Tales
24 XX - O dia seguinte
Notas iniciais
O dia seguinte de Juvia
Quando Juvia acordasse depois daquilo tudo ontem a noite queria abraçar Gray, dizer que o amava e que queria ficar com ele sem se importar com o passado, nem o dela e nem o dele, imaginou que ele sorriria e diria que queria ficar com ela também. Os dois tomariam café juntos e passariam o resto do sábado juntos sendo melosos um com o outro.
Quando Juvia acordou as coisas já começaram a dar errado. Juvia abriu os olhos lentamente murmurando o nome de Gray, tateou a cama, mas não o encontrou, abriu completamente os olhos e constatou que ele não estava ali. O mundo de Juvia caiu, ela era muito insegura de si mesma para pensar qualquer coisa além de “ontem não deve ter sido tão bom para ele quanto foi para mim” praguejou mentalmente por ser tão inexperiente... Talvez ele nem ao menos tenha gostado do seu corpo... Talvez apenas estava precisando dar "umazinha" por aí e resolveu usá-la...
A raiva crescia dentro de dela, já estava chorando de ódio quando pensou na possibilidade de ele estar tomando uma ducha no seu banheiro. Ela levantou e foi até lá, mas não o encontrou. Talvez ele estivesse na cozinha fazendo um café da manhã para os dois! Ela podia sentir o cheiro de pão quente, devia ser isso mesmo!
Saiu correndo animada até a cozinha. Seu coração acelerado cheio de esperanças. Ela encontrou o balcão arrumado, apenas com um papel em cima. Ele não estava ali. “Ele deve ter ido até o mercado comprar alguma coisa que faltou enquanto ele fazia o café e deixou o bilhete para eu não me preocupar, certo?” Pensou incerta consigo mesma pegando o papel no balcão.
Errado!
Bom dia, Juvia!
Fiz um misto quente para você, tá dentro do microondas, espero que ainda esteja quente quando você acordar!
Obs: Estou indo para a academia, volto mais tarde.
Obs2: Sobre ontem a noite... Vamos só culpar o álcool, ok? XD
O papel começou a ficar molhado assim que ela terminou de ler. Como assim só culpar o álcool? Ela foi só mais uma, é isso?! Aquela noite foi tão insignificante que seria lembrada como uma daquelas noites em que você faz besteira porque estava bêbado? Era isso? O que diabos era aquela carinha divertida depois de uma frase tão cruel?
Juvia não queria, mas estava com tanta fome que comeu o misto que Gray havia feito para ela. O misto “quente” estava frio, não tão frio quanto ela estava se sentindo, claro. Juvia terminou o café da manhã levantou-se da cadeira, lavou sua louça entrou para dentro do quarto e chorou de raiva, abafou os gritos de ódio no travesseiro. Passou quase uma hora fazendo isso até ter coragem de levantar da cama, colocar a calça legging preta favorita, a blusa regata mais justinha que tinha, meias o tênis e uma bolsinha para colocar o celular e um pouco de dinheiro, colocou os fones no ouvido já ligando a música e saiu daquele apartamento batendo os pés. Foi correr para espairecer.
Felipe-san riu divertido quando ela passou. O elevador havia acabado de fechar com o presidente da Tales dentro quando a mulher do cara desce as escadas correndo ruidosamente. Juvia nem escutou as risadas, precisava sair dali o mais rápido possível.
Passou o resto da manhã correndo, parou na hora do almoço e foi em algum restaurante, depois andou até a casa de Gajeel, mas nem ele e nem Levy estavam lá, voltou a correr até ser hora do lanche, comeu qualquer coisa em uma barraquinha no centro, admirou um pouco o jardim da cidade que ficava por lá e voltou a correr até estar de noite.
Passou o dia pensando na situação e chegou a conclusão de que Gray não a queria, que não a via como um possível romance, apenas como uma mulher bonita com quem ele gostaria de transar. Talvez a enxergasse como uma subordinada ou como uma substituta para a tal Karen, sua ex namorada de um passado não tão distante.
Seguiu para o apartamento andando devagar e decidida a não ligar para o ocorrido e esquecer de vez qualquer tipo de vontade de manter uma relação amorosa com seu chefe, ela não tinha o direito de querer isso, ela não se achava digna de ter alguém para dividir a vida com ela e depois de ver a ínfima probabilidade disso acontecer com Gray ser esmagada com um bilhete e uma carinha, não estava mais disposta a tentar de novo, não sabendo que se machucaria ainda mais.
O dia seguinte de Gray
Gray acordou primeiro. Abriu os olhos e viu a mulher ainda deitada em cima de si, sorriu com a visão dos cabelos azuis em cima de seu peitoral, o rosto angelical da mulher que dormia tranquilamente com um pequeno sorriso nos lábios. Ah, ele sentia algo por ela, agora tinha certeza! Aquela mulher mexia com ele de uma forma que nunca outro alguém conseguira fazer.
Gray pensou em esperar ela acordar, abraçá-la, beijá-la e dizer aquela frase de três palavras, imaginou que ela pularia nele e eles seriam felizes para sempre... Sorriu com sua idiotice melosa, tirou-a de cima de si com cuidado, deitando-a no colchão. Admirou a mulher por mais algum tempo, suas curvas marcadas pelo lençol de seda saltavam aos olhos, a pele alva como a neve e o leve rubor nas bochechas, o sorriso pequeno de quem tem um sonho bom... Tudo nela parecia tão maravilhosamente inalcançável, como uma princesa de fantasia, mas ela estava ali, ela era de carne osso, ele podia tocá-la e prová-la. Estava feliz por estar com ela naquela manhã depois da noite que tiveram.
Porém algo veio assombrar a cabeça de Gray... As coisas nunca iam bem sem explicação na vida dele, não era possível que tudo fosse dar tão certo do nada! E se ela ficasse brava com ele? E se ela dissesse que não queria um relacionamento? Ela sempre disse que nunca mais iria querer fazer parte de um relacionamento de novo, certo? E se ela achasse que ele estava sendo muito apressado? Pior... E se ela apenas queria transar por uma noite? E se ela chorasse?
O último “e se” o deixou estático. Não queria vê-la chorar, não queria deixar o clima entre eles estranho por causa de uma declaração. Tê-la ao seu lado, mesmo como sua secretária ou até como uma amiga que fingia ser sua namorada, já era bom, claro que queria dar muitos outros passos no seu relacionamento com ela, mas não podia passar por cima da vontade dela de não ter mais relacionamentos apenas porque ele queria fazer dela sua namorada oficial!
Suspirou pesadamente, teria de inventar uma desculpa pelo descontrole de ontem, apesar de ambos tenham gostado da noite que passaram, aquela podia ser apenas uma noite de sexo pra ela, mesmo que pra ele tenha sido a primeira e única vez que fizera “amor” em sua vida inteira.
Saiu da cama sem pressa, vestiu-se com roupas de academia e tomou café. Fez um misto quente para a mulher e deixou dentro do microondas, escreveu um bilhete avisando sobre a comida e sobre ter saído para a academia e saiu de casa andando até o lugar que não ficava muito longe.
Gray passou duas horas na academia, voltou para casa e chamou pela mulher de cabelos azuis, mas não obteve resposta. Procurou o papel em cima da mesa, mas não estava lá, olhou dentro do microondas para ter certeza, o misto quente não estava lá logo ela devia ter visto o bilhete.
Entrou no quarto e tomou um banho quente bastante demorado e depois foi para a sala ver tevê até que Juvia chegasse para fazer companhia a ele, mas ela não chegou. Já era hora do almoço e ela não chegava, teve de comer sozinho. Depois do almoço esperou até as duas horas para se preocupar.
Ligou para a mulher muitas vezes, mas o telefone tocava e ninguém atendia. Ligou para Gajeel, mas ele disse que havia saído com Levy para uma consulta no médico e não vira Juvia durante o dia todo. Ligou para Lucy, Erza e Mirajane, mas nenhum sinal de Juvia. Ligou para a portaria:
— Felipe-san! Você viu minha Juvia hoje? — “O que isso de minha Juvia, Gray? Tá maluco?”
— Ela saiu para correr de manhã e eu não a vi mais... — Felipe o respondeu.
— Obrigado! — Desligou o interfone.
Sentou e resolveu esperar mais um pouco. Ligou mais um monte de vezes para a mulher, mas ela não atendia. Será que estava chateada? Resolveu sair para procurá-la. Desceu e procurou por quase quatro horas, mas não a encontrou. Já era quase sete da noite quando decidiu voltar para casa, arrasado por não tê-la encontrado.
Chegou em casa e encostou a porta, logo escutou o barulho do chuveiro. Correu até a porta do banheiro e sentiu o cheiro doce e único da mulher.
— Juvia, você está aí?
— Sim, estou tomando banho, Gray-sama! Você quer usar o... — Ela iria perguntar se ele gostaria de usar o banheiro, mas foi interrompida antes disso.
— Não! Eu só... Eu estou bem! — Interrompeu a frase dela.
— Tudo bem então...
Ele se encostou a parede e deixou o corpo deslizar até o chão num suspiro aliviado, pelo menos agora sabia onde ela estava e ela não parecia brava ou chateada então estava tudo bem. A ideia de se declarar para ela passou por sua cabeça uma vez mais, mas não podia fazê-lo, não sabendo que seria rejeitado. Continuou sentado no chão do corredor ao lado da porta do banheiro suspirando fosse por tê-la achado, fosse por sua falta de coragem.
Juvia havia entrado no banheiro sem levar as roupas, Gray não estava lá quando ela entrou e ela imaginou que ele não chegaria tão cedo, afinal Felipe-san havia dito que ele saíra correndo as quatro da tarde e as oito, quando ela chegou, ele ainda não tinha voltado. Teria de sair vestida na toalha.
Terminou de se enxugar ainda dentro do banheiro, a pele ainda úmida por causa do vapor de água do banho quente que tomara, secou o cabelo com cuidado e saiu em direção ao seu quarto, porém não havia visto Gray sentado no corredor, tropeçou no rapaz caindo em cima dele. Gray, por reflexo, fez de tudo para proteger a cabeça da mulher, colocando as mãos nela e evitando que ela batesse a cabeça no chão.
Estavam em uma posição “engraçada”, Juvia caíra de frente, em cima das pernas de Gray que estavam em posição de indiozinho. Gray esticou todo seu tronco para aparar a cabeça da mulher deixando seu nariz a centímetros do chão, além disso, por ter caído daquele jeito, a bunda da mulher ficou empinada, sua pélvis estava sobre a perna direita de Gray e seus joelhos bateram no chão. Pereciam um casal pronto para tentar “novas emoções” pela primeira vez, Gray riu por pensar isso.
— G-gray-sama! — Ela com certeza estava envergonhada.
— Desculpa! Eu estava tão aliviado que você estava em casa, eu sentei no meio do corredor, me desculpe... — Gray passou o braço direito envolvendo-a pela cintura e levantou-se levantando junto a mulher.
“Ele é realmente forte!”, Juvia pensou enquanto era levantada e colocada no chão devagar.
— O-obrigada! — Ela agradeceu e correu para dentro do seu quarto. Gray pôde ver o quando ela estava ruborizada e riu internamente por isso.
O chefe resolveu sair do corredor e fazer algo para comerem, ele estava morrendo de fome, não sabia se ela já havia comido, mas faria o prato para os dois. Cozinhou o miojo e dividiu em dois pratos enquanto ela se vestia. Quando Juvia saiu Gray estava terminando de colocar dois copos de suco de laranja junto aos pratos.
— Vamos comer? — Gray a chamou sorrindo.
— Porque você sempre se preocupa em fazer comida pra mim? — Juvia perguntou curiosa.
— Porque... — “Porque é bom ter com quem dividir a comida, a casa, minha vida...” Era o que ele queria responder, mas isso ficou apenas na sua cabeça. — Seria falta de educação fazer comida pra mim e deixar você com fome! — Ele respondeu. Aquilo saiu um pouco mais ríspido do que queria, mas já havia saído.
— Bem... Obrigada por se preocupar — Ela sorriu fracamente para ele.
— Onde você esteve o dia todo? — Ele perguntou curioso quando os dois já estavam sentados comendo.
— Eu saí para correr...
— O dia todo?
— Sim! — Ela sorriu como se sair para correr e ficar o dia fora fosse a coisa mais natural do mundo — Não se preocupe, eu comi nas horas certas — Ela riu com a cara de “Você não é normal” que Gray lhe direcionava.
— E você não atende o celular não?! — Ele perguntou um pouco bravo.
— Eu nem percebi que ele tocou... Você me ligou?
— Não, imagina! — Foi irônico — Minha companheira de apartamento sai sem avisar e passa o dia fora, nem me preocupei! — Ele foi um pouco ríspido, parecia um pai chato brigando com sua filha por ter chegado tarde — Claro que eu liguei! Umas mil vezes! Eu até saí pra te procurar quando era umas quatro da tarde de tão preocupado que eu fiquei!
Juvia riu, riu de se dobrar de tanto rir. Ela ainda estava triste e brava por causa do ocorrido, por causa daquele bilhete, da carinha cínica, por ter se entregado sem pensar e todas essas coisas, mas não conseguia ficar brava com Gray, principalmente enquanto ele fazia aquele biquinho como se fosse uma criança.
— Poxa é sério! Eu fiquei preocupado...
— Desculpe, da próxima vez eu deixo um bilhetinho pra você também, ta bom? — Ela brincou.
— Melhor assim! — Ele soltou um risinho pela narina.
Depois que terminaram de comer ficaram vendo televisão juntos até já ser bastante tarde e terem de ir dormir, afinal tinham trabalho amanhã.
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