Taking Chances
10 Responsabilidades - Finn’s POV
Notas iniciais
Assim que ela saiu, fiquei meio atordoado. Para ser mais exato, em choque. Era tão estranho voltar a me sentir no segundo ano do Ensino Médio... Parecia que agora, quando finalmente me endireitei, alguém veio e me tirou o chão. Ouvi um barulho estranho. Ah! Meu celular. Era Puck de novo.
– Hey, bro, cadê você? Eu não te falei oito horas?! Venha logo, aqui tem cada gatinha...
– Já estou indo! Me espera aí, hein? – falei com uma falsa empolgação.
– Tá, ta... Mas não demora!
Desliguei o celular e peguei meu boné. Essa era a oportunidade perfeita de me desligar do mundo. Coloquei a foto que Rachel havia me dado na carteira e saí.
Nem precisei procurar muito para encontrar a festa. Como Puck havia me contado, era realmente a festa do ano! Entrei no prédio e logo vi Puck se divertindo com umas garotas.
– E ai! Demorei mas cheguei! – disse batendo high five — Que jogo é esse?
– Finalmente! Já estava achando que ia ter que cuidar de todas essas meninas sozinho! – exclamou Puck, já um pouco alterado – Você tem que acertar as bolinhas no copo. Se não... BARRIL!
Ele me apontou um barril de bebida que com certeza embriagou metade da festa. Oportunidade perfeita para esquecer.
– EEEEEEEEEE! Uhuuuuuuuuuuul! – gritei para ele.
Comecei a jogar todos os jogos possíveis e beber. A festa estava bombando! Perto do ápice, o som parou. Todos olharam o DJ com caras feias.
– Que isso cara! Liga isso ai! – um homem disse ao meu lado, se juntando ao coro de reclamações.
Os veteranos organizadores da festa foram até a mesa do DJ e disseram:
– Galera, o som quebrou, mas já vamos resolver!
Na mesma hora procurei Puck. Esta era a oportunidade perfeita para entrarmos nesta irmandade: Salvar a festa!
O encontrei no canto, ainda dançando com uma garota, mesmo sem nenhum som. O puxei para o lado.
– Hey, qual é o seu problema! Agora que o negócio estava esquentando!
– Acorda Puck! Não tem música! Tenho um plano para entrarmos nessa irmandade. Pega uma guitarra que eu arranjo uma bateria. Nós vamos FAZER a música!
Nós dois gritamos e fomos atrás dos instrumentos. Conversamos com os organizadores e eles toparam a ideia. Tudo para salvar a festa. Com os instrumentos em mãos, era hora do Rock!
Tocamos a noite toda. Foi um sucesso! Com certeza a festa mais comentada. Estava muito bêbado quando fomos embora, mas antes disso, os veteranos conversaram conosco.
– Meu, vocês arrasaram! Pensei que a festa estava acabada assim que o som acabou. – disse um deles.
– É... Eu e Puck temos treinamento musical, foi moleza. – comentei.
– Glee Club?! – perguntou o outro e assentimos.
– Bom, estávamos pensando e vocês nem precisam passar pela semana de trotes se quiserem entrar. Têm o passe livre por salvarem a nossa festa. Estão dentro?
– Claro! – Puck e eu quase gritamos.
– Então bem vindos!
A única coisa da qual me lembro depois disso é que comemoramos com mais bebida e voltamos para o quarto. Antes de apagar, a imagem daquele ultrassom me veio à cabeça. Depois escuridão.
***
Acordei, no dia seguinte, com travesseiradas na cabeça.
– Qual é cara! Para com isso, me deixa dormir. – disse com a voz pesada, já voltando a dormir.
Outra travesseirada.
– O que você quer?! – perguntei levantando a cabeça e abrindo um pouco os olhos.
– O que é isso aqui? – perguntou Puck me jogando um papel amarelo.
Sentei-me lentamente e tentei ajustar minha visão à claridade do quarto. Ele já havia aberto as cortinas. Argh! Peguei o papel e comecei a ler.
– Ah, você me acordou por isso? – disse devolvendo o papel – É só um aviso de que eu perdi minha prova de Sociologia. Mas relaxe, eu faço ela no fim do semestre e tiro uma nota alta. Dá pra passar.
Já estava deitando quando ele começou a gritar.
– Hey, pode acordar! Essa matéria não é obrigatória para você se tornar um professor?
– É, mas não precisa de tanto stress! – respondi agora já acordado.
– Não, cara. Você não está entendendo. Para todo mundo na escola nós sempre fomos idiotas, mas não somos. Podíamos ter sido medíocres lá, mas você não pode ser um professor medíocre. Temos que provar para todos aqueles idiotas que somos muito mais do que eles acham que somos! A partir de hoje você não falta mais provas, combinado?
– Sim, senhor! – disse dando risada.
Ele estava certo. Eu tinha que me formar com créditos e me tornar um ótimo professor. Não era mais só por mim. Droga! Por um momento esqueci a gravidez. Eu preciso de notas agora mais do que nunca. O que eu ia fazer?
– Bro, você está bem? – perguntou Puck – Está com uma cara estranha... Só não vomita aqui, porque você sabe que espanta as gatinhas.
– Cara, eu estou ferrado. Você sabe por que a Rachel veio aqui ontem?
Ele fez que não com a cabeça.
– Ela está grávida. E eu sou o pai.
– Putz cara, você está falando sério?! Mas você tem certeza né? Por que da última vez...
– É... Não me diga da última vez, engraçado. É verdade. Ela até me deu uma foto do ultrassom.
– E o que você vai fazer? Quer dizer, vocês não vão ficar com o bebê né?
– Eu não sei, mas imagino que ela vai querer ficar com a criança. Você sabe que ela tem aquela história com a Shelby e adoção então... O que eu faço?
– Você realmente perguntou para a pessoa errada porque você sabe que eu não fiz muito pela Beth. Mas, vou ser sincero. Arrependo-me de não ter feito nada. Meu pai já é um cretino e a última coisa que eu quero é ser igual a ele. Beth foi a melhor coisa que eu já fiz na vida. Você e a Rachel foram feitos um para o outro. Pode dar certo. Não cometa os mesmos erros que eu.
– Obrigada irmão. – agradeci fazendo o nosso toque.
– O que é isso cara! Tenho que te livrar das encrencas né?
Eu já sabia como, pelo menos, começar a garantir algo para o futuro. O Sr. Schue veio falar comigo esta semana, me oferecer uma trégua para que eu voltasse a co-direcionar o Glee Club, mas recusei. Agora não tenho mais espaço para caprichos, se eu conseguir créditos extras por ajudar, tenho que aceitar a proposta.
Era uma da tarde quando saí do campus. Estava de ressaca, mas pela quantidade de café que tomei, pelo menos dava para disfarçar um pouco. Marquei de encontrar o Sr. Schue no McKinley e acertar as coisas. Um ponto para Finn.
Assim que cheguei fui direto para o auditório, lugar onde marcamos de nos encontrar. Ele já estava lá.
– Oi Finn. – disse ele um pouco pesaroso.
– Oi – respondi – Eu fui até a coordenação do curso e eles concordaram em me dar créditos extras se ajudar o Glee Club.
– Fico muito feliz que tenha aceitado a minha proposta. – disse ele me estendendo a mão.
Aceitei-a, mas completei:
– Eu aceito ajudá-lo, mas não como seu assistente. Nada mais de pegar seus coletes da lavanderia ou comprar cafés. Quero ser visto como igual. Um professor.
– Tudo bem. Espero que possamos deixar o passado para trás. – ele sorriu.
Dei-lhe um abraço companheiro, mas não consegui segurar as emoções por muito tempo. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, ainda sentia que podia confiar nele como um pai.
– Sr. Schue... – ele me olhou de um jeito estranho – Hmm... Will. Já que concordamos em deixar o passado para trás, poderíamos conversar? Eu tenho um problema e preciso de ajuda. O senhor já me ajudou antes mesmo...
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