Take on Me
10 I'm breaking the silence, I'm falling apart for you
Notas iniciais

Sarah
Acordei num susto pela Pepper e fui informada que Happy havia sofrido um acidente. Nós fomos rapidamente para o hospital e no caminho Annabelle explicou que foi causado por uma explosão que, possivelmente, havia sido cometida por Mandarim. Filho da mãe!
Tony deu um soco no vidro do carro, mas não chegou a quebrar nem nada, ainda bem que quem dirigia era Annabelle, se não, teríamos outro problema.
Quando chegamos ao quarto aproximei-me do ex guarda costas e soltei um soluço ao ver as condições em que ele se encontrava. Segurei sua mão e trouxe até meu coração.
— Happy, eu adoraria ter dar broncas, mas vai ficar para quando você acordar. Então fique bom logo, está me escutando, você precisa melhorar e logo. Por favor. – Pedi, chorando.
Stark se aproximou e colocou a mão sobre meu ombro.
— Ele vai ficar bom. Farei tudo que for preciso para ele ficar bom.
Só acenei e coloquei minha mão sobre a dele, apertando em conforto, como na noite anterior.
— Tony, precisamos conversar com os médicos. – Avisou Pepper.
— Tudo bem. Annabelle, leva a Sarah para comer algo, não quero que ela passe mal.
Annabelle não gostava quando Stark lhe dava ordens, mas naquele momento resolveu obedecer por ver que ninguém estava em condições de brigar.
Nós duas saímos do hospital e os jornalistas vieram em cima de mim buscar alguma declaração, mas a agente foi mais rápida e conseguiu me tirar de lá rapidamente. Me levou até um café perto do hospital. Sentei na mesa mais distante e discreta e a garçonete se aproximou para fizermos os pedidos.
— Tome, Sarah. – Disse Anna entregando-me um lenço.
— Por que isso? O que o Mandarim quer? – Perguntei irritada enquanto secava as lágrimas.
— Caos.
— Que bela resposta. Stark não vai deixar isso quieto.
A garçonete voltou alguns minutos depois e colocou os pedidos na mesa. Ao ver a comida, senti meu estômago revirar. Não estava com fome.
— Come isso por bem ou vai ser por mal. – Disse a agente tomando seu café.
— Vai fazer o que? – Perguntei, lhe desafiando.
— Ligar para o Steve.
— E eu ligo para o Banner.
— Come, garota!
Comecei a comer e aos poucos terminei o prato. Empurre-o para longe de mim, como se pudesse surgir mais comida ali. Meu celular começou a tocar e atendi ao ver quem era.
— Oi, Pepper.
— Estou voltando para a mansão. Seu pai pediu para levá-la junto.
— Eu queria ficar com o Happy.
— Você pode ficar na parte da tarde. No momento, Tony quer ficar ao lado dele.
— Tudo bem. Já estamos voltando para o hospital.
Annabelle pagou a conta e voltamos para o hospital. Pepper já nos aguardava no táxi e nós três fomos para a mansão.
— Sarah, enquanto esperava você, tomei a decisão de mandá-la de volta para Nova York.
— Por quê?
— Melhor ficar longe dessa loucura por enquanto. Não sei se o ataque ao Happy foi de propósito, mas preciso que você esteja em segurança.
— E a mansão não é um dos lugares mais seguros?
— Acho que o prédio dos Vingadores é mais ainda. – Comentou Annabelle.
— Anna tem razão. Ficaria mais tranquila com você lá. Dr. Banner estaria junto com vocês e duvido que esse louco ataque o lugar.
— Eu não quero ir.
— Sarah, por favor. Vou arranjar um vôo para Nova York. Antes de você ir, Annabelle a levará para ver o Happy.
Eu tentei argumentar, mas não tive chance de mudar a mente de Pepper. Ela contou o que os médicos informaram sobre o estado do Happy, o que serviu para me deixar mais esperançosa.
Ao chegarmos à mansão, notei que ele havia colocado os dois ursos para dentro. Qual é? Eu disse que não queria.
Fui para meu quarto e peguei minha mala, joguei na cama para poder arrumar melhor.
— Droga! Eu não queria ir embora. Eu devia ficar e ajudar. – Murmurei pegando minhas roupas. – Jarvis, liga a televisão e coloca no CNN.
— Claro, senhorita.
A televisão falava sobre o ataque e enquanto eu arrumava a mala, meus olhos iam aos meus afazeres e para a tela, vendo tudo que falavam sobre aquele terrorista. Peguei meu celular e liguei para a Louise para lhe avisar sobre a novidade. Deixei-o no viva voz e continuei o que fazia.
— Oi, Sarah, eu soube do ataque. Desculpe não ligar mais cedo, mas sabia que estava no hospital.
— Sim, estava.
— Como está o Happy?
— Todo intubado. Os médicos disseram que o estado dele não é grave, mas vai precisar ficar um tempo no hospital.
— Vai dar tudo certo, Sarah.
— Estou voltando para Nova York. Peppe e Tony acham mais seguro ficar no prédio com Dr. Banner.
— Eles acham que o ataque foi proposital?
— Não sabemos. Esse Mandarim pode ter atacado ao Happy sabendo o quanto ele é importante para a família. – Respondi jogando o resto das coisas dentro da mala.
— Se quiser vir pra cá, pode vir. As portas estão abertas.
— Não quero colocar você em perigo.
— Sabe que namorar um agente da SHIELD, já me coloca em perigo...
— Eu vou pensar e te aviso.
Ao terminar, fechei a mala e coloquei perto da porta do meu quarto, para ficar mais fácil de levar. Ao escutar o nome do playboy, voltei minha atenção para a televisão.
— Louise, espera um momento. – Pedi me aproximando da tela.
Tony parecia bem bravo e prestes a pular em cima de alguém, o que entenderia.
— Quando é que alguém irá matar esse cara? – Questionou um jornalista.
— É o que você quer? Aqui está uma saudação natalina que quero enviar ao Mandarim. Só não sabia como transmiti-la até o momento. Meu nome é Tony Stark e não tenho medo de você.
Tony realmente não se importava com o que poderia falar.
— Sei que é um covarde, então eu decidi que acabou de morrer, meu amigo. – Ele tirou o óculos e encarou a câmera. – Só vou recolher seu corpo. Não há política aqui, apenas a boa e velha vingança. Não há Pentágono, é só você e eu. Caso seja homem, aqui está meu endereço 10880, Porto Malibu, 90265. Deixarei a porta aberta.
— Desliga isso, agora!
Sentei na cama e não querendo acreditar que ele acabara de fazer aquilo.
— Sarah?
— Louise, falamos depois. Nesse momento eu vou matar Tony Stark.
— Te vejo na cadeia.
Agora Tony, você passou dos limites.
[...]
Abri a porta da oficina e fui em sua direção, como eu queria dar um soco nele.
— Juro que falta pouco para eu te socar e tirar isso do seu peito. Você tem ideia do que fez? Por que não nos entrega logo em uma bandeja?
— Sarah, eu sei que estou fazendo.
— Sabe? Eu acho que não. Você deu nosso endereço para um terrorista!
— Eu quero vingança.
— Tudo bem, eu te entendo, mas precisa por eu e a Pepper em perigo?
— Não vai acontecer nada. – Disse tentando pegar minha mão, mas me afastei do toque.
— Você sabe? Virou vidente agora? Fala ai o futuro.
— Eu vou proteger vocês.
— Isso vai ser antes ou depois de alguém nos pegar? Acha que vai ficar ao nosso lado durante a luta? Não, não vai estar o tempo todo. Você colocou uma mira na nossa cabeça. – Gritei na cara dele.
— Eu sou o Homem de Ferro e vou acabar com ele.
— Acha que é invencível só porque derrotou um deus e uns aliens, só que você não estava sozinho. Tinha uma equipe com você. Idiota! Desde que virei sua filha, só tive problemas. Uns caras tentando me pegar, jornalistas me perseguindo, agora um terrorista que pode vir aqui e explodir tudo! Você é um irresponsável.
— Não fala assim comigo.
— Falo sim. Fez uma grande besteira e nem perguntou minha opinião. Pepper pode não falar nada, mas eu vou. Você não pensou em nenhum momento nas consequências que vai ter pelo que disse. E quer saber, eu não quero estar aqui. Só espero que não aconteça nada com a Pepper, mas com você não me importo. – Dei as costas e comecei a subir as escadas. – E sobre o que disse ontem sobre ser o adulto aqui, ta mais para criança.
[...]
Voltei ao quarto para arrumar minha bolsa. Joguei meus documentos, dinheiro, a carta, celular e só faltava o note, que eu havia deixado na oficina. O natal já ia ser péssimo, ai o Tony piora a situação. Pepper abriu a porta e colocou somente a cabeça para dentro do ambiente em que eu estava.
— Tudo pronto?
— Sim. Só falta pegar meu note na oficina.
— Annabelle falou que já vem nos buscar. Ela foi chamada para resolver um problema da S.H.I.E.L.D.
Coloquei a bolsa e peguei a mala. Ao sair do quarto notei ela segurando duas malas também.
— Vão vir comigo? – Questionei andando em direção a escada.
— Sim. Conversei com o Tony, ele não concordou, mas vai mesmo assim. Pensei em irmos para a Torre, mas acho melhor irmos para outro lugar. – Respondeu Pepper.
— Eu não acho que ele vai querer ir. Afinal, ele fez aquela burrada.
— Ele vai sim, Nem que eu o amarre e você vai me ajudar.
— Por que eu?
Ao chegarmos no topo da escada, escutamos Tony conversando com alguém, mais precisamente uma mulher. Pepper fechou a cara e ao vê-lo em seu campo de visão, jogou uma mala e depois a outra, o fazendo olhar para cima.
— Tony! Tem alguém ai? – Perguntou Pepper.
Ela apenas perguntou para dá-lo a oportunidade de se explicar antes de fazer algo. Comecei a descer a escada e ela vinha atrás de mim.
— Sim. Maya Hansen. Um antiga amiga botânica que eu conhecia, um pouco. – Respondeu saindo da armadura.
— Deixa eu adivinhar esse pouco: um caso de uma noite? – Perguntei ao chegar no fim da escada.
— Quase. – Respondeu a botânica.
Tony se aproximou dela e falou algo baixo que não pude escutar, mas ele fez uma expressão que tive de segurar o riso.
— Deixa eu adivinhar novamente: tem uma criança lá fora?
— Não se preocupe, você é a única filha dele. – Respondeu Maya com um sorriso.
— Só eu para aguentar essa cruz. – Murmurei.
O Homem de Lata me olhou feio. Só podia ser fome.
Pepper se aproximou de Tony ficando ao seu lado, mostrando que ela mantinha as rédeas da situação ainda.
— Com Happy no hospital, não sabia que esperávamos visita.
— Não estávamos. – Afirmou Tony.
— Somente de algum terrorista, seus convidados especiais, né, Tony? – Perguntei encostando-me ao urso de pelúcia.
— E antigas namoradas. – Completou a ruiva.
— Ela não é. – Cortou Stark.
— Não, foi só uma noite. – Explicou Maya.
Por que eu não estava surpresa?
— É isso que fazia, não é? – Perguntou Pepper.
— Foi uma grande noite. – Disse Tony.
— Isso. Se livrou de uma furada. – Comentou a namorada do bilionário.
— Ainda dá tempo, Pepper. – Debochei.
— O que? – Perguntou olhando para mim e depois para ela.
— Confie em mim. Vamos sair da cidade.
Os dois começaram a discutir se iam ou não e Maya meio que se meteu.
— Eu vou pegar meu note e já volto. – Avisei, já me retirando.
— Tudo bem, querida. E já vamos embora. – Alertou Pepper.
— Ele está em cima da minha mesa, eu coloquei lá. – Informou Tony e depois voltou a falar com Pepper.
Deus, eu fui tão má assim na outra vida?
Cheguei na oficina e o encontrei facilmente. Peguei-o e o guardei logo. Resolvi ficar mais um tempo até que eles parassem de discutir. Uma coisa boa do Stark era que ele fazia a merda, mas ficava para assumir as consequências. Sinceramente eu esperava que ele conseguisse derrotar o Mandarim...
Senti, de repente, a mansão tremer e alguns pedaços do teto caírem.
— Jarvis, o que está acontecendo? – Perguntei atravessando a bolsa no corpo.
— A mansão acabou de ser atingida por um míssel.
Corri pelas escadas e vi tudo um caos: a botânica desmaiada no chão e Pepper vestida com a armadura em cima do Tony, pelo visto salvando-o de algo.
— Pepper...Tony... Precisamos sair daqui. — Comecei.
— Sim, como eu disse, não podemos ficar aqui.
Os dois se levantaram e começaram a andar, mas mais um míssel atingiu a mansão. Eu me joguei no chão para não ser atingida e não consegui evitar um grito de medo.
—Mexam-se! Eu estou atrás de vocês.
Me levantei, fui em direção à Pepper e peguei seu braço. O chão se dividiu e Tony ficou do outro lado.
— Peguem-na, vou achar uma forma de contornar.
Eu e Pepper paramos o encarando. Não podíamos sair e deixar ele ali.
— Não fiquem paradas. Levem ela e caiam fora. Vão!
— Vai na frente. – Mandou Pepper.
— O que? E ele?
— Vai!
Eu olhei para ele, não podia deixá-lo ali, não podia mesmo. Tony me retribuiu o olhar e fez um sinal para que eu seguisse. Fiz um movimento para a porta abrir, mas nada. Precisava achar algo para abri-la.
— Sai da frente. – Mandou Pepper levantando a mão, mas não aconteceu nada.
Ela tentou de novo, mas novamente nada. De repente ela saiu voando com a botânica e quebrou o vidro. Corri logo em seguida para ajudá-las.
A mansão foi atingida de novo e a parte da frente caiu, impedindo a entrada de qualquer pessoa.
— Meu Deus. Tony! – Gritou Pepper.
— Tony! – Gritei.
Por instinto fui em direção à mansão, mas Pepper me segurou.
— Fica aqui. Se for lá dentro vai ser pior.
— Fica aqui, garota. – Mandou Maya sentando no chão.
— Ele precisa da armadura. Manda para ele. – Falei, olhando para Pepper.
— Como?
Eu não sabia dizer se tinha sido ele ou ela, mas a armadura se soltou de Pepper e voou para dentro da mansão outra vez. Eu escutava o barulho de tiro e explosões, e só podia encarar aquele lugar. Vimos um helicóptero cair na casa, o que só piorou tudo, para depois ela enfim cair no precipício. Corri na mesma direção chegando até a beirada, olhando para baixo. Só vi tudo afundando e nenhum sinal do Tony. Pepper se juntou a mim.
— Tony! – Gritou a ruiva.
— Pai... – Murmurei levando a mão a boca.
Eu não notei, mas acabei o chamando do que eu não queria. De pai.
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