Notas iniciais
Olá, boa leitura! Explicações ao final do capítulo.

Voltar ao meu quarto era como voltar à infância. Ele estava do mesmo jeito em que o deixei verão passado. Algumas fotos no espelho, ursinhos, meus troféus... Ai que saudade! Estava penteando o cabelo, ainda de pijama, quando ouvi uma batida na porta.

– Pode entrar!

– Olá pequena Barbra. – disseram meus pais em uníssono, trazendo uma bandeja de café da manhã.

– Oh meu Deus! Pais, vocês não precisavam fazer isso!

Eles deixaram a bandeja na mesinha em frente a minha cama e nela tinha todas as minhas comidas matinais favoritas. Ah, como eu amava ser mimada pelos meus pais.

– Tudo para o nosso bebê! Você está tão pálida, não deve estar comendo direito em New York... – disse papai Hiram.

– Haha, estou bem é impressão sua pai.

– Mas sente aqui e conte-nos: como estão as coisas? Você ouviu que vão refazer Funny Girl na Broadway?! Filha, você TEM que tentar! – exclamou papai LeRoy.

– Sim!! Eu vi! Já estou ensaiando algumas músicas para o teste, nunca perderia essa oportunidade!

Eu odiava mentir para eles, mas o que poderia dizer? Eles sabem que esse é o meu maior sonho, se eu não demonstrasse interesse eles desconfiariam na hora. Queria contar logo para eles, mas Finn me pediu um tempo e eu daria essa chance a ele.

– Ai Hiram, você consegue imaginar? Nossa filhinha, nos holofotes da Broadway! A súdita de Barba Streisand. Aaaah! Já estou até emocionado. – disse ele limpando teatralmente uma lágrima.

– Argh! Pare de assustar a menina... Ela é uma estrela, não importa o que faça. – disse papai Hiram e depois cochichou – Não ligue pra ele, querida. Eu sei que você vai conseguir o papel, mas não tem problema se não conseguir. – e piscou um olho.

– Ah, venham aqui. – falei abraçando os dois – Amo vocês! Muito mesmo!

– Nós também te amamos.

Terminei o café e ficamos conversando sobre banalidades até a hora do almoço. Iria embora logo depois, mas percebi que Finn estava demorando a ligar. Será que ele esqueceu? A festa de ontem deve ter sido mesmo boa... Argh!

Parei de pensar nisso e arrumei minhas coisas. Conseguia sentir o cheiro de comida do meu quarto. Droga de olfato sensível! Já estava com água na boca. Desci para ver o que os dois estavam aprontando na cozinha quando senti um cheiro forte de queimado.

– Pais?! – corri e encontrei uma panela pegando fogo.

Lembrei-me, na hora, do pato que tentei cozinhar para Brody. Acho que o problema era de família.

– Vocês estão bem?! – gritei.

– Querida, não entre! A fumaça está muito densa!

– Hiram! – gritou papai LeRoy – Eu já te disse um milhão de vezes para não tentar cozinhar! Sua comida é péssima, para falar a verdade na maioria das vezes você nem consegue terminar!

– Mas essa receita era infalível! – disse papai Hiram enquanto LeRoy pegava o extintor.

– Pelo jeito não era tão infalível assim, não é? – depois olhou para mim – Rachel, não fique aqui por muito tempo senão vai ter que lavar o cabelo de novo!

Comecei a rir e deixei os dois discutindo na cozinha. Sentia falta dessa loucura!

No fim, fomos almoçar no Breadsticks, visto que depois de um tempo o cheiro de queimado me deu um enjoo horrível e, por sorte, meus pais não estavam muito felizes com toda aquela fumaça também.

Durante o almoço, eles me perguntaram:

– Filha, você não quer passar o fim de semana conosco? Hoje já é sexta mesmo...

– Ah, não sei pai. Combinei umas coisas com o Kurt amanhã.

– Tudo bem então... Mas não suma! Venha nos visitar sempre que quiser.

Não demorou muito, recebi uma mensagem no celular.

“Oi Rachel. Desculpe-me a demora... Você pode ficar para o fim de semana? Encontre-me às 15h30min no Glee Club. Beijo, Finn.”

Nossa! Parecia que tinham combinado. Terminei de almoçar e comuniquei:

– Mudança de planos... Vou ficar com vocês até domingo!

– Ah! Isso é tão bom! Mas, você não vai perder muita coisa né? Não queremos que você cancele seus compromissos por nossa causa.

– Não, imagina! Acho uma boa ideia ficar mais um tempinho por aqui. – peguei minha bolsa e comecei a levantar – Vocês não se importam se eu sair agora, não é? Preciso encontrar o Finn no McKinley.

– Mas você nem comeu a nossa sobremesa tradicional e... – então papai Hiram foi interrompido.

– Finn?! Pensei que vocês tinham terminado. – disse papai LeRoy.

– É complicado pai...

– Tudo bem, pode ir. Eu distraio o seu pai antes que ele te prenda no quarto para sempre! – disse papai Hiram.

– Obrigada!

Arrumei-me um pouco e escovei os dentes no Breadsticks, depois fui ao McKinley. O que será que ele queria comigo lá?

Assim que cheguei, fui quase correndo para a sala do coral. Encontrei Finn na porta.

– Oi – ele disse com um sorriso charmoso. Ele estava aprontando alguma!

– Oi – respondi.

– Entre. – falou abrindo a porta para mim.

Quando entrei, cumprimentei a todos, mas não sabia o que fazer exatamente. Fiquei colada em Finn.

– Sente-se, por favor. – pediu Sr. Schue indicando uma cadeira.

Sentei-me na cadeira em que normalmente sentava quando fazia parte do clube. Estavam todos me olhando, mas ninguém falou nada. Foi então que Finn começou:

– Eu sei que passamos por altos e baixos, mas tudo parece se resolver quando entramos nesta sala ou no auditório. Como sempre, as músicas parecem expressar muito melhor o que tenho a dizer do que palavras. Quero que saiba que estarei ao seu lado sempre, para o que precisar e para o que não precisar. – ele suspirou, parecia nervoso – Bom, chega de falar! Eu pedi a ajuda de todos do Glee Club então... Esta é para vocês. – disse apontando para mim.

Foi então que Sam começou a tocar o violão e Finn cantou*:

“Você é apenas uma pequena saliência ainda por nascer,

Em alguns meses será trazida à vida.

Você pode ter o meu cabelo,

Mas terá os olhos de sua mãe.

Vou te segurar em minhas mãos, serei o mais gentil que puder,

Mas por enquanto, você é uma imagem do que não planejei.

Uma pequena saliência,

Em alguns meses será trazida à vida.

E eu sussurrarei baixinho, não te darei nada além da verdade.

Se você não está dentro de mim,

Eu colocarei meu futuro em você.

Porque você é minha primeira e única.

Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,

E me segurar forte.

Oh, você é minha primeira e única.

Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,

E me segurar forte. E você ficará bem.

[...] E você pode se deitar comigo, com seus pezinhos,

Quando estiver cochilando,

Te deixarei ficar

Bem pertinho de mim, por algumas semanas

Para que eu possa te dar segurança.

Porque você é minha primeira e única.

Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,

E me segurar forte.

Oh, você é minha primeira e única.

Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,

E me segurar forte. E você ficará bem.”

Segurando as minhas mãos, ajoelhado à minha frente, ele repetiu o último verso:

– Você ficará bem.

Olhei profundamente em seus olhos. As lágrimas caíam dos meus e não pensei em mais nada, apenas o beijei. Sentia falta dele, de seus lábios, de seu toque. Cada célula do meu corpo respondia ao seu. Meu coração batia forte, uma coisa que eu só sentia e sentiria por ele: amor.

Assim que nossos lábios se separaram, o abracei o mais forte que pude. Ele levantou e me segurou, como uma boneca de pano, no ar. Quando me colocou no chão, perguntou:

– E então... Gostou?

– Claro, seu bobo! Foi a coisa mais linda que alguém já fez para mim. – depois olhei para as outras pessoas na sala – Obrigada gente!

Todos começaram a gritar e aplaudir, mas eu só prestava atenção em seus braços em volta de mim. Como era bom se sentir segura e amada... Não havia mais motivos para ter medo.

***

Depois do ensaio, fomos para o Lima Bean. Ficamos conversando sobre banalidades por horas, mas não dava para fugir do assunto principal por muito tempo.

– Então... Eu pensei bem e não podemos esconder isso dos nossos pais. Com a Quinn foi complicado dizer, mas acredito que seus pais sejam mais compreensivos do que os dela. – comentou Finn.

– Eles podem ser mais compreensivos, mas isso não quer dizer que vão adorar a ideia ou que não vão querer te matar.

– Bom, com isso eu posso lidar. Já fui para o exército, lembra? – ele deu um risinho e depois suspirou – Minha mãe vai ficar tão decepcionada...

– E os MEUS pais?! – gritei — Não quero nem pensar...

– Isso! – disse ele e passou a mão no rosto – Vamos nos concentrar primeiro em nossos pais. Como devemos contar?

– Hmm... Jantar, talvez?

– Boa ideia... – respondeu pensativo — Vou conversar com a minha mãe e Burt e faremos um jantar na minha casa. Convide os seus pais, okay?

– Okay, mas qual será o motivo? – perguntei um pouco confusa.

– Não sei, fale que temos um comunicado importante e não diga mais nada.

– Combinado! Amanhã à noite... Oito horas?

– Oito horas. Isso pode dar certo. – disse ele levantando – Tenho que ir para casa, ajeitar as coisas e tal... Nos vemos amanhã. Manteremos contato por mensagem. Tome cuidado ao ir para casa! – completou e me deu um selinho.

Seu entusiasmo me deixava alegre, mas não sabia por quanto tempo as coisas ficariam assim. Vou precisar de ajuda! Mandei uma mensagem para Kurt e fui para casa.

“Kurt, vou ficar para o fim de semana... Conversei com Finn e decidimos contar para os nossos pais amanhã. Jantar na sua casa às 20h. Por favor, venha. Vou precisar do meu melhor amigo! Um beijo e saudades, Rach.”

Notas finais
*Música que o Finn canta: Small Bump - Ed Sheeran (sim, eu sempre sonhei com alguma música do Ed em Glee, rs me julguem). Oii mil perdões pela demora, mas infelizmente digo que agora está um pouco mais difícil de postar com frequência. A fic já está um pouco adiantada no meu computador mas gosto de sempre terminar de escrever um novo capítulo antes de postar. Obrigada por acompanharem, deixem suas críticas, opiniões, sugestões, o que sentirem a necessidade de me dizer por meio de reviews! Elas são muito importantes para eu saber o que estão achando. Até o próximo capítulo, Mai.