Notas iniciais
Yooooooooooo!!

–maravilhosa. – Disse Sai.

–você jura?

Ele arqueou a sobrancelha e ela suspirou convencida, talvez apenas mau acostumada.

Não por achar isso pouco, mas por estar acostumada a mais.

Ele a acostumou mau.

E sentia saudades desses mimos.

Ele era calmo e silencioso.

Mas falava com ela. Nem sempre era gentil.

Ele tinha em si, uma capa de frieza e neutralidade, seu olhar poderia ser uma neblina cobrindo suas emoções.

E quando se tornava vermelho, ela via que aquela neblina era um prenuncio de chuva, de sangue.

Mas ela nunca temeu muito o vermelho, talvez porque fizesse parte do seu símbolo, Talvez porque olhos vermelhos sempre a enredassem , ou o dono deles.

Mas naqueles olhos vermelhos ela nunca enxergava privação ou proibição, nem fúria que não fosse momentânea chegou a ser dirigida a ela.

Naqueles olhos vermelhos, ela tinha libertação, ela tinha escolha.

Ela escolheu se enredar ao dono deles.

Aceitou ser possuída e tomada, ser zelada como um bem precioso.

O mais precioso até.

Aceitou ser amada, pra só então começar a ama-lo.

E uma perspectiva nova sobre amor, se abriu ante seus olhos.

Porque ela, aquela que sempre amava e perdoava, sempre a primeira a amar e a perdoar.

Experimentara, pela primeira vez na vida, como era ser amada sem amar, ele a amou primeiro enquanto ela não sabia como deveria entender seus desejos por ele.

Porque o amor dela sempre começava puro.

E aquele amor começou carnal, luxurioso, necessitado.

E só então puro, só então, eterno.

E só então, ela amou Yasuhiko Yumi.

E só então descobriu o que é verdadeiramente amar alguém que estava longe, alguém inalcançável.

Alguém que a morte levou, assim como seus pais.

Eles se amavam tanto que não podiam deixar um ao outro morrerem, e se foram juntos, deixando ela para trás.

Mas Yasuhiko, também tinha seu lado egoísta, ele não a deixou escolher ir com ele, ele queria salvar o filho deles, ele queria muito o filho deles.

E não podia aceitar escolher entre os dois, de novo.

E como o mundo era injusto e leviano, foi ela que teve que ficar sem os dois.

–distraída? – Sakura despertou e se fitou no espelho da penteadeira, não percebeu que se encarava, não percebeu que havia deixado a sala e Sai e vindo para o quarto, não percebeu, tão perdida nas lembranças.

E sentiu falta de se encarar no espelho, vaidosa, feliz, e ver seu marido atrás dela observando-a com sua expressão neutra e sem emoção, mas seus olhos a fitando como se fosse a coisa mais bonita que já vira.

E sentiu falta das mãos grandes afagando seus ombros num aperto possessivo e discreto, elegante, e seu beijo aparentemente casto plantado num local não tão casto para alguns, o canto de sua boca, um aviso discreto de que ela não era a única a poder provocar, ainda que na maioria das vezes ela nunca achava que fazia tal coisa.

Estava distraída de novo se fitando, com se assistisse no espelho aquela cena. E só percebeu ao sentir o gélido metal precioso de encontro ao seu colo e pescoço, Sai fitava no reflexo enquanto segurava uma gargantilha de prata diamantes e esmeraldas -esse sim vai ficar perfeito.

–e-esse...?

–claro, é perfeito, não sei porque não usa mais.

Ela suspirou fitando a joia tocou-a com os dedos e foi puxada para mais lembranças, a lembranças de quando vira tal preciosidade foi posta ante seus olhos pela primeira vez.

“-Sakura, quero que aceite isso, é seu.

Ele só podia estar brincando, primeiro anunciava a Kami e o vento que estavam juntos sem nem consulta-la, e agora ...aquilo?

–e-eu não posso ficar com isso, e além disso temos de conversar.

Ele apenas suspirou sentado no “trono” ela detestava quando ele fazia isso a fitando dali com se visse uma criança tola, e que seu poder deveria passara ela e ideia de que ele estava sempre perto.Com o olhar Yasuhiko dispensou o homem que segurava a peça como se temesse perder a própria vida se a deixasse cair,este saiu deixando a caixa ainda aberta sobre a mesinha ao lado do lorde e se foi após uma reverencia, sozinhos na sala, Sakura sentiu o peso do olhar cinzento sobre si, e devolveu.

Ele não se fez de surpreso, mas a chamou com a mão, e ela sabia o que ele queria, corou e não pode deixar de olhar em volta.

Suspirou alto fazendo questão de mostrar que achava isso uma bobagem, embora fosse mentira.

Ela adorava.

Mas se o deixasse saber,ele se aproveitaria.

Porque ele era um grande estrategista, e sabia tocar nas fraquezas dos outros.

Como um demônio.

Ela se dirigiu a ele, e se fez de relutante ao sentar-se em seu colo, fingido que se sentia como uma criança, quando na verdade a simples proximidade com aquele corpo a fazia sentir o interior em chamas.

E como sempre ele não se importava, a tocava sem pudor sempre que podia e repousou a mão em sua cocha e a outra mantendo suas costas.Puxando seu tronco para si pondo o rosto ao lado dela e com ela, observando a própria mão passear pele dela.

–zangada?

Ela quis gritar que sim, depois de tudo o que passou o que menos precisava agora era de um homem dominando-a, agindo como se fosse seu dono, expondo o caso deles como uma relação seria, quando o que ela queria era distancia de qualquer apego emocional.

Mas ela não gritou, gritar com ele nunca dava certo, ele não levantaria a voz mas se viesse a faze-lo os dois berrariam um com o outro por horas a fio,então do nada ela avançaria nele dando-lhe a oportunidade de derrota-la com um simples beijo, mas que a deixaria completamente a sua mercê, e a possuiria sobre a primeira superfície horizontal que encontrasse e se não houvesse uma, não seria problema pra ele.

E nem ela a reclamar.

–estou, você sabe que eu não queria isso.

–de fato, mas eu não me importo.

–seu grande quatro olhos, bastardo e...- Ela resfoguelou quando a mão tocou um ponto sensível, fechou as pernas corando e o fitando assassina.

Yasuhiko a encarou com se estranhasse sua atitude, como se achasse aquilo natural demais pra ela vir reclamar agora, ela detestava isso! Essa casualidade fora do aceitável...

–você dizia?

–ugh... tudo bem você ganhou.

–e?

–seu...tudo bem eu aceito seu pedido de namoro “forçado”.

–namoro?quem falou em namoro?- Sakura o fitou totalmente rubra de indignação.

–seu... acha que eu sou alguma qualquer? Vá se...- Ele agarrou se queixo a fitando quase como se desdenhasse dela.

–eu acho que é minha.

–que...- rudemente ele a puxou pondo a boca de encontro a seu ouvido, falando de forma controlada e afiada, trazendo mais calor ao interior da mulher.

–minha mulher.

E ela congelou no tempo com essas palavras, sentiu apenas quando ele encaixava a joia em seu pescoço e colocava o pequeno espelho redondo da tampa da caixa de frente para ela, fazendo-a fita-se ainda em choque com a obra de arte em seu pescoço, o olhar cinza maçante a encarando pelo reflexo, obrigando-a a ver no fundo dele, sua satisfação, e admiração.

–perfeitamente... minha.

E ele não se referia a joia...”

–Aaah,estou sendo bem ignorado hoje – Sai resmungou quase magoado.

–hã? Ah, gomen.

–certo, mas tem certeza que quer ir? Já lhe disse onde será a festa.- Sakura suspirou e voltou o olhar para o espelho.

Não veria mais o reflexo daquele homem atrás de si, mas não deixaria de fitar-se com a soberania que ele lhe ensinara a ter.

Todos achavam que o que ela levaria no rosto essa noite, era uma mascara de poder e indiferença, talvez até arrogância.

Mas ela apenas aprendera, por convivência a ter essa expressão, só usava uma mascara em momentos realmente importantes.

Essa noite, essa recepção.

Não faziam a mínima diferença para ela.

Não sentia nada a incomoda-la, estava acostumada com encontros sociais, políticos e enfadonhos, e o fato de que iria está na casa dos Uchiha, simplesmente não fazia diferença. Talvez uma certa curiosidade, mas imaginava que muito além dela estariam curiosos.

Sakura tocou o colar mais uma vez agora com um olhar altivo chocando-se no espelho, ajustou a preciosidade sob o colo da forma correta, os ombros se alinharam orgulhosos, dando-lhe uma postura imponente e talvez sedutora.

Ele a achava sedutora assim.

–bobagem, me sinto ótima, só espero não morrer de sono.

–é bom mesmo, uma dama não boceja- Riu Sai.

–de fato..- Saiu se levantou e deu-lhe a mão fazendo uma reverencia galante.

–me dá a honra?

–claro.- Ela pegou e se levantou do assento. Seguiram para sala após ela pegar o casaco sobre a cama, e no sofá Yato jogava cartas com os amigos enquanto Yukine observava tudo rindo das tentativas do jovens fazerem ta chamada “Poker Face” um ótimo treinamento aliás.

–mamãe já está indo, comportem-se.

–sugoi! A senhora está linda! – disse Yuri.

–ah obrigado, quem sabe não arranjo um pretendente né?

–sim!

–huuuuuhhh?! Achei que fosse uma recepção de negócios- resmungou Yato tão distraído que Haru aproveitou para olhar suas cartas.

–ora e é, hehe, ja ne não vão dormir tarde, Haru você é adulto certo?

–ah cara, mau fiz vinte...- resmungou o rapaz brincalhão.

Sakura riu e acarinhou a cabeça de Yukine.

– divirta-se e vigie seu irmão.

–hun!

–huh? Nãod everia dizer isso pra mim?

–digo pra os dois irmãos devem se proteger, cuidem-se crianças.

–é nada de baderna ou festas adolescentes não quero lidar com policia.- Disse Sai enquanto a seguia para porta.

–Sai eles não são como você.- desdenhou a mulher.

–ora vamos não custa prevenir.

–idiota, e por favor sem flertes tenha decência certo?

–hun...

–certo?

–o que a musa quiser, você não convence com essa, branquelo.

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Para uma mansão que só teve no máximo quatro habitantes em décadas, vê-la agora coma sala cheia de pessoas, era algo no mínimo surreal para Ino.

Mas lamentava que todo aquele publico, todo o calor humano não fosse saudável o bastante para tornar sua casa mais alegre.

Estava abarrotada de gente importante e interesseira, ninguém estava ali para admirara beleza da arquitetura tradicional, ou pela vontade de estar na companhia da familia, não era uma reunião familiar, nem social apesar de estar sob essa fachada.

Era política, econômica.

Dinheiro e poder.

Algo que, como filha de um clã poderoso mas não herdeira dele ela nunca poderia almejar estar.

Mas ela estava ali, bem no olho do furacão, no centro dos olhares ainda que discretos, sendo aquela a recepciona-los.

Nervosismo corria em seu sangue com uma droga. Era quinta vez que se olhava no espelho e não era por vaidade.

Não era primeira recepção que fazia na mansão, já recebera gente para uma festa de aniversário de Itachi e outra ainda no ano passado pelos quinze anos de Touka, não foram grandes festas, mas estava mais confortável entre amigos da familia e os jovens amigos de Touka.

A moça era como o pai, fechada, mas ainda assim como um imã, atraindo companhia mesmo que a empurra-se para longe na maioria das vezes.

Tocou com cuidado o canto dos olhos para ver se não borrara a maquiagem e notou o olhar de asco das senhoras mais velhas pelo reflexo elas a fitavam e cochichavam entre si quase que sem qualquer vergonha.

Ino respirou fundo e voltou a se encarar. Estava linda e sabia disso.

Seu vestido era roxo, sua cor favorita encorpando suas curvas e descendo com uma cauda meio longa,ombros exposto e um bom decote, o cabelo ela deixara solto e emaranhado . Arrematando tudo com um par de brincos muito bonitos.

–está tão bonita. – Disse Touka.

–ah, obrigado, que bom que quis usar vestido, está uma graça.- a moça logo fez um bico, ainda meio zangada por Ino ter escondido todas as suas meias calças pra não deixa-la usar uma sob o vestido cor de chumbo, que tinha uma saia fofa de tule recoberta por renda preta.

–vamos lá, você tem pernas bonitas, deixe-as respirar em outra coisa que não sejam bermudas.

–hun...

–hey eu queria ter pernas tão bonitas quanto a suas, e não só eu.

–Ino, — voz grossa e indiferente de Sasuke chegou até elas, Ino afagou e ajeitou a tiara dourada na cabeça da filha sorrindo com confiança para ela.

–comporte-se, vou ver o que seu pai quer.

–hn.

A Uchiha então respirou fundo o mais disfarçadamente o possivel lembrando que sua respiração e o ritmo dela poderia ser bem percebido naquele vestido justo, sorriu e deu a mão Sasuke agradecida por ele lembrar que precisava demonstrar gentileza para com ela.

–sim? – ele não dedicou mais que um olhar para seus olhos apenas verificando sua situação ela sorriu mais forçando, detestava que ele não confiasse nela o bastante, mesmo que soubesse que as vezes podia por tudo a perder.

Com todo aquele medo.

Ele então satisfeito ou perdendo o interesse voltou-se para os dois homens a frente deles, homens bem apessoados, representantes ANBU da Areia e da Névoa, um se chamava Kaito e ou outro Hakushu, ela só se lembrava melhor de Kaito por suas olhadas indiscretas par ao decote dela por menor que fosse, sempre que se encontravam, e hoje ele não sorriria apenas por gentileza, esbaldaria os olhos nela, e mesmo que soubesse que deveria evitar qualquer insinuação sobre si, sentir-se desejada, apreciada era algo do qual sentia muita falta. Ela sabia que Sasuke notava tais olhares sobre ela, mas ele nunca disse nada, no fim, ele sabia que não tinha o direito de tirar esse pequeno deleite, essa pobre caricia em seu ego feminino, porque ele próprio não lhe dava isso.

Era só um pouco, era inocente, ela não estava interessada em Kaito mesmo sendo tão bonito, ele tinha fama de cafajeste e aproveitador, ela queria distancia de um tipo assim e algo com um adultério não lhe despertava interesse, ela já havia experimentado, era bom no começo, tinha adrenalina, adrenalina, que só lhe fez mau.

Não precisava disso de novo.

Então apenas sorriu gentilmente, sem dar qualquer atenção ao olhar quase faminto repousando em seu colo.

–boa noite, quanto tempo não?- Hakushu cumprimentou com a cabeça, sempre educado e focado, e Kaito brindou com mais um sorriso branco e galante que se destacava ainda mais em sua pele morena chocolate, olhos de um dourado intenso e predador enquanto bebericava a bebida.

–muuito tempo, Sasuke sua esposa está linda, que sorte a sua, que inveja.

–apenas se case então –Sasuke comentou.

–hehe, um cara com eu? Quem sabe não? Venho paparicando uma boneca aum tempo mas ela nem me dá bola.

–ora, tenho certeza que conseguirá se insistir, mostre que é bom só charme não é bastante – ela brincou.

–será? Boa ideia, ela é cruel disse que meu charme a enjoa...

–seu charme enjoa qualquer um – comentou Hakushu.

–cara chato.

–que moça cruel, tem certeza que a quer?

todos a querem, querida, todos a querem.

–are...

–okaa-san, chegaram mais pessoas.- Itachi avisou sempre prestativo, Kaito afagou seu cabelo como forma de cumprimento e Ino sorriu agradecida, pois estar ali era como estar numa corda bamba e qualquer deslize como por exemplo não ir recepcionar os convidados já era o bastante para que falassem demais.

Seguiu com Itachi até porta vendo uma carruagem de aluguel partindo pela janela, Itachi correu a porta e abriu e Ino congelou no lugar como o resto da sala quando Sai entrou afagando a cabeça de seu filho enquanto conduzia a mulher toda envolta num casaco de pele cinza com um um dia nublado.

Sua face indiferente vagou sem vacilar pela casa que um dia fora sua. Mas sem grande interesse ela voltou um a sorriso amistoso para Itachi, dando um toque em seu queixo e um elogio a sua educação e gentileza, Sai fechou a porta atrás dela e pousou as mãos em seus ombros com delicadeza como se cuidasse de uma de suas tão queridas obras de arte, deslizou o casco de sobre os ombros dela e o que revelou pode roubar o ar de qualquer mortal.

Qualquer pecador.

A gargantilha em seu pescoço era a única viva nela além de seus olhos como uma rede uma renda maravilhosamente divina adornando a pele leitosa e corada de seu colo altivo e sensual no decote daquele vestido negro.

Sakura vestia um vestido de cor preta tomara que caia, o tecido ajustado ao corpo em um modelo semelhante ao de Ino deixava suas curvas a destacadas, a renda solta por cima dava charme, elegância e altivez ao vestido com suas rosas negras, seus olhos eram destacados por uma sombra fosca e um leve toque de verde que combinava com o colar, a boca porém, num tom de vinho escuro que dava um ar maduro e a sua face jovial.

Sua postura ereta e o leve arquear de sua sobrancelha poderiam denunciar nervosismo ou desgosto em estar ali, mas ela não estava. Ela não parecia nem reconhecer o lugar, nem se importava de olhar com mais atenção apenas segurou a carteira que levava e sorriu agradecida a Sai após ele deixar o casaco no cabide então se deixou ser guiada por ele subindos os degraus para sala sua figura crescia, seu olhar era neutro, sem emoção, mas sua boca se curvou num sorriso elegante, pequeno e encantador.

E assim Sakura Haruno reinou depois de anos sem pisar ali.

S ela dissesse que aquele lugar era seu ninguém questionaria.

Mas o que ela disse foi apenas um gentil, simples e educado...

–bela festa, senhora Uchiha.

Notas finais
AMEEEEIII ESSE CAP! E VOU DEIXAR AQUI MEUS KISSUS DE AGRADECIMENTO A MINHA FRIEND >>>SELUZUMAKI