Tale as old as time
2 O homem da capa preta.
Notas iniciais
Finalmente chegamos ao aeroporto, depois de 20 minutos me despedindo da cidade passei o resto do tempo ouvindo música, assim não demorou tanto.
Logo que entrei olhei um relógio de parede bem grande e em destaque, marcava as 11h26, meu voo estava marcado para 12h15, mas é sempre bom chegar com antecedência.
Como faço sempre que estou nervosa e sempre que estou perto de comidas, resolvi visitar as lanchonetes.
—Mãe, eu vou lanchar!-
—Você mal chegou!- Disse minha mãe com uma expressão desgostosa.
— Não vai, fique aqui!- Disse meu pai.
—Venham comigo, ficaremos tanto tempo longe, deveríamos aproveitar!- Fiz cara de dengosa
— Tudo bem, esfomeada!-Disse minha mãe sorrindo e fazendo cocegas em minha barriga.
—Preta?!- Reclamou meu pai
—Deixe a menina, ela vai viajar para outro país em poucos minutos e passará muito tempo sem nos ver!- Disse mamãe como argumento final para que fossemos lanchar.
A primeira coisa que eu pedi foi, é claro, batata-frita com cachorro quente e refrigerante, bem fest-food. Mamãe comeu metade do meu cachorro quente e papai pediu um café. Todos estávamos um pouco calados, não tínhamos coragem de nos despedir, até que, eu, estabanada que sou, derrubei um pouco de molho no meu casaco.
— Ah não!-Choramingou minha mãe.
—Sempre maluquinha!-Disse meu pai apertando minha bochecha.
—Vai limpar! Disse minha mãe, e foi o que eu fiz.
Fui ao banheiro tentar tirar a mancha, mas acabei molhando o casaco demais e precisei trocá-lo, fui à minha mala e peguei um transparente com brilho bem fino, não tinha ficado tão bom, mas foi o primeiro casaco que encontrei e não queria perder o tempo que tinha com meus pais procurando uma peça de roupa.
—12h05, acho que está mais que na hora de irmos!- Disse
—É, está na hora de todos irmos!- Frisou minha mãe.
Nesse momento saíram do outro lado da lanchonete 4 garotas as quais conheço muito bem.
— Meninas!- Gritei ao ver as minhas melhores amigas— Pensei que tinham me deixado e não iriamos nos despedir.-
— Quem falou em despedir?- Disse Daniela
— Não! Eu não vou desistir de estudar lá! Não adianta tentarem.- Falei firme
—Nós vamos com você!- Carter
— Vão para a Itália?-Levantei uma das sobrancelhas como sinal de não acreditar muito.
— Para a AUSLTT!- Falou Merida com cara de “Será que é tão difícil entender?”
—Como? Vocês não fizeram teste!-
—Digamos que meu padrasto tem seus contatos e muito dinheiro!- Essa Daniela...
— A minha tia também!- Exclamou Annia pegando a última batata-frita da vasilha e passando-a no ketchup.
— Parou de passar na minha cara que vocês são ricas?- Disse-
—ÚLTIMA CHAMADA PARA O VOU NÚMERO 19- Falou uma voz por todo o aeroporto
— Temos que ir! Gritei
Nesse momento dei um beijo em meus pais abracei-os forte e corri.
No avião dei várias puxadas de orelha nelas, pois me deixaram sem notícias, mas estava feliz por estarem ali, sou muito apegada aos meus pais, precisarei muito de pessoas que eu gosto ao meu lado.
O primeiro avião desceu em Nápoles, já na Itália, dalí pegaríamos um ônibus as 6h35 do horário local. Acabara de dar 5h por lá, resolvi dar uma volta pelo território italiano.
Fomos todas parar numa feirinha bem divertida, Merida se perdeu num grupinho de músicos de rua, que a propósito eram uns bonitinhos, o que fez a Daniela colar com eles. A Annia parou numas barraquinhas com itens exóticos bem engraçados, a Carter e eu a seguimos.
Não que eu tivesse enjoado, mas, sem explicação, eu tinha vontade de conhecer melhor aquele lugar, era outro país, estava em outro continente, numa das partes da bota!
Saí de lá e comecei a andar sem me distanciar muito da feira, vi que um pouco a diante tinha uma ponte, o que me levou a pensar que tinha água.
— Será que devo? É um pouco longe... Nem tanto! Eu vou!- Não resisti à tentação e acabei indo.
Como era lindo, água limpa e com profundidade ideal para refletir meu rosto, mesmo hipnotizada com tanta beleza não pude deixar de perceber que não havia ninguém ao meu redor, eu estava completamente sozinha, em situações normais aquilo me deixaria com um pouco de medo.
Fiquei um bom tempo lá e, mesmo parecendo bobeira e podendo ser condenada por sujar aquelas águas, joguei duas moedas e fiz dois pedidos. Não foi de vez, primeiro uma, depois a outra, todas virada e de olhos fechados, como manda o ritual.
Quando terminei de fazer o segundo pedido algo esbarrou forte em mim.
— Hey!-Era alguém com uma capa preta que o encobria totalmente.
— Fique com esses filhotes, os esconda para mim, por favor, cuide bem deles!— Disse o rapaz entre suspiros. Quando ele me entregou vi um pouco de seu rosto e que tinha belos olhos azuis por baixo da capa, mas, antes de qualquer coisa ele me empurrou no chão, mudou de caminho e correu bastante. No momento em que fui levantar vi que tinham três homens bem grandes atrás dele e voltei a me abaixar, levantando novamente somente quando foram embora de minha vista.
Comecei devagar e fui aumentando a frequência de meus passos até estar de volta à feira com aqueles dois filhotes de cachorro muito fofos que estavam dormindo em meus braços.
— Vocês não vão acreditar no que aconteceu!-
—Depois você fala, temos que pegar o ônibus, consegui vagas no ônibus das 5h50 e estamos super atrasadas por seu desaparecimento, você não olhou seu celular?- Perguntou Annia
— Silencioso!-
—Como sempre- Disse Merida
Nós conseguimos voltar a tempo para o Aeroporto e pagamos um ônibus rumo a Taranto.
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