Talvez - EM HIATUS
45 Capitulo. 41
Notas iniciais

Um bloco de gelo sombrio e indiferente, era o que ele lhe parecia agora. Touka bufou mais um vez e o ar quente dançou para fora de sua boca, estava cada vez mais frio!
E irritava-lhe até que Yato estivesse indiferente a isso também, ela sabia que não deveria esperar algo como um abraço caloroso e nem queria algo tão constrangedor, mas sua falta de atenção também não era legal.
A viajem transcorreu rapida e gélida, eles preferiram nem parar para descansar pois estava nevando cada vez mais forte, e só diminuiu quando estavam se aproximando da Aldeia, sobre o país ela não podia dizer muito, parecia tudo igual ao país do Fogo, pois tudo estava branco, mas ela notou muitas cadeias de montanhas alternadas entre longos prados, muitos rios e também densas florestas, apesar de agora serem apenas secas e sombrias.
Os portões da aldeia eram altos e implacaveis, de lá de cima eles eram minuciosamente observados por ninjas.
Yato se indentificou e identificou seus companheiros e logo as portas estavam se abrindo, revelando uma cadeia de casas de pedras cinzentas e prédios de poucos andares, o mais alto que ela viu era quase uma torre, um verdadeiro forte e bem distante, teriam que cruzar metade da cidade para chegar até ele. Mas o que chamava mais atenção era o quanto o lugar, mesmo coberto de neve, estava colorido, haviam faixas e balões por todas as ruas, as casas estavam decoradas e poucas crianças corriam animadas usando vestes pesadas e cachecois, alguns adultos tiravam neve das calçadas com uma pá, o que pra ela soou meio inutil, havia parado de nevar mas poderia cair o dobro depois de lagumas horas.
Eles pararam se entreolhando e Yuri finalmente voltou a sua forma e se espreguiçou.
–eu e Banjou vamos levar o relatorio ao Shinjukage, alguém mais deseja ir?
–eu vou — disse Kiba.
–tudo bem, Tsukyama e Yuri guiarão voces até o distrito.
–hai.
Ele deu as costas e seguiu ao lado do tal Banjou e de Kiba e seu companheiro.
–podemos ir, Oohime? — disse o tal Tsukiyama sempre galante, Touka sinceramente sentia arrepios perto dele, era belo como uma pintura mas carregado de uma aura traiçoeira e perigosa. Talvez Sakura a sentia também e por isso ignorava suas gentilezas, ou talvez apenas era apaixonada demais pelo falecido marido pra pensar em outros homens. Um tempo atrás a moça havia ouvido que ela saira com um cara, até mesmo Yukine comentara que ela um cara legal e que tocava muito bem um violino, ela até mesmo o viu e achou uma pessoa muito bonita mesmo que seu ar contrastasse com o refino e delicadeza de Sakura. Mas parecia que o "lance" não tinha ido pra muito longe.
Sakura apenas concordou com um suspiro e então seguiram para o tão falado distrito Yumi. Ela particularmente sempre tivera curiosidade sobre a vida nos clãs, sempre se pegava observando e admirando tantas pessoas semelhantes vivendo em grupo, comunidade, visitara o clã Hyyuga, o clã Nara, e o clã Inuzuka, e sempre ficava se perguntado se o clã Uchiha, em sua época de ouro era tão vivido e agitado assim, ou talvez mais monotono, graças ao humor frio dos Uchihas. Também tinha curiosidade sobre a vida no clã Yamanaka...
Uma leve decepção a tomou quando adentraram os portões, não havia aquela vivacidade que todos os Yumi que conhecera tinham, imaginava ver milhares de crianças alegres como Yukine correndo e saltitando por aí em forma de gatos, e adultos de aparencia bonita e selvagem como os tios de Yato, mas, tudo se encontrava silencioso, quase abandonado, ela vira apenas luz irradiando pelas frestas das casas, e sentiu muitos olhos os observando por ela.
Foi bastante perturbador.
E então chegaram a mansão. Digna de um senhor feudal mas meio fria também, só por fora, ela agradeceu pela ruflada de calor que sentiu quando entraram na ampla e vazia sala, as cores sóbrias e discretas, simpaticas senhoras de cabelos longos os conduziram até outra sala maior e nela ela viu a série de tapeçarias que se dispunha nas laterais da sala, ao fim, um trono, e atrás dele o antigo chefe do clã Yumi, altivo, indiferente, e porque não dizer, desafiador e assombroso.
– voce chegou — disse Sakurako surgindo de entre os quadros com os braços abertos, ela usava um vestido branco de corte reto comum, corda dourada como cinto e esvoaçantes tecidos presos as costas e as pulseiras que usava, fazendo-a parecer um elegante passáro a colher a cria entre as asas, Sakura.
–Hahaue...
– está bem? veio em segurança? onde está Yaboku? ele está bem?
–ele está ótimo, quase não reconheci — ela sorriu, a senhora sorriu também, orgulhosa, mas um tanto melancólica.
–sim, está, sua essencia mudou um pouco, é mais intriseca e madura, mas ainda é o nosso menino.
– e sempre será.
–oh vamos pra sala de chás, estão todos congelando! venham, venham, Yaboku onde está?
–foi relatar ao Shinju, senhora — disse Tsukiyama.
– eu entendo, voce percebeu? Ele está sempre tão centrado!
–eu percebi, chega a ser chato.
–ora...
–é sim é sim! — protestou Yuri.
–Yuri voce também é muito exigente não? Samiko? por favor encontre Verona e Aleera e diga que está tudo bem logo, ou quando elas vierem ou virem Yaboku ficarão agitadas de novo. — pediu ela, e uma das senhoras aquiesceu, retirando-se rapidamente.
–agitadas é? — Sakura disse. — e quando é que elas não estão?
–oh elas sempre ficam nervosas quando Yaboku sai pra uma missão fora, sufocam o menino, e como voce sabe vivem resmungando que querem ver Yukine.
–então vao me degolar porque não pude traze-lo, ele tem que focar nos estudos durante esse periodo.
–sim sim, aliás, voce pensando em traze-lo nas férias? Voce sabe ele tem que aperfeiçoar a Bikaku.
–eu venho pensando sim, mas veremos até lá.
–claro, claro.
–oh eu adorei estas cortinas — Sakura comentou quando passaram por um ampla janela, eram cortinas grossas em tom de verde oliva, a sogra sorriu satisfeita.
–sabiamos que sim! Aleera ficará orgulhosa de ter acertado.
–Aleera é que está tão virtuosa como dona de casa? Bom saber, agora posso casa-la!
–não importa o quanto nos as provoquemos sobre ficarem para tias, elas definitivamente não se importam, preferem mimar os filhos alheios e, ter muitos namorados.
–não posso questionar esta parte — Sakura de ombros, e Sakurako deu-lhe uma olhadela severa mas brincalhona.
–não posso dizer muito sobre Verona, ela tem todos os motivos pra se fechar, embora me intristeça que não queira mais dar chances ao amor e casamento, mas Aleera é uma solteirona convicta.
–é uma danadinha, isso sim, ela gosta de ter os pretendentes comendo em sua mão, alimenta o ego dela.
– o de toda mulher, voce deixa que alimentem o seu? — perguntou fasceira.
–como se criando dois filhos e enfiada num hospital dia e noite houvesse alguém para isso.
"Mas é uma..." Sasuke não sabia nem definir, mas faria o que? Dar um tapa nela, a sacudir e manda-la olhar em volta e ver que todo ser bipede com bolas a olhava e comia com os olhos? Inclusive ele? Não gostava de ser ignorado, mas se conformava por não haver nenhuma "excessão".
A sala de chás era um lugar bem aquecido e sobretudo, tradicional e elegante, a metade da sala era elevada, um tablado coberto de tapeçarias caras, e enormes almofadas com mesinhas esculpidas como obras de arte onde incensos exóticos exalavam e um jogo de chá delicado esperava para ser usado com o bule já soltando vapor. A frente desta parte, no tablado baixo, normal, haviam seis almofadas posicionadas em fila.
E foi onde o grupo se posicionou, sobre cada uma, setado sobre os joelhos, exceto Sakura que subiu para a parte alta, o que dividia os dois lugares além da diferença de relevo eram cortinas semi transparentes, mas desta vez, estavam abertas. Ela se sentou numa das grandes almofadas maiores, quase deitando e afundando nelas, e a sogra se sentou numa menor, ao lado da mesinha com as peças de chá, com a qual começou a servi-la, Yuri se levantou e então foi ajudar a servir uma xicara fumegante para cada um.
–arigato — Touka disse, realmente feliz em sentir o vapor quente e aromático no rosto, Yuri piscou para ela e seguiu par servir uma xicara a seu pai, Sasuke rejeitou educadamente, visto que nunca apreciou coisas doces. E tudo o que poderia desejar era um bom banho quente.
– como estão as coisas em Konoha? Espero que a vinda de Sakura não tenha afetado — a senhora disse.
– uma semana nao é grande coisa, e Sakura deixou Shizune, certo? — ele disse, e Sakura concordou.
–mas logo vou ter que deixa-la em paz, ela estará se aposentando.
–significa que vai enfim procurar um aprendiz? — brincou Sakurako.
–não diria isso, tenho muitos nomes, ninjas médicos experientes que podem ser ótimos substitutos temporários, mas um aprendiz... não me sinto afim ainda.
–faz te sentir velha?
–Hahaue!- elas riram.
– quanta diversão — Pronunciou Yato adentrando a sala, seu tom soou meio cansado ou talvez apenas por causa da mascara que só agora ele tirou, junto dele, Akamaru e Kiba entraram, acompanhados de Ren.
–ah aí está voce! Está tudo bem? — disse a avó enquanto os dois subiam para o tablado e Kiba se sentava na ultima almofada junto ao cão.
–ora, claro que estou — Ren sorriu.
–estava falando com Yaboku — ela respondeu erguendo as mãos para alcançar o rosto do neto que se curvou.
–estou bem, apenas meio cansado, viemos sem paradas, — ele disse, sorrindo um pouco da cara emburrada do tio que se largou sobre uma almofada.
–que bom que se preocupa comigo, Okaa-san — Ren resmungou. — muito bom — completou cruzando os braços.
–anwt, não faça esse bico, eu me preocupo e voce nem me cumprimenta — Sakura disse puxando-o pela bochecha para um beijo casto nos labios, ele a abraçou como uma criança mimada.
–que bom que está de volta, vou buscar as correntes pra não deixa-la sair, eu preciso de alguem que se importe comigo.
A mãe dele apenas revirou os olhos, e empurrou uma xicara de chá para o neto, não lhe dando alternativas para rejeitar.
–quer alguém que se importe? ótimo, vamos casa-lo então!
–oh, me parece ótimo — sorriu Sakura, mordaz abraçando a cabeça dele, de confortavel, a expressão dele para alguém que parecia estar sendo sufocado, mesmo que Sakura o abraçasse com toda doçura.
–e-eu tenho que ir!- desvencilhou-se dela.
–ora pra onde?
–fugi-quer dizer! dar uma volta, conferir o perimetro, boa estadia pra todos, bom descanso, e estava morrendo de saudades querida!- beijou a testa dela e sumiu na porta lateral.
–ora pois, o que houve com ele?
–é apenas a alergia a palavra casamento, agindo de novo — Yato deu de ombros.
–oh, só espero que não passe pra voce — Sakurako comentou dando de ombros, ele arregalou um pouco os olhos surpreso, e então deixou a cabeça cair para trás, deitado na almofada.
–sempre sobra pra mim...- comentou com ar cansado.
–vá tomar um banho, dormir um pouco, e esteja inteiro para o almoço, porque suas tias estão preparando um almoço farto, e nem voce nem sua mãe, nem ninguém aqui vai escapar dele.
–uh, um banquete — disse Sakura.
–elas estão na cozinha? — ele disse se levantando, e seguindo para porta — ótimo, assim eu...- abriu a porta e deu de cara com as duas estonteantes mulheres, elas o encararam tão chocadas quanto ele e então o agarraram.
–Yaboku!!!
–fujo...- ele suspirou — ohayo tias.
–awnt querido!
– voce está bem?
–não se machucou?
–comeu direito?!
–está com fome?
–e-eu estou bem juro! — sorriu sem graça se desvencilhando delas — vou pro meu quarto, tomar um banho...
– quer ajuda?!
–não! quer dizer... Não! eu estou bem! vou lá! estou ansioso pro almoço tias!
Elas sorriram com aquelas presas amostra, tão emocionadas e já iam para agarra-lo de novo.
–vou lá! — ele disse se afastando apressado.
–cuidado com a temperatura da água!
–e não vá dormir na banheira!
–hai...
Elas enfim entraram e sorriam, daquela forma sensual e felina, sempre naquelas roupas esvoaçantes.
– muito bem vindos senhores!
–oh eles trouxeram crianças!
Num segundo elas estavam ali, perto, Aleera abraçou Mamoru que quase entalou com o chá e Touka se viu encarada pelos olhos lilases de Verona que segurou seu queixo.
–oh como é bonita, criança Uchiha...- Touka recuou mortalmente assombrada com a rapidez da mulher, ela tinha um jeito meio frio, que despontava mesmo quando era gentil como agora. E Aleera acariciou as bochehcas de Mamoru.
–veja como este aqui é forte! e tãããão fofo! voce gosta de torta? huhhm?
O rapaz assentiu, embora Sasuke tivesse certeza que ele estava concordando que gostava dos seios dela tão perto, pelo menos algo tirava o apetite dele...
–si-sim...
Sakura revirou os olhos.
–tanto amor para com crianças? tenham as suas ora!
–Oohime! — elas ronronaram indo até ela e se abaixando a sua frente para pegar-lhe as mãos — a festa vai estar maravilhosa!
–superará todos os anos temos certeza!
–fico feliz.
–oh diga que trouxe Yuki-kun!
–sinto falta de seus olhos de leão!
–nosso querido leão está estudando para as provas finais, e ano que vem, estará mais perto de ser um gennin.
–prometa que vai manda-lo, para mim! Não sabe o quanto estou ansiosa, quando soube que ele se tornou um Bikaku,meu coração se derreteu! — Aleera afirmou, sonhadora com a mão sobre o colo, pareciam, as duas, de falar ou agir sem parecerem completas sedutoras ou ameaçadoras.
– estou pensando nisso com todo carinho querida,ah, — ela disse voltando-se para os ninja — eu não disse que Yukine deveria treinar com nosso melhor Bikaku, eis aqui, é Aleera.- indicou.
–nossa, que maneira — disse Kiba.
–muito obrigada, é um titulo que nem Yasuhiko poderia destoar — ela disse pretenciosa enquanto batia o cabelo para trás.
–deixe-me adivinhar, quebrou a Rinkaku dele? — Shikamaru disse, sorrindo mordaz com os braços cruzados.
–tres vezes — ela disse e eles arregalaram os olhos — Até mesmo na prova Chunnin!
–sério?! — disse Touka.
–mas claro, todos passamos, por pontos, mas em batalha, eu destrui sua Kagune.
– quanta pretensão, nunca teria ganhado aquela batalha se eu, já não tivesse deixado-ocom trs costelas quebradas e muit irritado na partida anterior — resmungou Verona com seu ar altivo, Aleera se limitou a revirar os olhose olhar a unhas afiadas.
–sempre a mesma desculpa... Só porque perdeu.
–eu perdi, não nego, mas voce não admite que se eu não to tivesse praticamente partido ao meio, voce nunca teria vencido!
–não é verdade!
–até mesmo Yasuhiko admitiu!
–ele só queria agrada-la!
–não seja venenosa!
–chega — disse Sakura enfadada, elas bufaram virando as caras para lados opostos.
–mas vejam pelo lado bom, as duas venceram Ren e Yuzuru — Sakura brincou. Elas adoraram lembrar o fato, Sakurako suspirou meneando acabeça, já prevendo que isso geraria discussões mais tarde quando os quatro se reunissem.
–estão todos cansados e com frio — Sakura disse, se levatando — queridas por favor, podem direcionar nosso hospedes aos quartos? Sei que estão ocupadas com o almoço, mas tenho certeza que o rsto está pondo tudo de si na festa.
–e estão! por isso ficará magnifica! Aliás, falando nisso...- começou Aleera.
–suas vestes estão prontas. — catarolou Verona.
–e serás o ponto alto da festa, Oohime!
–A coisa mais bonita existente no mundo!
–bem como diz aquela canção...
Sakura riu um pouco, lisongeada mas transparecendo melancolia.
–voces não existem, vamos descansar certo? ficarei feliz em ver o que voces e as moças do clã fizeram pra mim, é tudo sempre tão lindo...
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Ao longe, as luzes da cidade eram destaque, alguns fogos haviam sido soltos no fim da tarde, mas agora a noite, apenas luzes, Sasuke observou, da janela do quarto que ocupava, era o mesmo em que ficara com Ino antes, e Touka estava no quarto ao lado.
A neve cedera agora a noite ele assistia também a intensa movimentação no patio, alguns homens limpavam a neve acumulada e crianças tentavam fazer bonecos de neve.
Tudo era iluminado por lamparinas enfeitadas. Entediado, ele saiu do aposento, e caminhou pelos amplos corredore, imaginando que Sakura devia estar ocupada com preparativos também, ou dormindo, mas ficou surpreso de encontra-la passeando perto da varanda dos fundos da mansão, usando um robe longo cor de ameixa e com os braços cruzados, não devia estar protegida do frio, mas parecia ignora-lo.
Ele saiu lá fora e assistiu o que ela via, um longo patio, mais ao fundo um bosque onde mais além deviam estar os muros que cercavam o distrito.
–a neve está sumindo huh? — ela comentou.
–ao que parece.
–sempre torcemos pra ela cesse durante esses dias, e quase sempre somos atendidos.
–hn, não deveria ter começado hoje? A festa?
–são tres dias de festa, mas o aniversário da cidade é no segundo dia, hoje e depois de amanhã, vão haver apenas festas, comida, os cinemas pela metade do preço e o comercio a todo vapor.
– entendo.
Risadas e discussões chegaram até eles e se viraram vendo Yato sair rindo entre os primos e com Touka os seguindo com um olhar curioso. Ele achou que ela já dormisse, mas se ela estava com eles, Yuri devia ter segurando ela mais um pouco, durante o almoço, a garota sentou ao lado dela e tagarelou muito, animada, queria mostrar o máximo possivel do distrito a Touka embora suas obrigações não pudessem permitir muito.
–are are, o que é tudo isso? — Sakura disse, voltando-se pra eles e aliviando a serenidade depressiva que tinha consigo, eles a fitaram e Yuri e Haru empurraranm Yato até ela.
–vai!
–oe, parem!- ele reclamou enquanto empurrava as mangas da camisa social vermelha que usava para mais acima dos cotovelos, os punhos estavam desabotoados assim como os primeiros botões da gola e não estava para dentro da calça preta, parecia pronto para sair, de forma despojada. — erm... okaa-san?
–hum? — ela respondeu arqueando a sobrancelha de maneira desconfiada que os deixou nervosos.
–etoh... eu queria saber se podemos sair essa noite, a senhora sabe, pro Baile.
–o baile? — ela pronunciou pensativa e olhou em volta. — não está meio tarde? — indagou.
–ah... um pouco?
–a gente não vai demorar, tia — suplicou Yuri.
– sem bebidas?
–é só o baile, mãe, o de sempre — Yato afirmou achando graça, e ela deu de ombros fazendo um bico e levando as mãos para alizar seus ombros e arrumar a gola.
–ora eu sei, vai estar cheio de bombas de testosterona e estrogenio loucas para explodirem, o que me lembra... voce vai levando proteção?
–Mãe?! — ele recuou, primeiro pálido e depois enrubescido até o pescoço, o olho revelado estava arregalado, o outro, com um tapa olho médico, como o que parecia ser de costume agora. Os outros tres garotos explodiram em risadas.
– voce está né Yato?! — provocou Yabo.
–ora cale a boca! caramba mãe!
– ora o que foi? — ela perguntou genuinamente sem enteder, Sasuke revirou os olhos pra sua falta de discrição. — voce é um rapazinho, não me importo que se... que se... ora que faça...
–pelo amor de Kami, não complete — ele implorou — vamos apenas dançar eu juro! e não voltamos tarde, vou levar todo mundo!
–todo mundo quem?
–a galera toda tia! primos, e amigos o clã Yumi vai agitar essa noite — disse Haru empolgado e de repente Yuri se lançou em Touka e segurou seu braço.
–e podemos levar a Touka né tia?!
–Huh?! — soltaram a moça e o pai.
–co-como assim? — Touka disse se desvencilhando um pouco, os olhos da Yumi brilharam de animação.
–ora ao baile! vamos vai ser legal! Por favor?!
–e-e-eu...
–tia deixa ela ir?!
–querida isso não está em minhas mãos, Touka está aqui como ninja, sob ordens e também, com o pai dela. — Sakura lembrou e todo os olhares foram para ele, Touka não parecia realmente querer ir, mas ela era uma jovem, uma hora ou outra iria querer começar a sair, ele viu que ela realmente estava construindo um laço de amizade com a miúda Yumi, e sabia que ela não tinha amigas, longe dele estar entre elas, mas a menção, direta ou indireta a sexo, não o agradou em nada.
Nada mesmo.
–talvez seja melhor não... acabamos de chegar.
–nós vamos cuidar dela eu juro! e vamos chegar cedo! pode estabelecer o limite tia!
–oh, se insistem, tem até tres horas — Sakura deu ombros.
–eba!
–tres horas? — ele disse estarrecido.
–eu não vou carregar ninguém dormindo — Yato alertou aborrecido e ele soube que aquele horario era o comum.
O comum!
–não seja chato Yato!
– chato? que seja mas não vou te carregar dormindo, peça ao seu namorado isso se ele não tiver de vir dormindo nas costas de alguém, vão dormir na calçada cobertos pela neve.
– que cruel! Ah mas eu quero levar a Touka! ensina-la a dançar e também queria comprar lembranças! Ah e um kimono bonito pra amanhã!
–na-não precisa se preocupar, vou estar em serviço...
–claro que não — Sakura disse — sua missão era me conduzir até aqui, aqui estou, e só deve se preocupar em levar-me, por favor voce e Mamoru aproveitem esta estadia aqui, eu faço questão que saia com Yuri e as outras garotas, mas — disse já cortando a frase que sairia da boca de Yuri, fazendo-a engolir o ar e quase entalar — apenas amanhã, eu prometo que vou deixar voces sairem e passarem a tarde fazendo compras, então desfaça essas bochechas mocinha — alertou, e baixinha as desinflou inconformada — seja compreensiva, Touka é uma oujo de famila, não pode circular até tarde e nem está acostumada, podem ir voces tres e levem todos, desde que, voltem todos, certo? E na hora certa!
–sim senhora! — os rapazes afirmaram e Yuri assentiu ainda aborrecida.
–vão lá, divirtam-se.
–hai!
Ele seguiram para a porta e Haru teve que praticamente descolar a garota de Touka joga-la nas costas e seguir com ela.
–ah, e Yato...- Sakura chamou animada. Ele parou se virando de uma vez.
–nem pense em falar daquilo!
Ela recuou a cabeça franzindo a testa e fazendo bico.
–are que grosseria, se voce diz que não...
–mae!
–eu confio em voce — resmungou — só queria dizer pra não demorarem caso comece a nevar muito, a distancia do centro até aqui é meio longa, e sua avó já fica preocupada.
–hai,hai — ele voltou beijando sua testa e seguiu pra fora — boa noite mãe, senhor Uchiha, Touka, alias que sorte, Yuri iria te encher os ouvidos. — brincou.
–agora vai encher os seus — Touka rebateu dando de ombros.
–ah, nem lembre.
E então ele saiu.
–será que Mamoru vai? — Sakura se perguntou.
–se tiver comida — disseram os dois, e ela revirou os olhos.
–que crueis, nossa — resmungou de novo e olhou para frente — oh, lá vão eles. — disse sorridente, e eles viram um numeroso grupo de adolescentes e alguns jovens de cerca de vinte anos caminhando em direção ao bosque.
Touka viu lindas e sorridentes garotas, usando casacos para o frio e cachecóis e seus cabelos curtos e cintilantes esvoaçando no ar, elas sorriam das bobagens dos garotos que hora ou outra se empurravam, viu Yato entre eles empurrando também, dando socos leves e sendo vez ou outra puxado pela manga por uma das meninas, ela lhe perguntavam algo, e riam e ele também, não como ria antes, abertamente como um dia de sol, mas contido, porém sincero e alegre.
E então ela realmente quis ir, saber como é, nunca se interessara por saidas a noite, ir a festas ou a casas de jogos sempre, ficar atoa pela rua e conversar besterias até tarde, mas desta vez pelo menos, sentindo-se longe de julgamentos, num lugar diferente, com pessoas diferentes, ela se sentiu tentada a experimentar. No fundo também queria que Yato tivesse insistido perante seu pai, mas isto seria muito estranho, não era como se fossem um casal, e querendo ou não, ele estaria cheio de companhias, ele devia ser como Akira, sempre rodeado de fãs.
–porque estão indo por ali? — seu pai perguntou. Sakura deu ombros.
–porque são umas pestinhas, pegam o caminho mais longo só pra passarem no distrito Hasegawa, aquele grupo que saiu daqui? quando se juntarem aos meninos dos Hasegawa vão ser uma verdadeira multidão!
–então eles já se misturam assim?
Ela assentiu, com um sorriso orgulhoso embora pequeno.
–a união está se concretizando, os mais velhos ainda desconfiam e temem desavenças mas tem esperança, e por isso se motivam e deixam os mais novos se misturarem, embora sejam mais regrados, eles permitem que os jovens saiam e se divirtam até tarde em dias comemorativos, Yato com certeza passará lá e chamará mais primos de segundo, terceiro e quarto graus e muitos amigos, vao todos ao baile e lá vai estar cheio de membros de outros clãs e jovens comuns, assim eles criam laços de amizade, de namoro e companherismo, crescem e passam isso aos filhos e a vila fica mais unida a cada geração, mesmo que ajam diferenças.
– sempre que comentavam sobre os Hasegawa tinha a impressão de que eram extremamente rigidos.
–e são, mas estão se tornando flexiveis, deixando os laços conosco se estreitarem, Yato é esta ligação, e embora ele não vá assumi-los e guia-los, ele é quem vai honrar o tratado, e os Hasegawa prezam suas promessas, sem falar que são apenas crianças, devemos deixa-las serem livres também, a paz está aí para isso.
– livres para chegarem as tres da madrugada? — ele indagou com a sobrancelha arqueada.
– os bailes são pontos de encontro para os garotos daqui, muita dança, calor humano, por isso chegam a ser mais frequentados no inverno, tem salgadinhos e refrigerantes e tem sempre um ninja disfarçado verificando se não existe a venda de alcool e para acalmar brigas bobas, uma das maiores habilidades do Diamante está sendo o controle e a segurança civil, os Hasegawa são parte da policia e como são conhecidos por sua rigidez isso inspira respeito, Yasuhiko propos isso, pensando que cairia como um a luva, dando-lhes uma posição de confiaça, que eles honraram e continuam honrando, eu sei que tres da manhã parece muito para os critérios de Konoha ou outros lugares, mas eles não procuram bares, nem vadiagem, eles só querem correr e rir por aí, discutir seus dilemas e amores, eles não devem passar das duas da manhã e quando chegam estrapolando é por que vem conversando e rindo tanto que os passos ficam ainda mais lentos!
– desde que idade voce deixa Yato ir nessas festas?
–desde os quatorze, mas por que ia com os mais velhos, agora, mesmo com dezesseis é quem é seguido, eles esperam tudo dele, pedem pra que ele peça a mim e que peça ao avo, se sentem mais confiantes com ele a sua frente e definitivamente adoram estar com ele, ele os diverte e deixa que se divirtam, também é mandão quando preciso, e nos ultimos tempos tem estado bem mais responsavel, ele vai dançar e vigiar o mais novos, assegurar que ninguém desrespeite as meninas e que os meninos não briguem, ele vai ser um bom lider e um bom irmão e amigo, oh queria saber se ele arranjou uma namoradinha, mas não me fala muito, fica todo arisco, argh — resmungou.
– é um garoto, não espere que fale abertamente de sexo com a mãe.- Sasuke cortou enfadado.
–eu vou dormir — Touka disse se apressando pra sair dali, ele franziu o cenho estranhando e quando voltou-se para Sakura, ela tinha os braços cruzados e cenho arqueado.
–é uma garota, não espere que fale abertamente de sexo com o pai — Ele suspirou e meneou a cabeça, cansado. — e também sei que não deixou por cuidado.
–huh?
–não deioxu ela ir por cuidado, com os garotos, bom ela é linda e estrangeira aqui, claro que chamaria atenção.
–hn, ela não queria ir.
–ela estava curiosa, e queria passar mais tempo com Yuri, e as outras meninas também querem conhece-la, mas tudo bem — disse seguindo para porta — ela poderá ir no ultimo dia de festa — completou ao passar por ele e dar um leve tapa em seu braço — boa noite.
–huh? como assim, no ultimo dia?!
– durma bem.
–Sakura?!
Mas ela já havia sumido.
–impertinente...
Ele não iria deixar, mas nem morto, sua filha não circularia entre um bocado de menininhas graciosas rodeadas de lobos na puberdade, sendo ainda por cima estrangeira, se tornaria a iguaria mais desejavel.
Nao mesmo.
Então faria questão que ela saisse e batesse perna a vontade com Yuri e outras meninas, de dia, fazendo compras, só meninas.
Não era ciúmes nem possessividade, era só cuidado, Touka era uma mocinha muito centrada, mas nem por isso deixaria ela livre e solta.
A impertinencia de Sakura o irritava cada vez mais, mas no fundo, gostou, de certa forma, contrariando-o para dar mais liberdade a menina, ela pareceu mãe dela.
Era indevido, sabia, Touka já tinha uma mãe, duas na verdade, e nada mais poderia mudar isso. Mas não resistia a adorar esse pedacinho em sua imaginação.
Eles chegaram cerca de duas horas da manhã. Não que ele tivesse ficado acordado para saber, mas sempre que dormia em uma missão, seu corpo despertava hora ou outra e ofazia dar nem que fosse uma simples volta ao redor do quarto.
E as gargalhadas e gritos daqueles garotos deviam ter despertado todo o distrito, ele olhou atentamente não vendo nenhum que estivesse alterado por alcool, embora cambaleacem era de tanto se empurrarem uns aos outros, vieram pela frente do distrito, e se dispersaram até apenas Yato entrar na mansão.
Na manhã seguinte, durante o café, o rapaz cochilava na cadeira, enquanto Yuri servia a mesa aos bocejos. Touka apanhou um bolinho e lançou na testa do herdeiro que nem se moveu, Sasuke a repreendeu com o olhar e ela deu ombros, voltando a comer.
–bom dia! — exclamou Sakura adentrando a sala, com suas vestes esvoaçantes e escuras, como fumaça. Yato saltou no lugar e se ajeitou esfregando o rosto. Sorridente, ela se sentou na cabeceira da mesa.
–ohayo...- ele murmurou levando a xicara a boca, provou e afastou com uma leve careta. — Yuri, café, por favor.
–hai....
–nossa, que caras sonolentas — Sakura disse, acenou com a cabeça para os Uchiha, havia só eles quatro na mesa, por algum motivo o resto da familia principal não dera as caras. — o que aprontaram hein?
–o de sempre...- ele sorriu fracamente — mas chegamos no horario.
–hum, sei.
–e porque todo esse bom humor?
– ah nada demais — ela deu ombros pondo a xicara na mesa — mas agora estou mais do que curiosa sobre a tão falada roupa que fizeram para mim, sua avó e suas tias não me deixaram ver ontem, e ainda disseram que só vão deixar quando eu for usar, então eu me pergunto, será que devo me preocupar com algo? Yuri?
Yuri deu ombros sorridente enquanto servia café ao primo.
–eu não saberia dizer, minha senhora — Sakura estreitou o olhar para ela, meio ameaçador mas moça fingiu não perceber.
–tudo bem então, eu estou com tempo livre, vou revirar toda mansão se preciso...
–oh não! — ela exclamou.
–não?
–não! -Yuri pousou o bule sobre a mesa a disparou pela porta — escondam tudoooo!
–Yuri!
–escondam tudo tias! ela vai vir procuraaaar!
–ui, pestinha! — Sakura reclamou batendo na mesa que tremeu inteira, Yato riu, tranquilo.
– não se compartilha planos com o inimigo..- a mãe o encarou fulminando.
–e voce?
–eu o que?
–o que voce sabe sobre a tal roupa huh?
–eu? Nao sei nem o que eu, vou vestir, Okaa-san, e não entendo nada daqueles milhares de panos e bordados que as meninas vestem.
–ótimo, então pare de falar feito seu pai!
–huh? eu falei?
–"Não se compartilha planos com o inimigo" — ela repetiu engrossando a voz e simulando ajeitar um par de óculos sobre o nariz, Yato suspirou.
–que cruel...
–cale-se, fedelho, alias, é melhor se programar, nada de ficar peranbulando por aí sem ter se vestido direito em cima da hora de sair!
–hai hai.
– é bom não dormir pelos cantos.
–oh, eu vou tirar um bom cochilo depois do almoço, assim eu resisto até o fim da festa.
–bom mesmo, sua avó não gostou muito de voces terem saido, exatamente por terem que ficar acordados até tarde, não caia roncando por aí, e vai pode sair amanhã, certo?
Ele assentiu, e se levantou, beijando sua cabeça seguiu para porta.
–ótimo, nos vemos no almoço.
–almoço? Onde voce vai? — ela estranhou, Yato saiu segurando as portas e sorriu de maneira meio travessa.
–resolver uns... negócios.
–oh? Musuko...- ela chamou de forma carinhosa, buscando pega-lo, mas ele apenas piscou com olho esquerdo.
–ja ne, Oohime-sama.- fechou as portas.
–hum, esse menino...- resmungou.
– ele está com cara de quem vai aprontar — Touka disse.
–que observadora — Sasuke revirou os olhos, pra ele estava mais do que óbvio, e sinceramente, sentia-se com o pé atrás em relação as atitudes daquele rapaz, talvez desde que o vira daquela forma, em que insano e machucado ele chegara a ameaçara própria mãe, Sasuke sentia desconfiança com qualquer um que oferecesse algum risco a Sakura, mas também tinha que admitir que a semelhança que o rapaz passou a ter com o pai, também o deixava ciumento.
–eu também achei, Touka, também achei — Sakura suspirou.
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–Tooooookaaaaaaaa?! — Touka se virou, tirando atenção das corajosas flores de narciso que cresciam e enfrentavam o inverno no canteiro, e viu Yuri vir em sua direção como um gato esbaforido e quase caindo sobre ela ao tentar parar e escorregar na fina camada de gelo acumulada sobre as pedras do pátio.- vamos Touka!!
–huh? pra onde?
–ora pras compras!!
–ah...
–vamos! finalmente eu e as meninas podemos sair e temos que achar algo bem bonito, o que já será dificil porque estamos meio em cima da hora! — ela falou puxando-a pelo braço com pressa, serpenteando pelo distrito, a vivacidade que ela queria ter visto quando chegara estava ali, crianças corriam e brincavam na neve e os pequenos comércios estavam abertos e ainda sendo decorados.
Ela se sentiu assustadoramente nervosa ao ver, na porta do distrito, um grupo de pelo menos trinta meninas, desde crianças a até mulheres de vinte a vinte e cinco anos, sendo sua maioria, garotas da idade dela e Yuri.
Aquela velha sensação, de temor de rejeição a atingiu, e não evitou se encolher um pouco, intimidada por tantos olhares, detestava passar-se por fragil ou timida, mas era diferente com as Yumis, Touka não sentia que seria discriminada ou ofendida como fora na Folha, mas sentia que poderia ser forçada a ser a aceita, apenas por ser filha de amigos da Oohime deles.
–oi gente! desculpem a demora!
–é a sua cara mesmo, Yuri — disse uma mais velha — já nos acostumamos!
–chata! eu fui buscar ela!- indicou Touka — esta é Touka, Touka Uchiha! Minha amiga lá de Konoha, ela é aquela que falei que tem uma banda super legal!
–Yooooo!- elas cumprimentaram. E Touka se forçou a encara-las sob a franja.
–Y-yo!
–Sugoi! Sua pele é tão branca! — exclamou uma garota se aproximando dela e pegando sua mão — Olha gente! Kireeeei!
–sugoi! — disseram as outras rodeando-a e começando a toca-la, nos braços, rosto e cabelo.
–seu cabelo é tão negro! Parece a noite de verdade!
– e tão branca! Oh voce parece de porcelana! que inveja!
– o que voce usa no cabelo?!
–e-eu? É minha okaa-san que escolhe...
–oh voce trouxe um frasco?! queremos saber a marca!
Touka assentiu, lentamente, encarando-as estática, e elas acharam muita graça e continuando a adorar sua pele, ela não entendia o que tinha demais, era branca porque puxara ao pai, seu irmão também era, e sua mãe também embora apenas porque pegava pouco sol. Ela havia trago um frasco pequeno de creme, afinal sua mãe resmungaria muito se não cuidasse nem do cabelo.
–ebaaaa!
–gente vamos logo, ou vamos perder tempo e as lojas já vão estar empanturradas de gente! — disse outra garota mais velha.
–haaaaaai!!! — e assim, em meio a um bolo tagarelante de garotas ela seguiu para o movimentado centro comercial. Estava tudo extremamente colorido e cheio de pessoas, barracas cheias de bibelos, ela não havia trago uma grande quatidade de dinheiro embora quisesse levar uma lembrança para o irmão chato e para a mãe, Yuri aconselhou então que investisse o que tinha pra comprar um kimono e coisas para o cabelo, e as lembranças ela poderia fazer seu pai comprar.
Parecia uma ideia meio travessa, um verdadeiro golpe, mas pelo o que soube, todas elas faziam isso, investindo suas mesadas em roupas apenas.
Ao menos, uma vez então, bancaria a menina esperta pra cima dos pais. Só esperava que o seu, não percebesse...
Caminhava pelo centro comercial a procura de algo para por no cabelo, o que achara meio desnecessário, mas Yuri compraria ela mesma, e como não tinham os mesmo gostos, não arriscaria.
Ao olhar em volta, sua atenção focara, numa cabeleira prateada, e reconheceu Yato, estava parado, recostado na entrada de um beco, os braços cruzados e uma perna flexionada e pé apoiado na parede descascada. Ele tinha uma expressão séria, mas que lhe soou sombria enquanto ignorava os que passavam distraidos. Usava um sobretudo azul bem escuro e então, um homem alto de aspecto mal encarado, feio, apareceu a sua frente, ele trazia junto de si, uma mulher de trinta anos como ele, e que pelas roupas e modos vulgares, só poderia ser uma prostituta.Yato se desencostou da parede o encarando e entao a mulher, que parecia embriagada já que mão se mantinha de pé, suspirou e o chamou com aceno da cabeça, adentrando beco em seguida e sendo seguido pelos dois.
Touka estava completamente confusa e atordoda, parada no meio da calçada, sem conseguir entender de onde e como alguém como Yato poderia conhecer aquele tipo de gente, e ainda, seguir com eles para onde uma placa de neon indicava, ser um bordel.
Yuri surgiu e a chamou, e ela a seguiu sem saber se devia informar sobre o que vira, porque tinha percebido, certo distanciamento entre os dois primos, Yuri parecia não lidar com o jeito de Yato, e se perguntava agora, se a cena que viu teria algo a ver. Ela sabia que não deveria se intrometer em assuntos de familia, muito menos questionar as atitudes de Yaboku, mas sabia que Sakura não ficaria feliz de saber tal relato.
Não sabia o que fazer, nem se deveria, então, pelo menos por enquanto, guardaria tudo para si.
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– ah finalmente huh? — Sakura resmungou quando enfim, foi permitida adentrar a sala de costura, incomodou-se então, com o olhar meio apreensivo das irmãs, e a calmaria de sua sogra.
Olhando pra frente a luz que vinha das janelas batia nas costas de um manequim, que estava coberto por um tecido, além das irmãs e da mãe, estavam Samiko e Ohara, esperando sua reação.
– desculpe querida, mas achamos que deviamos esperar mais um pouco — Sakurako disse.
–sim, o bastante pra eu não poder questionar o que armaram, por Kami, Hahaue, já é quase noite e nem sei o que vou vestir.
Ela já havia tomado banho, passado do tipo de loção pra pele e cabelos, parecia que ia se casar até, mas não gostava de ficar na duvida, queria ao menos ter tido uma ideia do que lhe criaram, para escolher que joias e que tom de maquiagem usar, mesmo que tudo já devesse casar com o costumeito preto, ela precisava casar tudo com o modelo.
–ora parem de drama mostrem logo isso!
Sakurako suspirou, desistindo de acalmar os animos de sua segunda filha nora, Sakura quando se exaltava, não tendia a se acalmar mas a piorar o humor. Moveu o olhar até Samiko e Ohara, e as duas em entendimento seguiram até o manekin, que Sakura começou a considerar meio redondo, e começou a presumir o que era, com um suspiro, já sentia o corpo pesar e preferia continuar na camisola e robe que usava agora.
Mas seus olhos se arregalaram e o seu ar faltou, quando uma explosão de cores quentes e frias, bordados e pinturas caprichosas destacou-se a sua frente, parecendo quase uma visão com a luz do sol batendo por trás, com a boca seca e os lábios tremulos, ela recuou um passo, como se o Junihitoe pudesse mata-la, e talvez fosse.
–o-o que significa isso...? Hahaue...?!
–oh, fique calma por favor — Aleera pediu já querendo choramingar.
– como devo ficar calma?! O que significa isso?! Hahue!
– acalme-se Sakura, ninguém vai machuca-la, muito menos o kimono — sua sogra proferiu calmamente, e ela odiou lembrar que sua calma era dada em herança falecido, e que as vezes lembrava ele. — querida por favor, voce sabe o que significa isso, Sakura, eu sei que dói, sei que não quer se desfazer do luto, mas sei... que também não é por Yasuhiko.
–o que...
–voce não esteve de luto tanto tempo por ele, voce esteve de luto por outro — calmamente ela seguiu até ela colhendo seu rosto — mas querida, por favor, chega, voce não precisa passar por isso, independente de qualquer outra circunstancia, já está na hora de voce voltar a se abrir, e se colorir, então por favor, aceite este presente, e faça dele um novo recomeço.
Sakura não soube o que responder, ela não queria, mas também estava esgotada, sua amardura negra não poderia mais protege-la de sua dor, nem oculta-la e estava, começando a dar-se conta disso, porém não esperava que outros percebessem, rezava que não, mas fora inutil. Como tantas outras coisas porque lutara.
Ela deixara de sentir tanta dor e saudade de Yasuhiko já algum tempo, pudera até mesmo ser uma mulher novamente, ainda que por um periodo curto, com outro. Uma pequena aventura inofenciva, mas que lhe fizera muito bem a alma.
Mas dava-se conta agora, do quão hipocrita estava sendo com a memoria de seu senhor, usando-o para ocultar outra dor que nunca curava ou diminuia, afastando de si não só a perpectiva de outro companheiro, mas de outra possivel familia, outra possivel gravidez.
Ela já havia escolhido jamais deixar o luto, jamais deixar o nome e representação ao clã enquanto Yato não se casasse e uma nova senhora fosse posta em seu lugar, jamais deixar Yasuhiko morto e no passado, mesmo que já estivesse conformada. Era egoista e sabia, mas era sua segurança, a unica.
Como se estivesse sendo obrigada a ficar nua e exposta, de dentro pra fora. Ela chorou como a muito não chorava, o resto da tarde fora inteiro dedicado a derramar lágrimas e a vestir o Junihitoe, cada camada, cada peso sobreposto de seda nobre, cada amarra e cada penteado testado. Quando não dava conta e começava a gritar feito uma criança, Hahaue pedia uma pausa e lhe secava as lágrimas com a manga do próprio Kimono, com paciencia, suavidade mas também firmeza, dizia-lhe para parar, que ia passar, que sabia que doia, por que sentira o mesmo, que seu rosto ficaria inchado e não ficaria bonita, tratando-a não só como se fosse Oohime, mas como Oujo, alguém que nasceu uma princesa, e não que o era por meio do casamento, em seu caso. Fazendo-a lembrar do fardo que sua posição exigia, e suas obrigações.
Fazia tempo que ela não sentia o peso do nome de tal forma, não sentia-o desde que se casara com ele.
O peso lhe sufocou ainda mais, porque não tinha ele para segurar sua mão, lhe sorrir de forma mordaz, confiante, e lhe guiar.
Além disso tudo, mesmo depois de ter parado e ja ser noite, outro peso a sufocou, uma sensação quase desconhecida, deixava-a ansiosa, e lhe fez querer ver Yaboku, assim como falar e ter certeza que Yukine estava bem, não era exatamente ligado a eles, mas parecido, talvez fosse com os dois.
Sentia-se perturbada e tudo o que podia fazer era olhar pela janela e encarar aquela lua que brilhava.
Como se fosse um item raro, ela não tinha permissão de ficar exposta antes da hora, mas implorou que Verona ao menos trouxesse um telefone para que falasse com o menino ou Hinata, enquanto Aleera partiu a procura de Yato.
Seus olhos não paravam secos, e já perdera as contas de quantas vezes refizera a delicada pintura rósea nos lábios tremulos e secos, se borrasse a maquiagem levaria um sermão, e estava tão mole que cairia chorando outra vez.
Cansada de estar sentada no tatame, se levantou e começou a andar de um lado para o outro, arrastando a pesada veste, o casaco sedoso e a faixa semi transparente que o arrematava.
E então, apenas caiu sentada novamente, olhou para o teto que quis chorar de novo.
A porta rangeu baixo, e Yato adentrou a sala olhando em volta e correndo até ela ao localiza-la, a longa cauda do sobretudo cinza escuro que usava se arrastou atrás dele, usava calças pretas e parte de cima como um kimono aberto mostrando o peito e a espada do pai embaiada no cinto.
–Okaa-san...- ele também não soube o que dizer, apenas chocado em ve-a tão fragil e bela, ela não vestia os Junihitoes coloridos desde que seu pai se fora, e só não estava praticamente igual a aquela época pois seu cabelo não alcançava a extensão de outrora. Quando sua avó disse que ela estava apenas muito ansiosa, já deveria saber que ela estava tentando diminuir a verdade apenas pra não deixar que ele ficasse zangado e tentasse parar tudo aquilo.
Sakurako Yumi era a avó mais amorosa que conhecia, mas era também uma grande e severa senhora de clã, quando assumira Sakura como sua nora e filha, assumira também que iria fazer dela uma digna sucessora, as coisas eram assim no mundo feudal, regradas, severas, as vezes frias e calculistas, e ele só poderia lamentar e dar consolo, porque sua mãe nascera uma moça simples, em sua essencia ela ainda era uma flor de campo, uma flor de arvore, como as muitas que haviam, não algo criado em um jardim particular, cuidado com mimos e carinhos desde a germinação. Ela se tornara uma mulher digna de ocupar qualquer trono, mas ainda era, uma mocinha singela que estranhava os caprichos da corte, e sofria para atende-los.
Sakura o abraçou, encolhendo-se, chorou baixinho como se temesse uma bronca dos mais velhos, e se sua avó os pegasse faria isso. Poderia partir o coração dela ao meio, mas nunca demonstraria, não enquanto não acabasse. Ela sofreu calada quando ele fora levado, e sofreu calada a morte do filho mais velho, chorando apenas quando sentiu o choque, era admiravel, mas Sakura Haruno não era tão forte, e o ser vinha apenas machucando-a mais.
Também o cansava ser apenas o consolo, e ele já se movia para mudar esse quadro, mas não adiantava ser tão apressado ou calculista, era obrigado a esperar.
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–voce vai ficar linda, aliás, já está — Touka sorriu singelamente para a senhora, notando em seu sorriso e olhos pequenos um brilho fraco e depressivo, estavam elas todas, praticamente todas as moças solteiras do clã, numa das grandes salas da mansão, entre alguns regalinhos para o estomago e dezenas de tecidos de todas as cores espalhados pelo tapete, arranjos de cabelo e maquiagens.
Algumas ainda costuravam as próprias peças e ela não conseguia deixar de admirar tanta dedicação, para usar apenas numa noite, uma vez na vida, porque ninguém gostava de repetir peças, antes de se vestir, ela visitara o quarto de Yuri, e ela lhe mostrara todos os kimonos dos anos anteriores, suas yukatas de verão e primavera e também as fotos de cada festa, pra que tivesse uma ideia de como seria.
Touka reconhecia que nunca vira tanta arrumação que não fosse nas festas de ano novo, onde Hinata recebia todas as amigas na mansão e passavam o dia escolhendo penteados, pra ela era muito simples, escolhia algo que lhe agradasse, uma presilha ou tiara, pouca maquiagem e estava pronta, já sua mãe levava horas escolhendo o penteado perfeito para seus cabelos longos, a roupa e maquiagem que fechariam tudo com perfeita harmonia.
E não só elas, o mulherio inteiro, nesse momento sentiu falta dela ali, ela provavelmente lhe esfregaria na cara que só porque tinha cabelos curtos não era motivo pra achar que não precisava se preocupar em fazer algo caprichado, por que todas as meninas solteiras e garotinhas do clã os tinham no máximo até a altura dos ombros e estavam histericas em escolher algo diferente.
Era engraçado, mas ela não escapou, e agora tinha o cabelo preso num coque pequeno, mas arrematado com uma presilha banhada a prata e um arranjo de flores vermelhas de petalas abertas e largas que Yuri disse que combinavam perfeitamente com ela.
–arigato — responder ao elogio e em seguida Yuri resmungou pra que ficasse quieta e ela terminasse de desenhar o redor de seus olhos com um fino pincel, a tinta negra e fria fazia-lhe cócegas irritantes e provocava a vontade de piscar e esfregar as orbes, mas como se fosse sua mãe, Yuri disse em tom autoritário que ela iria se acostumar, e que a beleza tinha seu preço.
–ah terminei! — enfim disse — mas evite piscar muito até que seque tá?
–hai...- resmungou e outra riu.
–ah isso me lembra, olha o que pediu para Ohara-san fazer pra voce — sorridente ela lhe estendeu uma caixa pequena e fina em diamentro, Touka abri e encontro um leque fechado, curiosa e surpresa, o pegou do cabo soltavamse duas longas linhas vermelhas, e quando o abriu, ele era azul escuro tal como seu kimono, e no centro estava desenhado o simbolo de seu clã. — voce gostou?!
–e-ela fez? Como... ?
–ela é uma grande artesã! Não é lindo? Verona-sama que nos lembrou, que já que seu kimono foi comprado aqui e em cima da hora, não levava seu simbolo, então pra que não passe desperbido deu a ideia de fazer um leque pra voce mostrar! Não é legal?
–é incrivel... e lindo, adoraria mostrar a okaa-san...
E também ao pai, porque mesmo sendo um cara "durão" ele nunca conseguia esconder perfeitamente quão feliz ficava de ver ela e Itachi portando o simbolo da familia em ocasiões de grande importancia, sentia orgulho, e as vezes, parecia até um consolo.
–ora voce vai! É todo seu, um presente! vai mostrar a ela quando chegar.
–oh, sim... arigato.
– e claro que vamos tirar milhaaaares de fotos pra mostrar depois...
–Yuri...- censurou embora não tivesse energia para tal, tão encantada com os detalhes sutis no objeto, a coisa mais feminina e parecida com ela que já vira na vida, o azul do leque era preenchido por finissimos, quase invisiveis ramos em vermelho, se espalhando, como se se enraizassem.Yuri sorriu mais alegre ainda em te-la agradado. E ela não resistiu em sorrir mais um pouco, ansiosa, de verdade, em ir a festa.
Batidas soaram na porta e todas voltaram suas atenções para lá, Ren apareceu e sorriu sempre galante para elas.
– interrompo?
–já o fez — disse Aleera e elas riram, ele revirou os olhos e pos o corpo para dentro.
–apenas vindo saber se as ojous estão prontas, os rapazes estão lá fora e ameaçam ir sem espera-las.
–ora que vão, não ligamos — disse outra moça e todas concordaram.
–damas crueis voces, huh? Okaa-san? Hime-sama está pronta?
–está, ao menos espero que ainda esteja — ela suspirou.
–ah...- ele suspirou e com um semblante meio carregado se retirou.
–vem — Yuri murmurou se levantando e puxando-a.
– pra onde?
–apenas venha!- ela puxou apressada e olhando em volta, como se temesse ser vista, a conduziu para fora e a forçou a correr o máximo possivel, usando o Furisode, as mangas longas balançando no ar, quando finalmente pararam, Yuri se escondeu contra a parede para espiar algo, e Touka se curvou tentando respirar, incrivel como cansava, e seus pés já doiam nas sandalias apenas após aquela corridinha, além de serem pesadas as roupas, ela não tinha o costume de usar.
–o que está fazendo...? — Yuri pediu silencio quase tapando-lhe a boca enquanto espiava algo, Touka ergueu o tronco e espiou acima de sua cabeça mas tudo o que viu foi as portas fechadas de uma sala.
–oh, Yato está lá...- Yuri resmungou.
–eh? — Touka focou o olhar, valendo-se da herança ocular viu dois pontos de chacra além da porta, reconheceu que pareciam estar de frente um para o outro e que o chakra mais concentrado era o de Sakura. — ele está lá com a mãe, o que voce quer?
–Shiii! — Yuri colou o corpo contra a parede e empurrou o dela tapando-lhe a boca, Touka fez o mesmo assim que ouviu a porta se aberta num rompante e Yato passar seguindo o corredor sem nota-las na curva, seus passos era rapidos e duros, assim como suas costas estavam enquanto a barra do longo sobretudo se arrastava atrás dele, quando o sentiram sair do alcance, soltaram o ar.
–ufa... ele parecia irritado...- a baixinha disse.
Ela teve que concordar, e se perguntava novamente se tinha haver com o que presenciara mais cedo, Yato chegara atrasado para o almoço, mas soou completamente tranquilo mesmo quando a avó indagara sobre seu paradeiro, ele disse que havia ido visitar o avo mais cedo e então ido a joalheira da familia.
Ele mentiu.
Ou pelo menos omitiu, se ainda tivesse mesmo feito o que dizia.
–vamos.
–pra onde? — Yuri a puxou pelo pulso até a porta, pediu que fizesse silencio e adentrou o local sem bater, Touka a fitou escandalizada pela invasão mas acabou sendo arrastada de todo jeito, a sala estava praticamente as escuras, haviam grandes janelas permitindo a entrada da luz lunar e do frio, não nevava e o céu estava limpido o que animou a todos.
–quem é? — ouviram a voz de Sakura e se voltaram para um biombo de banbu em faixas horizontais que dava uma visão fraca de quem estava por trás.
Yuri a puxou e ela quis dar-lhe um cascudo por não se pronunciar, Sakura poderia desconfiar e ataca-las. Contornaram o biombo e depararam-se com ela.
As cores daquelas vestes tão nobre sobrepostas de maneira tão harmoniosa iluminadas pela lua, chegou a atordoar seu olhos.
–Sakura-Ouhi-sama...- Yuri murmurou emocionada e se sentando sobre os joelhos diante dela.
–Yuri... Touka, são voces — Sakura pos a mão contra o colo, emcoberta pela larga e longa manga, não podiam nem ve-la. — voces me assustaram.
–gomenasai — Touka repetiu o pedido enquanto também se sentava, e percebia quão abatida a Ouhi estava mesmo sob maquiagem alegre a deixar seu rosto semelhante a uma obra.
– a senhora está muito bonita — deixou sair, Sakura a fitou levemente surpresa, e sorriu fracamente, suas orbes vermelhas, irritadas, denunciaram lágrimas abundantes. A moça se arrependeu por ter uma boca descontrolada as vezes, quando perguntou: — mas... por que a senhora não está de preto?
As duas a fitaram e Yuri deu-lhe uma cotovelada mau disfarçada. Sakura suspirou, e a fitou, sinceridade sempre parecia transbordar em seus olhos, independente da situação, e nesta não foi diferente, e também havia um desconsolo quase imensuravel.
– porque não posso mais.
Não podia? alguém a proibiu? Mas como poderiam força-la a deixar o luto? Seria um casamento? Afinal, como diziam as tradições mais tolas ( na opinião dela) a familia do marido da viuva tinha certo direito de escolher um noivo, ou ao menos indicar um, se a mulher não tiver mais o amparo da familia de origem, e era exatamente o caso de Sakura.
Fariam mesmo isso?
–por que não... — começou, ao mesmo tempo que Yuri apertara sua mão e a sala fora adentrada, Yato surgiu num rompante por tras do biombo e por um momento as fitou surpreso.
–voces... ah, tudo bem, Okaa-san, a condução está esperando.
–obrigado, querido.
–e as garotas esperam voces, seu pai quer te ver também, Touka-chan.
–hun.
–é melhor irem ou vão perder os melhores lugares pra verem os fogos — Sakura incentivou gentilmente, mas para Touka ainda parecia muito cruel leva-la dali naquele estado, vestida assim de forma tão fascinante, parecia uma princesa sendo levada a algum sacrificio, talvez fosse.
Elas não se moveram dali, e apenas assistiram Yato a ajudar a levantar, e sair do local, a passos lentos como obviamente a roupa pesada exigia.
–vamos, ou seu pai pode ficar preocupado e as garotas quererem nos bater.
Touka se levantou e seguiu a amiga, não deixando de exigir uma resposta, no minimo, mais clara.
–o que está acontecendo, Yuri?
Yuri suspirou, parando a sua frente e a fitando de soslaio.
– Sakura-sama... não pode mais usar o luto.
–porque? Vão tentar casa-la?!
–não, é só... Que, ela já se curou, o luto não é mais necessário, na verdade, o luto só a está machucando agora.
–como pode ser?
– é complicado... Mas Sakurako-sama, está cansada de ve-la se machucando... dentro deste véu negro que ela criou...
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O ar estava tão ridiculamente empreguinado de perfume que ele sentia o nariz arder, ainda assim nãovira Touka.
Sasuke observou as meninas e rapazes encherem o pátio, rindo e discutindo sem parar, comparando roupas, se elogiando ou apenas se zombando mesmo.
–e pensar que para um clã quase desconhecido, estejam se multiplicando tanto — Shikamaru comentou ao seu lado.
Ele não pode deixar de concordar, em sua mente via cada jovem daquele se transformar em um comedor de carne humana, e sendo tantos, não lhe soara nada apreciavel. Mas sabia que era exagero, nem metade daqueles jovens eram Ghouls completos. Assim como o Sharingan não atingia a todos os membros do clã Uchiha, a henrança de Ghoul tinha seus escolhidos, em sua maioria aqueles garotos deveriam ser no máximo feras e Shinkis.
–hora de ir! — Anunciou Kuraha vindo na direção deles e batendo palmas o que foi o bastante para dispersar os garotos, mais uma vez em meio a garotada ele tentou encontrar Touka e então sentiu um leve puxão na barra da camisa que usava e se virou encarando-a.
–tou-san...
–aí está voce, achei que estava perdida.
Ela pareceu-lhe amuada, mas notou sobretudo a forma como seus olhos estavam destacados de maneira delicada e a flor vermelha que adornava seu penteado. Sasuke tocou com delicadeza seu queixo e o ergueu fazendo-a encara-lo.
–voce está linda — elogiou, e embora não fosse nem um pouco dado a essas coisas, sempre valeu a pena ser um pouco mais agradavel e dizer a verdade ao menos a ela e a Ino que pouco podia dar-se ao luxo de sair e exibir toda a beleza que tinha.
Touka corou de forma graciosa, e sorriu de maneira faceira enquanto puxava um leque preso ao obi e abria a frente dele, escondendo o rosto e deixando apenas os grandes olhos negros a vista. De primeira, ele franziu o cenho, e só então deu atenção ao objeto, piscou levemente estarrecido ao ver o leque Uchiwa, e sorriu acarinhando a cabeça dela cuidando pra não bagunçar seu penteado.
–agora está perfeita.
–ah papa...- ela riu.
–vamos Touka! — Yuri gritou.
–ja vou! — ela respondeu se apressando para dar um beijo no rosto dele e correr naquela roupa complicada enquanto acenava. — até mais!
–Aa — ele assentiu, e a viu praticamente se misturar as garotas, até que elas começaram a se organizar dando os braços umas as outras e formando varias filas que seguiam para a saida do distrito e eram perturbadas pelos garotos.
– ela está crescendo — o Nara comentou — os convites de noivado vão aumentar, voce sabe. — Sasuke revirou os olhos para a ideia. Mas quase instintivamente olhou novamente para sua garotinha só pra ver se não havia algum marmanjo rodeando.
–e voce? Sango promete ser tão insuportavel como a mãe, mas nada feia.
–hunpf, o clã Nara está cheio de garotinhas, basta eu tirar a minha da reta, mas voce — ele seguiu batendo em seu ombro e sorrindo — só tem uma Uchiha a oferecer.
–hilariante — Sasuke desdenhou já afim de manda-lo tirar uma soneca, a maior parte da garotada já havia partido e por isso o distrito ficou mais silencioso e vazio, só adultos saiam conversando calmamente e levando crianças de colo e menores.
A condução Yumi parou mais adiante e pelas janelas eles viram Verona e Aleera, totalmente comportadas em Junihitoes explendidamente caros, Verona usava um habitual verde erva, e Aleera vinho, apenas os decotes eram ousados e os cabelos estavam arrematados por palitos de pontas redondas, e tiaras.
–voces viram Ren? — disse Verona sempre altiva e séria.
–morto, de preferencia? — completou a outra com manha.
– não encontrei qualquer corpo pelo caminho, e voce Sasuke?
–Idem.
Elas resmungaram algo e então ouviram passos atrás de si, e viram Sakurako vir a passos pouco apressados, seu kimono nobre era branco, mas preenchido de raizes e ramos em preto, passou por eles fazendo um elegante aceno da cabeça e Kuraha abriu a porta da carruagem permitindo sua entrada.
–e Sakura? — indagou Aleera num sussurro.
–Yaboku vai traze-la, ele está magoado conosco.
–ooooohhhhh — elas lamuriaram enquanto a senhora, suspirou com ar abatido.
Os passos das sandalia de madeira soaram pela calçada, e os dois Shinobi se viraram.
–Sa-Sakura? — Shikamaru exclamou deixando o cigarro cair da boca, e o outro, com o pingo de raciocinio que ainda teve, se calou.
O brilho intenso daquela meia luda deveria ser o bastante para visualizar seu rosto, mas não pode, estava abaixado enquanto era conduzida por Yato, mas mesmo que só visse o principio do queixo e nariz, ela já era uma visão.
Ele ja a vira belissima muitas vezes nesse quase um ano de convivencia em Konoha, mas de todas as vezes essa era a que mais parecia surreal. Não um sonho elegante e sensual, uma senhora imponente e inalcansavel.
Apenas Sakura, retratada em sua mais sublime essencia.
Uma flor.
Sasuke piscou algumas vezes antes de dar passagem a eles e fitou Yato, o rapaz tinha a postura bem posta e um tanto dura, encarou-o vendo que usava um tapa olho de couro preto com detalhes em prateado, seus lábios crispados davam uma impressão no minimo irritada. E percebendo que Sakura não respondera ao Nara e escondera metade do rosto com a manga da roupa, ele teve certeza, que mesmo a coisa mais bela que ele já vira, ela não estava bem.
Yaboku, educado como um herdeiro, tinha o braço vago crusado atras da costa enquanto o outro ajudou a mãe a subir para dentro e fechou ele mesmo a porta.
–voce não vai agora? — disse Verona chocada.
–não, vou resover um assunto no caminho, mas estarei lá quando chegarem.
–oh... — elas tentaram questionar mas foram cortadas pela tia.
–tudo bem, só não demore, onegai.
–Aa — seco e curto, e ele seguiu a pé para a saida iniciando uma corrida, Kuraha subiu no coche, e tomando as redeas dos cavalos moveu a carruagem. Uma parelha de dois cavalos negros, com uma égua graciosa e malhada entre eles.
–isso não me cheira nada bem — Shikamaru disse, dando-lhe uma leve cotovelada e o fitando de forma tensa. Os dois assentiram e se moveram começando a seguir a carruagem. em cima do teto iam dois ANBUs do Diamante, e mais uma revoada deles os acompanhava discretamente.
–vamos seguir com o plano, eu fico na festa com Mamoru e voce e Kiba tomam conta dos arredores.
–não, deixe Mamoru comigo.
–ha?
–Kiba e o vira-lata tem bons ouvidos, e Naruto vai querer saber sobre o que vão conversar nesta festa, principalmente, perto da Sakura, e, longe dela.
–tudo bem.
Sasuke percebeu quão boa fora a ideia de continuar em forma de trabalho ao inves de apreciar a festa, usava uma calça e uma camisa de Kimono, apenas para ficar a paisana e levava ainda a espada consigo.
Quase quis se prontificar a estar do lado de Sakura, mas sabia seus próprios limites, iria ficar encarando e ela e bufando pra qualquer um que se aproximasse dela. Além de, não poderia arriscar suas pretensões e desejos serem descobertas pelo afiado Nara.
Ela estava colorida, numa festa oficial, e ainda dentro daquela aldeia, ele não queria nem pensar no que isso poderia significar e nas consequencias que poderia trazer, o tipo delas. Só vislumbrar tal coisa, lhe enchia o estomago de ansiedade e de ciúme.
Não podia apenas julgar, faria o que fazia de melhor, por mais custoso que fosse, apenas observaria e calcularia cada fato lançado ao seu redor.
A lua estava belissima e lhe trazia velhas lembranças, mas esta noite o brilho dela o enchia de uma ansiedade diferente. Ele não era o tipo que pressentia as coisas, mas parecia, tinha certeza, que algo estava para acontecer.
Desconhecido, e por isso, com potencial de perigo.
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–suuuuugooooi! — exclamavam as meninas e Touka não se deixou ficar par trás, sua boca mal se fechava e a todo momento elas esbarravam em alguém, mas era impossivel, as ruas próximas a torre do Shinjukage estavam abarrotadas de gente, luzes e cores. As calçadas eram disputadas por habitantes e vendedores de todo tipo de bugiganga e lembrancinhas.
–Olha Touka! — Yuri apontou um grande balão que subira para o céu cheio de desenhos tradicionais muito vividos. Ela assentiu demonstrando que via e admirava.
Mas ao desce-los viu novamente a cabeleira prateada na multidão e desta vez, não iria deixar passar. Ela ainda continuava com a resolução de não se meter em assuntos de familia, mas até onde sabia ir num bordel não era uma opção pra revolve-los, deixou Yuri distraida e se afastou tentando cortar caminho pela multidão chegou a calçada oposta e entrou no beco, no fim dele viu Yato entrar numa curva, em vez de, e para sua surpresa, adentrar as portas do bordel que ficava exatamente no caminho que ela seguia, se apressou já que não poderia correr e tentou segui-lo.
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Yato suspirou ao encontrar apenas a mulher parada naquele beco ainda menor e mais escuro, olhou em volta procurando Hakei mas desistiu, o velho devia estar no prostibulo, bebendo e gastando o ultimo pagamento, mas desde que lhe tivesse conseguido o que precisava, não importava.
Tinha que pelo menos estar lá no prédio quando sua mãe chegasse e tentou ser direto.
– ele conseguiu?
–oh, ele é um bebado, mas serve pra algo quando está sóbrio. — ela afirmou se afastando da parede e tirando do kimono frouxo um pequeno envelope, Yato não podia negar que queria estraçalha-lo e olhar o conteudo mas tudo o que menos tinha agora, era tempo. Pegou-o apalpando só pare ter certeza de que havia algum conteúdo.
–obrigada.- Ela assentiu apoiando-se em seu ombros, e sorrindo de maneira duvidosa embora ele estivesse totalmente absorto na decisão de olhar ou não o que Hakei tinha descoberto. A mulher apreciou e tocou seus ombros, maravilhada com sua constituição mesmo que ainda fosse tão novo. Não que isso foi algum tipo de empecilho pra ela, na verdade, era até melhor.
–mas alguma coisa? — ronronou.
–ah...
–hum?
–diga a ele que entro em contato se for preciso, tenho que ir, arigato! — cumprimentou-a e deu as costas, a mulher bufou vendo-o ir embora.
–esse moleques de hoje, estão perdendo toda a curiosidade? Hunpf...
Yato acenou gentilmente a um bebado e ao chegar mais proximo das saidas para o centro, seu corpo bateu em uma curva e quase saltou para trás ao ver Touka.
–Touka?!
– é voce!
Ele olhou em volta vendo que seu pequeno choque chamara atenção de um grupo de bebados, puxou a garota pelo braço e seguiu até saida do ultimo beco, parou e a fitou, ela o fulminava provavelmente irritada por ter siso conduzida e cruzou os braços.
–o que faz aqui? Não é lugar pra voce — ele disse, olhando para a rua e procurando as outras moças.
–eu poderia dizer o mesmo sobre voce, e duas vezes- ela rebateu afiada e desgostosa e ele a fitou.
–huh?
–vi voce entrar aqui essa manhã, e bem, vi agora de novo, o que fazia com aquela gente?
–ah... droga.
–sua mãe sabe?
– voce pode guardar segredo?
–o motivo vale a pena? — resmungou.
–eu estou fazendo... uns negocios certo? Tem haver com a familia, mas não posso me dar ao luxo de espalhar isso agora.
–o que é?
–nem de contar a alguem — ele suspirou e ela também, encolheu-se um pouco zangada consigo mesma por ter exigido quando já sabia que não era mesmo de sua conta, mas a ideia de ele esconder algo da familia não deixava-a confortavel, não parecia próprio de Yato, pelo menos não daquele que conheceu tempos atras.
–tudo bem.
–obrigado, por compreender, de um jeito ou de outro vai haver confusão e não quero prejudicar ninguém com isso, mas já meio que fazendo isso... pode guardar para mim? — pediu, estedendo-lhe um envelope, era preto e selado com um adesivo simples sem simbolos ou brasões.
– o que é?
–eu sou muito desastrado e vou passar a noite cumprimentando pessoas, sem falar que estou louco pra descobrir o que tem ai também, e se o fizer posso estragar tudo pra mim mesmo, então pode apenas guarda-lo?
–bom...- ela assentiu, escondendo o envelope dentro da larga faixa do obi e apertando-o um pouco — mas, não garanto que não vou olha-lo eu mesma — provocou, ele riu um pouco.
–aí vai estar oficialmente encrencada, mas obrigado.
–quando eu devo devolver?
–não se preocupe, apenas esconda, eu te procuro.
–tá.
–eu tenho que ir, não posso me atrasar.- Touka fez uma leve careta em sermão a ele e olhou em volta agora preocupada.
–Yuri deve estar me procurando...
–então vá, e aliás.
–hum?- fitou-o e o viu sorrir de forma travessa. Ele deu um leve toque em seu queixo empurrando-o para cima enquanto se afastava.
–voce está linda.
A moça entalou chocada e rubra, e o viu saltar para o telhado do mercado ao lado e então subir para o do outro e desaparer.
–seu grande...argh!
Ela pisou duro irritada por ter enrubescido tão facilmente pela segunda vez e ainda mais pelo toque rapido e na sua opnião, ousado, seguido de tal comentário.
Agora só lhe incomodava aquele envelope, que mesmo estando distanciado dela pelos tecidos, era como se fosse totalmente sensivel a ele, e a curiosidade que ele trazia. Tentava bolar milhares de teorias para o que Yato buscava, mas principalmente, esperava que não fosse algo que magoasse a mãe dele de alguma forma.
Encontrou Yuri que parecia tão histerica quanto uma mãe estaria se perdesse o filhinho ali, e juntou-se a ela novamente. Elas seguiram para a praça em frente ao predio do Shinjukage, era lá, comendo besteira e rindo entre amigos que esperariam o discurso de aniversário da aldeia feito pelo Daimyo que governava o país e principalmente, pelo Shinjukage.
Ao que parecia algumas pessoas já haviam visto como a primeira dama estava trajada esta noite, e rumores rolavam a solta, curiosos pra ver como ela estava e se estava tão bonita, e principalmente se isso significava que ela ficaria noiva.
As garotas, e não só as do clã, mas as moças da vila estavam ansiosas para verem Yato da grande sacada onde ele deveria dar as caras e acenar assim como a mãe os tios e o governante do país, como verdadeiras fãs, já com olhos brilhando de ansiedade.
Ela não pode negar, que elas não se decepcionariam.
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Como não havia tido a oportunidade, Sasuke não sabia que Daimyō que governava o país do Cristal fosse tão novo, tinha provavelmente pouco mais que a idade dele, bem apessoado e principalmente, esperto.
Seus olhos acostumados a vislumbrarem o luxo, viram e brilharam com a oportunidade de adquirirem um artigo ainda mais valioso, gracioso, almejado e belo.
Ele só precisou ver as cores uma vez, e já estava se armando.
Rato filho da puta.
Até porque era casado. E sua senhora já percebia o mesmo, pois o filho da puta nem disfarçava. Ela não disfarçava que estava zangada e os dois filhos mais velhos dela, um de cerca de vinte anos e outro a idade de Yato, também viam e obviamente pareciam achar ter mais chances que o pai.
BANDO DE RATOS FILHOS DA PUTA.
Ele revirou os olhos quando ouviu outro gracejo mau disfarçado ser dirigido a Sakura, mas o que mais o irritava era que pareciam ignorar, que ela estava desconfortavel e abatida, acuada e nervosa.
–bom, hora de agir — disse Ren, ele franziu o cenho e assim como o outro assistiu Yuzuru se aproximar da familia real e então sorrir da maneira mais galante e sensual na direção da senhora que corou como uma mocinha, destoou elogios a ela e elogiou a sorte que o Daimyō tinha em ter uma mulher tão bela, e ainda que até os filhos dela deveriam ter ciúmes. Ren se aproximou e colheu Sakura dali, discretamente, enquanto a mulher amava cada elogio e o marido tentava sorrir sem denunciar o quanto estava detestando.
Sasuke quis rir abertamente, como raramente queria e só desejava quando era para rir de Naruto, o Daimyō poderia adorar a ideia de se livrar da esposa por uma mais nova e mais famosa, mas não suportaria sequer se um rumor de traição por parte dela se espalha-se, ele já estava contrariado pela filha deles ter grudado no pobre Yato assim que o viu, e lembrando disso olhou em volta e viu o rapaz desconcertado com a moça grudenta. Ela era bonita, mas assim como Ariane, não queria um marido, mas um cachorro e principalmente um que pudesse exibir. Ele ficou surpreso por ele não ter agido tal como fizera antes e deixado a garota plantada sozinha, porque era obvio que ela se aproveitava do posto pra ser abusada, tocar o rosto dele, seus ombros e braços.
Era incrivel, elas eram criadas para serem verdadeiros tesouros, puras e graciosas e ainda assim tantas conseguiam se tornar voluveis e vulgares. Sasuke imaginava que fosse justamente a educação restrita que as revoltava. Só podia ser.
Viu que Yuzuru fitara o sobrinho discretamente e assentira para ele em apoio, compreendendo que ele estava se esforçando. Yato parecia uma granada antes mas agora sabia se comportar de forma submissa o bastante, e Sasuke sabia, que se ela chegasse a realmente passar dos limites ele a pararia.
Os tios iriam ficar orgulhosos, e Sakura também, porque em seu melhor estado ela mesma estaria pondo redeas na menina e pouco se importando com seu status, em seu eu normal ela teria rebatido os gracejos de forma educada, e os cortado. Por isso eles também se sacrificaram um pouco, se jogando nas graças da primeira dama do país e afastando-a dos homens da familia. Ren a deixou com a sogra e as sobrinhas, Aleera piscou para a irmão e estufou o peito, seguindo na direção deles. Só de ver a beldade se aproximar, a mulher se eriçou e chamou o marido para cumprimentarem outros convidados. Quando enfim se afastaram levando até mesmo os filhos, ela trocou olhares cumplices com os primos e partiu.
Incrivel como uma hora estavam em guerra e noutra, unidos.
–os fogos vão começar!
Alguém anunciou e todos se moveram para a sacada. Uma lembrança lhe ocorreu, a ultima vez que vira fogos foi quando ela chegara a Konoha.
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–começou! Feliz aniversário ao Diamante! — Yuri gritou junto ao coro e a multidão jogou confetes e balões para cima, o vento forte do inverno os arrebatou para o alto seguindo para onde os fogos coloriam a noite.
–gente olha o Yato! — Gritou Asami e elas olharam para a sacada, a ultima vez que o viram fora na hora do discurso de Yuzuru, ele acenou e os gritos femininos encheram o lugar, assim como para seus tios, chapéus também foram lançados para Sakura, ela compareceu, e acenou para eles, mandou beijos gentis para as crianças e reconheceu Yuri saltitando feito uma doida e achou graça, acenando para provar que a vira, agora todos estavam lá novamente mas olhavam para o céu, ela até viu seu pai, mas ele logo sumira.
–ah não acredito, ela veio — Yuri disse desgostosa, e Touka localizou o Yumi, ele assistia ou ao menos tentava com uma princesa agarrada em seu ombro, não poderia discerni-la muito graças as cores dos fogos, só seu cabelo loiro e ondulado e como tentava ter a atenção dele a todo custo.
–quem é ela?
–é Orihime com certeza! fillha do Daimyo — disse Asami — sempre que vem cola no Yato, aaaargh, princesinha aproveitadora.
–mas ela é muito bonita — argumentou Yabo e foi o bastante para as garotas o assassinarem com o olhar.
–a beleza não encobre a antipatia, e os irmãos dela são uns nojentos, e o pai deles também!
–e a mãe!
–nossa — Touka comentou, não que todos amassem o Daimyo do fogo mas...
–ele é um bom governante, só não pode ver mulher bonita oras!
–ah...
–e a filha dele não pode ver um principe, ugh, porque ele não faz como fez com Ariane?!- Yuri disse revoltada — porque ele tem que ser tão mole?! Que droga!
–voce sabe que as coisas não são assim — Haru cortou severo e ela se encolheu — quer que ele a jogue da sacada? ele quer isso e voce sabe, mas ele não pode, como Akane disse, o Daimyo é um bom governante e devemos respeito a ele, e se quiser ser cotado como Shinjukage, Yato não pode fazer tudo o que quer, é assim mesmo, nem sempre ser apenas o mais forte serve, vamos estar abaixo de alguém e teremos de agradar, se não o Daimyo, tem o povo, e o povo gosta de Orihime.
–só porque é bonita!
–Orihime ama o povo — ele revirou os olhos — é uma boa princesa, só não pode ver um cara boa pinta — deu ombros. — e voce está zangada por Yato não ser como antes, já conversamos sobre isso, mas vai acabar magoando mais gente se continuar com essa atitude.
Yuri suspirou, amuada, Touka como boa Uchiha que era não tinha palavras pra conforta-la, ainda por achar que Haru tinha razão, suspeitava ter apenas criticas, então, segurou a mão dela. E passou com o olhar, não que aceitava seus motivos, mas ainda que não a julgaria. Isso foi bastante.
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–cuidado para não perder nada — Sasuke comentou com ironia, Touka revirou os olhos para isso, mas apenas riu, levava consigo uma bolsa de feira muito bonita, feita de palha trançada e abarrotada de lembrancinhas e bibelos, depois dos fogos ela encontrara Sasuke e o arrastara pelas barracas fazendo-o comprar toda aquela tralha, ele não tinha nada contra ela querer levar lembranças, mas com Yuri do lado, parecia que ia presentear toda a Konoha.
–não vou — ela disse sapeca, ele meneou a cabeça afagando a dela. — Oohime-sama está bem?
Ele suspirou e aquieceu.
–está, parece apenas um pouco ansiosa.
Muito ansiosa, ele tentara ficar longe, mas acabou ficando na porta da sacada observando tudo já que ali seria o melhor ponto para um possivel atentado, era sua desculpa, de toda forma observara que Sakura estava receosa a noite toda, sempre olhando para fora, vislunbrando a lua, a mão sobre o colo denunciava angustia e vez ou outra ela fitava Yato, como se quisesse ter certeza de que ele estava bem. E vez ou outra consultava a sogra, que parecia tentar reconforta-la.
Touka bocejou cansada, tivera um dia ativo e já eram quase quatro da manhã sentia como se o kimono tentasse sufoca-la, mas fora ela a abusada ao comer tanto, não sabia se era algum tempero, mas as batatas fritas desse lugar deixaram-na louca, crocantes, secas e salgadinhas no ponto que mais amava, ela comeu dois baldinhos sozinha e sem nenhuma vergonha, e ainda fez Yuri prometer que lhe faria já que ela própria afirmara que sabia fazer perfeitamente.
Seus pés doiam e lutava contra o sono porque não queria se jogar na cama assim que chegasse ao quarto, tinha que guardar com cuidado o envelope que Yato lhe dera ao qual a todo momento verificava se estava seguro consigo.
Eram todos uma verdadeira tropa desengonçada, faladeira e cansada rumo ao distrito, seu pai mantinha olhos de águia ao redor, e lembrando que não estava de férias ela se forçou a ficar atenta e recebeu apenas o braço dele ao redor de si a puxando para perto.
–tudo bem — ele afirmou, ela suspirou apreciando o perfume paterno e o calor, sempre lembrava da primera vez que o abraçou e ele disse que ficaria tudo bem, não foi imediato, mas aos poucos ficou.
Entretanto, só quando chegaram ao distrito, ela percebeu, que desta vez, ele estava errado.
Uma enxurrada de Kunais veio na direção deles, ao pressentir o ataque, Sasuke se jogou no chão levando-a junto e Touka viu horrorizada quando Asami que caminhava e cochilava ao mesmo tempo ao seu lado, fora atingida por uma das armas no flanco e caiu no chão.
Gritos encheram o distrito, passos desesperados para todos o lados, os ninja de guarda entraram na frente rebatendo o ataque e defendendo os outros.
Sasuke verificou a filha e se levantou procurando com os olhos a fonte do ataque e localizou inimigos sobre os telhados das casas que ficavam mais proximas ao muro direito do distrito, não era muito longe e ele poderia vislumbrar os muros brancos iluminados pela lua.
–Asami! — Viu Touka se levantar e socorrer outra moça, e viu pais correndo com seus filhos, e mais jovens voltando de dentro de casa com armas, feras começaram a surgir e Shinkis também.
–PRA MANSÃO! — Ouviu Ren berrar para Kuraha que assentiu incitando os cavalos com violencia a correrem rumo a casa principal.
Uma explosão veio dos muros a direita, de fora deles, fumaça branca se espalhou e dela surgiram bestas gigantescas, invocações.
Mais duas explosões e quatro aberrações de livros infantis saltaram para dentro, esmangando casas e fazendo tudo tremer. Ninjas ocultos vieram para cima, e os mantos vermelhos e acabados denunciaram.
Seu Sharingan reascendeu com tomoes furiosos e ele rosnou entredentes, avançando.
– Aogiri...
Touka correu o máximo possivel se distanciando da luta e das criaturas que podia ver só de olhar para trás, tinham formas humanoides, misturadas a algum tipo de animal, e ele se apressou tentando levar Asami a um lugar seguro e conter seu sangramento.
–eu não aguento! — Asami chorou, se contorcendo e perdendo as forças, caindo e levando-a junto.
–voce tem que aguentar, tem que ir pra um hospital! — ela implorou rasgando a faixa longa da manga do próprio Kimono e entao pressionando contra a ferida.
–não dá! acho que atingiu um orgão, oh meu deus quanto sangue!
–fique calma, não olhe!
Ela sentiu presença ao redor e se virou dando com Haru e outros rapazes e quase acertando-lhe um soco.
–tudo bem sou eu! Viu Yuri?!
–não, Asami precisa de ajuda!
–caramba, pega ela Tsuru! Leve-a para as catacumbas estão todos indo para lá!
–hai! — o amigo pegou Asami da maneira mais delicada possivel e Touka tentou soltar sua mão.
–voce vai ficar bem certo? -assegurou.
–vo-voce não vem?- ela negou e a fez segurar o tecido sobre a ferida.
–vou ajudar os outros e não pare de pressionar o pano! — fitou o rapaz em aviso — ela está perdendo muito, sangue vá!
Ele assentiu e saltou pelos telhados.
–aqui — Haru entregou-lhe um estojo com Kunais, e isso teria de bastar, ela o pegou escondendo algumas sob as mangas e no obi enquanto se apressava em segui-lo.
–quem são eles?!
–Aogiri!
–mas um ataque direto? Assim do nada?!
–também não entendo, tente afastar as crianças, estamos procurando Yato!
–onde ele está?!
–não sei! Podem estar atrás dele de novo!
Ela assentiu seguindo-o de volta a batalha, com os olhos em alerta procurou inimigos mas só via menbros do clã correndo assustados para longe ou em furia, para perto.
–ELES QUEREM OOHIME!!- Ouviu o berro de Yato e com alivio o viu sobre o telhado mas correu junto aos rapazes para a rua,e viram quando umas das invocações chutava uma casa jogando os detroços no meio da passagem, Kuraha puxou as redeas dos cavalos com violencia fazendo-os recuarem e empinarem as patas, se levantou do banco e foi atingido por um tapa da criatura que o jogou contra outra casa fazendo-o atravessar as paredes de pedra, ela sentiu-se estremecer só de imaginar resultado daquele ataque num corpo humano e viu Verona e Aleera descerem da carruagem puxando Sakura e a sogra.
O veiculo foi pisoteado em seguida e elas recuaram quando ele veio, Sakurako entrou na frente se tornando na grande aguia e foi direto no rosto da fera lutando com ela. As duas mulheres puxaram Sakura obrigando-a correr. Mas esta, olhando para tras berrou e travou quando o monstro agarrou a ave por uma das asas e lançou-a no chão, a brutalidade fez uma cratera se abrir abaixo dela e quando estava por ser pisoteada o bilho do relampago que Touka já conhecia, atingiu o peito da besta levando-o a sumir numa nuvem de fumaça, ela viu seu pai ainda com a mão e espada tomados pelos estalos de energia do Chidore pousar onde a senhora estava e puxa-la com o outro braço. Chegaram até lá e Haru a pegou, parecia apenas inconciente e ele a pos nas costas.
–voce está bem? — ele perguntou ao ver a filha e ela assentiu.
–vá até as catacumdas, leve todos que puder.
–mas...
–vá Touka, voce não lutou contra Ghouls e nesse caos não é hora pra testar-se.
Ela bufou indignada mas acabaram tendo que saltar para afastar-se dali quando mais invocações apareceram e pisotearam o local. Sobre um telhado viram que o foco era realmente Sakura.
Em meio ao caos, Yato seguiu na direção dos dois humanoides que perseguiam sua mãe e tias. Com a espada em punhos e bradava ordens e lutava.
–SHINKIS?! — Rugiu — QUERO SHINKIS! SEM FERAS SÓ O FAÇAM PRA AFASTAR OS INOCENTES!
–Hai!
–CONVOQUEM O SHINJU! AKIGAHA1 VÁ ATÉ OS HASEGAWA E TRAGA SUPORTE!
–Hai!
–voce ouviram o Ouji-sama! — Gritou Yabo e seguindo-o de perto, Yato girou desviando de uma ataque e mais dois inimigos saltaram sobre ele, um deles atigiu Yabo com sua kagune jogando-o para distante, o Ouji se desvencilhoou deles saindo de dentro do sobretudo que usava se afastou mas foi puxado pela camisa e noutro movimento agil saiu dela e girou cortando desta vez os braços deles decepou a cabeça de outro e apanhou o sobretudo vestindo de volta, correu na direção da mãe.
–SHINKI?! — Exigiu mais uma vez em enfim foi ouvido, uma shinki em forma de lança veio e ao toca-la ele reconheceu.
–não perca tempo! — Yuri exigiu, ele assentiu e lançou-a, o chakra concetrado no antebraço intensificou a força da lança já mortal o bastante, Yuri literalmentra atravessou um dos gigantes, deu a volta e voltou praticamente na mesma velocidade para ele, apanhou-a e num giro, ele matou cinco num corte agil. — Sakura-sama!
Ela viu primeiro que ele quando sua mãe fora laçada por grossas correntes com bolas d e ferro, o peso e vestimenta já trabalhosa a derrubaram no chão e quando suas tias foram ajudar foram acertadas num unico golpe pelo gigante, jogadas contra o chão, este se moveu para Sakura enquanto ela rastejava sob as correntes até ser atingida por uma Shinki inimiga com chakra de relampago, não fora um golpe, um toque em sua nuca que eletrocutou o bastante para desmaia-la, ele se afastou e deixou a invocação colhe-la com a mão, erguendo-a para o alto ele fez mensão de dar as costas.
–rapido!
–Aa. — ele lançou-a novamente confiante de que sua mãe seria pega ao cair, mas Yuri não pode chegar ao destino, chocou-se com outra lança mais rubusta lançada em sua direção e caiu em forma humana. -YURI!
Ela foi pega por Sasuke que voltou ao telhado deixando-a com Touka.
E o jovem Yumi via vermelho depois disso e pisou duro em direção ao gigante quando foi atacado cravou metade do braço no torso do inimigo e rugiu contra seu rosto fazendo desta, sua ultima visão.
–SHINKI?! — Berrou outra vez, insano e faminto, o sangue deles servido e uma taça não seria o bastante, mas uma poça talvez.
–controle-se Yato! — Sasuke gritou lançando uma kunai para desviar outra que atingiria a nuca do jovem, reconheceu seu descontrole e fome de sangue e embora sentisse o mesmo, ele estava longe de ter ou querer controle.
Não foi ouvido, o rapaz sacou da espada de diamante verde reluzente, seu chakra ameaçador fluiu por ela e ele ergueu-a no ar enquanto outra mão selava uma tecnica, a espada reluziu ainda mais e ele a cravou no chão com violencia, tudo vibrou abaixo deles e estacas descomunais brotaram no chão a volta do gigante como verdadeiras cercas afiadas ele recuou desequilibrado, evitando-as.
–SHINKI! — Yato exigiu mais uma vez e desta foi atendido logo, um faxo de lux intenso veio para sua mão e ele o pegou na forma de um grande e gracioso arco dourado. Ele puxou a corda e a flexa se formou entre seus dedos, o arco era tão grande que tinha quase a sua altura mas parecia leve, delicado, e a flecha também, porém quando a soltou, ela cortou o ar com velocidade assustadora, e acertou o alvo adentrando-o, e em seguida, pareceu explodir dentro dele, a fumaça sepalhou e milhares de cacos de diamante cairam como chuva, e Sakura também.
–KAMI! ME DE ALGO BONITO! -Gritou Yuzuru surgindo ali mesmo no chão e olhando para cima, ergueu os braços e pegou a mulher. -oh que rapido! — gabou-se — sou um abençoado!
–pare de besteira Yuzuru! — brigou o arco voltando a formosa forma de Aleera — leve-a daqui!
–Aa — ele desapareceu numa revoada de diamantes. E ela voltou-se para o sobrinho — muito bom querido, mas seja mas delicado hun?
–perdão.
–não se preocupe, apenas se acalme — ela sorriu agora com as presas a mostras e olhos de Ghoul, desapareceu, sua risada cruel cortou o vento e Sasuke soube que ela promoveria uma chacina por onde passasse.
–oh, ela nem me esperou — Verona resmungou num tom rascante, desaparecendo na noite com uma gargalhada ainda mais assustadora, só por vir dela. Seriam duas chacinas se possivel. Quando voltou-se para encarar os garotos viu Touka ao lado de Yuri que estava bem, tirando um corte fundo na testa, mas chamou-lhe mais atenção que ela tinha sangue pelos ombros e mangas do kimono, mesmo não estando ferida. Já Yato seguiu em frente distribuindo ordens, já não haviam mais invocações, os invocadores devem ter sido os alvos primarios, porém, ele notou mais uma coisa.
Eram muito poucos, comparado ao distrito inteiro, era impossivel que pudessem domina-lo. Mais ninjas chegaram e quando viu um grupo inteiro de armaduras e katanas, soube que os Hasegawa também haviam chegado. Tal clã não era rigido a toa, as raizes de seus costumes e estilo de batalha estavam nos samurais. Ele viu entre eles o chefe do clã. Avo de Yato e seu filho mais novo e soube quão forte era o laço entre os dois clãs, eles vieram se arriscando sem pensar duas vezes, em vez de mandar uma comissão ordenada apenas por algum imediato.
Chikaku Hasegawa tinha rubustos sessenta e cinco anos, seu rosto amorenado levava marcas da idade e de batalhas, uma cicatriz marcava desde seu supercilho ao queixo, seus olhos de um azul profundo transmitiam experiencia e autoridade, também medo. O cabelo era longo e trançado, a barba também. A espada era mais afiada e longa que uma Katana normal, digna de um especialista em lutar contra Ghouls.
Seu filho, Kyouya mais parecia uma cópia viva do que Yato poderia se tornar antes de ficar como o pai. Alto e forte, olhos azuis e cabeleira negra porém curta e desalinhada, e um homem até gentil demais pra um guerreiro.
Ele achava que Yato era a cara de Ren, depois de ver Kyouya...
Yato tinha os traços da mãe anteriormente, afinal.
Em meia hora o distrito estava "limpo". Ele se apressou para as Catacumbas, querendo ter certeza de que Touka o obedecera e principalmente que o local não tivesse sido atacado, até onde sabia havia um tunel por baixo da terra que levava para um lugar seguro fora do distrito e também fora da aldeia, também tinha um caminho que levava apenas para uma prisão. Quando chegou, as pessoas estavam saindo delas, mães verificando a intreguidade fisica dos filhos, maridos e amigos, haviam muitos feridos, mas até onde sabia ninguem morto.
Viu Touka numa roda de meninas e mulheres e quando se aproximou viu que elas assistiam Asami ser tratada.
–Touka? — ela se levantou e veio até ele, abraçando-o — ela está bem?
–sim, vai ficar — Sasuke pegou seu braço sujo de sangue e procurou uma ferida, mas ela negou — não é meu, eu estou bem.
–certo, viu Shikamaru? — ela assentiu indicando-o e ele seguiu até lá, o Nara estava sentado numa pedra com os braços cruzados observando A senhora Yumi no chão tendo o antebraço enfaxaido por Yuri, Sakura também estava e tinha um pouco das pernas a mostra por que seu tornozelo estava sendo curado por uma ninja. Fora isso, ela parecia bem, fisicamente.
– nenhum morto? — Sasuke perguntou baixo e o Nara negou, e então o fitou.
–nem parecia a intensão deles.
–como?
–muito poucos não acha?
–isso sim.
–e estavam focados em duas coisas.
–Sakura... E mais o que?
–crianças.
–huh?
–vi um grupo interceptando crianças, buscando reconhece-las, tinha ordens para estarem focados porque não tentaram mata-las depois, e nós sabemos que são capazes.
–hn, mas crianças?
–e mais, invadiram a mansão.
–huh?!
– e também vasculharam quartos, nenhum documento foi levado, mas espalharam alguns, não queriam informações, queriam alguém ou, Sakura.
– isso está ficando muito...
– uma merda.
– boa colocação.
– e problematico...
– como não podia deixar de ser, e vindo de voce...
–Oohi-sama — disse Chikaku pousando diante das mulheres, ele era aquele tipo que parecia que sempre falaria apenas uma critica, e via que Yato devia ter sofrido, mesmo que fosse seu avo. Ser tirado de um lar tão amoroso quanto o da familia, da mãe, e posto com o velho foi dificil. Mas pelo o que viu hoje, teve seus frutos.
–obrigada por vir, Chikaku-san — Sakura respondeu, cordial, curioso, o Uchiha percebeu que não havia destratamentos ou desavenças entre os dois, visto que ela assumira o lugar de sua filha, mas Chikaku parecia a vontade com isso, também não era como se Issa Hasegawa tivesse sido apagada, Yato tinha orgulho dela também.
Kyouya se abaixou perto dela e lhe ofereceu um sorriso dócil.
–que bom que está bem, senhora — ela sorriu um pouco e deu um leve puxão em seu nariz.
–que bom que esta bem, rapazinho.- ele riu. E Sasuke quis dar-lhe um peteleco pra que ela se tocasse de que falava com um homem, não um garotinho como Yato, mas, ela devia ve-lo desta forma, ele tinha vinte e tres anos, sete quando perdeu a irmã, e ainda era um garoto quando conheceu Sakura, não era a toa que ela o tratava assim, tal como não via as investidas de Akira, via todos como crianças.
Aquela irritante as vezes era tão pura quanto qualquer criança. Tsc.
–Yaboku?! Voce está bem? — exclamou a avó, quando o rapaz surgiu, acompanhado de Haru e Yabo, o segundo foi dar um abraço em Yuri e preocupado verificou seu ferimento agora com uma badagem.
–estou...- ele começou antes de tres garotas pousarem ao seu redor, longos cabelos elas tinham, e se lançaram nele.
–Yato-sama?!
–está bem Yato-sama?!
–Yato-sama!
–eu estou... — ele afirmou desconcertado, pelo simbolo nos kimonos delas, eram do clã do avo, cheias de cuidado elas praticamente o vasculharam e até acharem um ferimento no flanco dele perto da cintura.
–está ferido!
As tres se apressaram a cura-lo ao mesmo tempo abaixadas, o rapaz corou constrangido com a situação.
–eu to bem sério...precisa mesmo as tres?!
–humpf, faz sucesso que nem o pai — Kyouya brincou e o pai dele, resmungou algo.
–meninas é serio, estou bem...
–mas pode infeccionar!
–Yato?! — Haru berrou, e então viram a sombra que escapara de uma das casas e avançara nas costas de Yato, ele arregalou os olhos e agarrou as tres garota de uma vez e saltou para o lado levando-as, a fera era um grande leão de pelo avermelhado e voltou-se pra ele em posição de ataque.
– não! — Yato disse quando fizeram mensão de avançar no ninja que rugiu pra eles, o rapaz soltou as garotas e veio na direção da fera.
–Yato-sama!- elas quiseram intervir mas Kyouya entrou em sua frente mandando que parassem.
Yaboku andou num circulo seguido pelo olhar da fera que fez o mesmo, o olhares presos nele, a lua vibrante acima, e o vento gelido soprando. O leão avançou e ele se jogou sobre ele passando por cima e rolando sobre a grama, parou agachado e o encarou.
–voce é muito ousado em tentar algo sozinho, ou burro — ele pronunciou, e em resposta o leão apenas rosnou mostrando dentes amarelados se pondo pra um bote, estudando-o tanto quanto ele a ele — não vou te honrar lutando contigo na mesma forma, um ataque por trás não o faz digno, mas admiro sua coragem... é digna — ele inclinou a cabeça encarando-o com um olhar quase sadico, e propoz — porque não se torna um Yumi?
A proposta chocou a todos e o Aogiri rugiu em furia avançando nele, Yato fez o mesmo desviando de suas patas dianteiras, jogou o corpo contra a lateral dele, o derrubou e se jogou por sobre ele, suas mãos seguraram a boca cada uma mantendo-a aberta e o leão rugiu tentando fecha-la e se debatendo.
–como se fosse possivel — ele rosnou forçando a boca a abrir mais, um estalo se ouviu e em seguida ele separou maxilar de cranio num puxão violento -MORRE FILHO DA PUTA!
Quando a carne rasgou, Touka gritou e escondeu o rosto contra o corpo do pai, Sasuke a abraçou, se recusando a deixa-la ver, e estupefato por ter assistido tudo com o Sharingan ativo e em nenhum momento ter visto o chakra do rapaz mudar ou fluir para os braços, nem mesmo o pouco armazenado, aquilo fora musculo, força bruta.
Yaboku se levantou soltando a parte do maxilar e segurando o fera pela juba ergueu e berrou.
–NÃO ACABOU! — deu as costas e ergueu a carcaça na direção do outros menbros que assistiam tudo dali — NÃO ACABOU! VASCULHEM TODO O DISTRITO AGORA! NÃO VAI FICAR ASSIM! AOGIRIs NÃO SAEM DAQUI SENÃO FOR ASSIM!- Mostrou leão e o soltou no chão, fazendo a cabeça raxar — VACULHEM O DISTRITO! PONHAM ABAIXO SE FOR PRECISO! — Ordenou enquanto se afastava rosnados vieram de todas direções e Yumis se puseram a correr por todo lugar — PONHAM TUDO ABAIXO SE FOR PRECISO! Recontruiremos depois... MAS ISSO NÃO VAI SER TOLERADO MAIS! — Bradou socando uma parede ao passar por ela e assim desaparecer.
–Haru!- Yuri chorou tentando segurar o rapaz, com um rosnado ele se desvencilhou dela de maneira brusca e correu seguindo o primo tal como Yabo — Haru?! Haru!
–deixe-o querida, ele está nervoso, todos estão — pediu uma senhora abraçando-a. — deixe-o, vai ficar tudo bem.
–sim, é como o pai — suspirou Chikaku por fim — nem mesmo ele toleraria algo assim com calma, Kyouya?
–Aa — o rapaz assentiu indo a frente e sacando a espada.
–a casa de nossos irmãos também é nossa casa! Nenhuma falta de respeito será tolerada! vaculhem o distrito e arredores, qualquer um que se denominar Aogiri, deve ser exterminado! — ordenou.
–hai!- ele então partiu sendo seguido pelos seus homens, então tudo que pareceu sobrar foi o som do vento e de algumas casas sendo invadidas ou mesmo derrubadas.
–Yato chamou todo os jovens, ele esta fazendo para si um grupo bastante leal, mas principalmente, muito intolerante ao derespeito ao clã — Ren suspirou — as vezes tenho medo da intolerancia que ele está começando a criar, não, tenho medo da intolerancia a Aogiri que ele está começando a criar.
–ele tem todos os motivos pra odia-los, mas principalmente, o que se deve temer é que ele resolva criar uma milicia, um grupo de exterminio, a ultima coisa que precisamos é que ele resolva deixar seu papel de lider aqui, e corra o mundo exterminando e caçando a Aogiri — disse Yuzuru — ele não pode, não como herdeiro primogenito.
Sasuke liberou Touka, apenas quando o corpo do leão, que havia se tornado humano novamente, fora carregado dali, além dela as mocinhas Hasegawa estavam bastante assustadas com a cena.
E quando tudo parecia se acalmar, o choro desconsolado de Sakura tomou o local.
–Sakura, por favor não chore — pediu Sakurako segurando duas mãos, mas ela meneou a cabeça continuando, com uma expressão dolorosa.
–como não? Meu marido está morto, meu filho com ódio, meu clã atacado...- ela soltou as mãos dela e indicou o local, sua mão vagou até tocar o queixo de Yuri — minhas crianças machucadas... Meus filhos preciosos... minhas mães e pais assustados...e tudo o que posso fazer é olhar, porque não aguento mais lutar contra algo que nem vejo, que rasteja e toma meu bens de forma tão...vil...Hahaue... Como não posso lamentar? Se não respeitam minha casa, e ferem meus preciosos...
A sogra abraçou e Yuri chorou mais, um verdadeiro coro de choro se juntou a elas.
– papai? — Sasuke tirou os olhos dela e voltou-os para filha, grossas lágrimas rolavam pelo rosto alvo dela, e seus olhos negros tremulavam de medo e angustia. — esse tipo de coisa... Com ou sem guerras...Nunca vai acabar?
Ele inspirou profundamente, e tudo o que respondeu foi com outro abraço, uma vez se empenhara em destruir o mundo, criar uma Utopia, e carregar para si todo o ódio dele, uma vez concordara que talvez um mundo de sonhos, fosse a unica saída para dor e ódio. E nessas horas, lembrava tudo de novo, e se perguntava, se havia errado em desistir daquela revolução.
–Olha! — alguém gritou — um passáro!
Sasuke rosnou puro ódio só em imaginar outro ataque, se ver Sakura naquele estado estava acabando com sua sanidade, assistir Touka tão assombrada havia minado toda e qualquer paciencia que pudesse ter. Olhou para cima e viu a lua que agora só lhe parecia uma observdora agourenta, e ao longe e sombra de um passaro gigante vindo na direção deles, estava bem longe e alto ainda, mas havia alguem sobre ele.
–apenas um? — Shikamaru disse.
– derrubaaaaaa! — um Yumi gritou com furia e revolta e mais gritos foram seguidos, eles viram então Yato marchando pela grama.
–o que diabos ele vai fazer? está decontrolado. — O Nara disse, Touka olhou para trás vendo as costas do rapaz, o luar banhando seus ombros largos e tensos. Ele ergueu a mão ainda suja de sangue, e com voz seca e fria exigiu.
–Shinki.
–Yaboku! — Pediu Sakurako.- por favor chega, chega de violencia!
Surdo aos pedidos da avó, ela não podia com os clamor de justiça vindo dos mais jovens ao redor.
–minha vez — declarou Verona pousando perto dele. — apenas espere, querido — pediu, e voltou o olhar para o passaro, esperou apenas até que em entrasse no campo aéreo do distrito, se transformou numa Kusarigama, de corrente longa, Yato girou a extremidade com a foice e segurou firme a parte com a bola de ferro, soltando mais a corrente aos poucos alongando, e ele cortav ao ar com ela, puxou de umavez e chutou o cabo com violencia, e a foice voou rumo ao céu, a corrente vibrou num brilho verde e parecia sempre aumentar, gradativamente, enquanto a foice cortava ascedendo, sem perder a força, ao se aproximar do passaro a pessoa sobre ele saltou para cima, e a foice de alguma forma se abriu em dezenas de laminas que abraçaram a ave como uma mão fechando em punho e fatiando o passaro, que explodiu em algo.
–que porra é...? — disse Ren chocado.
Yato franziu a testa e puxou a foice de volta com furia ela voltou e no meio do caminho Verona se refez e pousou no chão com certa dificuldade e se olhou por estar suja de algo que molhava-a por inteiro.
–mas que diabos...- ele correu até a tia, vendo o liquido vermelho que a banhava, e o cheiro forte, mas não de sangue.
–tia... isso é?
Verona cheirou a si mesma e se olhos se arregalaram de espanto, ela olhou para o céu e rugiu.
–É... TINTA!! seu... MALDITO SAAAAAAI!!!!
–Tinta?!- exclamou o resto.
Yato se afastou cobrindo o nariz, o cheiro forte incomodava profundamente seu nariz bastante aguçado. Voltou a olhar para cima e viu o invasor descer para o chão praticamente em queda livre, mas mais proximo do solo ele soltou algo que se abriu e espiralou ao seu redor, um pergaminho, que usou para deslizar em espiral até chegar ao chão distante dali.
Todos correram até lá.
–saiam da frente! -rosnava Verona praticamente passando por cima de todos para chegar a frente do circulo.
–acalme-se!- Disse Yuzuru tentando conte-la com dificuldade pois estava escorregadia.
–não a deixe ir — Sasuke falou.
– ora claro que não, o que vai fazer Verona?!
–vou mata-lo!
–certo, deixe-a ir — o Uchiha concordou.
–Otou-san!- Touka brigou e ele deu ombros.
–olha só fizeram uma festa de boas vindas — a voz sarcastica de Sai o fez querer mata-lo, voltou-se para lá e encarou, quase não reconhecendo o idiota.
Ele estava, no minimo, acabado.
Sujo dos pes a cabeça uma barba digna de morador de rua em seu rosto, e sobretudo, parecia ferido, seu ombro esquerdo estava caido, e não mexia o braço, devia estar, pelo menos quebrado ou deslocado, e ainda por cima a perna tinha um grande corte que o fazia se manter de pé apoioado no outro. Sasuke notou confuso, que ele vestia, o que sobrara das roupas em que estava da ultima vez que o viu, o cheiro de suor, sangue e sabe-se lá o que mais vinha dele, forte.
Mas sobretudo, o mais curioso, e que punha todos de guarda, era que trazia algo, envolto completamente num manto de pele branca, com o braço direito.
–seu... maluco! Onde diabos esteve?! O que infernos esteve fazendo afinal?! — esbravejou Ren e franziu o cenho ao observa-lo melhor — Onde diabos esteve? Numa guerra?
Sai soltou um risadinha dolorida e concordou.
–sim , ou melhor, numa caça ao tesouro.
–huh?!
–mas eu consegui! onde está a Sakura?! Sei que ela está aqui, pelas minhan contas é aniversário da cidade, Musa?! Musa?! Me deve uma vida inteira de lindas poses depois desta!
–seu filho da puta! Cale esta maldita boca voce vai é pra uma cela ser interrogado! — gritou Yuzuru.
–Musa?!
–filho da...
Ele se calaram quando o caminho entre os Yumi fora aberto por Sakura, ela parou e encarou o ANBU tão sem acreditar na forma como o via, quanto ele ao reparar suas cores vividas.
–mas o que diabos...- ele começou já com ar indignado.
–Sai? — ela perguntou ainda incrédula.
Sai respirou fundo e sorriu.
–ola querida...
Mais abalada do que já havia sido ela não se controlou em avançar nele já com lágrimas nos olhos.
–seu bastardo...- Yato entrou na frente e segurou sua cintura e mão.
–não, Okaa-san, chega.- pediu, ela se debateu rosnando de dor.
–seu bastardo! Como ousa aparecer aqui?! Seu... Seu ingrato!
–mãe...
Sasuke se moveu para intervir, assim como Yuzuru, mas todos pararam quando o que Sai trazia, se moveu sob o manto.
–onde estava? — ela exigiu alternando olhares entre ele e sua carga, agora receosa e controlando os primeiro soluços.
–estava entediado e resolvir criar minha própria missão, poderia ter convidado todo o time 7 mas resolvi relembrar os velhos tempos de solo e ainda brincar de ser Nukenin, buscando coisas, roubando coisas, recuperando coisas...- disse com tom casual.
–voce... voce é maluco...- ela disse — voce é...
–Sakura — ele chamou, e desta vez, não havia brincadeira em seu tom, e seus olhos negros traziam cansaço, mas realização. — oito anos atrás, eu deixei de um cumprir uma missão, eu falhei, e pra mim isso custou a unica coisa que me fazia feliz naquele tempo, sua felicidade.
–...que...?
–ordens do Hokage, Shinjukage, não importa, minha missão era pura e exclusivamente cuidar para que voce fosse feliz, onde quer que estivesse, naquela noite eu falhei, e não importava o que fizesse dali em diante ou quantos sorrisos eu arranca-se de voce, eu sabia que nunca eu iria conpensar isso, mesmo agora, eu sei que não vou, porque eu perdi tempo, eu me atrasei de novo, de toda forma, eu vou continuar tentando, e não vou parar.
–está maluco...- ela murmurou, talvez nem para ele, talvez para si.
–oh porra meu braço tá fodido...- ele resmungou olhando pra cima tentando conter um expressão de dor e então arqueou a sobracelhas surpreso — ih rapaz... voce finge que não ouviu isso tá? — disse a sua carga, que não se moveu ele suspirou e mexeu o braço balançando-a com certa delicadeza — oe? a viajem acabou, voce tem que conhecer uma pessoa.
Até que o manto se moveu outra vez e foi baixado. Yato recuou empurrando a mãe encarando de forma espantada e receosa.
–uma... criança? — Touka murmurou.
E aqueles olhos verdes penetrantes mas impenetraveis com fendas felinas se moveram para fita-la, piscaram numa face alva e ovalada, emoldurada por fios longos e cintilantes de prata como se fossem feitos de lua, o nariz era reto e autocrático, a testa encoberta por uma franja espessa e reta, queixo levemente largo, e orelhas que escapavam entre os fios, afiadas os labios finos e fechados. Uma expressão de pura análise.
–voce ve? — Sai disse encarando-o — puxou os olhos dela — indicou Sakura com o queixo. Talvez tão pasmo quanto o resto, Yato a deixou se libertar e se aproximar a passos vacilantes, seus olhos bateram contra os da criança, que a analizaram sem parecerem incomodados em ve-la ofegar.
Ela estava sufocando.
–mas que... que merda voce fez desta vez, Sai? — Ren disse.
–uma merda que eu já devia ter feito a muito tempo, eu estava devendo, grite ao clã, espalhe para aldeira — ele exigiu seriamente — voces tem mais um herdeiro de volta e... — ele foi interrompido quando a criança estedeu as mãos para Sakura, eram pequenas e mau se via sob as mangas do kimono branco, nele havia uma armadura velha, e grande, envolta de seu torax pequeno, ainda assim ele se inclinou para ela, a encara-lo estática e muda.
–okaa-sama — seu tom era mais rouco do que se podia presumir ao olha-lo, era um menino.
Era um garotinho com os olhos verdes de Sakura, e as fendas pertencentes aos Yumis, madeixas longas como as dela, mas prateadas como as do ultimo chefe e seu filho mais velho, o formato de seu rosto lembrava o dela, o nariz era de Yato, sua expressão era altiva, imponente e silenciosa, como a daquele retrato no armario fúnebre, como o retrato na sala da mansão.
Como uma deidade, ele continuava esperando, como se soubesse que seria atendido, hora ou outra, era invitavel.
Sakura ergueu as mãos em frente o rosto, tremulas, ela gritou, um grito tão alto que parecia que o mundo poderia acabar, puro choque, seus olhos arregalados não sairam do menino como se visse um fantasma, Sai deu um passo para ela e o menino alcançou seu pescoço enlançando-o ela mau o pegou, mau enlaçou-o nos braços e caiu no chão com ele, abraçou sem cessar seus gritos , apalpou e alisou suas costas, tocou os cabelos enlançando-os nos dedos tremulantes e tudo isso não a fazia parar de gritar, começou a se balançar de forma mecanica, como se ninasse um bebe, mas sem canção, apenas seu berros enchendo o local.
Sai sorriu, numa tentativa de parecer mordaz e vitorioso, mas ainda assim, uma lagrima desceu por seu rosto, ele o esfregou e seguiu até Yuzuru dando-lhe um leve soco no ombro e o puxando de volta a realidade, exigiu.
– espalhe que o filho do Shinjukage... — disse, e então voltou-se ao clã estarrecido e congelado, falando alto, anunciando — O filho do Shinjukage! O filho do Shijukage está vivo!
Um breve momento de silencio, tirando os gritos de Sakura se seguiu, até que começassem a despertar, se encarar e arfimar uns aos outros.
–o filho do Shijukage está vivo...! Está vivo!
–o bebe está vivo?! O bebe está vivo!
–a criança está viva!
–Vivooooo!
–está vivo!
– o segundo herdeiro vive! a promessa do sangue puro vive!
ritos e exaltações encheram o ar, todo tipo de coisa foi jogada para cima em comemoração.Sakurako empurrou-os e chegou para se jogar diante da nora, suas mãos velhas tocaram em choque os fios longos da criança, e ela gritou e chorou quando o menino encarou seus olhos, Verona e Aleera se jogaram também e foi como se também tivessem seus filhos de volta, tocando e apalpando a criança, orando para que fosse real, enquanto ela os fitava e até mesmo tocava seus rosto, conhecendo-os, com uma expressão serena e calada.
– é um milagre? — Sakurako perguntou-lhe enquanto ele empurrava os fios que soltaram-se de seu caprichoso penteado de outrora, sendo balançando por Sakura que encarava o vazio ninando-o sem perceber que ele não tinha mais idade para ser ninado desta forma.
–voce quer que seja? — foi a resposta dele.
–voce já o é...- ela respondeu quase sem ar.
–então não ha mais nada a ser feito, o que é, apenas é.
–qual teu nome? O tens? O sabes? Ou os deuses nos deram-te agora?
–watashi wa Sesshoumaru, Sesshoumaru Yumi, não sou filho dos deuses nesta vida, sou filho do Akuma, — ele voltou-se para frente e encarou o rosto da mãe segurando-o, suas unhas eram longas, afiadas, mas não machucaram sua face, ele parecia analisar cada traço dela, e enfim mostrou-se que era no minimo, real, um sorriso repuxado e sábio formou-se em sua boca — né? okaa-sama?
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