“Eu queria que alguém regasse o mar

Sobre a minha cabeça

Eu quero banhar com os peixes e o sol

Que estão afundando sobre mim...”

Ah, ela lembrara disso agora.

Não era algo realmente bom, ou ruim.

Mas um pressentimento.

De solidão.

Ou talvez estivesse apenas entediada.

Que fosse a segunda opção então.

Sentiu um leve beliscão no tronco e nem precisou olhar pra saber que era Sai, alertando-a sobre não bocejar, ela segurou a vontade de bufar e ouviu a risadinha dele olhou já irritada para o branquela e ele parou.

–idiota.

–vamos lá musa.

–hunpf.

–posso te desenhar?

Sakura fechou os olhos e respirou fundo se contendo para não afundar a cara dele em uma das bandejas de aperitivos.

Ele estava especialmente alegre aquela noite e sabia porque, suspirou. Falar sobre isso com ele era inútil naquela altura do campeonato, Sai estaria a seu lado sempre, mas havia aspectos nele que nem ela, a pessoa mais próxima, poderia se dar o luxo de discutir.

Porém não iria aturar o ataque de criancice dele. Pegou uma taça de vinho e dando a ele um olhar de: “olha o que faz ou te deixo roxo” ela se afastou da mesa seguindo para o sofá onde a senhoras conversavam, aguentar a mexericagem delas era fichinha agora, mas para aprender essa “arte” ela sofreu bastante, as pessoas eram hipócritas a um nível que deixava indignada, mas com o tempo, com ele. Aprendeu que naquele jogo de poder, política e aparências todos ali eram “crianças”, carentes de atenção, levadas e grandes atrizes na hora de conseguirem o que querem.

Então aprendeu, com ele, a ser uma criança, porém nunca permitindo que isso manchasse sua essência, e por quê?

“Por que são crianças sujas, Sakura, crianças maculadas, almas tingidas de terra seca, as vezes vermelho, mas não o nosso vermelho, não conhecem nosso tom, e nem precisam saber disso tão bem, ou haverá quem sempre tente nos sujar, brinque com elas, sorria com elas, seja como elas, e seja você mesma quando tentarem cega-la com suas manchas... Seja rosa, seja verde ou mesmo preto, não importa a cor, desde que seja seu tom, o tom de Sakura Haruno.”

Hunpf, era tão raro ele falar tanto, que ela não sabia se guardava suas palavras pelo valor ou por tantas de uma vez eram um acontecimento anormal.

– como vai senhorita... Yumi? – arriscou a senhora, a face tão clara de pó, apenas destacando as curvas que tentava esconder. Noutro tempo Sakura riria, queria rir agora, e se continha quando chegasse em casa despejaria as risadas e ao lado de gente realmente importante. Mas sorriu, deixando só um pouco escapar e fazendo a senhora imaginar que estava sendo cortês.

–muito bem obrigada.

–sentiu muita falta de casa? já que mau visitou a aldeia durante os anos.

–verdade, senti sim, mas Diamante é o meu lar também, e meu trabalho, como vice diretora do hospital diplomata e segunda dama, Kami, voltar aqui era algo muito remoto a se pensar, e ainda mãe.

–oh sim, e aquele rapaz bonito que vimos no festival não veio? – disse outra senhora.

–Yato estava bem cansado, teve um dia pesado ao lado dos tios de modo que nem eles puderam estar aqui hoje...

–oh então você realmente está como senhora Yumi?- A Haruno riu pelo nariz e bebericou o vinho pondo a taça sobre a mesa, pousou as mãos no colo.

–Yumi nunca foi meu nome de forma oficial, casei civilmente com Yasuhiko, mas nós dois decidimos que meu nome deveria ser preservado, eu na verdade, dependendo dele... enfim, sou senhora Yumi apenas como tradição, ou seja, continuou, sempre, Sakura Haruno.

–é? É raro os homens aceitarem isso, como o convenceu?

–oh, apenas conversa...

“- por favor?

–boa tentativa, senhora.

–mas eu nem comecei...”

Ela tomou mais vinho, e sorriu.

muita conversa.- as senhoras assentiram satisfeitas.

–boa noite senhoras, posso me sentar? – Disse Hinata gentilmente.

–mas claro!

–por favor.

– Hinata? E sozinha? Não ouço o Naruto...

–muito engraçado, mas é verdade, ele esta noutra reunião, com o Kazekage.

–entendo.

– e como vão as coisas no hospital? Você já assumiu seu posto lá certo?

–de maneira nenhuma, no momento estou ministrando um curso em nome de Tsunade-Hime, e como acabo de adotar minha criança ainda vai levar um tempo ate que assuma uma posição pois ele precisa se adaptara vida aqui.

–ah, adoção, que ato lindo....

–mas não pretende se casar e ter outras crianças querida?

–ah, estou satisfeita.

–mas nem uma menininha? – Sakura riu e percebeu que, estava tão acostumada com homens a sua volta durante o casamento que nunca chegou a cogitar a ideia de ter uma filha, o que deveria ser estranho não? Outra mulher ficaria louca por ter uma filhinha, mas pensando nisso percebeu que Yasuhiko ficara bastante decepcionado pela criança deles ser outro menino, e ela tão conformada nem percebeu a possibilidade de terem uma menina porque já lhe era tão comum a ideia de ter uma filho e pra ela já levava um homensinho no ventre desde que descobrira sobre ele. A lembrança a fez rir um pouco.

– estou bem com isso, amo meus garotos.

–se você diz, vamos ali, falar com nossos maridos, sabe como é, homens.

–fiquem a vontade- as duas se retiraram justo quando Ino se aproximava, a Uchiha cumprimentou com a cabeça sem ganhar grande resposta de volta, Sakura bebericava o vinho distraída e agradecendo por elas terem se ido, e Hinata percebeu que as mulheres apenas queriam evitar conversar com a anfitriã. Ino sentou-se no sofá de frente para as duas.

–Hinata, oi, como vai?

–bem, você está linda Ino.

–ah, obrigada e as crianças?

–dormindo eu espero, estão com o avo.

–oh, Hiashi nunca deixaria eles passarem da hora.

–eu espero, mas sabe, ele amoleceu bastante coma vinda das crianças.

– seus filhos podem quebrar a rudeza de qualquer um, principalmente Kushina.- disse Sakura.

–oh obrigado, alias, ela está louca pra te ver, quero dizer, seu cabelo.- brincou a Uzumaki.

–muito engraçado.- Sakura resmungou e olhou em volta, localizando Sasuke em meio homens bebendo saque e conversando como se fosse natural pra ele estar entre tanta gente.

Ou com tanta gente em sua tão adorada e silenciosa casa.

–olha está de parabéns – Sakura disse dirigindo olhar diretamente para a Uchiha.

–co-como?

–Sa...

–fazer um homem como Sasuke aceitar encher a casa de pessoas assim, você deve ter usado muita lábia para convence-lo.

Ino apenas respirou enquanto processava a conversa e Sakura tomou mais vinho, a loira respirou fundo sentindo peito tremer.

No começo achou que deveria apenas recuar e deixar Sakura a vontade. Mas percebeu que se deixar diminuir ante ela apenas motivaria os comentários, que poderiam atingir seus filhos, irritar Sasuke e confirmar que ela era a errada.

Ela era, não tinha duvidas disso, mas estava no passado, não importava como Sakura agiria ela não se deixaria ficar por baixo, não em sua casa, ante seus filhos, e seu marido.

–não preciso de lábia pra lidar com meu marido.- falou, e então ficou ciente de que talvez tivesse apenas provocado-a.

Mas não recuaria.

Sakura a fitou um tanto surpresa, e Ino respirou fundo arqueando os ombros uma forma sutil de se impor. Hinata entreabriu a boca para dizer algo. E Sakura apenas pousou a taça novamente sobre a mesa recostou as costas no sofá e cruzou as pernas pousando as mãos no joelho e a fitou inclinando o rosto para o lado um pouco e a analisando com olhar estreito e frio.

–ah por favor, toda esposa precisa de lábia pra lidar com seu marido, ou deixa de ser uma esposa pra ser uma simples... mulher.

–erm hum... você... precisava com Yasuhiko-san? – Hinata comentou dando tempo a outra de ser recuperar. Já Sakura fitou a Uzumaki e riu.

–muita! Um homem dominador com aquele não pode ser deixado totalmente no comando do casamento, claro que ele não me ouviria se apenas falasse, está no modo de falar, no agir, isso é tudo lábia, tudo no mundo é palavras, palavras ocasionam guerras assim com trazem paz, mais forte que elas apenas gestos, infelizmente ele era um homem tanto de palavras quanto gestos, por isso era difícil convence-lo, tive muito trabalho, era difícil pressiona-lo e impressiona-lo.

–entendo... um homem vivido com ele que viu tanto da vida...

–sim, mas ainda tem muitos que viram tanto quanto ele porém não tinham sua capacidade de absorver e usar isso devidamente, era isso que fazia Yasuhiko tão especial, suas palavras tinham o valor da experiência, e seus gesto as pericia de um sábio.

–ah, você fala de uma forma tão bonita.

–eh? Ah...

–onde está nee-chan? – disse Itachi se sentando ao lado da mãe, Ino se voltou para ele e acariciou seu rosto, fazendo dele, por um momento, um porto seguro, ou uma profunda respirada antes de voltar a mergulhar.

–de-deve estar comentando algo, não está com fome?

–otou-san... nos deixou comer sorvete ...- o garoto confessou e Ino logo levou os olhos para Sasuke vendo que ele os observava o fitou acusativo mas ele deu de ombros bebendo, sempre fazia isso por preguiça de cozinhar algo, deixando as crianças o enrolarem pra comer besteiras.

–e vocês não perdem a chance né?

–hn, sumimasem...

–hunpf, tudo bem, apenas comporte-se.- ele concordou e se sentou o ela. Sakura se levantou deixando a taça.

–vou usar o banheiro, volto já — anunciou, simpaticamente.

Itachi apenas observou ela se mover n aquele suntuoso negro a destacar sua pele e a fitou encarando também a joia que adornava seu pescoço.

–porque usa negro em ocasiões oficiais? – disse.

–Itachi...-Ino repreendeu. Sakura o fitou um tanto chocada, mas em seguida sorriu e deu um peteleco em meio a sua testa.

–ora, porque sou viúva, meu bem.- então se retirou seguindo para as escadas passando entre o grupo de homens.

–senhores...- cumprimentou.

– lá vai ela, minha senhora, meu colírio- Disse Kaito ela o fitou e arqueou a sobrancelha.

–Kaito...-o homem sorriu triunfante.

–queri...

–seu charme continua nauseante, oh olá Hakushu- cumprimentou-o e ele respeitosamente beijou sua mão.

–senhora.

–como vão as crianças?

–muito bem e com saúde de ferro desde que cuidou delas.

–que bom, mande um beijo pra cada um e pra Sara também.

–claro, obrigado.

–hey, que crueldade, doçura, pelo menos uma vez poderia sorrir em me ver? – disse Kaito totalmente ofendido, era um ótimo ator.

Sakura o fitou e então abriu um largo sorriso.

–Kaito...- disse forma encantada, encanto que se desfez em segundos – satisfeito? – seguiu para as escadas e subiu, Sasuke sentiu o ímpeto enorme de segui-la, mas as risadas de Hakushu, que eram raras, chamaram a atenção para a cara resmungona de Kaito.

–haha, agora você ri né?

–realmente. Sakura-ouhi te adora, nunca mais duvidarei disso.

–idiota.

–desde quando conhecem?

–desde que servimos ao Kazekage, ele porque é da ANBU de lá eu porque estava como diplomata, nos conhecemos todos durante uma reunião, a Sai também.- disse Hakushu.

–é, e alias, onde está o branquelo? Yasuhiko se reviraria no tumulo se soubesse que ele a deixa sair assim tão linda sozinha.

– Yasuhiko fazia de todos nós vigias da Sakura, e nos vigiava também, de modo que ele sairia do tumulo se sonhasse que você a canta sempre que a ve.

–aff, é só brincadeira.

–se fosse ela não te dispensaria sempre que a chama pra sair.

–ela dispensa todos, menos Sai, ah falando no branquela.

–qual foi chocolate azedo? – desdenhou Sai vindo até eles e o cumprimentando.

–sua carga preciosa esta a toa pela festa não vai vigiar?

–Sakura? Se ela não correu de te ver deve estar segura do que pode lidar hehe.

–seu branquelo...

–vamos lá, assuntos de homem, deixe a boneca em paz, ou ela vai vir aqui nos atazanar.

–inferno, não reclame você a ouve a mais de uma década porra.

–hehe....

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–que chatice...- Touka resmungou da janela do corredor.

–ah nem me fale..- ela se virou assustada e encarou a Haruno que fitava o corredor como se buscasse algo.

–você...

–onde fica o banheiro? Mudaram a planta?

–o banheiro...?

–sim, sim, pode me levar?- Meio receosa, intimidada com aquele vestido negro ela desceu da janela, e a conduziu pelo corredor até o destino. –obrigado.- Sakura entrou mas não fez questão de fechar a porta deixando-a entreaberta. E a moça não resistiu a curiosidade, vendo-a retocar a maquiagem, deveria ficar entediada, mas o modo como a outra passava ao pincel de pó sobre as maçãs delicadas do rosto, repintava os lábios de vinho e o contorno dos olhos de preto, em gesto delicados, como se fizesse de si mesma uma obra de arte ante o espelho, coisas só vistas nos lugares onde as gueixas esbanjavam suas belezas e suas artes milenares, ela parecia uma agora.

–quer um pouco? – Sakura ofereceu gentilmente e a moça negou corando emburrada pelo flagra. A mulher recolheu a maquiagem de volta a pequena bolsa que nem parecia capaz de levar tanta coisa e fechou dando um último olhar ao espelho tocou o luxuoso colar e veio para a porta.

–essa coisa não pesa? – Touka alfinetou.

–você pode aguentar qualquer coisa por algo especial, Touka, material ou não, difícil é ter de aguentar por algo que não vale a pena, alias, está muito bonita.

–hn...arigato.

–disponha.

Sakura seguiu de volta e a moça veio atrás. Descendo a escada logo atrás dela, percebeu como sua perfeita postura, fazia sua figura ainda mais elegante e difícil de ignorar.

Todos os olhares eram dela, inclusive o de seu pai.

–aliviada? – brincou Kaito.

–não sei o que é mais detestável sua rudeza ou quando tenta ser agradável –ela disse educadamente.

–ah, adoro você – riu ele.

–onde está o Sai?

–morto eu espero...

–foi tomar um ar.- disse Hakushu – como está Yato?

–muito bem, deixei-o em casa com Yukine e os primos jogando cartas.

–ah Yukine cresceu muito desde que o vimos, ele aguentou bem a viagem não foi Kaito? Até treinou com você...- Hakushu se calou como se tivesse proferido algo perigoso.

–você o que? – disse a Haruno.

–ah, nada demais... coisas de gennin eu garanto.

–é bom mesmo, se o tivesse arranhado ainda mais durante uma viagem no deserto eu teria te circuncidado.

–tudo bem tudo bem, seu filhote chegou inteiro não foi? Então? Confie em mim doçura, seus.

–doçura é a avó, idiota.

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–saaacooo- Sai murmurou consigo, afrouxando a gravata, olhou para lua cheia naquela noite. Estava meio nublado por isso não haviam estrelas para acompanha-la.

–não tem muita graça quando está sozinha né? – Ino disse, não resistindo a frágil oportunidade de estar ante ele depois tanto tempo, senti-a que valia a pena, pois a luz da lua deixava a pálida pele daquele homem.- quero dizer... a lua...

Sai não respondeu, apenas fitando o prateado astro.

Ela se aproximou parando ao seu lado e sorriu, erguendo a mão rumo a manga da blusa.

–então, me conta, como foi tempo lá no Diamante...- Ele ergueu a mão contendo seu pulso de forma dolorosa, mas o força maior veio dos olhos negros, que agora refletiam uma fúria que nunca viu.

–eu não sou Sakura... –decretou, ela podia sentir sua mão quente mas pior era o calor de ódio que transbordava de sua boca e olhos.

–na-nai...?

– não fale comigo, não quero assunto com uma vagabunda de nível tão baixo, putas como você eu só traço e jogo fora, e não serve nem pra isso mais, se voltar a falar comigo em “particular” eu vou quebra-la tanto que o babaca do seu macho não vai te querer nem pra ser empregada, tch, mas pelo visto já.-

Sai a soltou, o alivio da pressão apenas machucou mais enquanto ele se retirava, mas ela não podia fazer nada quanto a isso, não podia nem controlar o tremor que abalava seu corpo e sua alma agora.

Sai era um garoto sem emoções, e buscava descobri-las por meio de livros. Frio, calculista e inconveniente sempre arranjava confusão em busca de descobrir a própria alma.

Ela uma vez quis e se obcecou por ser aquela que o ajudaria se tornar um verdadeiro homem, porém houve uma época em que esse desejo se desgastou e ela se viu caindo noutro tipo de obsessão.

Sasuke Uchiha.

Tão cega que só via o mau que estava criando depois que acordava de mais um encontro furtivo, rápido e sem emoção, porém, na próxima noite se perdia de novo naquele pecado.

E ele só aumentou, rolando como uma bola de neve, engolindo todos e ferindo até mesmo o menino sem sentimentos.

E ela agora percebia que talvez o tivesse sim, ensinado a ser humano, por que nenhuma criatura sem emoção poderia demonstrar tamanho ódio, asco e revolta como ele.

Ela ensinou-lhe ódio, mas ele também sabia o que era o amor... se perguntava, mesmo não querendo a resposta.. com quem ele aprendera tal sentimento...

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–Sakura. – a voz exigente e dura de Sai incomodou tanto quanto sua presença.

–hum? O que foi? –Sai não disse nada enquanto a fitava, apenas ergueu a sua vista um pequeno pergaminho, de papel amarelado e um laço azul com um símbolo que não deu pra distinguir na hora, porém, o Uchiha e a filha perceberam a tensão que tomou Hakushu, Kaito e principalmente os olhos verdes da mulher se arregalarem, descrentes.

Ela respirou e fechou os olhos engolindo em seco, se recompondo. Quando os abriu tomou o pergaminho dele era tão pequeno, do tipo que pássaros mensageiros traziam e levavam, sua expressão voltou a ser calma porém melancólica.

–já...

–tava mesmo demorando.- ele desdenhou irritado.

–fazer o que? A paciência não é uma benção neles... chame o transporte vamos embora.

–que?! – Touka exclamou.

–claro,- Sai girou nos calcanhares e buscou a saída.

–algo aconteceu? – disse Kaito tocando o braço dela caricia que não foi repreendida como as outras. Ela apenas suspirou.

–algo errado? – Disse Ino, Sasuke apenas fitou a bolsa que ela levava no pulso.

–o que houve aí?

–na-nada...eu tropecei e me apoiei de mau jeito.

–hn...

–algo errado?

–lie, apenas tenho um assunto de familia pra resolver agora.-

–familia?

–tem haver com Yato não é? Que merda... e sendo esse símbolo...- Kaito resmungou irritado.

–vamos, Sakura – Disse Sai vindo e trazendo seu casaco.

Sakura deu um passo até ele mas se virou e se curvou juntando as mãos ao colo das pernas.

–lamento ter que sair assim, mas obrigada pela hospitalidade, senhor, senhora Uchiha.

–vamos Sakura, foi Zankyou quem trouxe a mensagem, e não foi só uma...- Sai a apressou ela girou seguindo-o com olhar assombrado.

–Zakyou?

–vamos.- Sai a envolveu no casaco e a conduziu com pressa rumo a porta e logo se ouviram os cascos dos animais se afastando da propriedade.

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Apenas pelo silencio, ela soube que chegara tarde demais.

–podem ir pra dormir meninos, onde está Yukine?

–Yuri está com ele. – disse Haru, Sakura assentiu e seguiu pela casa ao passar pelo quarto viu que Yukine já ressonava provavelmente depois de brincar muito, porém não mais feliz, no colo de Yuri.

Ela seguiu em frente rumo ao terraço e saiu na noite fria e iluminada de prata distinguiu aquele que seria seu único e declarado, primogênito.

Subiu as escadas para o pequeno telhado da casinha de tralhas com certa dificuldade graças ao vestido e sentou ao lado de Yato na beira.

Puxou sua cabeça, sem resistência, apenas caindo, ele pousou-a em seu colo e durante longos minutos ela só acarinhou sua cabeleira, enquanto os dois encaravam a lua.

–lembra do que fazíamos em noites como esta? Fugíamos da mansão e íamos tomar banho na fonte nos fundos do bosque...

Yato não respondeu mas um sorriso nostálgico se formou no canto de sua boca.

–uma vez você escorregou e ralou o rosto, eu entrei em pânico achando que o pai brigaria por não te-la protegido.

–haha, não foi tão pior quanto quando ele nos pegou né?

–verdade!- riu – eu ainda tenho certeza que aquele rachadura na parede do gabinete foi dos gritos dele.

–também...

–queria voltar pra aquele tempo.-Sakura suspirou.

–também... mas seu destino não está no passo, e sim no futuro, porém... lembra do que fazíamos quando terminávamos? Eu cantava pra você dormir.

–minha musica favorita de tooodooo o mundo – ele disse imitando a si mesmo quando naquela tenra idade, ela sorriu.

–lembrei dela hoje, fui muito boba achando que era só tédio.

–foi chato?

–sempre é, eu cantava pra você dormir, e fazia questão de estar lá, no seu quarto, e ser a primeira a te acordar, eu te farei dormir hoje, e serei eu a te acordar amanhã, mas a próxima vez que isso acontecerá agora pode estar distante, muito distante, porém vou cantar para Yukine, ele também gosta, só tem vergonha de admitir, mas quando eu cantar pra ele, também será pra você, e ainda que seja só um sussurro no fim de sua mente, quero que saiba... que nunca vou calar.

Ela se curvou beijando sua testa longamente então, quando voltou o olhar para a lua, as palavras que se seguiram foram melódicas, mas não solitárias.

Mesmo sendo símbolo de separação.

“Eu queria que alguém regasse o mar

Sobre a minha cabeça

Eu quero banhar com os peixes e o sol

Que estão afundando sobre mim

Uma brilhante e desconhecida

Magia que desaparece toda vez que viajamos

O céu se quebrou

Como se visto através de uma placa de amostras.

Nós alcançamos o topo de um edifício abandonado

E cercados pelos sussurros

Da penugem de dentes de leão

Nós somos uma canção

O solo cor de cinzas

Está decorado com luz

E embrulhado no rugido

Nós somos um buquê

Com essas asas depenadas

Palavras

São sopradas para trás, sem respiração para contender

Elegantemente desaparecendo

Em meio de pássaros marinhos sendo guiados à realização

Está uma estrela mentirosa

Suas luzes nos guiando, então lançando-nos longe

À medida que remamos nosso barco

Num mar da meia noite

Estão as reverberações da brisa do mar

E esse mundo flamejante

Em que enterramos nossas bochechas

Ponto morto

Em um redemoinho de vozes rangentes

Nós damos as mãos e navegamos através de chuma como agulhas

Enquanto esta grande visão se escurece

Nós brincamos com a neblina do calor

Que está caindo de cabeça ao chão

Enquanto dançamos juntos ao tempo

Nós alcançamos o topo de um edifício abandonado

E cercados pelos sussurros

Da penugem de dentes de leão

Nós somos uma canção

O solo cor de cinzas

Está decorado com luz

E embrulhado no rugido

Nós somos um buquê

Eu queria que alguém regasse o mar

Sobre nossos telhados”

(Dare ka, umi wo – Aimer.)

Notas finais
VOU... CHOREI