Take me with you
1 [00.1]
Setembro, 2009.
Louis estava no quarto quando a empregada bateu na porta. Depois que ele a autorizou a entrar, Louis levantou o olhar do livro que estava lendo, The Perks of Being a Wallflower. Louis, de certo modo, desejava ser como Charlie, não ligar pra opinião do outros, ou pelo menos, aparentar que não ligava.
“Carta para o senhor, senhor Tomlinson”.
“Rosa quantas vezes eu terei de dizer para me chamar de Louis?”, ele falou com um suspiro. As pessoas naquela casa, quando não eram empregados eram convidados, e tinham o maior cuidado em lhe tratar como se ele fosse o ser humano mais frágil do mundo.
Por causa de ser o único filho homem de Mark Tomlinson, o empresário mais rico do mundo, Louis não tinha uma vida social agradável. Ou as pessoas o tratavam com adoração com medo de desagradar seu pai e provavelmente perder o emprego, ou o odiavam secretamente.
Ele não pediu por isso, não. Ter uma vida cheia de privilégios não era sua culpa, ainda mais quando era tudo somente fachada. Sua mãe, Jay, vivia em outra casa, junto com suas quatro irmãs: Lottie, Fizz e as gêmeas Daisy e Phoebe. Seus pais não eram divorciados, não, isso apenas iria estragar a aparência de seu pai. Eles apenas viviam separados, já que não suportavam a presença um do outro.
Louis não achava isso nada justo consigo e as meninas, mas ele praticamente foi obrigado a morar com o pai, já que era seu papel ser o sucessor nos negócios. Mas o que Mark não sabia era que Louis tinha planos totalmente contrários a assumir algo que ele não tinha o mínimo interesse.
Ele observou a empregada abaixar a cabeça e sair do quarto silenciosamente. Com mais outro suspiro, Louis pegou o envelope da carta de cima da mesinha e olhou atentamente. Não tinha remetente, o que era estranho, mas seu nome e endereço estavam em letras garrafais no papel branco.
Abrindo o lacre do envelope, Louis tirou um papel grosso de dentro, um tipo diferente de papel de carta. Isso trouxe um vinco entre suas sobrancelhas, ele estava começando a estranhar tudo aquilo.
A surpresa veio mesmo em forma de ameaça:
Eu conheço você, mas não você não pode dizer o mesmo.
Sei tudo sobre você e seu pequeno e obscuro segredo.
Então, se quer continuar vivo, faça o que eu lhe mandar fazer.
Ou seu pai, e o mundo saberão quem você realmente é,
E acredite, até lá, você estará implorando para que eu tire sua vida.
Afinal, o mundo é cheio de pessoas preconceituosas.
Aguarde notícias.
—--
Louis olhou a carta, incrédulo. Quem seria aquela pessoa que estava ameaçando lhe tirar a vida? E pra que? Ele sabia que o que guardava dentro de si não podia ser dito em voz alta, tanto pelo cargo de seu pai no mundo, quanto pelo medo que ele tinha, medo da opinião das pessoas.
Ele tinha que contar para o pai, mesmo que isso levantasse suspeitas. Louis levantou rapidamente, com a carta em mão, e saiu porta afora, em direção ao escritório de seu pai. Quase chegando lá, porém, esbarrou em algo, ou melhor, em alguém que o fez ir de encontro ao chão. Sentado no chão, xingou baixo, mas levantou rapidamente o olhar quando ouviu palavras sendo dirigidas a ele.
“Desculpe.”
Louis piscou. Uma. Duas. Três vezes. Cachos, olhos verdes e rosto de com traços finos era tudo que sua mente processava. Um menino alto (muito alto, por sinal), de blazer azul escuro, camisa branca e calça social, estava na frente dele. Ou acima dele, mas essa seria uma escolha errada de palavras para aquele momento. Louis nunca o tinha visto antes, e lá estava o estranho, lhe oferecendo uma mão para ajuda-lo.
Com um pigarro desconfortável, Louis aceitou a ajuda e se impulsionou em pé. E mesmo assim, parecia que ele não chegava nem aos ombros do estranho. Ele desviou o olhar, sentindo suas bochechas esquentarem e pressionou os lábios juntos.
“Não foi nada. Posso perguntar quem é você?”, Louis falou interrompendo o estranho silêncio que tinha se instalado.
“Não é necessário. Apenas continue seu caminho.”, o estranho disse. Ele inclinou a cabeça um pouco para o lado, e ficou fitando Louis, como se o estivesse analisando.
Soltando um suspiro exasperado, Louis fez um movimento com a mão livre (a carta ainda estava firmemente segura em sua mão esquerda), e continuou andando, reprimindo a vontade de olhar por cima do ombro.
Ele adivinhou que devia ser mais um dos milhares de segurança que seu pai contratava. Mas o que era estranho era que esse em particular parecia novo demais para o trabalho. Louis até se atreveria a dizer que ele parecia mais novo que ele próprio.
Balançando a cabeça, Louis parou em frente a porta do escritório de seu pai, e bateu duas vezes antes de ser autorizado a entrar.
“Oh, Louis, é você. Estava justamente pedindo para alguém ir lhe chamar. Sente, precisamos conversar.”, seu pai comandou, sentado por trás da imensa e lotada mesa de madeira que havia no centro do escritório.
Silenciosamente, Louis se sentou numa poltrona em frente a mesa, curiosidade já aparecendo em seu rosto. Era raro encontrar seu pai em um humor tão... comunicável.
“Sim, pai. Eu também quero conversar com você. Eu recebi isso hoje de manhã.”, Louis colocou a carta em cima da mesa e observou o cenho franzido de seu pai ao ler o conteúdo. E viu como os lábios de seu pai pressionaram juntos, uma mania que eles compartilhavam quando estava chateados com algo ou preocupados.
“Bem Louis, isso é exatamente o que eu esperava que acontecesse.” Mark disse depois de deixar a carta cair na mesa novamente.
Louis saltou da cadeira, com os olhos incrédulos. Seu pai não parecia nem um pouco preocupado! Como ele podia? A carta, ou a pessoa que a escreveu o estava ameaçando tirar sua vida!
“Se acalme Louis, não foi isso que eu quis dizer. Eu apenas disse que já esperava que isso acontecesse devido ao meu cargo e o modo como as pessoas me encaram. Não se preocupe. Veio bem a calhar que eu acabei de contratar um guarda costa pra você.” Mark disse com um sorriso sarcástico.
“Um o que?! Pai, não acha que isso também é exagerado? Eu tenho 21 anos não preciso de nenhuma babá andando por aí comigo, como se eu estivesse em perigo o tempo todo.” Louis sentou desconfortável na cadeira.
“O que você não entende Louis, é que essa pessoa que mandou essa carta, não estava brincando quando disse que poderia tirar sua vida. Eu não estou interessado em saber que segredo é esse ao qual ele está lhe ameaçando, contando que não prejudique meus negócios. A partir de agora você terá de andar com Harold, eu o contratei pra isso.”, Mark disse num tom de fim de conversa, voltando a mexer nos papéis de sua mesa.
Louis sabia que com aquele tom, nada que ele falasse depois iria mudar a mente do seu pai. Mas aceitou a ideia, porque sim, ele tinha medo de morrer, ainda mais quando não sabia nem mesmo quem era essa pessoa para que ele ficasse longe dela. Ele pegou a carta de cima da mesa e fez seu caminho porta afora, parando somente quando ouviu a voz de seu pai chama-lo.
“Eu sei que você não gosta da vida que leva, ou que é obrigado a levar. Mas no futuro irá me agradecer por isso. Seu guarda costa começará o serviço hoje às 17h.”
Louis acenou distraidamente com a cabeça e saiu, fechando a porta atrás de si. Por um momento ele apenas permaneceu ali, encostado na porta, os olhos fechados firmemente.
O fato de que agora ele teria que andar com uma pessoa sempre ao seu lado, observando seus atos e o vigiando, deixava Louis um pouco com medo. Ainda mais sendo alguém que ele não sabia quem era.
E pela primeira vez, veio à mente o menino dos cabelos cacheados e penetrantes olhos verdes. Louis tinha a leve impressão de que seria ele quem o seguiria, e não que ele não gostasse da ideia, mas era estranho ao ponto de ser cósmico.
Com um sorriso de canto, Louis foi novamente em direção a seu quarto, teria que ir à casa de Niall antes das 17. Contar para seu melhor amigo tudo que tinha acontecido naquela manhã talvez ajudasse a limpar mais sua mente. Afinal, Niall sempre via as coisas pelo melhor lado.
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