Talvez...
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Antes:Soquei o que pude dentro da mochila, e sai.
– Tchau meninas, não me esperem acordada.
– Leva a chave.- Evellyn
Hoje eu estaria livre, sairia para remar com um grupo de amigos próximo a praia. Não sei se volto.
A avenida principal estava ‘vazia’ e escura, se não conhecesse tão bem aquelas ruas e quais quer que fossem os becos eu estaria com medo, fechei os olhos mas mantive os ouvidos desocupados, me desliguei do poder da visão e senti a brisa fria da madrugada resecando meu rosto, lembrei então de projetos antigos escondidos na gaveta da escrivaninha do lado da cama, projetos de escola e os de vida ainda mais ao fundo ainda em construção sem luz fazendo com que os mesmos fossem esquecidos. Desejei inconscientemente estar em casa tentando colocar alguns projetos em ação mas lembrei que Anna ( mãe como eu devia chamar) estava em casa. Me distanciei do ‘grupo’ procurando absoluto silêncio, talvez assim conseguisse reorganizar meus pensamentos, certas angústias estavam me levando a loucura. Esse novo namorado da Anna, o fim do semestre, das aulas, o Paul, o baile, era uma questão de tempo até meu cérebro explodir e deixar restos de uma mente brilhante jogados em um canto qualquer da cidade.
Me vi perambulando uma parte da cidade que a muito tempo não via, aonde bandido rouba por prazer e droga era o pão de cada dia. Meus olhos fitavam a escuridão e os vultos que minha mente projetava, mais ao fundo no único feixe de luz ao fim da rua, um carro, de cor e modelo conhecidos, cheguei mais perto procurando descobrir se estava certa em reconhecê-los.
Pois bem, BINGO! Eu estava corretíssima, mas por que ele estava ali? E o que ele fazia perto dessa gente? Ele encarou a escuridão assustado, procurando saber quem se aproximava, imediatamente me escondi em das ‘frestas’ que separavam os milhares de prédios daqueles becos.
- O que faz aqui princesa?a muito tempo não te via. – minhas pernas balançaram ameaçando uma possível queda.
- CARALHO! Tu não faz mais isso.- recobri a firmeza nas pernas e me debati torcendo pra não ter mijado nas calças. – Poxa Robson você me assustou.
- Me perdoe princesa, mas do que está se escondendo?
- De nada, foi bom ter ver, aliás tenho que ir, tchau.
-Tchau.
-Robson- antigo flerte, chefe do tráfico, bandido inconsequente, era ‘boa’ gente quando ficamos juntos, ainda não havia assumido o posto que antes era do tio, e morava nas redondezas por isso conheço o lugar e não tinha medo de andar pela cidade sozinha, ele sempre teve um respeito muito grande por mim, mas não sirvo pra ser vadia de bandido e escapei enquanto pude. Mas o que não saia da minha mente era o que ELE fazia lá? Estranho.Voltei mais cedo do que imaginei para casa, nem me importei com a presença de Anna que fumava na porta de trás, e para minha sorte não houve quais quer comentário com a minha chegada, talvez seja por que a peguei fumando as escondidas (idiota). Larguei as coisas em um canto do quarto, tirei o tênis que agora continha mais um buraco para ar condicionado na lateral e dormi assim mesmo.
Acordei com o celular vibrando debaixo do travesseiro, mas como hoje é sábado imaginei ser alguma das meninas convidando para ir ao clube, a tela afirmava a chegada de uma nova mensagem, olhei a hora e voltei a dormir. Já passava da uma hora quando voltei a olhar no relógio, levantei sem grandes esforços era sábado, não tinha nada marcado pra agora a tarde, permaneci de pijama até as primeiras horas da noite, tomei um banho rápido, deitei na cama buscando forças para me arrumar, eu ainda tinha que pintar as unhas, ‘aff’. – Filha da puta. – e um grande e imenso bife havia sido tirado do dedão. – Desisto!- Passei uma base simples, vesti uma saia customizada que Karlla havia me dado e soquei as tralhas da noite anterior no guarda-roupa.
- To saindo.- falei em alto e bom som.
- Espera estamos terminando. – Carla.
- Espera ai, você ocupou o banheiro até agora, e se não se lembra somos 3. – Evellyn.
- 10 minutos, pras duas, depois vou sair e vocês vão ficar de pé. – falei mostrando a hora no relógio da cozinha.
É... eu ia sair com minhas irmãs, tinha que tirá-las de casa, o namorado da Anna viria buscá-la queria impedir o máximo que eu pudesse esse contato, e convivência entre eles. – 1 minuto meninas!. – Credo como elas demoram, sei que são 2 mas precisam demorar igual uma noiva?
- Pronto sua chata.
- AAAH! Tava na hora mesmo, no laço, quase que vocês ficam a pé. Mas credo vocês parecem 2 par de vaso, por que usar roupas parecidas? Os outros já sabem que vocês são gêmeas.
- Tá feio? — elas se entreolharam confusas.
- Não tá feio, mas não tá lindo. — menti, elas estavam lindas, não estavam com a mesma roupa mas com cores parecidas, uma conjugando com a outra, mas não quis deixa-las ainda mais exibidas do que já são.
- Vamos então. – deixei que as meninas saíssem primeiro para ter alguns segundo a sós com ‘minha mãe’. – Essa casa não é motel... – comecei- ...ela não é sua, é minha e das meninas, não quero outro homem aqui dentro a não ser meu pai.
- Sua mal agradecida... – fechei a porta e a deixei falando sozinha na sala, sei que não sou uma boa filha e nem devia falar essas coisas para minha mãe, mas eu não admitia a forma que ela agia com as meninas, e me revoltava com o quão irresponsável ela era.
Procurei passar essa noite de sábado tranquila, levei as meninas para uma sorveteria no centro e depois paramos em um fliperama mais ao norte da cidade,um lugar bastante frequentado pelo pessoal que adorava games, aonde ‘sem querer’ encontraram alguns amigos. Me vi sozinha em um dia que reservei para a família, legal. Sentei em uma mesinha de frente para a lanchonete aonde sem grande esforço poderia ir e vir quando quisesse alguma coisa, pedi uma porção de fritas e joguei o celular em cima da mesa, por ser desleixada ou talvez despreocupada não tinha lido a mensagem que havia recebido mais cedo, peguei o celular e abri a caixa de entrada.
‘Corpo da mensagem: — Por Favor eu posso explicar, não tire conclusões precipitadas. Beijos.’
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