Tales Of A Broken Heart
7 1864 - Uma Tentativa.
Notas iniciais
Estava indignado,ultrajado,e incrédulo com o comportamento de Marie no piquenique na cidade.Como ela pudera ser tão fria e cruel ao falar de Rebecca? Acusando-a de coisas absurdas,insinuando que ela pudera ter fugido as escondidas com Henrik.Será que ela não conhecia a prima o suficiente para saber que a mesma odiava e repudiava aquele homem com todas as suas forças? Rebecca não seria capaz de fazer aquilo.E como pudera declarar-se para ele tão atrevidamente,mesmo sabendo que o jovem amava a senhorita Marshall? Ela não tinha amor próprio por acaso? Não conseguia enxergar que nunca retribuiria esses tais sentimentos?.Que para ele não significavam nada.Que só amaria uma mulher para sempre,e que essa mulher não era ela?.
Stefan encontrava-se no escritório de seu pai,em um dos cômodos da enorme fazenda Brendon,avaliando vários papéis de despesas,tentando inutilmente tirar as palavras de Marie de sua cabeça.Mas e se ela estivesse certa? E se ainda existisse uma chance de Rebecca estar viva —por menor que fosse —E se ainda houvesse esperança? Talvez ele estivesse tão perdido na dor e no sofrimento que nem se deu conta de que havia a possibilidade dela ainda estar respirando.Afinal sua morte fora somente uma suposição cruel,dado o seu desaparecimento.Mas se estivesse viva,por que não o procurou?Eram tantas dúvidas que sua cabeça estava prestes a explodir.
Levantou-se da cadeira onde estava sentado e foi até a adega de seu pai,retirando de dentro do compartimento de vidro uma boa garrafa de vinho.Serviu-se quase que no mesmo instante,querendo relaxar.Apreciando o liquido amargo,tendo a certeza que a bebida satisfaria sua sede por respostas por hora.Se iria fazer algo a respeito do que pensara anteriormente,o melhor era estar totalmente relaxado no processo.
Ouviu a porta sendo aberta e observou sua mãe adentrando a sala,com sua costumeira feição carinhosa,que foi substituída por uma preocupada ao ver o que o filho estava fazendo.
—Bebendo de novo? Achei que havíamos passado desta fase —comentou se aproximando de Stefan,acariciando seu braço de forma maternal.O jovem Brendon suspirou avidamente,e desviou do carinho da mãe,caminhando em direção as estantes de livros.Se perguntando até quando sua mãe iria supor que ele era um bêbado que não poderia parar se quisesse.E se decepcionou consigo mesmo,ao constatar que Aurora sempre teria essa opinião dele,devido a suas ações depois da perda de sua amada Rebecca.
—Só estou tentando relaxar um pouco minha mãe.Algumas coisas que aconteceram nesta tarde,deixaram-me estressado —ele tentou justificar o que estava fazendo.Mas não pareceu ser o suficiente para convencer Aurora.
—Filho eu entendo que sua dor seja forte,mas não se acabe por ela —ela pediu,e aquilo fez com que Stefan suspirasse profundamente.Sua intensão dessa vez realmente não era embebedar-se.
—Mãe confie em mim.Estou no controle da situação,lhe garanto —ele a tranquilizou.E ela assentiu tentando firmemente acreditar nas palavras do filho.
—Para que eu acredite nisso,peço que me entregue esta taça —ela negociou.Stefan sorriu incrédulo com o pedido de sua mãe,mas ainda sim fez o que ela havia lhe proposto e entregou a taça.
Logo pediu licença,e subiu para seu quarto.Chegando lá,caminhou até uma cômoda de madeira escura,abriu uma das primeiras gavetas,e retirou de lá de dentro um livro.Acariciou a capa,e passou seus dedos pelo título do volume.Onde continham as palavras “Contos de um coração partido” .Aquele havia sido o livro que emprestou a Rebecca quando a conheceu.Nunca teve a oportunidade dizê-la que quem havia o escrito,fora ele mesmo.Por isso havia desistido da faculdade de administração na Itália,o que ele realmente queria era ser escritor.Abriu na página 96 e leu um dos trechos,mesmo que soubesse tudo de cor,gostava de refletir sobre suas próprias palavras.
Pensando bem,penso que verdadeiramente nunca havia entendido a intensidade das coisas.Como um amor pode ser tão intenso,a ponto de amarmos alguém mais do que a nós mesmos.Penso como nosso corpo se manifesta somente com alguns toques.Mas meu pensamento mais forte baseia-se no fato de como conseguimos nos tornar tão dependentes de alguém a ponto de nos perguntarmos o que será de nós sem quem amamos.É frieza preferi que o amor não acolha seu coração? Pois a sua perda o quebra de todas as formas.
Era incrível como parecia que ele havia previsto o que aconteceria,como a perda seria dolorosa.Mesmo sem conhecer Rebecca ele já imaginava que perdê-la o destruiria.Olhou para um quanto qualquer do quarto e pronunciou as seguintes palavras:
—Eu sei que não está morta meu amor,sinto que seu coração ainda bate.Irei lhe encontrar —falou ao vento,querendo que onde quer que ela estivesse,que ouvisse estas palavras e que confiasse na veracidade delas.
Decidido a cumprir o que dissera,pegou seu paletó o vestiu e desceu as escadas rapidamente.Com um plano na cabeça,querendo executa-lo o mais rápido que pudesse.Passou por sua mãe como um raio,e nem se dera ao trabalho de dizer para onde iria,pois já tinha em mente que seria julgado por aquilo,e não tinha tempo para isso.
[...]
Chegou a uma taverna que ficava localizado em um dos becos abandonados da cidade,atravessou a porta que estava velha quase caindo aos pedaços e avaliou o lugar.Vários bêbados estavam espalhados pelas mesas empoeiradas do perímetro.Havia vindo a este estabelecimento algumas vezes,mas somente hoje,tinha um real objetivo para estar ali.Olhou por cima dos ombros,procurando a pessoa que queria achar.Então o viu.O homem estava sentado nos fundos,próximo a uma janela,observando as pessoas lá fora.Bebia um conhaque,e estava reflexivo.Parecia ter pelo menos uns 40 anos,cabelos castanhos na altura dos ombros,barba grande,sobrancelhas grossas,e porte forte.Alguns machucados estavam espalhados por seu rosto.Mas aquilo não parecia incomoda-lo.Ronald Petrofer tinha a fama de não sentir dor,mesmo em situações que deveria.Aquilo o ajudava em seu trabalho,afinal o mesmo era um caçador.Um perigoso e agressivo caçador.Dizem que para que você negocie com ele,terá que ter coragem e sangue frio.Stefan não possuía o segundo item,mas tinha uma coisa muito mais forte que isso.Tinha seu amor por Rebecca,e aquilo o fazia tão corajoso a ponto de não temer o homem.
Aproximou-se com passos pesados,e aquilo despertou o outro,que saiu de seu estado pensativo e o encarou com curiosidade .O mesmo ergueu uma sobrancelha e questionou:
—O que quer rapaz? — falou sem rodeios,se perguntando o que um rapaz daquele porte poderia querer com ele.
—Preciso que faça um serviço para mim — Stefan também foi direto,e suas palavras interessaram o Petrofer,que sorriu de lado,e apontou sua mão em direção a cadeira que estava a sua frente.Num pedido mudo para que Stefan se sentasse e assim ele o fez.
—Primeiramente rapaz,como se chama? —ele quis saber.
—Stefan.Stefan Brendon —se apresentou e ofereceu sua mão em sinal de cumprimento,mas Ronald não aceitou,apenas deu uma risada sádica.
—O que um dos membros de uma das famílias fundadoras quer com um pobre caçado como eu? —perguntou,num tom claro de deboche.Bebendo um pouco mais de seu conhaque,ofereceu uma dose a Stefan,mas ele negou,se era para negociar que estivesse sóbrio para isso.
—Há boatos de que o senhor é a única pessoa que consegue atravessar a floresta negra por completa,e depois voltar vivo.Algo que poucas pessoas conseguem —Stefan disse o que ficou sabendo e o outro homem revirou os olhos.
—Boatos bem embelezados meu rapaz.Eu sou o único que consegue,não existiram outros antes de mim.O que há naquela floresta é perigoso e sanguinário —ele contou e o jovem Brendon sentiu um arrepio percorrer sua espinha,ao se dar conta de que Rebecca estava lá.
—Ficou sabendo de Rebecca Marshall,a garota que desapareceu lá? —o Brendon perguntou,com a intensão de saber se ele tinha conhecimento do caso.
—A tola que se arriscou indo até lá pela noite? Oh,sim fiquei sabendo —ele disse ainda com o tom seco.Stefan se controlou no momento que ele chamou sua amada de tola.
—Motivos me levam a crer que ela está viva,não acharam seu corpo ou algo parecido —Stefan explicou por alto,e o outro riu descrente pelo que o Brendon falara.
—O que te faz achar que uma inocente garota que nunca se arriscou a perigo nenhum,iria sobreviver naquele lugar ? —Ronald questionou querendo saber até a onde a estupidez do outro iria.
—Rebecca é forte —ele disse com tanta convicção que o outro quase acreditou nisso também.
—Vá ao ponto garoto,o que quer ? —o caçador pediu.
—Quero que busque por ela na floresta,a acha e a traga para mim...Seja como estiver —estas últimas palavras ele disse com pesar.
—Ama ela,não é ? —Ronald questionou o que havia notado desde que ele falara o nome dela.
—Mais do que a mim mesmo—ele confirmou.
—Está ciente de que mesmo que por um milagre ela volte...de que ela não será a mesma não é?Há algo naquelas terras que te mudam.Que parte sua alma em vários pedaços,a escuridão daquelas árvores te abraça...Digo por experiência própria —ele falou enigmático.
—Ninguém é capaz de contaminar a alma de Rebecca,nunca vi uma tão pura quanto a dela —ele contou.O outro assentiu lentamente,vendo que Stefan nem ao menos se dava conta dos riscos que estava disposto a correr.
—Se por um acaso eu aceitar esta missão,o que ganharei em troca? —indagou querendo tratar de negócios.
—Sei que gosta de receber o pagamento com joias,tenho muitas —o Brendon deu a entender que o preço não era o problema.
—Tem uma parte ai ? — o caçador indagou e Stefan retirou de seu bolso um anel de esmeralda que parecia da realeza.O homem experiente avaliou a peça e viu que não era falsa.
—Amanhã mesmo irei procura-la.Farei meu melhor.Me encontre depois de amanhã aqui nesse mesmo bar e no mesmo horário,e então verá o que eu consegui,assim receberei a segunda parte do pagamento —ele comunicou.
—Virei —Stefan garantiu,e então sorriu.Sorriu pois esse passo tinha tudo para ser o mais próximo que ele tinha de reencontrar sua amada.
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