e estendendo-lhe a mão, o menino concordou indo para seu colo, e agora, só agora, Sasuke percebeu que achava-o pequeno e imaturo demais para uma criança de oito anos. Esta imaturidade a qual sentia falta era mais física do que emocional, embora ele tivesse claros trejeitos infantis e curiosos, estava longe de parecer doente, mas ainda era meio pequeno.

Parecia ainda menor naquelas camadas de roupas, e provavelmente ficaria ainda mais quando o enfiassem em roupas de príncipe, mais camadas que o deixariam semelhante a uma bola de pano.

– já hora do café, vamos comer algo? – Yaboku perguntou, seguindo para a porta, o pequeno assentiu, e foi quando Touka reparou não só algumas cicatrizes no flanco e costas do Ouhi, algumas grandes mas que deviam existir por não terem sido tratadas por um medico nin a tempo, algumas pareciam cortes, pancadas e até queimaduras, mas ela se espantou e exclamou ao ver outro tipo de marca.

Nas costas de Yaboku havia uma grande espantosa centopeia venenosa tatuada, não em tons fortes, mas cinzentos e os esporões em vermelho.

– u-uma tatuagem?!

Yato se virou mas todos já haviam visto.

–oh... fodeu.

– hum?- seu irmão perguntou.

–ah, caramba, esqueça esta palavra certo?

– você fez uma tatuagem? – Disse Ren. – sua mãe vai te matar!

– não é grande coisa.

grande é justamente o que ela é, Yato!- disse Yuzuru. – você enlouqueceu?

– em certos ângulos...

– Yaboku?! – ele se encolheu lembrando da avó.

– obaa...

********************************************************************

Não gostava dele.

Nem um pouco.

Sasuke massageou as têmporas, sua conclusão dava-lhe dor de cabeça.

Ele, simples, definitiva e literalmente, não gostava do filho de Sakura.

Não gostava de ele ser parecido com ela, apenas superficialmente.

De que adiantava ele ter olhos verdes se eram frios e inexpressivos como os do pai?

De que adiantava ser pequeno e gracioso como ela, se era um menino e tinha a pose ereta, elegante e imponente do pai?

De que adiantava aquele cabelo longo se não era rosa?

De que adiantava ser filho dela se não transmitia seu calor, carinho e aconchego?

Ele era filho dela mas uma versão do pai e herança de seu clã.

Aquela criança era tudo menos normal! Como ninguém via?!

Como um garoto de oito anos encontra a mãe pela primeira vez desde que saíra de dentro dela e não espera praticamente nada? Nem revolta nem carência, ele parecia apenas receber o carinho que lhe era oferecido e dava em troca palavras curtas e gestos simples demais, quase mecânicos.

Sentado numa cadeira ele acompanhava a retirada de sangue do braço alvo do garoto, que mais uma vez, não esboçou grande reação, nem mesmo para a grande seringa que lhe sugava o sangue.

– sugoi, você é corajoso, eu morria de medo disso – Yato falou, agora devidamente vestido, além da camisa de botões e um suéter preto por cima, o garoto o fitou como se estranhasse tal declaração e olhou para a agulha quando esta foi puxada e o algodão embebido em álcool posto no lugar.

– isso já é mais que o bastante – disse a enfermeira – você foi muito bem, querido – ela entregou a seringa à outra enfermeira que guardou o conteúdo num frasco dentro de uma maleta – talvez se sinta tonto, mas eu duvido, é um rapaz forte, aqui — enfiou a mão no jaleco e tirou dele um graúdo pirulito que ofereceu a ele – um pequeno premio por sua coragem.

Sesshoumaru fitou o doce com uma interrogação na face, e Yuri indagou ao seu lado.

– não gosta de doces? – ele apenas deu de ombros.

– prefiro carne.

– eh? Eu também, hehe!

– bom , uma etapa, já foi, agora precisamos do sangue da mãe – Ren disse. Sasuke o acompanhou bem como as mulheres rumo aos aposentos do chefe, Yato e Yuri saíram levando o garotinho para a avó.

Entrar num quarto que provavelmente foi o centro do amor de Sakura e outro, foi algo que ele tentou ignorar, focando na figura frágil dela naquela cama, era de manhã do outro dia e ela ainda dormia profundamente, nesse meio tempo Yato coordenara a segurança do distrito, mandou duas equipes para rastrear onde a célula Aogiri que os atacara pudesse ter estado, e não permitiu a livre saída ou entrada dos habitantes, e também mandou que começassem a reconstruir e limpar as casas.

Parecia pouco e pequeno, mas ele tratara tudo como máximo de atenção e prioridade.

As mulheres repetiram o processo em Sakura com toda tranquilidade.

– em quanto o resultado sai? — disse Ren.

– geralmente leva-se até quinze dias, mas num caso como esse se pode pular muitas burocracias e o resultado sai em uma semana – disse a outra, que portava a mala.

A primeira veio dar-lhe a seringa e então tirou as luvas.

– agora só falta o material do pai.

Um silencio pairou pesadamente enquanto tentavam processar a informação.

– que? – disse Sai, que obviamente não deixaria de estar ali.

– amostras do pai? Quem ordenou isso? – disse Ren, levantando-se da cadeira, as mulheres se retraíram nervosas, uma delas tirou o documento da maleta.

–e-está aqui, devemos tirar material dos três, a criança, a mãe, e o pai...

– o pai está morto. – Ren disse após encarar o papel.

–si-sim, a ordem é para exumação, nós viemos preparadas para isso...

–Exumar?! Que inferno está pensando?! Sabe do que está falando? De exumar o corpo do Quarto Shinjukage! – gritou Sai.

– foi a ordem que recebemos, senhor, foi passado a clinica por ordem das nações, podem verificar, foi assinado pelos Kages.

– Naruto assinou isso?! – Sasuke perguntou, Ren assentiu depois de conferir mais uma vez.

– e Yuzuru também... Não tem jeito, ele pode ter sido forçado por meio de uma votação.

– a questão é, quem pediu uma exumação?!

As portas se abriram dando passagem a possível resposta, uma ruiva estonteante, que não era estranha para Sasuke.

– fui eu.- ele proferiu, friamente.

–Mi-Mizukage-sama?!

– porque quer um exame em um morto? Se a criança é de Sakura, obviamente é dele – Sai disse. MeI Terumi soltou uma anasalada risada em desdém.

– oh sim? Uma criança pode ter muitos pais, e apenas uma mãe, não? De modo que, o exame é necessário sim.

– é o que?! Está querendo desrespeitar o corpo do Kage apenas para desfazer calúnias infundadas?!

– se são calunias infundadas o exame vai mostrar, a proposta foi votada e todos os dez kages que atualmente fazem parte da aliança ninja concordaram, havendo apenas dois três votos contra.- a criança que teria sido sequestrada é um forte símbolo da união de Konoha ao Diamante, e como partes da aliança, devemos atentar que qualquer ameaça sobre elas também pode recair sobre as outras aldeias. – declarou ríspida – eu como Mizukage tenho o dever o direito de dar atenção e exigir o máximo de transparecia nisso.

– você pode ter conseguido o apoio e permissão do conselho, mas não tem do nosso clã. – declarou Sakurako da entrada, Mei se voltou para ela e se curvou de forma respeitosa.

– Sakurako-dono, por favor, longe de mim ofender o clã mas a questão não o envolve...

– isso envolve o clã mais do que as nações, e criança é nossa herdeira tal como o irmão, e sua origem está sendo posta em duvida, está duvidando da integridade do antigo senhor deste clã, a da senhora desta família quando ela nem pode se defender, profanar o tumulo do meu filho e ainda sujar o nome dele.

–senho-...

– então este é sim, um assunto deste clã, e vão lidar com o lider dele agora, por favor, me sigam.

Digna e rígida ela deu as costas e se retirou, depois de lançar um olhar furioso para Sakura em seu sono forçado, a Mizukage se retirou seguindo-a junto a seus ninjas e a Oohime foi deixada em paz.

Seguiram direto para o salão principal e lá encontram Yato, sentado no lugar máximo, ele tinha o pensamento longe, Yuri e Touka estavam de pé um pouco distantes dele. Sakurako subiu os degraus e parou ao lado do trono pousando a mão sobre ele, em paciente espera.

– está brincando? Uma criança? Quer que trate deste assunto como uma criança?

– é um a honra conhece-la também, Mizukage-sama – Yaboku proferiu com o olhar ainda em algum ponto, ele voltou a cabeça para eles e a fitou – mas não acho que algo tão trivial quanto a minha idade deva ser posto em questão no momento, mas como talvez tenha notado, o clã passou por um ataque, e minha senhora e mãe esta debilitada no momento, o que me faz conferir este lugar, ainda que temporariamente.

– De onde ele tirou essa pose? – Touka murmurou para Yuri que conteve uma risada.

– Yato sabe parecer com o tio quando quer, hehe.

Touka teve de concordar, que sendo natural ou não, ele conseguiu fazer a Kage tragar silenciosamente.

Sasuke continuou observando a mulher com atenção, e quando a viu se demorar e se perder fitando a imagem atrás de Yato, a conclusão explodiu como uma tarja em sua cabeça, esta ultima peça se encaixou com a olhada de desprezo que ela lançara a Sakura ao ve-la naquela cama.

Mei estava tão enciumada e enojada quanto ele.

Ela almejara um dia, o homem de Sakura.

Pensando nisso, ele percebeu que os dois deveriam ter quase a mesma idade afinal, devem ter se conhecido novos, lutado em lados opostos ou não, e quem sabe, se aventurado.

– você é tão petulante quanto seu pai, rapazinho. – ela disse, no que parece uma fraca tentativa de fazer-se indiferente, Yato se levantou da cadeira e desceu sem pressa, encarando-a como único olho a vista ele estranhamente estava sem o suéter agora, vestindo apenas a camisa branca.

– sim eu sei, e como a minha mãe também, e dela também aprendi a ter pouca paciência mesmo que fosse da natureza do meu pai tê-la, ou seja, ainda falta muito pra eu ter a paciência dele, porém, estou no seu lugar dele, e se me permite, vou ser curto e grosso, não haverá exumação.

– meni-...

– o clã não aceita, minha família não aceita, eu não aceito, então não.

– rsc, vai passar por cima de uma ordem dos Kages?

– meu tio é o Shinjukage, e ele acatou sua decisão, mas como segundo filho desta família ele não é chefe do clã, ele está abaixo de mim e de minha mãe, então não dpeom nos obrigar.

– a criança que...- ele cortou-a mais uma vez, soltando o ar de forma aborrecida.

–a criança em questão é filha do meu pai o antigo chefe e da minha segunda mãe, ele ser ou não filho deles, tem haver com o posto de Shinjukage ,nem mesmo com o de herdeiro deste clã, por que aqui estou, o primeiro filho, o primogênito a única desculpa que o conselho tem ara se intrometer em um assunto de família, é por que teme uma possível conspiração eu também não posso negar, e não vou até que se prove o contrário.

– então?

– de todo modo, o corpo do meu pai está fora de questão, minha mãe esteve unida a ele por cinco anos e em nenhum momento se pôs em duvida a integridade de sua união nem mesmo antes de a oficializarem, alias, se fosse possível contesta-la meu irmão não teria sido sequestrado assim que nasceu, quem o roubou sabia que ele era importante e fez questão de forjar sua morte acobertando-a sob do meu pai.- Yato suspirou pesadamente então, desabotoou o punho esquerdo da camisa e subiu a manga até acima do cotovelo. – se de uma forma ou outra a paternidade tem de ser comprovada, será o me sangue que será tirado.

–o que?! Mas você é o irmão!

– e o exame pode dizer isso não? – ele voltou os olhos para as duas moças que assentiram. – sou filho de Sakura Haruno mas uma anta em biologia e genética...

– si-sim, quero dizer, sobre o exame, podemos estabelecer qualquer tipo de parentesco genético e isso inclui irmãos, você sendo filho do Akuma, e irmão do menininho, comprova parentesco de pai e filho entre os dois, o sangue da mãe dele comprovará a, ligação entre ela o a criança.

– como eu pensei – disse ele, voltou-se para Mizukage e a fitou – mas se duvida da minha paternidade também, vou ordenar que os meus tios também tirem sangue, para comprovar, e até minha avó, a não ser que...

– eu nunca duvidaria de sua avó! Nem de Issa-san! Eu a conheci, era uma moça maravilhosa, cheia de virtudes, agora quanto a Sakura...

–eu não sei o que a faz duvidar dela também – ele com os ombros – mas se é assim logo suas duvidas serão sanadas – dando-lhe as costas ele seguiu para a cadeira e se sentou – estou pronto, podem tirar a amostra, tio Ren também?

– por mim tudo bem- ele disse.

E então o processo recomeçou, Ren se sentou nos degraus para tirar, enquanto Yato fazia uma careta dolorosa para a agulha.

– você não vai amarelar justo agora, vai? – Touka indignou-se.

– não seja cruel...Ai caramba!! – gemeu com a espetada, ela revirou os olhos – ela me surpreendeu, apenas isso.

–humpf.

Touka observou o sangue ser lentamente sugado e se viu admirando algo que lhe parecia tão tolo, mas que agora reparara achar bonito, tal como achava em seu pai, a forma como as veias do braço de Yato ficavam aparentes, até mesmo a musculatura por baixo, parecia dar um ar ainda mais viril ao rapaz. Talvez por que achava seu genitor um exemplo de homem forte.

Talvez por que estava impressionada com o garoto que sabia se converter em adulto nos momentos mais necessários.

– você não convence ninguém com essa cara, senhor chefe do clã. – provocou ele deu uma risada fraca, provavelmente ainda cansado, ela duvidava que ele tivesse pregado os olhos desde o ataque, e ele não o faria até que sua mãe despertasse e estivesse bem para tomar a rédeas.

– moleque frouxo! – Ren acusou – ai caramba!! – ele gritou, a moça riu.

–perdão..

–é de família huh? – Sai desdenhou.

– não enche! – rebateram os dois.

–terminado – anunciaram elas após porem os frascos nas maletas devidamente etiquetados. – como dito antes, o resultado sairá em uma semana, ainda que com mais amostras.

–obrigado – Yato disse ainda segurando o algodão contra o braço como uma criança que teme perder todo o sangue se tirasse cedo. – Yabo, Haru, acompanhem as moças – ordenou, os dois rapazes surgiram velozmente ao lado delas assustando-as um pouco e mascarados se guiaram para a saída. – então, acho que isso encerra nossos assuntos por hoje, estou certo, Mizukage-sama?

Mei o fuzilou, e bufando sob a franja e deu as costas saindo a passo duro dali.

–nossa... – ele murmurou quando a porta bateu.

–está tudo bem? Está tonto? Quer água? Foi a tirada de sangue? – a avó perguntou preocupada.

– huh? Aquelas gotinhas? Não pode ser...

– acho que é mais por ter encarado uma Kage, bem que o pai dizia que ela era mais assustadora que Tsunade-sama...- ele riu, fracamente se recostando mais na cadeira.

– você foi bem, — disse Ren pondo a mão em seu ombro – foi tudo bem com ela, sua mãe vai ficar orgulhosa, se bem que depois ela vaie star rugindo pela mansão inteira querendo a cabeça da Mei mas...

– está mesmo tentando me tranquilizar?

– desculpe, mas veja, em menos de vinte e quatro horas a frente do clã, você teve que lidar com um pânico do distrito inteiro, acalmar as mulheres, por ordem nos homens e bater de frente com uma Kage despeitada, além de se prepara para o furacão Sakura Haruno...

– vou repetir a pergunta...

– então é como eu pensei, ela está apenas despeitada.- Sasuke disse.

apenas? Por Kami, eu quero minha cama, ficar embaixo dela – o rapaz choramingou quase deitando no trono, sem força ou animo para sentar direito.

– sim, ela conheceu Yasuhiko e trabalharam juntos em algumas missões, ela fez questão de estreitar laços conosco e embora soubesse bem o porque, com a aldeia se estabelecendo meu irmão não podia negar o máximo de ajuda, mesmo assim ela teve as mãos atadas e não pode ajudar muito na guerra — explicou Ren – e ao que parece, ela ainda não aceita sua mãe como senhora Yumi.

–não consigo entender...

– coisa de mulher, ela perdeu seu pai para Issa, mas compreendeu que a união deles devia selar a paz entre os clãs, mas sua mãe morreu e seu pai quase enlouqueceu, nos anos que se seguiram ele rejeitou toda mulher que jogavam pra ele até mesmo as aventuras antigas como talvez ela tenha sido, daí Sakura veio... E ela não foi um tratado.

– foi amor, e Mei não aceitou ter sido rejeitada de novo – disse Sakurako – e como uma mulher de poder ela está acostumada a ter o que quer, mas seu pai não era um homem de cair em caprichos, eu não posso dizer que ele não aceitou Mei em sua cama, mas se o fez sei que ele deixou claro suas intenções reais, seu pai foi fiel a Issa tal como foi a Sakura e bem... Ela faz questão de esfregar isso na face de Mei, e como sabe que não pode por Yasuhiko em duvida, ela sempre tentava por Sakura, e o resultado é que...

– as duas se odeiam mortalmente! – Sai falou sorrindo.

–ah cara...

– sua mãe adora marcar território, e se ela sonha que Mei andou rosnando por aqui vai ficar louca, sem falar no papo da exumação. – ele continuou.

– e porque diabos está sorrindo?!

– é rir pra não chorar, minha criança, eu não sei vocês mas eu to caindo fora! Quando o a mansão afundar eu volto e ajudo a resgatar vocês, prometo, beijinho, abraço, e tchau tchau.- ele acenou e seguiu para porta ao abrir deparou-se com Yuzuru mas recuou mesmo foi quando viu Aleera e Verona logo atrás dele.

– não vai a lugar nenhum, Nukenin – ele disse sorrindo maldoso e saiu da frente – menimnas? Ele é todo seu.

– é o que?!

As duas sorriram de orelha a orelha, o agarraram pelas roupas e puxaram para fora como se fosse um boneco de trapos, Yuzuru fechou-as e veio com um sorriso satisfeito.

–menos um problema chato, e do jeito que vi Mizukage sair daqui, presumo que voces também tenham dado um jeito.

–ah sim – Ren bateu no ombro do sobrinho – Yato foi ótimo, pos ela no lugar também e pareceu tanto como pai que até temo que ela se apaixone por ele, haha

– ce é louco?! – Yato saltou da cadeira como que ressuscitado – vá jogar praga em outro!

–hehe, calma garotão!

– calma o caramba! Se ela grudou no coroa imagine em mim, que sou jovem e bonito.

–hah? Mas que metido.

–oh ele tem toda razão – a avó disse bem humorada e o abraçando – mas não tem que se preocupar, sua mãe iria preferir manda-lo para junto de seu pai antes de deixa-lo nas mãos de Mei.

Yaboku ficou tão branco quanto um papel e se afastou dela devagar, seguindo para a saída meio trôpego.

– are?

– acho que ele vai fugir... – disse Yuri – ih! vai mesmo! – gritou quando o rapaz mau abriu as portas e disparou por elas – não seja frouxo Yato!

– Menino volte aqui! Esqueceu que é o chefe do clã?! – Sakurako gritou correndo atrás.

–aiai, como eu amo essa família – disse Yuzuru se sentando na cadeira com um largo e satisfeito sorriso.

***********************************************************

Dezenas de mães, crianças e instrumentos, ressonando no colo delas ou rolando entre as almofadas, ouvindo a canção materna e lírica, um balsamo para seu sono da tarde, uma canção poética para afagar seus sonhos e acalmar os anseios causados pela violência enfrentada dias atrás, a voz de Sakurako coordenou de maneira tão doce, jamais imaginada, Sakura apenas seguiu junto ao coro, enquanto tal como as outras mães, acarinhava e ninava seu menino que brincava com o estranho boneco de pano com a cabeça deitada em seu colo.

“A lua silenciosamente transmite.

Numa voz inaudível para todos.

Nas recorrentes idas e vindas da maré

Da longa marcha das minhas lembranças evanescentes.

As estrelas cantam secretamente

Em letras que ninguém reconhece

Um redemoinho de palavras infinitas.

Centenas de bilhões de livros nasceram...

Yato caminhou entre elas apenas cansado, gostaria de poder aguentar mais e deixar a mãe e seu irmão terem um pouco mais daquele tempo juntos, tempo que ele teve com ela quando menor.

Se ajeitou sobre uma grande almofada e relaxou um pouco, sentindo-se tão embalado pelas vozes delas quanto as crianças, algumas já pairando no sono que a fria tarde de inverno proporcionava. Lembrando-lhe a infância, e o tempo em que mesmo em guerra as coisas pareciam legais e pacificas, seu pai cuidara tão bem do distrito, que ele mau imaginava o sangue o terror que a guerra provocava do outro lado dos muros.

Agora, só queria ter tido força o bastante para fazer o mesmo, e as crianças de agora, inclusive seu irmão, pudessem estar ali apenas para apreciar o coral materno, não para que ele acalmasse seus medos.

Para mim o céu é vasto demais.

E o ritmo do tempo é acelerado demais.

Sem saber nada, inutilmente.

Reuni palavras.

Que apenas irão apodrecer sob o solo.

Mas mesmo assim eu grito.

Erguendo a minha voz sem saber por quê.

Ao menos seus ecos podem chegar ao céu.

E logo o Sol voltará a nascer...

Ele se sentou direito quando seu irmão caçula veio, sentando-se em seu colo e lhe oferecendo o livro de musicas, da qual as mães tiraram aquela canção, Sesshoumaru apontou-lhe a letra, talvez já soubesse que ele cantava, e não pode deixar de se sentir orgulhoso de que ele quisesse ouvi-lo, por que parecia-lhe que ele não seria interessado em cantar, bem como o pai deles também não era.

Mas Yato não estava com voz para aquilo, tampouco disposição, então ele apenas falou a letra, mas seguindo pelo coro das mulheres, caiu bem o bastante , para ter seu irmãozinho ressonando em seu colo, sob o olhar cheio de amor e admiração da mãe deles.

...A lua silenciosamente fala

Com uma voz jamais ouvida por ninguém

Sobre o encher infinitos das marés

Cuja cena me lembro, dentre minhas lembranças que desaparecem.

As estrelas secretamente falam

Com letras jamais lidas por ninguém

Do redemoinho de nascimentos

Que não cabem em livros

O céu é grande demais para alguém como eu

E o ritmo do tempo é veloz

Para sempre perdidas

As palavras se juntaram para nada

E simplesmente apodrecerão dentro da terra

Mas mesmo assim eu gritarei.

Levantarei minha voz sem saber porquê.

Ao menos seus ecos podem chegar ao céu.

E logo o Sol voltará a nascer.

A escuridão assustadora respondeu.

''Não há ninguém que tenha visto o futuro''.

Eu ergo as mãos para o céu.

E agarro o vendo gelado.

Sopre feito uma ventania, ó desespero!

Todos os sonhos e agonias se tornarão passado.

Essa terra cochila no crepúsculo.

Eu sigo em frente.

Para o amanhã desconhecido.”

(Cras Numquam Scire — Dantalian No Shoka )

Notas finais
Yato, não seja tão sexy, ou a fic vai ser toda sobre voce meu amor *¬*