Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=NQmHsUY9RXM&feature=related Não existe música mais perfeita para retratar a Lucine. Talvez seja por esse mesmo motivo que escrevi isto a ouvir essa música. x3

Talvez isto fosse tudo um pesadelo.

Ou então, talvez fosse realmente verdade.

Há algumas semanas atrás, eu havia encontrado uma rapariga estranha. Mas por algum motivo, eu continuava a ir ter ao mesmo lugar, com esperança de a voltar a ver. Às vezes ela passava por lá e tínhamos uma curta conversa antes de ela se ir embora.

Tudo começou quando estava a ir do meu trabalho para casa. Sempre que o fazia passava por um jardim cheio de flores, que se encontrava sempre vazio. As espécies de flores eram variadíssimas, e ninguém entendia como é que aquele jardim se encontrava sempre tão belo. Afinal de contas, nunca ninguém ia para lá. Havia um rumor sobre várias pessoas desaparecem no jardim e nunca mais serem vistas.

Então, talvez por mera coincidência, ou talvez pela mão do destino, entrei no jardim naquele dia. Era a primeira vez que eu havia lá entrado, e só depois de o fazer é que pude perceber que havia lá um riacho. À volta deste encontravam-se apoios de madeira e sinais de proibição. Apoiei-me na madeira e suspirei, ouvindo a água a correr. Sem dúvida nenhuma era um som relaxante depois de um dia de trabalho complicado.

E então, a partida pregada pelo destino aconteceu. Um pouco afastada de mim encontrava-se uma rapariga, também encostada à madeira. Ela observava a água a fluir sem se mover.

Claro, quando a vi pensei que se tratava de uma pessoa estranha. O cabelo dela tinha dois tons de rosa: um claro na franja e outro mais escuro para o resto do cabelo. Era comprido e liso, mas parte dele estava apanhado num rabo-de-cavalo e era ondulado. Trazia uma blusa vermelha e preta, e uma saia comprida vermelha. E quando os nossos olhares se cruzaram, pude perceber que eram castanhos.

Mas ao invés de me afastar daquela pessoa estranha, dei ouvidos à curiosidade e aproximei-me mais ainda.

Depois de vários dias de a vir visitar e de conversar com ela, descobri que o nome dela era Lucine. Era bastante reservada e evitava que eu lhe fizesse perguntas sobre o nome completo dela, do sítio onde ela tinha nascido e onde morava. E eu, como é óbvio, evitava o assunto. Não a obrigaria a falar de algo que não a fazia sentir confortável.

Mas a curiosidade começava a ser maior e maior, e começava a ser impossível resistir.

E quando lhe perguntei onde morava, ela apenas olhou para mim antes de dizer:

“Esquece tudo sobre mim.”

E desde aí, ela deixou de ir ter comigo ao jardim. Comecei a ficar cada vez menos motivado, já que a companhia dela me fazia falta. Ela havia acabado por se tornar uma pessoa próxima de mim, apesar da barreira que ela insistia em montar.

Amor? Não fazia ideia.

Se a saudade que eu sentia poderia ser explicada por amor? Talvez não. Mas quando, uns meses depois a vi no jardim novamente, percebi que realmente se tratava desse sentimento tão estranho.

Apanhei-a de saída do jardim, parecia.

Ela caminhou lentamente para fora do jardim e, sem dar conta das minhas próprias acções, segui-a. E depois de vários minutos a andar, o ambiente refrescante do jardim estava a ser substituído por um assustador.

E chegámos novamente. A outro jardim. Mas as flores deste eram apenas manchadas de uma cor…

Vermelho. Rosas.

E quando olhei para cima e vi que o céu estava escuro, apercebi-me que vários morcegos esvoaçavam o sítio aonde eu me encontrava.

À frente de um castelo.

Tinha um aspecto bastante antigo, pela altura da era medieval. Talvez durante o dia aquele ambiente não fosse tão pesado. Mas enquanto a seguia, o sol acabou por desaparecer totalmente do horizonte.

Se o castelo era assustador? Sem dúvida alguma que sim.

Se o castelo era assustador de dia? Eu queria acreditar que não.

Engoli em seco e dei uns passos em direcção à entrada do castelo. Parte de mim dizia que eu deveria ir para casa e esquecer toda esta história louca. Mas outra parte de mim dizia-me que eu nunca a voltaria a ver se não fosse lá.

E assim que a porta se abriu sozinha, mais vontade tive que ir embora. As minhas pernas não me obedeciam, no entanto. Com passos lentos, entrei no castelo e suspirei antes de olhar à minha volta para me tentar acalmar. Não resultou.

Antes que os meus olhos tivessem tempo para se habituar à escuridão, o candeeiro por cima de mim acendeu-se e vi várias pessoas à minha frente, espalhadas pelas escadas que levavam ao segundo piso. Estas escadas dividiam-se em duas, uma dava para o lado direito e outra para o esquerdo. Uma carpete vermelha estava estendida desde o topo das escadas até ao local onde eu me encontrava. Olhei à minha volta e encontrei móveis que aparentavam ser antigos como o castelo.

– Oh, um humano que veio até aqui de livre vontade. Que interessante. – Disse um deles, com um sorriso enorme, de uma maneira irónica. – Será que finalmente te decidiste juntar a nós, Lucine?

Ao ouvi-lo pronunciar o nome dela, segui o olhar dele para a parte direita das escadas e vi Lucine a descer. Desta vez ela não estava vestida normalmente, mas sim com um vestido da época medieval. E quando ela olhou para mim, a única coisa que encontrei foi frieza. Não havia uma gota de emoção no olhar dela.

– Não faço a menor ideia de me juntar a vocês.

– Oh, claro que não, minha querida. Mas os comprimidos idiotas que tomas para substituir o sangue deixam de funcionar a certa altura, não é? Por muito que tentes não magoar os humanos, necessitas de um deles duas vezes por ano.

Ela franziu as sobrancelhas e deitou um olhar frio ao que estava a provocá-la. Ele levantou as mãos, como se estivesse a fazer um sinal de que se rendia.

Todos desceram as escadas e formaram um círculo à minha volta. Olhei para eles assustadamente, e tropecei nos meus próprios pés. Lucine aproximou-se de mim então, e suspirou.

– Deverias ter-me dado ouvidos, humano. Os malditos comprimidos de sangue não são capazes de matar a sede sempre…

E quando ela se baixou para cravar os dentes dela no meu pescoço, reparei que os olhos dela estavam vermelhos.

Talvez fosse tudo um sonho. Quando sentimos a falta das pessoas, o nosso subconsciente leva-nos a imaginar coisas estranhas para aliviar a saudade. E talvez seja por isso que ele me está a dar este pesadelo estranho.

Mas quando ela me mordeu o pescoço, a sensação era demasiado dolorosa e real para ser um sonho. Se o fosse, a esta altura já deveria ter acordado.

E quando ela finalmente retirou as suas presas do meu pescoço e eu me sentia a morrer, ela disse algo que finalmente me fez perceber tudo…

Lucine Levine.

Levine…a família de vampiros de sangue puro dos mitos.

Notas finais
Lalala, eu sou major fail a escrever cenas de vampiros, por isso não esperem muito de mim. Enfim, se alguém quiser que eu continue, eu vou pensar nisso. Senão, isto apenas ficará uma oneshot. Reviews? |D