Depois de chegar da casa de Niall, Louis estava mais calmo, e mais resignado. Tinha aceitado a ideia de que seria interessante ter um guarda costa. Ainda mais quando o guarda costas era o Curly (como Louis o apelidou secretamente, é claro).

E no tempo que Louis levou para chegar ao quarto, seu guarda costas já estava lá. Escondendo um sorriso ao pensar no apelido que tinha dado mentalmente a ele, Louis segue em sua direção parando somente para que ele saísse da frente da porta para que Louis entrasse.

“Então você é o Louis, certo?”, Harry perguntou. A voz rouca, fala devagar e os olhos (por favor, os olhos) quase fizeram Louis cair naquele lugar, porque suas pernas já estavam moles quando ele se aproximou de Harold. E seu nome dito por aqueles lábios tão... tão... não existia palavra que expressasse o que Louis sentia ao ver aqueles lábios. Só depois de um momento, que ele se deu conta que deveria responder.

“Er.. han, sim. Eu me chamo Louis.” Ele falou debilmente e momentos depois se chutou mentalmente por se fazer de idiota na frente de Harold. Ainda mais quando o mesmo levantou um dos cantos dos lábios num sorriso. Depois de respirar fundo, Louis se atreveu a dar mais um passo perto. “E você, é o Harold, certo?”

O guarda costa gemeu, e o som fez as partes baixas de Louis se contorcerem e por um triz, Louis reprimiu um gemido. O som mais erótico que ele já tinha ouvido, e Louis não era inexperiente no assunto, digamos.

“Não, por favor, só Harry. Eu insisto.” Louis percebeu que Harry, agora ele o chamaria por esse nome, já que o mesmo insistia (e quem seria Louis pra negar?), tinha inconscientemente (ou ele fez de propósito) chegado mais perto, de modo que os braços deles se tocaram por um segundo antes de Harry pigarrear e se afastar.

“Ok, Harry...” Louis falou o nome pausadamente e com um sorriso no rosto. Ele provavelmente parecia um maníaco, mas quem se ligava? Louis apontou para a porta do quarto que Harry ainda estava bloqueando com seu corpo (hum, e que corpo) e apertou os lábios juntos para tentar parar de sorrir. “Se você não se importa eu gostaria de entrar, então...” Louis quase riu da cara que Harry fez, como se pensasse que Louis ia falar outra coisa, e ele rapidamente saiu da frente da porta, murmurando um desculpa qualquer sob a respiração.

Louis entrou no quarto com um sorriso grande e idiota no rosto, por ter visto de último segundo as bochechas de Harry num tom muito perto do vermelho, e ele gostou da ideia que era ele quem tinha feito Harry ficar assim.

Louis resolveu tomar um banho e acalmar os nervos. Parecia que quanto mais Harry ocupava sua cabeça, mais ele tinha vontade de conhecer o guarda costa. Mas isso só seria possível se Louis fosse discreto o suficiente. Ele não sabia nada sobre Harry ainda, bom, tirando o fato que ele não gostava de ser chamado de Harold, mas Louis estava tentado a chama-lo assim novamente só pra ouvir aquele som gutural saindo por aqueles lábios rosados.

Depois do banho e de organizar seus materiais para as aulas do outro dia, Louis sentou na cama pensando no quão estranho seria com Harry o seguindo. Louis queria muito saber que desculpa seu pai tinha arrumado para que Harry fizesse parte das suas mesmas aulas na universidade. Mas visto que era seu pai, Louis sabia que além de subornar a supervisora do curso ele não tinha dito nada demais. Dinheiro comprava as pessoas.

O que levava Louis a se perguntar se Harry aceitou o trabalho por causa do dinheiro ou que outra razão ele teria. E alguns minutos depois, ainda sentado na cama, o sono veio entrando no corpo de Louis e o cansaço, apesar de não ter feito nada de produtivo o dia todo, se fez mais presente. Mas uma sombra de dois pés na brecha da porta lembrou Louis que ele não estava sozinho.

Louis colocou a cabeça para fora, esperando encontrar um Harry tão sonolento como ele, mas encontrou Harry cantando baixo, uma música que Louis tinha certeza que já tinha ouvido em algum lugar, mas ele estava muito ocupado ouvindo aquela voz maravilhosa cantar em tom baixo.

Louis não percebeu a porta se abrindo por completo até que ele tombou e caiu. Ou foi isso que ele achou que aconteceu. Mas quando ele abriu os olhos, só via cachos. E era como se ele estivesse sendo segurado por uma fortaleza segura. Claro, ele sentiu outras coisas nas baixas regiões, mas quando se mexeu pra confirmar, Harry já estava o segurando pelos ombros, os olhos verdes nublados com o que parecia preocupação.

E foi aí que Louis sabia que Harry seria sua perdição, completa e totalmente. Era uma certeza total, assim como ele tinha certeza que tinha as calças skinny mais apertadas que alguém que ele conhecesse.

“O que aconteceu? Você está bem?” Harry perguntou, ainda segurando Louis pelos ombros.

“Estou sim, é apenas sono. Não percebi que a porta estava aberta. Eu ouvi uma cantoria e vim ver, mas devo ter me desequilibrado”, mentiu Louis na cara dura. Ele viu Harry mudar de um pé para outro, desconfortável e Louis sorriu aliviado ao perceber que ele tinha acreditado na mentira, então resolveu provocar o guarda costa mais um pouco. “Você não ouviu quem estava cantando?”

“Não. Quer dizer, hum, não.” Harry disse olhando para todo lugar menos para Louis. “Você não deveria estar dormindo? Seu pai disse que você tinha aulas amanhã...”

Louis revirou os olhos, seu impulso seria convidar Harry para entrar, porque aparentemente ele iria passar a noite toda na porta do seu quarto e isso era inconcebível.

“Sim, tenho aula. Mas não estou com sono.” Louis falou, o que seria totalmente verdade se ele não tivesse bocejado no final da frase.

Harry riu e aperto os ombros de Louis, em seguida abrindo a porta, deu um leve empurrãozinho para que o mais velho entrasse no quarto. “Claro que não, Louis. Mas você deveria. E tente não cair muito. Eu posso não estar lá da próxima vez.” E com essa última frase, Harry fechou a porta novamente deixando um Louis muito estático do lado de dentro.

xxx

{Pequeno bônus só porque estou amável}

Harry’s POV

Harry não fazia ideia do porque ele tinha aceitado aquele trabalho. Não era como se ele estivesse necessitado. Não. Isso tudo era influencia de Nick. Seu melhor amigo. Ou o único, na verdade. Mas Harry não se importava. Nick era o melhor amigo que ele precisava.

Então aqui estava Harry, como segurança (ele não gostava da palavra guarda costa) de um filho de papai rico e provavelmente esnobe.

Mas o primeiro contato com Mark (o poderoso chefão, como Harry o chamava quando estava com Nick), Harry teve a impressão de que Louis não era nada do que ele pensava. Pelo menos, não de acordo com o pai. O menino era um tipo de garoto popular, tanto na universidade que ele estudava (a qual Harry frequentaria e assistiria às aulas, segundo Mark) como em quase toda cidade.

Por isso que Harry foi contratado, porque além de ele ser novo, isso permitia que ele saísse com Louis onde quer que ele fosse. E Mark disse que tinha o pressentimento que surgiriam problemas com o filho por causa de certos recentes ‘negócios’ da sua empresa. Harry não perguntou e Mark não falou sobre. E era melhor assim.

E Harry não pretendia ficar muito tempo naquele trabalho. Apenas alguns meses, já que sua vontade era mesmo enviar seus demos para algumas gravadoras e tentar a sorte. Mas como a sorte não estava a seu favor, ele decidiu tentar a sorte com o emprego que Nick o indicou e aqui estava ele, na porta de Louis Tomlinson, 21 anos. O primeiro encontro com o tal, Harry pôde avaliar que Louis não era nada do que ele esperava. Harry achou engraçado o fato de Tomlinson ser pequeno, mas nada ganhava o fato de que ele tinha expressões faciais mais dignas de algum prêmio. No breve diálogo entre eles, Louis quase fez com que Harry explodisse em risadas ali mesmo, primeiro quando caiu no chão e logo mais saiu para encontrar seu pai, supostamente.

Mas voltando ao presente, Harry estava desconfortável parado do lado de fora da porta de Louis. Não que ele quisesse estar do lado de dentro, não. Era porque ele sabia que não havia ninguém lá dentro, e há horas que ele esperava Louis chegar de onde quer que ele fosse. Harry não queria pensar que algo de ruim acontecesse com ele antes mesmo que Harry tivesse chance de começar o trabalho. (Pelo que Mark falou com ele antes de manda-lo esperar por Louis na porta do quarto dele, Louis tinha recebido uma ameaça de morte, então Harry deveria ter muito cuidado e atenção no trabalho, porque aquilo era sério).

E por isso que quando Louis chegou, Harry soltou um suspiro silencioso de alívio e observou o mais velho. Harry tinha notado antes que os olhos de Louis eram diferentes. Não a cor, ele já tinha visto azuis daqueles, mas o olhar em si. Como se Louis fosse muito mais velho do que aparentava, como se ele soubesse coisas demais para uma pessoa só, como se já tivesse sofrido muito.

E Harry tinha esse grande senso de proteção quando conhecia pessoas a) pequenas e b) frágeis. O que era exatamente o que Louis aparentava ser.

Harry só esperava que ele não se envolvesse muito no trabalho, porque isso implicaria em complicações maiores das que as do passado. Nick o advertiu bem quando falou para ele sobre o trabalho: ‘Tome cuidado Hazza, Louis não é o tipo de pessoa com quem você deveria se envolver, ainda mais fora do local de trabalho. Lembre-se que isso é somente trabalho, você está fazendo isso só pelo dinheiro.’

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.