Tale as old as time
10 1º dia de aula
Por Sofia Willfy:
Acordei bem cedo, ou melhor, não dormi. Arrumei-me ao relógio alarmar 5h30, uniforme da AUSLTT, que era obrigatório, deixei meu cabelo solto com uma tiara da cor do uniforme, me maquiei, nos pés uma sapatilha...e me maquiei. Pronto! Estou pronta para a minha primeira aula.
Eu já havia interrogado, com a ajuda da Annia, os horários das aulas, meu primeiro horário seria de Filosofia, aqui ela era levada bastante a sério!
A minha turma inteira falaria inglês, pois, apesar de ser na Itália, como era o certo para uma universidade que recebe alunos de todas as partes do mundo, durante as aulas era só inglês.
Infelizmente a minha grade não era igual à das meninas na primeira aula, elas queriam mudar, mas eu achei melhor deixar que as coisas acontecessem como deveriam acontecer. Não queria ser chamada de inconveniente.
Ao entrar na sala, depois de uma pequena busca, uma vez que o acesso àquela área acabara de ser liberado, sentei-me na 1° fila à esquerda, não gosto de ficar perto da porta. As mesas eram para dois, então era só esperar que, em instantes conheceria meu parceiro de mesa e minha dupla até o fim do período nas aulas de filosofia. Os lugares por sala eram marcados!
Só foi esperar alguns minutos que descobri quem sentaria comigo. Era um garoto louro, com altura normal, olhos claros, pele pálida e farda alinhada, juntando isso ao fato de sentar na frente, aposto que é um nerd. Só trocamos um oi, ele era bem calado.
Fiquei rabiscando meu caderno até a chegada do professor que foi, excepcionalmente, pontual. Não duvidaria, nestes países europeus eles prezam pela pontualidade.
—Bom dia, turma!- Falou o professor.
— Boa dia-respondemos em uníssono, o que me fez rir.
Percebi que, ao rir, o garoto que sentou ao meu lado me olhou e deu uma pequena risada.
—Meu nome é Charles Viernan, e vou os levar ao incrível mundo da filosofia!- Falou enquanto escrevia, com letras gigantes, seu nome no quadro.- Bem, eu sei que vocês podem achar perda de tempo ou podem se sentir envergonhados, entretanto, perceberão que será extremamente satisfatório o que faremos agora. Quero que prestem bastante atenção! Cada um de vocês virá á frente e, no lugar de dizer o que quiseram sobre vocês, vão responder às perguntas de seus colegas.
Ele começou pelo lado direito. Haviam perguntas sobre o nome, a idade, o motivo de estudarem em AUSLTT, só que, ao perceberem a falta de censura do professor, ao ele mesmo perguntar quantos beijos um aluno havia dado na festa, as perguntas bobas começaram a chover, aquilo estava me deixando incomodada.
Quando chegou a vez do meu colega, pude confirmar que ele era um nerd, não tinha ido à festa, e se chamava Thiago.
Infelizmente, depois dele foi a minha vez.
—Você, garota!
Eu levantei e a primeira pergunta foi de Thiago:
— Qual o seu nome?
—Lilian Sofia!- Antes da pergunta nem conseguia olhar para o chão, quando a ouvi, levantei e coloquei a mão à frente, como quem lembrava de uma palavra que havia esquecido a umas 2h. As pessoas riram da minha reação, confesso que foi bastante estranha.
As pessoas pareciam estar com pena de mim, depois de nome, idade e nacionalidade as perguntas cessaram.
—Posso sentar?- Perguntei ao professor
Ele olhou para o lado com uma expressão de quem estava se segurando para dizer algo.
— Alguém já te disse eu você é uma garota incrivelmente bonita? Uma das mais bonitas?- Quando o professor perguntou isso meu coração começou a bater mais rápido, eu estava extremamente envergonhada.
O mais incrível era olhar para ele, seus olhos sobre os meus. Tão claros, o raios salares pareciam invadir e janela só para prestigiar sua face. Batiam em seus olhos os deixando ainda mais incríveis.
—Então?- Insitiu
— E-Eu... Não sei.
Ele bateu o seu lápis numa folha onde anotava algo, acho que nossa reação a cada apresentação, e completou um pouco baixo, mas numa altura que, pelo menos metade da turma, pudesse escutar:
—Pois deveriam...- Ele parou um pouco, terminou sua anotação e fez sinal para que eu sentasse.
Eu não sabia o que pensar sobre aquilo. Senti que ele lembrava dde alguém ao olhar para mim.
—Bem, o sinal já vai tocar, então deixarei o resto da turma para a próxima aula.
O pessoal começou a cochichar besteiras com seus colegas, eu ainda não sabia o que falar com o meu, então fiquei os 04min30 seguintes calada.
Não vou dizer que as outras aulas daquela manhã não foram incríveis, só que a do Sr. Charles foi indiscutivelmente a melhor, então, como não quero me prolongar, será a única relatada.
Quando estava saindo, vi a porta da sala de filosofia encostada, estava curiosa para saber o que ele tanto anotava naquelas folhas e o que havia anotado sobre mim, então, na esperança de que ele estivesse ali, empurrei e entrei.
— Sr. Charles?
—Pode me chamar de Charles! Sofia?!O que a traz aqui?
— É que... Eu sou uma pessoa curiosa e...
— Queria saber o motivo da dinâmica?
— Não! Não! Queria ler suas anotações. — Falei com bastante coragem e direta.
— Nunca me pediram para ler minhas anotações. Ou me perguntavam sobre a dinâmica ou forçavam o pescoço para que lessem por si próprios. Se bem que isso está mais para uma ordem que um pedido.- Riu
— As pessoas são diferentes, são enigmas incríveis! Não é isso que dizem muitos filósofos?
— Sim, Sofia. Surpreende-me seu interesse.
— Então, vai me deixar ler?
— Eu não vejo mal nisso. Contudo... Tive uma ideia. — Ele levantou e me sentou em uma cadeira na primeira fila diferente da que eu havia sentado durante a aula.- Acredito que queira almoçar.
—Sim. Mas pode ler!
— Você está interessada em todas as anotações ou tem alguma em especial, como a sua?
— Sim, sim! Se lesse o que escreveu sobre mim, eu ficaria satisfeita.
—Então deixe que eu acrescente algumas coisas que eu não havia percebido. Insuportavelmente curiosa- Falou de forma grosseira, mas, depois de ver minha expressão assustada, começou a rir.- Você deveria se preocupar menos com o que eu escrevo sobre você e mais com o que eu tento perceber. Que tal um jogo?
Confesso que fiquei meio receosa quando ele propôs o jogo sentando na mesa que eu estava.
— Eu pergunto, você pergunta. Que tal? E um trabalho extra para a curiosa que, se sair-se bem, terá acesso às minhas anotações sobre 4 alunos que escolher, ok?
— Sem jogo e acesso só à minha já me parece bem justo. – Respondi receosa.
— Assim não teria graça. Vamos! O que você espera da AUSLTT?
— Eu sempre me dediquei para alcançar o máximo, poder ter acesso ao que eu quisesse. A proposta do meu pai foi esta, eu disse que eu a faria e dalí comecei a sonhar com ela.
— Mas... Quando você chegou aqui, o que passou a esperar, entende?
—Entendo... Entendo que você está fazendo outra pergunta e é minha vez, professor!
— Ah não! Você não respondeu direito.- Falou com voz um tanto dengosa e jocosa.
— Você que não se expressou bem. Quantos filhos o senhor tem.
— De onde tirou que eu tenho filhos? Nem anel de casamento eu uso.
— Responda!
— 2. Um menino e uma menina, gêmeos. Filhos de um casamento que não existe mais, durou apenas um ano. Já casei 4 vezes. Uma com 17 anos, sal idade. Que durou 2 anos. Uma com 20 anos, que durou 5 anos, mas ela morreu. Um com 27 anos, em Las Vegas, que durou 3 dias e o último, com 28 anos, que foi no qual eu tive meus filhos e durou 2 anos também.
Eu fiquei boquiaberta.
— Ah! E eu estou com 33 anos e minhas gracinhas vão fazer 5.
— Eu... Só perguntei quantos...
Ele começou a rir
— Mas eu sabia que você usaria estas perguntas para me enrolar e sair daqui sem me fazer qualquer outra pergunta. Calvyn e Crystal são seus nomes.
— Ok. Faça a sua pergunta.
— Você tem namorado?
— O senhor não acha que suas perguntas são um tanto inconvenientes?
— Acho que você esqueceu que é sua vez de responder, não o contrário!
— Não, professor, mas acho que este jogo está um tanto incômodo. Fique com suas anotações. Eu tenho que ir.
— É a sua vez de perguntar e ponto, eu te explico trabalho.
— Tudo bem. O senhor... Anh... De onde o senhor é?
— Eu nasci na Itália e vivi aqui até os meus 19 anos. Foi na ida que me separei da minha primeira esposa. Fiquei até os 30 anos por lá, mas recebi um convite para trabalhar aqui e achei um grande passo no minha carreira, além de uma volta às origens. A Cayle estava com 2 bebês praticamente de colo e me disse que não viria para a Itália. Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida, escolhi deixar meus filhos e vir para cá. Nós nem tentamos continuar o casamento a distância, ela nunca foi muito paciente.
— A cada pergunta o senhor vai contar uma história ou se eu procurar direitinho tem alguma que seja só “sim” não”?- Falei rindo.
— Eu pretendo que você me conheça ao máximo para o que terá de fazer e eu sou assim, dramático.
— Bem, acho que já está na hora de explicar o trabalho.
— Sim. Então, seu prazo é de 1 mês. Temos nossos encontros uma vez na semana, mas acho que outro lugar seria mais confortável. Todas as segundas às 19h numa sala próxima à estufa do prédio da biblioteca principal. Eu estarei lá e não precisa se preocupar, é aberto, apesar de ser de acesso restrito. Você montará um trabalho sobre mim e a ligação do que faço com a filosofia. Terá os encontros para me fazer perguntas.
— Tudo bem. Eu já tou indo, então.
— Espere. Fizeste uma pergunta a mais. Tenho direito a outra.
—Fiz?
—Sim! A do sim ou não- Eu ri com a resposta.
— Então. Quer almoçar comigo?
—Não posso, tenho que encontrar minhas amigas, elas vão ficar bastante chateadas se eu não for direto falar com elas!
—Como quiser!
Saí e fui ao refeitório para discutirmos sobre as aulas. Eu contei sobre o professor de filosofia como se a única aula tivesse sido dele. Foi um tanto inconveniente.
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