Tales
11 IX - Crise
Notas iniciais
Quando se viu sozinha Juvia ficou pensando no que podia fazer para deixar o chefe mais animado, mas estava realmente difícil pensar em algo resolveu apenas ir ver como ele estava. Juvia bateu na porta do quarto de Gray, mas não houve resposta por isso abriu-a devagar deparando-se como homem dormindo profundamente... Ele parecia estar tendo pesadelos por isso Juvia não resistiu em fazer o que fez antes de sair do quarto.
— Está tudo bem... Vai ficar tudo bem... — Ela disse e fez um pouco de carinho em Gray que pareceu se acalmar um pouco ainda que ele suasse sem parar. Depois disso saiu do quarto e deixou-o sozinho.
Gray acordou de madrugada, eram 5 da manhã quando levantou, seu trabalho começava apenas as 8. Quando saiu do quarto se deparou com uma Juvia que estava pronta para sair, vestia uma calça legging cinza, uma blusa regata rosa e tênis de corrida e seu cabelo estava preso.
— Vai sair a essa hora? — Gray perguntou.
— O que você está fazendo acordado a essa hora?! — Ela rebateu a pergunta.
— Eu tenho insônia, não é como se eu quisesse acordar a essa hora! Eu até dormi muito ontem, nunca pensei que ia conseguir dormir de tarde até agora...
— Bem eu estou saindo, Gray-sama, até as sete e meia eu já terei me arrumado para ir para o trabalho não se preocupe. — E saiu de casa deixando-o sozinho.
Gray saiu de casa assim que deu seis horas da manhã, foi até a padaria andando e comprou pães para aquela manhã, comprou também queijo e presunto além de leite e chocolate em pó e pó para o café. Quando chegou Gray guardou as compras e fez o café, que colocou na garrafa, esperou pela mulher para que eles comessem juntos, porém seu estômago roncou e ele resolveu que ela estava demorando demais.
Juvia chegou não muito mais tarde, estava toda suada, nem olhou para Gray que já estava comendo e entrou direito no quarto de onde saiu com uma toalha e alguns potes, provavelmente algum tipo de shampoo.
Alguns minutos mais tarde Juvia abriu a porta do banheiro e Gray pôde sentir um cheiro doce e agradável que invadiu a casa. Juvia colocou uma calça flare de cor cinza e uma regata branca e uma jaquetinha jeans azul escura.
— De quê é esse cheiro? — Gray perguntou estendendo um prato com um pão que ele havia recheado com queijo e presunto.
— É a “Essência especial da Juvia”! — Ela pegou o prato e sentou-se para comer.
— Quê? — Gray perguntou.
— Quando eu estava na faculdade peguei uma matéria com o pessoal de química e farmácia... Um dia no refeitório eu sentei com alguns deles, eles estavam em grupo tentando pensar em um cheiro para colocar em um creme hidratante pra matéria de cosméticos que eles estavam fazendo juntos, só que eram só homens no grupo... Quando eu sentei, eles me pediram uma opinião de fruta pra dar o cheiro e eu dei, depois de dois anos eles me procuraram e disseram que o creme havia feito sucesso na aula e que eles tinham patenteado com o nome de “Essência especial da Juvia”. Me ensinaram a fazer o creme sozinha e eu uso porque tem meu nome afinal de contas. — Juvia riu.
— Interessante, mas de que é o cheiro então? — Gray perguntou vendo Juvia comer mais um pouco do pão.
— É de blueberry, ou mirtilos se você preferir esse nome. — Juvia mordeu novamente o pão.
— Que engraçado... Sempre pensei que as mulheres gostassem de cheirar à morango com champanhe. — Gray falou vendo Juvia terminar o pão.
— Bem... Acho esse cheiro bom também, mas é meio enjoativo com o tempo... Eu usei durante o meu... Um tempo, mas prefiro a “Essência especial da Juvia”! — Juvia riu. — E esse cheiro de café?
— Você quer? Tem naquela garrafa, não sabia se você gostava então não pus... — Gray falou.
— Eu gosto de café — Ela levantou-se e pegou a garrafa, colocou um pouco em uma xícara e sentou-se novamente. — Está bom, Gray-sama. — Disse ao tomar um gole.
— Obrigado.
Gray levantou-se e foi para o quarto escovar seus dentes, ele já estava pronto para o trabalho. Juvia não demorou a fazer o mesmo e pouco tempo depois ela já estava seguindo Gray pelo corredor do prédio até a garagem e então até o carro do mesmo. Juvia sentou no banco do passageiro e Gray dirigiu até a empresa, não conversaram durante a viagem.
O trabalho correu bem, Gray tinha uma reunião com o pessoal da produção naquela tarde, de noite ele e Juvia foram para um evento de um dono de transportadora bastante conhecido, chegaram tarde em casa e foram logo dormir.
Os dias estavam passando assim, Gray acordava próximo das duas da manhã e via televisão até a hora em que Juvia saía às cinco da manhã para se exercitar, depois tomava banho se arrumava e fazia o café, Juvia voltava tomava banho e se arrumava, tomava seu café e lavava a louça depois iam para o trabalho. De tarde Gray saía para a academia e voltava e tomava banho. Juvia, que havia ficado em casa se arrumando e fazendo mais sabe-se lá o quê, se juntava à ele depois que Gray já havia se vestido, escolhia a cor da gravata para combinarem e eles saíam para um daqueles eventos. Foi assim por mais quatro dias.
No quinto dia tudo foi normal até o evento, dessa vez Lyon estava lá e resolveu vir falar com o casal.
— Olá Gray, Juvia-chan! — Cumprimentou-os.
— Ah... Lyon, eu tenho algo para te mostrar, vamos ali... — Gray se levantou de onde estava sentado ao lado de Juvia que olhou preocupada pra ele, estava tendo um mal pressentimento.
Mirajane e Erza que também estavam na festa foram fazer companhia para a mulher de cabelos azuis ao verem Gray se afastar. As três ficaram conversando por um bom tempo. Enquanto isso Gray arrastou Lyon para uma parte mais afastada do evento, onde ficavam os carros num chão de terra batida e onde eles poderiam conversar com certa privacidade.
— Aqui ó! — Mostrou um carnê para o irmão — Olha, está tudo pago!
— Dá isso aqui! — Lyon tirou o carnê das mãos de Gray e olhou, viu que estava quitado até o próximo ano.
— Eu ligo pra elas... Não só pra nossa família, não se esqueça de que minha mãe biológica também está enterrada nesse lote, estão todas as três lá... Eu sempre me importei, nunca atrasei nenhum dos meses e já deixei pago, como você pode ver, até o ano que vem! — Gray retirou o carnê do cemitério das mãos de Lyon rispidamente.
— Também não é pra menos, as mortes delas duas foram sua culpa, nada mais justo que você pagar regularmente pela manutenção das tumbas!
— Você sabe muito bem que aquilo não foi minha culpa! Como eu poderia saber que ele conseguiria escapar com tanta facilidade daquela prisão?
— Se você não tivesse ido atrás dele, provocá-lo dizendo quem você era, ele provavelmente nunca saberia da sua existência! Nunca teria encontrado nossa casa e a Ur nunca teria morrido tentando te salvar, muito menos a Ultear!
— N-não foi minha culpa! — A voz de Gray falhou ao dizer a frase, ele mesmo acreditava mais no que Lyon dizia do que no que ele mesmo falava.
— Você sabe que foi sua culpa, seu bastardo! Eu queria que você nunca tivesse sido adotado pela Ur, queria que ela nunca tivesse tido carinho por você... Se você somente nunca tivesse aparecido eu ainda teria uma mãe agora! Maldito! — Lyon estava segurando Gray pela gola da camisa enquanto falava e quando terminou deu um tapa no rosto de Gray antes de jogá-lo no chão e sair como se nada houvesse acontecido.
Gray ficou no chão por mais algum tempo, seu terno estava manchado de terra por causa do chão e sua camisa um pouco amarrotada na gola, um dos lados de seu rosto estava avermelhado. Gray se levantou pouco tempo depois, entrou na área mais cheia do evento à procura de Juvia e quando a encontrou com o olhar foi até ela.
— Juvia, estamos indo embora! — Gray segurou o braço da mulher com força rudemente e a arrastou até a entrada, sem deixá-la se despedir de Erza ou Mirajane.
—Gray-sama! Você está me machucando. Gray-sama! — Juvia falou quando já estavam na área da garagem.
— Desculpe... — Gray pareceu notar e soltou-a antes de apertar o botão e abrir o carro.
Juvia entrou no carro sem entender, “Será que ele brigou com Lyon-san? O que será que acontece entre esses dois?”, ela pensou. Gray saiu do evento e dirigiu como um foguete até chegar em casa, ouviu coisas como “Gray-sama, cuidado você vai bater!” da mulher durante toda a viagem de volta. Gray andou ruidosamente pelo corredor sem esperar a mulher que tentava correr atrás do homem. Gray entrou na casa e não esperou pela mulher novamente.
— Qual é o seu problema, Gray-sama?! — Juvia estava brava com a atitude ruim de Gray, mas ele nem ao menos olho-a antes de bater a porta do quarto com força e se trancar lá dentro.
“Qual será o problema dele?”, Juvia pensou, até que ela lembrou-se do que Gray havia dito dias atrás “O Lyon veio aqui e eu não queria que ele ficasse por muito tempo, vocês sabem as coisas de que eu me lembro quando vejo ele, além disso vocês sabem bem que ele sempre me provoca, está sempre colocando a culpa do que aconteceu em mim” e “eu não gosto dessas lembranças porque me trazem outras e isso vira um ciclo sem fim de dor pra mim”.
Juvia ficou preocupada, o que Gray estaria fazendo no quarto sozinho e trancado? Será que ele estava bem e apenas vendo televisão como muitas vezes ele ficava ou será que ele estava sofrendo sozinho? Juvia queria ajudar de alguma forma por isso passou um pedaço de papel em que se lia “Gray-sama, você está bem?! Estou preocupada”.
Enquanto isso Gray chorava em silêncio no quarto, tentando não chamar a atenção para que a mulher não se preocupasse. Estava se sentindo culpado por ter tratado a mulher de forma tão ignorante, mas tudo que ele queria era que ela não o visse chorar, não queria que ninguém visse. Ele estava desesperado, as lembranças que ele queria esquecer não paravam de aparecer em sua mente, todas aquelas mortes, aquela brutalidade do assassino, o sangue e os órgãos de seus entes queridos extirpados no chão gélido, a culpa que o remoia tudo aquilo passava em sua mente e ele tentava parar de pensar naquilo quando viu um papel sendo passado pela porta.
Teria ele feito algum barulho? Não, ela não ligaria mesmo que ele chorasse, ele tinha acabado de trata-la tão mal, ela não se importaria e se ouvisse alguma coisa talvez pensasse “O problema não é meu” Ou “Bem feito!”. Gray resolveu pegar o papel e ao lê-lo chorou alto.
— Gray-sama! você está bem? O que aconteceu? — Juvia falou pela porta.
Gray não respondeu a mulher, como ele poderia? Acabara de trata-la tão mal e agora ela estava ali, conversando com ele, preocupada com ele. Seu choro estava ficando mais alto e agora ele estava soluçando.
— Gray-sama! Eu estou preocupada, me deixa entrar, o que aconteceu com você? — Gray soluçou alto. — Você... está chorando, Gray-sama?
Sua mente o traiu e ele parou de tentar parar de pensar na família que perdera com a preocupação de Juvia ele se lembrou de Ur e seus bons momentos com a mãe adotiva, ele lembrou-se também do sorriso da mãe biológica e então sua mente o traiu novamente fazendo-o lembrar de sua família nadando em sangue, os órgãos para fora e o assassino que não parava de enfiar a peixeira em seus entes queridos. Gray teve vontade de fazer algo que não fazia há muito tempo... Vomitar.
Gray destrancou a porta e abriu-a bruscamente e Juvia, que estava encostada na porta, quase caiu para dentro, mas se segurou, Juvia tentou seguir Gray, mas ele entrou no banheiro correndo e se trancou novamente. Alguns segundos mais tarde Juvia ouviu o barulho de Gray vomitando e ficou ainda mais preocupada, o caso está tão sério assim?! Quais seriam as lembranças que ele tinha?
Juvia resolveu ajudar de alguma forma, pegou um pedaço de bolo que ela tinha comprado na padaria naquela tarde e pôs num prato que deixou no quarto de Gray, pegou também um antisséptico bucal e ficou esperando do lado de fora do banheiro. Gray lá dentro agradeceu aos céus por ter deixado uma escova reserva ali, escovou os dentes por dez minutos inteiros até resolver abrir a porta. Olhou para Juvia, suas lágrimas ainda escorriam quentes em seu rosto e não haviam parado, mas agora já era inevitável que ela visse, pegou o antisséptico bucal da mão dela e abriu, colocou um pouco na boca direto do gargalo e usou-o depois, colocou mais e mais até que, em várias gargarejadas, usou o pote todo.
Gray tentou desviar-se da mulher, não queria perguntas, não queria dar respostas, nada disso, não hoje. Juvia tapou seu caminho, ficou escorada no portal. Gray pegou-a pela cintura e a levantou, tirando-a do caminho como se fosse uma criança, mas ao entrar Juvia também entrou, empurrou-o pra dentro e trancou a porta. Gray estava assustado e suas lágrimas ainda não paravam de escorrer.
— Se você quiser se trancar tudo bem, mas eu não vou ficar lá fora! — Gray mexeu os lábios nervosamente como se quisesse dizer para ela ir embora, mas sabia que se abrisse a boca para falar teria soluçado alto.
Gray resolveu não ligar para a presença da mulher, deitou-se na cama e se encolheu, Juvia ficou olhando para Gray, pensando no que fazer e não teve nenhuma ideia melhor por isso sentou-se na cama e começou a falar.
— Gray-sama, eu não vim cobrar nada de você... Você não precisa me contar nada agora, não vim aqui pra te cobrar explicações sobre a forma que você me tratou, nada disso... Eu não sei qual é a sua dor... Não sei se ela tem um tamanho, nem nada sobre ela... Todos temos dores e feridas que nunca vão cicatrizar por completo... Parece-me que o Lyon-san é aquele tipo de pessoa que gosta de meter o dedo na sua ferida, certo?
— Ele... Ele está — Soluçou um pouco —... Certo no que ele fala... é tudo minha culpa...
— Claro que não está... Se ele diz algo que te deixa assim então ele não está certo! Gray-sama, você é uma pessoa excepcional, sempre que eu estou com você eu me sinto realmente muito segura, você não é ruim, você é um homem muito cavalheiro e muito bem educado! Você não pode ser o culpado de nada...
— Mas... — Juvia fez sinal de silêncio com o dedo e chegou mais perto de Gray.
— Está tudo bem, vai ficar tudo bem...
Juvia colocou a cabeça de Gray em seu colo e fez carinho em seu cabelo, Gray deixou-se chorar por mais algum tempo, sentindo a mulher mexer em seus cabelos, aos poucos ele foi deixando as lembranças ruins se vultarem de sua memória, mas a tristeza permanecia, a dor ainda estava lá. Juvia começou a murmurar uma canção para Gray e ele pareceu ficar cada vez mais calmo até que suas lágrimas secaram e ele estava apenas lá, deitado de bruços com a cabeça no colo da mulher e o rosto vermelho de quem acabou de chorar. Juvia sorriu para o rapaz e mexeu-se para tirar a cabeça de Gray do colo dela delicadamente, mas Gray fez que não com a cabeça fortemente.
— Você pode, por favor, fi-ficar aqui hoje? — Ele pediu envergonhado, mas sentia que se ela fosse embora aquela paz que ela trouxera para ele iria junto.
— Você quer que eu durma aqui? — Gray fez que sim com a cabeça. — Ta bom...
Juvia deitou e pegou um travesseiro na cama de Gray, ele parecia muito envergonhado, mas feliz por ela ter aceitado estar ali, vendo essa vergonha Juvia fez com que ele deitasse sua cabeça sobre seu esterno, próximo ao peito (colo), e continuou fazendo carinho em seus cabelos como antes, Gray ainda envergonhado abraçou a mulher e ficou lá apenas aproveitando o carinho. Naquela noite Gray dormiu bem e acordou as sete da manhã junto a mulher com quem havia dormido na noite passada.
Juvia havia se mexido muito durante a noite, mas tinha dormido bem, de manhã ela estava virada de frente para Gray, um dos braços do rapaz lhe envolvia preguiçosamente, mas não havia nenhum contato mais íntimo entre eles. Juvia abriu os olhos assustada e Gray acordou também de supetão, parecia ter sentido que a mulher abrira os olhos. Gray tirou o braço que estava envolvendo a mulher soltando-a.
— Desculpe, desculpe de verdade, eu não devia ter pedido que você dormisse aqui, mas muito obrigado por cuidar de mim na noite passada.
— Eu não me importo... Que bom que você parece melhor, Gray-sama! — Juvia sorriu.
Gray foi o primeiro a levantar-se, Juvia parecia uma daquelas pessoas que fica relutando para sair da cama por isso Gray deu espaço para ela ficar ali se quisesse, pegou um terno no armário e ia para o banheiro se trocar quando virou para a mulher. Gray pensou seriamente em ficar contemplando a mulher deitada em sua cama, os cabelos azuis bagunçados davam um cheiro agradável para o lugar, sua pele parecia tão macia em contato com o pano de cama de seda, ela parecia tão delicada como uma flor de hortência.
Gray forçou-se a sair do quarto e ir se trocar, não imaginava que horas seriam, mas descobriu quando ouviu Juvia gritar em quase pânico “Já são sete horas?”, ele nunca imaginaria que teria dormido por tanto tempo, “Realmente dormi bem ontem de noite... O que será que a Juvia tem que me trás essa paz tão grande? Deve ser realmente algo muito grande porque eu nunca dormi tão bem e por tanto tempo desde aquilo...”. Gray bateu no rosto para parar de pensar na situação e se vestiu já dentro do banheiro.
Juvia saiu da cama logo depois de gritar, entrou em seu quarto correndo e tirou a roupa, não ia conseguir tomar banho, não tinha tempo pra isso, colocou uma calça e uma blusa que fossem boas para trabalhar e pegou uma bolsa qualquer na qual jogou tudo que lhe era necessário, "nada" de exageros.
Quando Juvia foi para a cozinha Gray já estava lá tomando café como se fosse um dia normal, ele estendeu o pão que havia feito pra ela, Juvia aceitou e comeu o pão rapidamente. Gray estava agindo de forma diferente, normalmente ele era sempre estressado e preocupado com o horário, mas naquela manhã ele estava relaxado, não apressou a mulher, como fazia todas as manhãs, nenhuma vez.
No escritório Levy teve uma pequena reunião com Gray, nada mais do que 30 minutos. Quando saiu foi até a mesa de Juvia convidá-la para almoçar com ela e Gajeel durante o horário de almoço, Juvia pediu permissão para o chefe e ele a deu prontamente, sem nem reclamar como faria normalmente.
— Menina eu não sei o que vocês andam fazendo naquela casa, mas o Gray está muito contente hoje! — Levy falou quando os três já estavam no restaurante esperando o garçom trazer a comida deles.
— Não fale assim, Levy! Você sabe que a Juvia tem problemas com essas coisas de relacionamentos, nada aconteceria entre ela e aquela bichinha da cueca gelada! — Gajeel parecia um pouco bravo. — Além disso, se algo acontecer eu mato aquele ice boy!
— Nada aconteceu, Levy-chan. — Juvia riu ao ignorar a fala de Gajeel.
— É uma pena, você parece ser uma boa mulher para o Gray... — Levy percebeu que a fala foi um pouco tendenciosa, como se ela estivesse mandando Juvia ficar com ele — N-não que eu esteja tentando te jogar pra cima dele nem nada... Eu só acho que vocês ficariam bem juntos. — Levy tentou consertar
— Você não é a primeira pessoa que me disse isso... A Lucy-san também... Mas você sabe muito bem que meu coração já foi pisado por muito tempo, não quero entrar em um relacionamento, não me sinto pronta... — Juvia olhou para baixo triste.
— Entendo... — Levy falou — Desculpe falar nesses assuntos, sei que você acaba se sentindo mal por tudo que te aconteceu...
— Se eu estivesse com você naquela época eu nunca teria deixado você ficar com um idiota como o Bora, nunca!
— Você sabe que ele se aproveitou exatamente porque você não estava lá comigo... Ele nunca foi homem o bastante para te enfrentar, nunca teria se metido comigo... Eu também só caí na conversa dele porque estava carente... Mas isso são coisas do passado!
— Não é tão passado assim! Você sabe que ainda estão brigando na justiça por causa daqueles assuntos...
— Gajeel! Vamos deixá-la em paz sobre esse assunto?! — Levy disse brava quase puxando a orelha de Gajeel.
— Desculpe... — Gajeel falou para uma Juvia sem animação, talvez a melhor palavra para descrevê-la agora seria “murcha”.
— Tudo bem...
A comida chegou não muito depois, todos comeram, mas ninguém teve ânimo de interromper o silêncio, o clima na mesa estava meio triste, melancólico ou até mesmo nostálgico. Pouco tempo depois eles já estavam novamente na empresa.
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