Take on Me
9 So I wont let you close enough to hurt me
Notas iniciais

Sarah
Eu nunca pensei que chegaria a esse ponto, mas estava preocupada com Tony Stark. Desde que o encontrei daquele jeito, há três noites, tentava entender o que estava acontecendo. Ele também não ajudava, dizia que não tinha o que me preocupar que ele era grandinho e tal. E como não me preocupar se ele se enfiou na oficina e estava mais concentrado que nunca na sua nova armadura.
Ao abrir a porta da oficina o encontrei parando em frente às armaduras. Devia ser o teste e aquilo eu queria ver. Jarvis anunciou minha chegada e logo Tony se virou com um sorriso, mas notei olheiras debaixo dos seus olhos. Será que ele se lembrava de dormir?
— Sarah, chegou na hora certa. Senta naquela cadeira e assista o show.
— Isso está sendo gravado? Se der errado vou por no Youtube.
— Está sendo gravado sim, senhorita Stark.
— Nada vai dar de errado, afinal fui eu quem fez tudo e eu sou muito bom.
Revirei os olhos com sua humildade. Fui em direção a cadeira e me sentei. Ele voltou a olhar para a armadura.
— Boa noite! Sejam bem-vindas ao lugar de nascimento. Estou feliz em anunciar a vinda do seu irmão mais novo.
— Descobriu que tem mais filho, Tony? – Perguntei, brincando.
— Sabe que fui atrás para ver se tinha mais filho, mas só veio você mesmo. Mas não se preocupe, quem sabe futuramente ganha um irmãozinho ou irmãzinha. E não vai precisar ter ciúme, você sempre vai ser minha princesinha.
— Ta ficando ruim em apelido, C3PO.
— Comece com o titânio, depois branco. Coloque data. Mark 42, armadura de montagem autônoma em teste. – Mandou falando com o Jarvis. Virou-se e fez uma pose cômica. – Comece a sequência. – As peças das armaduras se movimentaram na mesa. – Jarvis, deixa a agulha cair.
A música começou a tocar e ele a dançar. Não consegui segurar o riso, eu precisava colocar aquilo na internet.
— Veja como o papai dança.
— Estou vendo, prefiro não dar minha opinião, vai por mim. – Falei, me acalmando.
Ele fez um movimento com o braço em direção a mesa, mas não aconteceu nada. Fez novamente, mas nada.
— Acho que o velho falhou.
— Foi falha aqui do chip. – Explicou batendo no braço.
— Pera, você colocou aqueles chips no braço? – Indaguei, descrente.
— Sim.
— A armadura então vai vir ao seu corpo pelo comando do cérebro?
— Exato. Desse jeito! – Respondeu Tony fazendo o movimento novamente e tendo sucesso.
A mão da armadura levantou-se da mesa e foi em sua direção, se prendendo à sua mão direita, logo uma parte do ombro e do braço fizeram a mesma coisa. Depois ele movimentou a outra mão e o mesmo processo se repetiu nela também.
— Você viu isso, Sarah? – Ele soltou uma risada. – Acho que conseguimos. Mande todas.
— Eu acho que devia ir com calma. – Aconselho, mas ele apenas respondeu com um sinal de negação.
A parte do joelho levantou e foi em direção a ele, que ergueu a perna para encaixar. Foi certo, mas a outra parte voou e foi parar nas outras armaduras. Mais uma parte foi para cima dele, na direção errada, e ele levantou o braço para se defender acabando por fazê-la cair em cima de mim.
— Eu disse para ir com calma. – Falei me levantando e me agachando atrás da cadeira.
— Calma, deve estar muito rápido, mais devagar. Vá um pouco mais devagar. – Mandou Tony.
Só o vi se abaixando para não ser atingido. A peça foi destruindo algumas coisas, até chegar no joelho do Tony. As duas pernas estavam ok já, faltava pouco, claro se eu não morresse antes do final do processo. A querida parte que protegia sua região mais sensível foi com uma força que deu pena, e ele foi para trás. Não foi igual ao meu chute, mas mesmo assim tinha sido forte. A peça das costas o atingiu, fazendo-o ir para frente daquela vez, quase caindo no buraco. Ainda bem que a parte das mãos estava com ele, se não seria um acidente feio. Ele voou até parar em terra firme de novo. Eu levantei o rosto, mas me mantive atrás da cadeira.
A máscara, que era a única que faltava, ficou flutuando no ar o encarando. E ele ainda provocava aquilo. Ai meu Deus, parecia uma criança. Ela também foi em sua direção. Ele deu um salto no ar, fazendo-a chegar certeira em seu rosto, e terminou a apresentação com uma pose igualmente ridícula a do começo.
— Eu sou o melhor!
Uma peça o acertou pelas costas, derrubando-o e fazendo a armadura desmontar. Ele ficou jogado no chão, somente com a máscara. Aproximei-me e apoiei minhas mãos nos joelhos. Tony tirou a parte do rosto e me olhou. Ao ver que estava bem, fiquei aliviada. Não estava a fim da Pepper me matar por tê-lo deixado machucado.
— E corta! Boa cena,Tony.
— Como sempre, senhor, é um prazer vê-lo trabalhando.
— Nisso eu concordo com você, Jarvis. — Concordei
Estiquei a mão e ele aceitou para ajudá-lo a se levantar. A oficina estava uma bagunça, melhor que ele fizesse uma pausa.
— Já comeu alguma coisa?
— Ainda não, Sarah.
— Que tal uma pausa para isso? Eu estou com fome.
[...]
Depois de arrumarmos a mesa, já que Tony insistiu para comermos lá, liguei a televisão para vermos alguma coisa e sentei. Ele logo se juntou segurando duas xícaras.
— Em que canal você colocou? – Questionou enchendo a xícara de café.
— CNN.
— Podia ter posto em algum canal de filme ou desenho.
Eu revirei os olhos e tomei um gole do chá de menta. Ao voltar meus olhos para a televisão, o jornal foi interrompido por um homem com uma roupa estranha, logo vi que era um terrorista. Ele falou sobre lição que a América e o presidente tinham que aprender, sobre um ataque numa base e sobre outros também, depois voltou a programação normal.
Encarei Tony e ele me olhou de volta, surpreso. Pegou o controle e começou a mudar os canais para ouvir as notícias referente àquilo. Descobrimos que era conhecido como Mandarim. O governo se pronunciou e anunciaram um novo herói, o Patriota de Ferro. Rhodes poderia ter pedido a minha opinião, eu teria dado um nome maneiro.
— Eu não sei se comento das cores ou do nome. Como Rhodes deixou isso. – Disse Tony desligando a TV.
— Como você permitiu isso. Achei legal quando deixou a armadura com ele e tal, mas assim... Você podia ter deixado claro que qualquer mudança devia passar por sua aprovação. Evitaria que seu amigo passasse vergonha...
Eu entrei na onde dele. Sabia que estava preocupado, notei por sua expressão e sua maneira de sair da situação fazendo piada.
— Avisa a Pepper que vou almoçar fora. – Avisou antes de morder seu sanduíche.
— Deixa eu adivinhar. Vai falar com o homem de lata 2 para saber sobre o Mandarim?
— Essa é minha garota. Agora vou sair, preciso fazer algumas coisas antes.
— Você podia me levar junto, estou curiosa sobre esse Catalão. – Pedi.
— Não, isso é assunto de adulto.
— Se é assunto de adulto, por que você está indo se meter?
Ele se levantou e saiu, me deixando sozinha. Annabelle entrou na sala, olhando para o celular. Como sou burra, pra que ele vai perguntar ao soldado, se temos aqui uma super agente.
— Annabelle querida... Você não gostaria de comer alguma coisa?
— Annabelle querida?O que você quer, garota? – Indagou a agente sentando ao meu lado.
— Só algumas informações. Não é como se fosse pedir para matar alguém.
[...]
Annabelle não abriu o bico, e olha que eu fui legal, mas não, ela ficou falando que era assunto do governo e que era confidencial. Fora que eu não poderia ajudar em nada, por ser uma adolescente comum. Desde quando sou uma adolescente comum?
— Cadê o crachá, Sarah? – Questionou Happy aparecendo.
— Aqui. – Mostrei que estava no bolso da frente de minha calça.
— É na camisa para todos verem.
Tirei do bolso e prendi na camisa.
— Satisfeito?
— Muito.
Começamos a andar para encontrar Pepper, já que ela queria que eu participasse de uma reunião com um cliente . No caminho, Happy foi falando com todos os funcionários sobre o crachá. Depois que virou chefe de segurança ficou insuportável.
— Happy, por favor, deixa o pessoal.
— É uma norma.
— Eu sei, mas dá um tempo. Tá começando a me dar dor de cabeça.
Encontramos Pepper saindo de uma das salas de reunião. Achei super mancada Tony deixar tudo nas costas dela, podia aparecer uma vez ou outra. Nós três fomos juntos em direção à sala dela, e no caminho todo o ex motorista foi falando sobre suas idéias para a empresa. Pepper me olhava tentando entender e eu só dava os ombros como resposta. Depois de ouvir tanta loucura, a namorada do Tony resolveu fazer algo.
— Happy, fico feliz que seja o Chefe da Segurança...
— Acho que foi só você. – Murmurei.
Ela me repreendeu só com um olhar. Escapou.
— É ótimo para você.
— Obrigado. – Agradeceu, Happy.
— Entretanto... – Ele a interrompeu agradecendo novamente. – Desde que assumiu... Tivemos um aumento de reclamações de 300%.
Ele sorriu ao ouvir a notícia.
— Happy, isso está longe de ser um elogio. – Falei, prendendo meu cabelo.
— Não... É sim, Sarah. – Voltou a olhar para ela. – Alguém está tentando esconder algo.
Nós duas nos encaramos tentando encontrar algum meio de explicar ao Happy sua loucura sem magoá-lo.
— Com licença, Srta. Potts. Seu cliente está aqui. – Informou a secretária.
Pepper soltou um suspiro de alívio.
— Informou esse cliente a mim? – Perguntou o chefe de segurança à secretária.
— Happy, falaremos depois. Agora precisamos ir nessa coisa entediante, que somente eu vou achar entediante.
— Eu prometo fazer piadas para não dar sono, Pepper.
— Obrigada, Sarah. — Happy abriu a porta para nós entrarmos e Pepper parou na mesma para falar algo com ele. – Nós trabalhávamos juntos e ele me chamava para sair. É meio estranho.
— Eu não gosto disso. – Dissemos eu e Happy juntos.
Ao entrarmos, notei a expressão de surpresa de Pepper, o que me deixou meio curiosa. O cara estava normal, claro que era bonito, mas velho demais para mim. Ele deu um sorriso de lado que causou certo efeito nela. Tony, você está perdendo seu espaço...
—Pepper.
— Killian? – Soltou, surpresa.
Que nome era aquele?
— Está ótima. Está realmente ótima. – Elogiou a olhando de cima a baixo.
Ele colocou o livro que segurava na mesa. Que folgado ficar mexendo na sala dos outros. Eu e o Happy trocamos um olhar que queria dizer “Temos que avisar ao Tony”, no meu caso era “Avise para ele começar a dar mais valor a mulher que tem.”
— Você está ótimo, eu... Eu... O que tem feito? – Indagou Pepper, gaguejando.
— Nada demais. Apenas cinco anos de fisioterapia e por favor, me chame de Aldrich.
— Você deveria usar um crachá de segurança. – Avisou o ex motorista.
— E uma placa escrito: A caça!
— Sarah!
— Ops... Escapou!
Pepper foi tirando Happy da sala, já que ele insistia em ficar lá dentro.
— Você deve ser a filha do senhor Stark. Sarah, certo?
— Sim, mas para você é senhorita Stark. E você é o amigo que ficou na friendzone.
— É realmente filha do seu pai, senhorita.
Pepper voltou e com um sorriso no rosto.
— Peço desculpas pelas palavras de Sarah. Tenho certeza que ela se arrepende.
— Claro, me desculpa, senhor Killian. O gene Stark falou mais alto.
Ela me olhou feio. Qual é, escapou mesmo.
— Está desculpada.
— Bom tem ver, Killian.
Nós três fomos em direção aos sofás, ele sentou-se no que ficava de frente a nós.
— Espero que não se incomode dela participar.
— De jeito nenhum. É uma honra poder explicar esse projeto para uma mente jovem.
Eu acenei e mordi minha língua, melhor começar a maneirar no que falo.
— Então, qual o projeto que veio mostrar? — Perguntei.
— Após anos evitando o título de presidente de pesquisar imoral de biotecnológico, minhas ideias, surtiram algum efeito. – Ele colocou uma caixinha em cima da mesa e pegou um tipo de ponto atrás da orelha. – É uma ideia que chamamos de “Extremis”. Vou apagar as luzes. – Ele pegou o controle, desligou as luzes e baixou a cortina da sala. Mostrou três bolinhas de prata para nós. – Contemplem o cérebro humano. – Ele jogou as três bolinhas e delas saíram luzes e apareceu uma imagem em 3D.
— Isso não é o cérebro humano. – Falei, observando aquilo que parecia mais o universo.
— Tem razão, senhorita Stark. Peço desculpas. Mas se eu fizer isso... – Ele apertou no controle e apareceu o cérebro. – Esse é o cérebro. Maravilhoso, não é?
Pepper olhava espantada para o cérebro.
— Isso é incrível. Não acha, Sarah?
— Incrível mesmo.
Não tinha como negar que aquilo era incrível mesmo. Como ele fez aquilo?
— Obrigado, é o meu.
— O que? – Indagou a presidente.
— Tá dizendo que é o seu cérebro?
— Sim, vocês estão na minha cabeça. É ao vivo. – Ele apontou para o ponto atrás da orelha. – Venha, eu te provarei.
Ele se levantou e subiu em cima da mesa, esticou a mão para Pepper que aceitou imediatamente. O galãzinho fez o mesmo comigo e eu aceitei também. Ficamos praticamente dentro do cérebro. Eu fiquei ao lado dele e ela à sua frente
— Belisque meu braço. – Pediu para Pepper que o olhou sem entender. – Eu aguento, belisque.
— Posso fazer isso? – Perguntei antes que ela fizesse.
— Por que não?
E eu fiz, claro que ele só fez uma expressão de dor, mas a imagem do cérebro dele acendeu. Pepper soltou um “oh”.
— O que é isso?
— É o córtex somatossensorial. Você sabe o que é, senhorita Stark?
Óbvio que eu sei.
— Sim, é o centro de dor. – Respondi.
— Certo, mas é isso que quero mostrar – Ele a virou e colou seu corpo ao dela. Rapidamente olhei pro Happy para que ele ligasse para o Tony, mas ele estava distraído. – Agora, o Extremis aproveita nosso potencial bioelétrico e nos leva para cá. – Ele fez um movimento e ampliou a parte no cérebro até uma parte vazia. – Isso é essencialmente um lugar vazio.
— Jura? – Murmurei.
Nenhum dos dois ouviu ou apenas fingiram não ouvir.
— E o que isso nos diz é que nossa mente, todo nosso DNA, na verdade, é destinada a evoluir.
Pepper estava toda derretida. Ele falou mais algumas coisas, e eu só observei aqueles dois. Eu estava me sentindo excluída, e no final não precisou de mim para fazer piadas.
Ele nos ajudou a descer e sentamos novamente nos sofás.
— Imagine se eu pudesse hackear o HD de qualquer ser vivo e recodificar o DNA.
— Seria incrível.
— E perigoso. — Completei.
— Infelizmente, soa como construção de armas como aprimoramento de soldados, armas particulares e o Tony...
— Tony, Tony... – Interrompeu o cientista. – Sabe, eu convidei o Tony para se juntar a IMA há treze anos e ele negou. Mas algo me diz que há uma nova gênia no trono que não precisa responder ao Tony e possui menos ego. E também alguém mais novo que tem um gênio mais avançado e que me entende muito bem.
— Não adianta puxar saco. — Avisei.
— Será um “não”, Aldrich. Mesmo eu querendo ajudá-lo. – Disse firmemente Pepper.
Nós três nos levantamos e nos retiramos da sala. Graças a Deus, ele não tentou insistir, assim evitaríamos que eu usasse minha língua afiada. Nós ficamos em silêncio até chegarmos ao lado de fora do prédio. Ele abriu a porta para passarmos.
— Não posso dizer que não estou desapontado. Meu pai costumava dizer: “a falha é a neblina qual vislumbramos o triunfo.” – Disse fechando a porta.
Essa tocou meu coração, deu vontade de chorar até.
— É profundo e não tenho idéia do que significa. – Disse Pepper, sorrindo.
Tu entendeu que eu sei.
— Bem, ele era meio idiota, meu pai. Acho que você entende bem disso. – Eu soltei uma risadinha seca, só para ser legal. – Estou certo de que te verei novamente, Pepper. – Ele se aproximou e beijou seu rosto. – Espero vê-la novamente, senhorita Stark.
— Igualmente.
Pepper acompanhou pelo olhar ele se afastar. Ela ficou realmente mexida. Queria ver quando Tony soubesse da concorrência.
— Tem mais alguma coisa para fazer hoje na empresa? — Questionei.
Ela deu um pequeno pulinho, estava perdida em seus pensamentos.
— O que?
O ex segurança e Annabelle se aproximaram. Happy não escondeu sua expressão de desgosto sobre o cientista.
— O carro está pronto, caso queiram ir.
Seus olhos voltaram para o nerd que estava entrando no carro.
— Sim, eu só... Deus, esqueci meu outro negócio... – Voltou a encarar nós dois. – Só vou... Se quiser ir embora, pode ir, Sarah... Vai demorar.
Ela entrou rapidamente e nem me deixou falar algo. Happy pegou seu celular e tirou uma foto da placa do carro.
— Deixa eu adivinhar: o senhor Tony Stark pediu para seguir seu concorrente? – Perguntei, rindo.
— Não, ele nem me escutou. Tem algo errado nesse cara, e ainda mais no cara que estava junto.
— Verdade.
Realmente tinha que concordar, o cabeça de ovo agiu muito estranho quando saímos da sala, ele estava com uma cara estranha.
— Acho que é coisa da cabeça de vocês. Ambos não gostaram do modo que ele tratou e olhou para a senhorita Potts.
— Ele só faltou comer ela com os olhos ou agarrá-la. — Apontei
— Vamos, eu te levo para a mansão.
Eu segui a agente, mas fiquei com um pé atrás com aquele cara. Tinha algo errado naquilo.
[...]
No caminho fiquei em silêncio, pensando na reunião. Será que ele teve um significado mais profundo para ela? Será que eles chegaram a sair? Se ela terminar com o Tony para ficar com aquele cara, eu matava o Tony. Eu ia conversar com ele quando chegássemos em casa, ele ia ter que fazer algo.
Estranhamente eu tinha acabado de chamar o lugar de casa. Ao ver isso, notei que era o que sentia quando chegava na mansão. Que estava em casa. Droga, não era isso que queria estar sentindo. Ainda mais com ele morando lá.
Ao chegarmos, segurei a risada ao ver o presente do Tony à Pepper: um coelho de pelúcia escrito “Feliz Natal, Pepper”.
— Quero ver onde a Pepper vai guardar isso. – Comentei com a agente, fechando a porta do carro.
— No mesmo lugar que o seu. – Respondeu apontando para o outro lado.
Tinha um gato enorme, escrito “Feliz Natal, Sarah”.
— Eu já disse que o odeio?
— Já, e mais de uma vez.
Entrei na mansão e fui direto para a oficina onde o encontrei montando um tipo de óculos.
— Sarah, que bom... Nossa o que aconteceu? Por que está brava?
— O que é aquilo? — Perguntei já cruzando meus braços.
— Seu presente de natal. Você gostou? Acertei né? – Perguntou se levantando e vindo na minha direção.
— Minha cara responde suas perguntas.
— Não gostou.
— Parabéns, gênio! Você acertou! Tony, nós já conversamos sobre isso. Eu não gosto de presentes desse estilo.
— Eu sei, eu só... Droga! Vou devolver.
Ele ativou óculos e armadura e começou a andar. Pude ver que ficou triste com aquilo. Ai caramba, se fosse menor, eu podia até pensar...
— Então controla a armadura pelos óculos? – Perguntei para mudar o clima.
— Sim, assim não preciso me arriscar e posso garantir sua segurança e da Pepper.
— Esse serviço é da agente Annabelle. – Respondi brincando.
— Mas deveria ser meu trabalho, sou seu pai e isso que um pai faz.
Droga, por que ele tinha que fazer aquilo? Eu não queria brigar, eu não queria responder, mas não tinha como segurar.
— Sim, é isso que um pai faz, porém você perdeu esse direito no momento que escolheu seu estilo de vida.
— Sarah, eu não quero brigar.
— E quem disse que estou brigando? Estou mostrando um fato.
Ele passou a mão pelos cabelos mostrando sua irritação.
— Eu sei que errei. Eu era um idiota, imbecil e que não pensava direito.
— Só com a cabeça de baixo.
— Mas sou diferente hoje. Aquele homem que sua mãe conheceu, não existe mais. Eu sou um novo Tony Stark.
— Fico feliz que tenha mudado, mas para mim não muda nada. Você ainda é o homem estranho com quem minha mãe teve uma noite. E eu sou somente o acidente dela. — Eu virei as costas e andei em direção à saída da oficina. – Não esqueça do jantar romântico entre você e a Pepper. Vê se não estraga esse relacionamento, ela merece ser feliz.
Comecei a subir as escadas, tentando segurar as lágrimas de raiva. Por que ele insistia em algo que não ia e que não podia acontecer? Eu não queria um pai, eu não precisava de um pai. Ele devia estar feliz de sermos amigos. Por que ele queria algo que não podia ter?
— Sarah, está tudo bem? – Perguntou Annabelle.
— Está, eu só estou com dor de cabeça.
Me dirigi até as escadas para ir ao meu quarto. Precisava ficar sozinha.
— Você vai querer sair para jantar, já que o casalzinho quer ficar a sós?
— Não, estou sem fome. Não se preocupe comigo. Se quiser aproveitar sua noite, pode ir. Não planejo sair mesmo.
Corri para meu quarto e me joguei na cama. Peguei o porta retrato com a foto da minha mãe e passei os dedos nela, como se pudesse tocá-la.
— Mãe, eu preciso de você.
[...]
Horas mais tarde, Pepper foi ao meu quarto saber como eu estava. Disse que estava só com dor de cabeça e cansada. Não sei se ela acreditou na minha desculpa, mas aceitou. Mandou depois alguém entregar meu jantar no quarto e aceitei.
Era já duas e meia da manhã e nada do sono vir. Virei de um lado para o outro, mas não encontrei nenhuma posição confortável. No fim, desisti e resolvi me levantar, o que mais podia fazer?
— Jarvis, Tony está acordado?
— Não, senhorita Sarah. Somente a senhorita.
Eu perguntei dele, não porque eu me importava. Ta, me importava um pouco, mas para não encontrá-lo mesmo. Sentei e olhei para o relógio. Duas e trinta e um da manhã. Eu não sabia porque tinha olhado o relógio, se sabia que só tinha se passado um minuto. Meus olhos foram para a carta da minha mãe. Sim, eu ainda não tinha lido. Eu não tinha coragem, tinha medo do que mais minha mãe escondia.
Então lembrei o que minha mãe sempre fazia quando não conseguia dormir: tomar um copo de leite morno. Peguei meu robi e coloquei, não queria que me vissem de camisola, e peguei a carta, melhor ler enquanto tinha coragem. Sai do meu quarto e desci as escadas, as luzes acenderam, Jarvis devia ter feito aquilo. Fui na cozinha e preparei o leite, depois fui até a sala. Bebi um gole e coloquei o copo na mesa, pegando a carta.
— Bem, é hora da verdade.
Antes que pudesse abrir, vi a armadura do Tony sair da oficina e ir para o segundo andar. Levantei-me rapidamente e corri para lá. Será que tinha acontecido alguma coisa? Tinha algum vilão ali?
Ao ver a porta do quarto do casal aberta, senti um pânico invadir meu corpo. Apertei os passos e ao entrar no cômodo encontrei Pepper em pé, Tony ajoelhado na cama e a armadura desmontada ao seu lado.
— O que aconteceu? – Perguntei me aproximando dos dois.
— Nada, Sarah, pode ir dormir.
— Pepper...
— Eu vou dormir no outro quarto. Conserte isso.
Ela saiu, eu pude ver que ela tinha ficado assustada. Não sabia se me retirava ou ficava, mas ao ver Tony puxando ar, me aproximei e sentei ao seu lado na cama. Eu não podia deixar o velho ter um treco e ficar só olhando.
— Tony, respira devagar, calma. – Falei, colocando minha mão em suas costas.
Aos poucos sua respiração foi voltando ao normal. Afastei minha mão, mas ele a pegou e apertou em agradecimento.
— Agora, me conte o que aconteceu?
— Você é bem curiosa. – Disse se levantando.
— Ver uma armadura voar até o quarto não deve significar coisa boa.
— Você viu a armadura vir aqui? Você devia estar dormindo.
— Estava sem sono e fui tomar um copo de leite. Não foge do assunto, me diga o que houve.
— Eu tive um pesadelo e acabei chamando a armadura durante o sono. Vou calibrar os sensores para não acontecer mais.
Homem de lata se levantou e começou a pegar as peças, eu me levantei e segurei suas mãos.
— Vai fazer isso amanhã, você precisa dormir.
— Não posso dormir, isso pode acontecer...
— Não vai acontecer nada. Jarvis, desliga essa armadura permanentemente até amanhã.
— Sim, senhorita Sarah.
O puxei até a cama, ele deitou e eu me sentei.
— Vai ficar aqui comigo?
— Eu sei que se eu sair por aquela porta, você vai voltar a mexer nessa armadura. – Comecei pegando o travesseiro e colocando em minhas costas. Olhei para ele esperando que estivesse tentando dormir, porém o encontrei me encarando. — Desde quando isso vem acontecendo? – Perguntei.
— Há quanto tempo você sabe?
— Desde que vim para Malibu. Não sei exatamente o que vêm acontecendo, mas algo que envolva pesadelos.
Ele colocou a mão no peito e olhou para o teto.
— A culpa é minha, eu não fui o mesmo desde Nova York. Eu faço tudo normalmente para não chamar atenção, mas acabei afastando Pepper de mim e não consegui melhorar muito nosso relacionamento.
— Pelo menos, conseguimos ficar no mesmo cômodo por mais de cinco minutos, sem brigarmos.
— O que agradeço de coração. Sarah, você não tem ideia do que vi e vivi, e é inexplicável. Deuses, aliens, outra dimensão. Eu sou só um cara de armadura.
— Pelo menos você tem uma armadura. Clint só tem arco e flechas, e isso é sem sentido.
Tony riu da minha piada.
— Sabe como não enlouqueci depois de tudo isso? Foi a Pepper ter vindo morar comigo e você ter aparecido. – Ele me olhou seriamente. – Eu sou sortudo de ter Pepper em minha vida, ela é uma mulher incrível e eu a amo, e por ter uma filha maravilhosa que é melhor do que podia imaginar. Sarah, eu não consigo dormir. A ameaça é iminente, o mundo foi atacado, depois você por aquele grupo... Tenho que proteger as únicas pessoas que não viveria sem... Você e a Pepper.
Não era hora de responder, vi que ele começou a ficar nervoso de novo e então coloquei minha mão sobre a sua para que não tivesse um ataque novamente.
— Tony, fica calmo.
— As armaduras são parte de mim. – Disse o gênio ignorando meu pedido.
— Elas são distrações para você não pensar no que aconteceu.
— Talvez.
— Conversou com Pepper sobre isso?
— Sim, hoje no jantar.
— Agora feche os olhos e imagine coisas boas. – Pedi, tirando minha mão da sua.
Stark fechou os olhos, forçando-se a dormir, o que me deixava aliviada por estar ao menos tentando.
— Obrigado, Sarah. – Agradeceu sem abrir os olhos.
— Não se acostume com isso. – Rebati, tentando ser forte.
Nunca imaginei que faria algo assim depois de tudo. Eu não estava ali como filha, estava ali como uma amiga que estava dando o ombro para alguém que precisava muito.
Levei minha mão até sua testa e lhe dei um peteleco.
— Ai! Por que fez isso? – Perguntou passando a mão na testa.
— Por ter achado que pode passar por tudo isso sozinho.
— Eu sou o adulto aqui.
— Não vamos discutir quem realmente é o adulto nesse quarto.
— Boa noite, filha.
— Boa noite, Tony.
Fiquei em sua companhia até que ele estivesse em um sono profundo e por fim me levantei. Antes de sair olhei-o novamente, garantindo que estava bem. Fechei a porta e fui para o meu quarto.
— Jarvis, se acontecer algo, por favor me acorde imediatamente.
— Sim, senhorita Sarah.
Peguei a carta e a encarei.
Não foi dessa vez, mãe.
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