Tales
10 VIII - Visitas
Notas iniciais
— Oi seu Gray, tem um moço com uns cabelos bem branquinhos aqui na portaria, ele disse que é seu irmão, parece que o nome da figura é Lyon, eu deixo subir?
— Enrola ele mais um minuto e depois deixa subir, arruma algum assunto, só pra eu dar uma ajeitada aqui na casa!
— Tá certo! — E desligou.
— Juvia!
— O que? Alguém veio nos visitar?! Devo me esconder?
— Tire a roupa!
— O quê? — Juvia estava tão assustada que sua voz falhou ao dizer a frase.
— Vai lá no meu quarto e põem uma camisa minha, meu irmão ta subindo aí e eu não quero que ele fique por aqui muito tempo... Podemos fingir que estávamos... Você sabe! — Disse já tirando a blusa e bagunçando o cabelo.
Juvia saiu correndo, jogou a roupa que vestia em cima da cama de Gray ficando apenas com as roupas de baixo e abriu o guarda roupa, pegou uma camisa social qualquer e vestiu deixando três botões abertos, depois saiu correndo de volta para a sala.
— Gray-sama, vem cá! — chamou-o
Gray tentou não babar pela mulher enquanto ia em sua direção. A camisa era azul clara e lisa e se estivesse fechada completamente estaria apertada na área do peitoral pelo volume dos seios da mulher, porém ela estava com os três primeiros botões abertos de forma que podia se ver o sutiã de onça que a mulher usava, as pernas torneadas de Juvia chamavam muita atenção também e Gray particularmente havia gostado muito delas assim, sem nada que as cobrisse.
— O que foi? — Gray falou quando já estava dois passos a frente da mulher.
Juvia estendeu os dois braços até ficarem na altura dos ombros evidenciando que queria que Gray fizesse o mesmo e ele o fez, a mulher desfez a distância entre os dois com algo que Gray julgou ser um abraço, mas ele estava errado. Juvia fincou as unhas nos ombros de Gray e desceu arranhando-o até o final das costas do rapaz. Gray bem que tentou, mas não conseguiu conter o pequeno ruído de prazer que soltou, Juvia fingiu que não havia ouvido e tentou se concentrar em fazer parecer que os dois estavam tendo algo antes de Lyon chegar, mas estava corada.
A mulher de cabelos azuis correu para seu quarto depois de ter uma ideia ainda melhor, passou um brilho de coloração rosa que se encaixaria na ocasião e voltou para sala. Gray não entendia porque ela estava tão empenhada em ajudá-lo, mas não iria desdenhar da ajuda que ela lhe dera. Juvia voltou e sem perguntar, pedir ou qualquer outra coisa beijou Gray que se assustou, mas correspondeu ao beijo dessa vez, Juvia ainda tentou fazê-lo dar passagem para sua língua numa tentativa de fazer o brilho ficar mais espalhado, mas ele não percebeu.
— Eu vou pro seu quarto e faço um improviso, só atue junto comigo, tá bom? — Juvia ainda não sabia por que estava fazendo aquilo, era seu instinto que estava controlando-a.
— Certo... — Gray ainda não sabia o que fazer depois do que havia acabado de ocorrer, mas concordou com a mulher.
Juvia foi correndo para o quarto de Gray que, por causa dos movimentos da corrida, pôde perceber que a mulher usava uma calcinha também de oncinha, acabou se perguntando se ela sempre usava roupas de baixo que combinavam, mas foi tirado desses pensamentos quando a campainha tocou. Bagunçou um pouco mais os cabelos e abriu o botão da calça jeans antes de abrir a porta.
— Lyon... O que você quer aqui? — Gray ainda estava sem muito fôlego por causa da duração do beijo.
— Vim te perguntar sobre o boleto do cemitério... Você está pagando direitinho? — Olhou para o rapaz de cabelos pretos só no final da frase e se deparou com um Gray todo bagunçado, tanto seu cabelo quanto sua boca que escorria algo parecido com calda de cereja, só que era obviamente algum tipo de brilho labial.
— Sim, é claro que eu estou pagando direito! Eu nunca as deixaria na mão, você sabe muito bem disso!
— Se você diz... Ei Gray, parece que você tem tido algum tipo de relação hein... Com quem você está? Algum tipo de prostituta de certa porque acho que só iriam querer você se pagasse! — Lyon comentou mudando de assunto.
— Na verdade... — Gray estava ensaiando uma resposta boa o suficiente para a provocação quando foi interrompido.
— Gray-sama! Volta logo aqui... Você não vai me deixar te esperando vai? — Ouviu-se a voz da mulher falando de forma bastante sensual vinda do quarto de Gray — Não acredito que vou ter que ir aí!
E ela foi, correu com os cabelos bagunçados, parecia estar suada também, havia suor (na verdade água que Juvia havia tirado do jarro de uma planta que ficava ao lado da cama de Gray) escorrendo de sua testa e a mulher parecia realmente ansiosa para algo.
— Eu não sabia que você estava com um amigo... Desculpa Gray-sama... É que eu queria continuar o que nós tínhamos começado... Você me provoca assim e depois saí e me deixa lá... — E se escondeu atrás de Gray abraçando-o com as duas mãos passando pela frente de forma a se apoiarem nos ombros do mesmo.
— Desculpe amor, é que meu irmão veio aqui e eu tive que atendê-lo... Eu acho que não apresentei vocês direito né, Lyon?... — Não esperou a resposta do rapaz — Essa é a Juvia, ela é minha namorada e está morando comigo... Ah e claro, eu não estou pagando nenhum dinheiro pra ela ter relações comigo se quer saber...
— Que horror! O que você pensa que eu sou, Lyon-san? Algum tipo de prostituta?
— N-não, claro que não! Desculpe-me, eu não sabia que vocês tinham esse tipo de relação tão próxima! — Lyon tentava emendar o que falara.
— Vai lá pra dentro, amor... — Gray deslizou as mãos de Juvia pelo seu dorso tirando-as de si. — Eu já vou indo, só vou me despedir do Lyon e já volto pra gente continuar de onde paramos. — Gray continuou segurando a mão dela enquanto falava até gira-la, virando-a e deu um tapinha bem leve na bunda dela, direcionando-a para o corredor para onde ela seguiu. Lyon pôde ver os arranhões nas costas de Gray.
— A-acho melhor eu ir logo e deixar vocês sozinhos! — Lyon virou-se e saiu pela porta da qual mal tinha passado enquanto Gray já começava a fecha-la.
Mais ou menos um minuto depois Gray viu Juvia passando pelo corredor em direção à sala onde o homem permanecia sentado no sofá desde que seu irmão havia saído. Ela ainda vestia a blusa azul que pertencia a ele, mas agora seu cabelo estava penteado e não havia sombra de suor algum, sua boca também estava limpa e ela trazia um pedaço de papel higiênico enrolado na mão.
— O que foi aquele tapa, Gray-sama?! — Juvia estava corada.
— Ah! Desculpe-me, foi só um improviso, obrigado por me ajudar com isso... Obrigado mesmo, você finge muito bem!
— Obrigada por elogiar meus dotes de atriz, Gray-sama! — O rapaz riu sem humor.
Juvia chegou mais perto e ajoelhou-se no chão em frente ao rapaz de forma que via sua boca para limpá-la. Passou o papel higiênico que trouxera na boca de Gray tentando limpar o brilho labial rosa que ela mesma havia espalhado. Gray desviou o olhar ruborizado por ter visto os seios fartos da mulher, mesmo que estivessem dentro do sutiã.
— Juvia, eu posso fazer isso sozinho, vá se trocar, eu também sou homem e não é como se eu pudesse fingir que você não é atraente! — Disse tirando o papel higiênico da mão da mulher que estava totalmente corada rispidamente.
Juvia levantou-se e saiu rapidamente da sala, pegou suas roupas no quarto de Gray e foi para o seu próprio, lá ela recolocou suas roupas depois de tirar a camisa, mas antes de sair do quarto ela cheirou a camisa que tinha nas mãos profundamente, sentiu o cheiro de seu querido Gray-sama, mas a camisa agora parecia ter mais do cheiro dela do que do dele.
— Aqui sua camisa, Gray-sama — Juvia estendeu para o homem que ainda tentava limpar a boca sentado no sofá.
— Obrigado, Juvia... — A mulher sentou ao seu lado — Então... Aparentemente eu não posso fazer isso sozinho... — Disse envergonhado e estendeu o pedaço de papel para a mulher.
Juvia riu e terminou de limpar a boca de Gray que olhava para os olhos da mulher intensamente, porém ela estava tão concentrada que não percebeu os olhos do chefe nos seus. Gray desviou o olhar antes que a mulher terminasse de limpar sua boca.
— Pronto! — Juvia levantou-se logo e foi jogar fora o papel que tinha nas mãos.
— Obrigado, Juvia... — Gray disse quando ela voltou para a sala onde ele permanecia imóvel no sofá.
— Gray-sama, acho que você devia... — Foi interrompida pelo som da campainha e do interfone ao mesmo tempo.
— Quem é agora, Felipe-san? — Gray falou ao atender o interfone.
— É aquele moço do cabelo rosa e a mulher dele, Gray-san!
— Obrigado por avisar, Felipe-san — Falou antes de por o interfone no gancho. — Juvia, você pode abrir a porta? É o Natsu e a Lucy, aparentemente.
— Claro!
Juvia foi até a porta e a abriu. Natsu e Lucy sorriram ao vê-la, Natsu até mais que Lucy,estava feliz que havia alguém com Gray naquela tarde, afinal o amigo estava sempre sozinho, era bom ver que ele ao menos havia aberto um pouco mais o coração, mesmo que fosse para uma mulher que nenhum dos dois conheciam direito.
— Boa tarde, Juvia-chan! — Lucy a cumprimentou com um abraço. Natsu também falou boa tarde antes de entrar.
— Boa tarde, Lucy-san, Natsu-san! — Juvia sorriu para os amigos.
— O que vocês vieram fazer aqui? — Gray perguntou, estava encostado no balcão entre as duas cadeiras que ficavam na frente do mesmo.
— Viemos visitar você ora! — Lucy disse como se fosse óbvio. — Mas vejo que você até já tinha uma visita... Você veio para trabalhar ou realmente está visitando esse cara? — Falou para Juvia enquanto apontava para Gray.
— Na verdade... — foi interrompida.
— Ela está morando aqui agora... — Gray disse sem humor.
— Como é? — Lucy perguntou surpresa e a animada ao mesmo tempo.
— Você ouviu bem, Lucy... — Gray respondeu ainda indiferente.
— Isso é verdade? — Natsu falou sentando-se no sofá — Eu preciso de um pouco de água, acho que minha pressão caiu! — Gray sabia que era algum tipo de brincadeira de Natsu, mas Lucy parecia realmente preocupada por isso virou-se para alcançar o filtro e pegou um copo cheio de água.
— Aqui, babaca! — Gray entregou o copo para Natsu que estava olhando dele para Juvia sem parar.
— Gray, vira de novo... — Lucy pediu, Gray olhou-a franzindo as sobrancelhas, mas fez o que ela pediu.
Lucy e Natsu viram as marcas de arranhões que Juvia havia deixado em Gray pouco tempo atrás e olharam para a mulher que ficou corada na hora. Lucy estava sorrindo com a boca aberta como se falasse “Eita vocês dois hein?!”, Natsu estava com o queixo caído.
— Lucy, eu acho que nós chegamos na hora errada! — Natsu riu quando Juvia escondeu o rosto nas mãos.
— Do que vocês estão falando? — Gray já havia voltado a estar de frente.
— Gray-sama... Você ainda está sem blusa... — Juvia apontou para as costas do homem que ficou instantaneamente vermelho.
— Não é o que vocês estão pensando! — Gray falou estupefato.
— Ah... Mais parece! — Lucy comentou.
— É que... O Lyon veio aqui e eu não queria que ele ficasse por muito tempo, vocês sabem as coisas de que eu me lembro quando vejo ele, além disso vocês sabem bem que ele sempre me provoca, está sempre colocando a culpa do que aconteceu em mim... Então eu pedi pra Juvia me ajudar e ela o fez apenas isso... Ela está morando aqui por trabalho também... — Gray foi sincero e Juvia se surpreendeu porque pensava que ele daria alguma desculpa esfarrapada para os amigos.
Natsu e Lucy pareciam ter entendido bem, de alguma forma Lyon devia lembrar coisas realmente muito ruins para que nenhum dos dois tentasse discutir ou continuar brincando. Juvia olhava para todos tentando perceber algum indício, alguma coisa que evidenciasse o que Lyon trazia à mente de Gray que ele quisesse esquecer, mas não encontrou nenhum vestígio da história que já a deixava curiosa.
— Gray-sama... Eu posso te perguntar que memórias são essas que te fazem tão mal?
— Só se eu puder me reservar ao direito de não responder — Falou rispidamente para a mulher, Natsu e Lucy olharam para Juvia com olhares de reprovação e entendimento respectivamente.
— Desculpe por perguntar... — Juvia falou um pouco sem graça.
— Não... — Gray sentou no sofá longe de Natsu e olhou para o chão. — Me desculpe por não querer contar, eu não gosto dessas lembranças porque me trazem outras e isso vira um ciclo sem fim de dor pra mim, talvez um dia eu te conte, mas não estou pronto para fazê-lo agora. Sei que você vai me ouvir quando eu quiser contar, senhora psicóloga! — Gray brincou.
— Eu não quero te ouvir por ser uma psicóloga... Quero te ouvir por ser sua amiga, ou pelo menos eu acho que sou sua amiga...
— Obrigado, Juvia — Gray sorriu verdadeiramente para ela.
Natsu sorriu largamente quando viu o sorriso na boca de Gray, quanto tempo fazia desde que ele vira pela última vez um sorriso verdadeiro vindo do amigo? Olhou para Juvia com uma gratidão sem tamanho e ela respondeu com um olhar e um sorriso compreensivo.
— Gente eu ainda estou tentando digerir meu dia, prefiro ficar sozinho... Eu vou para o quarto, a Juvia pode ficar aí fazendo sala pra vocês.
— Tá bom... — Natsu e Lucy falaram juntos.
— Obrigado Juvia! — Natsu falou depois que viu Gray sumir pelo corredor.
— Você não tem o que agradecer, eu não fiz absolutamente nada, além disso, como eu disse antes, eu não estou tentando ser uma psicóloga, estou tentando ser uma amiga para o Gray-sama.
— Mas ele sorriu, sorriu de verdade, não foi um daqueles sorrisos sarcásticos que ele dá normalmente! — Natsu estava muito feliz.
— Quem sabe com o tempo vocês não fiquem juntos também? Formariam um belo casal! — Lucy comentou.
— A Juv... — interrompeu para se corrigir — Eu não estou interessada em relações amorosa, em minha opinião eu já tive o coração pisado o suficiente por essa vida... — Lucy olhou compreensiva para a mulher.
O celular de Lucy tocou um alarme e eles se despediram avisando que iam para uma peça de teatro de uma garota chamada Wendy, uma garota orfã que os dois estavam tentando adotar. Juvia levou-os até a porta apesar de não estarem longe dela e se despediu dos dois.
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