Tales
3 II - O primeiro cliente
Notas iniciais
Juvia entrou na sala sem bater na porta e ficou encarando Gray enquanto ele trabalhava, este por sua vez ficou envergonhado e pensativo, corou um pouco, mas se recompôs pelo menos minimamente antes de olhá-la e perguntar o que ela estava fazendo ali.
— Vim apenas avisar que estou indo almoçar — Dizendo isso saiu pela porta.
“E porque não disse logo ao invés de ficar ai parada me encarando?” Gray pensava irritado.
Pouco mais de vinte minutos depois de sair ela voltou e entrou de supetão pela porta dando um chute nela. O chute fez um barulho considerável e isso fez Gray olhar o que estava acontecendo. O que ele via era uma mulher praticamente tampada por tantas caixas, seu lado escondido de cavalheiro despertou e ele foi ajudá-la antes que ela derrubasse algo.
— Ora, muito obrigada Gray-sama! — Ela sorriu quando ele tirou a ultima caixa de suas mãos. Agora ela só carregava uma sacola.
— Porque chutou a porta? Qual é seu problema mulher?!
— Porque não ia conseguir abrir a porta! Eu estava com as mãos ocupadas... E do jeito que você é nunca abriria a porta pra mim... — Falou fazendo biquinho.
—Claro que eu abriria sua louca! —Gray olhava para a mulher incrédulo.
—Ah! Agradeça por eu estar de calças e você não ter sido obrigado a ver minha calcinha! —Gray corou com o comentário e aquilo não passou despercebido pela ex-psicóloga. —Mas vamos logo comer, ok?
—Hã? — Gray não entendia nada do que estava acontecendo. — Você já não comeu?
—Não, eu fui ali num restaurante e pedi uma comida pra gente, da próxima vez eu vou pedir pra entregarem — Juvia riu casualmente enquanto Gray olhava a mulher com as sobrancelhas franzidas, como se ela fosse a pessoa mais bizarra da terra. —Ora vamos, eu já paguei por duas porções, você não vai me fazer jogar comida no lixo, né?
Aquela última frase o lembrou de algo já a muito esquecido. Lembrou-se de quando fora adotado por Ur e que ele não queria sair do orfanato, pois acreditava que não devia ter outros pais além dos de verdade, que haviam morrido a pouco mais de um ano. Por ter sido adotado ele fez uma greve de fome durante três dias. No terceiro dia ele já estava morrendo de fome, Ur ofereceu comida e ele recusou, então ela usou aquela frase, “você não vai me fazer jogar comida no lixo dessa vez, né?” e lhe deu um sorriso, seu estômago o traiu e roncou no mesmo momento e Gray cedeu, comeu a comida que ela o ofereceu e passou a não recusar mais a comida.
— Gray-sama! — Foi despertado de seus devaneios pela secretária.
— Qual é o seu nome mesmo? — Gray queria saber sinceramente, para pelo menos agradecê-la.
— Meu nome é Juvia, Gray-sama! – Ela sorriu e ele pegou o pote de comida da mão dela rispidamente.
— Espero estar deixando claro que só estou comendo isso porque não vou deixar comida ir para o lixo!
— Certo, certo — Juvia falou rindo e eles comeram em silêncio até a hora da sobremesa.
Juvia estava tentando comer o doce caramelado que havia comprado, mas por causa do formato o caramelo estava vazando e ela estava se sujando, quando já estava quase desistindo de tentar comer aquilo olhou para o chefe para ver como ele fazia, ao olhar se surpreendeu ao perceber que estava sendo observada por ele, que tinha um semblante bastante irônico, como se não acreditasse no que via.
— Nunca comeu esse doce antes? — A resposta era óbvia — É assim que se come, olha! — Gray demonstrou como ela devia comer e ela repetiu, finalmente conseguindo fazer o mínimo de sujeira com o doce caramelado que comia.
— Obrigada, Gray-sama! – Ela sorriu agradecida.
— Sua boca está toda suja! – Gray deu um pequeno risinho de lado.
Depois ele levou as caixas e ela limpou a mesa, colocou os papéis de volta como estavam e saiu da sala direto para o banheiro, para limpar o rosto, quando Gray voltou de onde havia ido pra deixar o lixo sua sala não evidenciava que haviam almoçado ali. Abriu a porta, saindo da sala por apenas um passo e olhou para a secretária, sentada em sua mesa do lado de fora da sala do chefe, que ao perceber sorriu para o rapaz, ele corou e voltou a fechar a porta sentando-se, recomeçando a trabalhar.
O primeiro cliente viria naquela tarde ter sua reunião com Gray, seu nome era Arthur, ele tinha uma empresa de bebidas, era um cliente regular da empresa e devia ser fácil de lidar, mas quando Juvia o contatou para a reunião ele estava realmente nervoso, pouco tempo depois do almoço ele chegou.
— Olá! Você deve ser o senhor Arthur, certo?! – Juvia falava tentando ser simpática – Siga-me para a sala de reuniões, chamarei meu chefe logo em seguida...
— Não preciso que me guiem para a sala de reuniões, eu a conheço muito bem. Só chame logo o seu chefe! Eu quero terminar isso rapidamente! – Disse rispidamente o homem de cabelos brancos e olhos castanhos com olheiras profundas.
Depois de falar com Juvia foi direto para a sala de reuniões. Juvia adentrou a sala do chefe e foi avisa-lo, como Arthur havia pedido.
— Gray-sama! O dono da empresa de bebidas está aí, está te esperando na sala de reuniões, por favor, não demore, ele parece estar estressado. – Gray olhava para a mulher atentamente, mas tinha o semblante confuso, mesmo assim foi até a sala de reuniões.
— Boa tarde, senhor — Gray disse já dentro da sala de reuniões vendo as duas outras partes participantes da reunião: O cliente e Natsu.
— Hum! — Arthur emitiu sarcasticamente pelas narinas — Boa tarde...
— Então sobre... — Gray começou, mas foi interrompido.
— Não! Eu vim aqui apenas por consideração ao meu velho amigo Igneel. Vim dizer que não farei mais nenhum anúncio publicitário através dessa empresa!
— Mas senhor você é um de nossos clientes mais antigos! — Natsu afirmou incrédulo.
— Exatamente por isso! Sou um dos clientes mais antigos e vocês demoraram um mês pra me chamar para uma reunião, ele não se deu ao trabalho de aparecer em nenhum dos meus eventos e não mandou que me ligassem nem pra dar algum tipo de explicação do porquê da demora! Isso é inadmissível, se está tratando a mim, um dos clientes mais antigos, assim imagina os novos! Tenho até dó deles.
— Senhor, tenho certeza que podemos acertar as coisas, nós daremos um desconto e... — Natsu tentou apaziguar, mas foi interrompido.
— Não, Natsu. O trabalho de anúncio comercial da minha empresa foi passado para a Lamia... Não quero nada de vocês até que esse presidente tenha alguma postura! Isso chega a ser ridículo, seu vice é quem está tentando reconquistar o cliente, faça-me o favor! — Falava tudo olhando para Gray.
— Você deixou bem claro que não quer mais trabalhar com a gente, não vejo o porquê deveria tentar forçá-lo a continuar... — Gray falou sentado, olhando o homem como se estivessem competindo.
— Estou fora, adeus Natsu. — Saiu sem se despedir de Gray batendo a porta e deixando os outros dois sozinhos.
— Gray! Por que não falou com os clientes antes?!
— Estava ocupado com os papéis e não havia secretária... Acabei esquecendo... Quem era aquele? — Gray respondeu.
— Arthur Goile, um dos clientes mais tranquilos que se tem pra trabalhar no ramo se quer saber... Porque não foi a nenhum dos eventos? — Natsu estava nervoso.
— Porque não quis ir a nenhum deles... — Gray falava percebendo o quanto aquela postura era egoísta.
— Parabéns senhor cuecas! Agora nós precisamos fazer uma imagem melhor de você para todos os clientes... Vai ter que começar a ir senhor solitário!
— Natsu, eu não gosto desse tipo de local... Por que você me empurrou pra presidência naquela maldita reunião?!
— Por que queria me livrar desse tipo de coisa... Você tem duas saídas Gray ou você vai ou você leva a empresa do meu pai à falência e eu não vou deixar você escolher a segunda opção!
Gray suspirou profundamente e saiu da sala cabisbaixo. Ele também não queria levar a empresa de seu quase tio, Igneel, á falência e agora que sabia disso tinha que arrumar um jeito de ir a todos os eventos que podia, ser simpático e tentar ter relações pessoais, isso seria difícil ou quase impossível, ele não conseguia nem lembrar o nome da ex-mulher do irmão, como lembraria o de tantas pessoas estranhas?
Sentou-se na cadeira giratória e ficou rodando, olhando para o teto marrom e rústico de sua sala, até que Juvia entrou pela porta sem bater e deu um risinho por pegá-lo “cabulando” o trabalho.
— Gray-sama, como foi a reunião? — Perguntou enquanto deixava alguns papéis na mesa.
— Muito ruim... O cliente me odeia, provavelmente muita gente do ramo me odeia porque eu não vou nesse troços de encontro e tal... E sabe o que mais? — Olhou pera a mulher nos olhos com um semblante injuriado — Ele deu o trabalho da Tales pra Lamia! Pra a empresa do meu irmão! — Gray parecia muito bravo com aquele fato.
“Ele com certeza é muito competitivo, principalmente com o irmão...” Pensou Juvia.
— E o que você vai fazer agora, Gray-sama? — Juvia perguntou.
— Vou começar a ir pra esses encontros inúteis... Não deve ser tão difícil!...
— Vou confirmar sua presença naqueles que mostrei mais cedo então... Bem se precisar me chame — Juvia saiu da sala.
Gray ficou se perguntando como ficou “normal” com a garota tão depressa, mas voltou a trabalhar, rapidamente esquecendo-se da questão.
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