Talvez...
8 Capítulo 8
Antes: ‘Corpo da mensagem: — Por Favor eu posso explicar, não tire conclusões precipitadas. Beijos.’
Na identificação, um numero desconhecido, eu imaginava que fora ELE quem me mandou a mensagem, mas como ELE sabia que eu sabia? e como ele arranjara meu numero? –Isto é uma missão para a Detetive mais linda e poderosa de NY.- eu não moro em Nova York mas posso sonhar não? Minha cidade tinha quase 500 mil habitantes, e eu era apenas mais uma idiota que perambulava pelas ruas, e hoje eu estava sentada em um dos milhares de estabelecimentos que pagavam milhões em impostos, mas eu não gosto de falar em política e derivados, fiquei encarando o celular procurando uma resposta pras minhas perguntas quando a chegada de mais uma mensagem me tira do transe.
-‘ Onde você está?’- Karlla.
-‘No fliperama, com as gêmeas’-
-‘ Gostaria de companhia? Você parece tão triste.’- Karlla
- ‘Não estou bem.’-
- Não é o que parece. – ouvi alguém atrás de mim dizer e logo após sentar na cadeira ao lado.
- O que faz aqui? E sozinha? — perguntei
- Louis foi desafiado a bater o recorde de pontos de umas das máquinas de jogos, e está lá desde as 20 hrs, pois bem agora são 21:30, ele já está lá a 1 hora e meia. – ri imaginando ele ficando extremamente revoltado com o desafio.
- Mas quem o desafiou? – perguntei
- Aquele menino ali. – ela apontou para um aglomerado de crianças que não tinham mais de 10 anos.
- Não acredito. – ri. – É um criança mesmo.
- Nem me diga. – ela baixou a cabeça e a balançou com constrangimento.
- Ka, não to conseguindo, aquele menino não pode ganhar de mim. – Louis
- Poxa Lou, senta aqui deixa de idiotice você já gastou muito em fixas, outro dia você tenta. – Karlla. Ela tinha muita paciência pra aguentar as infantilidades do Louis, deve ser por isso que estavam a tanto tempo juntos.
- Oi Louis.
- Ah! Oi Camila.
- Bom, já que você já desgrudou daquela maquina podemos ir? –Karlla
- Claro, vamos. – Louis
- Tchau amiga, combinamos de fazer algo amanhã.
- Sim, sim. –ou não- Tchau!
- Tchau, até segunda na escola. – Louis
E lá estava eu outra vez sozinha,normalmente sou acostumada a ficar ‘sozinha’ mas hoje era um dia que eu precisava de gente ao meu redor, sei lá o por quê, apenas precisava, vi Evellyn passar com uma das amigas esquisitas pelo restaurante e logo perdi-a de vista, fiquei encarando o nada, não pensando em nada com a cabeça longe sem ouvir ou emitir qualquer som, só voltei ao fliperama quando o garçom trouxe a porção de fritas a mesa, e como urubu segue carniça as gêmeas atacaram as mesmas, me deixando com 1/3 da porção inteira, de qualquer modo eu não daria conta de come-la por completo, e elas pareciam com fome.Elas eram a única coisa que fazia ter esperança na minha família, esperança de que um dia tudo voltasse ao normal, meu pai, as responsabilidades da minha mãe, a família unida novamente, ultimamente eu estava muito sentimental, deve ser essa merda de TPM.
Olhei no relógio e me espantei com o horário 12:10, e eu ainda sentada na mesma cadeira da mesma mesa desde que cheguei ali, minha bunda já estava quadrada e era suspeito de eu levantar e a cadeira sair junto comigo pensando que faço parte dela,eu sei que cadeira não pensa, mas se pensasse garanto que ela adoraria que a minha linda bunda fosse a única a sentar nela pelo resto da vida, ela teria bom gosto pelo menos. Pois bem levantei da cadeira e sai em busca das duas pestes que desde as fritas não apareceram na mesa. Notei Carla longe, próxima ao caixa de fichas, aparentemente ‘sozinha’, tirei essa conclusão talvez um pouco precipitadamente, poucos segundos depois um homenzarrão, não era um homem, aparentava ter a mesma idade que elas 15 talvez 16, me aproximei sorrateiramente, Evellyn me vendo chegar mais perto viu que não ia presta e caiu fora.
Fingi uma tosse e encostei na cabine.
- Meus parabéns! Se esfregando com um qualquer na frente de too mundo, e ainda por cima se escondendo pra própria irmã.
- Fudeo! – Evellyn falou baixo, mas não o suficiente para que eu não escutasse.
Carla, se afastou do menino desesperada, eu ria por dentro mas me controlei pra não estragar o disfarce.
- Ah, Camila, Andy essa é a Camila minha irmã.
- Prazer. – disse o moleque que por sorte se chamava Andy, sorte por que eu conhecia um menino chamado Andy e ele era super gato, fazia parte do time de futebol, mas isso não vêm ao caso. Pela minha atuação eu devia ganhar o Oscar.
- Oi. Vamos meninas, temos que ir pra casa, tenho que fazer a mamadeira e coloca-las na cama.
Virei as costas e Evellyn me acompanhou. – Você sabe que ela vai ficar uma fera com você não sabe? – Evellyn.
- Claro que sei, mas foi engraçado. – ri.
- Qual o seu problema? Por que fez aquilo? – ela chegou gritando ao meu lado já do lado de fora do fliperama.
- Eu te avisei. – Evellyn.
- Carla, foi brincadeira. – falei tentando faze-la calar a boca, e levar na brincadeira.
- Que brincadeira mais sem graça hen. – falou. Há ouvi resmungando por todo o percurso, no banco da frente Evellyn me olhava de canto e caia na gargalhada, e a outra emburrada no banco de trás em vez de entrar no clima da brincadeira e curtir o restinho de tempo que ainda tínhamos longe de casa, não! Preferiu ficar de cara fechada e reclamando.
- Para de palhaça Carla, desculpa. Só quis descontrair. – tentei amenizar as coisas.
- Eu sei, mas não gostei... e espero que não faça mais isso. – Carla.
- Talvez não mais com você, mas Evellyn, você é a próxima. – ri, e Evellyn me encarou de cara feia. Eu e ela éramos muito parecidas, cheias de atitudes rebeldes, pensamentos controversos, e sentimentos turbulentos, Carla era a típica irmã menininha, gostava de roupas sempre muito bem passadas, ganhar rosas do namorado e a principal ser puxa saco dos pais. Mas era muito engraçada, e adorava vê-las brigar por serem assim tão diferentes.
Agora eu estava em frente a minha casa, prisão como costumava ditar depois que tudo aconteceu, sentada no banco do carro observando as gêmeas entrarem pela porta da frente, no rádio tocava uma música antiga ‘Stevie Wonder — Isn't She Lovely’ a muito tempo não ouvi aquela música, era a mesma que meu pai cantava antes de me cobrir a noite. Alguns pai contam histórias, outros balançam até a criança dormir, meu pai cantava.-‘Truly the angel’s best, boy, I’m so happy, we have been heaven blessed.’ (verdadeiramente a melhor dos anjos, Cara, eu estou tão feliz, estamos sendo abençoados)– me arrepiei ao lembrar da voz dele pronunciando essas palavras enquanto me cobria. Senti uma aperto no peito, saudade. Já na cama, baixei essa mesma música e a coloquei para repetir, precisava sentir pelo menos que metade dele estava presente.
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