Notas iniciais
mais um pra vcs, não resisti *--------*

–Touka...

–huh? – Sasuke limpou a garganta e a fitou mais intensamente, mas esperando não ser intenso demais.

–Touka, ela está aqui?

–ah, sim, ela veio com os garotos.

–os fedelhos? Estão com ela. – Sakura deu de ombros.

–claro, Temari mandou Akira me fazer uma visita de cortesia, por causa de ontem...-ela enrubesceu um pouco constrangida – estão todos aqui, agora que Yato saiu com os tios, eles estão comendo um lanche antes de ir.

–hn...

–e você...?

–eu o que?

–algo grave? Para vir chama-la assim.

–lie, eu só...quero que me ajude no escritório...

Não era bem mentira, de vez em quando ele levava a moça e até Itachi, pra um belo e exaustivo dia no escritório apenas pra lembrarem que o trabalho de um ninja importante não se resumia a missões de infiltração e intensas batalhas. Não precisava dela agora, mas poderia leva-la e arranjar algo pra ela, trabalho não faltava.

E ela era mais eficiente que sua oferecida secretaria.

Izumi, a mesma de sempre,sua primeira e única secretaria até agora, bonita e vulgar, outra tentativa falha de fecundação...

Não que ele estivesse mau por isso.

Mas ela ainda tinha esperanças de ele querer recomeçar ainda que só por diversão.

Mas ele não fazia aquilo por diversão, nunca fez, ela e as outras eram só “ventres”, tentativas, Ino agora ela só um desconto nas frustrações, dele e dela, e Sakura...

As vezes era divertido fazer amor com ela.

As vezes ela ria naquela hora, ou quando começavam, ou quando acabavam, ele achava isso tão estranho meio irritante, que era engraçado. E foi num momento daqueles que ele deu uma verdadeira risada, em anos.

E foi por momentos como aquele, que ela ria, mesmo agora, com mais facilidade do que antigamente.

Fitou a mulher responsável por isso, e sua língua tremeu em sua boca, querendo perguntar se ela se lembrava daquele tempo.

E o que ela sentia sobre ele agora.

Mas lembrar do rosto altivo dentro do armário, o fez ter outra pergunta.

Se ela ao menos sentia algo por aquele tempo.

–francamente... – ela resmungou com um suspiro – não escravize a menina, tem que deixa-la escolher o que quer fazer.- dando as costas ela foi arrumar as almofadas no sofá.

–eu sei, mas também sei que tipo de resultado isso pode trazer, eu vi ontem...

Aquilo escapou, ele fora absolutamente venenoso e viu a especialista em venenos o encarar estreitando o olhar, ele havia sido detectado.

Sakura deixou o peso do corpo cais para um dos pés dando uma “quebrada” no quadril o fitou interrogativa e não menos incrédula segurando a almofada numa das mãos enquanto a outra repousou na cintura, ele enviou olhar apara almofada pois tinha o pressentimento de que esta estava sendo perfurada pelas unhas dela.

–está querendo dizer que não controlo meu filho? – o tom dela dizia algo mais para “é bom ter se confundido, babaca”

–ele não mostrou muito controle ontem...

–eu também não, o que sugere? Correntes? –ela desdenhou.

Amordaças?

Ele mordeu a língua, vendo que ela percebeu que estava para soltar algo e não gostou dele ter segurando.

–huh?- ela disse ameaçadora, como se o esperasse repetir o eco em sua mente.

–estou dizendo que...da minha filha, eu e minha mulher cuidamos.

Ótimo, ele enfiara Ino... percebeu certa surpresa fluir nos olhos verdes e se perguntou se ela esperava que não toca-se no nome da matriarca Uchiha quando estivessem sozinhos.

Ele não pretendia, antes.

Mas agora.

–oh, sei – ela disse, sem qualquer significado na vos mais fria, e voltando a por a pobre almofada no sofá. E começar a olhar em volta procurando algo – elas parecem se dar bem... não teve problemas para adapta-la?

–você...Naruto...?

–porque ele não me contaria tudo? E já seria de se esperar mesmo que ele não me dissesse, que eu entendesse um pouco do que se passaria com aquela criança, não foi tão diferente de um processo de adoção.

–ela não é adotada.-ele respondeu duramente. Sakura o fitou de novo, procurando desvenda-lo como sempre fazia, mas dessa vez, não sendo nada suave, não fazendo isso da forma ingênua que sempre fazia.Ela tentava rasga-lo só pra saber o que ele quisera dizer com aquele tom ofendido e irritado.

–eu não disse isso, Sasuke — ela falou quase mecanicamente de tão gélida – mas aquela criança teve que se adaptar a você, sua família, sua esposa e seu circulo social de forma bem repentina não? Até pra você? Deve ter ficado bem surpreso quando soube dela, logo você não?

Sasuke quis desviar o olhar do dela, evita-lo dizendo algo rude como sempre fazia quando a intensidade daquele olhar o atingia, mas não podia apenas ceder, porque estavam conversando a sós depois de anos.

Anos depois daquela manhã.

Estavam entrando naquele assunto.

E ele viu com choque, até mesmo com horror, que não estava pronto para aquela conversa, não tanto quanto ela parecia estar.

Percebia quão repentino isso parecia, mesmo que, doze anos tivessem sido adiados.

Estava...rápido demais.

Ele tinha uma família, os amava, mesmo Ino, tinha um lugar em seu coração, não como mulher, mas como a pessoa que aguentou muita humilhação ao lado dele, por um erros deles, e pelo filho deles.

Ela tinha sua consideração.

E talvez fosse errado ter aquela conversa ali, sem ela. Sobre um assunto que só tinha haver com os três.

E talvez com ela ao seu lado pudesse continuar com aquilo, mas ela não estava pronta, e talvez nunca voltasse a estar, e por isso, talvez, aquela conversa nunca poderia ocorrer.

E era tudo o que ele mais temia.

Que fosse tudo enterrado no passado.

Porque Sakura não tinha porque desenterra-lo, ela tinha uma vida ótima, uma casa iluminada e fresca, como sempre gostara, cheia de plantas, tinha amigos que a adoravam, uma família grande que a tratava com zelo, dois filhos que podiam não ser perfeitos, ou não ser seu sangue, mas que a amavam como se só pertencessem a ela, e ela os amava como se tivesse nascido para cria-los, e se era ou não, era algo que somente Sasuke permitira.

E só podia culpar a si mesmo.

E ela ainda tinha um marido, morto, mas vivo dentro dela.

Mais vivo do que ele próprio poderia estar, e ter aquela conversa abrira uma brecha para que descobrisse.

E não estava pronto pra isso também.

Não estava pronto, para ter Sakura Haruno de volta em sua vida, para lidar com o passado que ela, mesmo ignorando, trazia consigo.

Ele queria se aproximar, queria faze-la lidar com ele.

Mas não estava preparado para ela.

Ele avançou para o ataque sem cuidar da defesa.

E estava prestes ser atingido.

–eu...foi estranho, mas é a minha filha – foi tudo o que conseguiu soltar, e sentiu alivio e decepção por ela ter ficado satisfeita com a reposta, como se de repente, já nem tivesse mais interesse, mas sim em sabe-se lá o que procurava.

–hun, ela é arisca, talvez por ser sua filha? Mas percebo que é mais que isso, ela não lida muito bem com mudanças e trata tudo com uma postura arredia, e claro, arrogante, mas ela terá seu tempo.

–hn...

–é uma boa garota, só a ensine a olhar direito as coisas e ela vai tomar seu caminho... – Sakura falava agora mais para si mesma, como se le-se uma receita, parou pondo a mão no queixo pensativa e se voltou para ele –você viu onde eu pus o bendito vazo?

Sasuke franziu atesta mas lembrou do objeto, no começo se sentiu relutante, mas ergueu a mão e apontou com o polegar, o armário negro, e os olhos dela lampejaram em entendimento.

–ah... nossa.- ela voltou até lá passando ao seu lado, deixando seu perfume no caminho.

Defesa.

Ele só estava pronto para atacar...

Sakura abriu o armário de novo e sorriu ao ver o vaso ali.

–aí estão elas — não tirou, com cuidado, apenas reposicionou ao lado do marido. –fiquem aí certo?

–higanbanas?

–sim — ela assentiu.

Ele não estava surpreso por conhecer o tal “lírio aranha” quando Ino estava grávida, perto de dar a luz e não podia se movimentar muito, ele sentava com ela brincava do enfadonho jogo de memória com peças com imagens de todo tipo de flor, um jogo que ela jogava com o pai quando pequena, ele memorizou não só as flores, nomes e espécies, mas seus significados.

Observou Sakura tirar uma das flores e acarinha-la gentilmente.

–são flores da morte ... – murmurou e ela apenas concordou sentindo o cheiro, com os olhos fechados e uma expressão deliciada, e ele lembrou do resto, com desgosto. — e a representação da união entre dois amantes...

Sakura abriu as esmeraldas e ficou os olhos cinzentos da imagem, seu sorriso se desfez por um momento, então meio inconsciente roçou a flor nos lábios.

–sim....- então afastou e encarou a flor – as favoritas dele...- pos a flor de volta no vaso com um suspiro. – deve ser difícil crer, olhando pra ele, nem eu acreditava... Anatá...- ela se despediu do quadro com aquele adjetivo e acenou para os pais com a cabeça para os pais antes de fechar novamente as portas e dar as costas.

Sasuke quis pergunta-lhe se gostava daquelas flores, mas engoliu a pergunta ao ver que o que ela usava no cabelo na verdade era um palito preto e uma flor daquelas.

Ele não estava pronto.

E odiava essa impotência.

–vou chama-la, aposto que Yukine se distraiu, sente um pouco.

Sasuke sentou no sofá ouviu as vozes dos garotos e então passos corridos no corredor, mas não era Touka, e sim Yukine correndo animado exatamente na direção do armário, abrindo-o e contendo a euforia para juntar as mãos e orar.

–estou saindo, otou-san, vovô, vovó! Ja ne! –fechou-as e seguiu para a porta.

–oe, não vá tão rapido – Disse Sai ao chegar a sala.

–não me alcança velhooo!!! – Yukine bateu aporta rindo e mostrando a língua.

–hunpf, e ainda reclama do irmão...- Sai encarou o Uchiha mas deu ombros e apenas olhou para trás anunciando.-estou saindo musa.- e seguiu para a porta fechando-a logo Sakura veio.

–hey você... ah, já foi, é bom não aprontarem, Touka ele está aqui, até mais querida.

–hn.

Não foi difícil sair depois disse os três fedelhos os acompanharam até saída do prédio e depois os dois seguiram para a AMBU, Touka resmungou sobre ele não ter dito antes que precisava dela e ter cortado seu ensaio de uma hora para outra.

Mas ele apenas se desculpou e pensou.

Quanto tempo levaria para estar pronto, ainda que sozinho.

E se depois disso, haveria tempo.

Notas finais
então? diferente do q esperavam né? mas espero que tenham entendido os motivos do Sasuke, eu não se se já comentei aqui mas vou dizer logo que TEMPO é a palavra chave dessa fic, ja ne!