Tale as old as time
1 Quando elas vão
Notas iniciais
Aconchegue-se em sua poltrona, o show está prestes a começar
Por Sofia Willfy Lombwart:
É, mais uma festa do pijama, ritual das noites de sábado... Dessa vez em minha casa a meu pedido.
Uma pena que as coisas não durem para sempre e que não sejam como queremos. Quando pequenos sonhamos com tantas coisas, muitas delas não encaixam pessoas que nos fazem felizes, mas aí chega o momento de realizar, o qual esperamos durante toda a nossa vida, só que nesse momento percebemos o que teremos que deixar para trás, e por mais que não queiramos desistir de nenhum, eles não seriam possíveis juntos.
Carter, Merida, Daniela e Annia, minhas amigas. Lembro-me do dia em que conheci cada uma delas, foi tão repentino, era como se estivéssemos destinadas a nos conhecer quase de vez, todas num mesmo mês. Sempre adorarei cada uma delas.
Carter, a primeira, eu tinha 7 anos, foi em 2 de Dezembro de 2006, eu estava andando pelo parque com a boneca que havia ganhado no dia anterior quando 2 garotos um pouco mais velhos ficaram me cercando e rindo, ela apareceu e falou umas coisas para eles, não sei como ela conseguiu, mas eles saíram correndo. É tão agitada que seria quase impossível não me tornar sua amiga. A molecona do grupo!
A segunda foi a...
—Sofia!- Falou Daniela, abrindo os olhos.
— Que foi, Dani?-
— Eu te conheço, tem algo que está te deixando nervosa, por isso nos chamou aqui! Não foi?-
— Não é nada!- Respondi tentando fugir do assunto.
— Não minta para mim! Eu sou ou não sua amiga fantástica, esperta e insistente?- Ela agora fez uma cara demonstrando que não iria desistir, isso não era bom.
— Tudo bem, amanhã quando todas acordarem eu darei a notícia!- Quando terminei de falar as garotas começaram a levantar de seus colchonetes e a Annia, que estava do meu lado na cama, também o fez.
—Nenhuma de nós conseguiu dormir! Nós nos importamos com você!- Disse Annia mexendo em meu cabelo.
— Eu sei! Mas...Ok! É que... Sabe aquela grande universidade Italiana onde eu sempre quis estudar? Bem, eu fiz o teste e fui aceita...
— Ah! Que ótimo! -Disse Merida- Você sempre sonhou com isso! Elas estavam comemorando, menos a Carter.
— Peraí, então você vai para a Itália? Mas é tão longe...
Quando Carter acabou de falar as garotas tiraram a expressão de alegria e deram lugar a uma de tristeza, parecia que estavam se segurando para não chorar.
—É isso, eu vou morar lá, já viajo na quarta-feira, eu tinha sido aceita antes, mas a carta foi enviada ao trabalho do meu pai e ele só lembrou-se de me entregar ontem.
—Então são nossos últimos dias? Não disputaremos mais quem tira as melhores notas ou quem se sai melhor nos debates...- Annia começou a fazer um pequeno bico, sim, desde que me lembro nós sempre tivemos essas competições, já era regra, contávamos os dez, os livros lidos e tudo mais, assim o estudo ganhava um maior engajamento de ambas as partes.
— Garotas, está na hora de dormir!- Disse minha mãe ao lado da porta desligando um abajur que havia sido ligado por Merida logo que levantou.
— Sim, mãe, a senhora tem razão.— Deitei-me e coloquei uma grossa coberta sobre todo o meu corpo.
Um dado tempo depois, com certa dificuldade e empurrando a coberta para longe pelo calor da noite que de fria só tinha os sentimentos, peguei no sono.
Logo que acordei no outro dia, olhei ao meu redor e vi que estava só.
— Estranho, geralmente sou a primeira a acordar.
Fui ao banheiro, me arrumei e desci para o café. Abri a geladeira, peguei suco de manga e, ao voltar à mesa vi vários biscoitos num prato de louça. Belo café da manhã!
— Tia Yanne, onde é que estão as garotas?
— Elas saíram bem cedo, termine logo para eu lavar. Como sempre mal humorada, a tia Yanne não tem jeito.
Ao terminar o café liguei para cada uma delas, estava preocupada com o motivo de terem saído tão sedo.
— Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal e...- Não adiantava, por mais que eu ligasse nenhuma me atendia, também foram várias mensagens sem resposta.
— Elas me odeiam!-Eu sei que as contei de uma péssima forma, acho que elas tem direito a um tempo para pensar.
Os dias passavam e nada delas, eu ia as procurar em suas casas, nos seus lugares favoritos, mas elas pareciam fugir de mim.
Finalmente chegou a quarta, aquele dia parecia ter chegado tão rápido, mas cada minuto dele era lento, tão seco, tão duro. Eu ia deixar minhas amigas sem um tchau, 10 anos de amizade que se acabavam naquele momento ou uns dias atrás.
— Vamos?! Perguntou meu pai levantando a chave do carro na altura do rosto.
Eu dei um sorriso, naquele momento eu simplesmente tinha esquecido a infelicidade e estava pensando na realização de estudar naquela grande universidade Italiana.
—Nossa, Sofy, como você está linda! Disse minha mãe com os braços pendurados no pescoço do meu pai enquanto me olhava de cima para baixo.
Eu estava com uma blusa branca meio transparente e uma saia rosa que começava na cintura e terminava pouco acima do meio da coxa, porem isso ela não podia ver, pois tinha um casaco cheio de botões, da cor da saia, que cobria toda a minha roupa, nos pés um sapato branco alto cheio de faixas.
Dei uma voltinha para rirmos, peguei minha mala e fui para o carro.
—É, eu vou sentir saudades!—Olhava aquela paisagem com minhas mãos no vidro como se ainda quisesse voltar, ver minha pulseira que recebi da minha mãe quando nasci só fez mexer mais com meus sentimentos, contudo estava disposta a não chorar, já tinha derramado rios de lágrimas nos últimos dias e continuei me despedindo de San Francisco.
Notas finais
Por favor.
Espero que tenham gostado.
Postarei todos os dias.
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